.

Nindō

.

.

.

Naruto (1999) pertence a Massashi Kishimoto e Shueisa.

Essa fanfic não tem fins lucrativos.

.

.

.

Prólogo

.

.

.

O ruído alto dos passos pesados entre os galhos secos e folhas da floresta se faziam audível. Ele não estava sendo nenhum pouco cuidadoso naquela corrida desenfreada, forçando suas pernas ao limite. O peito subia e descia rápido com o arfar intenso, o corpo se movendo por puro instinto, desviando das grossas raízes e galhos mais baixos conforme apareciam em sua visão.

Ele estava determinado a não deixar nada lhe parar.

Não podia parar.

Seu rosto vacilante evidenciava todos aqueles pensamentos que rondavam sua mente enquanto flashes do que havia acabado de acontecer no vilarejo se passavam rápido demais. Seu coração acelerava, seu peito doía, as pernas pareciam tremer em sua corrida desesperada, mas o garoto não parava.

Se atirou na abertura entre as árvores, girando o corpo de forma desajeitada para aterrissar do outro lado com seu joelho reclamando pelo impacto no processo. Continuou correndo com o vento marcando seu rosto, o suor escorrendo pela testa, e as lágrimas de pura urgência no canto dos olhos.

Tudo doía.

Não parou de se mover, nem quando caiu estatelado no chão de barro batido depois de um tropeço. Girou o corpo poucos instantes antes de atingir o chão para proteger o rosto e amenizar o impacto, mas não estava pensando. Como um bom ninja, agiu por instinto.

Se levantou às pressas, as mãos arranhando nas pedras antes de se por de pé novamente e reiniciar sua corrida, dessa vez, muito mais rápido.

O Vale do Fim estava adiante.

As estátuas gigantes dos maiores ninjas da Vila da Folha estavam prestes a se revelar, assim como a queda d'água que seguia no único rio que cortava a clareira.

Todas as árvores ficaram para trás, e ainda que seu peito parecesse querer explodir sem folego e suas pernas precisassem de um segundo para se recomporem, Naruto não parou.

Desesperado, ele continuou correndo até a margem do rio percebendo a destruição à sua volta. Os rastros da batalha que ocorreu naquele lugar danificando a imagem solene que tinha sido construída no entorno do local onde os maiores ninjas tiveram a maior batalha que o mundo já vira.

Talvez fosse o destino do Vale do Fim presenciar grandes combates.

Mas não era nisso que ele estava pensando.

Não.

Os olhos azuis tão amedrontados procuravam freneticamente pelo local. Ele não era um ninja completo e tampouco o garoto mais atento, mas não demorou para achar o que estava procurando, e nesse momento sua respiração falhou.

Correu novamente se jogando de joelhos no chão para deslizar em direção ao corpo caído nas margens do rio. A sujeira da relva selvagem junto à lama e suor estavam impregnados em sua pele alva, que também era marcada pelos diversos ferimentos em seus braços, pernas, tronco, rosto... Os olhos fechados e a falta de movimento do peito não foram notados.

Não.

O que o fez tremer, na verdade, foi aquele gigantesco ferimento em seu tórax, fazendo com que seu sangue escapasse tão rapidamente que não parecia haver mais chances para ela. Havia aquela poça escarlate, e suas vestes vermelhas se misturavam ao líquido de cheiro metálico.

E as mãos dele tremeram como nunca, assim como a protuberância em sua garganta subia e descia em reflexo do seu estado de puro medo e angústia. Estava morta? Os olhos azuis arregalados em descrença, ele chamou o nome dela num sussurro amedrontado, a voz perdida em meio ao vento e ao barulho da água caindo.

Ninguém podia escutá-lo.

Nem mesmo ela.

As mãos dele a tocaram apenas para tirar aquela mecha molhada do seu rosto. Chamou o nome dela novamente sentindo a pele úmida da moça caída, passando as mãos pelos seus braços para erguer seu corpo brevemente e trazê-la junto a si. Repetiu aquele nome debilmente. As lágrimas nos olhos caindo sem que ele sequer percebesse enquanto a envolvia em seus braços, aquele corpo sem vida, sem calor.

