Rua da fiação

Severus Tobias Snape.

Mestiço.

Mestre de poções.

Mestre na oclumência e legilimência.

Mestre em defesa contra as artes das trevas.

Chefe da casa sonserina.

Diretor de Hogwarts.

Comensal da morte.

Traz um gosto amargo na boca. Essa não era a vida que ele sonhou.

Desde jovem, sua vida fora difícil. Nascido de uma mãe puro sangue e um pai trouxa. Apanhava e via o pai abusando da mãe. Ele culpava o pai. Mas também culpava a mãe. Ela poderia ter fugido, ela tinha magia! Ela poderia ter pedido abrigo aos pais, eles teriam ajudado, certo?

Severus fugia de casa para não ter que suportar os gritos. Numa das saídas conhecera Lilian Evans. Uma doce menina. Seus cabelos ruivos ao vento. Ela se tornou sua primeira amiga.

Lilian era uma nascida trouxa. Irmã mais nova de Petúnia Evans. Os pais de Lilian ficaram extasiados ao saber de sua filha ser uma bruxa. Petúnia queria ir junto para a escola, mas quando descobriu que não tinha permissão, pois era apenas uma trouxa, seu ciúme veio à tona e as duas irmãs brigavam toda vez que se viam. Lily, para evitar muitas brigas, assim que se formou, decidiu ficar de vez no mundo bruxo.

Snape via tudo de longe. Por conta de um erro na adolescência, sua amizade com Lily se desfez.

Promessas de grandeza. Fama. Tudo chamou sua atenção. Quando ele conheceu Lord Voldemort, seu coração cantou.

Severus Snape tornou-se consorte e braço direito de Lord Voldemort, onde na intimidade, Severus o chamava por seu nome, Tom Marvolo Riddle.

Em algum momento da história, seu amado marido se desfez em loucura. Aquele não era o homem pelo qual ele se apaixonou. Alguns comensais da morte ficaram apreensivos vendo a mudança em seu mestre. Pelo menos metade dos comensais abandonaram seu dever assim que foi proclamado que Harry Potter o derrotou na noite de 31 de outubro de 1981.

Mas não Severus. O homem poderia ter mudado. Mas ele ainda era seu marido. Ainda havia esperanças de que ele voltasse a ser quem era. Com toda essa mudança, Voldemort nem mesmo se lembrava de que era casado com seu mestre de poções.

O mais jovem não seguia Dumbledore. Bem, ele também não seguia totalmente as novas ideias de Marvolo. Ele prometeu proteger o garoto Potter, filho de sua melhor amiga.

Snape não odiava Harry. Muito pelo contrário, ele sentia o desejo de cuidar do menino e dar tudo o que ele não teve quando criança.

Dumbledore não permitira que Snape chegasse perto do menino. Ele dizia que o disfarce de espião dele não podia ser desfeito. Snape ainda se perguntava quando ele concordou ser seu espião, mas para não piorar a própria situação ele relatava falsos encontros. Claro que ele fazia o mesmo com Voldemort.

Agora, o menino estava sumido. Voldemort estava sumido. Dumbledore estava morto. O mundo tava na expectativa do próximo movimento de qualquer um dos lados da atual guerra.

Uma águia o puxou de seus pensamentos. Pegando a carta e lendo-a atentamente, ele prendeu o ar.

Como?

Mas...

Era impossível...

Saindo da casa em que ele viveu por toda a vida, ele aparatou num beco próximo à Gringotts.

— Que o sangue de seu inimigo jorre aos seus pés. Mestre Goblin, vim para uma reunião com o mestre Thrunli.

— Que seu ouro flua abundantemente. Siga-me, senhor Snape.

Seguindo o goblin pelos muitos corredores do prédio, eles chegaram ao seu destino. Depois de uma rápida troca com o guerreiro ao lado da porta e o Goblin que o esperava, ele obteve permissão de entrada. Após trocar cumprimentos, Snape sentou na cadeira oferecida.

— Senhor Snape, o que temos para falar hoje é algo sério. Não deve sair das paredes de Gringotts.

— Como queria, mestre goblin. Que assunto é esse tão urgente?

— Senhor Snape, a história é longa. Permita-me contar sem interrupções, por favor.

Ao aceno de Severus, o goblin começou. Falou sobre Harry Potter, sua linhagem familiar, seu caso de amor que gerou uma vida, sua herança de criatura, a caça às horcruxes, o descobrimento de muitas coisas que foram escondidas de todos e até mesmo passou pelo ritual. Após horas, o goblin chegou ao assunto principal, Tom Riddle. Depois de contar que parecia que o mago fora controlado por todo esse tempo e como agora ele estava em recuperação, Severus ficou quieto, calado, parado, olhos vidrados.

