Itália
Harry estava sentado no divã em seu quarto da nova casa, Celine dormindo em seus braços.
Harry estava pensando em tudo o que acontecera nas últimas semanas.
Amos estava certo em tudo o que ele disse?
Tudo começou quando Amos o chamou para o seu estudo. Harry não fazia ideia do que o Lorde Diggory queria conversar.
Ele deixou Celine nas cuidadosas mãos de Yara e pegou o caminho para seu destino.
Ele entrou na sala assim que obteve permissão. Amos apontou para um dos sofás que havia perto da lareira e disse que logo se juntaria a ele.
Harry tentou ficar o mais confortável possível enquanto Amos guardava os pergaminhos espalhados pela mesa.
— Harry, que bom que se juntou a mim. — Amos disse ao se levantar se sua cadeira e se dirigir à poltrona que ficava de frente para o sofá de dois lugares que Harry estava.
— Bem, você me chamou. Qual é o problema? — Harry perguntou calmamente.
— Não há problema algum. Quero apenas uma conversa. Simples.
— Sinto muito, mas eu duvido disso. Qual é o ponto da reunião?
Amos observou o menino por alguns instantes. Estudando seu comportamento e como ele abordaria a situação. O garoto precisava sim de ajuda, principalmente de um clã, que poderia entendê-lo. Por mais que Amos agora o considerasse um filho, ele sabia que Harry precisava de palavras duras para filtrar sua mente. O jovem só veria o quão errado ele está agora quando ele fosse jogado na situação e tivesse que enfrentar seus medos. Tomando uma decisão, Amos falou.
— Falando assim até parece ser esperto, mas só tomou decisões estúpidas até o momento... Interessante como você pode mudar tão rapidamente. — Ele tomou um gole de FireWhisky que seu elfo pessoal havia lhe servido, deixando um copo de suco de abóbora para Harry, já que ele ainda estava amamentando sua neta.
— Perdão? Como assim "decisões estúpidas"? — O garoto perguntou com a testa franzida.
— Vou direto ao assunto. Não vamos enrolar. Certo? — Ao aceno, Amos continuou. — Eu sei que você realmente amava meu filho, e temo que ainda o ame e seja devoto desse amor. Mas esse seu amor está nublando todos os seus sentidos e eu não desejo força-lo a algo, mas se for preciso, farei.
— Bem, que tal você me dizer o que está acontecendo? — O humor do mago mais jovem já estava mudando e a magia borbulhando em sua pele, ansiosa para sair.
A reação esperada. Amos continuaria firme e levaria o plano até o fim.
— Você está ignorando sua herança. Acha isso correto? Você precisa aprender tudo sobre sua herança e ser companheiro de um vampiro, você só conseguirá essas coisa se você se juntar à um clã.
— Você sabe que ninguém mais ocupará o lugar de Cedric. Eu já tomei minha decisão. Continuarei aqui na Inglaterra, arrumarei minhas propriedades e ficarei com Celine na mansão Potter. O que mais você quer? Pensei que estivesse bem com o que sinto por Cedric, o seu filho. — Harry rugiu e se levantou do sofá. Era impossível ficar lá.
— Não me leve a mal, garoto. Fico feliz por você ter sido aquele que meu filho entregou o coração e que disso veio a minha amada neta. Mas não vou apenas ignorar o que você está fazendo. Cedric pode nunca deixar seu coração, mas você precisa seguir em frente para a sua felicidade e para o bem de Celine.
— Celine está bem. Ela está ótima de saúde. Eu estou bem aqui.
— Ela pode estar bem agora. Mas como você acha que ela estará daqui a alguns anos quando souber que o pai dela está morto? — O ponto certo foi tocado e ele sabia que não tinha para onde Harry ir. Agora ele tinha sua atenção.
— Morto? O que você quer dizer, Amos? — Um Harry pálido e trêmulo perguntou, já temendo a resposta.
— O que eu quero dizer é, se continuar a ignorar sua herança, mãe magia a tomará. Se ela decidir por isso, você morrerá. Acha que sua filha continuará bem? Ela saberá que você decidiu morrer. Você prefere isso? Não quer o bem para a sua filha? — Ele se levantou e se aproximou do menino.
Amos assumia ter pegado pesado com o menino. Mas conhecendo Harry, ele só tomaria a decisão certa se fosse com punhos de ferro. Ele queria pegar o menino nos braços e acalma-lo, mas ele precisava digerir toda a informação. Isso era para o bem de todos.
— Amos, você não entende. Eu não posso. Eu não escolhi essa vida. Eu não quero outro companheiro. — Sua voz soou quebrada e Amos quase cede ao garoto.
— Harry. Eu te amo como filho. Você me deu o presente mais precioso, Celine. Eu quero o seu bem, apenas isso. Eu comprei uma pequena propriedade na Itália, perto do clã dos reis. Não o forçarei a ir e deixá-lo lá. Nós iremos ajudá-lo e permaneceremos com você a cada passo. Você conhecerá o clã durante o dia e a noite você voltará para nós. Mas minha decisão está tomada.
— Eu quero continuar na Inglaterra. Aqui é minha casa. Hogwarts está aqui. Meus amigos estão aqui. Tudo está aqui.