Sakura-chan... Sakur... Sa..

Dizia copiosamente, tentando chamá-la, acordá-la. Precisava que ela abrisse seus olhos, e rezava para todos os deuses que permitissem que ela jamais se fosse, porque ele não aguentaria perdê-la. Ele não aguentaria perder mais ninguém. E nisso ele a ninou em seus braços, movendo-se para frente e para trás junto ao corpo que um dia foi quente e cheio de alegria.

Junto a sua mais preciosa amiga.

Ele chorou.

Seu rosto assumindo aquela expressão desfigurada do mais profundo desespero enquanto ele afundava sua cabeça contra o peito da menina, ainda em seu movimento débil, ainda em seu choro copioso, com as lágrimas mais pesadas saindo de seus olhos... Ele sentia o pesar por todos que havia perdido, por todos que ainda ia perder.

E tudo isso se acumulou de tal forma, que seu coração foi envolvido no mais profundo desespero, e dentro dele aquela agonia crescente comprimiu-se tão densa e instável, fazendo com que suas mãos apertassem com força o corpo sem vida que segurava com aquele movimento para frente e para trás se tornando ainda mais intenso até que tudo explodiu.

Naruto levantou sua cabeça num frenesi descontrolado. Aquela massa densa eclodindo para tomar conta de cada parte do seu corpo, reverberando por sua garganta no mais intenso dos chamados. Os pássaros se agitaram nas árvores voando para longe, o vento revolto fez sua entrada, as lebres correram para longe, mas ele continuou dando voz aos sentimentos que precisavam sair.

E tudo se resumia a ele.

Sasuke.

Naruto gritou seu nome num desespero sem igual, e logo em seguida sua voz se projetou novamente num grito alto em frustração por não poder sequer sentir raiva do mesmo. Por estar com sua amiga morta em seus braços e não conseguir culpar àquele que a matou, porque Sasuke não tinha culpa afinal de contas.

Não tinha.

A culpa era sua e daquele pedido imprudente.

Sakura-chan, traga o Sasuke de volta. Salve-o.

E por culpa disso... Agora... Ele não tinha mais ninguém.

Ele estava sozinho.

— Naruto!

Virou o rosto por reflexo vendo o enorme lobo branco se aproximar em velocidade juntamente ao homem montado no gigantesco animal saltar com precisão na direção dos genins.

— Sensei..?!

— Naruto, se afaste.

O menino ainda estava tão aturdido com a repentina chegada que apenas o olhou confuso, mas o homem foi rápido em observar os sinais. Seu olhar era sério e haviam marcas de batalha em seu corpo, e mesmo assim, ele parecia estar completamente à salvo. É claro... Seu professor era um dos ninjas mais fortes de toda a vila. Jamais perdeu uma batalha e jamais perderia.

— Rápido, Naruto. – Disse tomando o corpo da garota nos braços — Suba em Katsu.

— O que? Sensei, o que...?

— Sakura ainda está viva e você tem que levá-la à vila.

— C-como?

— Não há tempo! – O homem bradou mais presente, fazendo o garoto entender a urgência da situação. Explicações eram completamente desnecessárias e ele só precisava seguir às ordens de seu sensei.

Assentiu com a cabeça sem sequer pensar, correndo para o lobo e subindo nele com um salto. O homem se aproximou do menino, depositando o corpo da garota nos braços do loiro e o instruindo a fazer pressão no largo ferimento.

— Não pare, entendeu? Volte à vila e só pare quando Sakura estiver nas mãos de algum médico competente. – Disse com firmeza, apertando sua mão com força em cima da do menino no ferimento de Sakura — Entendeu, Naruto? – Disse mais alto, mais presente, exigindo uma resposta.

— Hai, Sakumo-sensei!

— Katsu, vá!

O lobo o olhou por um instante antes de partir em disparada na direção da densa floresta sem hesitar.

