Entretanto, para a sorte do felino, aqueles animais pareciam simplesmente ignorar as mortais armas que lhesadornavam as cabeças, pois praticamente nunca as usavam para defender-se dos predadores. Preferiam, ao invés disso, correr, usar da sua incrível velocidade para escapar. Mas daquela vez, eles mal sabiam que corriam justamente para outro predador, um leão que apesar das circunstâncias, parecia estar focado em qualquer outra coisa, menos na manada vindo incontrolável em sua direção.
Simba, ao contrário do esperado por Nala, mantinha os olhos fixos naquela que guiava a mancheia. Os movimentos da leoa eram ágeis e precisos, suas patas pareciam deslizar graciosamente sobre o capim. Sem dúvidas a leoa podia, muito bem, completar aquela caçada sozinha, no entanto Simba havia insistido em acompanhá-la. E no fim, acabou que ela foi irredutível na decisão de fazê-lo participar ativamente da caçada.
O leão deu um arquejo quando um antílope, tendo ficado para trás, quase atropelou sua companheira. A leoa, por sua vez, simplesmente saltou para o lado permitindo que ele se juntasse à manada e tornou a fazer seu trabalho, tudo isso em questão de segundos. Todos os seus sentidos focavam somente no rebanho que guiava, ela sequer dava-se conta do olhar admirado que recaía sobre si naquele momento.
Através da luz do luar e do brilho oferecido pelos grandes reis, Simba observava maravilhado cada ação de sua leoa. Ele tinha plena noção que deveria estar atento a outra coisa, contudo naquele momento estava sendo impossível não prestar atenção nela, visto que cada detalhe de Nala parecia prender-lhe o olhar de um modo quase hipnótico. Os músculos tesos sob a pele macia, a cauda a oscilar lenta e involuntariamente mostrando a concentração absoluta em que ela se encontrava. Tudo parecia atrair o olhar do leão que, propositalmente, não fazia qualquer esforço para voltar os olhos para o que realmente deveria olhar.
Era fato que desde muito novo, Simba sempre impressionara-se pelos atributos da leoa. Fosse a sua força tanto física quanto emocional, fossem a agilidade e a destreza que ela possuía, e usava para ganhar dele em quase todas as suas lutas de brincadeira. Embora ele houvesse demorado para admitir, a incontestável verdade era que sua amiga de infância sempre o encantara. Mas naquela noite aquele encanto estava maior que nunca e, inclusive, passava a tornar-se em outra coisa à medida que ela se aproximava, junto daqueles sinais.
Um odor fraco, uma sensação cada vez mais forte tomando os corpos de ambos, embora Nala fizesse de tudo para afastá-la de si. Mas o que Simba estava sentindo por ela, naquela noite, já não era aquele encanto inocente. Um incontrolável desejo era visível em seu olhar, caso pudesse ele a teria para si naquele exato momento. Entretanto, ele sabia que devia respeitá-la. Não faria nada que ela não quisesse, embora a vontade fosse quase insuportável. No entanto, felizmente Simba estava tendo sucesso em refrear seus anseios, pois sabia que aquilo, contrariamente à primeira vez durante seu encontro na floresta de Timão e Pumba, estava incomodando a parceira por algum motivo.
Tudo começara horas antes, quando Nala mostrara os primeiros sinais de que em breve, ou, naquele exato momento mesmo, seu corpo estaria novamente apto para conceber uma nova vida. No entanto, sua mente não achava-se igualmente pronta, muito pelo contrário. Não fazia nem um ano que Kopa, seu primogênito, fora morto de um modo cruel. E apesar de ter plena noção que a culpa não fora sua, era inevitável senti-la ao lembrar-se que não estivera lá para protegê-lo. E isso também tornava impossível não temer ter outra cria.
E se não conseguisse protegê-la também? Mesmo que a assassina de seu filho houvesse sido exilada por Simba, Nala sabia que muitos outros perigos espreitavam no mundo em que ela vivia. Perigos e decepções, valia mesmo a pena dar a vida a mais um inocente, apenas para vê-lo sofrer com os inevitáveis dissabores de sua vivência?
