— Olá, mestre goblin. Que o sangue de seu inimigo jorre aos seus pés.
— Olá, senhorita. Que seu ouro flua abundantemente. Quais são seus negócios?
— Nós estamos aqui para pedir por uma reunião particular com o goblin que cuida das finanças do nosso amigo. — Hermione apontou para Harry. Ela não precisava explicar detalhadamente, algumas criaturas mágicas viam através de feitiços e poções, goblins inclusos.
— Muito bem. Groowen os levará até o mestre Thrunli.
Os três grifinórios seguiram silenciosamente o guerreiro goblin dentre os diversos corredores e ao chegarem, esperaram pela autorização. Ao ser concedida, os bruxos entraram no escritório e esperaram que o goblin guardasse alguns papéis antes de virar sua atenção novamente e perguntar o motivo da reunião.
— Nós viemos pedir por um exame completo, mestre Thrunli. Nosso amigo Harry tem estado mal magicamente e fisicamente. Por Gringotts ser um território neutro, acreditamos que vocês poderiam fazê-lo. É claro que por uma certa quantia.
— Eu vejo. Qual de vocês vai pagar pelo exame?
— Eu vou, mestre Thrunli. — Harry falou primeiro. O cofre que seus pais lhe deixaram ainda tinha bastante galeões. Ele tentara economizar o possível para que ele pudesse sobreviver antes de conseguir um emprego.
— Que assim seja. Se você assinar esses papéis, por favor, eles farão com que a quantia dita seja automaticamente de seu cofre quando o exame for feito.
Assim que Harry assinou, ele foi levado para fora da sala onde o mesmo guerreiro o levou à outra remessa de corredores até que parassem numa porta feita de pedra. O goblin precisou bater apenas uma vez que ela se abriu e o bruxo entrou, seguido do goblin.
— Senhora Felice, o senhor Potter está aquí para um exame completo. O dito documento deve ser entregue ao mestre Thrunli imediatamente assim que acabado.
— Eu entendo. — Assim que o guerreiro saiu, a goblin se virou para o paciente. — Senhor Potter, retire suas roupas, por favor. E digo, todas elas.
Tudo bem que ele ficou totalmente nu com Cedric, mas ele era seu noivo. E tudo bem também ele ter ficado nu na frente de um curandeiro, mas ele estava fazendo o parto de sua filha. Mas na frente de outro ser, completamente sóbrio? Oh, isso realmente vai ser embaraçoso. Sem questionar a goblin, ele tirou todas as suas roupas e deitou-se na maca apontada no meio da sala.
— A magia pode lhe causar un leve desconforto, dependendo do que há em você, senhor Potter.
Esse foi o único aviso que ele teve antes de sentir a magia pesada da goblin. Realmente, foi desconfortável. Parecia algo intrusivo e sua magia queria lutar contra. Tentando agarrar seu núcleo e impedi-lo se se livrar de sua pressão, ele não percebeu que o exame já havia terminado.
— Senhor Potter? Sua magia é deveras selvagem. Não vejo isso há séculos. O senhor deve ser muito querido pela Lady Magic por esse presente. — Ela disse enquanto Harry se levantava da maca. — Não há ferimentos graves que precise de minha cura. As informações e detalhes serão tratados com o o responsável por suas contas. Você pode se vestir. Um guerreiro estará no corredor esperando pelo senhor.
— Obrigado, senhora.
Assim que ele se vestiu, saiu e seguiu o mesmo guerreiro de antes. Entrando na sala, Harry viu que Thrunli já estava com um pergaminho em mãos. Sentando na cadeira oferecida, ele aguardou o goblin terminar sua leitura.
— Pelo o que vejo, Senhor Potter, temos muito o que conversar.
— O que você quer dizer, senhor?
— Vamos começar pela profecia. Neste pergaminho diz que não há profecia que o vincula. Bom, pelo menos não a que o fez famoso. Porém, a outra profecia, digo, a verdadeira, deve estar em seus cofres.
— Espere. Isso está errado. Você quer dizer que meus pais morreram por nada?
