Harry acordou não muito tempo depois do vínculo aquietar. Ele olhou para Celine dormindo de barriga para baixo em seu peito e Jane e Alec, cada um do seu lado e com a cabeça em seus ombros.

Era um momento pacífico. O bruxo passou toda a noite anterior e as informações recebidas em sua mente. Ele não se sentia assustado. A calmaria do vínculo fez com que ele balançasse a palavra "filhotes" de um lado para o outro, a experimentando.

Já era óbvio que Harry havia se apegado a Alec e Jane. Todos viram isso e ele nunca negou. Agora, os vendo como seus próprios filhos, ele se sentia completo.

Harry fechou os olhos e respirou profundamente. Quando ele limpou a mente, ele procurou pelo seu núcleo. Aquele poder mágico acariciando sua pele era bom. Após um breve tempo, ele conseguiu encontrar o fio de magia que se conectou com os dois vampiros e os puxou de volta. Assim que o núcleo dele estava em ordem, ele abriu os olhos e precisou esperar poucos segundos para que Jane e Alec abrissem os olhos simultaneamente.

— Bom dia, filhotes. — Harry sorriu para os dois e beijou a cabeça de cada, vendo os sorrisos de Jane e Alec.

— Bom dia, papai. — Jane se aconchegou ainda mais no calor bem vindo.

— Bom dia, pai. — Alec o olhou e Harry viu que ele tinha perguntas. — O que aconteceu?

— Parece-me, crianças do meu coração, que meu vampiro interior despertou e quebrou as correntes que o prendiam. Ele viu Jane num momento de vulnerabilidade e isso o fez controlar meu corpo. Mas não pensem nem por um momento que eu não estou feliz. — Harry se apressou na última parte quando sentiu a dor e a preocupação vindo pelo vínculo. — Posso dizer ser o homem mais feliz do mundo. Agora tenho dois lindos filhos.

— E o que você vai fazer agora? — Alec perguntou preocupado.

— Eu ainda não sei. Nós já passamos muito tempo juntos conversando, então ficará mais fácil. Agora preciso ter uma boa conversa com os reis sobre ficarem quietos por todo esse tempo.

— C-como...? — O vampiro se interrompeu ao ver o olhar do bruxo.

— Você me subestima, querido. Eu vi como os dois olham para vocês. E se eu estou certo, Marcus deveria fazer parte disso, mas isso é assunto de adulto. — Ele finalizou.

— Eu sou mais velho que você! Nem pense que ficarei de fora disso. — Ah, a coragem de Alec.

— E eu sou seu pai. Nada me impede de te colocar de joelhos neste momento e dar uma surra bem dada por levantar a voz pra mim. Entendeu, mocinho? — Harry fez pressão com sua magia para Alec ver que não era apenas um blefe.

— Sim, papai, eu entendo. — Alec abaixou a cabeça com vergonha. Em sua vida como vampiro, ele nunca recebeu tal ameaça. O vampiro se sentia um garotinho, não um vampiro forte como realmente era reconhecido por muitos.

— Bem, eu não esperava um show tão bom a essa hora. — Jane riu quando levantou o rosto do pescoço do jovem bruxo.

— Não faço ameaças ao vento, espero que vocês guardem isso. — Harry se ergueu e pegou Celine, quando viu sua filha acordando. — Bom dia, minha filhotinha. Você dormiu bastante, meu amor. A magia deve ter exigido muito de você.

Harry arrulhou para a sua filha e a deitou em seus braços. Jane e Alec deram espaço para a manobra e depois voltaram a se aconchegar no calor do pai. O bruxo começou a amamentar sua filha mais nova e se virou para os outros dois filhos.

— Vocês estão bem para sair?

— Eu sinto o vínculo completo, mas ainda preciso de um tempo de aconchego. — Jane enrugou a testa. Ela sabia que queria isso, mas ela também sempre atribui isso à fraqueza.

— Estou bem. Apenas com fome. Que horas são?

Harry pegou sua varinha e lançou um Tempus. Normalmente, ele faria magia sem varinha, mas o vínculo se formando exigiu muito dele, então apenas para não correr riscos, ele a puxou de seu coldre.

— São 05:43.

— Normalmente nossos pais passam um tempo com a gente neste horário.

— Nós podemos ir vê-los. Vocês precisariam me guiar enquanto alimento Celine.

Alec concordou e se levantou da cama junto com Jane. Os dois instantaneamente sentiram falta do calor e conforto e pararam com isso. Harry percebendo o motivo, enviou ondas de amor e carinho pelo vínculo. Assim que Alec e Jane conseguiram se recompor, os quatro saíram da sala e caminharam por diversos corredores até chegar a uma porta onde pararam e o encararam.

— Você quer que antes de entrarmos um de nós peça a um guarda para comprar seu café da manhã? — Jane perguntou preocupada.

