— Esse lugar é maravilhoso... — Harry disse olhando as estrelas.

Eles jantaram com uma conversa leve. Uma coisa aqui, outra ali. No momento, eles estavam esperando a sobremesa. Harry, previsível como sempre, escolheu a torta de melaço.

Graças às mudanças que Lucius Malfoy estava fazendo no ministério, Marcus pôde escolher uma variedade de alimentos próprios para vampiros. Harry podia até não admitir abertamente, mas o lorde Malfoy era bom no que fazia.

Harry estava um pouco preocupado. Era a primeira vez de Jane e Alec sozinhos com Celine. Até agora, ele não recebera nenhum tipo de mensagem desesperada, então ele supunha estar tudo bem.

— Fico feliz que tenha gostado. — Marcus sorriu para ele enquanto o garçom servia as sobremesas.

Assim que o garçom partiu, eles começaram a desfrutar de sua última refeição antes de partirem. As conversas leves se mantiveram até saírem do local.

— Está tudo bem se dermos mais um passeio?

— Claro. Posso perguntar ou essa será outra surpresa?

— Nós, meu pequeno companheiro, estamos indo à um museu que abriu semana passada. Eu percebi que você ficava fascinado quando lia os livros da nossa biblioteca, então pensei que gostaria.

Os olhos de Harry brilharam de emoção mal contida. Apenas com uma conversa Marcus foi capaz de descobrir seus gostos, algo que ninguém mais fez, mesmo o conhecendo há anos.

Ele queria tanto visitar um museu, ouvir as histórias e estudar as antiguidades...

Antes de dizer alguma coisa, o bruxo percebeu que já estava na porta de entrada com Marcus entregando as entradas para o segurança. Assim que a passagem foi permitida, ele andou um pouco mais rápido já querendo ver tudo de uma vez.

Marcus vendo a expressão de Harry e lendo suas atitudes facilmente, se elogiou internamente. Ele acertou em cheio.

— Você gostou?

— Eu amei, Marcus. Obrigado por isso, por me trazer essa experiência incrível. — Seus olhos estavam transbordando lágrimas de felicidade e agradecimento.

— Tudo por você. — O vampiro beijos os cabelos rebeldes de seu companheiro e passou um braço ao redor da cintura do mais baixo.

Eles seguiram a guia, enquanto ela lhes contava as histórias por cada passagem.

Harry ouvia tudo fascinado e Marcus só podia admirar a felicidade que seu jovem companheiro emanava.

Depois de passar por cada cômodo, a guia os levou para a entrada antes de pegar um grupo de pessoas que haviam entrado.

— Vamos, meu jovem?

— Já acabou? Mas foi tão rápido...

— Isso é porque você estava muito entretido para ver a hora passar.

— Bem. V ver se consigo fazer pedidos via coruja dos livros que ela mencionou... — A última parte foi resmungada para si mesmo, mas Marcus ouviu claramente. Ele rapidamente pensou em comprar os livros, mas sabia que Harry veria isso de forma errada. Então ele iria com calma.

Os dois saíram do local e puderam ver a rua com uma pequena porção de pessoas, provavelmente pelo horário tão tardio. De mãos dadas, eles caminharam quase que sem destino, apenas aproveitando o tempo sozinhos.

Harry estava feliz por ter dado uma chance ao vampiro. Ele não se sentia tão tranquilo assim desde...

Marcus percebeu o olhar de dor no rosto do jovem e se preocupou.

— Harry, o que aconteceu? Está tudo bem?

— Sim, sim. Tudo bem. Apenas... me lembrei de algumas coisas... — Harry deu um sorriso aguado na direção de Marcus e logo voltou a olhar para frente.

O vampiro sabia que tinha algo. Vendo o bruxo tremer levemente, ele não sabia se era por causa do frio ou pela lembrança.

Achando um café 24 horas logo na esquina seguinte, ele caminhou com o jovem até o local e abriu as portas, deixando que o bruxo entrasse primeiro.

Harry soltou um suspiro deliciado quando o ar quente tomou conta de si. Olhando ao redor, ele viu o lugar aconchegante que entraram e escolheu uma mesa perto da janela, mas ainda escondida, para poder observar a rua com os poucos seres que ainda caminhavam por lá.

Uma garçonete chegou para atende-los e Harry pediu um chá de frutas vermelhas, enquanto Marcus escolhia um cappuccino com sangue.

