Itália

Bruxos. Lobisomens. Fadas.

Todos os seres místicos que muitos acreditam ser apenas fantasia, na verdade, existem. Bem, uma história de fantasia sempre tem um fundo de verdade, não é mesmo?

Muitos podem até achar são contos para dormir, mas não é bem assim na realidade.

Todos os tipos de seres abençoados por mãe magia ou qualquer outra divindade, sempre existiram.

Há muito tempo atrás, todos viviam em harmonia. Criaturas, humanos...

Quando se surgiu o fanatismo por novas religiões, muitos seres passaram a se esconder.

Todas as religiões tem sua divindade cada. Mas nenhuma divindade, em momento algum, pregou o ódio e a intolerância. É claro que cada fé é diferente e cada uma acredita em uma coisa. Mas no início dos tempos, todos eram tolerantes.

Com essa mudança, chegou a intolerância, e com ela, surgiram-se as guerras.

Muitas criaturas resolveram então se esconderem afim de se manterem a salvos.

O tempo foi passando e o conhecimentos foi se apagando.

Hoje, os humanos têm medo de tudo aquilo que desconhecem e atacam seres inocentes.

Houve um tempo em que alguns grupos de criaturas pensaram em se mostrar para o mundo novamente, mas quando perceberam o caos que os rodeava, eles permaneceram nas sombras seguros.

Os humanos da atualidade acreditam que apenas sua fé é a que salva e que a sua divindade é a única que existe.

Isso não é a verdade.

Quando morremos, vamos para um tipo de sala de espera. De lá, você é encaminhado para a divindade que seguiu em seu tempo na terra. Claro que há acertos e erros, e a partir deles que é decidido o lugar para onde você vai.

Quando se trata das criaturas, quando chega o fim de seu tempo na terra, elas são encaminhadas para o seu líder. Um exemplo disso, é o Drácula, líder dos vampiros.

Drácula foi o primeiro vampiro da história. Ele estava morrendo e não havia nada que pudesse curar sua doença. Era genética. Após vários apelos, mãe magia decidiu que tal linhagem já havia sofrido demais e então resolveu o problema com as próprias mãos. Ela o matou e modificou a doença em seu sangue, tornando Drácula o primeiro vampiro da história.

Drácula sempre viveu escondido e passava longas horas com mãe magia aprendendo tudo o que podia. Mãe magia também lhe ensinou tudo sobre a nova raça criada. Ela lhe disse para ele transformar apenas seu companheiro e aqueles que ele considerava dignos se segui-lo junto pela eternidade.

Anos mais tarde, ele conheceu Jure Grando, seu amado companheiro. Seu submisso era tudo o que ele precisava, então ele foi a primeira e única pessoa que ele transformou. A promessa de eternidade subiu à cabeça de Jure e ele decidiu por um caminho longe de Drácula.

Drácula sofreu por anos por conta da escolha de seu companheiro. Um tempo depois de toda a separação, ele descobriu o que Jure fez. Foram tantos transformados que precisaram fugir e tantos crimes que ele e aqueles que o seguiam cometeram...

Voltando-se para mãe magia, ele pediu um favor em troca de sua vida, que tudo aquilo fosse consertado. Ela teve compaixão por seu filho e concedeu-lhe o pedido.

Vlad III morreu nas mãos de mãe magia e sua alma vagueia com mãe magia. Jure foi morto para que os ataques parassem. Os vampiros recém transformados foram mortos pela própria mãe magia. Ela não mataria os futuros vampiros, mas eles seriam julgados por Vlad. Ele era o líder e todos ouviriam à ele.

Todo esse conhecimento é escasso nos tempos atuais.

Os Volturi, por serem considerados os Reis dos vampiros, têm esse conhecimento e passa a frente para todos aqueles que estão dispostos em abrir suas mentes.

Por serem um grupo de criaturas, eles estão em contato com diversos outros seres afim de manter os negócios.

Atualmente, no castelo, um líder de um clã da Eslovênia saía da sala após uma negociação. Finalmente, era a última marcada e agora eles podiam relaxar.

Antes que um deles pudesse se levantar do trono, toda a atenção foi atraída por uma águia que entrava por uma das grandes janelas. Aro, como o principal nas negociações, reconheceu facilmente a ave. Era uma vinda do mundo mágico. A questão no momento era saber de quem exatamente vinha e qual era o motivo.

Esperando a ave se acalmar, Aro trocou um olhar com Caius e Marcus. Logo pegando a carta e lendo, um sorriso ladino surgiu em seu rosto pálido.

— Do que se trata, querido irmão? — Marcus que questionou.

— Logo teremos um novo aprendiz. Não diz muita coisa. Apenas explica que ele virá com sua família e ele não deve ser incomodado. Quando for a hora certa, ele virá até nós.

— Muito bem. Quando ele chegará?

— Dentro de algumas semanas. Podemos apenas aguardar sua chegada.