Quando Severus recebeu a carta de Gringotts relatando que Marvolo estava com eles e chamou por ele, fora um choque e tanto.

— Senhor Snape, precisa que eu chame um curandeiro?

— Não será necessário. Eu posso ver meu marido? Como ele está?

— No momento, ele está dormindo. Ele acordou do coma faz dois dias mas por conta da bateria de exames, preferimos esperar até que acabasse para contata-lo.

— Eu entendo. Ele está... bem, são?

— Sim, ele está. Mas digo-lhe, sua memória está bagunçada. Ele esqueceu muita coisa, mas parece se lembrar de que são casados. — O Goblin informou e deu uma longa pausa. — Senhor Snape, nós não sabemos quem fez isso com ele. Só poderemos culpar alguém quando ele recuperar suas lembranças, mas também não termos certeza de que ele recuperará tudo. Ninguém pode prendê-lo ou qualquer outra coisa, já que isso na lei diz que não fora ele quem cometeu os crimes.

— Então a pessoa... não! O monstro, que fez isso com ele, sairá impune?

— Peço que se acalme, senhor. Nós estamos fazendo tudo ao nosso alcance, mas também precisamos da cooperação dele.

— Peço perdão. — Snape respirou fundo e soltou o ar lentamente na esperança de se acalmar. — Qual é o plano?

— Peço que vá com calma com ele. Não tente forçar ele a se lembrar, pode piorar. É melhor que vocês fiquem longe do atual estresse circulando nosso mundo. Se vocês tem alguma propriedade que possam relaxar, será o ideal.

— E o mundo bruxo? Como fica? Quem arrumará essa bagunça?

— Não se preocupe. Lucius Malfoy conseguiu passar pelos testes e logo ocupará o cargo de ministro. Acredito que o Lorde Malfoy seja competente para o cargo. Já conversei com o senhor Riddle e ele concordou em passar uma mensagem para os comensais antes de partir.

— Parece bom. Há algo mais?

— Não senhor. Caso esteja faltando algo, o senhor Riddle o informará. Atualmente ele está com um curandeiro. Venha.

Snape levantou de onde estava e seguiu a criatura até a porta onde ele falou com um guerreiro na linguagem goblin.

— O guerreiro Virgoe o levará até o senhor Riddle.

— Obrigado, mestre Goblin.

Depois de trocarem algumas palavras, Snape seguiu o Goblin por outra rodada de corredores.

Quando chegaram ao destino, o guerreiro apenas foi para um dos lados da porta e acenou para que ele entrasse.

Tomando cuidado para não acordar Tom, ele entrou e fechou a porte atrás de si silenciosamente.

O curandeiro provavelmente já havia terminado seu trabalho, a sala estava vazia, exceto com ele e Tom.

Se aproximando calmamente da cama, Severus sentou na borda e levantou sua mão direita na direção ao rosto de Tom.

Quanto tempo faz que ele não o toca assim...

Quanto tempo faz que ele não vê as feições desse belo rosto...

Quanto tempo faz que ele não beija os lábios do próprio marido...

Quanto tempo faz que ele não sente o calor irradiando desse corpo na cama...

Tão perdido em pensamentos, Severus se assustou quando ouviu uma voz sonolenta.

— Sev...?

— Shh, meu amor. Eu estou aqui. Vai ficar tudo bem, não se preocupe. — Severus não pôde conter as lágrimas. Esse era o seu marido.

— Senti sua falta... Tanto tempo se passou. — Tom olhava para seu marido como se fosse a primeira vez.

— Eu sei. — Severus beijou a testa de seu marido. — Também senti sua falta.

— Não sei como você está bem perto de mim. Fiz tantas coisas ruins... — Sua voz soou quebrada, mostrando a fraqueza apenas na frente de seu marido.

— Não é sua culpa. Não tome tudo pra si. Nós acharemos o culpado e o faremos pagar por toda essa dor.

— Eu não te mereço, Sev...

— Ei... Eu te amo. Sempre estarei com você, não importa o quê. Permaneci até hoje ao seu lado porque foi minha escolha e nada mudará isso.

Tom sentou na cama e puxou o marido para os seus braços. Seu pequeno morceguinho... Agora ele sente a dor no peito por toda a dor causada ao seu amor.

— Eu te amo e sempre amarei. Sei que estarás comigo. — Marvolo beijou a têmpora de seu amado.

— Eu te amo, Tom. Conte sempre comigo.

— Sim, eu já faço.

Os dois amantes ficaram aconchegados junto até o curandeiro voltar para liberar Tom para outra reunião.

Assim que o assunto dos comensais fosse resolvido, eles passariam um tempo juntos na cabana em Cairngorms, escondida dos trouxas.