"Maktub."

– Palavra em árabe que significa "já estava escrito" ou "tinha que acontecer.


Cidade de Raccoon, 23 de Outubro de 1998

Há exatos 4 dias Chris tinha voltado para o passado. Mas não era um passado comum ou real, era o lugar perfeito em meio às suas esquisitices. Sempre soube que o ponto de virada na sua vida tinha sido naquela madrugada de julho de 98, suas ambições mudaram drasticamente acompanhadas de toda a dor e sofrimento que foi obrigado a lidar. Durante aqueles dias aprendeu muito sobre o mundo ao seu redor

Aqui ele era Chris Redfield. Membro da brilhante Equipe Alpha dos S.T.A.R.S. de Raccoon. Herói de rodapé de jornal em um caso de canibais. Morando na cidade que tem crescido devido ao apoio da farmacêutica Umbrella, modelo de empresa no mercado. Amigo do seu capitão Albert Wesker, homem idôneo e honrado. O cara que saía para beber com os colegas que ajudou a salvar. Namorado de Jill Valentine.

Quando foi com Jill visitar os escombros da mansão no dia seguinte ela parecia um pouco chateada. A noite anterior havia terminado esquisita e ainda não tinham conversado sobre.

Nos escombros não achou nada diferente. Nenhuma criatura bizarra ou anormalmente grande, nenhuma passagem ou buraco que dava em um laboratório secreto. Nenhum enigma sequer. Jill estava certa e quando tentou pedir desculpas ela o cortou dizendo que não tinha do que se desculpar. Pediu apenas que não a afastasse e que juntos enfrentariam os problemas.

Ela o olhava como se estivesse sofrendo de um transtorno pós-traumático. Ele ainda a olhava como se ali estivesse a chave para todas as suas lutas.

Quem sabe não estivessem?

No momento em que ela se aproximou e colou seus lábios em um beijo carinhoso Chris entendeu que onde quer que Jill estivesse ali estaria o seu lar. Já haviam se beijado antes no seu próprio futuro, já haviam feito muito mais do que apenas beijar, e a sensação era a mesma. Talvez apenas amplificada em seu corpo juvenil e curioso por ela, porque até onde se lembrava naquela época isso era um sonho remoto.

Aos poucos se sentia menos o Chris de 40 anos e mais o de 25. Impulsivo, sonhador e cheio de planos. Não sabia se tinha alguma relação, mas estava começando a embaralhar alguns fatos. Não, não estava embaralhando. Sabia exatamente o que iria acontecer, como e quando. Só não era agradável. Havia muito sangue, inocentes sendo mortos e escuridão. Este passado era melhor, talvez tivesse ganho uma chance de fazer diferente e por este motivo esquecer começava a se tornar uma opção.

Na noite de ontem as duas equipes dos S.T.A.R.S. tinham se reunido para discutir um caso que os Bravos estavam à frente, mas que passariam aos Alphas ao descobrirem se tratar de uma quadrilha agindo na cidade. Chris gostou de observar, em meio ao processo estratégico, uma jovem Rebecca Chambers livre de traumas. Admitia que a subestimou dentro da mansão, deveria ter dado mais crédito as habilidades dela na época, mas fica difícil quando se tem uma irmã quase da mesma idade e está enfrentando algo jamais imaginado. Tirá-la de lá com vida era sua prioridade junto com reencontrar seus colegas.

– Alguém está a fim de comer tacos? – Joseph perguntou se espreguiçando ao se levantar da mesa.

– Já está na hora do almoço? – Barry largou alguns papeis na sua mesa encarando o relógio. – Aceito. Hoje não vai dar para ir para casa. Vocês dois vêm? E você Brad?

Jill o encarou em uma pergunta muda ao questionamento de Barry a eles. Bem, não era como se estivessem em um relacionamento secreto como percebeu nos últimos dias. Todas as frases dirigidas a eles era como se fossem uma unidade, um conjunto.

– Hoje não vai dar, Jill e eu vamos em outro lugar – já que a decisão estava nas suas mãos então não teria medo de fazer o que tinha vontade. Talvez o que estivesse vivendo fosse sua própria utopia. Depois da Edônia e de perder Piers como perdeu merecia uma vida normal.

– Eu vou, só preciso enviar este e-mail – Brad também respondeu de sua mesa.