Devido a tudo isso, Nala optara por ignorar os avisos dados por seu corpo, até mesmo evitando seu próprio companheiro para tal. Pois sabia que Simba estava ciente de sua atual condição, afinal não havia motivo para ele insistir tanto em acompanhá-la numa caçada como ele fizera, quando ela informara seus planos durante o pôr-do-sol daquele dia.
E mesmo Simba tendo dado a desculpa de que apenas a acompanhava por preocupação (o que não deixava de ser verdade visto que um medo crescente tomara-o quando descobrira o estado da companheira, uma ideia envolvendo Nala e algum forasteiro violento e igualmente desejoso por ela.) Aquela desculpa não fora aceita, ao menos não pela maior interessada.
Embora não houvesse escutado da boca do companheiro, Nala pressentia o que o levava a estar com ela naquela noite. E mesmo aquele temor absurdo dele tendo deixado-a chateada no início, resolveu não discutir. Afinal, ficar perto era o que Simba queria, ao contrário dela e uma discussão, sem dúvidas, daria a oportunidade perfeita para isso.
Entretanto, Nala também pressentia haver qualquer coisa de errado. Os antílopes passaram direto pelo leão ruivo, sem que este escolhesse qualquer alvo. E para Simba, todo aquele encanto desapareceu, seu desejo ardente apagou-se repentinamente no exato momento em que uma Nala totalmente colérica o encarou, o som dos passos dos antílopes diminuindo à medida que absolutamente todos eles afastavam-se rapidamente de seus predadores.
—Simba! — A voz zangada da leoa ecoou na noite, Simba ficou estático e totalmente sem saber o que falar. Ele havia falhado em sua parte do plano, e com aquilo Nala faltava pouco para agredi-lo. E naquele momento, ele recordou-se que quando uma leoa ficava daquele jeito ela não conseguia controlar muito bem seus sentimentos, ou seja. Nala, que geralmente conteria sua raiva em outra ocasião, agora mostrava-se completamente irada com ele.
—E então, qual a desculpa que você vai dar!? — Ela perguntou, diminuindo o volume da voz embora a fúria fosse a mesma. Definitivamente, Nala devia ter ouvido sua intuição e tê-lo despistado quando podia, pois como ela mesma previra no momento em que Simba lhe propusera acompanhá-la. "Ele só vai atrapalhar", e realmente só atrapalhou.
—Eu... — Simba, visivelmente constrangido, procurava uma justificativa para sua falha, embora soubesse que não havia mais nada a ser dito. Sendo assim, ele a encarou ousadamente, uma malícia quase imperceptível em seus olhos. —Eu não consegui me concentrar. — Disse calmo e com um sorriso, Nala arquejou e deu dois passos para trás ao finalmente compreender o que havia tirado-lhe a concentração. Óbvio, como ela não havia pensado naquilo?
Nala suspirou, não se daria por vencida. Ainda que tivesse noção de que uma hora ou outra aquilo teria de ser feito, visto que em algum momento seus próprios instintos ganhariam de sua razão e ela iria entregar-se, seu objetivo era retardar o ato o máximo possível. Dessarte, ela permaneceu aonde estava, um sorriso sagaz tomando-lhe o rosto à medida que uma ideia lhe surgia na mente.
—Você foi um irresponsável, Simba. Por um acaso, não levou em consideração que não éramos só nós a depender dos bons resultados dessa caçada? — Ela bronqueou. A expressão de culpa que tomou os olhos do ruivo, daquela vez, não serviu para amolecê-la ou abrandar-lhe a irritação.
—D desculpe-me... — Ele pediu, cabisbaixo, assemelhando-se a uma cria quando aprontava algo e procurava reconciliar-se com os pais. Sabia que havia errado, e agora arrependia-se amarga e sinceramente de seu erro. Afinal, aquele antílope não alimentaria apenas a ambos, como ela própria havia lembrado.
—Existe um jeito de concertar as coisas, mas você irá agir sozinho dessa vez. — A leoa decretou, aparentemente mais calma apesar de não menos desapontada. Simba deu um suspiro cansado, já imaginando o que teria de fazer.
—E o que terei de fazer? — Indagou a despeito disso.
—Repor o que perdeu, oras. — Nala respondeu com obviedade. —Você ficará responsável pela caça desta noite, e eu ficarei aqui aguardando. — Ela determinou.
