Capítulo XV
Algumas semanas depois, Naraku estava a caminho de ser condenado junto com algumas autoridades de pouco prestígio. Quando o barco começou a naufragar, pouco apoio restou ao vilão e aqueles que ficaram acabaram por afundar junto com este.
Infelizmente ninguém acreditava que a condenação que viria faria Naraku passar o resto dos dias na prisão. No entanto, longe de encontrar outros criminosos de seu nível, ele descobriu que havia gente bem pior e que não toleravam abusadores como ele. Enfim, o seu reinado havia terminado.
As menores que haviam na casa foram recebidas em algumas instituições de apoio ou foram acolhidas por parentes dispostos a cuidarem delas. As mais velhas, capazes de definir o próprio futuro, se empregaram em ofertas de trabalho que lhes foram oferecidas ou foram em busca de outros caminhos. Entre estas, estava Tsubaki que acreditando não ter outra vocação, mudou-se para uma casa de reputação duvidosa na cidade vizinha, sonhando um dia poder montar o próprio "negócio". Ela até mesmo tentou visitar Naraku na prisão... mas não foi bem recebida por lá.
Sango e Kagura estavam para começar em novos empregos na empresa de Inu-Yasha. Esta última, agora liberta das garras de Naraku, pretendia dar uma nova guinada na vida e passava a maior parte do tempo sonhando em reencontrar a filha.
Como os últimos dias haviam sido tão movimentados, apenas naquele dia as duas garotas e Kagome haviam conseguido tempo para se encontrarem. As três estavam em uma lanchonete e a mais nova estava relatando os acontecimentos anteriores que levaram a prisão de Naraku.
– Quando Kikyou saiu daqui, ela foi para outra cidade onde conseguiu um emprego no consultório de um médico e este acabou se apaixonando por ela. Então Kikyou lhe contou toda a sua história e ele prometeu ajudá-la. Depois disso, tudo conspirou a favor, pois o irmão do Dr. Suikotsu, que é engenheiro, trabalhava para um senhor de sobrenome igual ao meu e ajudou a apresentá-lo para minha irmã. E eles acabaram descobrindo que este senhor é o nosso avô por parte de pai, vovô Myouga. Ele assumiu as guardas minha e do meu irmão e então procurou as autoridades para denunciar Naraku. Foi depois disso que todo aquele esquema para prendê-lo foi arquitetado.
– Inacreditável! –Exclamou Sango.
– Eu disse que esse maldito havia de pagar por tudo. – Disse Kagura sorrindo vitoriosa.
– Sim, e ele já está pagando. Agora podemos seguir em frente e sermos felizes. E nada melhor para retomar o caminho da felicidade que um novo emprego... inclusive, esses empregos de vocês estão me matando de inveja, para ser sincera. Eu preferiria trabalhar com Inu-Yasha a ir para a escola. – Disse Kagome fazendo cara de coitada.
– Imagine se vocês ficassem o dia todo grudados. A empresa dele iria a falência. – Sango retrucou com humor.
– Verdade. – Concordou Kagome com um suspiro de derrota.
As três ficaram conversando até que Kikyou apareceu com Suikotsu num carro. Esta desceu do veículo e foi até onde as três estavam. Kagome se apressou em despedir das amigas para retornar com Kikyou. As duas já estavam se dirigindo para o carro quando Kikyou se virou.
– Kagura, Kagome me contou o que você fez por ela. Obrigada por toda ajuda que você nos deu.
– Não foi nada, ou melhor, foi um grande prazer. – Respondeu Kagura, e as duas sorriram, havia um histórico de rivalidade entre as duas que havia acabado de se desfazer.
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No dia seguinte, Kagura estava em seu primeiro dia de trabalho e já lhe haviam atribuído o dever de ir entregar alguns documentos para Inu-Yasha. Ela falou com a secretária e logo estava sendo introduzida na sala dele, mas acabou vendo algo que a deixou branca feito folha de papel.
Sesshoumaru estava ali! Então ela se lembrou porque o nome Inu-Yasha lhe era tão familiar, o irmão de Sesshoumaru se chamava assim. Não podia ser coincidência. O "seu" Sesshoumaru e o Inu-Yasha de Kagome eram irmãos!
