Um silêncio atordoado seguido àquela resposta do tal ser seria esperado. Mas ao contrário do comum, Harry se jogou na entidade e chorou.
Tudo o que podia ser ouvido na sala era os soluços incontroláveis do bruxo. Morte, sabendo tudo o que se passava no coração de seu pequeno e jovem herdeiro, envolveu seu manto e sua magia ao redor. Para Harry parecia algo reconfortante, assim como para a pequena Celine, mas para os vampiros, era algo sufocante, angustiante.
Ignorando os três vampiros, Morte levantou o rosto de seu herdeiro e o fez olhar diretamente em seus olhos.
Morte tem uma definição no dicionário. Morte também tem várias outras definições diferentes sejam por como as pessoas a entendem individualmente, seja por como cada religião à retrata.
Quando você morre, Morte toma a aparência que seu cérebro já pré definiu antes da morte. Para quem não teme, Morte toma a aparência que você se sente mais confortável.
Para seu herdeiro e único herdeiro, Morte não tomou uma aparência para fazê-lo confortável. O laço que os ligava trazia paz ao coração do jovem e assim, Morte não temia deixá-lo louco.
Harry olhou nos olhos de morte e seus olhos banhavam em lágrimas. Era algo tão lindo, tão profundo, tão indefinido e ainda assim, o medo que todos nós humanos carregamos do desconhecido não se fez presente em seu ser.
O bruxo sorriu aguado e se sentindo em casa, fez a pergunta que rondava sua mente.
— O que faz aqui?
— O laço que nos une me alertou. Você precisa de algo e eu estou aqui.
— Eu não sei exatamente o que preciso. — A vergonha em sua voz era audível.
— Você sabe, mas não aceita. Você quer e luta contra isso. Por que você faz isso consigo mesmo? — Morte se ajoelhou no chão e trouxe seu herdeiro para mais perto. Uma bolha de privacidade os envolveu e naquele momento, ele soube que era hora de se abrir.
— Sinto como se estivesse traindo as memórias de meu companheiro. Eu não consigo fazer isso. Eu sei que quero a felicidade mas não consigo amá-los.
— O que te impede de amá-los? Seu primeiro companheiro deseja que você siga em frente e você sabe disso.
— O que mais me incomoda é o laço que nos une.
— Sei que não é apenas isso, meu herdeiro. Me diga.
— Eu já fui tão controlado. Os mais velhos sempre faziam as escolhas por mim. O único momento em que senti que tinha controle sobre alguma coisa foi com Cedric. Ele me deu aquilo que eu precisava. — Seu coração ardia e ele só queria pôr um fim nisso.
— Seus atuais companheiros já lhe disseram que não comandariam sua vida. Por que ainda se sente assim?
— Porque por mais que eles digam isso, esse vínculo ainda manda em todos nós. Eu não quero isso. Não quero ter que escolher entre ver meus filhos trilharem seu caminho mas ser amarrado à eles ou morrer e deixar três crianças para trás. Não consigo...
— Eu quero que você conheça alguém. Talvez ele possa ajudá-lo. Concorda em ao menos ouvi-lo? — Com um aceno afirmativo, Morte se curvou e sua magia se espalhou ainda mais pelo cômodo. Em poucos segundo, um fantasma apareceu.
— E esse é o famoso herdeiro de Morte? O que posso fazer por vocês?
— Meu herdeiro, conheça Vlad III, ou de conhecimento comum, Drácula.
Naquele momento, Harry já sabia quais seriam os planos de Morte. Ele se levantou e se afastou do ser, a traição era clara em seus olhos. O bruxo não podia acreditar que a entidade o forçaria a tal coisa. Era demais para ele.
— Eu já disse. Não vou me vincular à eles. Não há nada que possa mudar isso. Eu te odeio. Você me enganou desde o início!
— Você precisa se acalmar, eu nunca te enganei e não é agora que começarei com isso.
— Então para o que mais ele está aqui senão me convencer a aceitar esse lixo de vínculo? Você me quer infeliz?
— Calma, meu jovem. — Vlad III se intrometeu. — O que está acontecendo aqui, afinal?
— Drácula, meu herdeiro é companheiro dos Volturi. E ele não aceita o vínculo que os une.
— Entendo... — O fantasma estudou o bruxo e assentiu com a cabeça. — Queira se sentar, meu jovem, será melhor. Eu não forçarei nada a você.
Ainda relutante, ele se sentou próximo à sua filha mas distante dos três vampiros que ainda não entendiam o que estava acontecendo por conta das proteções de Morte.
— A primeira pergunta que quero lhe fazer é, você leu sobre os companheiros? — Recebendo um aceno, ele avisou. — Quero resposta verbais, jovem.
— Sim. — Veio a resposta relutante. Seus olhos queimavam de raiva.
