A conversa com Jane foi transformadora. Ele se sentia mais em paz e sua filha já tinha começado a trilhar seu próprio caminho.

Neste momento, sua filha estava em uma viagem com Charlie. Harry decidiu pagar uma viagem para os dois. Charlie fora um eterno cavalheiro e Jane saiu do castelo com os olhos tristes por ficar longe da família mas também com um sorriso nos lábios, demonstrando que aquilo era o que ela queria. Ele realmente desejava que quando voltassem, eles tivessem se resolvido. A felicidade dela era o que mais importava para ele.

Seus colegas de Hogwarts estavam se preparando para o jantar que Harry decidiu preparar, lê se Harry arrumou os cardápios e os elfos fizeram a comida.

A sala estremeceu com as enfermarias e Gabrielle Delacour apareceu a sua frente. Agora ela estava mais alta e seus cabelos mais curtos, estilo Chanel. Seu olhar firme ainda estava no lugar, um rosto totalmente aristocrático, mas dessa vez, um sorriso suave se encaixava em seus lábios pintados de vermelho.

— Harry! Quanto tempo! — Ela correu e deu um abraço apertado no bruxo. Sua força quase o desestabilizando.

— Gabrielle, não sei se você percebeu, mas você é mais alta e mais forte que eu. — Harry riu.

— Bem, herança veela e tudo o mais. — A menina se endireitou e fez um movimento para que Harry a conduzisse enquanto ela ligava seus braços. — Mas me conta. Como está sendo morar aqui? Como são seus companheiros? Eu preciso me atualizar. Fleur disse que não me contaria nada. — Era até engraçado de ver o beicinho que Gabrielle estava fazendo.

— Bem, é tudo diferente, mas eu consegui me adaptar. Não que seja ruim, mas não é aquilo que desejo, entende?

— Claro. Um lar, que você mesmo forma no lugar que o seu coração escolhe é sempre melhor. Mas e em relação aos seus companheiros? Você não me respondeu. Não adianta fugir desse assunto.

— Bem, os reis Volturi tem uma boa reputação, do que vou reclamar? — Ainda assim tentou se esquivar do assunto.

— Não quero saber de boa reputação. Quero saber o que você acha deles. Quero saber como anda seu vínc— Gabrielle pausou sua fala espelhando seus passos quando o que Harry disse finalmente afundou em sua mente. — O quê? R-Reis Volturi?

— Sim...? — Sua resposta saiu mais como uma pergunta.

— Como você não está falando daquelas beldades quando as tem na sua cama? Harry?! — Seu tom aumentou, quase esganiçado.

— Todos que encontram seus companheiros devem agir assim? — Ele perguntou realmente confuso.

Ele sempre levou na brincadeira, mas agora ele estava realmente curioso. Por que todos agiam dessa forma quando ele dizia que seus companheiros eram os Volturi? Para ele não era nada demais. Eram só mais três vampiros como tantos outros.

— O que vocês veem neles que eu não consigo ver? — Na sua pergunta genuína, Gabrielle parou no meio do corredor novamente e se virou para Harry. Seus olhos o analisaram bem, tentando entender se ele estava brincando. Depois de uma longa busca, seus olhos se arregalaram quando percebeu que seu quase irmão não brincava.

— Eles são a realeza! Eles comandam tudo! Eles são os mais velhos e mais poderosos. Além disso, eles realmente são muito bonitos.

— Eu ainda não entendo. O que tem de mais nisso? Há milhares de outros vampiros. A única diferença é que eles detém o poder de todos os outros clãs. Mas isso conta como alguma coisa?

— Harry, como há pessoas que gostariam de estar no seu lugar... Fazer parte da realeza, qualquer que seja a realeza, é o desejo de muitos. Muitos matariam para fazer parte disso.

— Gabrielle, o que deveria contar não é o amor?

— Irmão, por acaso você quer dizer alguma coisa que eu ainda não peguei?

