Capítulo Único - Hoje e Sempre

"Mesmo durante a crise mais assustadora, quando não sei o que devo fazer, permaneço calmo, pois se você estiver ao meu lado, tudo vai ficar bem."

Quando nos encontramos, durante o ensino fundamental, éramos apenas aspirantes a delinquentes. O loiro alto, com uma tatuagem maneira chamou minha atenção, foi por estar interessado em você que aceitei ir até os mais velhos, permitindo-me exibir um pouco de minha força diante de ti.

Não posso mentir, adorei ver seus olhos brilhando de admiração por mim, Draken era legal demais para ser capacho de pessoas fracas e sem senso de moral, então o tornei meu braço direito, o primeiro membro do que se tornaria a maior gangue de Tokyo.

Depois disso, não lembro um momento da minha vida que Draken não tenha estado junto de mim, me colocando juízo. Lembro claramente das diversas vezes que ele preferiu estar ao meu lado do que junto de Emma, que obviamente se esforçava para expressar seus sentimentos, a paixão platônica que nutria pelo mais alto.

Mesmo sem a ciência de nossos segundos gêneros parecia certo Emma e Draken, assim como Takemichy e Hinata.

Eu sempre soube que você não era burro e estava ciente do que acontecia ao seu redor, das garotas que suspiravam ao seu redor, aspirando o aroma de seus feromônios, querendo chamar sua atenção a todo custo e mesmo assim… quando a verdade sobre mim se revelou, você não foi a lugar nenhum, assim como me prometeu muito tempo atrás.

Segundo gênero, não havia novidade alguma com a subdivisão baseada no sistema ABO. Muitos anos atrás, em busca de evolução médica, os cientistas buscaram melhorias corporais que fossem capazes de gerar benefícios como aumento de resistência, olfato, visão e resolver a baixa natalidade da população mundial, que em certo ponto havia entrado em colapso, pois a cada novo dia as pessoas tornavam-se mais idôneas e os jovens menos interessados em reproduzir.

Deste pensamento surgiram os híbridos de humanos e lobos, que além da prolongação da vida, deu aos homens a chance de procriar caso nascessem ômegas, dando a cada um seu cheiro único, os feromônios, além dos calorosos e dolorosos cios.

A intersexualidade tornou-se uma realidade comum, a nova anatomia, baseada não só em feminino e masculino, mas também em alfa, beta e omega. Homens com úteros, ciclos menstruais e picos hormonais, mulheres sem úteros, com o clitóris sendo o responsável pela inseminação de seu parceiro.

As mudanças anatômicas eram enormes e impactantes. Para o mundo isso poderia ser incrível, mas para jovens de uma gangue de motos, não havia vantagem alguma.

Apenas os mais fortes poderiam entrar em gangues, e isso, em suas jovens e imaturas mentes, incluía quase exclusivamente alfas. Mas não havia como ter certeza de seu segundo gênero até o teste genético no segundo ano do colegial, foi quando a vida de Mikey começou a afundar, afinal, quem iria imaginar que alguém tão forte quanto ele seria um omêga?

A verdade veio à tona não por meio de testes, entretanto, por um incidente infeliz no quarto do garoto, em um dia frio, de inverno, que tornou-se quente como o inferno para o loiro.

Janeiro - Dia 10

"Como eu poderia saber que as coisas acabariam desse jeito?"

Mikey andou tranquilo pela sua cozinha, observando Draken arrumar os lanches para comer juntos, seus hambúrgueres que tinham bandeirinhas de países, representando nações diferentes, assim como o baixinho adorava. Ninguém no mundo poderia ser mais feliz do que o loiro, os olhos brilhando e ninguém duvidaria que tinham estrelinhas ao seu redor.

— Seus feromônios estão mais doces hoje — farejando o ar, aspirando o cheiro agridoce de limão e mel, Draken murmurou, levando as bandejas para o quarto do menor.

— Você acha? Não sinto a diferença. — Dando de ombros, jogou-se nos estofados que havia espalhado no chão, sentindo muito conforto no monte de almofadas.

O mais alto estreitou o olhar, algo estava estranho, mudanças sutis no comportamento do líder da Toman que nenhum outro perceberia, mas não ele, o garoto tatuado conhecia seu melhor amigo bem demais.

— Aqui, quer começar pelos lanches salgados ou doces? — perguntou, desviando os olhos para os opacos olhos de Mikey. Estava decidido a continuar de olho e descobrir o que era aquela sensação de mudança que havia dentro de seu peito.