— Você sabe que tais laços são sagrados, independente da criatura?
— Sim.
— Você sabe o que pode acontecer futuramente se você tentar mudar o tipo de laço que os une?
— Sim.
— Pois bem. O que é mais importante para você?
— Celine. — Era a reposta óbvia.
— Você quer se separar cedo de sua filha?
— Não. Mas sei que se algo acontecesse comigo, os avós dela cuidariam bem dela.
— Não sente remorso ao pensar dessa forma?
— Porque sentiria? — Ele se eriçou.
— Você prefere morrer do que passar um tempo com sua filha.
— Eu já engoli muito sapo na minha vida. Não vou aguentar mais só por que uma droga de entidade nos uniu.
— Não fale assim de mãe magia! — O fantasma gritou. Mãe magia cuidou dele e ensinou tudo o que sabia. Ele sempre seria grato a ela e sempre a protegeria. — Ela lhe deu magia, ela permitiu que um humano tivesse suas habilidade para conhecer o mundo bruxo. Graças a ela você pôde conceber sua filha. Ela é justa com todos e sabe o que faz!
— E eu vou falar como? Ela está me forçando a uma vida miserável. Você sabe bem o que é isso. Ser enlaçado a alguém onde não há amor mútuo.
— Nós estamos falando sobre seu vínculo e não sobre o meu. Se aquilo aconteceu comigo, mãe magia tinha seus motivos. Ela não quer que seus filhos sofram.
— Bem, ela não sabe o que é melhor para todos. Uma hora ou hora ela erraria. E olha só, justo na minha vez!
Morte apenas observava tudo aquilo. A entidade sabia que Harry não poderia finalmente conhece seu reino. Havia uma última tarefa para ele cumprir. Quando todas as principais entidades se reuniram quase trinta anos atrás, cada um sabia que o mundo veria seu fim se não interviessem. E Morte veio com a solução. Um guerreiro nascido na guerra que teria o poder adequado para parar com tudo.
As entidades só podiam juntar seus poderes e criar a alma do guerreiro. Morte teria a honra de tornar aquela alma como seu herdeiro. E depois que a criança com a alma do guerreiro nascesse, eles não poderia fazer muita coisa para intervir.
Naquele momento, as entidades queriam se bater por ter dado o tal do livre-arbítrio para os seres que na terra viviam. Por conta disso, pessoas atrapalharam a vida da criança. A alma tinha o poder adequado, mas não tinha o treinamento certo para o futuro tão próximo. Uma criança, Celine, não estava nos planos das entidades. Cedric Diggory finalmente se declarar para o guerreiro também não estava seus planos.
Morte não queria enganar e nem mentir para o seu herdeiro, mas não sabia o que fazer diante da situação. Foi quando a última opção teve que ser trazida à tona. Isso poderia mudar drasticamente tudo o que fora planejado inicialmente, mas tanto já aconteceu quando não era para acontecer que Morte sabia que deveriam remodelar todo o plano.
Nada aconteceu com Harry de acordo com a regra ou de acordo com o planejado. Talvez se não houvesse tanto planejamento e tantas tentativas de seguir uma linha, tudo desse certo no final. Quem sabe o que o bruxo poderia atrair para o seu caminho...
Morte sabia que Mãe Magia era a única outra entidade além da Morte que deveria estar aqui para o não tão esperado momento, afinal, fora Mãe Magia que colocou tais empecilhos no caminho. Desde o início Morte queria facilitar o caminho do herdeiro.
— Muito bem. — Morte interrompeu a conversa do fantasma com seu herdeiro. — Vlad, eu agradeço por ter vindo, mas acredito que dessa vez, você não possa ajudar.
— Como queira. — O rosto comprimido por não ter conseguido mudar a mente do bruxo. Ele pensava onde o mundo ia parar se houvessem mais com o mesmo tipo de situação que o bruxo.
— Diga à Mãe Magia que eu preciso dela. — Recebendo um aceno do fantasma, Morte se virou para seu herdeiro.
Num piscar de olhos, o fantasma se foi e Harry se virou para a entidade.
— O que você quer agora? — Ele ainda não estava feliz com a entidade.
Morte se aproximou do herdeiro e cobriu-o com sua magia. Um leve ronronar pôde ser ouvido assim que as duas magias se reconectaram. A entidade soltou um som parecido com um bufo ao ouvir os sons que provinham do mais jovem.
— Não pense que eu mudei minha opinião sobre você. — Ele abriu um olho e tentou, mas filhando miseravelmente, intimidar Morte. Logo depois ele tentou se acomodar na magia que o cercava quando outra voz, desconhecida, se fez presente.
— Ora se não é o herdeiro de Morte. — Uma voz feminina surgiu na névoa que cercava a cabeça de Harry.
