A claridade que entrava pela janela do quarto despertou Harry de seu sono confortável. Ele se levantou e olhou ao redor. Não reconhecendo o local, seu coração deu um pulo de desespero.
— Por Circe... Onde eu estou?
Forçando suas memórias da noite passada, ele passou por cada uma até conseguir relaxar novamente. Ele dormiu nos braços de Marcus e depois deu uma leve despertada quando o vampiro lhe deu um beijo, mas logo voltou a dormir.
Não tendo certeza do que fazer, ele se levantou da cama silenciosamente e apenas esticou os edredons antes de caminhar pela ponta do pé para pegar sua capa e tentar sair de casa. Ele sabia que o vampiro não dormia, mas ele não sabia se Marcus estava aqui sozinho ou se até mesmo o vampiro estava em alguma parte da casa o esperando acordar.
Ele caminhou pelos corredores e pelos cômodos até se encontrar no que parecia ser a sala de estar. Olhando ao redor, ele viu que estava vazia.
— Bem, parece que ele não está aqui.
— Quem não está aqui, pequenino?
— Droga! Não faça isso novamente, Marcus! Já disse que não gosto. — Harry exclamou com a mão sobre as rápidas batidas do coração e com a respiração ofegante.
— Isso significa que você ainda precisa testar suas habilidades. — Marcus o observou intensamente. — Montarei uma grade de programação. Diga-me os horários que você está extremamente ocupado e eu os deixarei de fora.
— O que? — O cérebro do bruxo ainda estava processando as informações. — Cara, eu acabei de acordar. Estou morrendo de fome e preciso ver meus filhos. Você não pode esperar?
— Como queira. Mas ainda hoje peço que envie seus horários. Não estarei aqui por muito tempo e quero que você esteja pelo menos na metade do caminho quando eu for embora.
— Tudo bem. Agora, posso ir embora?
— Você está acordado o suficiente para isso? — Perguntou preocupado.
— Não se preocupe. Se estou bem para formar frases, posso aparatar tranquilamente. — Harry deu um meio sorriso com a preocupação clara no tom e no rosto do vampiro.
— Se você diz... — Ele não estava completamente convencido. Mas o que ele poderia fazer?
— Bem, então até a próxima. Enviarei uma coruja até essa noite. — E sem esperar Marcus dizer mais alguma coisa, ele aparatou, aproveitando que a propriedade não tinha alas que impediam os tipos de transportes mágicos.
Chegando em casa, ele procurou pelos seus filhos e viu seus dois mais velhos tentando alimentar Celine.
— Minha princesinha está aprontando com os irmãos, é?!
A criança sorriu batendo palmas quando viu o "papa" na entrada da cozinha. Harry a pegou no colo e deu um beijo em suas bochechas sujas de papinha doce.
— Como vocês estão, meus pequenos? — Harry perguntou enquanto abraçava seus filhos vampiros.
— Estamos bem. Nosso único problema foi para alimentá-la essa manhã. — Alec comentou enquanto limpava a bagunça que Celine havia feito.
— Que bom que está tudo bem. Chegou alguma carta para mim?
— Uma coruja chegou mais cedo. Mas ela não permitiu que tentássemos pegar a carta. Acho que apenas você pode. — Jane o informou.
— Obrigada, querida.
Harry caminhou até a janela do corredor que sempre se enchia de corujas e procurou pela que tinha uma carta para ele.
O jovem a abriu assim que reconheceu a caligrafia. Lendo-a, ele sorriu e a dobrou antes de colocar no bolso.
— Posso perguntar do que se trata, pai? — Alec, o curioso, perguntou quando tentou ler por cima dos ombros do bruxo e não conseguiu.
— Alguém está vindo fazer uma surpresa. E chegará essa noite para a janta. Então, me ajudem no cardápio, faz tempo que não nos vemos.
— Tudo bem, mas quem é a pessoa? — Jane perguntou com um arquear de sobrancelha.
— Vocês o conhecerá esta noite, então paciência.
Harry sorriu dos filhos curiosos e seguiu o caminho para os quartos de Celine e limpa-la. Já começando uma programação para o dia na sua cabeça, ele começou sua rotina automaticamente.
O dia se passou calmamente e quando Celine tirou seu cochilo da tarde, Harry mandou a carta que prometera para Marcus. Com os assuntos da sua senhoria, seus estudos para os NIEM's e o tempo que queria passar com os filhos, quase não lhe restava uma folga. Em um anexo, ele disse a Marcus que os estudos só poderiam começar na semana seguinte, já que ele faria seus testes nesse final de semana.
Ele estava nervoso, mas também estava confiante. Harry estudou dias e noites desde que estivera em gringotts pela primeira vez com seus melhores amigos.
Quando a carta foi enviada, ele pediu ajuda de Alec e Jane na cozinha. Mesmo não sabendo muito, os irmãos ajudaram a preparar a janta. Quando Celine acordou, Jane decidiu ficar com ela enquanto Alec permanecia na cozinha.
