Disclaimer: Resident Evil não me pertence, ele é da Capcom e de todos os seus idealizadores.

Evil to Live

"Lá estava ele de volta ao seu velho eu. Lutando contra os seus velhos pesadelos e enfrentando os fantasmas de um futuro incerto. Porque as vezes era preciso do mal para saber que estava vivo."


"A prova de que no futuro não existirão viagens no tempo, é que não estamos sendo visitados pelos viajantes do futuro."

– Stephen Hawking


China, 2013

A última coisa que Chris Redfield se lembrava era da forte luz do sol quase cegando sua visão, do oceano ao seu redor, do símbolo da B.S.A.A. ensanguentado e de um helicóptero. Então tudo ficou escuro.

..

O som insistente soava forte no seu solitário barulho, era alto e rítmico, parecia algo conhecido. Sim, com certeza era conhecido, o sentimento de nostalgia lhe dizia isso.

Mas o que era?

O fazia lembrar de passos sincronizados e de monotonia. Chris era uma criatura que seguia padrões, não deveria ser difícil adivinhar. Era algo que há muito foi acostumado a realizar, dia após dia nos mesmos movimentos que ao executá-los o levaria aonde deveria estar.

E de que se tratava?

Ele então abriu os olhos em um único movimento. Não teve languidez, foi como acordar em um susto. Foi abrupto e o colocou sentado, sua cabeça doeu de forma aguda com o movimento. Se lembrava agora de seu ponto de partida. Estava em uma missão na China e Piers estava com ele... Piers estava com ele, passado.

O que tinha acontecido? Sabia que tinha sido resgatado pela B.S.A.A., mas onde o levaram? Ao olhar ao redor o que viu quase tirou todo o seu fôlego. Ou retornou para o alcoolismo e estava muito bêbado, ou morreu e o castigo seria grande. Reconheceu cada e pequeno detalhe de onde estava, desde a pintura descascando na parede ao móvel de madeira maciça com a TV de tubo em cima. E o barulho constante fez sentido mesmo que o resto não fizesse.

– Impossível – se ouviu dizer. Só poderia ser um daqueles sonhos muito vívidos causados pelo estresse de tudo o que esteve passando desde a Edônia. Mas a sua enxaqueca, que começava na têmpora direita e se alastrava por toda a cabeça parecia bastante real.

Virou o rosto para o móvel ao lado da cama e encontrou o responsável pelo barulho. Havia um rádio relógio antigo, retangular e com letras avermelhadas piscando freneticamente. No visor os números destacados mostravam 5h40 assim como deveria ser.

– Impossível! – repetiu o que ainda ecoava em seus pensamentos. Talvez falar em voz alta ajudasse a descobrir alguma coisa.

Estendendo o braço apertou o botão desligando o relógio. Ao realizar o movimento viu que havia algo diferente com o seu corpo, seu braço não tinha tantos músculos quanto deveria, suas mãos eram um pouco menos calejadas e com certeza faltavam algumas cicatrizes esbranquiçadas na pele. Ele então se levantou ainda assustado com o sonho que estava tendo e a passos cuidadosos seguiu até onde sabia ter um banheiro. Ao se olhar no espelho encontrou o que esperava e também o que era impossível. Encontrou o Christopher Redfield de 25 anos em seu apartamento em Raccoon e isso foi bizarro. Era ele como foi há 15 anos, o mesmo porte físico e o mesmo cabelo da época, as mesmas roupas antigas.

Será que tinha morrido e ido para o inferno? Se era em Raccoon fazia sentido. Mas tudo parecia tão... em paz. Voltou para o seu quarto de dois cômodos e continuou a analisar o lugar. Tudo estava exatamente como quando abandonou, ou como sua mente se lembrava. Sua rotina naqueles tempos era a da pessoa metódica que sempre foi. Acordava às 5h40, tomava um banho, se arrumava, ia até o Emmy's Diner tomar o café da manhã e descia a Central St. rumo a R.P.D. para iniciar o seu dia como um membro da Equipe Alpha dos brilhantes S.T.A.R.S.

Acontece que não existia mais a cidade de Raccoon e nem os S.T.A.R.S.. Mal restaram ele, Barry e Jill.

Por isso era impossível.

Pode ser também que estivesse em coma, entre a vida e a morte, e seu subconsciente o levou no exato lugar onde tudo começou. O que não explicava a constante dor na cabeça. Ou quem sabe apenas estivesse enlouquecendo, não seria surpresa se fosse isso.

