Oi pessoal, tudo bem? Antes de começar esse capítulo vou responder algumas perguntas que recebi e podem ser a dúvida de outros leitores também:
- É uma fic Beward e meu objetivo não é trazer nenhum grande drama, nem separá-los em algum momento. Claro que teremos alguns dias piores que os outros, afinal, tudo gira em torno de um relacionamento, mas não se preocupem que tudo se acerta :)
- A história vai e volta no tempo, pode ser que isso aconteça em todos os capítulos ou não, depende de como as coisas desenrolarem, mas sempre estará sinalizado.
- O tempo passado varia entre 2014 e 2018, e o presente é 2019.
Outubro - 2014
Já era noite em Seattle e o tempo fechado ameaçava uma tempestade. O trabalho com Rosalie já havia acabado há algum tempo, mas meu pai estava atrasado para me buscar, mais uma vez. O chefe Swan estava envolvido em algum caso importante naquela semana e não conseguia ser pontual, ao mesmo tempo que não permitia que eu pegasse o ônibus para casa. Não é seguro, ele dizia.
Sentada no hall do prédio comercial, ouvi ao fundo quando a porta do elevador abriu e minha chefe saiu falando ao celular.
- Estou te esperando na porta, venha logo que ainda tenho muito a fazer hoje! - falou em uma voz não muito agradável. Quem quer que estivesse do outro lado da linha tinha conseguido irritá-la - Oi Bella, ainda está aí! - saudou quando me viu.
- Oi Rose, estou esperando meu pai chegar.
- Bom que você me faz companhia - respondeu, sentando ao meu lado no sofá - O imbecil do meu irmão marcou há uma hora e está chegando só agora com documentos que preciso para finalizar a programação daquele evento da fundação. Como se tivéssemos todo tempo do mundo!
Edward Cullen, o irmão mais novo da minha chefe. Além de lindo, já tinha jogado todo seu charme em mim algumas vezes desde quando comecei a trabalhar aqui. As outras estagiárias se mordiam de raiva enquanto tentavam chamar sua atenção, e eu apenas fingia ignorá-lo.
- Quem chega primeiro, seu irmão ou meu pai? - perguntei, depois de um tempo.
- Se Edward não estiver aqui em 60 segundos eu vou riscar toda a lataria daquele Volvo estúpido! - ela se colocou em pé, andando de um lado para o outro.
Vi o segurança na parede a esquerda conter uma risada. Todos ali já estavam acostumados com o temperamento dela.
- O que disse, Rosalie? - uma voz surgiu por trás de nós. Senti um arrepio estranho percorrer meu corpo.
- Ah, finalmente! Vamos, me dê esses papéis logo - ela pediu, mas seu irmão não parecia disposto a entregar tão fácil e levantou o braço a uma altura que ela não alcançava - Edward, me dê esse envelope.
- Não sem antes pedir desculpas pelo que acabou de dizer sobre o Volvo - ele ficava tão bonito rindo daquele jeito - Boa noite, Isabella - se virou para mim, apenas acenei com a cabeça. Como podia ser tão lindo?
- É só um carro, papai mandará consertar quando souber o motivo dos arranhões.
- Continue tentando, irmãzinha.
Rosalie não era uma mulher de estatura baixa, ela devia ter, pelo menos, um metro e setenta - o que já a tornava maior que eu, com míseros um e sessenta, mas Edward era enorme. Eu não tinha certeza, talvez ele estivesse próximo de dois metros.
Os dois pareciam crianças naquele momento e ela começava a ficar mais irritada. Talvez o pobre Volvo não sobrevivesse, afinal.
No meio do joguinho entre irmãos meu celular apitou com uma mensagem.
De Charlie Swan: Desculpe, querida. Não vou conseguir sair da delegacia tão cedo. Quer que envie uma viatura para te buscar?
Só o pensamento de andar pela cidade em uma viatura me apavorava, significava que muitas pessoas prestariam atenção em mim.
Enquanto tentava pensar em algo, não percebi que Edward havia encerrado a brincadeira e o envelope de papel pardo estava nas mãos de Rosalie agora.
