Essa parte seria a mais difícil. Ele tinha medo da reação dos amigos, mas ainda contaria. Era necessário e ele não podia esconder isso para sempre.

Após o torneio, Harry chorou. Ele entrou em estado de calamidade. Perdera seu primeiro amor. Perdera o homem que o fazia feliz. Perdera seu noivo e não pôde fazer nada. Ele olhou inutilmente para o corpo já sem vida de Cedric. Ele estava preso pelas amarras que rabicho havia conjurado assim que ele e Cedric chegaram ao cemitério através da chave de portal.

Ver a vida deixando os olhos de seu amor, fora doloroso. Havia doído mais ainda quando aqueles olhos que antes era de um cinza tão vívido, agora mortos, apenas com uma escuridão profunda estava direcionado à si. Era como se todas as promessas que fizeram fossem apenas poeiras ao vento. Algumas nunca poderiam serem cumpridas.

Durante todo o ritual, Harry havia ficado atordoado. Ele não percebeu tudo o que acontecia ao seu redor. Ele lutou para que seus olhos e mente focassem na situação atual, mas só havia Cedric.

Quando Harry e Voldemort levantaram as varinhas e conjuram feitiços, as varinhas se ligaram e uma névoa saiu da varinha de Voldemort, tomando forma. Ambos os magos estavam presos pela magia, Voldemort preocupado demais tentando focar o feitiço em Harry, não percebeu a névoa tomando forma de James e Lily Potter e Cedric Diggory.

— Harry, meu amor. Nós sempre te amaremos. Confie em nós e use nossa última magia para se proteger e pegar a taça novamente.

— Ei, campeão. Sinto muito por não estarmos com você. Mas saiba que nunca deixamos de vigiá-lo e protegê-lo da forma que pudemos durante todos esses anos. Sua mãe e eu te amamos. — Seu pai disse com uma voz suave e um sorriso brincando em seu rosto. — Antes de irmos, há alguém que pretende falar com você uma última vez.

— Amor da mamãe, nunca esqueça que estaremos em seu coração. E por favor, quando descobrir toda a verdade, conte-nos, nós precisamos saber uma última coisa antes de caminharmos em paz por toda a eternidade do lado de cá. — A mãe dele falou mais uma vez e sua figura se esvaiu com a de seu pai.

— Ei...

Harry olhou para outro lado e viu a névoa em forma de Cedric. Naquele momento, seu coração acelerou e seus olhos encheram com ainda mais lágrimas. Tudo o que seus pais haviam dito, havia ido para o fundo de sua mente. A curiosidade que eles despertaram em seu ser, havia sumido e tudo voltou a se resumir apenas em Cedric Diggory, seu falecido noivo.

— Ced... por que? — Harry não lutou contra as lágrimas desta vez.

— Amor, minha paixão... Meu coração sempre vai lhe pertencer. Por mais que eu não esteja fisicamente com você, sempre estarei presente em seu coração. Em pouco tempo você descobrirá que não estará sozinho e saberá que independente do que aconteça, uma parte de mim estará com você fisicamente. Eu sinto muito por não estar com você e por não poder seguir todos os nossos planos...

— Ced, você não tem culpa de nada...

— Você também não tem culpa, meu amor. Tire da sua cabeça que minha morte está em suas mãos. Você não merece toda a dor que lhe foi causada, muito menos carregar uma culpa que não é sua.

— Volta pra mim...

— Eu não posso, meu amor, infelizmente. Mas eu desejo uma vida repleta de amor e boas amizades por toda a sua vida. — Cedric disse com um sorriso aguado e cheio de sentimentos em seu rosto.

— Você sabe que eu não posso, eu não consigo. Preciso de você. Aqui. Comigo. — Harry implorou.

— Harry, siga minhas instruções. Tudo bem, meu amor? Assim que eu disser, você corre até a taça que ela o levará de volta à Hogwarts.

— Mas...

— Amor, faça o que eu digo, por favor. Quero o melhor para você. Faz isso, por mim.

— Eu te amo, meu amor.

— Eu também te amo, Harry. Sempre e sempre. — Cedric disse uma última vez.

Focando toda a magia ao seu redor, Harry a dirigiu para sua varinha e aumentou a intensidade do feitiço. Assim que ele conseguiu a distração, ele fez o que seu amor pediu, ele tocou a taça enquanto segurava o corpo sem vida do noivo.