— Senhor, longe disso. Eu nunca disse que seus pais estavam mortos. — O goblin tentou dizer calmamente. Bem, não teve o efeito desejado.
— O QUÊ??
O menino os ficando mais pálido a cada segundo que sua mente corria para dirigir tal informação.
Vendo que o menino estava prestes a desmaiar, Thrunli jogou sua magia para que o ar pudesse circular facilmente e lhe deu uma poção calmante. Quando o jovem estava mais calmo, ele voltou para o seu lugar atrás da mesa e voltou a falar.
— Senhor Potter, neste documento diz que seus pais estão vivos. Porém, não posso dizer exatamente onde estão. Há algum tipo de magia em torno da localização. Levaria dias, talvez até semanas para poder encontrá-los.
— Isso não é verdade. Meus pais estão mortos. Eu vi a maldição da morte.
— A magia dos goblin não mente, Senhor Potter. — Explicou. — Como você tem certeza de ter sido a maldição da morte? Você era apenas um bebê.
— Eu vi a luz verde. Eu vi! Não tente me contrariar.
— Senhor, peço que tenha calma. Não querendo te contrariar, mas você sabe que não é apenas a maldição da morte que tem a luz verde, certo?
— Como assim? O que você quer dizer?
— Harry, acho que ele tem razão. Eu conheço vários feitiços com a dita luz verde. Madame Pomfrey até usou um em você para que pudesse dormir toda vez que tentava sair da ala hospitalar. — Hermione falou, fazendo com que sua presença fosse finalmente reconhecida.
— É, companheiro. Tem até alguns que mamãe usa na faxina de casa.
— Vocês querem dizer que tudo o que me disseram e eu acreditei ao longo dos anos é mentira? — Harry estava a ponto de se quebrar emocionalmente.
— Senhor Potter, sente-se por favor. — Harry se sentou, nem percebendo o momento que havia se levantado da cadeira. — Nós tentaremos localizar Lorde e Lady Potter. Precisamos terminar de discutir os tópicos antes de fazermos qualquer coisa.
— Pode continuar, mestre goblin. — Hermione pediu educadamente. Ela ainda estava tentando entender tudo o que estava acontecendo.
— Agora, Sirius Órion Black, seu padrinho, não mais entre nós, deixou sua vontade conosco. Ele lhe passa tudo o que há em seu nome. Sua madrinha, Alice Marise Longbottom, deixou um cofre em seu nome caso ela ficasse incapacitada de cuidar do senhor.
— Eu não sabia que meus pais eram tão próximos dos Longbottom a esse ponto.
— Posso dizer que as matriarcas eram tão próximas a ponto de se considerarem irmãs. Continuando. Sobre seu tio avô.
— Eu tenho mais família? — O goblin o olhou e acenou bruscamente. — Desculpe. Continue.
— Bem. Esse ponto pode ser problemático. Tom Marvolo Riddle é o dito tio avô. Aqui diz apenas que ele está incapacitado. Será outro assunto que deveremos resolver.
— Não. Impossível. Ele é o lorde das trevas. A minha cicatriz é por culpa dele. — Harry estava s ponto de gritar, mas viu o goblin o olhando e parecendo estar nervoso comigo algo, isso já é uma mudança. — Ele é, certo?
— Senhor, sua cicatriz contém um pouco da magia de Tom Riddle, mas tem outra magia oculta. O problema de tentar descobrir que magia é essa, é que pode levar meses e até anos para acharmos o dono dela. Então o que posso dizer é que quando Tom Riddle tentou te matar, ele estava possuído, mas como a magia de sangue o reconheceu como família, ela o protegeu da morte, o que não seria necessário inicialmente?
— Deixa eu ver se entendi. Os pais de Harry estão vivos, Voldemort é seu tio avô, que por acaso estava possuído ao tentar matá-lo e a magia de sangue não era necessária para protegê-lo? — Ao aceno do goblin, Ron se virou para o amigo. — Companheiro, hoje o dia está cheio de novidades.