— Tô com vontade de comer doce, passa os pacotes pra cá! — Aproveitou da distração do outro, para agarrar os pacotes de balas que ele amava.

— Tem certeza? — Deixando os salgados sobre a cabeceira não teve tempo de completar a volta antes de Mikey já estar com a boca cheia de balinhas. Ergueu a sobrancelha em surpresa, achando graça da situação.

— Hum? — perguntou, sem conseguir proferir palavras, já que estava ocupado mordendo as balas de goma, em formato de cobrinha, que tinham o equilíbrio perfeito, em sua concepção, entre o azedo e doce, o que combinava muito com sua personalidade.

— Nada, deixa pra lá. Me dá o pacote de dentaduras da Fini — pediu, sentado ao lado, em um lugar que tivesse menos almofadas, mas perto o suficiente para continuar sentindo o cheiro gostoso que os feromônios do outro exalavam.

Sentia seu lobo inquieto, resmungando mau humorado, se pudesse vê-lo tinha certeza que o canino estaria andando de um lado para o outro, rosnando irritado e arisco. Ken sinceramente não entendia o que estava acontecendo em seu interior, geralmente ele estaria calmo, controlando suas emoções, porém, hoje algo estava diferente, Manjiro sentia a mesma coisa.

O loiro baixinho, sentia uma sensação incômoda no baixo ventre, um calor estranho se espalhando pelo corpo e um grande desejo de doces e necessidade de receber carinho lhe tomando.

— O que quer assistir? — Pegando o controle para passear pelo catálogo da Netflix, Draken pensou que talvez Disney fosse uma ideia melhor, Mikey gostava muito de assistir 101 dalmatas.

— Comédia romântica? — Chegando mais perto, de maneira discreta, ao menos acha que sim, sugeriu, sem realmente pensar sobre isso.

— Tá de brincadeira? — Com o cenho franzido olhou para o amigo, que estava quase deitado em seu ombro, o cheiro mais forte, agora pendia para o azedo, sua pergunta fazendo Mikey se afastar rapidamente.

— Então escolhe tu! — Draken realmente não estava conseguindo acompanhar as mudanças de humor do baixinho, nem a necessidade que ele aparentemente tinha desenvolvido, naquele instante, de comer chocolates, muitos chocolates.

— Que tal terminarmos nossa série?

O pronome possessivo usado no plural fez um sorrisinho — que se alguém lhe perguntasse o porquê Mikey não saberia explicar — nascer no rosto sujo de doce.

— Lembra em que episódio a gente parou? — O maia alto suspirou por conseguir trazer o bom humor para o ambiente, setando-se mais relaxado.

— Não, mas a Netflix sim. — Com o controle selecionou a série policial, onde haviam várias gangues, mas uma gangue de motoqueiros, a mais forte de todas, dominava a região metropolitana.

Eles eram os reis que ditavam as regras, um pouco próximo demais da realidade dos loiros, eles gostavam muito de assistir juntos, era uma lei só assistirem na presença um do outro, e ai de quem a quebrasse.

No meio do terceiro episódio eles tinham terminado com todos os doces e agora comiam os lanches salgados, o hambúrguer com bandeirinha tinha ido há muito tempo, e agora os pacotes de salgadinho, junto das latinhas de refri eram o prato principal.

— Não estamos comendo demais? — sentindo a barriga cheia, mas abrindo outro pacote, Draken perguntou inocentemente, assustando-se com o olhar raivoso que recebeu do amigo.

— Tá me chamando de gordo? — Manjiro se ergueu em um pulo, irritado demais com os pensamentos sem sentido que sua mente estava criando.

— O… que? Mikey, qual teu problema hoje?! — rosnou irritado.

Vendo assustado o menor se encolher, os olhos opacos passando a brilhar pelas lágrimas que se acomulavam, Draken se viu desesperado quando a primeira gota caiu, formando uma trilha para as demais seguirem.

— Mikey? — chamou, a preocupação aumentando a cada nova lágrima que corria, não lembrava de vê-lo chorando desde… desde seu irmão.

— E-eu só q-queria… snif… ser tratado bem pelo m-meu... — A conclusão da frase se perdeu quando fazendo uma careta, o garoto correu para o banheiro, sentindo algo melado escorrendo entre suas pernas, seu cheiro intenso espalhando-se por toda a casa.

