- Aro? Caius? — Chamou Sulpicia ao entrar nos quartos de Aro.
Ela e Athenodora acharam estranho quando os reis não apareceram na sala do trono. O castelo estava silencioso. Nem mesmo Jane e Alec apareceram. Athenodora comentou sobre esse fato estranho. Eles a consideravam como tias e sempre procuravam ela logo depois de passarem um tempo com os pais.
As duas vampiras sabiam tudo o que acontecia. Elas apenas agiam como esposas deles até que eles concluíssem o vínculo.
Quando as mulheres entraram na sala, viram os dois reis sentados um do lado do outro no sofá com os olhares perdidos.
Bem, mais uma coisa estranha na lista de hoje.
Sulpicia chegou mais perto de Aro enquanto Athenodora se aproximava de Caius.
— Caius? O que aconteceu? — Athenodora perguntou calmamente enquanto segurava as mãos de Caius.
— Athen, querida. Eu acredito que erramos com alguém muito importante.
— Está falando de Marcus? O que vocês fizeram?
— Não falo de Marcus. Ele deve estar bem. Falo de Harry.
— O aprendiz? — Athenodora perguntou com o cenho franzido.
— Ele não é um mero aprendiz, Athen. Ele era a parte que faltava, nosso outro companheiro.
— Finalmente o companheiro submisso! — As duas mulheres exclamaram extasiadas com a notícia. Aro conseguiu sair de seu transe com a alegria.
— Espere... Caius, você disse que erraram. — Sulpicia encarou o loiro e depois o moreno. — Aro, o que vocês fizeram?
Trocando um breve olhar, Aro e Caius alternaram enquanto contavam tudo o que havia acontecido. As expressões das duas vampiras iam de horrorizadas à pura fúria.
— Como vocês ousam. Era o seu companheiro. Vocês receberam um breve histórico da vida dele e é assim que vocês tratam as coisas? Ele era um bruxo e fora criado por trouxas. Ninguém sabe o que ele passou nas mãos deles porque ele nunca se abriu. Vocês sabem bem como os humanos agem quando estão perto daquilo que não há como provar cientificamente.
— Nós reconhecemos nosso erro. Queremos falar com ele, mas o problema é que ele disse que não quer nos ver. Não quero piorar a situação.
— Bom ponto, Aro. Mas vocês podem simplesmente pedir para Marcus tentar entrar em contato com ele.
— Ele ainda não sabe, Sulpicia.
— Então acredito que seja hora dele saber. São séculos com a verdade escondida. Já passou da hora de tudo ser revelado. Eu não permitirei que vocês acabem com isso.
Aro e Caius entenderam o que ela quis dizer por trás disso. Ela e Athenodora não haviam encontrado seus companheiros. Elas sentiam mais falta do que eles. Afinal, mesmo não tendo o quarteto completo, os dois tinham um ao outro e tinham os filhos por perto.
— Entendemos e iremos falar com ele. Vocês podem pedir para Chelsea cancelar as reuniões de hoje? — Aro perguntou.
— Nós vamos. Mas antes, quero uma palavra de que vocês vão agora mesmo falar com Marcus.
— Damos nossa palavra, fique tranquila, querida. — Caius respondeu à Athenodora.
— Tudo bem. Estamos indo. Espero que não piorem as coisas.
E com a última fala sendo de Sulpicia, elas saíram da sala ao encontro de Chelsea.
Aro e Caius tentaram relaxar enquanto se preparavam para a conversa seguinte. Eles só podiam esperar que Marcus tivesse seguido seus conselhos em tentar limpar o vampiro de qualquer vestígio que o prendia e o deixava cego.
Caminhando lentamente para os aposentos do outro vampiro, os amantes ficaram em silêncio, deixando cada um com seu próprio pensamento.
Eles chegaram mais rápido do que desejavam e depois de um tempo de hesitação, Aro bateu na porta levemente, mesmo que não precisassem. Mas eles estavam tão nervosos que ficavam completamente perdidos no que fazer.
