Os dias foram passando e depois de muito conversar com Marcus, lê-se obriga-lo, eles chegaram à Itália. Jane admitira querer conhecer melhor Charlie e Harry pediu que antes de tomar qualquer decisão, ela precisava avisar à Caius e Aro para que estivessem cientes da nova presença no castelo e até mesmo das escapadelas. Marcus ainda não os via como filhos, mas com o tempo passado juntos, ele se tornou protetor das três crianças.

Harry não sabia como encontraria seus companheiros, mas ele pediu à Chelsea para avisa-los de sua chegada e que ele compareceria no castelo para uma reunião.

Como sempre fazia, ele falou com alguns guardas enquanto caminhava até a sala. Nenhum outro vampiro estaria presente além dos quatro, mas por precaução, ele lançaria um feitiço de privacidade.

Aro e Caius estavam bem vestidos e sua expressão foi mantida em branco, mas se procurasse bem, como Harry, acharia a apreensão descrita facilmente em seus lindos olhos vermelhos.

— Aro, Caius. — Harry cumprimentou.

Os outros apenas acenaram com a cabeça e todos se sentaram. Um silencio pesado passou por eles antes que Harry tomasse as rédeas.

— Três vampiros adultos com séculos de vivencia mas é um cara que acabou de chegar na vida adulta que precisa colocar ordem nisso. — Ele bufou. — Antes de tudo, quero me desculpar pela forma como agi antes de sair daqui. Foi errado e infantil, assumo. Mas já que todos somos adultos, nós precisamos resolver isso com clareza e não agir como crianças, pois não nos levará a lugar algum.

Todos se olharam antes de Aro falar.

— Peço desculpas por meus atos. Não era certo eu esconder tantas coisas sabendo que elas precisavam vir a tona. Com meus erros magoei vocês e afastei as crianças.

Harry sabia que não era fácil para o vampiro orgulhoso, então ele estava secretamente feliz por Aro entender que precisava ser sincero e reconhecer seu erro. Errar e se desculpar depois de entender e aceitar o erro, não era sinal de fraqueza, mas sim de maturidade. Parece que Caius entendeu o ponto e ele e Marcus se desculparam por suas maneiras antes de Harry iniciar o que seria discutido.

— Antes de qualquer coisa, precisamos de regras, e claro, de um contrato. — Quando os outros apenas concordaram, ele continuou. — Não vamos colocar nada de muito extremo, mas precisamos definir limites antes de iniciar qualquer coisa entre a gente. Acho melhor cada um dizer algo e explicar o porquê daquilo, se todos concordarem, isso entrará no contrato que pedirei para os goblins selarem adequadamente.

— Isso é aceitável. — Caius concordou e os outros dois o seguiram.

— Primeiro, acho melhor iniciar a fase do cortejo. Usaremos esse tempo para nos conhecer e no final, podemos decidir que tipo de ligação teremos. Não quero apressar as coisas, precisamos criar uma base de confiança para que dê certo.

Quando todos concordaram, Harry escreveu no pergaminho.

O rascunho de Harry dizia que até eles selarem o vínculo, o mais novo deles ditaria o ritmo. Ninguém seria forçado a falar sobre o passado ou contar seus segredos, mas em algum momento, os outros deveriam estar cientes. Ninguém agiria pelas costas se soubessem que de alguma forma a ação pudesse machucar alguém. Muitos outros tópicos foram levantados ao decorrer.

O dia foi passado conversando sobre o que cada um achava que precisava ser incluído no contrato. O que vinha como prioridade era a firmação do vinculo entre eles com seus filhos. Então Harry teria um apartamento do outro lado do castelo para sua própria privacidade e para que facilitasse o desenvolvimento do vínculo.

Com essa decisão, os dias de passaram e tudo estava tranquilo no castelo. Os diggory iam para visitá-los, mas seu tempo foi gasto viajando pelo mundo quando Amos não precisava estar no ministério.

Semanas depois de voltar para a Itália, a primeira carta do outro lado chegou. Era, mais precisamente, de Severus. Ele dizia que o lorde das trevas queria conversar em um território neutro, então reservou uma sala em Gringotts, nada precisava ser decidido naquele momento, mas todos manteriam o controle.

Os três vampiros queriam ir, mas Harry os disse que tudo seria em território neutro, quando não funcionou, ele os mostrou que poderia se proteger facilmente sozinho, então eles ficariam com os filhos em Volterra e Amos o seguiria, apenas por precaução ou caso ele precisasse de um conselho.

