Capítulo XVII - Final
O telefone começou a tocar insistentemente no apartamento de Inu-Yasha acordando-o, já que ainda era muito cedo.
A ligação já estava quase caindo quando Inu-Yasha se sentiu lúcido o suficiente para atender.
– Alô?!
– Inu-Yasha? É Kagome – disse a voz do outro lado da linha.
No mesmo instante Inu-Yasha acordou de vez. Nos últimos tempos uma conversa dessas era uma raridade. Vê-la então... quase impossível! E todas as vezes foram ferrenhamente monitorados pelo avô, pela irmã ou pelo irmão de Kagome. Assim uma oportunidade de conversar com Kagome, mesmo que só por telefone tinha que ser muito bem aproveitada.
– Bom dia, minha menina! Como é bom ouvir sua voz mesmo que não seja nem sete da manhã. – Disse ele de bom humor.
– Ah, meu bem! Eu te acordei, né?! Mas é que eu consegui uma chance única para nos encontrarmos, pois hoje eu não tenho aula.
– Sério?! Quando? Onde? – Perguntou muito animado, mas se lembrando da marcação cerrada, desanimou um pouco e continuou: – Quem irá nos vigiar dessa vez?
– Ninguém, seu bobo. Meu avô está viajando a negócios e a Kikyou foi com ele para ver o marido e o Souta eu vou levar para a escola daqui a pouco. Sei que é um dia de trabalho normal para você, mas pensei que como filho do dono do negócio você podia tirar o dia para passar junto comigo. – Disse num tom de voz de falsa inocência.
Inu-Yasha riu e aceitou o "convite". Marcaram de se encontrar em frente da escola de Souta dali a trinta minutos.
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Mal tinha estacionado o carro quando viu Kagome se aproximar. Rapidamente saiu de seu Mitsubishi preto para encontrá-la. Sorrindo, ela se jogou em seus braços e Inu-Yasha a abraçou apertado.
Depois de muito tempo ele a afastou para encará-la ternamente.
– E então... o que você quer fazer hoje? – Ele perguntou.
– Já que eu te arrastei de casa sem tomar café da manhã, vamos para uma confeitaria aqui pertinho.
Logo que entraram um alerta piscou no íntimo de Inu-Yasha, pois uma das mesas do local estava ocupada por um grupo de jovens rapazes que encararam Kagome com interesse. Infelizmente, a única mesa disponível com um par de cadeiras era próxima à deles.
Então Inu-Yasha se apressou em afastar para Kagome a cadeira situada de costas para os jovens, tomando para si a cadeira de frente para ela.
A seguinte meia hora foi um verdadeiro calvário para ele, tinha que aguentar os olhares maliciosos direcionados a Kagome enquanto recebia risos debochados. Tudo isso sem poder dar a menor pista para a garota de que estava sendo incomodado.
O pior de tudo foi quando pagava a conta e Kagome se encontrava no banheiro, um dos rapazes se aproximou e murmurando somente para os dois ouvirem disse:
– A crise de meia idade já chegou? Roubou a garota num berçário seu pedófilo? – Indo embora logo em seguida, deixando Inu-Yasha abalado com suas palavras.
Assim que Kagome voltou do banheiro, imediatamente Inu-Yasha a arrastou para fora da confeitaria e decidiu voltar com ela para o seu apartamento saindo das vistas de possíveis novos olhares maliciosos.
Passaram um dia tranquilo apesar de Inu-Yasha ainda sentir-se mal com toda aquela situação na confeitaria. E ao mesmo tempo, ele passou a notar certa inquietação vinda de Kagome. Será que ela tinha conseguido perceber que algo acontecera na confeitaria?
Inu-Yasha temia abordar o assunto e permaneceu assim até o momento em que estava de carro deixando Kagome em frente ao local em que ela estava morando.
– Inu-Yasha...
– Kagome... – Os dois disseram ao mesmo tempo.
Eles se entreolharam e então Inu-Yasha disse:
– Pode falar primeiro, Kagome.
– Inu-Yasha, eu nem sei como dizer isso... Kikyou e meu avô me avisaram de que vamos deixar a cidade em breve. – Ela disse com os olhos marejados.
Inu-Yasha ficou estático, o alívio pela inquietação de Kagome não se tratar do episódio da confeitaria durou muito pouco ao se dar conta de que um de seus maiores medos estava para se concretizar.
– Eu não quero te deixar, Inu-Yasha! – Ela choramingou.
Inu-Yasha a abraçou firmemente sem saber o que dizer.
Desnorteado ele se despediu de Kagome dizendo que precisava pensar e que eles conversariam depois.
Chegando em casa mil coisas passaram pela cabeça de Inu-Yasha. Ele queria lutar por Kagome ficar ao lado dele, mas ao mesmo tempo se lembrava dos jovens da confeitaria olhando com deboche para ele. Será que isso tudo era um sinal para que ele deixasse Kagome seguir sua vida sem ele? Mas ele não conseguia imaginar sua vida sem a presença de sua amada nela.
O que seria deles dois? O que ele deveria fazer? Lutar ou desistir?
Após uma noite praticamente insone Inu-Yasha decidiu por fim se levantar. Uma vaga lembrança apoderou-se de sua mente e ele resoluto ligou o notebook.
