"...mesmo as pedras, com o tempo, mudam."
– Cecília Meireles (do poema "Viagem")
"Ok, já chega. Quem é você, o que está acontecendo aqui e onde está o Chris verdadeiro?", foi o que Jill perguntou mais do que certa de que as estranhices não eram coincidência.
– Não sei do qu...
– Corta essa – ela o interrompeu. – No começo eu realmente achei que fosse ressaca, estresse ou o que quer que fosse lógico de explicar, mas esse não é o caso.
– Por causa do camarão? – tentou mais uma vez dissuadir a namorada. – Sinto muito de verdade, devo ter me esquecido da sua alergia. Não queria te fazer nenhum mal.
– Não é por causa do camarão. É por todo o conjunto – ela havia chegando no seu limite. Até poderia ser uma garota compreensiva, no entanto todos tinham um limite e o de Jill tinha sido atingido. – Há dias tem agido diferente, não são só as suas perguntas, mas como as formula. É como se estivesse em uma investigação solitária do porque o mundo está da forma que está. Você questiona as pessoas em busca de algum tipo misterioso de resposta e quando não ouve o que quer fica frustrado. Não sabe coisas básicas como o relacionamento da sua irmã que você foi tanto contra, olha os seus companheiros de equipe como se não os visse por décadas e encara o seu superior como se uma segunda cabeça fosse aparecer ali. Eu não sei quem você é, mas não saio daqui até que me conte tudo.
Chris sentiu que chegou em um ponto onde não tinha mais encruzilhadas. A sua frente havia apenas um abismo e como voltar atrás não era uma opção teria que pular de cabeça no desconhecido.
– Jill você não entenderia.
– Não sou idiota, entendo tão bem que vejo mais do que qualquer outra pessoa aqui. Você não é o Chris, não é? Preciso apenas que seja sincero comigo. Preciso da verdade.
Sinceridade. Muitas vezes tentou ser sincero antes de o cortarem. Descobriu, lá mesmo em 1998, que a sua sinceridade não exporia a Umbrella. Descobriu que para vencer algumas batalhas deveria suprimir a sinceridade, não mentir, mas omitir. E agora teria que ser sincero porque a garota a sua frente, além de ser uma das poucas pessoas no mundo que não queria machucar, também era aquela que poderia ajudá-lo enquanto estivesse preso ali.
– Eu não sou o Chris que você conhece, isso é uma verdade. Mas eu também sou o Chris e nisso você pode acreditar.
– Como isso é possível?
Também queria saber como era possível voltar no tempo e encontrar um mundo diferente esperando por ele. Com um suspiro de derrota apontou as banquetas para que se sentassem, a história era comprida e se no final ela não acreditasse então não teria o que fazer.
– Eu também não sei – ele então voltou a parecer mais o Chris dos 40 do que o dos 25 anos como se estivesse subindo e descendo em uma montanha russa muito rápida. – Não sei se vai acreditar em mim também, eu não acreditaria, mas nada do que vou te contar é mentira e fica a seu critério o que fazer com essas informações.
– Você diz isso por causa daquela história dos canibais? Sobre a conspiração na mansão nas montanhas Arklay e dos monstros?
– Aquele foi só o começo de tudo.
Então começou a recontar todos os acontecimentos. Contou sobre as pessoas que perderam e o quanto deles mesmos foi perdido naquela noite. Passou datas exatas dos acontecimentos. Contou sobre Claire e Leon que também se envolveram acidentalmente, sobre a infecção, a explosão na cidade e como ela tinha escapado por pouco com vida. Aos poucos foi ficando mais claro os olhares saudosistas que Chris lançava enquanto andava pela cidade. Contou sobre a Antártida, a luta contra Wesker, passou para a fundação da B.S.A.A. junto das missões que participaram. Diferente da primeira vez ela não o ouvia com incredulidade, porém a falta de expressão em seu rosto não dava indícios do quanto daquilo acreditava. Ele então chegou na parte da Europa, da suposta morte dela e do posterior ressurgimento. Cada pequeno detalhe era absorvido com um silêncio profundo. A história continuou até chegar nos últimos acontecimentos na Edônia. De todas as merdas que fez e de como estava cansado daquela vida medíocre de perder pessoas. De ter que levantar no outro dia, receber um tapinha nas costas e ser o herói. E da China, que foi de onde tinha vindo.
– E foi isso. Não sei o quanto disso você vai acreditar, mas foi o que aconteceu.
Ela continuou encarando-o impassível.
– Se você está aqui onde está o meu Chris? O Chris deste tempo.
– Não sei, talvez no meu futuro.