A primeira coisa que passou pela cabeça de Kagura foi sair dali correndo, mas ela conteve seu ímpeto adotando sua conhecida postura de indiferença. Aproximou-se de Inu-Yasha enquanto Sesshoumaru permanecia indiferente também, em pé próximo a uma grande janela que havia no lugar.
– Eu trouxe esses papéis para que o senhor os assine. E há uma certa urgência nisso. – Disse Kagura entregando os papéis para Inu-Yasha.
– Senhor, Kagura? Você quer que eu me sinta um velho? – Resmungou Inu-Yasha.
– Nós estamos no ambiente de trabalho. Devemos ser formais. – Retrucou ela.
Ainda se sentindo contrariado, Inu-Yasha começou a assinar os papéis enquanto Kagura reparava que Sesshoumaru a encarava com uma frieza no olhar, como no começo, quando se conheceram.
Para o alívio dela, Inu-Yasha não demorou e logo lhe devolveu os papéis.
– Obrigada. – ela disse pegando os papéis. – Com licença. – Ela pediu assim que pegou os papéis e se retirou se contendo para não sair correndo dali.
– Vocês parecem íntimos. Você a conhece fora daqui? – Perguntou Sesshoumaru.
– Sim. Eu a conheci no mesmo lugar que você.
– Como você tem tanta certeza?
– É só ver a cara de espanto que Kagura fez ao te ver. Somado a isso, Kagura e a Kagome são amigas, trabalhavam no mesmo lugar. Então eu sei o que ela fazia para viver. Fora que há uma grande semelhança com a Rin... então não é difícil deduzir que Kagura é a mulher do seu passado.
– Brilhante dedução... então quer dizer que o nome da sua namorada é Kagome. – Disse Sesshoumaru sorrindo o que assustou um pouco Inu-Yasha.
– Sim. Mas e você, o que veio fazer aqui?
– Resolvi seguir seu conselho e aproveitei para vir aqui para ver se você ainda não faliu a empresa. Pelo visto está tudo bem e parece que a sua capacidade de raciocínio melhorou, do contrário não teria percebido tão rápido o que Kagura representou na minha vida.
– Representa, não é mesmo? Pois foi você mesmo quem acabou de dizer que veio atrás dela. E parece que o destino resolveu ajudá-los. Mas quanto ao seu comentário... vou preferir ignorá-lo. – Disse Inu-Yasha revirando os olhos, Sesshoumaru sorriu de uma forma que o irmão mais novo nunca vira, o que acabou fazendo com que este último também sorrisse.
Na hora do almoço Kagura se encontrou com Sango para almoçarem juntas, então contou tudo para a sua agora amiga que já estava a par de toda a história de vida de Kagura.
– Nossa, que coincidência! Quem diria que você o encontraria logo aqui e que ele seria o irmão de Inu-Yasha! E agora, o que você vai fazer? – Perguntou Sango, enquanto estavam terminando de almoçar.
– Eu realmente não sei. Eu gostaria de ver minha filha... mas a única vontade que eu tenho no momento é fugir. Não imaginei que iria ser tão difícil encarar o meu passado.
As duas terminaram de almoçar em silêncio e depois voltaram para a empresa. O resto do dia passou sem nenhum atropelo, já que Kagura não havia voltado a se encontrar com Sesshoumaru na empresa.
Logo, a hora de ir embora chegou, então Kagura esperou por Sango, que estava demorando a aparecer, para irem para a casa que estavam dividindo.
Finalmente ela apareceu, e as duas começaram a fazer o caminho para casa conversando trivialidades até que Kagura percebeu que havia um carro que parecia estar seguindo-as.
Kagura alertou Sango e as duas apertaram o passo, mas o carro continuava seguindo-as, então elas entraram num taxi, o que pouco, ou melhor, nada adiantou. A perseguição continuou, o motorista do taxi aumentava a velocidade e o outro carro também. Foi indo assim até que o outro carro ultrapassou o taxi e deu uma fechada neste, fazendo-o brecar bruscamente. Então os carros pararam, Kagura para lá de irritada desceu do carro bufando.
– Seu retardado! Por acaso está tentando nos matar?! – Gritou Kagura de frente para a janela do motorista do outro carro, então ela pôde ver através dos vidros do carro, apesar de já estar um pouco escuro, que o motorista era Sesshoumaru. – Você! – Ela exclamou surpresa, e percebeu que Sesshoumaru estava acompanhado de um rapaz que estava sentando no banco ao lado do dele. Atordoada Kagura voltou-se em direção ao taxi, mas Sesshoumaru saiu do carro rapidamente e segurou o braço da mulher de olhos vermelhos impedindo-a de ir embora.
