Capítulo XI

O Começo do Fim

As lágrimas continuavam a cair pelo rosto de Kagome, quando o seu desconhecido salvador tirou um objeto de dentro da carteira. Antes mesmo que ele o colocasse em suas mãos, ela já sabia do que se tratava: era o anel que Kikyou havia herdado da mãe delas.

Antes de ver aquela prova, em seu coração, já havia sentido que aquele homem dizia a verdade e viera lhe salvar. Agora tinha certeza que não era um engano.

Enquanto entregava um lenço para que Kagome enxugasse o rosto, ele se apresentou:

– Meu nome é Houjo e sou um investigador particular.

Com formalidade, ele estendeu a mão que Kagome aceitou. Seguiu-se um silêncio incômodo até que ela conseguiu se acalmar um pouco e perguntou eufórica:

– Você esteve com a minha irmã, né? Então me diga, por favor, como ela está? Eu preciso saber!

– Fique tranqüila, vou responder todas as suas perguntas. Mas primeiro acho melhor você se sentar, nossa conversa certamente será longa – disse o homem.

A garota sentou-se em sua cama e ele acomodou-se também, próximo a ela.

– Vou te contar resumidamente o que sua irmã Kikyou me disse... No momento, ela se encontra muito bem. Com isso, você não precisa se preocupar. Desde que ela saiu daqui, tudo ocorreu o melhor possível. Bem, quando ela chegou na capital, ela teve que procurar trabalho. Então ela foi parar no consultório de um médico muito bondoso que conseguiu colocá-la em contato com o avô de vocês. – Houjo fez uma pausa e Kagome o observou com olhos brilhantes de expectativa. – Ele a recebeu muito bem e assumiu a situação e é por isso que estou aqui. Seu avô me forneceu os meios para conseguir tirá-la daqui rapidamente e colocar o seu irmão em segurança, e é o que ele quer que eu faça o mais breve possível. No entanto, pessoalmente, quero a sua ajuda.

– Em quê eu poderia te ajudar?

– Veja bem, já tem algum tempo que este lugar tem sido visto com desconfiança pela população e pelas cidades vizinhas. Eu já tinha ouvido algo a respeito e quando seu avô chegou até mim, não hesitei em pegar o caso. Mas também quero aproveitar para dar um fim nessa rede de tráfico de drogas e prostituição! É necessário pegar Naraku em flagrante, assim nem as autoridades que o encobrem terão como protegê-lo. Para isso preciso de alguém de confiança aqui dentro. Mas se eu simplesmente usar o dinheiro do seu avô para tirá-la daqui não vou ter ninguém para me ajudar. E então? O que me diz?

– É claro que vou te ajudar! Quero muito sair daqui, ter uma vida normal, reencontrar meus irmãos, mas não quero que ninguém mais tenha que passar pelo o que eu passei.

– Nós já estamos preparados para o flagrante. Há outros trabalhando comigo. Também tenho contatos na polícia, que desde já, deixo claro que não é a local e posso garantir que são de confiança. Além disso temos uma equipe de repórteres a postos. Tudo vai ser documentado e transmitido ao vivo de modo que não haverá nada que os poderosos inescrupulosos dessa cidade vão poder fazer para livrá-lo dessa. Está tudo bem planejado só faltam algumas informações que eu espero que você possa me dar. Dessa vez ele não irá escapar. – Segurou as mãos de Kagome entre as suas e encarou-a fixamente – Não peço um favor tão grande sem nada em troca, virei todos os dias para ficar de olho nele e proteger você.

– Não!!! – Kagome exclamou.

– Por quê? – Houjo indagou confuso.

– É uma história meio longa. Mas em resumo, se Naraku achar que você está muito interessado em mim vai dar um jeito para você não me ter mais.

– Tudo bem. Então vou arrumar para que outros venham no meu lugar. Vou deixar um celular com você. Guarde-o bem e nunca deixe ninguém perceber que ele está com você. – Houjo ainda deu mais algumas explicações sobre o que viria pela frente, mas ressaltou que outros detalhes viriam na medida em que ela fosse conseguindo as informações de que ele precisava. Quando viu que o tempo estava esgotando pediu:

- E agora, antes de ir embora, eu quero que você escreva uma carta para sua irmã, ela quer muito notícias suas.

