Assim que terminou de ler o livro, Harry decidiu passar pelos jardins antes de ir para casa.
Os jardins do castelo eram sua área favorita. Ele gostava da tranquilidade e da paz que o local trazia. Os suaves cheiros das flores o consumiam. As proteções criadas pelas árvores traziam a sensação de proteção.
Harry andava calmamente, sem pressa alguma, pelo caminho de cascalhos. Ele podia ver a bela fonte à sua esquerda. Decidindo pegar o caminho da direita, onde ele poderia se aprofundar mais na beleza encantadora, ele cantarolou uma velha melodia enquanto organizava os eventos do dia.
Conversar com Marcus fora esclarecedor e ao mesmo tempo trouxe muitas perguntas. Ele não conseguia imaginar deixar esse local se o companheiro dele não fosse daqui. O jovem bruxo ainda se agarrava à explicação de que seu companheiro ainda não entrou em contato com ele porque queria que ele terminasse todo o seu treinamento. Era uma chance pequena disso acontecer, ele sabia, mas ele queria preservar a esperança de que continuaria nesse pequeno paraíso.
Quando o pequeno lorde se aprofundou nos jardins, ele ouviu um som baixo. No início, ele não conseguiu identificar. Seguindo o som, ele caminhou fazendo pequenos barulhos para que sua presença reconhecida para que a pessoa não se assustasse.
Qual fora a sua surpresa quando ele viu quem estava chorando.
A doce vampira Jane estava sentada uma pedra, tentando claramente, conter o choro.
Harry odiava ver alguém chorando, e por isso ele quis imediatamente chorar. Mas quando Jane falhou em segurar suas lágrimas, algo dentro dele se remexeu, pedindo para ser libertado.
O bruxo estava assustado. Ele não sabia o que fazer. Quando sua luta interna parecia demorar, algo dentro dele se quebrou ferozmente, como correntes de aço. Agindo por puro instinto, Harry rapidamente chegou até Jane e a pegou em seus braços.
Jane queria lutar com os braços ao seu redor. Ela era uma das vampiras mais fortes desse clã. Ela fora treinada pelos reis. Ninguém era páreo para ela. Mas quando a vampira interior cheirou o perfume tão conhecido e sentiu a proteção daquele abraço, ela desabou.
Jane chorou tudo o que tinha para chorar. Ela gritou. Sua mente estava uma bagunça. Seu coração estava o puro caos.
— Shh... Não chore minha pequena vampirinha. Eu estou aqui. Cuidarei de você. — Harry balançou seu corpo na esperança de acalmar a vampira. Sempre funcionava com Celine, seu vampiro seguindo o automático, decidiu fazer o mesmo.
Quando Jane parecia estar mais calma, mas ainda chorando, sua magia agiu fazendo com que Jane caísse num sono reparador. A magia e o amor de Harry curando qualquer ferida presente.
Enquanto ele aplicava sua magia na mente de Jane para protegê-la de novos episódios como esse, ele ouviu um som vindo atrás de si. Ele se virou ficando protetoramente na frente de Jane para protegê-la. Quando ele viu que era Alec, ele se acalmou e deu permissão para que o vampiro se aproximasse.
Ainda relutante, o vampiro deu alguns passos mais perto, quando viu que realmente não corria perigo, ele chegou mais perto e se juntou aos dois.
— Eu estava caminhando e ouvi um barulho. Encontrei essa beleza chorando.
— Não é a primeira vez que acontece. Jane... ela é especial.
— Direcionei minha magia para curar qualquer dano nela, eu não sei o que fazer. Na verdade, eu nem sei o que fiz.
Alec viu que Harry estava perto de hiperventilar, então tentou acalma-lo da forma que conseguia.
— Calma, está tudo bem. Nada com o que se preocupar. Jane está bem e acordará pronta para um novo dia. Agradeço por não ter ignorado isso.
— Eu não poderia... — Harry olhou nos olhos de Alec e tentou transmitir seus sentimentos para o vampiro, ainda agindo por puro instinto.
Alec entendo o que o vampiro interior de Harry queria transmitir já que o mago não conseguia entender, ele se aproximou e entrou no abraço caloroso. Ele não sabia que precisava tanto daquilo até sentir. Seu corpo se tornou leve e a sensação de proteção se espalhou por todo o seu ser. O vampiro e a magia reconhecendo o outro corpo, embalou o vampiro num sono leve para que o vínculo pudesse se iniciar.