– O que você quer? – Perguntou Kagura um tanto trêmula sem encarar Sesshoumaru.
– Quero conversar com você. – Sesshoumaru respondeu, puxando o outro braço dela fazendo-a encará-lo.
– E é tentando nos matar que você pensa em fazer isso? – Questionou irritada.
– Eu não sei onde eu estava com a cabeça ao dar ouvidos às ideias descabidas de Miroku. – Ele explicou apontando para o rapaz de olhos azuis como safiras e cabelo escuro preso num pequeno rabo de cavalo que estava dentro do carro, dando a entender que aquela perseguição havia sido incentivada por este.
– Pois da próxima vez aja como uma pessoal normal, em vez de ficar me perseguindo, me procure e diga logo o que quer comigo. – Dizendo isso ela se desvencilhou de Sesshoumaru e voltou a caminhar em direção do taxi dentro do qual Sango acompanhava atenta toda conversa.
– Não adiantaria, você daria um jeito de fugir como está fazendo agora.
Kagura não disse nada e continuou indo na direção do taxi.
– Não vá! Espere, eu realmente preciso falar com você! Tem que ser hoje, não dá para esperar mais. – Falou colocando-se na frente de Kagura impedindo-a de prosseguir.
– Não posso, minha amiga está me esperando para irmos para nossa casa. – Replicou olhando para o lado, sem encará-lo.
– O Miroku acompanha sua amiga até a casa de vocês.
– De forma alguma. – Interferiu Sango que até agora mantivera-se como mera espectadora, dentro do taxi. – Eu não quero esse tarado perto de mim, ele me perseguiu a tarde inteira, me atrapalhou para vir embora, além de ter passado a mão em mim. – Explicou com a fisionomia inicialmente irritada alterando-a no fim por uma envergonhada, roxa de vergonha. – Mas podem conversar sem problema, eu volto sozinha, eu estou de taxi mesmo. – Argumentou sorrindo o que menos queria era atrapalhá-los, pelo contrário, estava dando a maior força, já que talvez aquela conversa significasse a felicidade de Kagura.
– Ah, Miroku! Foi por isso que se ofereceu para vir comigo. – Zangou-se Sesshoumaru, o outro rapaz que ainda estava no carro engoliu em seco. – Ele vai com você sim e se ele fazer algo, tenha certeza que ele não terá nem mais um dia de vida. – Sesshoumaru se virou na direção do carro onde o rapaz se encontrava e deu um sorriso maligno para ele.
Com o que Sesshoumaru disse, Sango acabou concordando que Miroku a acompanhasse, o rapaz saiu do veículo com um sorriso sem graça, cumprimentou Kagura rapidamente e entrou no taxi, ele se sentou em um canto e Sango no outro, fazendo de tudo para ficar o mais distante possível do rapaz de olhos azuis escuros.
Assim que o taxi partiu Kagura não teve mais o que pestanejar, então acabou entrando no carro com Sesshoumaru, tudo num silêncio constrangedor.
Já havia algum tempo que eles estavam se dirigindo para algum lugar que Kagura não fazia ideia de qual era, quando esta quebrou o silêncio.
– Para onde estamos indo?
– Para o meu apartamento.
Depois disso não disseram mais nada, chegaram ao local, subiram no elevador e entraram no apartamento do mesmo jeito, então ela quebrou o silêncio mais uma vez.
– Então, o que você conversar?
– Já vamos falar disso, mas primeiro a minha filha quer o conhecer a mãe dela. Espere aqui que eu já volto. – Respondeu se retirando em seguida.
Kagura não conseguiu perceber imediatamente o significado daquelas palavras, só caiu na real quando viu uma garotinha vir na sua direção e abraçar suas pernas.
– Ah, mas eu estou tão feliz. Eu ficava tão triste por não ter mãe, mas agora o papai me contou que eu tinha outra mãe. E você é tão linda, que bom que você é minha mãe. – Disparou a menina a falar.
