Sinopse: O tempo passa lentamente para os yokais, quase se arrastando. Entediado com vida humana que tinha que levar, Kirinmaru queria uma distração, uma abstração, pensou que nunca a teria naquela modernidade, até reencontrar ele.

Ah, a modernidade, uma era em que yokais não passavam de mitos, lendas, folclore. Uma era um tanto quanto tediosa em sua nada humilde opinião.

Não bastou essa humilhação de virassem folclore, os que ainda existiam além de ocultarem suas presenças também precisaram ocultar sua aparência.

Kirinmaru, Rei Bestial do Leste em um passado não tão distante assim, menos de um milênio, agora se chamava Kirin, professor de língua inglesa em uma escola só para meninas na cidade de Tóquio. Como os grandes caíram.

Era final de tarde de uma sexta-feira que indicava ser monótona como todos os dias. Arrumava seu material de aula para ir embora, e apenas existir como vinha fazendo há pouco mais de 100 anos.

Sentia falta das batalhas, da excitação de enfrentar o inimigo, testar seus limites e poderes. Queria novamente aquela sensação tomando conta de suas entranhas. Quem sabe algo como na batalha contra as princesas meio-yokais, filhas dele. Sesshoumaru Taisho.

O que será que aconteceu a ele? Kirinmaru se perguntava. Desde a batalha não sabia nem ouviu mais nada no filho do Grande Cão General do Oeste. Ainda estaria vivo? Disfarçado como ele? Ou teria sucumbido ao tempo? Estariam suas filhas ainda vivas também? Pensar neles só o deixou ainda mais nostálgico.

E nas nuvens — irônico já que ele poderia alcança-las sem problema — tanto que não percebeu que já estava na porta de seu apartamento.

— Realmente, estava distraído — falou sozinho. — Mas uma boa distração ainda assim.

O lado bom de ser um yokai era não ter que se prender ou se enquadrar naquelas regras ridículas e hipócritas que os humanos ditavam para se escravizarem e viverem miseráveis. Machos, fêmeas, o que lhe desse vontade, teria.

Kirinmaru nunca negou a si mesmo que Sesshoumaru era um espécime fascinante, bonito, gostoso. Imaginava que apesar daquela fachada impassível, inexpressiva, deveria se esconder uma fera sexual passional. Do tipo que ditava as regras da foda.

Pensar naquilo fez com seu corpo estremecesse. Um arrepio gostoso. Não custava imaginar.

Deixou suas coisas em cima da mesa da sala e foi tomar um banho, acabar com a farsa do dia, voltar a sua aparência original. Se olhou no espelho do banheiro, muito melhor.

Não se demorou no banho, secou-se rapidamente, pegou uma roupa mais tradicional. Não queria ficar enclausurado naquele apartamento, não naquela noite. Andou até a varanda, sentindo o ar noturno bater em sua pele, inspirou fundo e logo estava nos céus.

A vista da cidade daquele ângulo era agradável, bonita, mas não era a que desejava naquele momento. Voou até a floresta pouco mais ao longe. A pureza do ar facilmente sentida.

Pousou floresta adentro, ouvindo seu som. Há quanto tempo não fazia aquilo? Caminhar por entre as árvores, na escuridão da noite. Sentindo a terra sob seus pés.

Andou até uma clareira onde se deitou para admirar as estrelas que pintavam o céu. Tão bonitas. E solitárias.

O que estava acontecendo consigo naquele dia? Por que tão nostálgico? Seria o tédio da rotina humana que o estava deixando assim?

Encucado ficou, mas não significava que estava distraído para o que o rodeava. Sentiu que algo, alguém o observava, não era humano, e sim alguém que escondia sua presença com perfeição. Um yokai poderoso.

E tão rápido que percebeu seu admirador, tão rápido ele sumiu. Que pena, sequer teve a oportunidade de tentar adivinhar quem era.

(...)

Os dias passaram arrastados para seu gosto, até então. Quem diria que seria justo naquela segunda-feira que seria o primeiro dia de Towa na escola em que lecionava.

Sorriu, vê-la depois de tantos séculos foi animador. No entanto sabia que logo a adolescente partiria para a Era Feudal.