- Muito bem, avise ao Volvo que ele sobreviverá a essa noite - ela decretou.
- Vai ficar aqui até que horas? Mamãe não gosta quando você falta no jantar.
- Graças ao seu atraso, ficarei mais um tempo por aqui e provavelmente levarei trabalho para casa - ela revirou os olhos ao dar a resposta - Mas não se preocupe, Emmett virá e jantaremos juntos em casa hoje.
Foi a vez de Edward revirar os olhos.
- Ótimo, mais uma noite sem dormir por causa de vocês dois. Ai, Rosalie! - não consegui segurar a risada quando ela bateu com o envelope no braço dele.
- Tenha respeito, tem duas mulheres no recinto! Aliás, Bella, quer que o Edward te dê uma carona? Sua casa é caminho, não?
Minha risada sumiu quando ela sugeriu isso. Rosalie sempre dava indiretas quando Edward e eu estávamos próximos, e eu sabia muito bem onde ela queria chegar. Era só o que me faltava, realmente, a estagiária saindo com o irmão gato da chefe.
- É melhor não, Rose - neguei sua sugestão.
- Por que não, Bella? Seu pai está atrasado e além do mais, Edward não vai te morder - ela riu.
Pensei ter ouvido um "só se ela quiser", mas não consegui ter certeza.
Eu tinha duas opções naquele momento: pedir um táxi ou ir embora em uma viatura da polícia de Seattle. Não havia terceira, certo?
- Vamos, Isabella, que mal pode ter em uma carona?
Ótimo, agora ele estava se divertindo às minhas custas.
- Obrigada pela oferta, Edward, mas é melhor que eu peça um táxi - tentei me esquivar. Rosalie me queimava com os olhos. Isso não dava justa causa, né? Não poderia dar.
- Tudo bem, se prefere assim. Mas o convite está feito, quando quiser sabe como me avisar - piscou. Ele piscou para mim.
Assenti, tentando ignorar o duplo sentido na frase. Eu sabia exatamente de qual tipo de convite ele estava falando.
Desde o primeiro dia que coloquei os olhos em Edward Cullen eu queria muito podertocá-lo e ter certeza que tudo aquilo era de verdade, Deus realmente tinha seus preferidos e ele era um deles. Mas algo em mim gritava que era errado, que era um grande erro me envolver dessa forma com alguém do trabalho - porque, querendo ou não, ele estava ligado ao meu trabalho. Trabalho esse que eu lutei muito para conseguir e arriscar tudo apenas para beijar aquela - linda - boca não me parecia uma boa ideia. Quem você está querendo enganar, Bella? É óbvio que beijaria esse homem agora mesmo se pudesse.
Antes que eu pudesse pensar em mais alguma coisa, meu celular tocou.
Charlie Swan.
- Com licença - pedi - Oi papai.
- Oi querida, não viu minha mensagem?
- Na verdade não - menti - Estava ajustando algumas coisas com Rosalie.
- Ah sim, tudo bem - ele provavelmente não acreditou, eu não era uma mentirosa tão boa assim - Eu apenas disse que não vou conseguir te buscar e sugeri que algum dos meninos da delegacia fizesse esse trabalho. O que acha?
- Não precisa, papai. Peço um táxi daqui e vou para casa.
- Tem certeza? Sabe que não gosto que fique andando sozinha à noite pela cidade.
- Tenho certeza, fique tranquilo.
Me despedi de Charlie ao telefone e voltei para os dois irmãos que continuavam na minha frente. Eles não tinham nenhum trabalho a fazer?
- Eu realmente preciso ir - anunciei.
- Tem certeza que não vai reconsiderar a carona? - minha chefe insistiu mais uma vez. Isso não deveria se enquadrar como algum tipo de abuso de poder?
Enquanto eu tentava resistir à proposta, foi a vez de Edward pedir licença e se afastar para atender o telefone.
- Por favor, Bella! É só uma carona. Sabe que sou team Beward desde o primeiro dia! Se for horrível você pode me cobrar um dia todinho de folga, prometo!
Era jogo baixo mas a ideia tinha acabado de ficar mais tentadora, os estagiários não tinham dias de folga porque nossa carga horária já era menor. Mas calma aí, o que era Beward?
