Aro e Caius mal viram o tempo passar. Num piscar de olhos, ou talvez cinto, já perdidos na conta, eles olharam para os envelopes em suas mãos.

No próximo final de semana seria o aniversário de Celine, filha de seu aprendiz e companheiro. Eles estavam convidados.

Dizer que os dois ficaram surpresos, seria um eufemismo.

Eles já consideravam a menina com sua filha e sabiam bem que a magia de Harry inconscientemente já via Jane e Alec como família.

Os dois vampiros mais velhos pensaram que não receberiam o convite, mesmo sabendo da festa. Eles passaram a maior parte do tempo em reuniões, eram raras vezes que ficavam com o menino.

Agora, sabendo que foram lembrados na entrega dos convites, eles entraram num dilema.

O que uma criança de 2 anos recebe de presente? Um grimório? Não, ela ainda não sabe ler. Uma viagem? Não. Ela nem vai se lembrar. Uma casa? Talvez seja demais.

Eles podiam estar desesperados, mas jamais admitiriam isso. Então, eles chamaram Jane, ela era a mais jovem deles. Ela saberia o presente ideal.

Quando Jane chegou no quarto, ela perguntou o motivo da chamada.

— Querida, você começou o presente para Celine?

— Sim, pai. Por que a pergunta?

— Nós queríamos pedir sua opinião mas não queríamos afetar sua escolha de presente.

Jane arqueou a sobrancelha, sabendo o que eles realmente queriam.

— Uma roupa ou um brinquedo de pelúcia pode ser bom. Há uma loja que vende tudo para crianças de tal idade. Se quiser, posso dar o endereço de onde fui.

— Quem disse algo sobre isso? Nós apenas queríamos uma mera opinião. — O loiro começou o teatro.

— Papais, eu convivo com vocês faz anos. Esperam mesmo que eu caia nisso?

— Nunca é tarde para facilitar algo para nós, pobres velhos, de centenas de anos. — E para um maior efeito, Caius se deixou cair pesadamente na poltrona.

— Velhos não deveriam chegar a ponto de abalar esses corredores quando fazem sexo.

— Olha a língua!

— Assim me magoa, querida. — Aro e Caius exclamaram ao mesmo tempo.

— Era apenas isso? — Jane segurou a revirada de olhos. Ela podia amá-los, mas não precisava aguentar todo o drama.

— Sim, sim. Pode ir. Agora sabemos qual realmente embrulhar.

Aro bufou para o seu amante. Sua filha já sabia de tudo, para quê continuar toda essa cena? Quando Jane saiu, Aro falou secamente para Caius.

— Acredito que sem sexo está em ordem até que possamos dar um jeito de não aterrorizar quem passa por esses corredores.

— O QUÊ? M-mas... Aro! — O choramingo começou.

— Essa é a minha palavra final. É constrangedor ouvir esse tipo de coisa da própria filha. Precisamos nos segurar.

E sem dar chance de Caius fazer outra cena, ele se retirou da sala.

De um lado era Caius fazendo beicinho e do outro era Harry.

— Mas Yara, eu queria apenas uma festa pequena.

— Isso é você. Mas já perguntou para sua filha?

— Exatamente! Ela é minha filha. Lógico que vai preferir o mesmo que eu.

Quando Harry terminou de proferir as palavras, Celine agarrou um dos enfeites enquanto ria alegremente mostrando seus dentinhos.

— Ela quer uma festa! — Exclamou Yara alegremente.

Estavam apenas os três em casa. Amos deixou toda a arrumação para os dois. Harry pensava nele como um traidor. Como ele ousa deixá-lo aqui para a tortura de Yara?

Enquanto a mulher falava descontroladamente sobre tudo o que a neta merecia na festa, Harry planejou uma brincadeira tortuosa para Amos. Ele precisava falar com os gêmeos sobre suas novas invenções.

Celine, manhosa, reclamou que já queria outra refeição. Harry a deitou em seus braços confortavelmente e deixou que ela puxasse todo o alimento, enquanto ele fazia pequenas caretas de dor.

— Esses dentes machucam. Quando que ela vai parar de pedir?

— Ah, querido, o leite dura tanto tempo quanto o seu bebê precisa. A magia da criança é quem dita o necessário. Alimentei Cedric até os 4 anos. Não reclame. — A mulher riu do bruxo. Sim, apenas pela expressão dele, podia-se ver que ele estava horrorizado.