Alec tinha um interesse em saber cozinhar, mas sendo um vampiro, ele precisou deixar de lado. Agora, que ele estava aprendendo a cozinhar alimentos com sangue, ele estava completamente feliz. Harry ficou contente em saber que um seus filhos dividia essa paixão consigo.
Jane era a própria negação na cozinha. Ela preferia ficar com uma criança chorando do que preparar comida.
Quando tudo estava pronto, Harry pediu que seus filhos se arrumassem enquanto ele arrumava Celine e ele próprio.
Assim os quatro chegaram na sala, a lareira emitiu um som avisando que alguém passaria, dando a permissão, Charlie saiu em toda a sua glória.
O dragoeiro tinha um corpo parecido com o de Harry, mas ele era um pouco mais alto e tinha mais músculos nos braços. Seus cabelos ruivos e picotado nas pontas passam um pouco do ombro. Sua pele, beijada pelo sol pelo tempo que trabalhou debaixo do sol na reserva. Um longo sorriso surgiu no rosto do homem quando ele avistou Harry.
— Harry, irmão do coração. — Ele abraçou Harry com força enquanto dava gargalhadas. — Quanto tempo que não nos vemos. Se não fosse pelas cartas, até pensaria que você havia se esquecido do Weasley mais bonito.
— Você e sua modéstia. — Harry riu das falas do homem. — Agora, dramático, se passaram tantas coisas na minha vida que acredito ser mais fácil escrever um livro e fazer uma cópia para todos que não me veem a um tempo. Ter que me repetir toda vez se torna exaustivo.
— Então... — Charlie disse optando por ignorar os comentários de Harry por enquanto. — Quem são esses dois lindos atrás de você? — O sorriso galanteador já no lugar.
— Nem pense, Weasley. Esses são meus filhos mais velhos. Um fio de cabelo fora da linha e eu posso testar alguns feitiços que aprendi na biblioteca Black. — Ele ameaçou.
— Calma, Harry. — Charlie levantou os braços se rendendo com o tom do amigo, mas logo sua mente captou as palavras do jovem. — SEUS FILHOS?
Se Harry não estivesse tão protetor com seus filhos no momento, ele poderia ter rido da careta cômica que Charlie ostentava.
— Sim, meus filhos. Posso explicar durante o jantar.
Com a menção de comida, o estômago do dragoeiro rugiu de fome, fazendo com que o homem Weasley sorriso sem jeito.
— Bem, foi uma longa viajem...
— Está mais para o buraco negro que parece vir em todos os Weasley...
Harry levitou as malas de Charlie para o lado da lareira e entregou Celine nos braços do cuidador de dragões antes de seguir para a cozinha, com todos os seguindo.
Durante todo o jantar, eles conversaram. Harry falando tudo o que tinha acontecido desde a última vez que se viram, Charlie contando sobre seu tempo na reserva, Jane e Alec adicionando alguns comentários e Celine contribuindo com suas semi-palavras.
Em um ponto do jantar, Harry percebeu que sua filha mais velha estava agindo estranha. Ele ergueu uma sobrancelha para Alec mas parece que nem mesmo ele sabia. Decidindo não pressiona-la, ele apenas continuou sua conversa com o amigo.
No final, todos estavam satisfeitos e quase dormindo.
Harry apresentou à Charlie o quarto que ele ficaria durante sua estadia e se despediu dele. Quando ele colocou Celine em seu berço, ele pediu para Alec ir para o quarto dizendo que ele levaria Jane mais tarde.
Assim que Alec saiu, Harry levantou as barreiras do quarto e sentou Jane em sua cama enquanto a abraçava.
— Filhote, o que aconteceu para você ficar desse jeito? Foi algo que falei?
— Não, papai, é só... — Ela parou antes de terminar.
— Saiba que pode contar sempre comigo. Eu estou aqui. — Harry beijou os cabelos loiros e sedosos de sua filha e abraçou mais forte.
— Esse não é o momento... Posso apenas pensar mais um pouco? — Sua voz soava assustada e isso apenas contribuiu para o desespero do bruxo.
— Claro, leve o tempo que precisar.
Eles ficaram mais um tempo abraçados até que Harry a levou para o quarto que dividia com Alec, por escolha deles, pois o lugar tinha quartos o suficiente para toda a família Weasley e Lupin.
Quando chegaram no quarto, Harry aconchegou Jane em sua cama e depois se levantou.
— Vocês desejam dormir?
— Não, quero passar essa noite da biblioteca. — Alec respondeu.
— Eu quero descansar minha mente, pai.
— Como queiram.
Assim que Jane dormiu, ele beijou mais uma vez seus cabelos e depois deu úmbrico na têmpora de Alec antes de se dirigir para o seu quarto e tentar ter uma noite de descanso com as preocupações com sua filha mais velha.
Ele só podia esperar até que ela lhe dissesse algo e desejava poder ajudar, seja qual for o problema.