- Beward?
- A junção dos nomes de vocês, oras!
- Com todo respeito, Rosalie, você enlouqueceu.
- Vá com ele, eu juro que não vai se arrepender. Confie na sua chefe, Bella! - ela sorriu - E, além disso, é muito mais seguro que pegar um táxi sozinha essa hora.
Não tinha mais o que ser discutido ali, eu tinha perdido. Era melhor aceitar logo a carona.
- Mamãe estava perguntando quanto tempo ainda vamos demorar - disse Edward quando retornou.
- Disse que vai se atrasar também? Você levará a Bella para casa hoje.
- Vou? - ele perguntou confuso.
- Vai! Ela acabou de aceitar a carona, já podem ir antes que essa chuva desabe. Me agradeçam mais tarde e tente não se atrasar muito!
Sob os olhares atentos de Rosalie, Edward pegou minha bolsa do sofá e me conduziu para fora do prédio. Eu juro que ela saiu dando pulinhos de alegria até o elevador. Já eu, não conseguia decidir se estava animada para o que aconteceria em seguida.
Ele abriu a porta do carro para mim e eu tive cinco segundos para me controlar até que ele tomasse seu lugar no banco do motorista e desse partida.
- O trânsito está caótico hoje, acho que vamos demorar um pouco mais que o esperado - disse, após colocar meu endereço no GPS do seu celular.
- Tudo bem por mim, tenho certeza que será mais rápido que esperar um táxi.
Edward não respondeu e eu fiquei tentando adivinhar o que se passava na mente dele. Será que de fato ele queria alguma coisa comigo ou suas investidas eram só um joguinho para inflar seu ego?
- Então, você não recebeu nenhum dos meus recados? - perguntou, quando finalmente conseguimos sair da rua travada e entrar na avenida, que também estava congestionada. Sério, universo?
- Que recados?
- Todos os que deixei na sua mesa no último mês.
- Os post-its com seu celular? - ele continuava olhando para frente, mesmo que o trânsito não se movesse, mas balançou a cabeça - Eu recebi.
- E não pensou em fazer nada?
Eu tinha pensado em salvar aquele número no meu celular, mas acabei guardando um dos post-its em algum lugar.
- Bom, eu não joguei fora. Mas também não tinha certeza se era sério ou só um joguinho seu.
- Que tipo de joguinho seria te dar meu número? - agora ele me olhava incrédulo - Essa é nova pra mim.
- Então você dá seu número para todas? - provoquei.
- Você consegue imaginar o que aconteceria se meu número se espalhasse por aí? Eu jogaria essa crise direto no colo da Rosalie… Ou no seu.
- Certo, terceiro solteiro mais cobiçado de Washington - debochei - Você fica escrevendo seu número por aí e eu teria que resolver esse problema?
- O segundo, se você levar em consideração a edição deste ano. - agora ele também estava se divertindo - Isabella, eu não saio distribuindo o número do meu celular por aí, mas não tenho dúvidas de que você conseguiria contornar uma crise dessas.
- Me chama de Bella - pedi - E o que você entende de gerenciamento de crises?
- Você já passou uma hora inteira com a minha irmã? Isso é tudo que ela fala.
Nós rimos e os carros escolheram aquele momento para andar mais um pouco, mas ainda estávamos na mesma avenida. Abri minha boca para falar alguma coisa, mas o aplicativo de GPS praticamente gritou nos nossos ouvidos: Acidente reportado à frente. Suspiramos juntos.
- Já que não vai me responder o que pretendia fazer com o número, posso perguntar sobre você? - me perguntou quando o silêncio ficou incômodo, assenti - Quer falar sobre seus pais?
Ok, eu poderia falar sobre isso sem me preocupar.
- Meus pais são separados desde quando eu era bebê. Minha mãe, Renée, é professora de escola primária, hoje ela é casada com o Phil, um ex jogador de basebol. Os dois voltaram a morar em Forks, onde eu nasci. Meu pai, Charlie, é delegado, mas você já sabia disso - ele riu e concordou com a cabeça - Ele se casou há alguns anos com a Sue e os três filhos dela vieram morar com a gente. Eu sempre fui filha única, gostei de ter irmãos e pertencer a uma família grande.