Naruto olhou para trás por um momento apenas para ver seu sensei olhar ao redor antes de avançar, e então seus olhos azuis penderam para Sakura em seus braços. O rosto sério, a preocupação, a esperança...

Sasuke... O que você fez...?

.

.

.

O silêncio pairava suave em seus sonhos. Não havia nada naquele lugar. Cores, sons... Não haviam formas ou contornos. A única coisa da qual tinha certeza era do silêncio. Sequer sua voz se projetava, e tudo era calma.

Tudo era paz.

Era essa a sensação de morrer?

Não saberia dizer.

Mas assim que seus olhos se abriram, uma lágrima solitária correu de seu olho e ela jamais soube o porquê de ter chorado quando tudo parecia tão pacifico naquele quarto de paredes num brevíssimo tom esverdeado. Estava morno com aquele vento balançando a cortina leve na janela, e a sombra dos móveis criavam padrões por todos os lugares.

Ela contemplou a vista por um segundo com seu pensamento em branco.

Tudo parecia tão irrelevante.

Foi quando começou a tomar ciência das coisas: As dores no corpo, o excesso de bandagem, a garganta seca... Um braço tinha sido imobilizado e pelo que pode ver ao erguer brevemente a cabeça, sua coxa estava recebendo tratamento para queimaduras.

Na constatação de sua condição deplorável, deixou uma risada sem humor escapar e o preço que pagou por ela foi a dor aguda em seu tórax que provavelmente tinha sido perfurado – ela já conseguia se lembrar.

Olhou para o lado, finalmente, vendo o loiro debruçado em sua cama enquanto dormia numa posição não muito confortável.

Naruto...

Ficou séria.

Deveria acordá-lo, não é? Queria acordá-lo. Mas para quê? Apenas para ter a certeza que havia falhado com sua promessa, e trazer dor ao garoto que já tinha perdido tudo. Era melhor que dormisse enquanto conseguia, mesmo que fosse acordar com um torcicolo.

Virou-se novamente para a janela, pensando que aquela altura, todos os Uchihas envolvidos no golpe já deveriam estar bem longe.

Ela se lembrava bem, infelizmente, do soar das cornetas: o anúncio que a vila estava sob ataque.

Todos os ninjas saíram de suas casas apressados, e Sakura encontrou Naruto no meio da multidão, correndo com seus pais na direção da Torre Hokage, que havia sido tomada por uma dúzia de Uchihas ao passo que outro grupo maior invadia os prédios centrais. Mataram os conselheiros. O chefe de polícia – um Uchiha – tratou de invadir o hospital e fazer de todos reféns.

E o Hokage...? Preso num genjutsu mais poderoso que qualquer outro. Tsukuyomi.

Um completo caos.

Uchiha Fugaku fez um longo discurso, e o Minato tomou o controle da situação, tentando dialogar com o líder da rebelião sem saber que estava indo em direção à própria morte. Assim que ele entrou na torre, sozinho, Kushina foi levada para além dos limites da vila e Naruto nocauteado. Foi Mikoto quem extraiu a Nove Caudas, que rugiu alto enquanto era subjugada pelo sharingan.

O Relâmpago Amarelo de Konoha chegou no local num piscar de olhos assim que ouviu o berro da Kyuubi, mas já era tarde demais. Sua esposa estava morta.

Enquanto isso, Sakura correu levando Naruto nos braços para a Floresta da Morte, o único lugar que ninguém imaginaria ir para escapar de uma revolta daquele nível. O enfiou numa caverna próxima e antes de sair, esbarrou nele.

Uchiha Sishui.

Girou uma kunai na mão sabendo que provavelmente morreria naquele momento, mas daria tudo para proteger seu valioso companheiro de time. Seu precioso amigo.

Aqui não é seguro. Eles vão achá-lo. Leve-o para os Hyuuga.