— Bebê do meu coração. Você não vai torturar seu papai tanto assim, não é mesmo? — O nervosismo era claro em seu tom.

A criança o olhou e sorriu feliz enquanto aumentava a força da sucção.

Yara pôde apenas observar a cena enquanto se lembrava dela própria alimentando seu filho. Não querendo trazer um clima cabisbaixo, ela balançou a cabeça para espantar as lembranças e se virou para o elfo que estivera conversando momentos antes. Ela passou toda a lista para ele e os detalhes do bolo para que ele pudesse dividir entre os outros elfos.

— Yara, vou levar Celine para o berço. Você ainda precisa da minha ajuda?

— Não, tenho tudo sob controle. Pode ir descansar. — A bruxa sorriu.

— Você pode entrar em contato com Jane, Alec e Dimitri, por favor? Eu disse que os veria hoje para falar mais sobre o mundo mágico, mas estou completamente acabado. Acho que nem consigo aparatar.

— Claro que eu aviso. Pensei em dar um passeio na cidade, posso avisa-los.

Lady Diggory era uma mulher compreensiva. O menino havia a pouco iniciado suas aulas de luta. Entre um novo tipo de aula, os livros sobre vampiros, o tempo que passava estudando para tirar os NIEM's e uma criança prestes a completar 2 anos, ela via o motivo dele estar tão cansado ultimamente.

A mulher sempre dizia que ela amava cuidar da neta e que ele não precisava tirar os NIEM's agora. Mas ele era teimoso e dizia que fazendo os testes no ministério, seria menos uma coisa na lista de afazeres e que cuidar de Celine era sua prioridade.

Bem, não adiantava. Ele não mudava de ideia. Ela podia apenas ajudá-lo quando chamada e ver onde ele ia parar todo sobrecarregado, com pesos que ele mesmo colocou em si.

Decidindo ir para a cidade antes que escurecesse muito, ela colocou uma roupa mais trouxa e fechou a casa. Assim que a mulher aparatou na cidade, ela decidiu ir primeiro ao castelo.

Dando seu nome e o motivo de sua visita à mulher, ela logo foi pedida para seguir um guarda, m da forma que Amos a explicou.

— Espere aqui, por favor. Chamarei Jane.

Ela apenas concordou com a cabeça e esperou que o vampiro voltasse com a menina.

Assim que uma vampira de cabelos loiros entrou na sala, Yara se sentiu obrigada a apreciar a beleza a sua frente. Os livros realmente não mentiram. Os vampiros tinham uma beleza incomparável e desejável por qualquer outro ser.

— A senhora disse que tem uma mensagem de Harry?

— Sim, ele me pediu para avisar à você e mais dois outros vampiros que ele não poderia vir hoje. Ele deseja descansar e relaxar. O menino está sobrecarregado. Eu o avisei. Mas parece que tudo o que digo entra por um ouvido e sai pelo outro. Incrível.

— Eu entendo. Seria pedir muito que eu, meu irmão e nosso amigo possa visitá-lo hoje? Nós realmente gostamos de passar um tempo com ele. Claro. A casa fica na colina. Ela é a maior de todas.

— Obrigada por isso. Nós realmente gostamos de passar um tempo com ele.

— Ele também ama, com certeza. Ele sempre chega em casa falando de vocês. Fico feliz por isso.

Jane ainda não sabia como receber elogios de pessoas novas. Com Harry ela se acostumou, ele não exigia nada dela. Nem mesmo uma palavra.

Antes que a mulher fosse embora, ela se virou para a vampira.

— E se puder, tem como levar um sangue ensacado ou em qualquer outra coisa? Faz tempo que ele não se alimenta e acredito que parte do cansaço pode ser essa falta.

— Vou levar um ensacado. Ele só bebe assim. — A mais jovem acenou com a cabeça e se retirou da sala.

Jane e Alec se sentiam bem ao redor de Harry e gostavam da sensação da magia ao seu redor. Eles ainda não sabiam o motivo disso, mas ficavam satisfeitos em apenas se juntar à Harry no que quer que ele esteja fazendo e apreciavam o calor que emanava do bruxo. Eles sempre adormeciam ao redor dele. Os dois gostaram dessa pequena mudança. Afinal, fazia anos que eles não experimentavam isso e sentiram falta.

Sem nem perceberem, Harry estava construindo um lar começando por eles.