—Ou melhor!... — O olhar de Simba havia tornado-se desejoso por mais uma vez, percorrendo-a de cima abaixo à medida que este se aproximava cada vez mais. Por quanto tempo ela ainda resistiria? ele esperava que não fosse muito. Um arrepio involuntário tomou a nuca da companheira quando Simba tocou-lhe o flanco com o focinho, deslizando este vagarosamente por ali. Nala, em resposta, recuou e assumiu uma pose altiva.
—Eu irei me esconder em algum lugar, caberá a você me achar. — Ela disse provocativamente, Simba arregalou os olhos com incredulidade.
—Mas... — Tentou protestar ao vê-la já se afastando.
—Mas é bom que você só me procure quando tiver pego alguma coisa realmente decente! — Ela exigiu sem sequer virar-se para ele, continuando seu rumo. Simba ainda tentou chamá-la, e Nala virou-se e rugiu irritada ao constatar o tom de ordem com que ele o fizera.
Aquele som, felizmente, fora o suficiente para afastá-lo. Nala procurou algum esconderijo decente, usaria do tempo que ficaria sozinha para refletir sobre seus próximos passos.
Assim como ele, Nala lutava em vão contra seus instintos, por temer as consequências dos atos ocasionados por estes. Mas agora, sentada dentro da caverna, ela refletia se valeria mesmo a pena tentar tolher desta maneira tais anseios.
"Minha filha, nada daquilo fora culpa sua! Além do mais, nós nem sempre podemos estar perto de nossos filhotes." Sua mãe, poucos dias após a morte de Kopa, aconselhara e mostrara-lhe a realidade.
Outro ponto a se levar em conta, era o fato de que uma hora ou outra, o reino iria precisar de um herdeiro, e seu corpo estava lhe proporcionando uma oportunidade para tal. E aquela questão, infelizmente, não dependia somente de sua vontade, era uma lei que precisava ser seguida. Afinal, quem iria continuar seu reinado quando ambos encerrassem sua jornada no ciclo da vida, se não houvesse um herdeiro?
Mas, seria aquele o momento certo? Tanto ela quanto Simba ainda eram jovens, possuíndo assim muito tempo de vida pela frente.
De repente, a imagem do corpo mutilado de seu filho sobreveio-lhe à memória, a fazendo balançar a cabeça vigorosamente para espantar aquela visão. Entretanto, esta lembrança também lhe fizera dar-se conta de que, talvez, a vida fosse mais frágil e incerta do que ela pensava ser.
Pois, seu filho também possuía muito tempo de vida pela frente. Ainda que Kopa houvesse sido assassinado, agora ela refletia se talvez, qualquer outra coisa não poderia ter-lhe acontecido.
O ataque de algum outro animal, ou até mesmo uma queda repentina num dos furiosos rios que cortavam suas terras. Tantos eram os jeitos de se partir, e a idade que isto acontecia talvez sequer nem importasse. Afinal, ela recordara-se da vez em que, durante o reinado de Scar, fora obrigada a tirar a vida de um filhote de antílope para saciar a fome, visto que este era a única presa disponível e as leoas estavam fracas demais para percorrer longas distâncias.
No fim, o jeito era viver aproveitando e sendo grata por cada dia, afinal não se podia prever como ou quando se iria deixar este mundo. E, talvez, aproveitar também significasse seguir em frente e deixar os medos e parte do passado para trás. Obviamente jamais se esqueceria de seu primeiro filhote, Kopa sempre teria um lugar especial em seu coração. Contudo, as coisas também a estavam praticamente forçando a seguir a diante.
O reino precisava de um herdeiro, e seu corpo via a necessidade de gerar uma nova vida. Além do mais...
Sorriu ao recordar-se do último desejo de seu filhote. "Mamãe, quando eu vou ganhar um irmão ou uma irmã? Eu queria..."
—Acho que muito em breve, meu bebê. — A voz sussurrada da leoa ecoou na caverna mal iluminada pela pouca luz do luar e das estrelas que conseguia entrar. Nala levantou-se, sentindo-se mais leve e tendo a certeza de que era hora de seguir em frente e iniciar uma nova era. Além, é claro, de realizar o anseio do seu primogênito.
