Capítulo XIII

Enquanto um policial recolhia a arma, Kagome corria para o lado de Inu-Yasha. A garota desesperou-se ao ver a roupa dele manchada de sangue.

– Inu-Yasha! – Agachou-se no chão e segurou o rosto dele entre suas mãos. Inu-Yasha abriu os olhos, parecia meio atordoado, mas quando focalizou o olhar preocupado de Kagome, seu rosto se iluminou e conseguiu esboçar um sorriso.

– Kagome, eu estou bem. – Assegurou.

– Mas... mas, esse sangue na sua roupa?

– Não é meu, é daquele miserável. – Dito isso, direcionou seu olhar para o lado onde Naraku se encontrava. Não estava morto, a roupa dele estava ensopada de sangue, mas o tiro não havia atingido nenhum órgão vital.

– Você está bem? – Houjo perguntou para Inu-Yasha ao se aproximar do casal.

– Está tudo perfeitamente bem. Acho melhor ir lá socorrer o infeliz. Espero que ele continue bem vivo para pagar por seus crimes. – Inu-Yasha falou com súbito mau humor. Apesar de saber que para Kagome o beijo com aquele cara, que agora ele bem sabia se tratar de um policial, não havia significado nada, para o outro não era bem assim, pois este olhava embevecido para Kagome. Então, quanto mais longe Houjo ficasse de Kagome, tanto melhor.

Ele pareceu entender o recado, pois sem dizer mais nada se afastou.

Inu-Yasha se levantou levando junto Kagome.

– Precisamos conversar – ele disse muito sério.

– Sei... mas como podemos com toda essa confusão?

O lugar de fato se encontrava de pernas para o ar. Alguns policiais prendiam os capangas de Naraku, outros tentavam acalmar as mulheres que estavam histéricas enquanto o restante continha a imprensa que tentava se aproximar de Naraku que estava sendo socorrido.

Os jornalistas também pareciam interessados no casal, mas Houjo não os deixava chegar perto.

– Vamos para o seu quarto. – Inu-Yasha pegou Kagome pela mão e fez um gesto com a cabeça para sinalizar para Houjo a sua intenção.

Chegando lá Inu-Yasha fechou a porta e foi logo abraçando Kagome apertado para então distribuir milhares de beijos pelo rosto da garota, pegou-a no colo e sentou-se na cama com ela para enfim beijá-la com intensidade.

– Eu levei um susto quando aquele louco fez você de refém. Morri de medo de te perder. – Quando já estava sem fôlego, eles pararam o beijo, mas Inu-Yasha continuou abraçando-a e então sussurrou aquelas palavras no ouvido dela.

– Ah, engraçadinho! Eu é que fiquei apavorada vendo você lutando com Naraku. – Fingiu-se de zangada. – Mas você foi maravilhoso. Primeiro não consegui acreditar quando vi você chegando hoje, mesmo após eu ter dito coisas horríveis ontem e depois você arriscou a vida para me salvar, como posso te agradecer?

– Bom, quanto ao "primeiro", por um instante eu realmente acreditei nessas coisas horríveis, no entanto, eu conheço a minha menina, assim captei a mensagem que você queria passar. E se fosse verdade, por mais traído que me sentisse, não sei se eu conseguiria te deixar em paz... talvez eu quisesse me vingar. O que eu não posso é viver sem você. O que nos leva ao "depois". Sem você, o que seria de mim? Minha vida não vale nada sem você! Preciso estar perto de você! – Segurou o rosto dela por entre suas mãos e beijou-a brevemente. – Então não precisa me agradecer, fiz o que era necessário por mim também.

Lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Kagome.

– Que isso meu bem? O pior já passou agora vai dar tudo certo. – Inu-Yasha preocupou-se.

– Mas é justamente por isso. Estou tão aliviada! Preocupei-me tanto, pensando como faria para te encontrar e convencê-lo de que só falei aquelas coisas porque fui obrigada. E bom, antes disso eu ainda tinha que esperar pelo sucesso dessa noite... – Kagome abraçou-o apertado. – Num momento pensei ter perdido tudo, e agora não poderia me sentir mais feliz... Também preciso estar perto de você Inu-Yasha, te amo. – Sussurrou.

Antes de saírem do quarto Kagome contou tudo o que tinha acontecido desde que Inu-Yasha havia viajado. Quando ele teve a confirmação de que nada demais havia ocorrido enquanto esteve fora, não pode deixar de se sentir aliviado, tanto por Kagome não ter sofrido como ele imaginara quanto por si próprio, que não sabia do que seria capaz se alguém tivesse machucado sua garota.

No salão a poeira havia baixado, após várias pessoas serem presas. A polícia tinha uma longa noite pela frente recolhendo depoimentos.

Houjo esperava por eles, quando por fim desceram.

– Kagome, gostaria de contar com seu depoimento na delegacia... se fizer o favor de me acompanhar.

Antes de Kagome poder responder Inu-Yasha se adiantou.

