Naquela linda manhã ensolarada de verão, Hermione estudava na biblioteca, uma vez que no sexto ano, não apenas as disciplinas ficavam mais complexas, mas também porque ela já pensava em se preparar para uma faculdade.
- Olha ela aí, eu não disse? – O ruivo fala para o moreno de óculos.
- Hermione, vamos lá para fora, no pátio... Está um dia lindo e você aí no meio de tantos livros... Harry tentava convencê-la.
- Preciso estudar, vocês não? Já fizeram a redação do professor Snape? Ele pediu dois metros de pergaminho, no mínimo.
- Me poupe... ele pediu ontem na aula, e ainda temos uma semana para fazer! Vamos aproveitar melhor esta manhã de sábado, não é Harry?
Rony não conseguia entender por que sua melhor amiga gostava tanto assim de estudar. Até pensou em desistir de namorá-la, mas por forte influência da irmã e da mãe, ele ainda pensava nesta possibilidade. As duas o fizeram acreditar que quando Hermione esquecesse de vez Vítor Krum, ela o escolheria entre tantos outros rapazes da escola.
- Quer saber? – Hermione disse levantando os olhos do livro sobre as poções que foram proibidas durante séculos. - Só uma pessoa é capaz de fazer eu me levantar daqui.
- O professor Snape! – Rony atira sabendo que todos tinham certo receio pelo professor carrancudo.
- Lógico que não, seu bobo. – Hermione riu, pois ela era a única que apreciava as aulas do mestre. Apreciava até demais, e isso a incomodava de uma certa forma. Não sabia se a vontade de seguir a carreira de alquimista era mesmo sua vocação, ou mera admiração pelo mestre de poções.
- Quem? – Harry pergunta curioso.
- O diretor, é claro. Só saio por ordens dele!
- Bem, então acho melhor você deixar os livros e se levantar, pois ele está vindo para cá. – Rony disse após ouvir a madame Pince indicando onde estava a senhorita Granger.
- Senhorita Granger, Senhor Potter e Senhor Weasley... Como estão todos nesta linda manhã de verão?
- Bem, e o senhor? – Hermione responde, seguida de Harry.
- Tudo bem, professor Dumbledore.
Rony é o único que não respondeu, mas fez um aceno com a cabeça, cumprimentando-o.
- Eu preciso de uns minutinhos da sua atenção, Senhorita Granger. Se não se importa... Espero não ter interrompido nada.
- Tudo bem, eu só estava adiantando o trabalho do professor Snape, e como Rony acabou de me lembrar, ainda temos uma semana para fazer.
- Ótimo! Que tal se formos dar uma volta no lago? Está uma manhã linda. Pode deixar os livros aí, madame Pince guardará. Precisa passar no seu dormitório antes?
- Não será necessário, eu não trouxe material, apenas estes pergaminhos de rascunho e minha pena mágica. Posso colocá-los no bolso. Depois de adiantar o trabalho, eu pretendia mesmo dar um passeio para arejar a mente – E quem sabe ver o professor Snape. Não gosto dos fins de semana, porque nos últimos meses ele raramente fica na escola. – Pensou.
- Está calor hoje... Hogwarts fica mais charmosa no inverno, não acham? – Ele olha por cima dos óculos de meia lua para os rapazes, com a intenção de captar o grau de curiosidade deles.
- Sim, sem dúvida, professor Dumbledore. – Harry responde.
- E o Senhor Weasley, também prefere o inverno?
- Ah... não, é horrível para se jogar quadribol.
O Mago espera Hermione fechar os livros, empilhar de forma ordenada e devolvê-los por magia em suas prateleiras.
- A gente se vê depois. – Hermione disse para os amigos quando saiu acompanhada pelo diretor.
Harry e Rony se olhavam.
- O que será que ele quer com a Hermione? – Rony pergunta curioso.
- Deve ser algo importante para ele vir pessoalmente... Depois ela nos conta. Vamos lá para o pátio, afinal viemos aqui para nada!