– E como vocês podem destrocar?
– Não faço ideia. Não sei como vim parar aqui e nem o porquê, também não sei como voltar.
– Entendo – Jill concordou com um movimento de cabeça. Dava para ver que estava pensando sobre o que tinha ouvido.
– Isso quer dizer que acredita em mim? – viu um balançar positivo de cabeça. – Até mesmo na história de viajar no tempo?
– Chris... Se está me dizendo com tanta convicção ser verdade que existem mortos-vivos, a viagem no tempo seria o de menos, não é?
– Eu poderia estar em coma e tudo não passar de um sonho.
– Não sou um sonho, sou tão real quando você deve ser. Não sei se consigo te explicar, mas sempre soube que você não era você. Não com a certeza que tive esta noite, mas sabia que havia algo de errado – a garota se levantou indo até onde ele estava, se agachou próximo e segurou sua mão. – A sua confusão, os movimentos endurecidos e a forma como via o mundo era diferente. Era triste. Parecia que tinha um fardo tão pesado sobre seus ombros que me impelia a me manter próxima e descobrir a verdade. Parecia solitário e doloroso.
– Jill...
– Não. Eu também preciso falar antes de surtar. Nas vezes em que nos beijamos parecia que tinha tanto a me contar. Era só um encostar de lábios e ainda assim tão cheio de segredos. Você sempre foi amoroso do jeito Chris de ser, ninguém precisava ver que você se importava para eu saber que se importava. Mas o seu toque – neste ponto Jill pegou a mão dele e levou até seu rosto. – O seu toque estava diferente, tinha um certo tipo de desespero como se eu fosse desaparecer a qualquer momento. Como se tudo fosse sumir e isso o machucava.
Aquela era a sua Jill independente de onde estivesse. A garota que podia lê-lo melhor do que qualquer pessoa no mundo. Sentia falta dela, das diversas garotas que ela poderia ter sido se tudo fosse diferente, da garota que era antes do Wesker fazer dela uma cobaia de laboratório. Sentia muito por todas as suas falhas e por não ter sido capaz de protegê-la.
– Talvez porque eu achasse que a qualquer minuto tudo fosse desaparecer – respondeu com honestidade.
Em um toque suave ela subiu os dedos por seu braço ainda estendido, Chris fechou os olhos sentindo a carícia como uma bênção. Como se um homem quebrado como ele merecesse um presente.
– Sua história me deixou curiosa com outra coisa.
– Que seria...
– O quão machucado você está – abriu os olhos um pouco chocado, pronto para criar uma distância segura entre eles.
– Você sempre foi muito esperta.
– E você dado a carregar o fardo sozinho. Algumas coisas nunca mudam – foi ela quem colocou a distância ao se levantar, o que não durou por muito tempo quando ofereceu a mão e o puxou para se levantar também. – Não consigo dimensionar tudo o que você sentiu durante esses anos. Perder pessoas, desistir de criar laços. Talvez seja por isso que esteja aqui, talvez a vida esteja te dando outro fôlego. E se é de fôlego que precisa então vamos deixar para pensar sobre todos os problemas só amanhã.
Jill andou até ele ficando ainda mais próxima, Chris podia ver cada detalhe no rosto bonito indo dos olhos azuis até as quase imperceptíveis sardas no nariz. Sentia tanta falta de estar com ela, de diminuir o seu caos interior e encontrar a paz.
– O que está fazendo?
– Tecnicamente você ainda é o Chris, não é? Estamos juntos no seu tempo?
– Não.
– Já estivemos juntos no seu tempo?
Ansioso com a aproximação resolveu se desligar. Desligar o modo herói, a barreira protetiva que ergueu, e deixaria que um pouco do caos bom tomasse as rédeas. Havia mais de um tipo de loucura e estava aberto para aprender uma nova.
– Sim.
– Então vamos tirar a noite para viver. Amanhã voltamos a pensar sobre a sua situação, como podemos resolver este problema.
– Tem certeza disso?
– Você ama a Jill do seu presente? – concordou sem titubear. – Ótimo, eu amo o Chris do meu presente e não importa em que linha do tempo estejamos seremos sempre a Jill e o Chris. Acho que devemos tirar a noite para curar as feridas.
E assim eles foram noite a dentro, a Jill e o Chris que se amavam. No final perceberam que quando estavam juntos não havia muita diferença já que um sempre só esteve completo quando estava com o outro. Enquanto sentia seu corpo se moldar ao dela não havia diferença, enquanto sua voz trêmula chamava por ela e ouvia a sua em resposta tudo continuava igual.
..
