— Mestres, eles chegaram. — Uma mulher se curvou diante os três reis Volturi, cada um em um trono.
— Traga-os, por favor, Chelsea. — Aro não podia negar estar animado para conhecer o novo aprendiz. Tanto tempo se passou desde o último.
Esperando a vampira voltar, Aro e Caius observaram Jane e Alec que estavam no canto mais escuro da sala do trono. Os dois vampiros mais velhos sabiam que estariam de mãos cheias por um tempo. Seus dois filhos tinham ciúmes de um novo aprendiz, e por isso, era quase uma luta toda vez que chegava alguém de fora.
Caius tentou suprimir um suspiro já percebendo que eles voltariam a pisar em ovos. Por serem os mais novos na guarda, eles eram cuidados, mas ele e seu companheiro sabiam o estrago que poderiam fazer se quisessem e caso não tivesse alguém para controlá-los.
As portas se abriram e entraram dois homens. Um era alto e agia todo poderoso, esse era o Lorde Diggory. O outro era baixo e olhava para todos os cantos, seus olhos mostravam medo e angústia, esse devia ser Harry Potter.
— Sejam bem vindos. — Aro começou. — Eu sou Aro e esses são os outros dois reis, Caius e Marcus. — Ele os apresentou e encarou o menino inquieto. — Você pode se apresentar, meu jovem?
Um silêncio surgiu e o garoto nem uma vez olhou para um vampiro diretamente. Amos vendo que ele não faria e nem falaria nada, decidiu tomar a apresentação.
— Peço perdão, ele ainda não está bem com toda essa mudança. Este será seu novo aprendiz, Harry James, Senhor Potter e Lorde Black. Ele não é um vampiro completo, sua mudança veio da magia por ser companheiro de um vampiro.
— Eu entendo, Lorde Amos. Ele nunca conheceu outro vampiro?
— Apenas um, mas nunca chegaram a conversar por muito tempo, então ele é um livro novo no momento. — Amos respondeu lembrando de Sanguini.
— Ótimo! Temos muito o que aprender. Você passará os dias conosco aprendendo e quando for a hora, poderá ir em busca de seu companheiro.
Após as falas de Aro, Harry soltou um som alto do fundo da garganta e se concentrou no vampiro a sua frente fazendo com que seus olhos se encontrassem, não percebendo o suspiro do outro, ele abriu a boca.
— Dane-se esse tal de companheiro, eu nunca pedi por essa merda.
E com isso, Harry saiu da sala e tentou achar o caminho para fora do castelo. Jane e Alec já o achando interessante após sentir a força da magia bruta tocar suas peles.
Caius se virou para seu amante e perguntou cuidadosamente.
— Aro, o que aconteceu? Está tudo bem?
— Caius, precisamos de uma conversa em particular. — Olhando para o homem bruxo que ainda estava de pé, ele falou. — Lorde Amos, creio que o garoto ainda não esteja pronto. Lhe darei um livro e espero que você entregue ao senhor Potter. Lá conterá o básico sobre nós e espero que isso o instigue a voltar.
Sem esperar mais nada, ele murmurou algo para Chelsea e depois para Dimitri e seguiu para fora da sala, sabendo que Dimitri entregaria o livro e Chelsea o escoltaria para fora.
Chegando em seus aposentos, ele esperou a chegada de Caius antes de soltar a bomba.
— Harry é nosso companheiro!
— O quê?
— Quando nossos olhos se encontraram por um breve momento, eu senti a mudança. Nosso querido Drácula não esqueceu de nós, finalmente achamos nosso submisso. — Agora, Aro estava feliz e ansioso para que seu companheiro voltasse ao castelo, mas ao se lembrar da reunião particular que teve com Lorde Amos, a felicidade se esvaiu. — Oh, não...
— Aro, o que foi? Você não está mais feliz?
— Lembra que eu disse que tive uma conversa com Lorde Amos e depois eu te disse algumas coisas sobre Harry?
— Sim, eu me lembro. O que tem isso?
— Caius, pensa. Ele perdeu o pai da filha num torneio mortal. Ele já passou por tanto, e nem sabemos sobre tudo. Por ignorar a herança, ele não saberá sobre nós.
— Droga! — Ao ver o rosto caído de seu amante, ele se aproximou e ergueu a cabeça com as duas mãos, seus polegares esfregando as maçãs da bochecha. — Querido, nós pensaremos em algo, não vamos desistir tão facilmente de nosso belo companheiro. Bem, não vamos desistir de nenhum. Talvez se conseguirmos nosso mais jovem, podemos conseguir mais ajuda com Marcus.
— Você está certo. Precisamos fazer algo. — Ele beijou seu companheiro e sorriu feliz.
