Skip Beat é obra da Nakamura-sensei, eu não tenho nada [infelizmente ;-;].
Críticas construtivas eu agradeceria, se me ajudassem ;-;~
Mesmo porque eu empaquei no capitulo 18... Gente...
Tá mais dark que eu pensei... mas assim a coisa só piora X_x
Legendas
- BLA! - grito
"bla" - pensamento
Capítulo 8 - Se a morte vier...
Havia passado mais dois dias desde a primeira tentativa. E agora, o dia estava acabando e Kyoko conseguiu cumprir com todo aquele dia sem muitos problemas. Kuu e Julie ficaram impressionados, mesmo sabendo que era acima da capacidade normal de um ser humano ser lotado de trabalho, e mesmo muitos deles sendo pequenas fachadas para que Kyoko pudesse ficar ocupada, Kyoko fazia tudo com maestria... Kanae, Chiori, Julie e Kuu assim poderiam avaliar bem a situação...
Que não era nada boa...
Julie havia perdido as contas de quantas vezes o olhar de Kyoko mudava para um nulo no meio de algum descanso.
Geralmente 'Kuon-chan' que andava com os pais, Natsu não se sentia à vontade com os Hizuri's, nem Mio, nem a anja, nem Setsu, nem Momiji. Ryuu conseguiu se sentir à vontade na presença deles, mas apenas ambos.
Kuu perdeu a conta de quantas vezes ele se assustava ao ver Kyoko parada, imóvel, olhando para algum ponto específico, como se ela estivesse morta. Ele tinha certeza que ela tinha tido algum tipo de parada cardíaca, e a agitava. Neste momento Kuon ou Ryuu apareciam e suspiravam, o chamando de 'baka oyaji' o que o deixava suspirando menos preocupado, vendo-a viva.
Kanae por outro lado, se estivesse perto, conversava com Kuon ou Ryuu qualquer coisa! Nem que fosse sobre o teto do carro que elas estavam! Quando ficava ausente, tinha que tentar se concentrar o dobro para não receber NG's.
Chiori por outro lado, estudava todas as feições de Kyoko. Apesar de que ela não falava muito, prestava atenção em cada movimento, ou falta de movimento de Kyoko. Era um bom estudo, para saber como se prevenir de certas ocasiões.
Pelo menos era isso que pensava.
Com a chegada do casal Hizuri, Kanae acreditou que seria um pouco de paz. Todos acreditavam que tudo iria melhorar, mas foi exatamente o contrário. Kuu e Julie precisavam saber tudo. Ser deixados no branco da situação não estava ajudando os nervos deles de forma nenhuma!
– Eu não acho uma boa ideia, Kuu-san… - Começou Kanae. Julie queria porque queria saber da boca de Kyoko tudo...
– Não podemos ficar andando em ovos sempre. Precisamos por juízo na cabeça dela. - Tentou Julie novamente. Seu coração dizia que havia algo muito errado... E ela nunca errava.
– Eu ainda prefiro criar uma workaholic do que trazer a verdadeira a superfície.– Falou Kanae de braços cruzados.
– Kanae-chan, precisamos sim trazê-la… Precisamos saber tudo o que pudermos. Não apenas lotar ela de trabalho! Uma hora ela vai quebrar! Precisamos trazê-la à superfície e mostrar que ainda há vida! - Tentou Julie. - Depois dele...
– Eu concordo, mas… - Começou Chiori. - Eu acredito que ainda é muito recente…
– E o que vocês pensam em fazer? - Diz Kuu. - Eu não consigo aguentar vê-la parada, como se estivesse morta, de 5 em 5 minutos!
Kanae suspirou pondo a mão a têmpora, segurando uma onda de dor de cabeça.
– Muito bem. O que pretendem fazer?
– Enfrentá-la. - Diz Julie, que se virou e se dirigiu ao quarto que Kyoko estaria.
