Harry passou o dia relaxando. Ele não sabia que precisava disso até Marcus tomar as rédeas e colocá-lo para se acalmar durante o dia.
Tudo estava ótimo. Sua mente estava mais tranquila e seu coração estava em paz. Ele sentia que nada poderia tirá-lo dessa bolha calmante.
É claro que ele sentiu a falta de seus filhotes, mas ele confia em Marcus com as crianças e isso era o suficiente para seu coração saber que logo ele os veria.
Quando o sol começou a se pôr, o bruxo decidiu descer finalmente e preparar o jantar. Então, com um sorriso no rosto, ele desceu as escadas cantarolando uma melodia que ouvira nos Weasley. Se ele se lembrava bem, era de Celestina Warbeck.
Chegando no primeiro andar, Harry percebeu o silêncio na casa. Não dando muita importância, sabendo que Marcus estava com seus bebês, ele seguiu para a cozinha.
Ele abriu todos os armários e sua mão sempre pegava algum pacote ou alguma lata. Indo para a ilha da cozinha, onde ficava a pia e o fogão, ele puxou as panelas e todos os utensílios que ele precisaria.
Com seu humor tão bom, a vontade de cozinhar chegou e ele decidiu fazer um banquete.
Harry não gostava de fazer as tarefas nos Dursley, ele se sentia como um escravo. Mas a arte da culinária e da jardinagem o encantava e ele se sentia até mais relaxado enquanto fazia em sua própria casa.
O bruxo sorriu assim que colocou a última travessa de comida na mesa. Antes que ele pudesse se questionar onde Marcus havia levado as crianças, ele foi surpreendido pelo som de suas vozes seguindo o cheiro da comida.
— Parece que papai já fez o jantar. — Jane comentou.
— O que será que ele fez hoje? — Foi Alec quem questionou.
— Que tal vocês lavarem as mãos e se sentarem em seus respectivos lugares?
Jane e Alec correram para a pia brigando para saber quem seria o primeiro.
Marcus entrou sorrindo segurando Celine em seus braços. Essa imagem encheu seu coração de afeto e um sorriso lindo brincou em seus lábios. Harry sempre sonhara em ter uma família. Quando descobriu sobre Celine, isso lhe deu um pouco de esperanças. Claro, Cedric não estava mais aqui e ele sentia falta, mas o sonho não foi embora.
— Como foi o dia?
— Relaxante. Obrigado por isso. Eu realmente estava precisando de um tempo só pra mim, mas quando estou com as crianças, elas vêm em primeiro lugar.
Marcus assentiu e entregou a mais nova para Harry para que ele pudesse limpar as mãos da criança.
Assim que todos se sentaram, Harry serviu cada um e esperou que eles dessem suas mordidas, tão ansioso para saber se seus pratos foram aprovados.
— Pai, você me impressiona, sempre.
— Fico feliz por isso. — Harry sorri para seu filho.
O jantar passou com histórias e risadas. O ar está tão leve que Harry não percebeu que já era o horário de colocar Celine para dormir. Assim que ele ia se levantar da cadeira, Jane colocou uma mão em seu braço.
— Deixe que eu a coloque para dormir. Alec e eu vamos passar um tempo na biblioteca.
— Claro... pode apenas trocá-la. Vou dar um banho nela amanhã cedo.
Jane concordou e seguiu para as escadas com seus irmãos.
Harry e Marcus silenciosamente, como em um acordo mútuo, guardaram a comida restante e lavaram tudo o que estava sujo.
Harry fez chá para ambos e derramou uma poção no chá de Marcus para que ele pudesse beber sem problemas.
Os dois se aconchegaram na sala. Harry em sua poltrona e Marcus em uma namoradeira.
O vampiro não queria pressionar o companheiro a dizer qualquer coisa, então esperou pacientemente que o outro tomasse a iniciativa.
Harry sabia o que precisava contar, sabia por onde começar e sabia que se demorasse mais, sua coragem se esvairia.
— Sabe, minha vida era "normal" até meus 11 anos de idade. Bem, parando para pensar em tudo o que já passei, acho que minha vida nunca fora normal, se compararmos com a definição dessa palavra conhecida por muitos outros.
Harry parou e tomou um gole de chá. Marcus sabia que era melhor não interromper, então permaneceu quieto no sofá.
— Aos 2 anos, eu já sabia que não era amado, para ser sincero, nunca descobri o significado dessa palavra. Eu era apenas um bebê e já conhecia o lado ruim da vida. Aos 4 anos, eu fui obrigado a fazer as tarefas de casa como um escravo. Se eu conseguisse um copo de água e um pedaço de pão mofado, era muito. Eu recebia o privilégio de um banho apenas uma vez por semana. Escovar dente? Bom, eles não queriam gastar comigo. Se eu precisasse ir ao banheiro, devia ir para a floresta que circundava uma parte do bairro.
O bruxo foi contando tudo o que ele passou e como foi a vida dele vivendo com os trouxas e logo depois ao chegar no mundo mágico. Os olhos de Marcus aumentavam em tamanho a cada palavra. Ele sentia a dor escorrer por cada palavra e isso só fazia com que sua vontade de proteger seu companheiro aumentasse ainda mais. Seu vampiro queria se soltar e acabar com aquelas vidas imundas, mas ele não conseguia sair do lugar sabendo que tinha muito mais para ser ouvido.
Horas se passaram, os horrores nas mãos dos parentes, as provações no mundo mágico... Como ninguém se preocupou em confirmar essas histórias? Os repórteres podiam afirmar que sabiam de tudo, mas vendo por outro lado, eles só sabiam aquilo que eles queriam. Herói do mundo mágico abusado? Pura invenção, ele com certeza fora mimado.
Marcus sentia sua fúria subindo. Sua mente estava dividida em se vingar pelo seu companheiros e simplesmente confortar aquele coração tão machucado.
Graças aos deuses o abuso não chegou a ser sexual. Mas infelizmente ele conheceu o abuso físico e psicológico.
Quando Harry terminou, ele se sentiu exausto. Sua garganta doía pelas horas de falas e sua cabeça doía ao se lembrar de tudo o que passou. Mas seu coração estava bem e leve.
No momento em que olhou para cima, ele esperava a pena naqueles olhos carmesins, mas a única coisa que viu foi amor, e isso já bastava para ele. O bruxo apenas queria ser confortado naquele abraço como havia sido no dia anterior. Parecendo que Marcus havia lido seus pensamentos, ele sentiu aquele corpo contra o dele e isso o levou rapidamente aos braços de Morfeu.
O vampiro percebeu que o seu companheiro havia dormido, mas não queria sair daquela posição, e ele não queria entrar no quarto de Harry sem uma permissão expressa do próprio, então ele os arrumou em um sofá até que ficassem confortáveis.
Ele esperaria seu companheiro acordar, mas sem pressa. Ele tinha tempo para planejar a vingança contra os trouxas.