- Você sempre morou com seu pai? Isso é meio incomum, não?
- Meus pais costumavam compartilhar minha guarda, então eu ficava dividida entre as duas casas. Acho que é incomum, mas quando minha mãe decidiu voltar para Forks eu quis ficar com ele. Sue, Jacob, Leah e Seth já eram da família, estávamos acostumados com a presença uns dos outros e eu não precisava dividir o quarto, então foi fácil - contei - O que mais quer saber?
Edward parecia genuinamente interessado nas minhas respostas. Ele perguntou sobre a minha infância como uma criança filha de pais separados, sobre Forks e como viemos parar em Seattle, sobre a faculdade e o que eu gostava de fazer no tempo livre entre trabalhar e estudar. Perguntou se eu já tinha me envolvido romanticamente com alguém e se estava comprometida naquele momento, eu respondi que sim e não, mas fiquei aliviada quando ele não quis saber mais detalhes.
Ao finalmente entrarmos na rua em que eu morava, quase trinta minutos depois de sair do escritório, estávamos conversando sobre como eu era péssima em esportes e ele havia sido o destaque do time de handebol na escola.
- Está entregue - ele disse quando estacionou o carro em frente a casa de Charlie, que percebi ainda não ter chego do trabalho - Espero que tenha aproveitado a companhia.
Estiquei a mão para soltar o cinto, mas ele teve a mesma ideia e nossas mãos se tocaram ali. Novamente senti o arrepio de mais cedo.
Levantei a cabeça para agradecer antes de sair do carro e ele estava perto demais, nossos narizes quase se tocavam.
- Eu quero muito fazer uma coisa - Edward disse, se aproximando mais - Se você não quiser, essa é a hora de falar.
Eu não consegui responder e também não sei exatamente a ordem dos próximos acontecimentos, mas sei que no segundo seguinte ele encostou os lábios nos meus. No começo foi um beijo calmo, quase como se ele ainda pedisse permissão, só que eu não estava mais afim de esconder que também queria aquilo.
Coloquei uma das mãos em seu pescoço e com a outra o puxei para mais perto, se não estivéssemos dentro do carro eu poderia ter colado nossos corpos. Era maravilhoso finalmente beijar Edward Cullen, e como ele conseguia beijar tão bem? Com esse pensamento, deixei minha mão descer pelo cabelo dele até a nuca, tentando nos aproximar ainda mais - como se fosse possível.
- Se você continuar puxando meu cabelo desse jeito, serei obrigado a acabar com essa distância e te pôr no meu colo - disse, quando nos separamos para respirar. Era uma ideia, no mínimo, tentadora. Puxei de novo - Isabella…
Nos beijamos mais uma vez, ele não cumpriu a promessa mas nossas mãos estavam em quase todos os lugares que podiam.
- Eu queria muito continuar, mesmo, mas estamos em frente a minha casa e meu pai pode chegar a qualquer momento, acho que não seria agradável se ele nos encontrasse aqui.
Edward riu, mas me soltou e acendeu a luz interna do carro. Aproveitei para dar mais uma olhada nele: seu cabelo estava mais confuso que o normal, a camisa branca toda amassada e os lábios vermelhos. Uma pontada de auto estima subiu em mim, eu fiz aquilo com ele.
- Gosta da vista? - perguntou. Acho que olhei demais.
- Você está uma confusão - respondi - Imagino que sofrerei uma inquisição da Rosalie amanhã se você chegar assim em casa.
- Você não está muito diferente - apontou para o pequeno espelho do quebra-sol. Tudo no meu rosto e cabelo gritava que eu tinha dado uns amassos. Incrível - Aliás, posso ter seu número agora?
Ele poderia facilmente conseguir meu celular com a irmã a qualquer momento, mas por algum motivo esperou que eu desse. Eu poderia estar procurando motivos para gostar dele, mas decidi que não resistiria mais e gravei meu número na agenda dele.
Nos despedimos com mais um beijo e sai do carro para entrar em casa antes que meu pai chegasse e nos pegasse ali.