Kyoko olhava para a janela. A noite estava mais estrelada e mais fria do que o costume. Ela suspirou, sentindo o ar gelado da noite lhe envolver.
Sim, era ela...
Ela olhava a noite, como se a convidasse para nunca mais acordar.
Como ela gostaria que a morte lhe viesse...
Era a única coisa que conseguia pensar. Kuon, Setsu, Natsu, Ryuu, Anja, Momiji estavam todos trancados. Ela queria ficar só.
Sentiu a cabeça pesada... As emoções à flor da pele... Mesmo com os olhos abertos, seu sonho ainda estava vívido... Ela o via, abraçando uma garota mais nova que lhe olhava, desprezando-a... Palavras como "feiosa","taboa, "Ridícula", "sem Sex Appeal" dentre tantas outras rodaram durante aquele dia inteiro...
Muitas meninas de seus comerciais a olhavam rindo, ela era realmente tão patética...
Mas por que tentavam a todo custo protegê-la? Não seria mais fácil desistirem dela?
Ela olhou para as mãos... Até que viu sangue.. Aquilo a assustou e ela sentiu um calafrio... Ela sabia que calafrio era aquele.
–Ora... ora... ora... O que temos aqui? Resolveu parar de fugir?
– D...demon Lord...
– Ora, pequenina feiosa, quem mais queria? O próprio?
– N-não...
– Então... Vamos continuar o que nos pararam dias atrás?
– O que quer?
– Você ainda pergunta? Ninguém lhe quer perto, menina... Além de ser uma taboa, você é burra? Bem que sua mãe sempre dizia isso... – A voz dele agora eram dela e Kyoko travou totalmente.. - Nada abaixo de dez serve, você é tão burra que nunca chegará a perfeição! Por que eu deixei meu pior fracasso nascer? Por que eu não tirei sua vida quando pude? Mas Toudou-san me impediu quando eu realmente iria fazer... Um idiota como ele preferiu que eu desse a luz a meu encosto, minha falha, do que perdesse a vida... Eu desejei morrer pelo seu crime... Por sua causa... Eu fui fraca... Você foi a causa... Não foi Kazushi-san... Foi você... Inútil... Que não serve para nada. Faça um favor a si mesma, morra de uma vez...
Kyoko olhava para o nada, até sentir uma mão em sua cintura... A sombra dele lhe rodeou, parando nas costas dela, segurando-a pela cintura, apertando-a contra si mesmo. Para Kyoko aquilo era vivido. Sua La La land se tornou seu pior pesadelo...
– Vai deixar assim mesmo, pequena inútil? Por que não realizar o desejo de sua mãe... E terminar tudo de uma vez por todas?
– Mas...
– Você ainda quer viver? - Ele saiu de trás dela e ficou a sua frente. Kyoko chorava. A risada sarcástica era ouvida daquela sombra. A risada sarcástica dele... A mesma que ela ouviu atrás da porta. Kyoko sentia o peito afundar... - Depois de ter escutado aquilo? - Disse a sombra, inconfundível dele... Ele colocava a mão no queixo dela, com um sorriso sinistro. Kyoko tinha o olhar morto.– Eu não já lhe disse que não aguento mais lhe ver?– Kyoko arregalou os olhos, olhando pro olhar daquela sombra... que tomava ainda mais a forma dele. Os cabelos nos olhos, o mesmo queixo... O mesmo sorriso gentil agora, não passava mais do que um sorriso sarcástico... Demoníaco talvez... - O que mais quer que eu diga? Que você é um pé no saco? Que não chega aos pés da pessoa que amo? Que é feia e plana aos meus olhos? Sem nenhum pingo de sex appel? Nunca sentiria nada por você a não ser pena.– Kyoko tremia a cada palavra. Era como se seu coração tivesse revivido para ser enfiada varias agulhas, tornando uma dor insuportável. Suas pernas cederam e ela caiu no chão sentada. As lágrimas ainda eram mais vividas, como cristais líquidos que lhe caíam dos olhos. - Sua mãe deveria ter ficado intrigada pela sua feiura. De quem puxou isso? Com certeza não foi de seus pais? Talvez eles tivessem algum tipo de parente que foi rejeitado por conta da feiura...– A sombra, que a cada dia se tornava ainda mais em forma dele, estalou os dedos como se soubesse a resposta - É isso! Talvez essa mesma mancha negra tenha se matado e ninguém da família de seus pais nunca tenham dito nada... Ah, mas o que quero dizer? Você não conhece a família de seu pai... Então por isso...
