Harry não era perdoador. Por mais que muitos dissessem que o conhecia, eles estavam completamente enganados. Harry era humano. Ele sentia dor, raiva, tristeza, havia momentos em que era otimista mas havia outros em que pensava em desistir de tudo quando parecia ser demais para suportar.

Ele nunca gostara dos Dursley. Houve um momento em sua vida que ele achava que o erro era dele e apenas dele. Afinal, eles foram obrigados a criá-lo quando seus pais foram assassinados. Houve até outras vezes em que ele achava que se não tivesse nascido, muitos estariam vivos, não teriam morrido nas mãos de comensais da morte. Mas agora que era mais crescido, viu o mundo pelo o que ele era e depois de muito conversar com Cedric, ele entendeu finalmente. Nada fora culpa dele. Os seres humanos são ruins por natureza. Eles são egoístas por natureza.

Por mais que quisesse que os Dursley pagassem por tudo o que havia sido feito à ele, Harry não conseguia sentir esse gosto por vingança. Isso era dele. Tudo o que ele deseja agora, era de seguir em frente e deixar que os Dursley seguissem com suas vidas. Antes das revelações em Gringotts, ele já sabia que se houvesse uma forma mais pacífica de acabar com a guerra que estava sobre suas cabeças, ele faria. Violência não era de seu feitio. Quando seu professor de defesa no primeiro ano queimou até a morte, ele teve pesadelos de que fazia isso com outras pessoas. Quando ele tentou lançar um crucio em Bellatrix, seus pesadelos mostravam que ele conseguia, seu conforto era saber que ele não sentia a sede de violência para que o feitiço funcionasse.

É claro que ele sabia que havia muitos feitiços da luz que se usados com criatividade, poderiam matar alguém da pior forma possível. Esse foi o ponto principal que o fez entender que tudo se trata de vontades. Ele poderia usar um Leviosa para flutuar uma pena, mas se fosse para levitar alguém com a intenção de jogar essa pessoa para a morte ou para que a pessoa subisse tanto a ponto de ficar sem oxigênio, ele sabia que não conseguiria.

Ao longo do caminho, houve suas dúvidas, mas quando Hermione fora atacada na floresta por animais mágicos e corria o risco dela perder o movimento da perna direita, ele foi capaz de lançar um crucio silenciosamente na perna para que seus músculos pudessem voltar a funcionar. Hermione nunca descobrira qual fora o feitiço, mas não era porque ela não perguntou, foi porque Harry se recusou firmemente a dizer algo.

Pensando agora, ele poderia chama-la para conversar sobre isso. Para uma ávida leitora, ela ficaria curiosa e faria sua pesquisa para tirar suas próprias conclusões sobre a descoberta.

Eram tantas coisas para Harry lidar que ele não sabia por onde começar. Enquanto ele pensava em tudo isso quando acordou tão cedo para não sentir a fome para tomar seu café da manhã, ele se sentou na sacada do seu quarto e estudando tudo, ele percebeu que a forma que tratou Aro e Caius não fora uma das melhores. É claro que ele sabia que devia se desculpar com os outros dois vampiros, suas emoções podiam estar à flor da pele, mas ele sabia que mesmo assim, ele errou e devia assumir a responsabilidade por seu ato. O bruxo também esperava um pedido de desculpas de volta, Aro e Caius não saíram certos na história. O que ele tinha que fazer antes disso, era conversar com Marcus. Pouco ele sabia sobre o passado do vampiro, mas se todos eram companheiros, eles deveriam aprender a confiar uns nos outros. Nenhum relacionamento saudável sobrevive com mentiras e segredos ocultos.

Hoje ele tiraria o dia para conversar com seus filhos e conhece-los mais profundamente. Harry não era tolo, ele sabia que Charlie era provavelmente o companheiro de Jane. Como qualquer pai, ele se preocupava com a filha, mas ele conhecia os dois e sabia que podia confiar que eles se cuidariam. Jane colocaria algum senso na cabeça do treinador de dragões e Charlie traria mais aventuras para Jane. Havia tanta coisa no mundo que sua criança merecia conhecer e Charlie saberia como tirar Jane de sua concha e aproveitar o que de bom tem no mundo.

Sua preocupação principal era Alec. Ele sempre teve a atenção da sua irmã, ela encontrando seu companheiro, seria reconhecidamente claro que os dois quisessem um tempo juntos e à sós. Seu filhote ainda teria a atenção de todos, mas com a maioria achando seus companheiros, era obvio que ele se sentiria excluído. Doía saber disso, mas cada coisa tinha seu tempo.

Harry ansiava para receber notícias de seus antigos companheiros de Hogwarts, alguns estavam presentes no aniversário de sua filha Celine, mas foi tudo tão corrido que ele simplesmente não tivera a chance de parar para conversar sobre o que foi perdido por ele. O que ele sabia era o que estava ligado aos Weasley, já que frequentemente trocavam cartas.

George havia terminado com Angelina, descobriu-se que eles eram mais como amigos. Ginny queria primeiro se formar e se estabelecer em um trabalho antes de encontrar alguém para sossegar. Fred era o mesmo de sempre, nenhum relacionamento na conta, mas ele queria filhos para correr pela casa. Percy havia se casado recentemente com Audrey, quem conheceu no ministério e ela já esperava seu primeiro filho. Bill e Fleur estavam com a pequena Victoire em seus braços. A irmã de Fleur estava prestes a entrar em sua herança veela, então estava animada para logo depois conhecer a nação veela e passar um tempo com eles até encontrar seu companheiro, afinal, foi sorte de Fleur conhecer seu companheiro poucas semanas depois de receber sua herança.

Já em relação à guerra, ele não sabia muito bem o que fazer. Ele nunca quis lutar, mas Voldemort precisava ser parado. Decidindo esperar o outro lado enviar noticias, ele se levantou para começar seu dia. Alguma coisa ele tinha que fazer para impedir seu cérebro de vagar tanto. Já estava ficando com uma tremenda dor de cabeça.

Tomando uma decisão no calor do momento, ele enviou uma carta aos Diggory avisando que logo estaria de volta junto com Marcus e as crianças. O vampiro querendo ou não, iria voltar com ele e ter uma conversa de adulto com os outros dois companheiro.

Mais uma vez sua mente vagou e ele se perguntou como seria dormir com 3 outras pessoas. Ao sentir suas bochechas queimarem com a visão que o pensamento lhe trouxe, ele balançou sua cabeça na esperança de sua mente clarear e se dirigiu ao quarto de Celine.