Enquanto os dois amantes pensavam numa forma de trazer seu pequeno companheiro, Harry já estava em seu quarto alimentando Celine e Amos estava na sala conversado com Yara.
— Eu já não sei o que fazer. Yara, você não entende. Ele simplesmente explodiu e depois saiu da sala. Aro Volturi saiu da sala e Caius o seguiu.
— Amor, você sabe que não é porque nós nos mudamos que ele vai aceitar mais fácil sobre essa nova parte dele. Dê tempo, talvez esse livro o ajude. Conversarei com ele após o jantar, ele provavelmente não se juntará a nós. Vamos.
— Que Circe nos ajude. — Ele murmurou seguindo a esposa para a sala de jantar.
Logo após o jantar e uma rodada de vinho e conversas, Yara beijou seu esposo e seguiu para o quarto daquele que considerava seu filho.
— Meu anjo, você está acordado? — Ela colocou a cabeça para dentro do quarto após dar leves batidas na porta, caso Celine estivesse dormindo.
— Entre Yara. Celine está dormindo.
A mulher entrou e viu a neta deitada no berço com a chupeta na boca. Segurando firmemente o livro que estava em suas mãos, ela se sentou na beirada da cama do bruxo.
— O que deseja, Yara? Pensei que passaria o resto da noite conversando com Amos ou visitando a cidade.
— Eu queria conversar com você. — Ela colocou o livro na mesa de cabeceira da cama e segurou as mãos do jovem. — Querido, que tal fazermos um acordo?
— Que tipo acordo? — Ele perguntou apreensivamente.
— Vamos fazer o seguinte, você irá ler esse livro que eu trouxe e eu ficarei com Celine amanhã o dia inteiro. Quando terminar o livro, se ainda quiser, voltaremos para a Inglaterra e você não precisará mais entrar em contato com nenhum vampiro, caso queira. Soa bem?
Harry olhou para o mulher, procurando qualquer indício de desonestidade. Quando não achou, ele concordou.
— Tudo bem, vou lê-lo amanhã, quando você passar para buscar Celine.
— Eu agradeço, Harry. — Ela beijou sua testa e saiu do quarto.
Sabendo que teria que fazer, ele deitou na cama e permitiu que o sono o reivindicasse.
Na manhã seguinte, Yara pegou a neta e saiu do quarto o lembrando do acordo.
Harry pegou o livro e começou a ler. Todo o dia dele foi passado dentro do quarto. Os elfos traziam suas refeições e depois buscavam os pratos vazios. O jovem bruxo se perdeu na leitura. Quando ele terminou o livro, percebeu que já era noite. Sabendo que podia confiar que Yara traria Celine para o seu berço mais tarde, ele dormiu e teve um sono agitado. Pedaços de textos flutuavam em seu sono e isso o incomodava.
"Um bruxo submisso companheiro de um vampiro (ou mais) não pode negar sua herança. Mãe magia tira o presente daqueles que não merecem e isso os leva à morte."
"Nenhum dominante forçará um laço com um submisso. Ele cuidará quando preciso e se afastará quando necessário. Mas jamais ele levantará a mão para aquele que lhe foi ligado."
"Se um submisso estiver passando por dores emocionais, com a ajuda de seu dominante, ele poderá se curar mais rápido."
"Um submisso sempre será mais forte que o dominante se sua família for atacada de qualquer maneira possível."
"Não há forma de um dominante marcar permanentemente um submisso, mas há como o submisso marcar seu dominante. Por conta de sua possessividade, o submisso consegue triplicar a potência do veneno o suficiente para deixar a marca em seu companheiro. Já os dominantes, poderão apenas transferir seu cheiro para o submisso, mas com o tempo, sumirá."
"Um vampiro submisso reconhecerá o filho do dominante, mesmo não sendo seu. E vice-versa."
"Um bruxo com uma herança de vampiro precisará de sangue em determinados momentos, mas ele ainda será como antes da magia o mudar."
"Um vampiro por herança viverá tanto quanto seu companheiro. Mas quando o vampiro morrer, magia o levará também para evitar a dor da perda."
Eram tantas coisas aprendidas através daquele livro, que Harry acordou no meio da noite e entrou num profundo estado de meditação.
Sua cabeça estava um caos.
Ele amava Cedric, mas ele realmente seria tão feliz com seu companheiro predestinado?
Será que seu companheiro tinha filhos assim como ele?
Como ficaria sua filha? Ela se tornaria uma vampira?
Ele poderia se entregar à sua nova vida?
A promessa de felicidade, carinho, amor, compreensão, família... tudo girando em seu coração.
Ele queria ser amado. Queria uma família apenas dele. Queria ser cuidado. Harry James Potter Black queria as promessas do livro.