Depois disso, tudo foi um borrão. Ele foi clamado como vencedor do torneio. Moody era na verdade Bart Crouch Jr. Voldemort voltou com um corpo meio cobra. Dumbledore conversando com os Diggory sobre o funeral de Cedric. O tumulto na escola. A seção de perguntas sobre tudo o que aconteceu no cemitério.

Harry fez tudo no automático. Ele não parou para pensar e refletir. Apenas seguiu o que os outros pediram. Quando deitou a cabeça no travesseiro, o sono o reivindicou rapidamente. Mesmo o corpo e a mente ainda sobrecarregados, ele não conseguiu paz durante o sono.

Havia Cedric e ele, abraços em frente à uma lareira, na nova casa deles. Ambos descansando depois de um longo dia e trocando um beijo calmo e sensual. Quando o beijo ficou amargo, Harry se afastou logo soltando um grito de terror.

Seu amado Cedric, não era ele mesmo. Seus olhos estavam sem foco. De seu nariz saía um líquido da cor preta. Quando a boca se abriu, saiu sempre a mesma frase. Uma repetição de "você me matou". Ele tentou parar com isso. Ele se sentia ainda mais culpado. Era inevitável.

Aquele sonho sempre se repetia. Uma e outra vez. Toda vez ao acordar, ele tentava se lembrar das últimas palavras de Cedric antes dele pegar a taça e voltar pra Hogwarts.

Durante as férias, Harry se sentiu cansado, enjoado. Se fosse outras vezes, ele ignoraria. Mas seu corpo começou a mudar. Ele ganhou mais massa corporal. Às vezes surgia uma estranha vontade de comer coisas sem sentido. Suas emoções estação à flor da pele, mais que o normal. O grifinório sabia que algo estava acontecendo, mas por não saber o quê, tudo o estava assustando.

Esperando que nada estivesse de errado com o seu corpo, a ponto de prejudicá-lo seriamente, ele esperou seus tios saírem de casa e juntou alguns trocados perdidos pela casa. Ele seguiu para o quintal de trás do número quatro da rua dos Alfeneiros, foi até o ponto de ônibus mais próximo e desceu no caldeirão furado. Pedindo passagem para o beco diagonal, ele foi até Gringotts e pediu por uma sala com lareira particular.

— Mansão Diggory, estudo de Lady Yara. — Harry disse após se ajoelhar em frente à lareira e jogar o pó de flú.

— Harry? — Yara chamou após ver a aflição no rosto do menino que estava noivo de seu único filho. Após o torneio, eles conversaram e um ajudou o outro durante o luto pela morte de Cedric. Não foi fácil, isso os atingiu fortemente. Yara se apegou tão rápido ao jovem, que eles chegaram a trocar algumas escassas cartas durante esse tempo.

— Yara, você pode passar pelo flú? Estou em Gringotts. Pedi por uma sala particular. — Harry estava à ponto de suplicar. Ele se sentia tão mal, tão enjoado...

— Claro, meu filho. Vou apenas chamar Amos e logo estaremos aí. Aguente bem. — E com isso, Yara saiu da sala e foi procurar pelo marido.

Amos estava em seu estudo. Sentado em sua cadeira, ele segurava um retrato de quando seu filho havia recebido a carta de Hogwarts. Era uma tradição dos Diggory frequentar a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, mas com eles saindo de uma recente guerra, ele tinha tanto medo que desejou que seu único filho e herdeiro estudasse em casa com tutores aprovados pelo ministério britânico bruxo.

Pode-se dizer que Yara não gostou disso. Ela queria continuar a tradição e queria que seu filho fizesse amizades e qualquer outra coisa que garotos de sua idade faziam. Depois de longas discussões, Amos viu que não ganharia e aceitou com um gosto amargo na boca.

Cedric cresceu um menino saudável, brincalhão, inteligente... Ele era como qualquer outro garoto em sua juventude, mas o que o destacou, foi seu caráter. Ele não via o mal nas pessoas. Ele podia conversar com qualquer pessoa de qualquer idade. Falava de política, quadribol, matérias de Hogwarts, etc. Era versado em qualquer assunto.

Quando Cedric de repente pediu o anel de noivado antes de voltar para Hogwarts novamente, ele se assustou. Quem poderia ter capturado a atenção de seu menino? Amos, como qualquer pai, conversou com ele e disse suas preocupações por estar noivando tão rapidamente.