Era tanta coisa que contar, que Kagome achou que não teria tempo. Mas resumiu seu encontro com Inu-Yasha e tudo o que ele significava para ela.

– Não se preocupe, tudo dará certo. – Houjo afirmou antes de partir, deixando o dinheiro encima da cômoda.

Kagome deitou em sua cama e suspirou feliz. Era tudo muito bom, inacreditável. Quando já não havia mais esperança, apareceu a salvação. Era só uma questão de tempo até Naraku ter o que merecia. E o melhor de tudo era saber que estaria contribuindo para o seu fim. Agora precisava dar um jeito de contar as novidades para Kagura e Sango. Mas de agora e diante tomaria todo o cuidado do mundo para Naraku não descobrir nada. O primeiro passo era camuflar a cara de felicidade e mostrar que estava sofrendo.

Este era o momento de deixar o seu lado atriz aflorar. Porque se tudo desse certo, pelo que Houjo havia dito em menos de um mês tudo estaria acabado e então ela estaria livre para ser feliz com Inu-Yasha.

Kagome adormeceu sorrindo. O paraíso nunca havia estado tão próximo.

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O carro de Inu-Yasha ficou pronto no dia seguinte. Estava louco para pegá-lo e voltar para a sua amada, no entanto, tinha algo que precisava fazer antes. Estava atrasado vinte e seis anos.

Estava num trevo, se seguisse em frente ia voltar para sua Kagome, virando a esquerda ia de encontro à sua origem. Mas não voltaria atrás agora.

Via-se que a cidade se tratava de uma pequena localidade. Provavelmente ali todo mundo sabia da vida de todo mundo. As poucas pessoas que estavam na rua naquela manhã, olhavam para o seu carro com curiosidade. Certamente era uma novidade, num lugar onde poucas coisas aconteciam.

O endereço ficara gravado em sua mente, e as instruções de seu pai foram precisas, num instante estava em frente a uma pequena casa branca. Seu coração agora estava batendo descontrolado.

A coragem estava falhando, por mais que soubesse que sua mãe havia sido obrigada a abandoná-lo e que por todos aqueles anos havia recebido notícias suas, ainda persistia o medo de que ela talvez não se interessasse por ele.

Não, não pensaria assim, precisava conhecê-la.

Saiu do carro decidido, parou em frente a casa e bateu a campainha. Ouviu um rumor dentro da casa. Passos que se aproximavam da porta e então esta se abriu.

De repente, estava encarando olhos violetas como os seus, que exibiam espanto. Mas logo tudo que sentia eram amorosos braços que o apertava. Foi estranho, nunca havia sentido tal sensação. Aquilo era receber o amor de uma verdadeira mãe.

Não haveria palavras para descrever aquele momento. Nenhum dos dois também lembraria tempos depois de tudo o que em seguida se passou.

Mais tarde se encontrava instalado confortavelmente num sofá dentro de casa ao lado de sua mãe.

– Ah, meu filho, não consigo acreditar que você esteja aqui. Mesmo tendo esperado a vida inteira esperando que esse dia chegasse, mas me conte, o que deu em seu pai para te contar?

– Ele não me contou exatamente, acabei pegando uma conversa entre ele, Kazumi e meu irmão. – era engraçada a maneira como com tanta facilidade havia deixado de chamar Kazumi de mãe bem como sentia que acostumaria rapidamente a chama Izayoi de mãe. – Descobri que ela não era minha mãe biológica, aí meu pai não teve muita alternativa a não ser contar toda a verdade. – Inu-Yasha viu que sua mãe ficara desapontada, podia ter inventado uma história, mas não seria correto enganá-la com falsas ilusões.

– Entendo... Me fale sobre você. As notícias que recebo sobre você são sempre muito vagas.

Inu-Yasha, a encarou reparou que ela estava muito bem conservada para a idade, não parecia ter muito mais de trinta e cinco anos, no entanto sabia que na realidade certamente passaria com folga dos quarenta.

– Estou namorando. – Respondeu.