— Sim? — Marcus abriu a porta e viu Aro e Caius. Quando seu olhar caiu nos olhos do moreno e depois nos do loiro, ele ofegou. — Não. Não. Não. Não pode ser... — Ele definitivamente entrou na fase da negação. Não era isso que eles queriam ao chegar aqui.
Precisou de um punhado de tempo para acalmar o vampiro e explicar o motivo de tudo aquilo ter acontecido (envolvimento de Didyme) e depois explicar o motivo deles precisarem de ajuda.
No final, Marcus estava lívido. Bastou uma conversa com o jovem aprendiz para ele ficar fascinado. Harry tinha um cheiro leve e sua risada podia acalmar até a mais turbulenta das almas.
— Então vocês cometeram um erro e esperam que eu conserte a sujeira de vocês? — Ele arqueou uma sobrancelha interrogativamente.
— Eu não teria colocado dessa forma. Mas sim. — Caius respondeu.
— Vocês sabem que não posso força-lo a falar com vocês, certo? E outra, nós nem sabemos se ele permitirá que eu me aproxime. No momento, a magia dele está agindo por instinto e protegerá aqueles que ele considera família, isso não não envolve no momento, contra aqueles que ele vê como ameaça, e isso definitivamente envolve vocês dois e até pode ser que me envolva.
— Nós sabemos. Pedimos apenas que você diga que sabemos que erramos e que queremos uma conversa para explicar nosso ponto de vista.
— Tudo bem, Caius. Isso eu posso fazer. Agora, se me dão licença, preciso escrever uma carta.
— Erm... Você não vai dizer nada sobre sermos companheiros? — Aro perguntou com uma voz aflita.
— Ser companheiro de vocês dois não me repugna ou me enoja, se é isso que os preocupa por conta do meu silêncio. Mas preciso de um tempo para pensar. Toda a minha vida foi uma mentira. Não posso esquecer isso do dia pra noite. Meu vampiro está machucado e confuso. Nós queremos primeiro apreciar a recém liberdade.
— Faça o que for melhor para você. Nós iremos voltar. Tentaremos descansar nossa mente.
— Bom plano. Agradeço por jogar tudo em cima de mim de uma vez. — Ele falou sarcástico. — Mas vocês precisam ir e eu também.
Vendo a deixa, Caius e Aro saíram, deixando Marcus sozinho com seus pensamentos. Ele logo pegou um papel de carta e uma caneta.
Ele preferia deixar pergaminho e pena para assuntos reais. Um papel e uma caneta trouxa eram mais fácil de se usar e eles tinham em abundância no castelo.
Pensando bem nas palavras, ele começou.
"Caro Harry.
Eu soube recentemente dos eventos ocorridos nessa manhã. Não o culpo por sair daqui, no seu lugar, eu teria feito o mesmo.
Minha mente está uma confusão, então peço perdão desde já.
Descobri, também recentemente, que sou o companheiro de dois vampiros e um bruxo. Isso não me assustou. Mas me apavorou. Eu não esperava por isso.
Sei que você não deseja ver ninguém nesse momento, e eu entendo isso e respeito. Mas gostaria de conversar com você e explicar a história da minha vida. Você me fez uma pergunta ontem e quero que você saiba mais do que a simples resposta que eu lhe dei.
Podemos apenas trocar cartas ou podemos marcar um local para nos encontrarmos.
Ainda estou resolvendo isso tudo sobre companheiros, então não sei se estou pronto para ver Alec e Jane. Sei que eles esperam que tudo se resolva, mas isso não acontecerá numa virada de hora. Espero que entendam.
Com meus mais sinceros cumprimentos,
Marcus Volturi."
Com a carta terminada, ele decidiu ir até os Diggory para que eles pudessem entregar a correspondência. Seria muito mais rápido do que usar qualquer outro meio.
Carta em mãos e sentimentos conflituosos, ele partiu para a colina onde residia a casa dos Diggory.
Ele sinceramente esperava que Harry tivesse deixado ele de fora na hora que ele tentou explicar o motivo da saída dele.