Kagura estava muito surpresa e demorou a reagir, nem tinha percebido que lágrimas de felicidade já brotavam de seus olhos. Mas ela voltou à realidade agachando-se até ficar da altura da filha. Abraçou-a e lhe deu muitos beijos euforicamente.
Depois disso Rin metralhou a mãe de perguntas, que eram respondidas pacientemente, mas a agitação havia sido tanta que logo a menina se cansou.
– Mamãe, conta uma história para eu dormir. – Pediu a garotinha sonolenta.
Kagura encarou Sesshoumaru com um olhar que pedia a aprovação dele, ele entendeu e fez um aceno com a cabeça concordando. Então ela foi para o quarto da filha sendo guiada por esta.
Logo estava de volta, nem bem havia começado a história e Rin já havia caído no sono. Sesshoumaru estava sentado no sofá quando ela chegou à sala.
– Muito obrigada por ter me permitido ver a minha filha, será que eu poderia voltar amanhã? – Perguntou Kagura colocando-se na frente de Sesshoumaru.
– De forma alguma. – Ele respondeu friamente, se levantou, Kagura o encarou ao mesmo tempo surpresa e desapontada. – Você não vai voltar amanhã, porque simplesmente você não vai embora. – Sesshoumaru completou sorrindo.
Sim ele estava sorrindo novamente, mas de forma que não fazia há muito tempo. Era o mesmo sorriso que Kagura conheceu após certo tempo de convivência com ele, mas que fazia anos que ninguém tinha oportunidade de ver.
Sesshoumaru então se aproximou mais de Kagura que continuava surpresa e a abraçou fortemente, como se depois de tanto tempo ela pudesse escapar, sumir de sua vida novamente. E ela se deixou abraçar, fazia tanto tempo que não sentia aqueles braços fortes em volta dela, que por ela ficaria abraçada a ele para sempre.
– Mesmo querendo acertar, fizemos tudo errado, o caminho que parecia mais fácil, trouxe mais dor, mas agora eu aprendi a lição e por isso não deixarei que você saia por aquela porta mais, sem ter certeza de que você voltará para os meus braços. – Ele sussurrou no ouvido dela.
– Oh, Sesshoumaru! Foram tantos anos, temos tanto o que conversar, o que dizer. Nem sei por onde começar. – Ela murmurou.
– Teremos tempo, por enquanto esqueça isso. Agora me deixe matar as saudades de você primeiro. – Falou pegando-a no colo.
– Mas... – Ela tentou contestar, mas Sesshoumaru a calou com um beijo e a levou para o quarto que dali por diante dividiria com ela.
Continua...
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Desculpe mas acabei percebendo umas inconsistências na minha fic. É nessa parte aqui do capítulo IX:
– Quando Sesshoumaru tinha um pouco mais de um (aqui era para ser quatro, ok!?) ano, eu conheci uma prostituta (aqui fica assim: eu conheci sua mãe, Izayoi) e tive um caso com ela, uns meses depois Kazumi descobriu e ameaçou fazer um escândalo se eu não terminasse com o caso. Na época eu fui muito fraco e aceitei, apesar de não ser exatamente o que eu queria e de que Izayoi estava grávida. Kazumi foi insistente e disse que até criaria você como filho dela, desde que eu não mantivesse nenhum contato com sua mãe. Com muito custo Izayoi cedeu e só fez isso porque eu disse que seria melhor para você, entre outras muitas ameaças e bobagens que aleguei. Bom, em resumo, foi isso que aconteceu.
– E essa história de que o carma de nossa família é os homens se envolverem com prostitutas?
– (Aqui fica acrescentado o seguinte: Olha, Kazumi fica chamando sua mãe assim, porque sabe que me deixa irritado, para não complicar, podemos dizer que sua mãe estava para entrar na profissão.) E que com Sesshoumaru aconteceu mais ou menos a mesma coisa, só que ele não era casado com a falecida Sara, quando ele se apaixonou por Kagura. – Inu-Yasha estava tão transtornado que na hora não ligou o nome que seu pai havia pronunciado com o nome da amiga de sua amada. – Ela também ficou grávida de Sesshoumaru.
Talvez mais para frente quando vocês lessem os próximos capítulos ninguém percebesse, mas eu não quis deixar passar.
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Dessa vez eu nem demorei tanto. A boa notícia é que terminei de escrever a história! Só precisa de umas correções. Posso dizer que após quase 17 anos estamos na reta final.
