Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Falsas Apariencias" postada em 2007 no FanFiction por Sisa Lupin.

Capítulo 9 - Chapéuzinho Rosa quer comer o lobo.

O tempo passava devagar para Remus. Debaixo da janela, sentado em um sofá de seu novo quarto na mansão Black, lia uma e outra vez as frases de um livro qualquer sem entender realmente o que o autor queria dizer. Estava nisso quando de repente escutou o som de passos que se aproximavam escadas acima. Sabia de quem se tratava, e realmente não precisou levantar o olhar para saber quem estava no umbral de sua porta.

— Até quando vai ficar assim, Aluado? — perguntou a voz de Sirius. Seu tom indicou que sua paciência finalmente tinha se esgotado.

Como resposta, obteve um de seus habituais silêncios. O lobisomem virou uma das páginas do livro com indiferença, fingindo estar muito concentrado na leitura. Para o animago, aquela foi a gota d'água e, em dois passos, arrancou-lhe o livro e o jogou sobre a cama.

— Posso saber o que está fazendo? — exclamou.

— Te trazendo de volta à realidade. Por Merlin, está há dias abatido. Está tentando me imitar?

— Estou passando por um mau momento, é só isso.

Enquanto passava o olhar ao redor do cômodo, Sirius tentou procurar as palavras certas, algo em que não era muito bom. Depois de um tempo, voltou a tomar a palavra.

— Te afetou tanto que Tonks tenha mudado de parceiro? — lhe perguntou.

Remus apertou os lábios.

— Bom, poderia ter me dito, pelo menos — disse e deu de ombros — Enfim, pensei que éramos amigos e agora nem sequer fala comigo — respirou fundo — Não paro de pensar nisso.

— Por que não vai falar com ela? Talvez tenha estragado tudo e não percebeu.

— Eu tentei, mas ela disse que estava com pressa e na reunião seguinte, disse a mesma coisa.

— Então eu falo com ela.

— Sirius, deixa quieto — lhe avisou.

— Olha, Aluado, sei que gosta dela, mas ninguém fica assim do nada. Se apaixonou por Nymphadora Tonks?

Remus apertou ainda mais os dentes e olhou para o outro lado.

— Eu não estou apaixonado por ela — disse seriamente.

— Tente convencer a você mesmo, não a mim.

O lobisomem abriu a boca e cravou os olhos nos de seu amigo, mas o som da porta de entrada ao se abrir, e o de uma pessoa esbarrando no porta-guarda chuvas da entrada os interrompeu.

— Nossa metamorfomaga favorita acaba de chegar — disse Sirius com uma voz dramática.

Quando ouviram os gritos de sua querida mãe, ambos saíram do cômodo com as mãos sobre os ouvidos e se dirigiram escadas abaixo. Enquanto Remus se detinha para correr as cortinas, Sirius corria em direção à entrada, respirou fundo antes de descer e derrapar no vestíbulo, onde a jovem sacudia a poeira de seu casaco vermelho. Pelo menos, dessa vez, não tinha torcido nada.

— Olá, Sirius — Tonks o cumprimentou como se nada tivesse acontecido. Segurava duas malas, uma de cada lado, e a cena lhe parecia tão familiar que era desconcertante — Me desculpe por vir sem avisar, mas tem um poltergeist na minha casa e a empresa de pragas mágicas me diz que é melhor procurar outro lugar para viver durante um tempo — suspirou — Se importa de me oferecer um quarto na sua enorme casa?

Sirius jogou a cabeça para trás em um gesto arrogante, como em seus velhos tempos de rebelde sem causa. Enquanto isso, Tonks mordia o lábio inferior.

Tinha passado as últimas duas semanas treinando na frente do espelho, inclusive tinha conseguido manter o seu cabelo rosa quando se sentia cinzenta por dentro.

— Por que não na casa dos seus pais? — perguntou como se não se importasse.

— Estão viajando, e ninguém além deles pode entrar, nem mesmo eu — disse enquanto olhava para o tapete — Poderia pedir esse favor a alguma de minhas amigas, mas não quero ser um estorvo para ninguém. Pensei que para você não seria, mas já vi que estava errada...

E não disse mais nada, a jovem recolheu suas maletas do chão e se dispôs a ir.