Gastou alguns minutos vasculhando seus arquivos, mas por fim pode localizar o que tanto procurava. Abriu o arquivo de texto e no título estava escrito: "Cinco Regras do Amor".
Leu e releu o conteúdo do arquivo. Parecia tentar se convencer do que estava escrito ali. Ainda pensativo fechou o arquivo, desligou o notebook e foi se arrumar para o trabalho.
Foi um dia improdutivo, pois não conseguia se concentrar em suas tarefas e antes do fim do expediente decidiu ir embora. Chegando em casa tomou um banho para tentar relaxar e então decidiu deixar o apartamento para dar um passeio a pé.
Inu-Yasha precisava pensar. E que lugar melhor do que aquela pracinha perto de seu apartamento, onde passara bons momentos com sua linda garota. Foi caminhando tranquilamente de seu apartamento até lá e acomodou-se num banquinho debaixo daquela árvore de flores vermelhas sob a qual ele e Kagome se sentaram na primeira vez em que saíram juntos e começou a divagar.
Agora ela estava indo embora e ele precisava tomar uma decisão.
Sua mente mandava deixar Kagome sair de sua vida. Ela era jovem e ainda não havia aproveitado nada dessa juventude. Ela precisava sair com pessoas da sua idade, terminar o ensino médio e frequentar a universidade. Coisas de adolescentes... o que ele não era. Ela merecia um pouco de liberdade.
Por outro lado seu coração não conseguia aceitar a partida de sua amada. Sem ela, uma parte de si ficaria faltando. Tinha a certeza de que Kagome era a mulher de sua vida. A única.
Estava tão perdido em seus pensamentos que custou a perceber que alguém se aproximava. Ninguém mais, ninguém menos que Kagome.
Ela também estava pensativa. O que se passava em sua mente? Será que tinha chegado à conclusão que era melhor terminarem?
Num instante estavam frente a frente se encarando mudos.
Então naquele momento veio à mente de Inu-Yasha o texto que havia lido naquela manhã. Por alguns instantes, que pareceram eternos para Kagome, ele permaneceu pensativo, mas, de repente, ele sentiu que já tinha a resposta e assim começou a falar sem hesitação:
– Kagome eu tenho que te dizer o que está se passando aqui dentro de mim. Minha mente me diz que tenho que te deixar partir e o meu coração resiste firmemente à simples ideia de não te ter ao meu lado. – A garota abriu a boca para dizer algo, mas Inu-Yasha não permitiu a interrupção. – Tenho que ir até o fim, se não eu acho que vou perder a coragem.
Kagome sentiu um aperto no peito. Será que ele tinha juntado coragem para dispensá-la? Seria um duro golpe para seu jovem coração apaixonado! Consumida pelos terríveis pensamentos quase não prestou atenção quando Inu-Yasha retomou o seu discurso.
– Sei que não tenho direito de te pedir nenhum sacrifício, mas eu vou fazer de tudo para que sejamos felizes. Não me engano achando que vai ser fácil, pelo contrário. No entanto seria ainda pior não ter você na minha vida. Me sinto capaz de qualquer coisa... – inspirando profundamente acrescentou: – Desde que você seja minha... desde que estejamos juntos nisso. Pois quando eu estava me sentindo com o coração vazio, você apareceu e foi como se pela primeira vez a felicidade sorrisse para mim. Por isso não quero te perder.
A emoção havia tomado conta de Kagome, lágrimas de alívio rolaram dos olhos azuis e então ela se atirou nos braços de seu querido Inu-Yasha.
– Ah, Inu-Yasha! Isso é tudo que eu queria ouvir. Minha vida sem você seria vazia.
Então se abraçaram e o tempo pareceu parar. Após uma eternidade Kagome se afastou um pouco e encarou Inu-Yasha.
– Então como vamos fazer para impedir Kikyou e meu avô de me levarem daqui? – Kagome questionou.
– Você vai com eles. – Inu-Yasha afirmou.
– M-mas você acabou de dizer... – Kagome começou a argumentar, porém, Inu-Yasha a silenciou.
– Você passou por muita coisa e esteve separada por muito tempo da sua família. Eu não posso te impedir de vivenciar esse novo começo com eles. Mas fique tranquila, isso não significa que estou desistindo de você. Aquele discurso todo de agora há pouco não foi da boca para fora. Eu te amo e vou te alcançar onde quer que você esteja. Nunca se esqueça disso!
Kagome fixou o olhar nos olhos de Inu-Yasha e então uma tranquilidade se apoderou de seu coração.
– Eu também te amo, Inu-Yasha. E eu vou estar sempre te esperando.
E os dois voltaram a se abraçar enquanto a noite caía. Inu-Yasha sussurrou no ouvido dela:
– Longe, perto, ao lado, eu só penso estar com você. Eu quero só você!
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E este é o capítulo final. Não foi da forma como planejei inicialmente, mas eu mudei muito nesses 17 anos, o que refletiu nessa história.
Para quem ainda não havia descoberto ou desconfiado, o título da fanfic saiu da música Felicidade do Roupa Nova. Esse último parágrafo é todo dela.
Quem gosta de final feliz, não se desespere, leia o Epílogo.