Infelizmente, não consegui evitar os olhares curiosos quando passei pela sala. Jacob e Seth tentavam disfarçar que estavam me espiando pela janela e Leah ria da tentativa frustrada dos irmãos.
- Devemos saber de algo? - Seth perguntou, num tom quase sério.
- Não tem nada para saber, pirralho.
Subi a escada em direção ao quarto, recebendo uma notificação no celular quando fechei a porta.
De: Edward Cullen
Obrigado pela noite, repetiremos em breve? ;D
De: Isabella Swan
Quem sabe um dia…
Já chegou em casa?
De: Edward Cullen
Quase lá.
Me diga data e hora...
De: Isabella Swan
Não deveria mandar mensagens e dirigir ao mesmo tempo, não tem como repetir se vc estiver em um hospital -_-
De: Edward Cullen
Só respondo quando o trânsito para, sra. fiscal. Você se daria muito bem com a minha mãe!
Então quer dizer que vamos repetir se eu me mantiver seguro? Essa é sua condição?
De: Isabella Swan
Deixo essa pra vc imaginar 😚
Ele parou de responder, então imaginei que ainda estivesse dirigindo.
Mas depois daquela noite, nós nunca mais paramos de trocar mensagens.
Fevereiro 2019
Olhei o relógio na parede da sala de reuniões pelo que deveria ser a décima vez em quinze minutos. O cliente não parava de falar de como seu novo plano de divulgação era melhor que o que fizemos no ano passado e ele estava empolgado para começar logo. Rosalie não podia cortá-lo porque seu contrato era alto e ela também adorava receber elogios, mas eu não aguentava mais aquela falação chata.
Coloquei o celular embaixo da mesa e escrevi uma mensagem para ela.
De: Isabella S. Cullen
Manda esse cara embora logooooo, não aguento mais ouvir as mesmas palavras em looping eterno.
Seu celular vibrou e ela deu uma risada disfarçada de tosse antes de me responder. O homem de meia idade continuava falando.
De: Rosalie Cullen
Se acalme, ele já vai.
Quer almoçar depois daqui?
De: Isabella S. Cullen
Não consigo me acalmar com meu peito explodindo.
Você cuidará de mim se isso virar uma mastite.
E aceito o almoço, por sua conta depois dessa.
O sorriso sumiu dos lábios dela quando leu a mensagem.
De: Rosalie Cullen
Está muito ruim? Eu vou arrumar um motivo para encerrar logo, tinha esquecido completamente que você precisa tirar leite. Me desculpaaaa :(
Ela digitou mais alguma coisa no celular e logo alguém bateu na porta. Obrigada, universo.
- Com licença, Rosalie, você me pediu para avisar quando estivesse na hora daquele almoço com outro cliente… - Bree, a estagiária, falou - Faltam quinze minutos.
- Obrigada, Bree. É uma pena, senhor Stone, mas teremos que deixar a conversa para outro dia.
- É realmente uma pena, senhorita Cullen. Podemos nos falar mais tarde por telefone para alinhar os últimos detalhes? - o homem não largava o osso mesmo, céus.
- Hoje meu dia está cheio. Peça para a senhorita Tanner marcar um horário e falamos, sim? Tenho certeza que nosso projeto será um sucesso, mais uma vez.
Cinco anos e eu ainda achava incrível a capacidade dela de convencer alguém. Não que fosse muito difícil com os homens, eles só faltavam se arrastar atrás dela mesmo com um anel gigantesco à mostra em seu dedo, mas ela tinha esse poder com qualquer pessoa.
Acompanhamos o cliente mais chato do dia até o elevador e voltamos para dentro, não sem antes passar na mesa da estagiária e avisá-la para não direcionar nenhuma ligação dele naquele dia.
- Bree, se o Stone ligar me procurando hoje invente uma reunião diferente por hora, pelo menos, ok? Não vou discutir todas as vírgulas desse projeto de novo só porque ele é carente - a garota riu, mas concordou com a cabeça - Eu e Bella vamos pedir alguma coisa para o almoço, já está liberada se quiser ir também.