E ela viu-se, de repente, já não temendo tanto conceber uma nova cria. Claramente haveriam perigos, no entanto Nala tinha certeza que tanto ela quanto Simba seriam mais cuidadosos, quiçá não começassem mais cedo a ensinar táticas de luta e estratégias de defesa ao seu filho ou filha?
A leoa sorriu com aquele pensamento, virou-se e foi até a entrada do local, mas retrocedeu dois passos ao deparar-se com a figura estática ali jacente.
E aqueles anseios, mais fortes que nunca, tornaram a invadir-lhe o corpo e a superar as barreiras que sua mente havia imposto. Sua respiração acelerou-se e sua cauda ergueu, e ela conteve um rugido de excitação. Não, ainda não daria tão facilmente o que ele certamente queria.
Em outra conversa com sua mãe, ainda que esta fosse ao mesmo tempo constrangedora e descontraída, dona Sarafina comparara aquele momento a um jogo. Então, que mal tinha em jogar um pouquinho com ele? Fazia mesmo muito tempo que ambos não brincavam. Contudo, daquela vez haveria um prêmio, pelo qual sem dúvidas valeria lutar. Mesmo que no fim, Nala planejasse deixá-lo vencer. Assim sendo, Ela tornou a adotar a mesma postura séria com que saíra de perto dele. O leão fitava o chão, parecendo distraído.
—Ah quanto tempo está aí? — Ela perguntou, rindo internamente com o susto que sua fala ocasionara no companheiro.
—Cheguei a pouco, mas como notei-a muito pensativa não sabia se devia interromper. — Ele admitiu. Nala se aproximou mais, procurando discretamente analisar cada reação que ele mostrava. Portanto, não foi difícil perceber que Simba, por mais que tentasse disfarçar, achava-se tenso, muito provavelmente estava contendo-se. E perceber aquilo, para a infelicidade do leão, apenas a incentivou a continuar com seu jogo.
—E a tarefa que lhe designei? — Ela inquiriu calma porém firmemente, Simba abriu um sorriso convencido.
—Mesmo com todos os riscos, eu a completei com sucesso, majestade. — Ele sussurrou a última palavra num tom provocante. —Obviamente, eu precisei esconder a caça para que não fosse roubada enquanto vinha à sua procura, mas o que importa é que eu a consegui. — Ele a encarou significativamente.
—Só acredito vendo. — Nala desafiou enquanto saía da caverna e se posicionava ao lado dele, roçando propositalmente as laterais de seus corpos. Simba, por sua vez, não tirou o sorriso presunçoso do rosto e apenas a guiou até o local.
—Hum, então você tem algum raciocínio. — Nala zombou fitando as plantas aromáticas cujo o odor mascarava o cheiro da caça morta, enterrada abaixo destas. Simba, após perscrutar seu entorno a fim de constatar a ausência de quaisquer necrófagos, desenterrou parte do animal morto e deu espaço para que a felina contemplasse os resultados.
Obviamente, ela sabia que ele tinha arriscado-se. Afinal, leões costumavam caçar pouco justamente por sua juba e robustez os tornarem mais visíveis e identificáveis às suas presas, tornando-os assim mais suscetíveis a ferimentos. No entanto, a caçada havia sido realizada com êxito e Simba estava bem. Ainda assim, ela deslizou sua face pela dele, tanto para parabenizá-lo quanto para implicitamente pedir-lhe desculpas, embora não se arrependesse totalmente de sua decisão. Afinal, nada daquilo estaria acontecendo se Simba não houvesse desconcentrado-se e perdido seu primeiro alvo.
—Posso ser muito mais perspicaz do que você pensa. — Ele rebateu.
Após tornarem a enterrar a grande carcaça de gnu, Simba a encarou seriamente.
—Pois bem, majestade. — Começou ele. —Concluí com sucesso a missão que me impôs, bem como consegui encontrá-la. Não acha que mereço uma recompensa por isso? — Ele questionou sugestivamente, Nala o fitou de volta com um olhar indecifrável.