— Não será preciso, posso chamar um dos elfos de casa.

Quando Alec e Jane viram que estava tudo bem, eles entram sem nem mesmo bater. Não era necessário. Seus pais já haviam sentido sua presença.

— Bom dia, Alec, Jane. Harry, é um prazer vê-lo com a jovem Celine. — Aro os cumprimentou.

— Sem conversinhas, Aro. Nós temos muito o que conversar. Mas no momento estou com fome. Então, calado. — Harry se sentou no sofá não oferecido e arrotou Celine quando ela terminou a refeição. — Pook. — Ele chamou seu elfo Diggory.

— O que Pook pode fazer pelo jovem mestre?

— Pook, você pode trazer um café da manhã inglês completo pra mim, dois cafés da manhã completos para vampiros e dois cafés da manhã completos para jovens vampiros?

— Sim, jovem mestre. Pook trará rapidamente seu pedido. — O elfo sumiu num estralo assim como apareceu.

Jane e Alec estavam num dilema. Eles não sabiam se ficam com Harry ou com Aro e Caius. Jane tomando a decisão de sua vampira interior, seguiu até o sofá que Harry estava e se aconchegou ao lado dele. Alec decidindo pelo mesmo, seguiu a irmã. Aro e Caius levantaram a sobrancelha com o ato mas nada falaram.

Pook logo apareceu com o pedido de Harry e os deixou em cima da mesa. O bruxo agradeceu ao elfo e se levantou, chamando por seus dois filhos mais velhos. Os quatro seguiram para a mesa redonda e se sentaram.

— Vocês dois vai ficar aí parados ou vão se levantar e se juntar a nós?

Aro e Caius se apressaram assim que Harry falou. Parecia que o jovem não estava com os dois e eles sabiam bem o motivo.

Assim que todos se acomodaram, Harry sentou sua filha mais nova em sua perna e começou a colocar a comida feita para vampiros nos pratos de Alec e Jane. Ao aceno do bruxo, eles começaram sua refeição. Essa foi a única coisa que eles sentiram falta quando se tornaram vampiros. Harry aparecendo e trazendo muito do mundo mágico consigo, os animou. Ele não tinha a obrigação de fazer tudo isso, mas ele quis, e isso foi um bom ponto positivo no caderno deles.

Harry pegou um morango da travessa de fritas e deu na mão de Celine. Ele pegou um guardanapo e colocou na gola do macacão da filha para que ela não sujasse sua roupa.

Todos comeram em silêncio. Jane e Alec felizes pelos desenvolvimentos, Aro e Caius preocupados em como seria a conversa futura, Celine feliz com sua fruta favorita e Harry apreciando a situação.

Assim que terminaram, Harry chamou pelo mesmo elfo.

— Pook, você poderia levar isso embora? Traga, por favor, uma muda de roupa para mim e uma sacola com o essencial para Celine, nós voltaremos ainda hoje para casa. Peço também por algumas guloseimas de vampiros. Não precisa se preocupar em voltar, deixarei minha roupa atual na bolsa de Celine.

— Pook fará, jovem mestre. Aviso ao Lorde e Lady Diggory?

— Sim, Pook. Avise-os também que voltarei não muito tarde.

Com um aceno, o elfo sumiu. Quando voltou, Harry perguntou pelo banheiro e entrou com Celine. Ele a trocou e se trocou logo depois. O jovem cuidou das necessidades de ambos e saiu do banheiro.

— Jane, você e Alec podem distrair Celine por um tempo?

Jane apenas confirmou e pegou sua irmã mais nova nos braços. Alec, lembrando da ameaça de mais cedo, apenas correu junto da irmã.

Assim que os três de afastaram, ele ergueu uma barreira envolvendo seus filhos. Assim, as crianças não ouviriam a conversa mas ele poderia ouvir caso Jane e Alec precisassem de ajuda.

Alec não gostou muito disso, mas não reclamou. Harry apenas sorriu, sabendo o que exatamente se passava na cabeça de Alec. Ele não queria ser repreendido na frente de todos como um garotinho pirracento.

— Harry-

— Não. — Harry interrompeu Caiu. — Eu vou falar e vocês vão ouvir, calados. Quando eu terminar, vocês podem se explicar.

A magia de Harry reagiu ao seu estresse e fez com que Caius e Aro sentassem no sofá e se sentissem presos, sem conseguir mover um músculo.

— Vocês tem muita sorte de nossos filhos estarem presentes, do contrário, eu poderia muito bem usar algumas boas azarações que aprendi com os gêmeos.

Os dois vampiros engoliram em seco, se lembrando do aniversário de Celine. Eles estavam preocupados, mas quando perceberam que Harry usou o termo "nossos" ao se dirigir às crianças, eles relaxaram.

Ainda havia chance de consertar as coisas.