Bem, isso era algo que Harry agradecia. Não pelo dia ser cheio de surpresas, mas por ele não estar surtando como teria feito alguns anos atrás. A guerra o mudou e o fez crescer. Ele geralmente pensava antes de dizer qualquer coisa. Agradeça também a Mione por isso.
— Para tentar ajudar o senhor Riddle, precisamos que ele esteja aqui em Gringotts.
— Dificilmente vamos conseguir esse feito.
— Senhor Potter, vocês são da mesma família. Você quer vê-lo são?
— Não sei... por mais que ela esteja possuído, ele ainda tentou me matar.
— Pensa, Harry. Pensa. Os goblins podem mudar isso. Ele é sua família agora. Você vai virar as costas para um membro que precisa de ajuda?
— Hermione, não me faça me sentir o vilão aqui. É difícil pra mim. Ele sempre foi o bandido na história e em minutos isso muda?
— Senhor Potter, se você quiser realmente que ele seja ajudado, podemos trazê-lo através de um ritual. Ele vai chegar aqui desacordado e o colocaremos em como induzido para que o pior não aconteça.
— Pensando assim, eu posso ajudar no ritual, mas quero estar longe assim que possível.
— Isso não será um problema.
— Companheiro, que família maluca você tem!
— Ronald Bilius Weasley. Tenha mais tato. — Hermione o cotovelou.
— Ai, Mione. Tá pior que mamãe.
— Ron, sempre o mesmo. — Harry soltou uma risada vendo seus amigos se comportarem.
— Senhores, se pudermos continuar. — Thrunli chamou a atenção dos três. — Senhor Potter você é apenas Lorde Black. Os demais senhorios, como Potter, Gaunt, Slytherin e Gryffindor tem você como herdeiro.
— Acho que isso foi muito para o nosso pequeno Harry, Ron. — Hermione sorriu.
— Foi muito até pra mim, Mione.
— Acredito que isso seja tudo o que precisava ser discutido inicialmente. — O goblin voltou sua atenção ao pergaminho. — Senhorita Granger, você estava correta em trazer seu amigo para nós. O exame feito é correto, a magia do Senhor Potter está assim por algo muito simples. Ao completarem 17 anos, os bruxos recebem uma herança, apenas caso alguém em sua linha familiar tenha em algum momento se relacionado com uma criatura.
— Quem se relacionou com quem? — Harry perguntou rapidamente.
— Ninguém, Senhor Potter. Na verdade, você recebeu uma herança porque é companheiro de uma criatura. Os companheiros bruxos e/ou humanos recebem uma herança para se adequar à criatura com que vai se acasalar.
— Como assim me acasalar?
— Sua alma gêmea, senhor Potter. De acordo com o exame, você se adequa à um companheiro de vampiro. Nós, bruxos, não podemos ajudá-lo com seu treinamento, conhecimento e procura pelo companheiro. Você precisará de um vampiro para isso.
— Eu não posso. Não. Eu era noivo de Cedric Diggory e tenho uma filha unindo nossas linhagens.
— Mas isso não quer dizer que vocês eram almas gêmeas.
— Eu não aceito isso! Dane-se esse tal companheiro. Não quero saber de mais nada. Senhor Thrunli, continue com nossos planos iniciais, mas vamos esquecer essa última parte da conversa. Isso é tudo. Peço uma sala particular com flú. Assim que possível, por favor, envie alguém com a papelada para que eu possa assinar.
E com isso, Harry partiu da sala e pediu a sala particular para um goblin que aguardava no corredor. Hermione e Ron podiam entender o lado do amigo, mas até eles próprios tinhas suas considerações particulares.
— Por favor, desculpe o comportamento dele, mestre Thrunli. Ele já passou por tanta coisa que me admira ele não estar quebrado.
— Eu entendo, senhorita. Nem todos levam tão bem a história de companheiro. Gostando ou não, vai ter um momento em que ele vai poder negar isso sem colocar a própria vida em risco. Peço que vocês o convença de buscar um clã.
— Nós faremos o possível. Podemos ir até ele? — Ron perguntou, preocupado com o amigo.
— Se vocês saírem, encontrarão outro guerreiro que os levará até a sala.