– Ah, certo. Agora que os pombinhos se acertaram, depois da Bela Adormecida desmaiar no corredor e dar uma surtada, estão em lua de mel de novo – Joseph gargalhou. O comentário era abusado e se o seu próprio Joseph não fosse uma das vítimas teria o mandado calar a boca. Mas não tinha mais o colega no seu tempo, nem o seu senso de humor inapropriado ou os seus comentários atrevidos. Seria cômico se não fosse trágico o fato de aprendermos a valorizar o que temos só quando perdemos.

– Muito engraçado – Jill imitou uma risada antes de fechar novamente a expressão e encarar o amigo. – Se não parar de gracinhas vou quebrar o seu nariz no próximo treino.

A melhor parte em ser jovem é que você podia ser inconsequente e ter tempo para remediar. Isso para um jovem que enfrenta problemas normais. E havia certo magnetismo nisso, uma força invisível que os puxava para agir dessa forma e tornava tudo mais leve.

Resolvidos a sair para almoçar os cinco desceram juntos para se separarem logo em seguida. Um dia seus sonhos couberam dentro das paredes da R.P.D. e pensar em quão ingênuo já foi o fez sentir que um pouco mais da sua humanidade estava de volta. A cada momento, cada encontro que tinha com o passado, um pouco do seu antigo eu voltava. Estava no "bom dia" que oferecia ao porteiro do seu prédio, nos lanches deliciosos e no gosto do café forte que tinha no Emmy's, nas construções que continuavam todas em seus lugares e nos seus colegas. Não foi uma ou duas vezes que Chris achou que sairia da sua mente por perder tudo. Quanto faltava para realmente enlouquecer? Quanto faltava para se tornar algo tão quebrado e sombrio que poderia ser considerado pior do que os monstros que lutava contra?

Uma pessoa consciente que tinha sede de sangue era pior do que um morto vivo.

E aquela experiência tratava de se infiltrar silenciosamente por sua alma obscura e cheia de falhas curando feridas dolorosas. Ele não era um novo homem, não tinha como apagar o terror que um dia já havia visto, mas se fosse para ficar ali então talvez tudo bem. Heróis também precisavam de cuidados.

Quando chegaram ao salão da entrada reconheceu a voz antes mesmo de ver a pessoa e se sentiu ansioso com a nova interação. Com um olhar mais atento encontrou a cabeleira castanha no costumeiro rabo de cavalo e a jaqueta rosa. Claire Redfield, sua irmãzinha durona, estava escorada em um canto conversando com um Leon fardado. Ambos muitos anos mais jovens do que se lembrava.

– Ih, o tempo vai fechar – Brad cochichou atrás. Ignorando o comentário foi em direção a dupla.

Uma pergunta surgiu em sua cabeça. Será que algum deles vinha do seu tempo? Ele e Leon estavam na China, tiveram o mesmo contato ao que quer que estivesse lá. Era uma probabilidade válida para descobrir o que estava acontecendo.

– Claire? – chamou pela irmã.

– Meu Deus, Chris, você está vivo – a garota fechou o restante do caminho em sua direção e jogou os braços ao seu redor em um abraço apertado.

– O que está fazendo aqui? – a pergunta mais clara seria "você também veio do futuro?', no entanto falar isso apenas assinaria um atestado de afastamento do trabalho. Algumas pessoas já o olhavam um tanto esquisito pelas constantes perguntas estranhas que fazia.

– Estou te ligando tem dias e não me atende. Jill falou que você se excedeu no trabalho e não se sentiu bem, dei algum tempo para retornar minhas ligações e não tive nenhum sinal seu, então decidi vir te ver.

Chris assentiu com a cabeça já que não tinha uma resposta para isso. Ok, Claire não tinha vindo do futuro, teria que testar com o próximo alvo.

– Leon – chamou com um manear de cabeça que acreditou ser adequado.

O cumprimento que era para ser normal se tornou algo desconfortável. O homem... não, o garoto à sua frente o encarou incerto como se a qualquer momento Chris fosse socá-lo até a morte.

– Chris não começa – a irmã o soltou do abraço e se colocou entre os dois. Qual era a nova esquisitice? – Eu vim porque quis, porque estava preocupada com você e, é claro, porque queria ver o Leon. De qualquer forma hoje é sexta-feira e eu estou bem adiantada na faculdade então não tem problema.