Lá fora a paisagem era belíssima. O céu bem azul, as montanhas ao fundo e o colorido das flores no jardim: dália, gerânio e lírio, se destacavam do gramado não tão verde como na primavera, mas ainda assim belo. Caminhar tranquilamente para qualquer canto do terreno da escola, sem usar casacos ou blusas de lã, era algo inédito e prazeroso. Só mesmo no verão tal façanha era possível em Hogwarts.
Dumbledore perguntou como estavam o senhor e a senhora Granger. Somente depois quando se aproximaram do lago, ele finalmente entra no assunto delicado, que lhe fez sair do seu escritório para não levantar suspeitas da professora Minerva.
- Senhorita Granger, eu escolhi este dia para lhe fazer uma revelação muito importante. Não é um dia qualquer... Eu tenho exatamente uma semana de vida, e não posso morrer sem lhe contar um segredo...
- Morrer? Do que o senhor está falando? – Hermione fica branca ao escutar esta palavra.
- Da minha morte, é claro. Bem, se eu lhe chamasse para conversar no meu escritório, Minerva iria suspeitar de algo, e me encher de perguntas. Ela não pode saber... Entre tantas pessoas, eu escolhi você para lhe contar sobre este segredo. Tudo bem? Me promete que não vai contar a ninguém?
- Sim, mas... O senhor falou em morrer?
Na verdade, a minha morte em breve não será mais segredo. O que realmente importa é que você me promete, que entregará este envelope para o professor Snape, quando a senhorita achar que é a hora certa... – Ele alcança um envelope de tamanho médio que estava dobrado em seu bolso.
- Desculpe, professor Dumbledore, eu não estou entendendo nada. – Ela é sincera, sem contar seu estado abalado que a fazia segurar as lágrimas por ter ouvido ele premeditar sua própria morte.
Alvo Dumbledore estica sua mão amaldiçoada com o feitiço do anel.
- Está vendo? O professor Snape conseguiu adiar por um tempo... mas sim, eu vou morrer.
- Era uma horcrux? – Ela pergunta já com lágrimas nos olhos.
- Sim, um anel que me custou a vida... mas não devo me lamentar, apenas agradecer estes cento e cinquenta anos bem vividos!
Hermione não sabe o que dizer, e o abraça chorando. O mago recebe o abraço tão afetuoso da aluna, que fica sensibilizado.
- Ora, vamos... Tudo na vida tem um começo, meio e fim, até mesmo no nosso mundo mágico. O importante é aproveitar cada fase de nossas vidas, e eu posso lhe garantir, senhorita, que aproveitei bem cada fase da minha. Não chore, as lágrimas não mudarão os fatos... Eu ainda nem lhe contei sobre o nosso segredo...
- Desculpe, senhor... eu não pude evitar.
- Senhorita Granger, neste envelope há um teste de paternidade do professor Snape. Ele tem um filho e ainda não sabe. Ainda não é o momento para ele saber. Por isso, eu gostaria que você ficasse com este documento. Entregue nas mãos dele quando chegar a hora.
Hermione quase tem um troço com a revelação deste segredo. Se já sentiu tristeza ao saber da morte iminente do diretor, agora a tristeza era profunda ao saber deste segredo. Ela nutria um sentimento forte pelo professor, não podia mais negar a si mesmo. Seu mundo estava desabando. Quem seria a mãe do filho dele? Uma ex aluna? Uma professora? Que chances ela teria agora?
Ela mal consegue se arrastar até o primeiro banco que encontrou, se sentou antes que fosse desmaiar. Sentia suas pernas bambas, a visão turva. Era notório que aquela notícia a perturbou mais do que queria demonstrar.
Alvo Dumbledore se senta ao lado dela.
- Está tudo bem, senhorita Granger?
- Ah... Eu...eu só estava me colocando no lugar dele. Se ele não sabe, terá um choque muito grande...
- Eu sei... e sei também que a senhorita é a aluna que mais se importa com ele. Exatamente por isso eu a escolhi para lhe entregar o envelope.
- Mas... Por que o senhor mesmo não entrega? – Ela pergunta com a voz embargada.
- Porque você é a melhor amiga do filho dele. O filho dele é Harry Potter.
- Ah? – Hermione consegue ficar mais pálida do que já estava. Agora sua cabeça zunia com tanta informação bizarra.