— Que assim seja. Irei me retirar pelo resto do dia.

E assim, Marcus Volturi saiu da sala de reuniões, fazendo com que Caius e Aro se entreolhassem e soltassem um longo suspiro.

— Venha, Caius. Jane, querida, encontre Alec e nos encontre em meus estudos pessoais.

Jane apenas acenou com a cabeça e foi à procura do irmão. Entrando na sala, Aro foi diretamente às garrafas e serviu dois copos com três dedos de Whisky Dalmore Selene, entregando um à Caius.

— Tantos anos e a situação não muda... O que precisamos fazer para que ele abra os olhos?

— Tudo logo se resolverá, Aro. Acalme-se. Pense na nossa atual situação. Nós dois somos amantes, temos dois lindos e espetaculares filhos que nos amam e temos nossos amigos para nos ajudar a caminhar quando precisarmos.

— Eu sei, droga! Mas você sabe que nosso querido Drácula o escolheu para ser nosso companheiro. Por que ele não enxerga isso? É tão claro.

— Você sabe o motivo, Aro. Se não fosse por aquela desgraçada, estaríamos completos.

— Como eu sei disso... Estou tão feliz por Sulpicia ter acabado com ela. Ainda não sei onde foi que eu errei. Eu sempre dei tudo para ela e fiz suas vontades. — Disse um Aro amargurado. Caius foi até ele e o puxou para seus braços. Os dois eram dominantes e lutavam pelo poder, essa era a única coisa que eles questionavam Drácula. Afinal, três companheiros dominantes? Como isso daria certo sem um submisso?

— E esse foi ser erro. Você fez todas as suas vontades e ela pensou que sempre teria o que desejasse. Sua ganância cresceu e ficou fora de controle.

— Ela era tão calma. Eu até dei minha benção para ela viajar pelo mundo, um sonho dela. Ainda sinto raiva por tudo o que aconteceu, mas ainda era a minha doce e querida irmãzinha.

— Eu sei, Aro. Eu sei. Agora, que tal você tentar se recompor? Logo nossos filhos chegarão e não queremos deixá-los preocupados. — Caius colocou uma mecha de cabelo solta atrás das orelhas de Aro e observou o rosto de seu companheiro.

— Você está certo. Eles são apenas crianças. — Aro levantou de onde estava e deu um longo gole de seu copo para limpa-lo e guarda-lo novamente. Assim que Caius terminou com a bebida, ele fez o mesmo.

Enquanto Caius ía para a janela e observava a cidade cheia de turistas, Aro foi até o banheiro adjacente para lavar seu rosto e organizar seus pensamentos. Uma batida na porta os alertou, e assim que identificaram o cheiro, permitiram a entrada.

— Papai? Encontrei Alec.

— Jane, meu amor. Entre.

— Onde está papai Aro?

— Ele foi se refrescar e logo volta. Estiquei o seu tapete favorito de frente pra cidade. Vá, querida. — Caius deu um singelo beijo na testa de sua filha e logo abraçou Alec. — Meu menino, onde estava que não o vimos hoje?

— Desculpe pai. Eu estava na biblioteca pensando. — Alec enterrou a cabeça no pescoço de seu pai e respirou fundo o cheiro calmante.

— Há algo lhe preocupando?

— Não, pai. Não se preocupe. — Ele acalmou o pai quando viu a preocupação em seus olhos vermelhos.

— Então tudo bem. Vá para sua irmã que eu buscarei Aro.

Quando viu que seus filhos entraram numa conversa, ele caminhou até a porta do banheiro e sussurrou.

— Aro, venha, meu amor. — O loiro tentou persuadir seu marido.

A porta finalmente se abriu e Aro saiu de lá como se nunca tivesse tido aquela conversa com seu companheiro. Ele o beijou castamente e entrelaçou seus dedos para caminharem até seus filhos.

— Papai, aconteceu algo? — Jane foi quem questionou.

— Não, minha criança. Apenas queria passar um tempo em família.

— Oh... No caminho, vi tia Sulpicia e tia Athenodora. Elas disseram que queriam conversar com ambos.

— Bem, isso pode esperar. Hoje quero apenas um tempo que vocês dois.

Aro e Caius se sentaram no grande pufe e se recostaram para relaxar. Jane e Alec ficaram sentados no tapete aos seus pés e todos olharam para a cidade escurecendo.

Um tempo em família era tudo o que eles precisavam no momento. Os negócios podem esperar até o dia seguinte.

Um certo tipo de paz repousou sobre eles enquanto aproveitavam a vista. Os vampiros mais velhos sabiam que precisavam Marcus para se sentirem mais em paz.

Uma pequena parte de Jane e Alec ansiavam pelos cuidados de um submisso. Os dois amavam seus pais, mas apenas um vampiro submisso poderia dar-lhes o conforto que não receberam quando ainda eram crianças humanas.

Que seu querido Drácula seja misericordioso e tenha preparado um futuro de paz para a sua família.