— Espera um pouco — a deteve. Tonks parou e deixou de lhe dar as costas, embora ainda não o olhasse no rosto — Eu não disse que é um estorvo — suspirou — Sabe perfeitamente bem que pode ficar aqui — continuou tentando se controlar —, mas não sei se está lembrada, Remus também está morando comigo.

Ela empalideceu visivelmente ao escutar seu nome.

— Ei, sei que às vezes ele estraga tudo, mas não é de propósito — retrucou — Na verdade, não entendo o que aconteceu entre vocês para que preferisse fazer as vigilâncias com Snape em vez dele.

A metamorfomaga soltou as maletas lentamente e respirou fundo. Não podia contar a verdade, mas tampouco mentiria. Depois do que aconteceu, não tinha contado a ninguém, não por algum motivo, mas porque realmente não tinha com quem conversar sobre.

— Quase nos beijamos outro dia — confessou, lembrando mais uma vez a cena do quarto, antes que seus pais entrassem. Depois, passou uma mão pela nuca, tinha as bochechas coradas — E isso não é algo que possa voltar a acontecer.

— Espera um pouco — disse Sirius com a mão erguida. Quase suspirou aliviado diante do olhar confuso da prima. Com um sorriso e uma piscadela, apoiou-se contra o corrimão — Gosta do Remus, mas não quer misturar trabalho e prazer.

— Espertinho, Sherlock — disse sorridente e divertida.

Sirius gargalhou.

— A Chapéuzinho Rosa quer comer o lobo. Não estava esperando por isso.

— Sinto te decepcionar, mas não vou comer ninguém, muito menos o Remus.

O animago sorriu como se soubesse mais do que deveria.

— Está apaixonada, Tonks? — perguntou, dessa vez sério.

Todo o rastro da fortaleza desapareceu diante daquela pergunta. Poderia mentir sobre os verdadeiros motivos de sua presença naquela casa, mas não sobre seus sentimentos. Pelo menos sobre isso, podia continuar sendo ela mesma.

— Não deveria — sussurrou — Mas não consigo evitar e eu tentei, acredite.

Aquela era a verdade. Uma milésima parte dela pelo menos.

— Ninguém escolhe a quem amar.

As lágrimas rolaram por suas bochechas. Apesar de todos os seus esforços, sua máscara tinha caído e a jovem assentiu com a cabeça.

Sirius enterneceu ao vê-la assim. Afinal, aquilo que tinha surgido como uma loucura em sua cabeça tinha acabado se tornando verdade.

A estreitou entre seus braços, como quando fazia quando era criança, mas alguém pigarreou.

— Atrapalho? — perguntou, seco.

Ambos dirigiram um olhar até o outro lado do vestíbulo. Tinha os braços cruzados sobre seu peito, o cenho franzido e os lábios apertados em um atitude hostil. Sirius tentou não gargalhar, enquanto Tonks tentava secar as lágrimas disfarçadamente com a manga de seu casaco.

— Nossa, Remus. Nem te ouvimos chegar.

— Isso é óbvio — ele disse, esboçando um sorriso perigoso.

Tonks ficou perplexa. Por que estava agindo assim? Nem mesmo tinha olhado para ela naquele tempo em que estiveram ali, apenas fuzilava a Sirius com um olhar.

O animago ignorou o seu mau comportamento e sorriu com um radiante sorriso.

— Adivinha? — perguntou, ignorando-o — Tonks vai ficar aqui com a gente — acrescentou enquanto passava o braço por cima dos ombros dela.

Agora que tinha descoberto os seus ciúmes, seria o seu hobby irritá-lo.

— Só durante um tempo. Se estiver tudo bem para você, claro — ela disse, observando-o em um canto. Foi então quando a olhou pela primeira vez em muito tempo. Um calafrio percorreu sua coluna vertebral por escassos segundos, o suficiente para que Remus voltasse a afastar o olhar.

— A casa não é minha, pode ficar sempre que Sirius quiser.

Seu amigo notou como o corpo de Tonks ficava rígido sob o seu abraço. Suas palavras pareciam ter doído mais do que uma série de cruciatus. Olhou para o lobisomem com um gesto repreensivo, mas ele nem sequer o olhava.

— Vou levar as malas, é óbvio que precisam convencer — disse e depois disso, olhou expressivamente para o amigo. Pegou as coisas da jovem e encaminhou-se na direção da escada, dando um último olhar por cima do ombro. Pouco depois, desapareceu por trás do som de seus passos.

Não sabiam o que fazer e muito menos o que dizer. Assim permaneceram por alguns minutos.