Vendo o olhar tão apaixonado de seu filho, Amos viu que não tinha escolha a não ser aceitar. Durante toda a conversa, Cedric não mencionou o nome da pessoa amada. O Lorde Diggory já pensava em escrever o contrato de casamento. Seu filho falou tão bem que ele já havia aprovado sem nem antes o conhecer.

— Filho, quem é essa pessoa que faz seu olhos transbordarem de carinho e afeição?

— Meu pretendido é Harry Potter, pai.

O silêncio reinou logo após essa declaração.

— O garoto Potter? O que deu na sua cabeça, meu filho?

— Pai, não vou desistir daquele que amo. Eu pretendo me casar com ele! Aceite ou não, mas se não me caso com ele, não haverá outro alguém para compartilhar a linhagem Diggory comigo.

A voz era determinada e ele não queria correr o risco.

— Que assim seja. Mas você sabe que não gosto do garoto. Apenas prometo TENTAR me segurar.

— Isso é tudo o que peço. Agradeço, pai. Esperarei pelo anel em meus aposentos. Se precisar, mande Ninx.

— Amos? — O Lorde foi retirado de seus pensamentos pela voz de sua amada esposa.

— Sim, querida?

— Precisamos ir à Gringotts. Harry precisa de nós.

Amos assume que não gostava do menino no início, mas ao ver o menino quebrado após a morte de seu herdeiro, e ainda assim tentando ajudar sua esposa, ele criou um imenso respeito pelo mais jovem. Eles não trocavam cartas, mas ele fazia comentários e sua esposa os adicionava nas cartas. Ouvir o desespero na voz de Yara, o preocupou.

— O que aconteceu? — Amos perguntou já se levantando se sua cadeira e pegando sua capa.

— Eu não sei. Ele disse que estava em Gringotts em uma sala particular.

Voltando à lareira, eles entraram e procuraram pelo jovem na sala. O achando agachado em um canto da sala espaçosa.

— Harry! — Yara gritou o nome do menino e correu, logo se ajoelhando perto do mais jovem, esquecendo todo o seu decoro de uma Lady.

— Yara... — O jovem soluçou e se agarrou a sua esposa.

— O que aconteceu, meu jovem? — Amos tentou manter a calma. Se preocupar sem sentido sem nem antes saber o que estava acontecendo, apenas pioraria a situação.

— E-eu não sei... — Harry tentou falar em meio aos soluços.

— Respire. Me acompanhe. Puxe o ar pelo nariz e solte devagar pela boca. — Amos se aproximou do jovem e ergueu a cabeça com suas mãos grandes. — Isso. Muito bem. Não pare. Bom garoto. — Vendo que o menino começou a se acalmar depois de alguns poucos minutos, ele perguntou novamente. — O que aconteceu, meu jovem?

— Eu não sei. Eu me sinto estranho, meu corpo tá estranho. Estou com medo... — As lágrimas voltaram a rolar pelo rosto do menino.

— Querido, nos diga o que está estranho, talvez possamos ajudá-lo. — Yara pediu gentilmente com sua voz materna.

— Eu tenho me sentindo enjoado e nada para no meu estômago. Parece que estou engordando, minhas roupas começaram a me apertar. Quase todas as comidas me enjoam. Tenho vontade de comer coisas estranhas ou coisas que nunca gostei antes... Eu me sinto estranho... — O menino tentou explicar o que tinha visto nas últimas semanas.

— E desde quando isso tem acontecido? — Amos perguntou tentando achar a causa disso.

— Desde o início das férias, senhor.

— Amos, vá buscar um medimago, por favor.

Relutante, o senhor saiu da sala atrás de um medimago, sem saber o que passava na cabeça da esposa.

Exatamente 10 minutos depois, Amos entrou novamente na sala com um bruxo vestido com uma capa branca.

— Olá. Sou o medimago e curandeiro Diaspont. Em que posso ajudá-los, Lorde e Lady Diggory, Senhor Potter?

— Olá, Senhor Diaspont, você foi chamado para o Senhor Potter. Nós queremos um exame completo, por favor. Tenho minhas suspeitas do que possa estar acontecendo, mas prefiro ter certeza.