– Do que está falando? – encarou a irmã, Leon e depois os colegas atrás de si. Viu a expressão de preocupação voltar ao rosto de Jill, a mesma expressão que via sempre que falava algo que não sabia, mas que obviamente o Chris de 25 anos deveria saber. Teria que ser cuidadoso.

– Do que? Da forma mesquinha que tem tratado Leon desde que começamos a namorar.

– Claire... – Leon tentou pará-la. O garoto era um pacifista, porém quando a situação exigia ação algo nele mudava.

– Não, Leon. Essa implicância perdeu a graça. Não tem nada de errado com você, ou conosco namorando, ele só quer bancar o irmão mais velho idiota. E aí, Chris, quando vamos acabar com essa idiotice? Já estou d...

– Agora – respondeu simplesmente. Faz sentido não querer que ela fique com Leon, conseguia seguir a linha de raciocínio. Claire não passava de uma garota, tinha uma vida de estudos brilhante pela frente e se envolver com um policial novato não lhe faria bem. Mas de onde vinha Claire era uma mulher forte e Leon um homem responsável que sobreviveram aos mesmos horrores que ele. Nenhum deles teve muitas escolhas de normalidade na vida. Se tinham que se conhecer e ficarem juntos que ficassem, o tempo é algo muito traiçoeiro para se brincar.

– Agora? – ela perguntou incerta.

– Isso, agora. Sem mais... ameaças?

– Ameaças, piadas, brincadeiras irritantes – a irmã numerou. – Como pôde ter mudado de ideia tão rápido, aconteceu alguma coisa com você?

– Já faz alguns dias que ele tem me falado sobre isso – Jill interferiu o salvando. – É claro que tenho feito um trabalho constante em convencê-lo do quão babaca tem sido com vocês dois.

Ali estava algo que corroborava suas atitudes. Assim que Jill terminou de falar os olhos de Claire brilharam e um sorriso se abriu em seu rosto. Ver sua irmã sorrir com a alma também foi algo que trouxe de volta mais um pedaço de si, o maior dos seus arrependimentos foi não ter impedido ela de se envolver com o seu pesadelo.

– Eu sabia que podia contar com você. Jill você é a melhor irmã que eu poderia ter ganho.

Algum falatório foi ouvido pelo hall de entrada. Brad e Joseph discutiam a impossibilidade da sua aceitação com o relacionamento entre a irmã e o novato, Barry cobrava uma aposta de que aceitaria a relação. Havia algo mais normal e mundano do que aquilo?

– Hey, Claire, quer vir almoçar com a gente? – Barry perguntou. Era bom saber que certas coisas não mudavam e que para o mais velho os irmãos Redfield eram como dois filhos.

– Valeu, Barry, mas vou almoçar com o Leon.

Questão resolvida Chris decidiu que já tinha perdido muito tempo do seu horário de almoço com uma discussão que tecnicamente não era sua. Antes de se retirar Leon parou na sua frente.

– Obrigado. Não estou brincando com a sua irmã e também não vou deixar que nada de ruim aconteça com ela.

– Sei que não – bateu com uma mão no ombro do rapaz. Ele estava tão envolvido com a história que com toda certeza também não tinha vindo do seu futuro. – Mas se fizer ela sofrer se considere um homem morto.

Ameaça dada cada um seguiu a sua direção. A ideia de almoçar sozinho com Jill era em parte para evitar falar mais besteiras e em parte passar um tempo a mais com ela. A Jill do seu tempo enfrentava questões tão complexas que esse tipo de arranjo sempre acabava em duas pessoas quebradas incapazes de consolo real ao outro.

– Obrigado pela ajuda mais cedo – comentou assim que seus pratos chegaram.

– Disponha. De qualquer forma tenho falado bastante sobre isso com você, só não achei que estivesse me ouvindo.

– Se eles se gostam não sou eu que vou ficar no caminho.

– É claro – a namorada concordou, mas só com uma rápida leitura corporal percebia que ela não tinha acreditado em sua história. O quão inflexível era o Chris que ela conhecia? Um Chris com preconceitos de uma vida que estava na palma de suas mãos.

– Os rapazes fizeram uma aposta? – perguntou tentando aliviar o silencio que ficou.

– Ah se fizeram. Joseph e Brad acharam que demoraria no mínimo seis meses para você aceitar, Barry apostou que precisaria de só um mês para Claire convencê-lo.