— Isso é ridículo — murmurou o lobisomem, finalmente, enquanto dava alguns passos em direção à cozinha.

— Espera, Remus — o deteve. O licantropo voltou a virar-se e sentiu a mesma pontada de dor ao ver seus brilhantes olhos. Ela engoliu em seco, precisava se acalmar — Eu sinto muito por tudo isso — acrescentou em um fio de voz.

— É só isso que vai me dizer? — perguntou exasperado — Não parei de pensar no que fiz de errado até agora, só algum pretexto que pudesse explicar o porquê de repente não queria nem me olhar na cara mais.

— Quem dera eu pudesse contar — sussurrou. Depois, olhou insistentemente para o tapete e de novo, obrigou-se a olhá-lo — Mas acho que no fundo sabe.

Remus não esperava algo assim. Ficou calado, esperando, e exalou o ar em seus pulmões lentamente. Esteve contendo o ar sem nem perceber.

— Pensei que, se continuássemos sendo parceiros, cedo ou tarde algum de nossos inimigos perceberia. Sabe como são, gostam de torturar as pessoas que mais gostamos. Naquela noite, ameaçaram a minha família quando me torturaram, e não quero que volte a acontecer, não quero que nada de mau aconteça por minha causa.

Quando escutou aquelas palavras, seu mundo parou. Suas lágrimas preenchiam seus lindos olhos escuros, não aguentava vê-la assim.

— Por que está me contando isso agora?

— Eu tentei esconder, mas não consigo. Tinha a esperança de que me perdoasse quando te contasse. Na verdade, eu não mereço.

Tonks coçou o antebraço esquerdo. Ali, a marca negra ardia debaixo das várias camadas de tecido. Por sua vez, Remus estava pensando em outras coisas no momento. Olhou para todos os lados e, finalmente, se deteve nela.

— Não posso te perdoar — deixou a frase no ar. Fez uma pausa que, para ela, foi pior do que uma maldição da morte — porque na verdade não tem o que perdoar.

Ele sorriu timidamente, esperando para ver o que ela faria. Quase tinha preferido não perdoá-la, mas Remus aproximou-se para enxugar as lágrimas com o dorso da mão e procurou o seu olhar até encontrá-lo.

Não tinham percebido o quão próximo estavam. Antes que seus pensamentos o detivessem, Remus inclinou-se e a beijou. Seus olhos abriram-se pela surpresa, era tão inesperado, não só a ação dele, mas também a reação dela, um sobressalto que recorria o corpo ao sentir os lábios pressionando os seus.

Quando ela se dispunha a retribuir, o lobisomem separou-se como se uma repentina corrente elétrica o tivesse atravessado.

— Por favor, me desculpe, não sei o que me deu.

Passava a mão pelo cabelo e tentava recuperar o fôlego. Estava muito alterado. Tonks pôs uma mão sobre o seu ombro.

— Tudo bem, Remus. Não fez nada de errado.

Ele afastou-se como se nem a tivesse escutado.

— Desculpe, preciso ficar sozinho.

Depois de alguns segundos de indecisão, finalmente encaminhou-se em direção à cozinha. Enquanto isso, Tonks o observava de boca aberta e o seguia com o olhar.

Uma voz às suas costas a sobressaltou, mas não era de Sirius.

— É a filha da traidora que fugiu com o sangue ruim — murmurou Kreacher. Estava sacudindo a fronha de almofada que usava como roupa, onde a fuligem tinha caído, sem deixar de olhá-la com grandes olhos cheios de desprezo — Agora, suspira com um imundo lobisomem. Se minha pobre ama visse, o que diria...

— Cale a boca! — gritou.

Seu rosto enrugado se contraiu em uma careta que pretendia ser um sorriso.

— Nesse caso, o que diria a ama Narcissa se soubesse?

Com aquela incógnita no ar, o elfo colheu lentamente seu espanador cheio de poeira e foi embora, tão sigilosamente quanto tinha vindo, deixando a infeliz metamorfomaga com o coração nas mãos.

Parecia que as filas daquele bando não só contavam com Snape como único traidor, mas também o velho servo dos Black. Tinha vindo para vigiar de perto os segredos do quartel general, mas Kreacher vigiava a ela mesma. Estava encurralada, trancada. Devia ser mais cuidadosa, ainda mais com Remus por perto.