Após um breve silêncio, Alvo continuou.
- Severo me fará um enorme favor no dia da minha morte, ou seja, na semana que vem. Harry ficará furioso com o professor, mais do que o normal... eles nunca se deram bem, não é mesmo? – Alvo lhe dá um sorriso, mas Hermione mantinha seu rosto sério e mal respirava. O diretor prossegue com suas explicações.
- Depois da minha morte os dois se afastarão definitivamente, sem chance alguma de voltar a ter... até mesmo, a antiga e 'saudável' relação de aluno e professor. E é neste momento que Severo deverá saber a verdade. A senhorita irá procurá-lo e entregará este documento. Eu escrevi um bilhete explicando como eu soube de tudo. Quando Severo souber que é pai, tenho certeza que algo dentro dele irá mudar, e ele vai procurar Harry. Só assim os dois ficarão próximos novamente, e até arrisco em dizer que será uma verdadeira relação de pai e filho.
- Mas... mas... Hermione balbuciava tentando processar tudo aquilo.
- Eu sei, sua cabecinha deve estar fazendo mil perguntas. Vou lhe contar tudo como eu soube, desde o começo.
Alvo pigarreia, ajeita seus oclinhos.
- Quando Lílian se casou, ela já estava grávida de Harry e nem sabia. A irmã dela, Petúnia, me procurou uma vez perguntando por que o pai legítimo de Harry não ficava com a guarda do menino. Eu estranhei, é claro. Achei que estava blefando. Expliquei a ela que Harry deveria ser criado no mundo trouxa até completar seus onze anos, eram mais seguro. Eu a questionei sobre o que lhe dava tanta certeza para ela afirmar, que James não era o pai biológico de Harry. Ela me contou que na festa de despedida de solteira da irmã, todas beberam e se divertiram. Então Lílian começou a chorar, e saiu no final da festa correndo sem dizer nada. Ela foi se encontrar com Severo, que moravam próximos. Era sua despedida, ela precisava fazer as pazes com seu amigo de infância. Eles se amaram no porão da casa dos pais dele, naquele final de tarde. Foi quando Lílian engravidou alguns dias antes de se casar com James Potter. Ela não contou a James que esteve com Severo. Só sua irmã sabia, porque ela a seguiu e viu os dois juntos, quando espiou pela janela do porão. Quando Petúnia me contou, eu não quis acreditar. Segundo ela, Lílian sempre soube que o filho que esperava era de Severo. Eu notava apenas o cabelo liso e escuro como o de Severo. Na minha ignorância, não via mais nenhuma semelhança entre eles, pelo contrário, fiquei impressionado com as adversidades. Logicamente eu não queria ficar nesta eterna dúvida. Eu peguei um fio de cabelo de cada um, e mandei fazer o teste de paternidade, que está neste envelope. Sim, Harry é filho legítimo de Severo.
Após um longo silêncio, Hermione suspira.
- Nossa... eu nem sei o que dizer... Severo deve lembrar daquela tarde que esteve com ela...
- Sim, e deve ser a melhor lembrança deles... Por isso ele nunca mais amou ninguém... Severo está em luto até hoje.
- Ele ainda a ama?
- Ama a sua memória. Senhorita, quem sabe você e ele...
Hermione engole em seco.
- Não conversam? Diga a ele que bruxos tem longevidade, e que ele pode amar alguém novamente. Ele precisa ter uma nova chance de ser feliz... Cansei de lhe dizer isso, mas ele não me escuta...
- Eu também já tentei... Mas além dele não escutar uma frase se quer, ele me manda sair da sala. Eu me pergunto como me aproximar dele? É difícil, porque ele veste uma armadura...
- Não desista, senhorita Granger. Severo é como um filho para mim. Agora você tem este documento em mãos e saberá se aproximar no momento certo. Ele vai lhe ouvir assim que você disser que o conteúdo do envelope é algo que muito lhe interessa. Romperá de vez sua armadura, tenho certeza. Sei que a senhorita nutre um carinho especial por ele. Se vocês ficarem próximos algum dia, eu morro feliz.