– Entendo. Barry está me devendo uma rodada de cerveja então, ganhou dinheiro as minhas custas.

Oh, então fazia menos de um mês que a irmã estava namorando. Se tivesse que chutar diria que começaram a namorar em 27 de setembro, mas não deveria ser este o caso. Como não existia coincidências eles devem ter se conhecido no dia 27 e começado a se relacionar algum tempo depois disso.

Quando terminaram o almoço ainda tinham alguns minutos sobrando e decidiram voltar para o departamento em uma caminhada preguiçosa. Chris não sabia como agir perto de Jill, ela era sua namorada, porém não sabia o que fazer. Deveria segurar sua mão? Como eles agiam normalmente? Várias vezes notou olhares de canto dela como se esperasse por algo ou sentisse falta.

– Posso ficar na sua casa essa noite? – ela cortou indicando o nível de intimidade em que estavam. O que não significava que estivesse preparado para aquele pedido.

– Oh... é, bem... é claro.

– Chris se for um incomodo não pergunto mais se posso ir na sua casa. Não é como se eu fosse abusar de você ou algo assim.

– Não acho que você vá abusar de mim, para isso eu não deveria querer que você me tocasse o que não é o caso.

– Então o que está acontecendo? – Jill perguntou impaciente parando no meio da calçada, a R.P.D. estava a poucos metros de distância. – É sério, Chris, eu tenho tentado te entender, mas não consigo. Você está estranho, tão distante e desligado. Fala coisas sem sentido, não se lembra de outras. Não parece você mesmo.

Falar com qualquer pessoa tinha se transformado em um campo minado. Nunca sabia o que era certo a se dizer. Depois da primeira vez em que tocou no assunto de conspiração com Jill e viu sua reação nunca mais passou por aquele assunto. Porém isso não significava que não estivesse fazendo ou falando coisas estranhas, então decidiu seguir sempre pelo caminho mais seguro em situações como essa.

– Sinto muito, Jill. Acho que ainda estou muito estressado com tudo o que aconteceu. É claro que você pode ir para a minha casa essa noite.

– Eu não quero me impor, mas estou começando a fica preocupada. Não só porque você parece fisicamente distante de mim, mas mentalmente também. Não sei o que está passando e quais são as suas preocupações, eu só quero que confie em mim como sempre foi e me deixe te ajudar. Tenho tentado preencher suas lacunas como fiz hoje com a Claire sem nem saber no que estou me metendo porque confio em você. Preciso que confie em mim de volta.

Ver Jill com os ombros caídos, rendida a sua própria frustração, causou um incomodo doloroso nele. Sabia que estava em falta com as pessoas ao seu redor, que não participava de piadas internas e que estudava seus movimentos para não cair em contradição. Até descobrir o que estava acontecendo se mantinha fiel a não se envolver mais do que o necessário com aquelas pessoas felizes de vida estruturada.

Infelizmente sabia que Jill era a mais atingida. Era sua namorada, alguém com quem tinha intimidade e se o tanto que gostava dela era um indício para o tanto que o Chris de 25 anos gostava sabia que a estava machucado com sua negligência. Ainda se lembrava da primeira vez que a viu quando a Equipe Alpha foi montada. A única garota entre cinco homens. Ela era habilidosa, companheira e competente, por mais que tivesse uma queda por ela nunca se sentiu desconfortável em sua companhia. Dificilmente existiria alguém no mundo que não gostasse dela. Era praticamente impossível.

Com confiança levantou a mão e encostou na bochecha dela em um carinho sincero. Ao menos naquilo poderia ser ele mesmo. Não era um cara bom em demonstrar sentimentos, mas ao assumir um papel mais jovem não era difícil lidar com impulsividades. Acariciar Jill, sentir o seu calor e sua textura também era algo natural, nunca foi necessário suprimir sentimentos quando se esteve com a parceira certa.

– É só uma fase, vou dar um jeito nisso – respondeu tentando passar certezas que nem ele tinha à garota a sua frente. Seu dedo ainda acariciando a bochecha dela. – Quero que venha esta noite.

– Tem certeza disso? – Jill perguntou colocando sua própria mão em seu rosto sobre a sua. Um rápido manear de cabeça respondeu sua indagação. – Ainda assim quero que saiba que somos uma equipe dentro e fora do departamento, não precisa segurar a carga sozinho.