A porta do cômodo foi fechada com força, o choro cada vez mais angustiado conforme ele compreendia o que estava acontecendo com seu corpo e hormônios, o porquê de seu humor estar tão instável: ele era um omêga.

E naquele momento um omêga menstruado, e no estado de muita carência.

— Manji… — Ken chamou o amigo pelo apelido carinhoso, que pouco usava, dando batidas leves na porta branca do banheiro.

Pelo cheiro azedo que exalava por toda a casa, saindo através das frestas da madeira, Sano estava muito assustado e ele compreendia, não imaginava que o loirinho fosse um omêga, o que agora era mais do que óbvio, porém, jamais deixaria-o sozinho em uma situação como aquela.

— Sai daqui! — choramingou o comando, sentindo o calor incômodo aumentando gradativamente.

Chorando abaixou suas roupas inferiores, a cueca clarinha manchada pelo sangue menstrual, precisava tomar banho, lavar as roupas, mas não tinha forças para nada disso, mal conseguia compreender as mudanças em seu corpo

— Não — respondeu sério, deixando seus feromônios espalharem-se, indo acalmar seu companheiro.

Naquele momento o mais alto conseguia sentir perfeitamente o motivo da inquietação de seu lobo, o agora descoberto alfa, estava ansioso pois sabia que o ômega estava prestes a passar por um momento delicado.

O recém descoberto ômega se sentiu abraçado pelos feromônios do amigo, que acalmaram sua crise de choro, ajudando-o a pensar melhor, sabia que precisava de Draken, como sempre precisou, e que ele não faria nada além de cuidar de si.

— Ken… eu… — Ele estava com vergonha, deixou apenas o rosto aparecer pela frestinha que abriu, Draken sabia que precisava ir com calma.

— Eu não vou fazer nada demais, só deixa eu cuidar de ti. — A voz mansa acalmou ainda mais os sentimentos desorganizados do mais baixo, que abriu a porta, estava usando apenas a cueca e as roupas de cima, sentindo desconforto por usar a roupa suja.

— O que eu faço? — As lágrimas ainda desciam pela face de Manjiro, causando um aperto no peito do maior.

Com calma Draken segurou o rosto pequeno, fazendo carinho suavemente, secando as lágrimas no processo.

— Primeiro: vá tomar um banho, vamos lavar sua roupa e eu vou comprar algumas coisas na farmácia — ditou tranquilo, demonstrando não estar afetado com a situação repentina.

Ryuguji ajudou o loirinho a tirar as roupas, tentando não olhar tempo demais para nenhum lugar específico. Se afastou para ligar o chuveiro, assegurando-se de manter aquecida no ponto certo.

— Aqui, vou deixar o celular na pia, qualquer coisa me liga, eu volto rápido — disse apressado, recolhendo as roupas do chão. Mikey entrou, ainda usando a roupa íntima, e sentiu o coração aquecido por tamanha demonstração de carinho.

Jamais se imaginou em uma situação como aquela, muito menos sendo aceito por Draken.

Ryuguji Ken estava parado diante da estante de absorventes, na farmácia em que seus amigos trabalhavam, procurando o com abas diário e outro noturno com abas. Normalmente um alfa estaria perdido diante de tantas marcas e possibilidades, mas Draken cresceu cercado de ômegas, sabia quais eram os mais confortáveis.

Pegou dois pacotes, remédios para cólica, um para febre e seguiu para o caixa, onde uma senhorinha mostrava suas receitas.

— Ajudando sua irmã? — Atrás de si, um senhor perguntou, estava próximo demais, o que incomodou o jovem.

— Não — respondeu seco, voltando a prestar atenção no que acontecia diante de si, a idosa precisava de uma quantidade considerável de medicamentos, levaria um tempo.

— Se ela precisar de ajuda… de alguém experiente. — Draken sentiu a veia em sua testa pulsar, só de imaginar alguém nojento como aquele velho chegando perto de Mikey a raiva borbulhou em seu âmago.

— Ele não precisa da ajuda de um velho pervertido. — Voltou os olhos para o adulto, rangendo os dentes para controlar a vontade de rosnar, soltando feromônios, queria colocar o homem em seu lugar.

— Pelo cheirinho vindo de sua roupa ele precisa de muita ajuda e tá na cara que um moleque como você não sabe como fazer — Aquilo já era demais. Ken não se importou em rosnar, mostrando os caninos, o que chamou atenção do atendente da farmácia.

