Com o passar dos dias, os reis Volturi viram uma grande melhora em Harry. O menino sorria mais, brincava com todos, conversou com qualquer um que estivesse disposto a passar um tempo com ele e o melhor de tudo, ele não mais fugia quando eles se aproximavam.
Ninguém sabia o que havia causado tudo aquilo. De repente o bruxo saiu de seu casulo e um novo brilho surgiu em seus lindos olhos verdes.
Ainda essa semana, mais convidados chegariam, e, de acordo com o que Bill Weasley disse, eram os Malfoy. Harry não quis falar muito sobre eles, mas seu considerado irmão mais velho deu um breve resumo sobre como tinha sido a relação de seu companheiro com o lorde e o herdeiro Malfoy. Não muito podia ser dito da lady, apenas que ela estava carregando o segundo filho.
Nenhum sinal do tio-avô de Harry. Claro que eles entendiam que eles não tiveram uma boa relação, e com razão. Mas eles se preocupavam com o mais jovem. Ele era muito apegado à família e querendo ou não, ele ainda sentia por não estar em contato com ele, mesmo após todos os eventos em sua vida.
Havia muita coisa pendente que deviam ser conversadas e resolvidas, mas eles optaram por deixar que o tempo dissesse o que fazer. Agora, o necessário era tentar dar um passo mais próximo ao seu companheiro.
Alec e Gabrielle se prontificaram a ficar com Celine, provavelmente foram ao jardim, já que a menina amava aquele local tanto quanto o pai. Jane dissera que voltaria no próximo mês. Ela enviou cartas contando sobre suas aventuras e como era a Romênia, onde seu companheiro trabalhava.
Eles até podiam gostar de Charlie Weasley, mas na visão deles como pais, ninguém seria bom o suficiente para a filha. Mas com uma mão firme de Harry, eles evitaram tentar fazer com que Charlie corresse de medo e apenas deu a conversa "se ela chorar, eu te mato".
Todos no Castelo sabiam que o vínculo entre os dois era diferente, mas a cada carta, eles viam que sua menina estava se apaixonando e isso os deixou preocupados. Claro, Harry dissera que Charlie era um bom homem e jamais iludiria Jane, mas eles ainda eram pais protetores e não conheciam totalmente Charlie, então era mais um obstáculo.
Entrando na sala de estar privada, os três vampiros encontraram Harry em pé de frente para a janela aberta. Chegando mais perto, Marcus viu que ele estava de olhos fechados com um sorriso no rosto enquanto cantarolava suavemente uma música que ele próprio já ouvira de sua mãe quando ainda era humano.
O som conhecido por todos os outros três fez com que eles relaxassem e sentassem cada um em uma poltrona.
Depois do que se pareceram horas relaxantes enquanto apenas alguns minutos se passara, Harry parou a canção, mas o sorriso no rosto permanecia.
Aro não sabia o que fazer e muito menos o que dizer, ele se sentiu no limite.
Caius era o que menos tinha paciência, então ele já estava pronto para falar.
Marcus, sendo o mais controlador e que se mantinha firme, deu um olhar para Caius que o fez ficar quieto à contra gosto. O vampiro com a aparência mais velha sorriu e fechou os olhos. Eles sempre buscavam pelo companheiro bruxo, mas já estava na hora de Harry seguir no seu próprio ritmo. Com o tempo, eles se encontrariam.
O tempo foi passando e a paz continuava a mesma na sala. Harry não queria voltar atrás de sua decisão, mas pensamentos conflitantes sempre o seguiram.
— Sabe… Meu tio-avô Charlus era um grande aventureiro…
Os Volturi não sabiam se ele chegaria a algum lugar, mas se seu companheiro se sentia bem para falar sobre sua família, então eles ouviriam atentos e aceitariam tudo o que ele estava disposto à dá-los.
— Depois de anos de aventura, ele voltou para a Inglaterra, sua casa. Ele usou o flú do ministério já que tinha um passe livre por ser de uma antiga e nobre família puro sangue.
Um sorriso ainda maior cruzou seus lábios enquanto se lembrava daquela passagem no diário de Charlus Potter. Depois de uma conversa com Lady Magic, ele conversou um pouco mais com Morte e entrou em contato com Gringotts e Remus.
Tudo era tão novo para ele que a necessidade de ler sobre vínculos, casamentos, uniões de qualquer espécie e acordo não poderia ser negada. Uma memória de Remus o contando como todos os Potter se apaixonaram o fez querer ainda mais descobrir sobre cada um deles. No momento, ele lera apenas os mais recentes. Seu chefe de conta de gringotts ainda procurava, com a ajuda de Remus, os outros diários. Todo Potter conta sobre sua vida amorosa desde o momento em que percebe que o sentimento mais puro e genuíno, o amor, se revelou e seu coração já não pertence mais a si mesmo e sim ao seu companheiro.
Bruxos normais não tinham almas gêmeas, mas os Potter sempre tiveram o dom de encontrar a pessoa mais próxima que evoca tal sentimento.
— Quando ele saiu da lareira, ele perdeu o equilíbrio e caiu no chão derrubando Dorea Black. Ela tinha fama de ser fria e cortante. Sua máscara nunca saindo do lugar.
Realmente, todos os Blacks eram iguais. Até Sirius que não gostava de ainda pertencer à família Black herdou alguns dons e costumes de sua família, e ele admitia isso amargamente.
— Charlus se apaixonou na hora sem nem perceber mas fez de tudo para conquista-la. Demorou um tempo, na verdade, mais alguns anos. O que ele não sabia era que Dorea já estava completamente apaixonada por ele. Ela demorou a aceitá-lo por ter nascido infértil enquanto o desejo de Charlus era ter uma grande família com ela.