Se Kreacher lhes avisasse do que tinha acontecido há alguns minutos, ela seria capaz de fazer qualquer coisa que pedissem para mantê-lo seguro.

Tonks sacudiu a cabeça, pois voltou a estremecer ao lembrar-se de como a tinha beijado antes. Então apareceu o seu primo.

— Fizeram as pazes? — perguntou quando a viu. Depois, olhando ao redor, perguntou — Cadê ele?

— Foi pra cozinha, eu acho. Aliás, onde estão as minhas coisas? — mudou de assunto — Tive um dia muito difícil e quero descansar.

— Nada disso. Primeiro, me conte, depois vamos comer e aí, se quiser, vai dormir — enfatizou — Minha casa, minhas regras.

Tonks bufou.

— Pedi desculpas e ele aceitou. Foi só isso.

Mas Sirius levantou uma sobrancelha e esperou.

— E me beijou. Feliz? — resmungou — Aconteceu, mas parou por aí. Simples assim, não vai acontecer de novo.

Sirius ficou bastante sério.

— Olha, não está aqui nem uma hora. Acha mesmo que não vai acontecer mais nada? Sério, se não contar a ele, eu conto.

— Não! — exclamou alarmada — Ele não pode saber! Me ouviu? Sirius, prometa! — implorou.

— Está bem — resmungou, finalmente — Promessa de maroto — acrescentou à contragosto.

— Muito obrigada, Sirius.

— Vamos, antes que eu me arrependa — suspirou.

Depois, os dois foram até a cozinha. Tonks ia na frente, mordendo o lábio inferior como se temesse mais perguntas, enquanto que Sirius esboçava um sorriso que não pressentia nada de bom. Chegaram ao batente da porta, dentro do cômodo estava Remus sentado no lugar mais afastado da mesa, com vários embrulhos de chocolate por perto. Quando os viu, rapidamente se apressou em guardar as provas do crime.

Já o animago teve que fingir um ataque de tosse para disfarçar uma gargalhada.

— Faltou aqui — ele apontou para a sua boca.

Remus um pouco envergonhado limpou o lado da boca. Tonks não pôde evitar sorrir.

— Só foi uma baixa de açúcar — defendeu-se, pondo-se de pé e obrigando-se a mudar de assunto — Bom, é a minha vez de fazer o jantar.

— O que vai fazer? — perguntou a metamorfomaga com um sorriso nos lábios.

— Tomara que seja aquela coisa redonda e engordurada que os trouxas solteiros comem sempre. Como se chama?

— Pizza — respondeu Remus.

— Isso!

Tonks deixou escapar uma gargalhada.

— Seria bom — disse quando pôde — Quer ajuda?

— Não precisa, obrigado...

— Sim, Tonks, não pense que nós bruxos somos tão inúteis — acrescentou o animago, sentando-se à mesa — Não deixe que Molly encha a sua cabeça com essas ideias.

Sirius continuou conversando sobre tudo o que aconteceu naqueles últimos dias, mas Tonks não parecia manifestar nenhum tipo de interesse em escutá-lo. Sua mente não estava ali, e sim do lado oposto da cozinha vendo trabalhar com dificuldades o lobisomem. Estaria pensando também naquele beijo?, se perguntava.

Um copo quebrou ao cair das mãos de Remus. Olhou para trás e se apressou em limpar tudo antes que algum dos presentes se desse conta de seu evidente nervosismo.

Com olhar atento, Sirius observava seu amigo enquanto continuava a conversa. Ela estava muito concentrada na visão de Remus, não precisava ser um gênio para saber o que ambos estavam pensando. Por fim, decidiu acabar com aquilo.

— Não está me ouvindo — afirmou em voz baixa.

A garota deixou de apoiar a cabeça sobre suas mãos e o olhou fixamente.

— Claro que estou — disse na defensiva.

— E o que eu disse?

Tonks ficou pensativa e então suspirou.

— Imaginei — sorriu. Depois de uma pausa, ergueu um pouco a voz — Pelo menos podia prestar a atenção no que digo em vez de ficar olhando pra bunda do Remus.

Do outro lado da cozinha, outro copo quebrou.

O lobisomem virou-se a tempo de ver a metamorfomaga completamente vermelha de vergonha.

Depois, com completa naturalidade, e apesar do constrangimento da mulher, Sirius olhou para o amigo.

— Vamos jantar ainda hoje? — perguntou sorridente.