Decidido a não ficar parado andou até a outra extremidade, afastou a cortina e abriu uma fresta da janela. Havia certa urgência em seu interior dizendo que seu horário era apertado e que se não corresse ficaria sem café da manhã, ou que chegaria atrasado no trabalho como se aquela ainda fosse a sua vida.

Piada.

A sua frente não encontrou o que esperava. Ao invés de morte, destruição e zumbis encontrou uma rua pacífica ainda sem iniciar o dia. Estabelecimentos fechados, o céu começando a clarear e um pouco de névoa. No alto a lua estava terminando de morrer para o sol nascer.

Chris era o tipo de homem que não ignorava sinais, muito menos os seus instintos e já que muitas vezes seus instintos se tratavam de sinais resolveu se movimentar. A eficácia de suas missões se dava por ouvir alertas internos e neste momento um soava muito forte. Afinal era impossível ter simplesmente voltado 15 anos no tempo, então se era um sonho, uma visão ou sei lá o que seguiria com os passos que precisava dar para descobrir do que se tratava. Uma das primeiras regras para um soldado ter sucesso era o reconhecimento de campo. Foi até um móvel e encontrou dois porta-retratos, em um deles havia uma foto sua com Claire e no outro com as equipes Alpha e Bravo.

Automaticamente, e muito desconfortável, fez o que era de costume. Tirou o pouco da barba que começava a nascer, tomou banho, arrumou o cabelo, vestiu sua camiseta clara com o símbolo dos S.T.A.R.S. na manga, pegou a pistola da gaveta e saiu. Enquanto trancava sua porta encontrou a senhora Díaz com o seu velho gato cinzento. Cumprimentou a senhora e sentiu um desconforto quando foi respondido antes de descer as escadas. Na rua a cada passo que dava uma lembrança diferente surgia sem ser convidada. Pessoas, cheiros e rotinas todos não existiam mais, seja por terem se transformado em criaturas horríveis ou pela explosão posterior. Nada daquilo era real.

Ao chegar no Emmy's andou de forma quase mecânica até uma das banquetas do balcão. Se fosse um sonho, como achava que era, teria que seguir o seu caminho até chegar ao ponto de acordar. Não era a primeira vez que sonhava estar de volta àquela cidade, mas era a primeira que tudo parecia tão tangível. Normalmente sonhava com sua antiga vida, a manhã estava clara e bonita, então iria até o departamento de polícia, de tarde receberia a missão de ir averiguar o que tinha acontecido com a Equipe Bravo, seria atacado por cães mutantes e entraria na mansão que mudaria sua vida para sempre. A única diferença era que em seus sonhos a criatura gigante com garra na mão esquerda o empalava pouco antes de acordar.

Ainda assim sentia que dessa vez era diferente. Normalmente o seu dia pulava como em um filme, era como se os pequenos detalhes de um despertador tocando e da senhora Díaz dando bom dia não fossem importantes para acontecer. Mas hoje estava passando por todas as etapas como se realmente estivesse ali. Até pensou em se beliscar, porém seria ridículo.

– Olá, Chris. O de sempre? – Emmy perguntou parada a sua frente. A senhora de sorriso simpático e dona do estabelecimento foi uma das primeiras pessoas que conheceu quando chegou à cidade. Nada mais útil do que se familiarizar com quem ajudaria na sua alimentação.

– Oi. Isso, o mesmo de sempre – ouviu sua voz juvenil dizer. Pensando um pouco mais sobre os seus hábitos alimentares da época se lembrou que não se entupia apenas de café forte.

"Panquecas com xarope de bordo, ovos fritos, bacon e linguiça", se ouviu dizendo junto com Emmy. Quando ela saiu Chris fechou os olhos massageando as duas têmporas com os dedos. Sua dor de cabeça parecia ter aumentado, deveria ter tomado uma aspirina antes de sair de casa.

É escusado dizer que o sabor estava perfeitamente idêntico ao que se lembrava. Parecia mesmo que a deliciosa refeição estava saciando algum tipo fome. Quando terminou enfiou a mão no bolso da calça e encontrou a carteira, entregou algumas notas e se preparou para sair.

– Ei, Chris, já está indo? – a voz de Bob, o cozinheiro, o chamou saída da cozinha. Se fosse o tipo de homem que não estava tão calejado da vida diria que estava emocionado de ver tantos rostos familiares. Entretanto de nada adiantaria já que até o final do sonho tudo teria ido pelos ares.

– Olá, Bob. Sim. Hoje teremos um longo dia de trabalho.