– Para... - Kyoko chorava, tremia tentando se abraçar. - Por favor...
– Oh? Preciso dizer algo mais? - A sombra, se aproximou do rosto dela e Kyoko podia jurar que a sombra respirava. Não era mais uma sombra, era o corpo físico? Kyoko sentiu o coração parar de bater - Shii... Shiii... - Disse aquele novo ser a frente dela, que tinha tornado a forma dele. Ele a abraçou confortando-a. - Vamos... vamos... Não chore mais... E realize o sonho de todos eles...
– Como... assim... Tsu...
– Deixe este mundo de uma vez... Deixe de ser um pé no saco... - Kyoko olhou para os olhos daquela forma, eram vermelhos? O corpo dela parecia gelado? Ou era o ambiente que parecia gelado?- Eu posso amenizar sua dor...
– Pode?
– Sou seu senpai...– Falou a forma daquele novo ser. Um sorriso sarcástico lhe emoldurava o rosto. - Querendo ou não eu posso sim, fazer tudo desaparecer... diferente deles, Eu lhe quero... Venha... A eternidade lhe chama. Venha comigo e eu apagarei todo traço de dor existente no seu ser...
Kyoko olhou aquela mão, que ele estendia... No seu ser algo dizia para não tomar, mas, ela estava sem forças... Queria fazer a dor desaparecer...
Ela estendeu a mão e tocou na mão dele. Um sorriso de triunfo lhe coroou a face.
– Muito bem... Kyoko-chan... Vamos ficar juntos para sempre... Por toda a eternidade...
Chiori e Kanae seguiram Julie e Kuu ao quarto de Kyoko. Ela deu três batidas no quarto.
– Kuon? Ryuu? Kyoko? - Nenhuma resposta. - Estamos entrando… - Disse Julie e abriu a porta. Tudo estava escuro. - Aposto que ela dormiu, não? - Disse Julie, mas vendo que ninguém estava na cama se preocupou e abriu a luz.
Vazia...
Kanae, Chiori e Julie se entreolharam.
– Kyoko? - Começou Kanae, até que escutou água caindo constantemente. "De novo não! Por favor Kami-sama!"– Kyoko? - O olhar dela e de Chiori se reencontraram, apavoradas. - Kyoko!? - Nenhuma resposta. Sentindo um enorme calafrio, Kanae correu ao banheiro. - Estamos entrando! - Kanae forçou a porta que destrancou no mesmo segundo. Ela sentiu um calafrio na espinha...
Ela olhou para dentro...
Escuro, com o chuveiro ligado.
– MO! Que brincadeira de mal gosto é essa Ryuu! - Começou e ligou a luz do banheiro e pisou no chão. Foi quando sentiu o chão molhado. Sentindo o coração na garganta, correu até a banheira e abriu a cortina.
–KYOKO! - Kanae deu um grito em plenos pulmões.
Julie sentiu o coração ser arrancado dos pulmões vendo a cena a sua frente.
Kyoko desta vez se encontrava na banheira, vestida, com o chuveiro ligado acima dela e a água caindo em abundância, escorrendo pelo ralo, assim como o sangue que escorria dos pulsos cortados de Kyoko. Ela estava bem pálida, mais que o normal, com os lábios já um pouco roxos.