No outro dia Chris se sentia como novo. Os problemas continuavam os mesmos, mas sua alma tinha um pequeno remendo. Durante a madrugada, enquanto velava o sono de Jill, meditou no quão sortudas aquelas pessoas eram. Eles podiam dormir e acordar com as pessoas que amavam ao lado sem medo de um novo surto viral. Céus, eles podiam realmente dormir. Deitar a cabeça em um travesseiro era normal, dormir não, já que era lá que estavam os seus pesadelos. Era como uma maldição que não os deixava desligar de uma vida de terror.
Quando a garota mais linda que já havia conhecido, totalmente nua e enrolada em seus braços, lhe sorriu nas primeiras horas da manhã soube que era um cretino sortudo. Escapar com vida todos aqueles anos não era sorte, era azar. Ter Jill pelo resto da vida é que era sorte.
Após uma discussão, cheia de provocações por parte dela, do que fariam a tarde depois do turno não chegaram a um consenso. Pensar em banalidades era ótimo. Então adaptou sua manhã minuciosa as necessidades da parceira, foram até o apartamento dela para pegar roupas limpas e pediram o café da manhã para viagem. No departamento encontrou Leon na entrada, acenou para ele e tirou alguns segundos para se compadecer por aqueles que não teriam um vislumbre do que estava tendo. Como Claire e Leon se sentiriam ao saber que eram um casal? Sabia que a irmã já tinha se relacionado com o agente do governo alguns anos atrás e que se separam por diversos motivos irritantes de gente grande. Distância, trabalho, etc. A forma como lidavam com o bioterrorismo sendo um dos maiores deles.
Pela primeira vez desde que chegou ali, depois de se abrir com Jill, se sentiu livre. Respondeu algumas provocações de Joseph como era costume, brincou com a falta de coragem de Brad e brindou silenciosamente o velho Barry. A vida e a morte estavam separadas por uma linha tênue demais para apenas cair em autopiedade.
Na parte da tarde quando deu sua hora pegou o casaco, desceu as escadas com alguns companheiros e bateu o ponto. Não foi um dia pesado de trabalho, ou cheio de reuniões. As estratégias de abordagem da quadrilha estavam em andamento, nada muito emaranhado por mais que perigoso. E ainda assim sua cabeça começou a dar sinais de incomodo. Algumas pessoas chegavam para iniciar o turno e o hall estava lotado. No final ele e Jill decidiram o que fazer e quando estavam quase convencidos de ficarem trancados em casa tentando descobrir como fazer tudo voltar ao normal, e roubando alguns beijos durante o processo, encontrou a irmã escorada no Jeep do novato em um amasso constrangedor para todos ao redor menos os dois. Talvez Leon até estivesse constrangido, mas duvidava que ele resistiria. Claire era uma força da natureza quando queria. O que tinha de comedido ela tinha de expansiva.
– Eles são tão fofos, não são? – Jill sorriu ao seu lado. Aquilo não fazia nem um pouco o estilo deles.
– Se você acha fofo ver o garoto enfiando a língua dentro da boca da sua irmã então algo está errado.
– Ei, você que é o cara do futuro todo liberal que deu cartão verde para eles saírem juntos – ela cutucou sua costela com o cotovelo.
– Acho que deveria assustar eles um pouco. Tecnicamente ela ainda é uma criança, não a mulher que eu conheço.
– A Claire sabe se virar, é uma garota esperta.
E era mesmo, tinha certeza disso.
Se aproximaram do casal falando alto, quem sabe assim isso os deixasse mais decentes quando estivessem cara a cara.
– Chris, Jill – Claire o chamou assim que notou sua presença. Leon apenas ficou vermelho.
– E aí, vocês têm algo para esta noite? – Jill perguntou vendo o casal a sua frente. Podia ler em sua expressão a pergunta não verbalizada, "o que aqueles dois juntos causariam quando o antigo Chris retornasse?". Caso ele voltasse, suas certezas andavam em baixa. Mas quem sabe não foi uma coisa boa de acontecer?
– Eu e o Leon vamos ao cinema. Tem um filme novo em lançamento e vai ser 3D. Bem que poderíamos ir juntos. Vocês sabem... sair em dois casais e coisas assim. Pode ser divertido.
Poderia ser realmente algo bom. Mesmo em seu tempo gostaria de passar mais tempo com a irmã. Além de que a última vez que foi em um cinema com Jill também foi em 98, antes de toda a porcaria de julho, e com o restante dos companheiros S.T.A.R.S.. Sem contar no fato de que se Leon pensava em continuar a sessão de amassos no cinema estava muito enganado. De certa forma existia uma satisfação em frustrá-lo. Talvez seja por isso que o seu outro eu era irredutível com o relacionamento deles, ou talvez porque os dois precisavam aprender a guardar suas mãos para si próprios.