"E uma longa madrugada de terror", completou em seu íntimo.

Desceu a Central St. em silêncio e de longe enxergou a imponente estrutura da R.P.D.. Se perguntou o que teria acontecido com aquela cidade se as coisas tivessem sido diferentes. Gostaria de saber se 15 anos depois tudo continuaria em seu devido local e se ainda estaria vivendo ali.

Eram muitos "se" e "se" não respondia perguntas.

Ao entrar pelas grandes portas da delegacia já era quase sete da manhã. O som ambiente familiar era mais um ponto diferente dos seus sonhos habituais, nunca os ouvia por mais que soubesse que estavam ali. Normalmente era a entrada, a estátua e logo em seguida o escritório como pontos de destaque. Mas hoje via as pessoas passando de um lado para o outro cuidando de seus afazeres, policiais trazendo arruaceiros e o som da máquina de escrever do balcão principal.

Não perderia mais tempo com detalhes então rumou direto para onde deveria ir. No caminho cruzou com o Tenente Branagh que o cumprimentou com um aceno de cabeça. Claire havia dito que o conheceu durante sua passagem na cidade, o homem tinha sido mais uma das muitas vítimas da Umbrella.

Subiu até o segundo andar e chegou ao escritório dos S.T.A.R.S., lá encontrou a porta aberta e vozes felizes podiam ser ouvidas. Ao chegar no batente viu Barry gargalhar como o velho urso que era, Jill balançava a cabeça de um lado para o outro com um sorriso contido nos lábios, Joseph gesticulava com as mãos no centro da sala e Brad estava corado em sua mesa.

– Hey, Chris, você chegou! Achei que nem conseguiria se levantar depois da noite de ontem – Joseph foi o primeiro a vê-lo. Ver o sorriso alegre do colega o incomodou, nunca tinha acontecido antes em seus sonhos, nunca esteve tão ciente de todos os seus passos e de onde isso o levaria. Perder pessoas deveria ser algo que já estava acostumado, mas isso não tornava as coisas mais fáceis.

– Chris você precisa ouvir essa. O Brad tomou um fora daquela ruiva de ontem, ela queria ser apresentada ao Richard e pediu a ajuda dele. Consegue acreditar nisso? – Barry continuou a gargalhar de onde estava, se deliciando com a piada da vez.

– Vocês parecem um bando de crianças – Brad resmungou ficando ainda mais vermelho.

Para ser sincero não se lembrava de terem saído para algum lugar um dia antes do incidente da mansão. Não, tinha certeza de que não tiveram nada importante no dia anterior. A cidade estava com medo e havia toque de recolher devido os "ataques canibais" que vinham sofrendo. A polícia estava sendo pressionada tanto pela população quanto pelos jornais para prenderem os culpados, ninguém estaria dando bobeira.

– Está tudo bem? – Jill parou ao seu lado e colocou a mão no seu ombro. A garota também estava exatamente como em 98, do uniforme azulado ao cabelo curto, linda como jamais deixaria de ser. O coração jovem de Chris deu sinal de vida em meio a sua confusão. Ainda se sentia atraído pela colega de equipe, a sensação de descoberta e a vontade de flertar tão forte como se realmente fosse aquele jovem cheio de sonhos. – Chris?

– Estou. Estou só... pensando – respondeu e esperou passar pelo olhar clínico da mulher. Sua cabeça deu uma forte pontada e foi preciso fechar os olhos para absorver a sensação.

– Ele ainda está de ressaca, Jill. Aos poucos o garoto volta a si – Barry interveio se espreguiçando na sua cadeira.

Chris foi até o seu armário, vestiu seu colete verde e andou até sua mesa. Talvez alguém tivesse uma aspirina sobrando. Antes de se sentar ouviu mais uma voz conhecida e neste momento seu sangue ferveu nas veias. Na sua frente estava o capitão da Equipe Alpha, Albert Wesker, com o seu cabelinho cuidadosamente penteado e os ridículos óculos escuros dentro de uma sala fechada. O desgraçado que sabia de tudo e ajudou a eliminar milhares de vidas inocentes em prol de seus desejos mesquinhos. O homem que prendeu Jill e a usou como um experimento. Aquele que ele derrotou. Então rosnou de raiva.

– Algum momento, Redfield? – o capitão perguntou arqueando uma sobrancelha.

De todos os seus sonhos essa era a primeira vez que tinha a consciência de quem Wesker era e isso o enfurecia. Das outras vezes tudo era muito mecânico e ensaiado, apenas aparecia nos lugares em que deveria estar antes de acordar. Mas agora sentia o ódio borbulhar em seu interior.