Rapidamente Kuu que entrou depois do grito de Kanae, se põe em movimento tirando o avental e pressionando os pulsos de Kyoko, que se encontrava deitada na banheira, desacordada, e muito fria. Kanae desligou o chuveiro e pegou outra toalha para pressionar o outro pulso de Kyoko para estancar o sangramento. Ambos os cortes pareciam bem profundos e o sangue não parava de jorrar. O olhar dela estava vazio, igual ao de quando Momiji havia morrido... Olhos que a acompanhavam desde aquele dia...
Chiori olhava tudo sem saber o que fazer, até ligou para a ambulância que não demorou os paramédicos chegarem para levarem Kyoko ao hospital. O mesmo médico a atendeu…
– Essa menina tem muita sorte de ser encontrada no momento exato. Se ela ficasse mais alguns segundos como encontraram, vocês estariam preenchendo um formulário de funeral, e não de saída do hospital… - Disse entregando a Kuu.
O médico olhou para Kuu e Julie, que estavam sem chão.
– Posso perguntar o que aconteceu? - disse olhando-os. Kanae não quis sair do lado de Kyoko por nenhum segundo. - O corte feito para uma menina daquele tamanho é quase impossível, a não ser que ela seja um chefe de cozinha experiente. Ela teve força para cortar uma das veias mais importantes de um dos braços, mas do outro ela só conseguiu superficialmente. Talvez esta tenha sido sua sorte de não ter morrido tão mais rápido do que poderia. Mas ela ficará meio com dificuldades de segurar alguma coisa com a mão esquerda. Fiz os pontos de forma que ficassem bem firmes. Talvez ela tenha que passar por fisioterapia depois desta, mas o mais importante... Eu preciso saber o que aconteceu...
– Estamos fazendo esta mesma pergunta doutor... - Disse Julie chorosa.
– Ela sempre foi uma menina alegre. Não estamos entendendo da mesma forma que o Sr não entende.
– Onde está a família dela? Mãe, pai? Eles sabem?
Julie e Kuu se olharam e suspiraram.
– A mãe dela não quer saber dela.
- É tão grave assim?
- Ela basicamente nos vendeu Kyoko...
- Como?!
- Ela estava finalizando os processos de emancipação, para que ela fosse dona do próprio nariz. Quando chegamos pedindo ajuda, ela de primeiro disse que não tinha filhos. Tive que ser muito duro, e trazer um pouco de medo aquela couraça de gelo... Só assim ela nos levou ao escritório dela, e disse que daria os papeis de adoção, já que estávamos 'pedindo' com tanto 'jeito', mas teríamos que pagar pelo que ela pagou do processo de emancipação... E ela entregaria os papeis e transferia ela completamente para nossa linhagem, apagando-a da sua propria...
- Isso é ilegal! - Disse o medico. - Como uma mãe pode fazer isso?! E o pai dela?
- Não sabemos. Quando indagamos, a mãe dela disse que ele está morto, mas só Kyoko-chan que sabe, pois uma vez... Ela contou a Kyoko, depois de dizer... em cadeia nacional... que não tinha filhos... - O médico arregalou os olhos, vendo a gravidade. - Mas isso tudo é segredo. Terei que pedir que assine um termo de silêncio. Se isso sair do controle, tememos... que a próxima...
– Eu quero acompanhar o caso de perto. Assinarei sim este formulário. Mas eu precisarei saber de todos os detalhes.
– Sim...
– Essa menina não só está com um caso sério de depressão, mas de abandono por parte da família. Kotonami-san é mesmo irmã dela?
– Não. - Disse Julie. - Mas mantenha em segredo isso. Kanae-chan teme que se sair de perto dela por um só segundo, Kyoko possa... Agora somos os pais reais de Kyoko, como se ela fosse mesmo minha filha. Temo que a mãe dela já tinha tudo pronto para o primeiro que pedisse a guarda dela. A forma dela falar de Kyoko... é como se ela fosse... uma pedra no sapato dela...