Combinaram de se encontrar na frente do cinema às nove. Antes de sair de casa perguntou se a namorada tinha uma aspirina na bolsa e fez um lembrete mental de ir até a farmácia comprar remédio.
– De que será o filme? – Jill perguntou ao seu lado enquanto andavam na calçada. Suas mãos entrelaçadas era algo novo para ele.
– Ação. Claire adora filmes com explosões e muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Você não imagina quantas vezes ela já assistiu Commando – Chris respondeu e com a mão livre massageou uma das têmporas.
– Sua cabeça ainda dói?
– Um pouco. De onde venho isso é constante.
– Já foi ao médico? – ao receber uma negativa a garota arqueou uma sobrancelha insatisfeita. – Deveria procurar um médico então. Aceitar sentir dor não deveria ser algo normal.
– Está tudo bem, não é nada.
Continuaram andando até que avistaram o outro casal esperando na entrada, Claire acenou com os tickets em mãos.
– Já comprei as entradas. O filme é surpresa, mas esperem por muita ação. Vamos entrar logo.
Sorriu em resposta, nada surpreendente. Assim que passaram pela entrada os letreiros coloridos o acertaram em cheio irritando seus olhos, sua cabeça pulsou em resposta. Não se achava mais capaz de se acostumar com as luzes de neon. Piscou com força tentando se orientar, cambaleou um pouco e viu o gigante letreiro na sua frente. Não se achava mais capaz de se acostumar com as luzes de neon.
"Cinema 3D, você em outra realidade."
De alguma forma tudo começou a se encaixar como um quebra cabeça. Sua mente inteligente trabalhando duas vezes mais rápido do que o normal. Não estava em coma, não tinha morrido e muito menos voltado no tempo. Ele estava em outro tempo, em uma realidade paralela onde o que era o certo também era diferente do que tinha vivido. Não havia nada de errado com aquele lugar ou aquelas pessoas e agora tinha descoberto. Precisava contar para Jill que matou a charada e decidir o que fazer dali para frente.
Em sua mente o movimento era simples. Precisava apenas parar de piscar, se virar, levar Jill para um canto e contar o que descobriu. Era fácil, uma criança podia fazer isso com um pirulito na boca.
Ele, aparentemente, não poderia.
O movimento, mesmo que lento, fez sua cabeça zumbir e seus olhos darem a sensação de revirarem. A cabeça sentiu um aumento significativo de dor.
– Chris você está legal? – a irmã perguntou de algum lugar.
– É a sua cabeça, não é? – Jill também questionou de outro lado.
Queria responder que sim quando tropeçou nos próprios pés e caiu de joelhos, as mãos automaticamente foram em direção a cabeça. Sentiu um toque em seu braço e soube que era Jill, precisava contar imediatamente sua descoberta. Levantou a cabeça, abriu os olhos e viu o borrão que ela era naquele momento. Tentou abrir a boca, as palavras saindo enroladas como se estivesse falando em outra língua.
– Eu... descobri... – conseguiu dizer antes de tudo escurecer.
..
Quando voltou a acordar sentiu que estava deitado em algo macio. Lá estava ele, menos de uma semana e mais uma visita ao hospital. Odiava hospitais e o cheiro forte que tinham. Queria abrir os olhos e continuar de onde parou contando tudo o que tinha descoberto, mas seus olhos estavam tão pesados. Com muita força de vontade, e algumas tentativas, abriu os olhos aos poucos. Sua visão turva demorou um pouco para se adaptar e o que encontrou mais uma vez o confundiu.
Não era em um hospital que estava, era no seu apartamento. Mais uma vez as coisas ficavam estranhas. Ao olhar ao redor o que viu tirou todo o seu fôlego. Reconheceu cada pequeno detalhe de onde estava, desde a pintura cinza escuro ao ambiente monótono quase sem vida. Totalmente sem personalidade. Aquele era o seu apartamento, não o de 1998, era o de 2013.
– Estou de volta – disse para ninguém em específico. Sua voz era mais rouca. – Que loucura.
Se virou para o móvel ao lado da cama e pegou o celular. Havia algumas mensagens e um recado de Barry na caixa postal. Enquanto se levantava para vasculhar a própria casa colocou o celular no viva-voz.
– Ei, Chris, como está? Você saiu cedo ontem à noite – um silêncio seguiu a última palavra, Barry pigarreou antes de continuar. – Sabe talvez umas férias não seja algo ruim. Sei que tenho brincado sobre se afastar... Deixa para lá. Apenas saiba que estamos aqui para você. Jill está aqui para você.