- Ele me acha irritante...
- É uma forma de afastá-la. Algumas semelhanças com Lílian Evans são tão perceptíveis que era óbvio ele agir assim.
- O senhor me acha parecida com a mãe de Harry?
- Ambas da Grifinória, ambas inteligentíssimas, estudiosas, educadas, fisicamente parecidas... A senhorita só precisa ter paciência e não desistir.
- Eu o amo, professor Dumbledore. – Ela abraça o diretor ao revelar seus sentimentos, que sabiamente já eram conhecidos pelo velho mago.
- Eu sei, senhorita... Agora vá... Não conte nada a ninguém. É nosso segredo!
- Está bem. O senhor pode confiar em mim.
- Ah, eu confio, senhorita!
De volta a sala comunal da Grifinória, os amigos lhe enchem de perguntas.
- O que ele queria com você? – Rony se posiciona na sua frente bloqueando a passagem.
- Sobre o que vocês conversaram, Mione? – Harry foi mais sutil.
- Ah, nada demais... Quer me dar licença, Rony?
- Nada demais? Parece que você viu um defunto! - Rony se pronuncia.
- Ele só queria...
- O quê? – Os dois arregalam os olhos na expectativa.
- Saber como meus pais estavam... – Ela arruma uma desculpa de última hora.
- Como eles estão? – Harry se preocupa de imediato.
- O que aconteceu com seus pais? Você não contou nada para gente... – Rony se queixa.
- Estou sem notícias, por favor, me deixem sozinha.
Hermione se retira, vai para seu dormitório chorar.
Aquela semana que passou foi a mais difícil para Hermione. Saber que o diretor ia partir a deixava com lágrimas nos olhos. A cada refeição quando o via sentado na cadeira central do Salão, ela sabia que seria uma das últimas vezes que o veria ali. O coração apertava no peito e ela olhava para o professor Snape, na tentativa de buscar algum alívio. Queria tanto perguntar se ele já havia tentado de tudo para salvar a vida do diretor... Porém, se aproximar dele sabendo do segredo seria uma loucura. Ele a enxotaria na hora, somente o documento no envelope lhe deixaria ficar por alguns minutos a mais na soleira da porta. Ao menos até ele ler. - Quando a senhorita achar que é a hora certa... Por Merlin, quando será a hora certa? Ela não sabia, sua angústia só aumentava.
- Já terminou? – Rony pergunta espantado por ver que ela comeu tão pouco.
- Sim. Pelo visto você vai demorar... – Ela responde.
- Vão indo. Eu vou repetir e depois repetir a sobremesa também. Estou com fome. – Rony disse terminando de engolir o bolinho de carne.
- Você quis dizer MUITA fome, não é? Seu prato estava cheio até as bordas, Rony! – Harry havia reparado.
- O de sempre, Harry. Só que hoje tem as coisas que eu gosto. E depois treinar para o quadribol dá uma fome...
- A gente se encontra na sala comunal. – Harry disse, se levantando do banco.
- Até depois. – Hermione fala para Rony, e acompanha Harry.
Na escadaria Harry aproveita que estavam sozinhos e lhe faz uma pergunta.
- Dificilmente ficamos a sós. Rony não desgruda, não é?
- Sim, e posso imaginar o quanto difícil é namorar a irmã dele...
- Nem me fale! Mione, eu preciso lhe perguntar... sei que você não está bem. Tem algo que eu possa fazer?
Eu não estou bem por você, por Snape e principalmente por Alvo Dumbledore. – Ela tentou segurar as lágrimas ao pensar nisso, mas foi inevitável. Continuo caminhando e fungando.
Ainda no corredor, antes de se aproximar da porta da sala comunal, Hermione aceita o ombro amigo e desaba.
- Harry, eu preciso lhe contar parte da conversa que tive com Alvo Dumbledore no sábado. – Ela disse entre soluços.
- Se eu puder ajudar...
- Esse é o problema, Harry... Ninguém pode. Você reparou que a mão direita do diretor está escura? É uma maldição que o levará a morte rapidamente. Ele me disse que teria apenas uma semana de vida, e amanhã já é sábado de novo...