Enquanto conversava com a jovem sobre se atrasar por causa de brigas, mais uma vez ele se sentiu observado. Então era ele. Sorriu como há muito não acontecia.

Despediu-se de Towa, terminou seus afazeres e foi embora.

Não trilhou o caminho usual, aliás ir para a casa era a última coisa que faria naquele momento. Deixou que sua presença aparente.

Andou até uma praça relativamente perto do colégio, estava vazia, melhor. Parou no meio dela e esperou.

— Sei que está aí — falou.

Sesshoumaru saiu por entre os arbustos. Pouquíssimo havia mudado nele, exceto o cumprimento dos cabelos prateados e ausência de suas mar as características, a lua no meio da testa, as faixas vermelhas nas bochechas, as orelhas pontiagudas e os caninos.

— Mesmo com características tão humanas, não deixa de ser bonito — Kirinmaru não pôde deixar de comentar.

A princípio o antigo rival não falou nada.

— Quieto como sempre.

— Que disfarce ridículo.

— Assim me ofende... — Brincou.

Sesshoumaru o rondou como quem rondava uma presa. — Que nojo...

Kirinmaru sentiu o desprezo na voz dele, mas pouco se importou.

— Como conseguiu ficar tão feio assim?

Apenas sorriu de lado, não se importava com aquilo, nada mais era que um disfarce, também não poderia se dar ao luxo de ser reconhecido por Towa.

— Não me lembrava de se importar tanto assim com aparência, Sesshoumaru — dizer o nome dele assim, deixou um sabor adocicado em sua boca.

Não houve resposta, apenas a presença dominante do outro. O que tornava seu dia melhor, divertido. E quem sabe levaria a outro tipo de diversão.

— E essa aparência é agradável por acaso? — A voz saiu cortante.

— Nunca ninguém reclamou, até você. — Um sorriso jocoso desenhava seus lábios.

— Humanos não tem noção de nada.

— Talvez... — Foi a vez de Kirinmaru rondar Sesshoumaru como um predador. O cheiro dele continuava atrativo, um convite aos seus pensamentos mais devassos.

Os olhos dourados do dai-yokai estavam fixos em sua pessoa, sentiu-se lisonjeados, apesar da frieza deles. Por um breve momento permitiu que sua verdadeira aparência viesse à tona.

— Melhor? — Provocou.

E outra vez sem resposta, tudo bem, tinha em mente conseguir um outro tipo de verbalização dele.

— Pois bem, me alcance se puder. — Rumando ao céu em seguida.

(...)

Segundou depois de chegar ao seu apartamento. Recordava de que o filho do Grande Cão General do Oeste não gostava de ser provocado levianamente. Mas quem disse que estava sendo? Era uma provocação para valer, queria tirá-lo daquela inércia.

Fingindo que estava só, começou a despir-se. Jogou o paletó e a camisa social de qualquer jeito na cadeira. Sentiu a mudança na energia dele.

Taisho encostou-se no batente da porta da varanda de braços cruzados, apenas observando. Kirinmaru estava brincando com fogo e iria sair seriamente queimado disso. Com o passar dos anos, depois do falecimento de sua companheira, se envolveu poucas vezes com outros, fêmeas e machos. Tinha um alto padrão de exigência, não era qualquer um que tinha o prazer de ser dominado por ele.

Atento a cada movimento daquele que um dia foi o senhor do leste, sentindo o cheiro de sua excitação. Kirinmaru, na verdade, nunca escondeu a atração que sentia por ele.

Em um piscar de olhos, o prensava contra a parede, sentindo as costas dele em seu peito, com a mão direita puxou os cabelos de sua nuca levemente para trás.

— Implore — sussurrou em seu ouvido esquerdo. — Implore para que eu te coma.

Kirinmaru sentiu cada pelo em seu corpo se arrepiar, cada célula de seu corpo desejar aquele yokai, sentir ele entrando e saindo, forte, rápido. Tentou se soltar dele, mas Sesshoumaru não era de ceder facilmente. Sentiu seus lábios tomados pelo dele, um beijo agressivo, passional, quente.

Foi virado e sentiu o corpo maior contra o seu, sua quentura. Os lábios do dai-yokai desceu para seu pescoço, as mãos dele em sua cintura, o apertando. Enquanto as suas mãos passeavam pelos braços musculosos até os cabelos prateados, os puxando, saboreando a boca daquele maldito gostoso.