O que tinha acontecido durante sua ausência? Não poderia nem mesmo recriminar seu outro eu se tivesse falado algo errado já que também não tinha sido muito cauteloso. Até achou que estava indo bem, mas Jill o pegou desde o primeiro momento. Aproveitou o celular nas mãos e abriu o calendário, 6 de julho de 2013. Tinha se passado o mesmo tanto de tempo nos dois lugares.
Ainda andando pela casa foi até a cozinha quando parou abruptamente. Pendurado na porta da geladeira havia um papel aberto todo rabiscado. Há quantos anos não deixava recados assim? Pegou o papel e começou a ler, reconheceu sua letra no instante que a viu.
"Chris,
Se estou certo na teoria maluca que criei troquei de lugar com o meu outro eu de um futuro paralelo e totalmente bizarro. Primeiro achei que estava louco, então que tive um coma alcóolico para no final ter certeza de que tinha ido para o futuro. Mas aquele não poderia ser o meu futuro, certo? Todos os meus amigos estavam mortos há anos, eu lutava contra criaturas assassinas e tentava impedir que pessoas ambiciosas infectassem cidades e países com vírus mutantes. Minha irmã estava envolvida nessa sujeira, Leon e Barry também. Jill não era metade da garota que eu conhecia e não estávamos juntos.
Me perguntei qual era o problema com todo mundo? Por que a gente? Por que comigo? Admito que a cada nova informação que consegui com Barry, que me olhava como se tivesse enlouquecido e precisasse ser afastado, me odiava um pouco mais. Ou te odiava. Como uma pessoa poderia viver assim?
Espero que não tenha bagunçado tanto o meu passado. Me desculpa se deixei o seu futuro confuso, mas venhamos e convenhamos que o que você vive parece ficção de tão absurdo. Não sei quando vamos trocar ou se isso voltará a acontecer e por este motivo preciso te pedir algo...
Conserte as coisas com a Jill, você não precisa estar sozinho e um só pode ser o melhor de si quando está com o outro.
Acredito em um novo futuro para você,
Chris de 1998."
Dobrou o papel e se encostou no balcão. Por mais que tivesse descoberto onde estava, não sabia o que o tinha levado lá. Tudo na vida era ação e reação. As coisas não aconteciam por acaso. Não foi por acaso que entrou naquela mansão infestada de monstros assim como não foi por acaso que vivenciou por seis dias uma vida perfeita. Ele precisa daquele fôlego. Não sabia quanto mais sua alma aguentaria antes de ceder.
Como seria lidar com a perda de Piers logo depois de tudo o que já tinha passado nos últimos tempos?
Fôlego.
Jill havia descrito sua existência em duas palavras. Solitário e doloroso. Ainda era doloroso, porém não tão solitário como antes já que agora sabia o que deveria fazer. Estava de pé, seu relógio não parou de girar e havia vida correndo em suas veias. Apertou a discagem rápida em seu celular.
– Chris? – ouviu a voz conhecida do outro lado.
– Jill, podemos nos encontrar?
Lá estava ele de volta ao seu velho eu. Lutando contra os seus velhos pesadelos e enfrentando os fantasmas de um futuro incerto. Porque as vezes era preciso do mal para saber que estava vivo. E ele usaria do que tinha, no tempo que lhe restava, para mudar o rumo sombrio que sua vida tinha seguido.
Mesmo o seu futuro, com o tempo, mudaria.
FIM
..
Olá, pessoal!
Chegamos ao fim e eu espero que não tenha sido decepcionante. Para ser sincera a ideia dessa história surgiu de uma forma bem esquisita. Primeiro eu pensei "olha só, de trás para frente evil vira live" e seguindo essa linha de raciocínio me perguntei como a história dos 4 principais teria sido diferente. Depois, pasmem, me lembrei daquele filme do Naruto (Road to Ninja) e achei que seria interessante jogar um dos principais em uma linha de tempo paralela. É claro, as personalidades de todos deveriam manter as mais fiéis possíveis e voilà. Era importante ser o Chris a voltar ao passado porque para mim ele é aquele que conecta todos os personagens.
Sobre novas histórias: tenho alguns planos, mas preciso trabalhar na estruturação. Pretendo que não seja nada tão complexo, mas que faça sentido. Chuto uns 7 capítulos, porém sou descontrolada e vou acabar com uns 9/10. Eu me conheço muito bem.
Obrigada a todos que acompanharam Evil to Live. Vocês são demais.
That's all folks!