Não tinha nada no mundo que animasse mais qualquer estagiário do que ser liberado mais cedo para o almoço e eu falo por experiência própria, tanto que a garota só faltou pular na cadeira. Bree tinha dezoito anos e estava trabalhando conosco há quase um ano, ela me lembrava muito de mim quando mais nova, com exceção de que não tinha ninguém para encher o saco dela dizendo que era privilegiada por namorar com o irmão da chefe.
- No que está pensando aí? - Rosalie perguntou, quando estávamos sentadas no sofá da sala dela - Eu nem sei como você consegue pensar em algo com o barulho dessa coisa - apontou para a bomba que eu usava para tirar leite.
- É costume, um dia você vai me entender - pisquei - Só estava pensando em como as estagiárias, principalmente Bree que está mais próxima a nós, têm sorte de não ter uma Lauren Mallory para fazer fofoca da vida delas. Você se lembra de quando aquela piranha mexeu no meu computador para encontrar qualquer indício de que você me privilegiava no trabalho por ser a namorada do Edward?
- Todo mundo deu graças a Deus no dia que decidi demitir aquela menina. Ela poderia namorar com o Presidente que não ficaria aqui, além de fofoqueira não era uma boa profissional.
Rosalie praticamente expulsou Lauren do escritório quando soube que ela não saia para almoçar fora como todos porque ficava tentando acessar os computadores dos outros funcionários em busca de algo que pudesse usar contra mim. Eu respirei aliviada naquele dia, parecia que uma nuvem carregada tinha saído de cima de todos nós.
- Você sabe onde ela está agora? - perguntei.
- Escrevendo para algum blog de fofocas, bem a cara dela. Me ligaram há alguns meses porque ela mantém a experiência aqui no currículo. Apesar da péssima recomendação que dei, parece que ela conseguiu ficar lá - Rose disse com certa diversão na voz - Ela era louca para sentar no Edward, aí você apareceu e acabou com os sonhos da pobre Lauren. Podemos culpá-la por tentar? - riu.
- Eca, Rose! Eu não precisava saber desse detalhe - respondi, rindo também - Parece que me dei melhor que ela, não? Eu que estou sentada aqui almoçando com você enquanto tiro leite para minha filha com o Edward.
O resto do dia passou entre uma reunião e outra, com vários clientes querendo apresentar ideias e pedindo orçamentos para novos projetos. Minha rotina estava voltando ao normal, com a adição das paradas para tirar leite nos intervalos, mas era isso ou ter problemas mais tarde e dias antes eu já tinha tido uma amostra de como um princípio de mastite era horrível.
Eram quase cinco da tarde quando recebi mensagens de Edward, a última havia sido antes da reunião interminável e do almoço.
De: Edward Cullen
Oi maravilhosa, como foi seu dia?
O meu foi dentro de um centro cirúrgico. Acabei de sair de uma operação de seis horas, estou exausto mas acho que salvamos o garoto sem grandes complicações
Consegue sair mais cedo hoje?
De: Isabella S. Cullen
Oi, meu amor.
Foi normal, tudo certo por aqui.
Vou tentar sair mais cedo, quer conversar sobre o que aconteceu?
De: Edward Cullen
O de sempre.
Você sabe como atender crianças acidentadas ficou muito mais difícil depois da Liz, nós nunca conseguimos proteger todos.
Só preciso de um tempo.
De: Isabella S. Cullen
Espera aí, vou mandar um vídeo da Elizabeth para alegrar sua tarde! Ela está comendo a mão agora.
Encaminhei o vídeo que recebi de Kate mais cedo. Elizabeth estava sentada no seu tapete de atividades e zero interessada no mordedor que a babá oferecia, porque sua mão parecia muito mais apetitosa. Ela se concentrava por alguns segundos e depois trocava para a outra mão, o vídeo terminava com ela muito feliz por ter conseguido sujar todos os dedos com sua baba. Nós sabíamos que isso era parte curiosidade e parte pelos primeiros dentes que estavam começando a nascer.
De: Edward Cullen
Eu juro que tenho vontade de exibi-la por aí e gritar pro mundo todo que minha filha é o bebê mais esperto de todos.
Obrigado por isso.
Te amo, nene.