– Podemos trabalhar nisso com uma pizza, que tal? Um pedaço de pizza e um filme juntos?

– Prefiro comida japonesa.

– Você quem manda.

..

Quando chegou à noite e eles foram liberados para voltarem para casa Jill disse que passaria em seu próprio apartamento e depois o encontraria. Não sabia o que esperar e nem o que acabaria falando, uma única vírgula fora de lugar significava uma torrente de explicações. A namorada era perspicaz, notava o que ninguém mais percebia. Nem mesmo Claire via algo de estranho no irmão, estava tão contente por ter o próprio relacionamento aceito que não se questionava sobre a rápida mudança dele. Viu, pouco antes de sair, ela na entrada do departamento esperando Leon ser dispensado.

Chegando em casa tomou um banho e fez os pedidos mais os acompanhamentos. Tentava não criar expectativas, porém falhava miseravelmente. Por Deus, ela era a Jill e ele o Chris. Não havia nada mais certo do que isso, mas de alguma forma uma vozinha insistente dizia na sua cabeça que estava se aproveitando do que estava vivendo. Quando esteve intimamente com a Jill de seu tempo era porque um dos dois estava tão destruído que precisava de um pouco de loucura para tentar se reconstruir, precisavam de alguém que os entenderia sem precisar se explicar. Sem julgamentos ou pena, apenas miséria compartilhada.

E ali havia apenas felicidade em uma vida normal.

Mais uma vez a namorada abriu a porta com a chave que o seu outro eu deu a ela. Nas mãos um pack de cerveja e um sorriso incerto. Teria que fazê-la se sentir confortável, fazê-la saber que era bem vinda porque, droga, ela totalmente era.

– Sei que você tem cerveja, mas elas não se repõem sozinhas então trouxe mais.

Enquanto ela levava até a cozinha o porteiro avisou que seu pedido havia chegado. Liberou a entrada do entregador, pagou quando bateram à sua porta e levou até uma mesa próxima. Incomodado com o desconforto do lugar comprou duas banquetas de bazar para tornar mais habitável. Jill voltou trazendo as bebidas.

– Amo esse cheiro. Eu deveria comer algo mais saudável como uma salada, mas não tem como resistir.

"E nem precisava", Chris pensou. Ela era uma das pessoas mais saudáveis que conhecia, uma noite de comida japonesa não faria mal.

– Vamos ver o que temos... Yakisoba, guioza e takoyaki... Chris você é perfeito.

Se toda vez que a alimentasse com comida asiática recebesse um sorriso tão brilhante quanto o que recebeu mudaria sua casa para dentro de um restaurante japonês. Sem perder tempo Jill pegou um bolinho do takoyaki e levou em direção a boca.

– O takoyaki peguei de camarão, o atendente disse que está fazendo sucesso nos últimos dias – mal tinha terminado de falar quando viu Jill cuspir o pedaço generoso que tinha mordido.

– Camarão? Chris eu sou alérgica – viu quando ela se levantou e foi em direção a sua bolsa, sem saber o que fazer a seguiu de perto. Desde quando Jill era alérgica a camarões? Remexendo em sua bolsa ela retirou um comprimido, pegou água na cozinha e engoliu.

Se sentir culpado por algo que não sabia era horrível. Não se lembrava da sua Jill ter essa alergia, mas também não se lembrava de ter comido pratos de frutos do mar com ela. Olhou a cartela do remédio e viu se tratar de um anti-histamínico, se levava consigo aquela cartela é porque a alergia era algo sério e antigo.

– Ok, já chega. Quem é você, o que está acontecendo aqui e onde está o Chris verdadeiro?

Com uma postura ofensiva ela o colocou contra a parede com suas palavras. Em algum momento sua farsa cairia, não sabia quando ou como, mas já era algo certo de acontecer.

..


Hey, galera.

Como já dizia o meme "Eita Geovanna, o forninho caiu". O forninho e a temperatura. Como está o Estado de vocês? Aqui em SP amanheceu um frio absurdo, mal consigo imaginar como a galera do Sul está sobrevivendo. Força guerreiros!

Dito isso temos apenas mais um capítulo para a resolução de toda essa lambança e explicação do que está acontecendo. Preparados? Então vamos juntos.