—Não. — Disse arrastadamente. —Eu acho, majestade, que você acabou de entrar em um jogo o qual sou eu — Enfatizou. —Quem dito as regras. — Simba, embora estivesse frustrado com aquilo, resolveu simplesmente entrar naquele jogo. Afinal, algo lhe dizia que cedo ou tarde, seria ele o vencedor.
—E quais são as regras? — Questionou. Nala sorriu travessamente e, após esbarrar a cabeça na juba que cobria o pescoço do ruivo, respondeu.
—Apenas uma, vença-me! — E Simba, de repente, viu-se a correr pela savana atrás da companheira, que saltava e dava todas as mostras de agilidade que podia enquanto ria como nunca.
Simba, embora não estivesse compreendendo o intuito da companheira, fazia de tudo para alcançá-la, aproveitando para vislumbrar mais uma vez os movimentos que tanto o encantavam.
E em um dado momento, Simba saltou tentando arrebatá-la. Nala, entretanto, saltou quase ao mesmo tempo que ele e o empurrou enquanto este ainda estava no ar, o fazendo ir ao chão. Simba, contudo, estava mais determinado a vencer do que nunca, sendo assim levantou-se sem dar tempo dela fazer qualquer coisa e investiu contra a parceira.
E logo, ambos estavam a rolar embolados pelo chão, rindo daquela que era a luta decisiva.
—Venci. — Simba declarou colocando a pata dianteira sobre o rosto da leoa, encerrando aquela luta e acentuando sua vitória.
—Ah, você bem que podia me deixar ganhar, não é? — Nala pediu manhosamente, embora já pensasse em permiti-lo vencer de uma vez.
—Não. — Agora, quem falou arrastadamente foi ele. —A senhora sempre me ganhou nestas lutas, agora é minha vez. E eu quero meu prêmio. — Sussurrou sua imposição enquanto passava o focinho pela nuca da leoa, mordiscando de leve.
—Espera, Simba. — Nala, de repente, saltou e o tirou de sobre ela, parecendo mais séria e não estando mais a jogar. —Isso é justo, mas primeiro temos de cumprir com nossos deveres reais. Ou esqueceu-se do que realmente viemos fazer aqui? — Ela relembrou, já retornando ao local aonde a carcaça jazia escondida. Simba bufou irritado, mas sabia que ela tinha razão. Era primeiro o dever, depois a diversão.
O jovem casal de reis nunca andou tão rápido até seu palácio, vulgo Pedra do Rei. Eles nunca foram tão vagos nas explicações aos que lhe perguntaram qualquer coisa, e nunca saíram tão rápido da caverna como naquela noite.
O sol já havia tomado seu lugar no céu daquelas pradeiras. Mesmo assim, o casal de leões ainda dormia estirado sobre a relva, tendo como único abrigo as copas um tanto quanto distantes de um pequeno agrupamento de árvores. A leoa foi a primeira a despertar, o calor dos raios solares renovando-a e espantando quase que imediatamente o sono que lhe pesava nos olhos.
Contemplou o companheiro que dormia serenamente, observando o calmo subir e descer da lateral de seu corpo. "E não é que Zazu estava certo?" Apenas naquele momento, mesmo após tanto tempo juntos, Nala parou para recordar-se e refletir sobre as palavras ditas pelo calau quando ela e Simba eram apenas filhotes brincalhões.
No fim ambos acabaram mesmo enlaçados, de todas as formas possíveis. Era ironicamente incrível como uma paixão desenvolvida durante o reencontro em sua adolescência moldara-se aos poucos com sua convivência após o retorno de Simba para casa, até tornar-se em amor.
Um amor que embora estivesse iniciando-se, parecia fortalecer-se a cada dia e com cada prova que ambos tinham de enfrentar. Afinal, ser rei e rainha tinha um cansativo preço, todavia eles sabiam que podiam encontrar o descanso e o conforto um no outro.
Nala encarou desapontada o céu iluminado. Queria ficar ali, aconchegar-se ao companheiro adormecido e dormir ela própria mais um pouco, entretanto o dever lhes chamava. Ambos precisavam retornar para a caverna, mas ela pretendia chamá-lo para ir novamente àquele local naquela noite.
Afinal, aquela havia sido somente a primeira brincadeira de algumas outras, que durariam até que seu corpo decidisse que era o suficiente.