– Me responde você – rebateu com ousadia, o maxilar trincado tornava suas palavras tão ameaçadoras quanto queria que fossem. Se sentiu satisfeito com o poder de resposta que este sonho estava dando, sempre quis poder fazer diferente e socar a cara do capitão nos primeiros momentos de interação. Talvez dessa vez fosse possível.

– Não tem nenhum problema, Capitão. Chris ainda está com um pouco de ressaca e precisa de um café para acordar. Estávamos saindo agora mesmo – Jill tomou a frente quando percebeu o clima amigável de antes se transformar em tensão. O capitão, que estava com alguns papéis nas mãos, já tinha até dado alguns passos para frente.

– É bom que quando voltarem estejam com a cabeça no lugar, Valentine. Temos algo importante para hoje e não aceito insubordinação na minha equipe.

– Entendido, Capitão.

Chris teria rosnado novamente se Jill não o tivesse arrastado porta afora e pelo corredor até chegarem na banqueta próxima a máquina de bebidas geladas.

– Você pirou, Chris? O que pensa que está fazendo atacando o Capitão? Quer ser demitido por justa causa? – ele estalou a língua em desdém. O capitão é quem deveria ser despedido por justa causa. Ele e toda a corja que compactuava com aqueles ideais bizarros. – Você está estalando a língua para mim?

A imagem brava da companheira a sua frente o fez abandonar um pouco do desdém de minutos atrás. Não queria estar naquele sonho estúpido, deveria estar rumo a sua casa depois da missão que teve como vítima o último de seus homens. Mas não. Estava de volta em Raccoon, com uma dor de cabeça infernal, enquanto esperava por sua morte iminente na mansão de um velho com complexo de Deus até poder acordar.

E de alguma forma a figura de Jill, com as mãos na cintura, o pé batendo no chão em impaciência e o olhar carrancudo o fizera retroceder. Não precisava ataca-la por causa de suas frustrações, nem mesmo em um sonho. Ela suspirou, os ombros caindo enquanto balançava a cabeça em uma negativa. Foi até a máquina, inseriu dinheiro e tirou uma latinha de dentro.

– Bebe este café, coloca a cabeça no lugar e vamos voltar para aquela sala como o profissional que eu sei que você é. Não faço ideia do que aconteceu entre você e o Capitão, mas precisa se controlar – ela estendeu a lata na sua direção.

– Café gelado? Eu od...

– Odeia café gelado, eu sei. Mas é o que temos para agora então vê se você se acalma.

Sua cabeça doeu mais uma vez e precisou se sentar para manter o controle. A cada segundo que os acontecimentos se arrastavam ela doía ainda mais. Já deveria estar na mansão escapando de criaturas mortais e não na delegacia. Algo estava atrasando os acontecimentos e uma ideia maluca surgiu em sua mente. Talvez pudesse contar a Jill o que aconteceria. Se desta vez tinha mais controle sobre os acontecimentos do sonho então poderia mudar o fim da sua história. Quem sabe se no final ele deveria sobreviver a criatura da garra e coração exposto como realmente tinha acontecido? Talvez tivesse entrado em algum tipo de ciclo vicioso que só precisaria ser quebrado.

Mas a sua cabeça doía cada vez mais enquanto criava conjecturas.

Ignorando a sensatez e se respaldando na ciência de estar em um sonho decidiu contar tudo para a única pessoa que poderia ajuda-lo naquela loucura. Contaria a Jill tudo o que aconteceria no restante do dia e mudaria o final.

– Chris está tudo bem? Está sentindo alguma coisa na cabeça? – Jill se aproximou e tocou sua mão que só agora percebeu estar fazendo pressão na cabeça.

– Jill eu preciso que escute – iniciou ignorando totalmente a pergunta da colega. Começou a sentir uma urgência como se a qualquer momento o sonho fosse mudar para a mansão e se isso acontecesse não a veria nem tão cedo. Precisava ser rápido. – É maluquice, mas você tem que acreditar no que vou te confidenciar. Você confia em mim?

– Eu confio, mas o que aconteceu? Está me assustando.

Podia ver a hesitação nos movimentos dela antes de se aproximar. Não tinha uma maneira fácil de contar o que precisava ser dito, então preferiu ser direto despejando tudo de uma vez.