Arrancou as roupas de Sesshoumaru, impaciente. Foi sua vez de atacar o pescoço do maior, degustando sua pele, seu cheiro. O empurrava na direção do sofá, onde o jogou e sentou em seu colo, roçando sua ereção na dele. Sentiu as garras arranhando suas costas, os beijos sendo distribuídos por seu peito nu. Gemendo com a carícia inesperada. Deixando-se mover pelo instinto, rebolou no colo dele, provocando mais e mais. Arrancando um rosnado baixo dele.

Quando deu por si, já estavam em seu quarto, mais precisamente em sua cama, nus. Aquele contato pele com pele era uma delícia a parte. Inverteu as posições, ficando por cima, Sesshoumaru o segurava pelas coxas, subindo até as nádegas, apertando com vontade. Safado. Dois poderiam brincar.

Kirinmaru agachou-se, beijando a pele alva do pescoço, descendo pelo peitoral perfeitamente definido, descendo pelo abdômen desenhado, chegando mais perto de lá.

Admirou por um momento o membro ereto, grosso, delicioso. Lambeu os lábios antes de abocanha-lo. Sugando com vontade, aproveitando, provocando. O tirou da boca, fez um vai-e-vem fazendo pressão nos pontos certos, passou a língua da base a cabecinha. Arrancando gemidos do dono do cabelo prateado.

Não deixou que ele gozasse logo, ainda queria aproveitar muito daquele macho.

Sesshoumaru não deixou que ficasse por cima por mais tempo, invertendo novamente as posições. Cães são tão dominadores, pensou. Sentiu uma leve mordida em seu ombro, gostou da sensação provocada. O prateado se posicionou para o penetrar e o fez aos poucos.

Sentiu toda a extensão entrando e saindo, forte, ritmado. Cada célula de seu corpo gritando de prazer. Arranhava as costas de Sesshoumaru enquanto ele o estocava com vontade. Já não era capaz de formar uma única linha de raciocínio, sua capacidade se reduziu ao tato.

Puxou o rosto do prateado e o beijou com fervor, as línguas batalhavam, um queria domar o outro. O ósculo foi se tornando mais apaixonado. Sesshoumaru não parou até que os dois gozassem. Saiu de dentro do outro com cuidado.

Eles estavam apenas começando. Deixou uma trilha de beijos pelo corpo menor, o queria a sua completa mercê. Chegou onde queria, lambeu os lábios começou a masturba-lo, devagar, observando as reações de Kirinmaru. Os gemidos era que queria ouvir.

Começou a felação com vontade, passou a língua por toda a cabecinha antes de engolir de novo o membro.

— Ah, assim — Kirinmaru conseguiu proferir entre os gemidos. Sesshoumaru não era apenas dominador, bonito, era um amante sem igual. Sabia perfeitamente o que fazia. Sentia que logo se desfazeria em sua boca a qualquer momento.

Levou as mãos aos cabelos prateados, apertando levemente. Estava bem próximo do clímax.

Percebendo isso, Sesshoumaru aumentou o ritmo, sentindo os jatos do gozo, engoliu até a última gota.

Observou o parceiro deitar de bruços, empenar a bunda, sinalizando que queria mais, muito mais. Não se fazendo de rogado, Sesshoumaru o penetrou com calma, espalmou a nádega esquerda de Kirinmaru que gemeu ainda mais alto.

O estocava forte, segurando o quadril dele com mão direita e com a esquerda puxou o cabelo dele. Kirinmaru rebolava com vontade, arrancando de Sesshoumaru um gemido satisfeito.

Aquela brincadeira durou a noite toda, quando os dois se satisfizeram por completo.

(...)

O sol nascia no horizonte, pintando o céu com um azul mais claro. Teriam que voltar as suas vidas normais. Ou seja, voltar aos disfarces de humanos.

Entretanto, não mais na rotina maçante e entediante de outrora. Tinham a liberdade de procurar um ao outro sempre que sentissem vontade de repetir a dose.

E de certa forma, aproveitarem a companhia um do outro, de seu semelhante.

Até que a Era Moderna não era tão ruim assim.