– Oh! Então me conte sobre ela... o namoro é sério?

Inu-Yasha estava um pouco constrangido. Era difícil contar coisas tão íntimas para uma pessoa desconhecida. Mas, decidiu abrir seu coração, estava mesmo precisando desabafar e tanto melhor com alguém que poderia entendê-lo.

– A história é um tanto complicada, é muita coincidência a forma como a conheci... portanto vou contar desde o princípio. – Então Inu-Yasha passou a relatar sua história com Kagome, como se conheceram, as dificuldades que enfrentavam culminando com os acontecimentos que o levaram a descobrir sua origem.

Izayoi tentou, mas foi impossível, não ficar no mínimo surpresa com as revelações do filho, no entanto podia compreendê-lo.

– Confesso que fiquei muito tentado a passar direto para ver logo a minha namorada. Estou com muitas saudades... mas ainda bem que eu vim. Significou muito para mim. – Ele disse sorrindo, o amor era visível em seus olhos tanto quanto falava em Kagome quanto quando falou sobre a mãe.

– Oh, meu querido! Para mim significou tudo! Ter você aqui é o que mais queria na vida. – Izayoi abraçou o filho de novo. – E não tema, juntos vamos resolver todos os problemas que vierem. – E então Inu-Yasha se deixou abraçar. Sua mãe o embalou como havia feito quando ele era um bebê antes de terem lhe obrigado a abandoná-lo. Finalmente havia se encontrado, após anos se sentindo perdido. Só havia um lugar que trocaria pelos braços de sua mãe e esses eram os braços de sua amada.

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Como havia prometido, a cada dia, Houjo mandava um homem diferente vir abordá-la eram todos policiais escalados na operação para prender Naraku.

Fazia tudo para Naraku não desconfiar de nada. Chegava ao ponto de criar olheiras para que ele acreditasse que estava sofrendo. As conversas com os policiais apenas sussurros. Kagura e Sango a ajudavam a vigiar tudo o que acontecia na casa. Procuravam qualquer movimentação estranha que denunciasse que um carregamento de droga chegara. Tinha que pegá-lo em flagrante.

Naquela noite, Houjo voltara. Kagura havia ouvido conversa de que a noite seguinte era a que tanto aguardavam desde que aceitara ajudar. Kagome e Houjo se comunicavam pelo celular através de mensagens.

Havia alguns minutos que conversavam quando ouviram um rumor vindo do corredor. Houjo agiu depressa jogou Kagome contra a cama deitou ao seu lado e beijou-a. em seguida a porta se abriu e duas pessoas invadiram o quarto. Assustada Kagome se afastou de Houjo e exclamou:

– Inu-Yasha?! – Ela bem que desejou se levantar da cama e se jogar nos braços de seu amado, mas a fisionomia dele era de poucos amigos.


Dessa vez vou tentar falar menos. Já se passaram nem sei quantos dias, semanas, meses e mais de ano. Apesar dos pesares, fiz essa forcinha para postar a história hoje. Não são só vocês que ficam ansiosos: eu também!

Escrever, para mim é uma paixão. Mas estou numa fase em que tenho que sacrificar algumas coisas em prol de outras. Quando comecei a postar, a minha vida era outra, meus pensamentos eram outros. Quero muito terminar essa história, principalmente por vocês que me acompanham, mas também por que provavelmente não haverá uma próxima.

Este mês, a fic faz aniversário, vai completar cinco anos que comecei a escrevê-la. Incrível! Achei que nessa época já haveria muito tempo que eu a teria terminado. No final de setembro, fará cinco anos que comecei a publicá-la neste site. Quem sabe até lá eu consiga digitar o próximo capítulo, que inclusive, já está pronto no papel?

A resposta das reviews não está aqui, por respeito a umas das regras do site. Mas eu montei um blog e coloquei lá. É só ir no meu profile para ver o endereço. Nâo deixem de conferir.

Qualquer erro e inconsistência que encontrarem me avisem para eu tentar consertar.

Agradeço a todos vocês que lêem, comentam, mandam e-mails e me procuram no orkut.

Beijos!

PS: No blog tem como comentar também, mas peço que continuem fazendo por aqui mesmo.