Foi quando ela percebeu que nem todos os Uchihas estavam envolvidos naquilo, e pela primeira vez naquele dia, Sakura teve esperança de que Sasuke não estivesse envolvido naquilo. Assentiu com a cabeça erguendo Naruto novamente, Sishui cuidando de sua retaguarda enquanto evitavam os locais críticos. Quando chegaram ao distrito Hyuuga, Hiashi reforçou sua lealdade ao Hokage e à Vontade de Fogo, recebendo Naruto em seu território. Lá, Sishui colocou todos a par do que estava acontecendo.

O Uchihas estavam casados de serem marginalizados, e agora era a hora de tomarem o controle da vila de uma vez por todas. O líder da revolução era Fukagu, sem dúvidas, mas haviam muitos outros Uchihas que ainda eram fieis à vila e ao Hokage, e desse grupo muitos haviam sido mortos. Uma chacina havia acontecido no distrito Uchiha.

Itachi havia morrido nas mãos de Sasuke.

A revolução durou dias com a Kyuubi instável. Ninguém tinha um sharingan tão potente quanto o de Madara para mantê-la sob controle, e o distrito Hyuuga escondia a resistência enquanto fingia não querer se envolver com o que quer que os Uchihas estivessem fazendo. Quase uma semana depois, os Sannins lendários apareceram, mas Orochimaru comprou a ideia da supremacia do sharingan e se debandou para o outro lado.

As lutas recomeçaram.

O terceiro Hokage foi salvo, os Uchiha tentaram invadir o distrito Hyuuga, mas desistiram ao ouvir o longo uivo que se fez. Hatake Sakumo havia retornado de sua missão. Naquele dia, o maior dos contra-ataques aconteceu. Os ninjas mais fortes de Konoha lutaram juntos contra outros ninjas mais fortes de Konoha.

Naquele dia, Naruto não apenas se tornou jinchuuriki, mas órfão também.

Mikoto morria nas mãos de Jiraya, e Orochimaru levou Hyuuga Hiashi. Akimichi Chōza morreu em combate e Hyuuga Hanabi teve a visão tomada na frente de Sakura, ferida por Uchiha Sasuke.

Ela nunca tinha visto aqueles olhos antes.

Aquele padrão.

Foi a primeira vez que o deixou escapar, mas quando Naruto chegou desesperado, com lágrimas nos olhos pedindo que fosse atrás dele o salvasse, até mesmo alguém como ela – órfã de nascença – entendeu que Naruto não podia perder mais ninguém.

Ela não podia perder mais ninguém.

Então ela foi, e o encontrou, e lutou colocando sua vida naquilo. Cada soco era embebido na determinação de fazê-lo entender a dor que estava causando, mas toda vez que seus olhares se cruzavam, Sakura percebia que ele estava cada vez mais perdido. Seu instinto falava que a única opção era matá-lo enquanto podia, mas como? Como...?

Hesitou naquele último soco, acertando-o sem um pingo de chakra.

Mas Sasuke não hesitou.

E agora ela estava ali, com Naruto acordando ao seu lado.

— Sakura-chan!

— Naruto – Ela disse quase num sussurro, sorrindo gentil — Como... Como vão as coisas?

— Como você está? – Ele perguntou afoito — Eu vou chamar a Tsunade-sama.

— Não. Não... – Ela disse rápido — Primeiro me conte o que aconteceu.

Ele hesitou.

— Sakumo-sensei e os outros conseguiram conter a revolução. Fugako-san sumiu junto com um punhado de outros Uchihas e Orochimaru. O hospital está lotado, e...

— Quem? – Ela perguntou sabendo o que aquele silêncio significava.

— Sakumo-sensei.

Ela concordou com a cabeça.

— Sasuke o matou.

.

.

.

Gente, essa fanfic é dodói.

Vai ter muita coisa pesada, com temas polêmicos como estupro, alcoolismo, drogas, etc, então... Se você é sensível a esses temas, melhor não ler, ok?

Dito isso... Vamo de drama.

CONTINUEM COMIGO! PRÓXIMO CAPÍTULO VAMO POR ESSE POVO PRA SOFRER.