Remus assentiu e fingiu não ter entendido. Ao mesmo tempo, fez a pizza levitar com sua varinha e pegou com cuidado três copos de cerveja amanteigada. Depois de deixar tudo na mesa, sentou-se em frente a eles.

— Não é que eu não aprecie comida trouxa — disse Sirius, devorando um de seus pedaços —, mas isso não está nada mal.

Apenas conseguiu que erguessem o olhar. Seus dois amigos estavam completamente distraídos. Remus era incapaz de erguer o olhar de seu jantar ou da própria mesa, já Tonks parecia olhá-lo de vez em quando com alguma discrição.

Sirius olhou ao redor e descobriu debaixo do seu braço um embrulho de chocolate. O seu rosto se iluminou, mas se obrigou a fingir indiferença.

Ambos o observaram quando começou a brincar com um daqueles papéis prateados entre seus dedos. Enquanto isso, ele deu mais uma mordida em seu pedaço de pizza.

— Sabem o que Arthur me disse outro dia sobre chocolate?

— O quê? — perguntaram em uníssono. Queriam acabar com aquele silêncio incômodo.

— Disse que os trouxas acreditam que o chocolate substitui o sexo. O que acha, Aluado?

O lobisomem engasgou-se e, depois de um longo gole de seu copo, tentou encontrar as palavras como pôde. Sempre pensou que Sirius se policiaria de tocar em certos assuntos na mesa, mas novamente estava errado.

O animago abriu a boca, perplexo.

— Então é verdade? — perguntou, fingindo-se de surpreso — Uau! Parece que descobri o seu segredo.

— Não é nada disso — retrucou na defensiva. Acabava de tirá-lo do sério e isso para Sirius era um ponto ao seu favor. Remus olhou então para a jovem, que olhava para a cena com os olhos arregalados, e não teve outra escolha a não ser salvar a situação — O chocolate ajuda a relaxar durante o ciclo lunar.

— Não vem com essa, Aluado. Quanto tempo que você não transa?

O lobisomem o olhou como se quisesse estrangulá-lo, mas Sirius o ignorou.

— Ah vai — insistiu — Não pode ser mais tempo do que eu — sorriu.

— Não acho que é um assunto apropriado — sussurrou e olhou para Tonks, que, como era de se esperar, não perdia uma palavra.

Seu primo os observou, fingindo total incompreensão e deu de ombros.

— E o que tem de errado?

Remus passou a mão pela nuca, estava muito quente e não via como remediar. O outro maroto acrescentou:

— Quero dizer, a menos que você tenha algum problema em falar sobre isso.

Pensou que não tinha como fugir daquela situação vergonhosa que o seu, até agora, melhor amigo tinha propiciado.

— Alguns anos — suspirou com as bochechas coradas e a testa suada.

Sirius sorriu satisfeito.

— Não foi tão difícil, foi? Já eu... 13 anos! — exclamou e então suspirou — Não desejo isso ao meu pior inimigo. Bom, talvez ao Ranhoso.

Tonks gargalhou.

— Então eu acho que ganhei. Qual é o prêmio? — perguntou. Os dois a olharam como se não tivessem entendido nada. Depois de um longo silêncio, Tonks bufou — Sim, eu sou virgem.

Remus e Sirius arregalaram os olhos. Ninguém podia acreditar.

— Por quê? — perguntou o animago. Ou melhor, quase gritou.

A metamorfomaga deu de ombros e deu um último gole em sua cerveja. Depois, levantou-se e lentamente a deixou sobre a pia da cozinha.

— Não sei. Acho que não encontrei a pessoa certa — disse — Vou deixá-los relembrando sobre as suas conquistas — sorriu — Até amanhã.

Com um último aceno, os deixou plantados sobre os seus assentos.

Enquanto Sirius continuava chocado, o lobisomem se repreendia por ter agido como um adolescente. Por Merlin, tinha acabado de beijá-la e tinha sentido algo, não podia negar. Jamais tinha desejado alguém como ela. Sabia que, se tivesse continuado com o beijo, aquela criatura que vivia em seu interior teria perdido o controle. Era algo novo, nunca antes tinha acontecido.

Mas não poderia voltar a acontecer. Ela estava esperando pela pessoa certa, e ele não era essa pessoa.

Remus começou a recolher as coisas diante do olhar atento do animago. A coisa se complicou. Agora, seu amigo tinha mais uma desculpa para se afastar da metamorfomaga.