Os dias passaram e Harry podia afirmar calmamente que foram os melhores desde muito tempo. Mesmo sendo cansativo. Mas quando ele deitava na cama com todos os seus músculos doloridos, ele ainda agradecia pela vida maravilhosa que ele tinha.
A tutoria de Marcus estava indo muito bem. Ele não era tão rápido quanto um vampiro, mas era mais rápido que um bruxo normal. Ele aprendeu a balancear sua alimentação bruxa e vampírica já que mesmo não sendo tão dependente do sangue, ele poderia se sentir fraco se não tivesse por um longo tempo.
Com a alimentação adequada, a sua herança vampírica começou a consertar alguns erros em seu corpo. Tais como a desnutrição por conta dos Dursley, e aumento de poder em alguns presentes.
Marcus logo voltaria para a Itália e Harry permaneceria na Inglaterra.
Um sentimento estranho se alojou em seu peito e ele não sabia defini-lo muito bem.
Era apreensão? Mas agora? Por quê?
Harry passou os últimos dois dias vivendo no automático. Jane e Alec cuidando da irmã e passando um tempo conhecendo sua nova família, não perceberam. Remus tão preocupado com sua esposa podendo entrar em trabalho de parto a qualquer momento, não percebeu. A família Weasley não vinha sempre em sua casa, então não puderam ver.
Mas Marcus, bem... Harry era seu companheiro e ele percebeu o estado de Harry, mesmo não tendo o vínculo para lhe contar. A única dúvida que surgiu era, por que o garoto estava assim?
Harry nunca respondia às suas perguntas e normalmente fugia assim que seu treinamento acabasse. Marcus não estava levando isso muito bem. Ele não queria forçar Harry a dizer algo, mas o menino parecia estar definhando por conta de alguma coisa e era Marcus que se definhava por isso.
Era no final do treinamento. O sol já estava se pondo no horizonte. Harry se preparava para fugir da sala que usavam quando Marcus com sua velocidade correu em direção à porta e a trancou.
— Não. Nós ainda não terminamos.
— Mas você acabou de dizer que por hoje estava bom.
— O treinamento sim. Mas não estou falando disso. Sente-se. Precisamos ter uma conversa séria. Quero explicações.
Contra a sua vontade, Harry sentou no sofá que tinha em um canto da sala. Sua mente corria procurando o que Marcus queria com ele.
— Harry, acalme-se. Você está hiperventilando. — Marcus colocou uma mão no ombro do menino e começou a ajudá-lo a controlar a respiração.
Harry não conseguia controlar seus sentimentos em fúria e entrou em um ataque de pânico. Seus amigos sabiam lidar com ele. Marcus não. E o jeito que ele falou o assustou. Ele sentiu que estava em problemas sérios. Suas lembranças dos Dursley voltaram com tudo e ele estava assustado.
Ele já era de maior, mas eles o mandariam de volta para os Dursley? Mas de acordo com os goblins, ele era um lorde e tinha algumas propriedades.
Harry se soltou das mãos de Marcus e correu em direção a porta.
— Por favor, deixe-me ir. Eu não fiz por mal.
Marcus se assustou com as lágrimas e o desespero estampado no rosto do mago. O que estava acontecendo? O vampiro não sabia muito bem lidar com isso.
— Harry. Sou eu. Por favor, relaxe. Não vou te fazer mal. — Ele tentou chegar perto de Harry com calma como se estivesse tentando se aproximar de um animal ferido e raivoso.
— Mentira. Tudo mentira. NÃO! — Seus olhos eram o início de uma cachoeira. Seu rosto estava banhado em lágrimas.
Parecia que o mago havia se trancado em sua mente. Alguma lembrança de seu passado veio à tona. Ele tinha medo por ter sido a causa disso. Marcus se repreendeu mentalmente por ter falado com ele tão sério e frio.
— Harry, pequenino. É Marcus. Não estou aqui para lhe fazer mal. Confie em minhas palavras. — O vampiro estava pronto para implorar se isso trouxesse o menino de volta.
— Não. Não. Eu juro que não farei de novo, tio. Por favor. — Harry olhava para os lados assustado. Era como se Marcus não estivesse a sua frente. Isso era preocupante, pois significava que ele estava preso firmemente em sua memória.
Marcus queria trazer Harry e queria resposta. A única forma de trazer um companheiro de volta era pela mordida, mas isso faria com que o menino respondesse a todas as suas perguntas e fizesse o que ele quisesse, sem filtro algum.
O vampiro não queria isso. Mas tudo pelo bem de seu pequeno companheiro.
O mais velho usando suas habilidades prendeu Harry em seus braços e colocou a cabeça de lado expondo sua garganta. Antes que o menino pudesse falar algo, ele mordeu, o acalmando e enviando sentimentos de segurança.
O jovem ficou mole em seus braços enquanto sua respiração se acalmava. Ele foi inundado por bons sentimentos e seus olhos focaram novamente na sala. Ele não estava nos Dursley. Vernom não iria batê-lo. Dudley não o colocou em problemas. Petúnia não atiçou a raiva de Vernom a direcionando para ele. Ele estava no quarto de treinamento, em sua casa. Marcus o estava segurando e ele encontrou a paz naquele abraço.
— Desculpe. — A névoa em sua mente se dissipou e ele inconsciente de suas ações, se aprofundou no abraço e respirou fundo, puxando o perfume do vampiro.
— Não há o que desculpar. Eu fui o errado, não deveria ter falado naquele tom. — Ele respirou fundo. — Eu me preocupo com você e queria apenas conversar. O que sei sobre você é o que qualquer jornal sabe. — O vampiro apertou o menino mais firme e tentou relaxar sua mente. — Nós somos companheiros e eu quero dar uma chance a isso.
— Essas semanas foram ótimas, Marcus. E fico feliz por estar dando certo até agora, mas há tanta dor na minha bagagem... Eu confio e você e quero me abrir, mas nem sei por onde começar...
— Vamos fazer assim, hoje você vai relaxar e tirar um tempo apenas para você e eu fico com as crianças. Amanhã, se vice estiver se sentindo bem, podemos conversar.
— Você não quer saber agora? — Harry perguntou olhando nos olhos de seu companheiro. Ele sabia muito bem o que a mordida significava.
— Não, meu pequenino. Eu quero que você me conte porque você quer. — Assegurou ao mais jovem.
— Obrigado. — Bem mais tranquilo, ele ignorou tudo ao seu redor e relaxou seu corpo junto ao de seu companheiro.
Marcus poderia ter o forçado a responder suas perguntas, ele o teria em suas mãos e a todos os seus segredos, mas ele respeitou. O coração de Harry se aqueceu com as palavras e a atitude de Marcus.
Talvez isso realmente possa dar certo...