Quando chegou na sala, Harry finalmente sentiu a ansiedade subir. Ao abrir a porta e entrar, ele viu que foi bom trazer Amos, já que ao lado de Voldemort estava Severus.

— Fico feliz por ter concordado com a reunião. — disse o mais velho dos quatro. Ele não parecia mais como o meio cobra que surgiu no quarto ano, sua aparência atual era impressionante. Cabelos negros caídos nos ombros, olhos vermelhos e brilhantes, um corpo alto e esguio mas com alguns músculos e suas voz era como veludo. Se ele não fosse um lorde das trevas e se ele não tivesse companheiros, ele com certeza flertaria com o homem.

— Isso precisa ser resolvido. — Quando todos se sentaram, Harry fez a principal pergunta, para impedir divagações antes de chegar ao cerne. — O que você espera fazer agora? Uma guerra está fora de cogitação, eu presumo.

— Eu nunca quis uma guerra. Claro que eu tenho meus ideais e luto por eles, mas inicialmente foi tudo conseguido politicamente. Houve diversas leis que consegui aprovar por esse método. Nada funciona direito por medo.

— Se as leis que você quer aprovar respeita a todos, então não ficarei em seu caminho. Mas quero que saiba de uma coisa, se a situação sair do controle e alguém for prejudicado injustamente por suas leis, eu entrarei em campo, meu nome tem mais poder que o seu, então facilmente usarei isso contra.

Harry não queria que isso saísse como uma ameaça, então por causa de seu tom, todos entenderam. Amos sabia como Harry lidava com as coisas. Severus, por mais que não quisesse admitir, sabia que o jovem protegia aqueles que mereciam e precisavam.

— Eu vou mandar uma cópia de meus planos, e se você estiver de acordo, podemos trabalhar numa aliança. Meu principal objetivo é derrubar leis que separam nossa população em grupos deixando brechas para uma retaliação ou até mesmo uma guerra eclodir.

— Antes de colocar meu sobrenome em qualquer lugar, eu preciso conversar com meus companheiros, mas pensarei nisso e analisarei o que você me enviar.

- Concordo, mas não entendo ter que avisar seus companheiros. — A expressão de confusão surgiu mas rapidamente sumiu.

— Isso não foi lançado ao público, mas meus companheiros são as majestades dos vampiros. Preciso falar com os Reis Volturi antes de qualquer coisa, já que futuramente compartilharemos os mesmos sobrenomes. — Ele não queria se gabar, mas sua criatura ronronava de prazer quando ele mostrava o poder de seus futuros conjugues.

— Entendo. Como isso está esclarecido, quero falar sobre outra coisa. Os goblins não conseguem rastrear quem fez exatamente o quê comigo, então decidimos que para eu voltar ao público, precisarei de um outro nome e uma história de fundo antes de pegarmos quem fez isso.

— Sei que isso será o melhor plano de ação. Você já tem um nome?

— Não. Mas por enquanto, você pode me chamar de Marvolo. Eu sei que não foi nenhum de meus seguidores, já que a marca me alertaria, então não precisa se preocupar com eles.

— Falando neles, o que você pretende fazer, já que uma guerra não ocorrerá?

— Aqueles que ficaram loucos, ficarão em Saint Mungo para tratamento. Os que tem algum cargo no ministério, ajudarão na minha história e trabalharão legalmente nas leis. Os prisioneiros de Azkaban terão um novo julgamento sob verintasserum para que os que estão lá injustamente sejam livres.

Severus e Amos apenas ficaram quietos ouvindo o que Harry e Marvolo conversavam. Tudo parecia ser aceitável, então sem preocupações. Se dissessem a eles um ano atrás que isso aconteceria, eles mandariam esse alguém para a ala de Janus Thickey em Saint Mungo.

- Para encerrar, eu quero deixar claro, que não sou alguém sentimental com quem você possa conversar sobre a família. Posso dar conselhos e ser ouvinte, mas não espere alguém mole. Eu só permito que essa persona apareça para o meu marido.

Harry concordou. Mesmo não sabendo quem era, ele tinha fortes suspeitas sobre ser Severus Snape, apenas pela forma como os dois trocavam olhares, mesmo tentando se manter indiferente ao outro na mesma sala.