— Agradecemos. Que o sangue de seu inimigo jorre aos seus pés.
— Que seu ouro flua abundantemente.
Saindo da sala, o casal seguiu o goblin até o seu amigo. Suas mentes procurando uma forma sútil de fazer com que Harry entenda todo o problema. Batendo na porta, os dois entraram.
— Harry?
— Ei, vocês.
Parecia que os meros minutos haviam acabado com seu amigo. Sentando-se ao lado dele, os dois passaram seus braços ao redor do grifinório e esperaram que ele falasse algo.
Não querendo falar mais sobre os assuntos a pouco discutidos, Harry mudou.
— Vocês querem conhecer minha princesinha?
— Ficaríamos honrados.
Levantando-se do sofá, Harry caminhou até à lareira e jogou um pouco de pó de flú.
— Mansão Diggory, sala de estar da família. Demorou alguns segundos antes que Yara aparecesse.
— Harry, quanto tempo! Como você está? Não não, onde você está?
— Acalme-se, Yara. — Harry tinha um sorriso afetuoso nos lábios. — Eu estou bem. Tudo na medida do possível. Estou em Gringotts. Meus amigos Ron e Hermione estão aqui. Traga os outros dois, eles já sabem da situação.
— Claro, só um momento. — Yara se afastou mas ainda se podia ouvir a voz da mulher. — Amos, querido, traga Celine. Precisamos ir ao banco.
Momentos depois, três pessoas saíram da lareira. Harry sem nem esperar, pegou Celine e a apertou fortemente ao seu peito.
— Minha princesinha, senti sua falta. Tanto tempo longe... — Harry tinha lágrimas nos olhos enquanto soltava beijos de borboleta na criança. — Quem é a bebê do papai? Isso mesmo, é você, meu amor.
— Ele é tão natural... — Ron disse enquanto olho a narração do amigo com a filha.
— E nós não recemos nenhum abraço? — Yara perguntou.
— Desculpe, Yara. — Harry foi até os Diggory e os cumprimentou adequadamente.
— Agora, por que exatamente estamos aqui? Quer explicar o motivo de estarmos em Gringotts? — Amos perguntou ao menino.
— Longa história...
Harry contou desde o acampamento, quando Hermione o examinou, até o atual momento. Segurando sua filha enquanto a ninava, tentando fazê-la dormir. Não deu muito certo. Celine com suas mãozinhas de bebê tentava arrancar a blusa do pai à procura de leite. Ficando furiosa, a criança berrou.
— Acho que tem alguém com fome. Não é, princesa? — Tão naturalmente, Harry retirou sua túnica e abriu os botões da camisa. Era um pouco incômodo, fazia tempo que ele não amamentava. — Pronto, meu anjo. — Celine feliz sugando o leite, fechou os olhos enquanto se aconchegava mais ao corpo do pai.
— E o que você vai fazer, querido? — Yara quem perguntou.
— Vou esperar ser chamado para o ritual e logo depois sairemos daqui. Com Tom com os goblins, eu não me importo com o que aconteça com o resto. Os aurores que façam seu trabalho. Quero apenas um momento com minha criança.
Os Diggory concordaram com o pensamento. Mas tanto eles quanto Ronald e Hermione ainda estavam pensando em como convencer Harry a procurar por um clã.
Amos e Yara passaram a amar Harry, ele foi fiel à memória de seu filho e os deu uma linda neta, mas se tinha algo que eles respeitavam ao extremo, era alma gêmea. Harry era tão apreciado por Lady Magic e ele não entendia o presente lhe dado.
Quantos bruxos morreriam e matariam para ter uma alma gêmea? Alguém que os colocasse como prioridade, amaria além dos limites e protegeria com a própria vida. Eles sabem que caso Cedric ainda estivesse vivo, ele respeitaria Harry ter uma alma gêmea e o convenceria a dar essa chance, mesmo o amando.
Com todos perdidos em pensamentos e Celine adormecendo nos braços do pai, a sala caiu em silêncio, apenas com ocasionais barulhos de sucção vindos de Celine.