De: Isabella S. Cullen
Estamos juntos nessa.
Até já já.
Terminei de enviar alguns e-mails, olhei a agenda para me certificar que não tinha nada mais pendente naquele dia e mandei outra mensagem para Rosalie, avisando que estava saindo. Juntei todas as minhas coisas e fui para o carro, rezando para não pegar trânsito. Claro que não fui atendida e demorei mais que o normal para chegar em casa. Encontrei Kate na cozinha e o apartamento em silêncio quando entrei.
- Oi Kate, cadê meu neném? - perguntei, enquanto guardava os copos com leite no congelador.
- Capotou de sono depois de brincar a tarde toda, não quis nem a mamadeira antes de dormir. Deve acordar em breve.
- Ótimo, ela estava muito agitada pela manhã. Edward já chegou?
- Ainda não, mas ligou há pouco tempo e pediu que eu fizesse o jantar de vocês. Não é tão bom quanto o da minha mãe - ela me olhou como se pedisse desculpas - É uma sopa, estou deixando tudo pronto, quando ele chegar é só esquentar.
- Tenho certeza que estará ótimo Kate, obrigada. Vou tomar um banho, se Edward chegar pode avisá-lo que estou no quarto?
Olhei Elizabeth no berço antes de chegar ao meu quarto, ela ainda dormia tranquila e não parecia que acordaria nos próximos quinze minutos, pelo menos isso me daria um tempo livre.
Me permiti tomar um banho um pouco mais longo que o normal, ainda pensando no que Edward tinha dito na mensagem. Nós não podíamos proteger todas as crianças do mundo, mas estávamos cuidando direito da nossa, não estávamos?
Ouvi a voz de Edward me chamando do quarto e fechei o chuveiro. Não eram nem sete da noite mas já me enfiei em um conjunto de pijama, não estava com disposição para procurar outra roupa. Quando abri a porta do banheiro o encontrei deitado na cama, de olhos fechados, com Elizabeth ainda adormecida sobre seu peito. Ele usava a mesma camiseta preta e calça jeans que saiu de manhã.
- Ela acordou? - perguntei, me aproximando dos dois.
- Nem se mexeu ainda, eu quebrei as regras e a tirei do berço antes - respondeu, ainda de olhos fechados - Só queria me certificar que ela estava segura.
- Perdoado. Quer falar sobre o que aconteceu hoje?
Edward respirou fundo antes de começar.
- Era um menino muito pequeno, quase dois anos. Por um segundo de descuido dos pais ele subiu em uma cadeira e caiu da janela do segundo andar de casa. Foi muito feio, a recuperação vai ser longa. Amanhã eu quero me certificar que todas as telas nas janelas desse apartamento estão seguras.
A voz dele foi se alterando enquanto falava e na última frase, quebrou. É claro que ele se sentia mal pela criança do hospital, mas não tinha nada além da sua ansiedade que o fizesse pensar que a nossa filha também estava em perigo.
- Edward… você sabe que não precisamos disso. Ela está bem aqui e ficará segura.
Me deitei ao lado dos dois, com cuidado para não mexer demais na cama. Coloquei uma mão em cima da sua, unindo nossas alianças de casamento. Ficamos em silêncio por um tempo, até que Kate bateu na porta e avisou que a sopa estava pronta no fogão e estava indo embora. Agradecemos ainda sem nos mexer, pela porta fechada. Amanhã eu me desculparia com ela por isso.
- Tem razão, nós manteremos Elizabeth segura. Juntos - meu marido pronunciou, depois de outro período de silêncio - Desculpe por isso, acho que surtei só de pensar na possibilidade de vê-la machucada.
- Eu sei, esse pensamento me atormenta diariamente. Mas nós temos que confiar que estamos fazendo um bom trabalho, não?
- Estamos, sei que estamos - ele apertou minha mão que ainda estava na sua - Agora, podemos jantar? Ainda estou morrendo de fome.
Elizabeth escolheu exatamente aquele momento para acordar e requisitar seu jantar, o nosso teria que ficar para mais tarde. Ela veio para o meu colo e ficamos os três ali, na nossa pequena bolha, protegidos.