– Eu entendi. Prescrevi alguns remédios, para que administrasse a ela, para tentarem reverter a situação, então, por favor, me mantenham informados. - o Médico entrega o cartão. - Qualquer coisa, podem me ligar. Nunca vi um caso de depressão deste grau. E vocês disseram que ela estava completamente normal?
– Sim … - Respondeu Kuu cansado. - O que mais me assusta é isso. Mas lhe manterei informado.
– Ela precisa de um bom psicólogo agora. Eu conheço um muito bom. Entrarei em contato com ele para saber a agenda dele. De qualquer forma, administre o remédio toda noite. Vai amenizar e pelo menos ela vai dormir ao invés de tentar se matar a noite.
– Obrigado.
Aquela noite havia sido incrivelmente longa para os Hizuri's, e muito mais para Kanae e Chiori.
Kyoko ficou sedada por dois dias, para descansar e os pontos serem firmados. O médico receou que se ela acordasse no dia seguinte, pudesse fazer algo para cortar os fios, ainda novos no corpo dela.
Kyoko acordou dois dias depois dela tentar se matar, mas as lágrimas não chegaram nem a superfície, quando Setsu tomou conta do recipiente. Setsu e todos estavam irritados porque Kyoko tentou novamente se matar. Mesmo com os pulsos cortados e com pontos bem pequenos para ninguém ver, a falta de sangue e de movimento na mão esquerda, não impediram dela ir trabalhar. Ambas iriam tirar fotos. E as fotos de Setsu eram as melhores.
– Kuu-san! Você achou uma joia rara!– Disse o fotógrafo empolgado. - Posso ter um momento com ela?
– Eu não aconselho. Principalmente porque a irmã dela é ciumenta. - Disse Kuu sorrindo vendo Kanae tão protetora com Kyoko. O dia mal havia começado e Kanae rilhava os dentes para todos os homens que tentaram chegar perto de Kyoko, assustando-os em questão de segundos.
– Mas eu quero essa joia rara no meu próximo comercial! - Disse - Você sabe que eu sou diretor e quando ponho o olho em algo, eu não quero deixar fugir!
– Quando seria?
– Amanhã.
Kuu abriu uma planilha e Genro arqueou a sobrancelha.
– Desde quando você é agente, Kuu?
– É minha filha, por que não? Estou de férias e junto com a mãe dela estou ajudando-a.
– FILHA? Desde quando você teve uma filha e ninguém sabe? - Se assombrou.
Kuu suspirou. Conhecia Genro há anos... A história teria que ser muito convincente... Não tinha pensado bem ainda em uma historia para encaixar Kyoko na sua árvore genealógica, ou na de sua esposa...
– Ela é nossa filha Genro, ponto...
– E o filho de vocês?
O mesmo suspirou e Genro soube que algo não estava bem.
– O que está acontecendo? Primeiro eu sei que você não tem filha nenhuma! Nem Julie... Então não adianta dizer que ela é sua filha, sendo que ela não se parece com vocês.
- Não queria entrar para a complicação Genro. Por favor...
- Você sabe que pode contar comigo, manteria o segredo, levando-o pro meu túmulo!
– Sei sim, por isso a deixei nas suas mãos hoje. É a primeira vez que ela tira fotos.
– O que foi então? Ela está grávida dele?
– Não. - Disse Kuu cansado. Se este fosse o detalhe, Kuu estaria feliz e não triste. - Não tem nada do tipo. Apenas não quero falar sobre isso agora. Tive noites bem puxadas...
- Kuu, você sabe...
- Eu sei Genro... Eu sei... Mas agora eu não posso falar nada. Ainda estamos passando por um processo bem complicado... Depois de perder ele, você sabe o quão Julie ficou arrasada... O quão nos ficamos mal... Estamos passando por algo similar... só que muito pior...