— O que você está fazendo aqui?! — Indignado, o omêga, Mitsuya, passou pela portinha do balcão, atrás dele vinha um alfa irritado, os olhos escuros transbordando de ódio.

— Vim comprar remédios, óbvio — ditou irônico, só aumentando a raiva dos três jovens perto de si.

— Você foi expulso desse ambiente, senhor — Hakkai rosnou o substantivo comum, forçando a palavra educada a soar de maneira rude.

— Saia, antes que eu deixe esses dois acabarem com você e chama a polícia, de novo! — O ômega ameaçou, aproximando-se para pressionar o dedo indicador contra o peito do mais velho, os olhos faiscavam raivosos — mas dessa vez vou garantir que você durma na cadeia, junto daqueles caras que você deve dinheiro.

— Moleques intrometidos — Com medo de ter as ameaças cumpridas, decidiu sair do lugar.

Draken sorriu agradecido para os amigos, sentindo muito alívio só por estar na presença do ômega de cabelos roxos clarinhos, ele demonstrava uma imagem tranquila e positiva, o oposto de segundos atrás.

— Desculpe por isso, Draken, aquele cara vive causando encrenca. — Estendo a mão, sorriu doce, dando um aperto firme de mão como cumprimento, não querendo abraçar ninguém que estivesse fedendo a feromônios.

— Na verdade vocês me impediram de matar ele — passou os pacotes para o lado, devolvendo o aperto, virou para o outro rapaz, mais alto e com um corte, que achava muito maneiro,de cabelo.

— Passa no meu caixa, Mitsu, termina com a Mizu-chan?

— Ah, sim! Não quero que seu ômega fique esperando — respondeu, sem querer intrometer-se no quesito "qual ômega?", Ken iria contar quando estivesse a vontade, mesmo que Mitsuya soubesse quem era apenas pelo cheiro.

O garoto voltou a atender a idosa, que sorriu feliz para o mais novo.

— Sempre tão cheio de energia, Mitsuya-san — a idosa disse rindo, acostumada com a constante necessidade de expulsar o alfa irritante que vivia incomodando, era um milagre Hakkai não ter enchido de socos.

— Eu preciso cuidar da senhora. — devolveu, virando para pegar uma sacola de papel, colocando os remédios, fechando o pacote com fita adesiva. — Aqui, havia sua filha que as receitas precisavam ser renovadas para o mês que vem.

— Ele está bem? — Hakkai perguntou, sentindo um certo receio de tocar no assunto, Draken suspirou.

— Emotivo e com medo, mas bem. Vou cuidar dele.

— Acho bom, se meu capitão aparecer magoado… você vai se ver comigo, Ken! — O aviso era verdadeiro e se fosse Baji ali seria muito pior.

— Eu sei, só não espalha a notícia.

— E eu tenho cara de fofoqueira?

— Você realmente quer uma resposta? — A pergunta veio de Mitsuya, que estava parado, com os braços ceuzados, e um olhar divertido para os dois.

Mitsuya havia se revelado ômega de maneira precoce, quando precisou tomar conta dos filhos de sua mãe, o instinto paterno fez suas características aflorarem, ajudando-o a cuidar de suas irmãs, seu lobo interior adotando emocionalmente as meninas.

Mikey se recusou a sequer pensar na possibilidade de expulsar o amigo, e membro fundador, de sua gangue, apesar dos protetos dos outros ele manteve-se firme e determinado.

Ken desejava que Manjiro tivesse a mesma força para se manter no comando.

Draken saiu da farmácia repassando algumas coisas, além de Mitsuya havia apenas outro ômega na Toman, um muito chorão e problemático ômega, Takemichi Hanagaki, aquele de fato era uma exceção que poucos entendiam.

Não havia dúvida de que o garoto chorão iria fazer os exames e resultar como ômega, era só olhar para ele

Takemichy não é forte, vive apanhando e chorando, mas é uma das pessoas mais leais que Mikey e Draken conheceram em toda a vida. O loiro demonstrava seu valor a todo custo, mesmo que isso signifique apanhar até desmaiar, ou ganhar uma luta usando os dentes.

— Ômegas não são fracos — disse para si, enquanto andava com as mãos descansando em seus bolsos.

Esse era um conceito concreto que Ryuguji já havia firmado em sua mente há algum tempo, crescer em um lugar repleto de mulher, ômegas, betas e alfas, tinha lhe ensinado muitas coisas, principalmente sobre a força do sexo mais fragil, que de frágil não tinha nada.