- Mas que maldição é essa?
- Uma maldição antiga que foi acionada quando ele colocou o anel de Servolo Gaunt.
- Por Merlin... Você quer dizer que ele vai morrer amanhã?
- Ele que me disse. Estou muito triste. Ele me escolheu para guardar o segredo, mas amanhã deixará de ser segredo, então estou lhe contando. Por favor não fale nada a ninguém. Nem para o Rony ou para Gina. Me promete? Não quero que ele perca a confiança em mim.
- Está bem. Só espero que você, ou melhor, que ele esteja errado.
Hermione enxuga as lágrimas e Harry fala a senha para a mulher gorda, assim que se aproximaram mais da entrada da sala comunal.
No sábado, Harry assiste tragicamente Severo Snape matar o diretor na torre de Astronomia. O pouco tempo que ficou escondido, ele soube que era função do Draco matar o diretor, e que Snape terminou o serviço, protegendo o loiro, mais uma vez.
Harry fica em estado de choque ao presenciar a cena, mas agradece a amiga que lhe contou sobre a maldição do anel. Afinal, seja qual for, deveria haver um motivo por trás do assassinato.
Meia hora depois, Harry entra na sala comunal chorando muito e conta para todos o que viu.
- Ele iria morrer de qualquer maneira. – Hermione tentava consolar os amigos.
- Snape é um assassino! – Rony gritava.
- Você não entendeu nada, Rony? Eu não acabei de dizer que Alvo Dumbledore estava condenado à morte?
- Mas...
- Hermione tem razão. Snape protegia a gente, Dumbledore sempre confiou nele, não somos nós a desconfiar... - Thomas que estava perto ouviu a conversa.
- Mas Harry... você viu ele matando, isso o faz um assassino... – Rony não se conformava.
- Deve ter um motivo maior... – Harry tentava entender.
- É claro, Harry... Draco deve ter recebido ordens de matar o diretor, mas ele vacilou. Então Snape o matou para mostrar fidelidade. Snape não é um assassino. Muito pelo contrário, se não fosse o tratamento dele, Alvo estaria morto há muito mais tempo.
- Como você sabe disso?
- Bem... Lembram que semana passada Alvo conversou comigo? Ele me contou e também disse bem assim: "Severo me fará um enorme favor no dia da minha morte".
- Você sabia? Por que não nos contou? – Rony parecia irritado.
Harry olha para Hermione, e ela podia ler em sua testa: "você não me contou sobre isso".
Hermione olha para Harry e diz:
- Como eu iria saber que o favor era esse? E depois, ele me fez prometer que não contaria nada a ninguém. Não pude quebrar minha palavra. Além do mais, isso não mudaria os fatos...
- É claro que mudaria... Nós poderíamos ter evitado aquele morcegão de matar o diretor... – Rony disse quase aos berros.
- Evitado? Rony, ele iria morrer da maldição... Ou Draco o mataria... Não mudaria nada! – Harry finalmente fez o amigo entender.
- Que horas vai ser o enterro? – Hermione quis saber.
- Não sei, será amanhã de manhã. – Rony respondeu, um pouco mais calmo.
- A escola nunca mais será a mesma sem Alvo Dumbledore... – Harry afirma.
- Eu vou ver como está a professora MacGonagall. Não demoro. – Hermione foi até seu dormitório, vestiu a capa, se certificou que o envelope estava no bolso, e saiu da sala comunal. O castelo estava em absoluto silêncio, mesmo assim ela verificou se havia mais alguém no corredor para então descer até a masmorra.
- Por Merlin, faça com que ele esteja aqui ainda. – Pensou.
Após bater três vezes na porta, Severo vai pessoalmente abrir. Ele estava branco como um fantasma, olhos vermelhos e inchados de chorar. Tinha um copo de whisky de fogo puro numa das mãos trêmulas.
- O que você quer aqui? – Ele pergunta estupidamente, sem usar a formalidade.
- Professor... eu...eu...
- Fala de uma vez, sua irritante! Veio me chamar de assassino, como o seu amiguinho?
- Senhor, eu sabia que o diretor iria morrer, ele estava condenado por causa da maldição na mão... O senhor não é um assassino.