– Pior?! Kuu, você sabe... Ok. Se precisar de ajuda, é só me contar. eu faria tudo no meu poder para ajudar...
– Eu sei, Genro-san. Bom, amanhã, qual horário?
– Este mesmo.
– É sobre o que?
– Um perfume. Não consegui uma perfeição para estar em estatura com o star.
– Quem seria?
– Tsuruga-san.
– Recusado.- Disse fechando o tablet irritado.
– Como assim Kuu?!
– Ele e ela não atuam juntos. Se eu colocasse, Kanae-chan me arrancaria a garganta fora. Não. Agora não.
- Desde quando uma atriz menor arrancaria a garganta de um ator famoso? É o mesmo de pedir a morte...
- Este é o problema...
– Mas o que diabos está acontecendo?! Quem eu preciso convencer? - Tentou esperançoso. Kuu arqueou a sobrancelha pela insistência de Genro.
– A dama de cabelos negros e Julie.
– O que tem eu? - Disse Julie chegando com Chiori.
– Julie-chan! Está cada vez mais bela!
– Sem puxa saco Genro! O que você está tramando?
– Não posso nem mais elogiar? - Disse suspirando e ao ver o olhar frio de Julie suspirou ainda mais. Ele a conhecia o suficiente para saber que ela estava super hiper estressada. Ou seja, o problema que eles estavam enfrentando, a pequena "filha" deles era a causa... Mas ela parecia tão... Normal... - Quero essa beleza pro meu comercial. Mas Kuu disse que ela e o Tsuruga não atuam juntos. O que posso fazer para por os dois juntos?
– Nem em um milhão de anos - Começou Chiori. Genro ficou surpreso. - Se você quiser ver a 4 guerra mundial junto com a 3, ponha estes dois juntos!
– Eles se odeiam? - Disse Genro assombrado - Nunca vi ninguém odiar Tsuruga-san assim!
– Sobre o que é o comercial? - Começou Julie e Chiori e Kuu a olhavam sem acreditar.
– Um perfume masculino.
– Qual a plot?
– Um pouco romântica. - Chiori e Kuu se entreolharam alarmados - Mas não haverá beijo nenhum. Apenas um roçar de bocas.
– Kyoko-senpai não faria isso… - Disse Chiori - Natsu ou Setsu fariam, mas Kyoko-senpai nunca.
– Quem é Natsu e Setsu?
– A…
– Ninguém - Cortou Julie. - Você tem a plot pra me mostrar? O script?
Kuu olhava a esposa sem entender. Eles tinham acabado de sair de um dos piores pesadelos e Julie já queria explodir a bomba?
– Jul… o que está pensando?
– Genro, posso dar a resposta depois? - Disse Julie.
– Quando?
– Daqui algumas horas.
– Claro!
Genro saiu e voltou a tirar fotos, pois o intervalo já havia acabado. A conversa com Kuu tinha sido estranha. Eles nunca esconderam nada dele...
– O que está pensando? - Começou Kuu. - Eu não quero passar por outro pesadelo como de duas noites passadas, Jul.
– Meu coração de mãe diz que algo está muito errado! E eu não me engano nunca quando tenho esta sensação. Eu sei que é super arriscado, mas eu quero testar.
– Kanae-san não vai aceitar.
– Ela não precisa saber.
– Kaa-san, com todo respeito… Isso não vai dar certo. - Chiori tentava em vão.
– Só sabemos se tentarmos. E outra coisa, Tsuruga pode ser tudo, mas ele não é este coração gélido! Nem Lory. Por mais que eu o odeie, ele não faria o que Kyoko disse que ele faria. Tem algo de errado.
– Não é melhor enfrentá-los do que colocar ambos frente a frente em um comercial deste calibre? Kyoko-senpai não vai conseguir agir.
– Kyoko não, Natsu e Setsu sim. Mas eu preciso vê-los juntos. Eu vou saber se ele está mentindo mesmo!