– A Equipe Bravo vai sair em uma missão nas Montanhas Arklay para investigar os casos de canibalismo e vamos perder a comunicação com eles. O Capitão Wesker vai mandar que nos preparemos para ver o que aconteceu e seremos atacados na floresta por cachorros zumbis – Jill arregalou os olhos nessa parte, não sabia se de terror ou incredulidade. Sentiu mais uma pontada na têmpora antes de continuar. – Joseph vai encontrar uma mão decepada e os cachorros irão matá-lo. Brad vai se apavorar, ligar o helicóptero e nos abandonar a própria sorte. Vamos correr para a Mansão Spencer que também fica nas montanhas, lá dentro vamos nos separar e descobrir sobre uma conspiração feita pela Umbrella onde eles criaram um vírus de laboratório para iniciar guerras com o bioterrorismo. Todos os membros da Equipe Bravo estarão mortos menos a Rebecca e os que ainda não estiverem não durarão muito tempo. Vamos enfrentar criaturas mortais e enigmas ridículos. No final foi o Capitão Wesker que nos atraiu para lá, ele também trabalha para a Umbrella e solta uma criatura gigante com uma garra na mão esquerda do laboratório subterrâneo que vai me matar. Temos que impedir isso de acontecer, Jill. Temos que parar o Capitão.

– Chris eu... não entendo o que você está falando – a colega estava confusa e não poderia culpa-la por isso. Era muita informação de uma vez só e ele deveria estar parecendo uma pessoa alucinada contando uma história fantasiosa. Mas era verdade. Isso realmente acontece em 98. – Acho que você precisa descansar mais um pouco.

– Não, Jill, preciso que me escute – quase gritou impaciente. Sua cabeça chegou em um nível de dor que jamais imaginou sentir na vida. Seus olhos piscavam freneticamente como se o ato ajudasse a diminuir a pressão que estava sentindo. – Muito mais vai acontecer, mas tudo começou hoje em 23 de julho terminando amanhã dia 24 quando a mansão for explodida pelo sistema de detonação. Temos que fazer alguma coisa.

Se levantou sentindo a urgência. Não tinham muito tempo e precisavam agir rápido.

– Chris me escuta – Jill foi até ele e o segurou pelos braços, seus olhos assustados agora demonstravam do que ela tinha medo. Não era de um cachorro zumbi ou de uma história aterrorizante, mas dele, de como estava agindo.

– Você não acredita em mim – a acusou chateado. Precisava de algum apoio para poder despertar.

– Não é isso. Chris, me escuta. Hoje não é dia 23 de julho, hoje é 19 de outubro.

A dor que sentiu na cabeça foi tão aguda quanto inacreditável. Hoje não poderia ser 19 de outubro, Raccoon foi pelos ares no dia 1° de outubro e isso era humanamente impossível.

– Não pode ser.

Jill fez uma leve pressão em seu ombro o virando em direção a um mural da delegacia. Nele havia um calendário mostrando que realmente estavam em 1998.

– Vê aqui? Hoje é segunda-feira dia 19 de outubro – Chris ainda não acreditava no que estava vendo, hoje poderia ser qualquer dia de 98 não necessariamente dia 19 de outubro. Sua respiração começou a rarear enquanto um tremor tomou conta das suas mãos. Percebendo sua hesitação Jill chamou um policial que passava pelo corredor.

– Policial Wilson, bom dia. Poderia me falar que dia é hoje?

– Oh, bom dia. Bem, hoje é segunda-feira dia 19 – vendo que Chris o encarava com um olhar incrédulo o rapaz continuou. – 19 de outubro... de 1998.

– Certo. Obrigada policial – Jill finalizou e o encarou novamente. Isso era impossível. Não tinha como estarem em 19 de outubro porque não existia mais Raccoon nesse tempo. – Chris você está bem?

Não. Não estava nem um pouco bem. Sentindo a cabeça rodar e os olhos revirarem Chris viu tudo ficar escuro enquanto perdia o comando de seu corpo e mergulhava na escuridão desconhecida.

Era hora de acordar.

..


Hello folks!

Das minhas ideias malucas da madrugada essa foi uma das que mais gostei de fazer. A história se passa em 2013 após os acontecimentos de RE 6.

Senhoras e senhores os dados foram lançados. Será que o Chris surtou de vez? Ou será que a cápsula virou um DeLorean e ele voltou no tempo para arrumar alguns erros? Está em coma? Ou o mix de ervas era de procedência duvidosa? Façam suas apostas sobre o que irá acontecer no próximo capítulo.

A história já foi totalmente escrita, tem 4 capítulos e será postada segundas e quintas após o final de Pieces dia 25 agora. Acionem para acompanhar.