- Então já disse. Pode cair fora daqui. – Após erguer sua sobrancelha, ele vai fechando a porta na cara da aluna. Mas ela o impede colocando seu pé para impedir que a porta se fechasse totalmente.
- Professor, me deixe entrar. Eu tenho algo que vai lhe interessar muito. – Ela pega o envelope e mostra para ele.
- O que é isso?
- Eu posso entrar? – Ela vai empurrando a porta e entrando, sem ele responder. O olhar dele fixo no envelope.
- Agora que entrou, me dê o envelope.
- Antes diga 'por favor'!
- Por favor, senhorita Granger. – Ele disse após ranger os dentes, furioso.
- Assim é bem melhor. Quero que saiba que foi Dumbledore que me pediu para vir aqui. Ele disse que neste envelope...
- Basta! Eu sei ler...
- Desculpe... Tome. – Ela alcança o envelope e sem querer esbarra na mão esquerda dele. Além de sentir a pele extremamente fria, uma espécie de corrente elétrica percorre seu corpo todo, só de tocá-lo. Suas pernas ficam bambas, ela se encosta na parede para se manter em pé.
Severo deixa o copo na mesinha e se aproxima do sofá da sua antessala. Ele rasga a parte superior do envelope, retira primeiro o pergaminho escrito e assinado pelo seu melhor amigo. Ao começar a ler, se deixa cair no sofá atrás de si. Seu rosto com pouca cor agora é completamente desprovido de sangue. Ele quase não respira. Ao terminar de ler, ele abre o resultado do exame de paternidade. Deixa cair ambas as folhas e desmorona enterrando sua cabeça entre suas pernas. Hermione não sabe onde encontrou tanta coragem, provavelmente da sua casa Grifinória, para se sentar ao lado dele. Ela coloca sua mão em seu ombro caído. Esperou alguns segundos para ouvir o berro dele mandando-a sair. Mas não houve o berro.
Sempre que Hermione fica nervosa, ela tem o dom de tagarelar. Mesmo sabendo que pisava em ovos, naquele momento não foi diferente. Ela não consegue controlar sua língua e disparava todas as suas frases ensaiadas.
- Lílian e Severo... Parabéns, seu filho é um rapaz maravilhoso. Tão corajoso quanto você! Eu também fiquei surpresa quando Alvo me contou... Harry tem o direito de saber quem é seu verdadeiro pai. Quando você pretende contar a ele? Sabe, no fundo vocês são muito parecidos... Ele é tão genioso quanto você, tem a cor do cabelo igual ao seu, e a cor dos olhos da mãe. Lílian... ela o amava muito para se entregar a você praticamente nas vésperas do casamento... Mas não entendo por que se casou com James? – Hermione se perguntava, sabendo que ele não iria responder.
Severo escutava atentamente tudo o que a aluna falava. Ele não queria admitir, mas só a presença dela deixava aquele fardo mais leve. E as palavras dela eram as que ele precisava ouvir. As dúvidas dela eram as suas. Hermione agora acariciava o cabelo dele, na altura da nuca. Ela percebeu que ele relaxou quando ela tocou ali. De repente, ele levanta o rosto banhado de lágrimas e a abraça. O abraço apertado, fez o coração dela disparar. Ela não sabia mais o que dizer, ficou muda. Ele aproxima lentamente seus lábios dos dela, os olhos negros penetrando sua alma. Ela fecha os olhos quando sente o contato dos lábios macios dele envolvendo os seus, retribui o beijo molhado. O beijo foi suave se comparado ao outro que se seguiu. Severo a empurra no sofá e a cobre com se corpo. O beijo ardente e profundo, as línguas em completo frenesi, as carícias íntimas se tornando cada vez mais ousadas. A umidade dela crescendo aos toques dos dedos e o membro dele sendo estrangulado pela calça. Com a urgência de dois amantes, eles se despem e fazem amor. Hermione era virgem e na hora da penetração seus gemidos de prazer são abafados pelo grito de dor. Severo não recuou, apenas esperou que ela relaxasse um pouco para iniciar seus movimentos, que logo seguiram um ritmo prazeroso. As paredes quentes e extremamente apertadas, fizeram com que Severo jorrasse seu líquido denso dentro dela, fazendo-a também estremecer num orgasmo quase simultâneo.