— Não... seguindo em frente. — Ele voltou à caminhada e em nenhum momento permitiu que Gabrielle voltasse ao assunto. Quando ele a deixou no quarto designado à ela durante sua estadia, ele voltou a falar. — O jantar logo ficará pronto. Mandarei um guarda lhe buscar. Fique tranquila, seu lugar será marcado perto de sua irmã. — Com isso, Harry saiu e seguiu para o seu próprio quarto em busca de Celine. Ele a deixara dormindo aos cuidados de Alec enquanto buscava a mais jovem Delacour.

Harry caminhou entre os corredores. Seus passos já conhecendo o caminho e o levando automaticamente para seu destino enquanto ele pensava, o que tinha feito muito ultimamente.

— Pai? Terra chamando pai.

— Oh, olá novamente. — Ele não percebera que já havia entrado no quarto e estava até sentado na beirada da cama.

— Aconteceu alguma coisa? Já faz cinco minutos que você chegou e sentou aí olhando pro nada.

— Claro. Apenas pensando em algumas coisas. — Ele não queria admitir, mas ele estava preocupado desde que enviara aquela carta pela manhã. Uma ansiedade tomava conta de seu corpo toda vez que lembrava daquele conteúdo e para quem estava dirigido.

— Se você diz... — Alec sabia que seu pai estava escondendo alguma coisa, mas se era do interesse dele, seu pai falaria sozinho, mais cedo ou mais tarde. Ter paciência era essencial. — Já arrumei Celine.

— Vou trocar de roupa. Só um segundo.

Quando saiu do closet, Alec segurando sua irmã e ele caminharam para a grande sala de jantar. Quando chegaram, perceberam que foram os últimos. Na ponta da mesa, estava Aro. Do lado esquerdo estava Caius e do lado direito estava Marcus. Alec sentou ao lado de Marcus e Harry sentou ao lado de Caius, sua filha firme em suas pernas. Quando eles se sentaram, a comida começou a ser servida. Primeiro os Reis, depois a família real seguido pelos guardas mais próximos da família e por fim, seus convidados.

Conversas soltas aconteciam. Harry ignorava firmemente os olhares de Aro, Caius e Marcus. Desde antes mesmo de Jane viajar, eles começaram a lançar aqueles olhares que ele não entendia e tinha medo de descobrir o significado. Provavelmente não era sobre Jane sair com Charlie, já que eles tiveram aquela maldita conversa quando ele fez uma pequena chantagem sobre ele não amar a filha e não querer que ela fosse feliz com o companheiro. Tudo bem, ele pegou pesado, fora um golpe desgraçado, mas ei, ele teve que usar aquilo que tinha, e bem, não era muita coisa. Mas funcionou jogar sujo.

Alec não entendia o que acontecia com seus pais. Uma hora eles brigavam, outra eles se entendiam, até escreveram um contrato, agora estão estranhos novamente. Ele realmente gostaria de ter Jane aqui, mas se ela estava feliz onde estava, então ele poderia lidar com toda essa confusão acontecendo.

O jantar foi calmo e tranquilo, quando eles estavam saindo, cada um de seus lugares, o olhar de Alec pegou o de Gabrielle e os dois travaram no lugar. Harry percebeu aquilo e seus olhos de arregalaram em conhecimento.

— Pela Deusa Brigit!

— O qu— Aro teve que se interromper quando sua expressão copiou a de Harry.

Os poucos que restaram, ao perceberem o que estava acontecendo, se retiraram puxando aqueles que ainda não haviam entendido. Aquilo era um assunto de família. Fleur se retirou sabendo que sua irmã lidaria bem com aquilo sozinha.

Harry se levantou com sua filha e saiu puxando seus companheiros para a sala da família. Esse era o momento de seu filho. Se ele precisasse dos pais, mais tarde ele procuraria. Todos os três vampiros mais velhos ainda em choque seguiram o pequeno companheiro automaticamente enquanto a pequena Celine brincava com a corrente que segurava uma aliança no pescoço do pai bruxo.

Assim que a porta se fechou, ele sentou na poltrona mais próxima à lareira e começou a ninar Celine na esperança de que ela se acalmasse.

Depois de alguns momentos, os três se sentaram e observaram Harry. Cada um com seus pensamentos. Claro, os dos três Reis eram semelhantes, mas o de Harry era completamente diferente.