– Não se incomode! Eu mesmo vou levá-la, você pode se ocupar das outras que ficaram para trás. – Disse apontando para Tsubaki, Tsuyu e outras duas garotas. E sem esperar mais, saiu praticamente arrastando Kagome.

Foi uma longa noite. Até que recolhessem o depoimento de Kagome a noite estava quase dando lugar ao dia. Mais uma vez Houjo estava lá esperando para falar com Kagome.

– Bom, agora vou te mandar para um hotel, para esperar até que sua família chegue.

– Não se preocupe, ela fica comigo. – Mais uma vez Inu-Yasha se intrometeu.

– De modo algum! Ela está sob minha responsabilidade. Não posso deixá-la a sós com você mais do que já permiti.

– Não só pode... como vai! – Inu-Yasha estava ficando impaciente.

– Ela é menor de idade, você está ciente disso. Devia é processá-lo por molestá-la.

– Escute aqui... – Antes que acontecesse uma tragédia e Inu-Yasha fosse preso por desacato Kagome decidiu intervir.

– Houjo, eu vou ficar bem. – Houjo tentou argumentar, mas ela não permitiu. – Eu quero ir com ele. – Afirmou encarando o policial. Ela pareceu enxergar uma nota de desapontamento no olhar dele. – Inu-Yasha, dê o seu telefone para ele.

Inu-Yasha entregou um cartão para Houjo. Então ele e Kagome partiram. Ela ficou um pouco triste. Não queria acreditar, mas já havia percebido que Houjo nutria certo interesse por ela. Mas nunca poderia correspondê-lo.

Na casa de Inu-Yasha, Kagome relembrou aquele dia tão especial que passara com ele ao utilizar novamente uma de suas camisas para dormir, estavam cansados, sendo assim, não conversaram. Ele a abraçou e logo adormeceram embalados pelas batidas do coração um do outro.

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A campainha soava insistente, já eram mais de duas horas da tarde, mas nenhum dos dois sentia vontade de sair da cama, mas como não parava de tocar, Inu-Yasha decidiu se levantar. Vestiu calça jeans, colocou uma camisa que foi abotoando até a sala. Quando atendeu a porta, um susto: uma versão de olhos castanhos e mais velha de Kagome o encarava furiosa... Inu-Yasha deduziu que deveria ser a irmã dela, Kikyou. Sem pedir licença ela entrou.

– Devia se envergonhar, ela podia ser sua filha! É um cafajeste, teve a audácia de tirá-la da proteção da polícia e arrastá-la para cá. Certamente um antro de perdição... – Inu-Yasha deixou-a falando até que se cansasse.

– Bom, agora que você esgotou o repertório acho que posso falar. Primeiro, não sou tão velho assim, não creio que existam muitos pais por aí que tiveram filhos com apenas dez anos de idade. Segundo, tirando Kagome, a única mulher que "coloquei" aqui foi a faxineira. E por fim, pode ser que minha história com Kagome não tenha começado da maneira certa, mas as minhas intenções são as melhores possíveis. – as explicações pareceram acalmar a irmã da amada, até esta aparecer na sala vestindo apenas a blusa de Inu-Yasha.

A irmã mais velha correu para abraçar a mais nova e continuando abraçada a esta, desatou a falar novamente. Dessa vez Kagome é que teve que acalmá-la, fazendo um resumo dos últimos acontecimentos.

Havia acontecido muita coisa, mas Kagome e Kikyou conseguiram preencher as lacunas que Houjo deixara vagas entre elas em pouco tempo. Kikyou ainda olhava desconfiada para Inu-Yasha. Mas este tinha certeza que suas ações mais do que quaisquer palavras iriam conquistar a confiança da sua cunhada.

Ele certamente entendia que era o certo, mas foi impossível disfarçar a tristeza ao saber que Kagome iria embora com a irmã para um hotel onde o irmão e o avô as esperavam, já que Kikyou insistira em ir sozinha para ver Kagome. Inclusive, segundo Kikyou, isso foi a melhor decisão que havia tomado, pois tinha certeza que só a visão de Kagome andando seminua pela casa, com um homem dentro, teria enfartado o pobre avô delas.

Elas partiram, mas não antes de Kagome prometer ligar assim que revesse o irmão e conhecesse o avô.

Assim que ficou sozinho, Inu-Yasha começou a se preocupar. Agora que Kagome havia reencontrado a família, poderia passar muito bem sem ele. Será que ela iria abandoná-lo? Para piorar, durante a conversa entre as irmãs, Kikyou demonstrou estar ansiosa para que tudo se resolvesse logo para deixar a cidade. Seu romance estava fadado ao fracasso? O que faria da vida sem Kagome?

Continua...

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Oi, pessoal! Tudo bem? A minha luta para terminar essa fanfic continua... mas agora não falta muito não. Eu cálculo que em quatro capítulos termina, sendo que o próximo já está pronto e só precisa de revisão. Espero que eu consiga postar em breve. Até a próxima!