Ambos ficaram abraçados até que a respiração voltasse ao normal. A taquicardia ainda permaneceria por muito tempo.
- Desculpe. – Ele disse quando seus olhares se encontraram.
- Por quê? Eu quis tanto quanto você.
- Foi sua primeira vez. Ele olha a ponta de seu pênis com sangue.
- Eu te amo, prof... Severo Snape! – Ela conserta na hora.
- Eu sei... Eu sempre soube...
Ela o encara na esperança que ele também lhe dissesse alguma coisa, mas ele não diz nada.
- Você precisa tomar a poção contraceptiva. Venha, se veste, vamos ao laboratório.
- Tem razão, Harry não precisa de um irmão... – Ela fala zombando.
- Muito engraçadinha. Eu nunca quis ser pai de ninguém, e agora tenho um filho da sua idade!
- Veja pelo lado bom... ele já está criado, é adulto.
- Mas temos uma guerra pela frente, ele é o alvo...
No laboratório ele prepara a poção para ela, enquanto eles conversam. Hermione soube por ele o que ela sempre desconfiou. A sua coragem de ser duplo espião, as inúmeras vezes que ela protegeu Harry, mesmo sem saber que era seu próprio filho.
- Você aceitou bem a notícia. Dumbledore sabia que você aceitaria...
- Não se iluda... Eu e Harry temos nossas desavenças... Mas posso lhe dizer que este segredo da mulher que sempre amei, me deixou surpreso. Eu jamais iria imaginar que Harry é meu filho... Talvez se ela não tivesse morrido... creio que iria me contar algum dia...
- Alvo Dumbledore sabia desde 1981, quando mandou fazer o exame.
- Se ele achou que sendo criado pelos tios trouxas, seria mais seguro, poderia ter me dito quando Harry ingressou na escola...
- Na minha opinião, ele achou que Harry não seria o mesmo sabendo que o pai esteva por perto o tempo todo... Além do mais, você não poderia ser espião de Voldemort...
- Tem razão... Tudo tem causa e consequência... Transar sem camisinha também... Então, é melhor beber isso. – Severo alcança o frasco com a poção que acabou de preparar para ela.
Hermione bebe e faz uma careta.
- Ei, eu coloquei aroma de morango.
- Severo... – Hermione se aproxima dele. – O que vai acontecer agora?
- Minerva assumirá o cargo de diretora. Eu vou me afastar até o dia do julgamento.
- Mas... não vamos mais nos ver? – Ela fala com a voz chorosa.
- Melhor não... Eu ainda trabalho para Voldemort... Agora mais do que nunca eles pensam que estou do lado deles... Você e Harry precisam ficar seguros.
- Você será inocentado, não é?
- Não sei. Se eu for condenado irei para Askaban. É melhor que me esqueça...
- Nem pense nisso. Você não é um assassino, pelo contrário, até prolongou a vida dele.
- Eu sei, você sabe, mas até conseguir provar...
Hermione começa a chorar. Severo a abraça.
- Tudo vai acabar bem. Confie em mim.
- Eu sempre confiei.
- Agora vá.
- Quando nos veremos novamente?
- Quando a guerra acabar...
- E Harry? Só vai saber depois da guerra?
- Sim. Se a sua língua não contar...
- Eu prometi a Dumbledore guardar o segredo. Harry saberá quando você contar. Quais as nossas chances na guerra?
- Você pergunta demais... Eu espero que tenhamos mais do que cinquenta por cento.
- Eu te amo. – Hermione levanta seus pés para alcançar os lábios dele e o beija na despedida. Em seguida ela sai e volta correndo para a sala comunal. Se sente leve, apesar dos batimentos cardíacos ainda estarem acelerados. A esperança renovada tomou conta de sua alma. Ela fez amor com ele, quase não podia acreditar. Tornar-se mulher em seus braços era seu maior sonho antes de deixar Hogwarts. Agora, mais confiante do que nunca, ela sabia que venceriam a guerra, e torcia para que tudo acabasse logo para estar de novo nos braços do homem que aprendeu a amar.