— Você verá que é para o seu bem que faço isso. — Amos se aproximou de Harry e beijou sua testa. — Os elfos arrumarão nossas coisas e partiremos em alguns dias. — Ele olhou o garoto por curtos segundo e se dirigiu à porta. — Tudo ficará bem, filho.
E com isso, Amos saiu da sala e deixou que Harry absorvesse toda a conversa. Seu peito doía, mas ele não podia perder outro filho.
Celine se mexeu em seu sono o despertando para a realidade. Ele não tem saído de seu quarto, a não ser para as refeições, onde sua presença era obrigatória. Yara tentava puxar uma conversa, e ele apreciava a ação, mas ele não conseguia.
Harry se sentia tão vazio. Solitário. Perdido...
Eles viajaram por uma chave de portal de Gringotts, quando terminaram de resolver seus assuntos. Harry soube sobre Snape e Voldemort e não soube o que pensar ou sentir. Apenas arquivando a informação para estudá-la mais tarde, ele deu sua atenção aos papéis burocráticos sobre suas contas antes de poder partir.
A nova casa ficava situado numa área onde podia-se ver toda a cidade. A caminhada era longa, mas tinha um ponto de aparatarão vem próximo à entrada da cidade. Harry observou o pequeno local, perdido em pensamentos. Ele fazia muito isso ultimamente. Yara o aconselhou a começar a estudar oclumência para conseguir organizar a mente, mas ele não tinha forças para nada no momento.
— Harry, querido. Está acordado?
— Entre, Yara. Mas cuidado, Celine dormiu não faz muito tempo. — Ele observou a mulher entrar silenciosamente no quarto com uma carta nas mãos. O jovem ergueu uma sobrancelha para o papel esperando que Yara explicasse.
— É a carta dos Weasley, Amos pediu para você respondê-los para que ele possa te levar para o castelo. — Ela disse cuidadosamente.
— Mas já? Tão rápido? — Ele não pôde esconder o leve pânico em sua voz.
— Meu marido acredita que você já teve tempo o suficiente e que está na hora de você enfrentar sua nova vida.
Yara sabia que amos estava certo, mas ela também via esse menino como seu próprio filho. A mulher mais velha queria apenas pegar Harry e sua neta e escondê-los do mundo.
— Entendo. Deixe a carta na escrivaninha, por favor. Assim que terminar, me encontrarei com ele.
— Tudo bem, querido.
Ele observou a mulher sair da sala e soltou um longo suspiro.
O jovem bruxo sabia que se quisesse, poderia apenas seguir para uma das mansões e ficar lá com sua filha, ele já era maior de idade segundo as leis bruxas. O que o impedia de se rebelar era o que Amos falou sobre sua herança e mãe magia. Ele sabia que Amos nunca mentiria para ele, então escolher entre sua própria morte e seguir os vampiros, ele preferia aquele caminho que teria sua filha feliz no futuro.
Deixando a menina no meio da cama e lançando feitiços de proteções e um específico para um alarme caso ela acordasse, ele se dirigiu à escrivaninha e abriu a carta para iniciar a leitura.
Seus amigos concordaram com Amos, mas não iriam com eles. Muitos deles tinham suas vidas e não tinham como abandonar tudo. Harry entendia, ele não queria que eles fizessem isso por ele. Mas não ter seus amigos por perto quando ele mais precisava, era como receber um cruciatus.
Resolvendo apenas responder a dita carta antes que ele demorasse demais, pegou tinta, pergaminho e pena e começou. Ele mandaria um elfo dos Diggory para entregar a carta, pois já não tinha mais sua querida familiar, Edwiges.
— Ah, vejo que terminou. Venha. Por mais que você tenha conseguido sua licença, você não está familiarizado com o lugar já que não saiu de casa. Vou nos aparatar e andaremos até o castelo. — Amos perguntou assim que viu Harry descendo as escadas.
— Preciso saber alguma coisa antes de partirmos? — Ele perguntou num tom monótono.
Amos suprimiu um suspiro e apenas respondeu a pergunta.
— Há dois tipos de alimentação, o sangue humano e o sangue animal. Os reis tomam sangue humano. Não, eles não matam qualquer um, eles tem um acordo com a polícia local e os presidiários são mandados para eles. Os vampiros recebem algumas habilidades, você saberá quem tem qual apenas se eles quiserem. — Amos olhou para ele para ver se havia entendido e acenou positivamente. — Vamos logo para não nos atrasarmos. Os reis são ocupados, tempos valiosos.
Harry apenas o seguiu sem vontade alguma de ir conhecer esses vampiros. Amos continuou resignado com sua decisão. Quando Harry passasse um tempo com os vampiros, ele veria que não precisava temer tanto.
Lorde Diggory se lembra de quando ele se encontrou com os Volturi para passar as informações precisas. Todos estavam avisados de como era Harry e tudo o que ele havia passado. É claro que certos detalhes cabia apenas a Harry contar, mas ele os deixou prontos para tudo.
Esperando que tudo desse certo e que Harry fosse feliz novamente, ele segurou as mãos do jovem bruxo e os aparatou.