Mesmo sendo os vampiros que se orgulhavam sempre de sua rapidez em pegar palavras soltas, eles ainda não entendiam o ponto disso.
— Claro, quando Charlus descobriu ele a confortou e disse que eles poderiam adotar uma criança ou até mesmo um animal. Mas que quando ele disse que queria uma grande família, ele não estava pensando apenas em crianças. No fim, os dois tiveram um casamento tranquilo e seus considerados filhos eram dragões que eles resgatavam. Todos eles, depois da morte de Charlus e Dorea, foram enviados para a Romênia.
Harry agradeceu por seus companheiros terem ficado em silêncio até o momento. Havia tanto que ele queria falar…
— Já com vovô foi um pouco diferente. Como herdeiro, ele precisava garantir a continuação da linhagem. Portanto, desde cedo ele já estava ciente de qual era o seu dever. Em hogwarts, ele conheceu vovó Euphemia. Ela era uma aluna transferida. Fleamont podia até estar na casa dos ousados, a grifinória, mas ele não era um leão… Vovó fora quem chamou ele para um encontro e até mesmo antes de firmarem um contrato de casamento, todos já sabiam que ela quem comandava. Fleamont caía de amores por ela, tanto que ele nem percebeu quando foi o início desse sentimento.
E era verdade, Fleamont poderia ser parte da casa vermelha e ouro, mas ele era tímido e nenhum pouco extrovertido.
— A gravidez de Euphemia foi complicada, ela tinha sofrido dois abortos espontâneos antes de finalmente engravidar e ter James, meu pai. Ela não pôde engravidar novamente, mas amor era o que não faltava naquela mansão.
Um sorriso triste percorreu seus lábios ao lembrar de como a vida de sua avó havia sido tão conturbada e como ela precisou de acompanhamento de psicomagos.
— Papai, no primeiro dia para Hogwarts, conheceu mamãe e se apaixonou por ela. Lily Evans não abaixava a cabeça e tinha um fogo que chamou a atenção de James Potter. Mamãe o odiava e sempre esculachava quando podia. Bem, até o último ano deles. Após uns acontecimentos não muito legais, ela se apaixonou por ele e então veio o namoro e não muitos meses depois, o noivado.
Harry terminou o deixou o silêncio seguir. As engrenagens dos Volturi estavam trabalhando dobrado. Eles sabiam que tinha algo por trás dessas histórias, apenas não descobriram, ainda.
— Charlus se apaixonou na primeira queda. Fleamont se apaixonou sem nem ter percebido. James se apaixonou na primeira troca de olhar. — Após um momento, ele percebeu que eles encontraram a chave.
Os três não sabiam o que dizer, mas agora que seu pequeno companheiro percebeu o choque deles, ficaram em silêncio.
— Nenhum deles percebeu quando o amor surgiu, apenas tinham uma especulação. Fleamont até tentou ignorar tudo, mas não foi possível.
— Você está querendo dizer… — Caius não sabia como formular, seu coração à muito morto parecia querer voltar à vida.
Harry se aproximou do vampiro loiro que ainda estava sentado numa poltrona e esticou o braço direito para descansar a palma da mão na bochecha fria do vampiro. Um sorriso genuinamente feliz cruzou seus lábios enquanto seu corpo tremia de antecipação à sua declaração.
— Eu não sei quando, mas percebi que tentei tanto me esconder que comecei a me perder em mim. Agora, que entendo e aceito, posso dizer que me apaixonei por vocês. Não amo, ainda é cedo, mas eu quero explorar o que temos.
— Você está falando sério? — Aro não conseguiu se segurar.
Harry sorriu com o tom de incredulidade. Ele não os jugava por duvidar e querer ter certeza do que ele estava dizendo. Demorou tanto para ele se achar novamente.
— Por que vocês relaxaram imediatamente quando me ouviram cantarolar?
Caius e Aro vasculhavam sua mente em busca da resposta. Marcus entendeu rapidamente e só pôde sorrir de alegria enquanto seu vínculo se expandia.
— Meninos… — Harry riu suavemente chamando a atenção de seus companheiros. — Eu aceitei o vínculo, nós estamos conectados. Como companheiro submisso, tenho o dom de acalma-los.
— Então isso quer dizer…
— Sim, Caius, minha magia finalmente está mudando para aceitar a criatura companheira de três reis vampiros.
Marcus se levantou e rapidamente puxou seu companheiro para um abraço. Seu olfato se perdendo no cheiro de seu companheiro.
Logo, Aro apareceu atrás das costas do bruxo e deixou seu nariz na curvatura do pescoço liso.
Caius, querendo apenas contato corporal, guiou seus companheiros para o tapete felpudo da sala e se acomodou entre as pernas de seu companheiro com a cabeça apoiada no peito jovem.
Nada precisava ser dito naquele momento. Seu companheiro achou o caminho até eles sozinho e, de quebra, permitiu que o vínculo começasse a se formar entre ambos.
Quando o sol já havia se posto, Aro trouxe a questão.
— Você ainda precisa da nossa mordida para completar o vínculo… — O receio era visível em seu tom de voz.
— Está tudo bem… — O bruxo tentou tranquiliza-lo. — Apenas, podemos esperar mais um pouco? — Ao ver a apreensão em seus olhos e nos dos outros dois, ele se apressou para explicar. — Quero falar com Remus e conversar com Alec antes de tudo. Se pudermos esperar pela chegada dos Malfoy, agradeço. Há muito o que quero discutir com eles.
Agora que entendiam o pedido de espera, eles se acalmaram e voltaram a se acomodar perto de seu companheiro. Nada poderia tirar o sorriso satisfeito de seus lábios.