Harry se sentia mais completo do que antes, agora. Mais ainda sentia uma falta que não podia ser explicada. Ele sabia que uma parte queria Celine aqui. Apertando os dois vampiros em seu abraço ainda mais firme, ele viu duas silhuetas vindo em sua direção. Ele se acalmou quando os reconheceu.
— Você pode nos explicar o que está acontecendo? — Caius perguntou calmamente, apontando para os dois vampiros adormecidos.
— Se eu disser que nem eu sei o que está acontecendo, vocês acreditariam? — Ele sorriu timidamente, mas ainda preocupado.
— Bem, jovem, nos diga o que aconteceu e talvez possamos descobrir.
— Uh... Eu decidi caminhar pelos jardins antes de ir embora... — Harry contou tudo o que aconteceu, tentando se lembrar dos detalhes. Falou sobre Jane, como sentiu algo dentro dele se quebrar com a visão, Alec os encontrando, como sua magia reagiu e até o momento antes dos dois chegarem. — Eu não sei o que há com minha magia e com o meu corpo. Eu simplesmente fiz.
Agora Aro e Caius entendiam o que estava acontecendo. Vendo um de seus filhotes, mesmo não reconhecendo no momento, sofrer, seu vampiro interior surgiu e quebrou as proteções para proteger sua família.
Apenas um companheiro dizendo as palavras ou os filhotes em perigo poderiam quebrar essas amarras sobre a besta. Tudo teria sido mais fácil se os companheiros tivessem feito isso, mas Alec e Caius não poderiam culpar Jane.
Eles sabiam que mesmo sendo uma vampira formidável, a criança que ainda habitava dentro dela pedia por conforto. Os dois não sabiam que sua filha havia chegado a esse ponto.
— Você se sente bem indo para casa? — Perguntou Aro calmamente.
— Eu não posso, minha magia está em ação e não consigo simplesmente deixá-los. Parece não ser certo. Preciso de Celine aqui. Meus instintos dizem que ela é a parte que falta. Só não sei o que isso quer dizer. — Harry tentou explicar enquanto acariciava os cabelos de Jane e Alec. Ele nem direcionou seu olhar a um dos reis.
Isso era um problema. Nada estava saindo como o normal. O vínculo de protetor e filhote já estava em andamento. Não demoraria muito para o vampiro interior dele se rebelar por ainda não ter um companheiro.
Todo o plano foi por água abaixo.
Marcus estava em seus aposentos para tentar limpar sua mente e procurar por amarras em seu vampiro interior. O vampiro precisava fazer isso antes que Caius e Aro pudessem explicar qualquer coisa.
Eles precisariam conversar com o jovem assim que o vínculo fosse completo.
Tudo era a pura bagunça completa.
— Que tal você usar sua magia para chegar até a biblioteca? Tem um quarto privativo nos fundos e você precisará de paz e um local que ninguém possa interromper, nem mesmo a luz do sol. Enviaremos Dimitri com uma mensagem para sua casa, logo Celine chegará.
Harry observou os dois vampiros a sua frente. Ele estava os avaliando. O bruxo sabia que eles estavam ocultando algo. Mas ele estava tão exausto que apenas concordou.
—Ah, e Harry? — Disse Aro fazendo o jovem olhar para ele. — Quando acordar, você precisará chamar cada um por "filhote". Você entenderá quando fizer isso. — Harry concordou e foi embora.
Depois de um tempo, Harry achou o local e se aconchegou na grande cama. Haviam vários edredons formando quase um ninho aconchegante. Ele esperou pacientemente por sua filha.
Quando sua menininha chegou, ele a abraçou e finalmente pôde se entregar aos braços de Morfeu.
Assim que ele dormiu, o vínculo entre os quatro ocupantes da sala começou a crescer. O vampiro de Harry se ligando a Jane e Alec e sua própria magia fazendo a ponte entre os outros três.
Às 4:00 da manhã, um sorriso apareceu no rosto de cada um. O vínculo entre pai/protetor e filhos finalmente foi completo. Cada um podia sentir as emoções um do outro. O vampiro de Harry rosnou em felicidade e finalmente descansou.
Os companheiros podem ficar para mais tarde. Tudo o que importava no momento era se familiarizar com as novas informações e os novos laços.