Assim que Celine se acalmou, Harry fez um forte de almofadas em um dos sofás livres e lançou feitiços para ficar mais macio e uma bolha de silêncio para nenhum barulho incomoda-la mas para que caso ela acorde, ele ouvir.

Sentado novamente e tentando evitar qualquer tipo de conversa, mesmo sabendo que deveria haver uma, ele suspirou observando as labaredas de fogo dançando dentro da lareira. A única luz vinha dela, então nas paredes podia se ver as silhuetas deles.

— Harry, sabemos que você tem tentado evitar muitas coisas, principalmente falar com a gente. Mas você não acha que já está na hora disso mudar, de você parar de fugir de certos assuntos como uma criança? — Aro perguntou com coragem.

— Aro, nós já assinamos o contrato e eu disse que aceitaria o vínculo, já não é o suficiente para você? — Seus olhos verdes como a grama recém cortada ardiam em fogo. — O que mais vocês querem de mim? — Sua angústia não pôde ser contida de sua voz.

— Harry, se acalme... — Aro tentou se aproximar do bruxo, mas parece que esse movimento não foi bem aceito assim como tentar iniciar uma conversa.

— Não se aproxime de mim! — Sua magia seguiu o sentimento e Aro foi lançando em seu lugar de antes e os três Volturi perceberam que não podiam levantar. — Não me force a fazer algo que todos nós nos arrependeríamos no futuro.

— Nós só queremos conversar. Entender o que está acontecendo. Nós não merecemos saber o que tanto aflige nosso companheiro? Você não nos deixa te tocar. Só passa um tempo com a gente se nossos filhos também estiverem presente. Por que você faz isso? Você disse que tentaria fazer dar certo, você nos deu uma maldita chance mas foge de qualquer oportunidade que temos de ficar sozinhos. — Caius estava com raiva, dor, suas emoções eram conflituosas e ele era o mais cabeça quente, então a paciência era praticamente nula em qualquer momento.

— Aceitando o vínculo e eventualmente o consumindo, nós poderíamos viver bem. Eu já moro aqui no Castelo, moro próximo como essa droga de vínculo existe. Já não está bom para vocês? Eu já tive que sacrificar minha humanidade para virar uma criatura só porque decidi ver meus filhos crescerem e seguindo seus próprios caminhos.

— Harry, por que você diz isso de um vínculo sagrado? O que fizemos para você nos machucar tanto?

— Infelizmente, nosso vínculo não permite que tenhamos outras pessoas. Como eu gostaria de que fosse o mesmo que Jane e Charlie tem. Eu tô cansado. Tá legal?!

— Do que você está cansado? De nós? — Marcus perguntou com a voz grave. — Você parecia diferente na Grã Bretanha.

— Eu tô cansado dessa situação. Eu não tive um minuto de paz desde que entrei no mundo mágico. Eu pensei que finalmente quando a guerra acabasse eu poderia ter uma vida normal com a minha filha. Mas não, a vadia do destino decidiu foder com a minha vida! — A última parte foi gritada e ele mentalmente agradeceu por ter se antecipado com os feitiços.

— O que podemos fazer para mudar isso? O que você quer que façamos? Qualquer coisa. Diga aquilo que você realmente quer.

— Eu quero que esse vínculo suma. Tá legal? Vocês podem fazer isso para que eu seja feliz?

Aquela fala acabou com os três vampiros. Uma dor aguda atingiu seus corações. O vínculo entre os quatro quase fora quebrado uma vez, eles não sabiam se ele poderia resistir dessa vez.

Ainda presos pela magia do bruxo, eles observaram apavorados quando uma névoa escura cercou seu companheiro e um ser de quase 3 metros apareceu em mantos escuros e um símbolo estranho desenhado na altura do que deveria ser o peito. Parecida uma reta atravessando um círculo verticalmente enquanto os dois estavam dentro de um triângulo.

A escuridão tomava conta de seu companheiro e eles estremeceram com aquilo enquanto a angústia crescia por não conseguir ajudar o mais jovem.

— Quem é você? — A pergunta sussurrada veio do bruxo.

— Eu? Eu, meu querido herdeiro, sou a morte.