— Muito bem. — Leno Diaspont abriu sua maleta e puxou uma pequena maca lançando um feitiço para voltar ao seu tamanho original. — Senhor Potter, se você puder, por favor, deitar-se.

Harry levantou e dirigiu-se para a maca. Assim que se deitou, Diaspont começou a lançar feitiços enquanto um pergaminho surgia com todas as informações sobre o corpo de Harry.

O pergaminho aumentava a cada segundo, o que deixou os três adultos em desespero. Pegando o pergaminho, Leno o leu e seus olhos aumentaram.

— Senhor Potter, levante por favor suas vestes e deixe seu estômago exposto para que eu possa lançar outro feitiço.

Relutante, Harry o fez, deixando com que o feitiço o atingisses. O menino não percebeu os olhos de Amos se arregalarem quando ele entendeu o que isso implicava, seu rosto já pálido.

— Senhor Potter, você sabe que é um portador? — Leno perguntou calmamente.

— Um portador? Como assim? — Harry perguntou confuso.

— O que se ensina em Hogwarts hoje em dia? — Yara bufou ao resmungar.

Por incrível que pareça, foi Amos quem explicou. Calmamente, para não assustar o jovem.

— Harry, alguns poucos bruxos masculinos abençoados por Lady Magic podem gerar um filho. Seu corpo continua como o que você nasceu, mas sua magia tem a capacidade de formar um útero mágico, onde vai ser carregado a prole. Esse é um presente muito cobiçado, pois poção e feitiço nenhum pode fazer isso.

— Exatamente, Senhor Potter. O último bruxo com essa benção na grã Bretanha, foi registro a mais de 30 anos.

Harry agora, sem uma gota de sangue no rosto, estava a ponto de entrar em um ataque de pânico. Portador... Lady Magic... Criança... Cedric...

— Harry, acalme-se, por favor. Nós estamos aqui. Respire fundo.

Mesmo com a mente em desespero, Eu grifinório tentou seguir as palavras de Yara. Enquanto isso, Amos conversava com Leno sobre os resultados.

— O corpo dele está doente demais para carregar uma criança. Ele já está com um pouco mais de três meses, o aborto não pode ser feito sem colocar a vida do Senhor Potter em risco. Se soubéssemos disso antes, poderíamos decorrer a essa alternativa.

— O que podemos fazer a essa altura?

— O indicado seria colocá-lo de repouso definitivo.

— Ele não vai nos ouvir. Harry quer terminar Hogwarts e tenho certeza que ele não deixará seus amigos agora. Podemos força-lo? Um contrato, não sei...

— Sinto muito, Senhor Diggory, mas os portadores são protegidos por várias leis. Quem comanda o que acontece ou não com o corpo dele, é ele e apenas ele. Vocês podem tentar convencê-lo. O único que pode forçar alguma coisa, é o guardião mágico dele. Se vocês conseguirem tomar a guarda dele, podem dar a ordem de tirá-lo se Hogwarts e colocá-lo em repouso em sua mansão.

— Ele não tem guardião. Com a participação do Torneio Tribruxo, ele foi considerado adulto aos olhos da lei. A única coisa em que ele está suscetível à menor de idade é não usar a varinha fora de Hogwarts, já que ele não terminou sua educação.

— Então nós não temos outras opções. Converse com ele. Talvez se ele seguir o cronograma de alimentação e poções que darei, mais as consultas que marcarei, ele pode ir para Hogwarts, seu núcleo mágico não tem fim, o que não vemos desde Merlim. Mas quadribol está fora de cogitação.

— Tudo bem. Eu entendo. Nós conversaremos com ele essa noite. Amanhã de manhã, liguei-me via flú que eu darei passagem para a consulta.

— Isso é bom, senhor Diggory. Espero que tenham um bom dia.

— Um momento. Preciso lhe avisar que isso permanece quieto?

— Não, senhor Diggory. Nós, curandeiros e medimagos fazendo um juramento de que todos os pacientes terão suas informações bem guardadas.

— Bom.

O medimago se retirou da sala, deixando os outros bruxos sozinhos. Quando Amos se virou para sua esposa, ele a viu segurando a mão do menino adormecido.

— Amos, o que faremos? — Yara perguntou sem tirar os olhos do portador.

— Vamos deixar para conversar em casa.

— Tudo bem...

Lorde Diggory pegou o menino em seus braços e seguiu para a lareira.