— Mikey, tadaima — deixando os sapatos na porta, entrou, ouvindo o chuveiro ainda ligado, franziu o cenho, deixando as comprar sobre a mesa, seguindo apenas com o pacote roxo de absorventes.

— Manji? — chamou, abrindo a porta lentamente, caso o outro mandasse ele sair. Encontrou o loiro sentado no chão, a água caindo sobre o corpo pequeno.

— Ken? — ergueu os olhinhos, sentindo-se tristonho, viu o outro fechar o registro, o puxando para se erguer, envolvendo-o com a toalha felpuda e escura.

— Senta aqui — como um pacotinho, deixou Mikey sentado, ajustando o absorvente na cueca do outro.

Sem dizer uma palavra, vestiu o outro com roupas quentinhas e confortáveis, secou o cabelo e colocou meias em seus pés. Ken sorriu ao ver que ele quase dormia, se permitiu mimar um pouquinho mais, pegando-o no colo.

— Trouxe alguns remédios para dor, chocolate e algo que sua mãe vai te explicar como usar depois — ditou, deixando o corpo cair sobre as almofadas, envolvendo-o com uma manta leve.

— Obrigado — após longos segundos em silêncio, Mikey agradeceu, encolhendo-se como uma bolinha.

— Ainda não terminei —murmurou, indo rapidamente até a sala, voltando com mais doces e chocolates, deixaria o sorvete para outro dia, quando não estivesse presente.

Voltou para o quarto, dessa vez deitando nas almofadas junto do outro tri, seu lobo tinha a necessidade de estar próximo, sentindo os feromônios, os braços lhe envolvendo, a cabeça repousando sobre seu peito.

Os loiros se grudaram o máximo que podiam, sentindo que era o certo, sem explicações ou complicações, apenas precisavam do contato, do cuidado, catinhoa e afeto.

— Quer assistir 101 dalmatas, ou Hora de aventura? — falando baixinho, para não quevrar o clima agradável, Draken perguntou, ganhando como resposta um resmungo:

— 101 dalmatas.

— Então vai ser esse.

Mikey não sabia explicar como se sentia grato, o filme havia terminado há algum tempo e agora ele assistia Draken dormir, basicamente deitado sobre o corpo do maior, sentindo o peito subir e descer conforme ele respirava profundamente.

— Ele ainda está aqui — disse em um sussurro, sem acreditar que apesar do que ele havia se revelado ser, Ken ainda estava conseguindo.

— Eu não estaria em nenhum outro lugar — abrindo os olhos calmamente, Draken fitou o amigo, ainda estava sonolento, por isso permitiu-se abraçar o corpo menor, trazendo-o para mais próximo de seu rosto.

— Você poderia…

— Mas não quis, eu cumpri com a minha palavra, sempre vou estar presente — Mikey ficou em silêncio, absorvendo as palavras. Não gostava de ser emocional diante das pessoas, mesmo que a pessoa em questão fosse seu braço direito, o ser humano em que ele mais confiava.

— Antes de eu… sabe

— Ir ao banheiro — disse, ajudando-o a encontrar as palavras, o garoto confirmou, respirando fundo para continuar.

— Eu estava dizendo algo, bom, meu lobo estava dizendo algo, ou eram os hormônio. Eu não tenho muita certeza sobre isso — A confusão do loiro tirou um pequeno sorriso de Ken, que ajeitou-se melhor para poder ouvir.

— Qual parte?

— Sobre querer algo do meu… meu alfa — soltou a fala de uma só vez, atento às reações de Draken, que pendeu a cabeça para o lado, compreendendo o que Mikey queria dizer.

— Acha que… somos destinados?

— Talvez? — devolveu a pergunta, sentindo-se impaciente com suas emoções — Minha certeza é que me sinto confortável com essa ideia.

— Manji… se você me pedir, se for contigo, eu te dou minha marca!

Aquelas eram palavras poderosas demais, que causaram um descarga elétrica no corpo de Mikey, seu lobo suspirando de satisfação. Sentia que seu rosto estava quente, corado pela alegria que acelerava as batidas de seu coração.

— É uma promessa? — perguntou, escondendo o rosto contra o pescoço alvo, aspirando o cheiro agradável, buscando um meio de acalmar suas emoções.

— Hoje e sempre.