Phillipa estava praticamente pronta para sair. Era um privilégio ter a casa cheia todos os dias, poder se apresentar numa história tão incrível, mas o cansaço também batia, e ao fim do espetáculo, tudo que ela queria era ir pra casa. Mas sua gratidão pelos fãs a faria ir para a parte de trás do teatro, onde parte do público a estaria esperando, para fotos e autógrafos, conhecê-la de perto. Foi por isso que quando ela se virou e viu Lin um tanto aflito, ficou bem intrigada.

-Tudo bem, Lin? Aconteceu alguma coisa? - ela quis saber imediatamente.

-Hã, nada de mais, eu só… na verdade, eu precisava falar com você e o que eu tenho pra contar é demais - ele deixou o nervosismo transparecer.

-Tudo bem, respira fundo e se acalma - ela deu um sorriso conciliador, acostumada com o jeito dele.

-Você poderia ir lá em casa amanhã? Assim, à tarde, tem um… - ele limpou a garganta - uma pessoa fã do show que queria te conhecer.

-Ah certo, tudo bem - Phillipa concordou, mas ainda estava desconfiada daquele pedido repentino.

-Certo, eu sei que parece estranho, mas prometo te dar mais detalhes amanhã - Lin esclareceu.

-Está bem, prometo que vou, fique tranquilo - ela garantiu.

Os dois voltaram para casa um tempo depois, Lin pensando em como seu hóspede tinha se sentido ao ver toda sua vida encenada e Phillipa imaginando o que seu amigo e colega de trabalho poderia estar aprontando.

Alexander por sua vez, aconchegado ao sofá dos Miranda, tentava processar tudo que tinha acabado de presenciar no Richard Rogers. Lin o observou pensativo e contemplativo, muito diferente do sujeito que interpretava e tinha conhecido pela biografia.

-Você está bem? - Lin tentou perguntar.

-Hã… - Alexander balbuciou e depois limpou a garganta, retomando a compostura - estou, estou… maravilhado com o que você fez.

-Quer dizer que não achou nada ofensivo ou coisa parecida? - o autor ainda estava meio temeroso.

-Confesso que teve uns exageros da sua parte, eu nunca me apaixonei pela Angelica, éramos bons amigos, mas nada além disso, e eu fui demitido do gabinete de Adams - Alexander estava disposto a citar uma porção de erros históricos, mas viu que estava perdendo o foco - mas o que você fez sobre a Eliza… não tenho palavras para te agradecer por todo o reconhecimento que deu à minha Betsy, ela merece ainda muito mais, sempre foi tão melhor que eu…

-Então é por isso que você quer falar com a Phillipa, agradecer pessoalmente pelo trabalho dela - Lin compreendeu.

-Exatamente - Hamilton confirmou.

-Eu fico feliz por você ter gostado disso - o autor tocou um pouco mais no assunto - sabe, eu não conheci a Eliza pessoalmente, nem teria como, mas, por tudo que eu li e por todo trabalho que eu sei que ela fez, sei que foi uma pessoa incrível.

-Muito mais do que você pode imaginar - afirmou Hamilton, muito orgulhoso da esposa - eu fui um homem de sorte por tê-la em minha vida.

Dessa vez, foi Lin que acabou chorando com a declaração, entendendo que, com certeza tinha contribuído para o legado dos Hamilton, e naquele momento percebeu que ele era muito mais que uma figura histórica apagada durante muito tempo, mas um ser humano real.

Os Miranda deixaram seu hóspede descansar, tendo quase um dia normal no dia seguinte. Alexander ainda fazia perguntas sobre modernidades que Lin estava super disposto a responder, até que chegou a hora em que Phillipa foi visitá-los.