Eles ficaram em silêncio até a mulher chegar com seus pedidos.

— Eu... tenho uma pergunta que ronda minha mente. — Marcus falou mansamente, mas Harry ainda ficou rígido. — Eu não vou exigir respostas, mas gostaria que fôssemos abertos, já que decidimos nos conhecer melhor. — Ele viu Harry relaxar forçadamente contra o banco estofado do outro lado da mesa.

— Não estou pronto para contar tudo. Você ficaria satisfeito com o pouco que posso lhe contar?

— Meu pequeno, até se você não pudesse me dar nada eu ficaria satisfeito. Só de te ter ao meu lado sou feliz. — Marcus esticou seu braço e passou as costas de seus dedos longos na bochecha do bruxo. O vampiro o viu suspirar e percebeu que estava se preparando para iniciar a história.

— Eu passei por muita coisa nessa vida. Coisas horríveis, dolorosas, amargas... Conheci o pior lado da vida. — O jovem começou com um nó na garganta. — Um maligno bruxo das trevas queria reinar em nosso mundo e então começou toda a carnificina. Por conta de uma profecia, ele tentou me matar, no processo, não só eu fiquei vivo mas meus pais morreram tentando me proteger. — Ele não pôde conter a lágrima rebelde que desceu.

Harry passou calmamente por alguns eventos, deixando de lado os detalhes de morar com os parentes trouxas e alguns eventos na escola. Ele chegou a falar que descobriu que o tal bruxo maligno era sua última família e ele decidiu ajudá-lo, mas também não contou os detalhes de como fizera isso.

— Marcus, eu quero uma família. Quero a promessa de felicidade, amor, carinho... É o que o meu coração mais deseja. Mas eu sou um bruxo quebrado pelos horrores que tive de suportar em toda a minha vida. — Seu rosto estava vermelho por tanto chorar e as lágrimas já eram como cachoeiras em seu rosto.

Marcus se sentia angustiado. Ele sabia que Harry claramente ocultou algumas partes de sua vida, mas o pouco que ele falou já fez com que ele quisesse chorar junto com seu jovem companheiro.

Harry não estava quebrado, ele apenas precisava de ajuda para se achar no caos que era sua vida, e ele queria ser a mão ajuda e o ombro amigo.

Eles podiam ser companheiros, mas ele sabia que Harry não estava pronto, e ele confessa que nem mesmo ele estava pronto para algo mais. Então, no momento, ele podia apenas confortar Harry como um amigo confidente faria.

Marcus se levantou e deu a volta na mesa. Assim que ele passou um dos braços ao redor do Bruxo, ele sentiu Harry soltar todas as suas lágrimas e toda a dor e desespero em suas vestes. A roupa ele pode lavar depois, o que importa, era seu companheiro.

— Meu pequeno, você não está quebrado. Você apenas está perdido em sua bagunça. — Ele beijou castamente a têmpora do jovem. — Saiba que estou aqui para te guiar, pois não posso reconstruir você, isso está em suas mãos. Posso oferecer conforto e uma xícara quente de chá de frutas com um pedaço de torta de melaço.

— Obrigado. Isso é importante pra mim e já me acalma de uma forma que você não imagina.

Marcus apenas apertou mais o bruxo em seus braços e esperou que o outro se recompusesse.

Tão focado em seus próprios pensamentos enquanto seu olhar percorria a rua, ele quase perde a respiração calma do bruxo.

Ele chamou a garçonete, pagou pelas bebidas e envolveu sua capa ao redor do bruxo enquanto o segurava em seus braços.

A sua chave de portal o levava direto para onde estava ficando esses dias na Inglaterra, por isso ele esperava que Harry os levasse de volta. Era tarde para enviar uma coruja e ele não tinha acesso ao flú.

Tomando uma decisão, ele pegou a chave e ativou. Chegando na casa, ele abriu a porta e rumou para o quarto mais aconchegante e quente. Não sabendo como Harry reagiria quando acordasse, ele apenas tirou a capa do menino e esticou os edredons sob o corpo pequeno mas esguio.

— Você não está sozinho, meu pequeno. — E com a pequena despedida, ele beijou a testa do bruxo e saiu do quarto.

Indo para a sala, ele pensou sobre o que faria no dia seguinte com essas informações. Mas antes de qualquer coisa, ele enviaria uma coruja para Jane e Alec avisando que Harry havia dormido estava em um quarto separado e que assim que o bruxo acordasse, ele voltaria.