Em seu sonho, Harry segurava sua filha nos braços enquanto Cedric estava com o peito colado em suas costas com a mão repousada em seu quadril.

— Ela é tão pequena...

— Nossa princesa é muito novinha, amor. — Cedric riu.

— Eu sei. Mas meu estômago era tão grande...

— Eu te entendo. — Após um breve silêncio, ele continuou. — Nós a fizemos. Estou tão orgulhoso de você...

— Gostaria de ter você aqui durante todo esse tempo. Sinto sua falta.

— Sempre estarei contigo. Você e nossa princesinha estarão seguros.

— Eu te amo.

— E eu te amo, meu amor. — Cedric sussurrou em seu ouvido enquanto se esvaia.

Harry balançou a cabeça e voltou ao presente. Aquela fora sua última conversa com Cedric, seu noivo.

O menino continuou suas aulas em Hogwarts, enquanto nos fins de semana de Hogsmeade, ele se encontrava com os Diggory. Chegou um momento em que o aluno do quinto ano pensou que não suportaria segurar ainda mais os feitiços de ocultação. Por mais que ele amasse seus dois melhores amigos, ele sabia que não poderia se abrir com eles. Paredes tem ouvidos e ele não queria correr o risco.

Amos e Yara cuidaram dele como se fosse um filho. O Lorde parecia até mais amigável. Harry pensava ser por conta de sua situação, mas quando Celine, sua linda princesinha nasceu, Amos não mudou com ele. O menino sentia com se eles fossem seus pais, as vezes ele escorregava e os chamava assim.

Quando ele soube que deveria vir a essa caça, foi de coração partido que ele deixou sua filha. Ele sabia que estaria em ótimas mãos, mas a saudade apertava. Harry sabia que essa era sua única opção. Ele precisava deixar o mundo seguro para o futuro de sua filha, mesmo que para isso ele precise se sacrificar.

Leno Diaspont foi crucial em cada passo. Hoje, ele agradece. Sua filha nasceu saudável e seu corpo foi quase completamente restaurado como deveria ter sido desde o início.

Tirando sua corrente de ouro com um pingente, Harry entregou aos seus amigos.

— Essa é a pequenina?

— Sim, Mione. Minha linda princesinha. Celine Lilian Potter-Diggory. Herdeira das famílias Potter e Diggory.

— Ela parece uma boneca de tão pequena.

— Celine é um bebê, Ron. Essa é a única foto que tenho dela neste momento. Nessa foto, ela está com 2 semanas de vida.

— E por que tudo isso logo agora, Harry? — Hermione voltou aos trilhos.

— Nós estamos prestes a ir à Gringotts. Neutros ou não, não quero arriscar. Vocês são meus melhores amigos e eu queria que vocês soubessem dos meus segredos caso algo aconteça comigo. Quem cuida dela são os avós. Eu não confiaria em outros.

— Eu não te culpo, companheiro. Acho que teria feito o mesmo no seu lugar. Não que eu ficasse com outro caro e tivesse um filho. Não me leve a mal, mas prefiro mulheres. O que eu quero dizer...

— Acalme-se, Ron. Eu entendi o que queres dizer. — Harry riu do amigo.

— Meninos... — Hermione revirou os olhos afetuosamente para os amigos. — Harry, quero que saiba que não deixarei com que nada lhe aconteça. Nós terminaremos essa guerra e você voltará seguro para a pequenina.

— Essas também são as minhas palavras, companheiro. Quando tudo isso acabar, mamãe ficará feliz ao saber que finalmente ganhou um neto. Bill agradecerá, assim ele e Fleur ganharão mais tempo.

— Posso apostar que sim. Molly é um amor. Com certeza ela passará dias tricotando para Celine.

— Bom, meninos. A conversa está boa, mas precisamos ir logo. Harry, os testes dos goblins podem parecer um pouco invasivos, mas é a maneira deles. Então fique calmo. Ron, você... Bem, você sabe o que fazer. Precisamos tomar logo a poção e irmos, se quisermos descobrir o que está acontecendo com Harry.

— Tudo bem. Vamos passar logo por isso. — Harry falou amargo. Como se já não bastasse passar por vários exames e programações com Leno, ele ainda devia suportar os goblins.

— Sem reclamações. Você precisa estar bem para a sua princesinha. Então aguente.

— Golpe baixo, Ron.