– Mau jogada, Kaa-san. Estou lhe avisando. - Disse Chiori tentando última vez. Ela estava com medo. Kuu a acompanhava.
– Se for uma má jogada, se algo acontecer, você pode me culpar pelo resto da minha vida. Mas eu não só preciso confrontá-la, como preciso saber se ele fez isso mesmo!
Chiori suspirou. Sabia que quando algo ficava na cabeça de Julie, ninguém impediria.
– Ficarei calada. Se alguma coisa acontecer, a senhora é a culpada. Eu não sei de nada.
– Obrigada Chiori-chan! - Disse Julie dando um abraço de urso nela.
Kuu suspirou e anotou no tablet o trabalho dela colocando uma pequena bomba no dia.
– E lá se vai meu dia de paz amanhã… - Diz Kuu cansado.
O dia passou, e a noite chegou. Decididos que precisavam ter uma boa noite de sono sem surpresas ruins, Kuu administrou o remédio que o médico havia prescrito, misturado na comida de Kyoko e a mesma dormiu a noite toda sem tentar nada contra a vida dela.
Kanae suspirou tranquila quando descobriu que Kyoko dormia sobre efeito de remédio pesado. Aquela noite todos puderam dormir tranquilamente.
No dia seguinte, a primeira a acordar foi Julie, que foi ao quarto de Kyoko. Vendo-a deitada, suspirou. O remédio ainda estava fazendo efeito… Decidida a nada estragar o dia, Julie pediu um enorme café da manhã. Cozinhar não era seu forte, então não queria mandar todos ao hospital cedo pela manhã. O encontro aconteceria a noite…
O dia transcorreu bem. Setsu novamente passou o dia comandando Kyoko. Ao chegarem no lugar das gravações, Setsu travou vendo-o… Assim como o mesmo travou vendo-a ali.
–Moga...mi-san… - Disse Ren e um sorriso cálido passou pelo rosto dele. Mas apenas isso. No segundo seguinte, ele encarava o olhar frio dela… Não… um momento... - Setsu?
Kyoko se virou para Julie e Kuu que estavam com ela.
– Isso seria uma brincadeira de mau gosto? - Disse Setsu. - Vou atuar com ele?!
– Setsu-chan…
– Não me venha com Setsu-chan, Kuu! Vocês querem jogá-la para a morte mesmo? - Rilhou Setsu com os dentes. Kuu e Julie já haviam se acostumado com as outras personalidades de Kyoko.
– Você sabe que não é isso... - Começou Kuu colocando todo seu lado ator para funcionar. - Não sabia que ele estaria aqui.
– Próxima vez certifiquem-se!– Disse Setsu em plena fúria. - Eu não vou atuar com ele…
Genro chegou vendo que sua joia rara realmente odiava Ren. Por outro lado, Ren não estava entendendo mais nada, além de estar extremamente triste. Por que todo este ódio direcionado a ele? O que ele tinha feito?
– Acho que é mesmo a primeira vez que vejo alguém odiá-lo tanto assim. - Disse Genro rindo. - Vamos, Kyoko-san. É um comercial pequeno. Você é uma atriz, não? - Ela sentiu como se tivessem esfaqueando ela. - Ou vai deixar seu lado emocional agir no lugar do profissional? - Outra faca. - Isso é o que amadores fazem… - Outra faca.
Kuu e Julie o olharam enfurecidos. Ele tinha que falar LOGO aquilo?
– Que foi? - Disse ele sem entender.
– Ora... seu... - Começou Julie mas foi cortada por um arrepio na espinha e ela conhecia aquele arrepio...
– Muito bem… - Disse adquirindo uma nova posição. Julie engoliu. Ela conseguia saber quem era essa agora… - Vou lhe mostrar o quão profissional eu sou… - Disse Natsu com uma voz suave e sedosa e muito sexy. Genro sentiu a espinha gelar e o rosto corar.