Os meses se passaram e o dia da batalha chegou. Quando Severo Snape foi picado pela cobra de Voldemort, o trio de ouro estava próximo e ouviu tudo. Rapidamente Hermione aciona o feitiço para chegar em suas mãos os frascos das poções que ele mesmo preparou para salvar Arthur alguns anos antes. Enquanto ela dava o líquido para Severo beber, Harry apertava o local para estancar a hemorragia até que a poção anti-hemorrágica fizesse efeito. Alguns minutos se passaram e Severo com a voz fraca, disse olhando para seu filho:
- Harry, você tem os olhos da sua mãe... Se eu morrer agora, você precisa saber que eu e sua mãe...
- O senhor não vai morrer, professor...
- Eu não sou seu professor... eu sou seu pai, Harry...
- O quê?
- Sim... Sou seu pai. Não me culpe, eu também não sabia...
- Mas?
- Hermione...
- Sim, pode deixar que eu explico, meu amor...
- Amor? – Rony que estava mais atrás se aproxima rapidamente. Sua cara de espanto por saber que Harry era filho de Snape ganha proporções maiores após ouvir aquela palavra. Ele arregala os olhos e tenta em vão se iludir que ouviu errado. - Como assim, Hermione ama Snape?
- Aquela vez que Dumbledore me chamou para conversar quando estávamos na biblioteca... Lembram? Pois é... Foi quando eu soube que Severo é seu pai legítimo, Harry...
Depois de tudo explicado, Harry o abraça chorando muito.
- O senhor vai ficar bem, pai. Hermione, cuide dele. Rony, venha comigo. Precisamos derrotar Voldemort.
- Filho, tome cuidado. Boa sorte.
- Eu terei... Logo estarei na enfermaria para lhe ver. – Harry beija o rosto de Severo, chama mais uma vez por Rony que parecia imobilizado, e sai com a varinha em punho. Hermione levita o corpo de Severo até a enfermaria e fica a seu lado o tempo todo.
Naquela noite Harry derrota Voldemort, vencendo a guerra. Os três amigos comemoram na enfermaria, ao lado de Severo Snape. Logo Minerva se junta a eles e fica sabendo das novidades.
- Eu sempre desconfiei, mas Alvo nunca quis me contar a verdade... Vocês agora vão parar de se gladiarem, não é? – Ela fala com lágrimas nos olhos, abraçando um e depois o outro.
- É claro que sim... Graças a Hermione que foi me convencendo que o velhote era fiel a Dumbledore. – Harry disse entre risos.
- Velhote não... Veja lá como fala comigo... – Severo o repreende, em tom zombeteiro.
- De velhote ele não tem nada. – Hermione cora ao se lembrar da primeira vez, mal podia esperar ele se recuperar para estar nos braços dele novamente. Somente Severo entendeu a sutileza nas palavras dela.
- Já que estão todos aqui, tenho que comunicar que em breve você terá uma madrasta, meu filho...
- Madrasta? Quem?
- Eu! – Hermione fala sorrindo e abraçando Severo com cuidado por causa do curativo no pescoço.
- Hermione? Filha, não vai me dizer que vocês dois estão juntos?
- Ela não precisa, Minerva. Você acabou de dizer... É claro que estamos juntos!
- Puxa, que surpresa, Mione! Parabéns, estou muito feliz por vocês! – Harry abraça Hermione.
- Como diria Alvo Dumbledore... duas mentes brilhantes! – Minerva os abraça chorando ainda mais. Rony sai de fininho para não ser notado.
- Agora se me dão licença... – Madame Pomfrey se aproxima com algumas injeções e frascos de poções.
- Voltamos depois. – Minerva diz.
- Eu te amo, pai. – Harry beija Severo antes de deixar a enfermaria.
- Eu também te amo, meu filho!
Hermione permaneceu ao lado dele, e quando a enfermeira se afastou, Severo pegou a mão de Hermione e disse:
- Eu te amo, Hermione. Quer se casar comigo?
Fim