Ela se virou para o camarim, para se arrumar. Tsuruga já estava pronto. Ren se aproximou de ambos, quando Kyoko saiu.
– Hizuri-san. Julie-san… Boa noite. - Disse Ren
– Como tem passado… Tsuruga-san? - Começou Kuu com um sorriso brilhante. Ren sabia que seu pai estava furioso, mas porque?
– Já estive melhor. E Mogami-san?
– Já esteve melhor… - Disse Julie, analisando o filho. - Surpreso?
– Muito. Mogami-san andava sumida.
– Dias sem pisar na LME é sumida?
– Sim. - Disse Ren. - Pra quem sempre estava lá e de repente não está mais, é bem solitário sem ela e as outras meninas da LoveMe.
– Só por causa da LoveMe, ou por causa que Kyoko não está mais perto de você? - Tentou Julie e Ren suspirou.
– O que aconteceu com ela? Estou preocupado, Lory e Yashiro também. Eu nunca a vi com tanto ódio por minha pessoa...
Julie o olhou como se o visse pela primeira vez. Ela lançou um olhar para Kuu, que o olhava ainda irritado, mas não mais furioso.
– Por favor, se aconteceu algo, eu quero ajudar... - Tentou Ren e ambos se entreolharam novamente...
– Não...
– Ora, ora, ora... O que temos aqui? - Começou Natsu. Ren quando se virou, faltou cair no chão. Ela estava simplesmente deslumbrante. O vestido longo, branco, com duas aberturas na lateral, mostrando as penas cremosas e brancas dela, que terminava em uma bota branca de salto altíssimo. O vestido lhe prendia nos lugares certos, acentuando ainda mais as curvas de Kyoko. O olhar marcado com delineador negro e uma maquiagem dourada realçando os olhos dourados dela, o vestido de alça lhe trazia um novo ar sedutor. E Natsu parecia gostar do efeito que estava dando. E Ren odiava o olhar devorador de muitos homens do estúdio. - Querendo me trair, Kuu, Julie? - Disse Natsu que passou adiante de Ren, ignorando-o. Kuu e Julie suspiraram.
– Isto são modos de falar com seus pais, mocinha?- Começou Kuu. Tsuruga arqueou a sombrancelha novamente em ouvir seus pais a chamando de filha...
– Eu não tenho pais... - Falou em uma voz monótona, olhando-os friamente, - Vocês estão na posição de agentes, e não de pais. Pelo menos não quando eu tomo de conta... - Disse parando numa posição assustadoramente sensual. Ren queria cobri-la imediatamente, vendo-a exposta daquela forma sem pudor.
– Mogami-san…
– Kitazawa-san… - Diz Natsu. - Não gosto que mudem meu nome assim. Apesar de que detesto ser chamada de Kitazawa… Natsu-san é bem melhor. - Disse virando o olhar a Ren. - O que quer, Freek-san?
– Natsu-san… Fiquei surpreso em vê-la aqui.
– Decepcionado, Freek?
– Nunca. - Disse Ren ignorando como ela o chamava. - Você não me…
– Não foi o que disse outro dia na sala do Saichou, Freek-san... - Disse cruzando os braços, o que acentuando ainda mais aquela região. Ren precisava controlar os hormônios.
– Estava…
– Enfim... - Diz Natsu, cortando-o e se virando. Ren tinha a visão mais privilegiada de todas e naquele momento ele teve que segurar Kuon de todas as formas que conhecia. - Quero terminar todo o comercial logo. Tenho ainda muita coisa para fazer.
– Com o horário lotado? - Tentou falar para sair da ideia de que iria em alguns momentos ter que atuar com ela nos seus braços.
– Sim, algum problema? - Disse, olhando-o de forma a zombadora. Ren suspirou, vendo-a olhar com tanta zombaria. O que ele tinha feito para receber tal tratamento? Ele tentou de todas as formas lembrar desde o fatídico dia na sala do presidente, mas nada lhe vinha a mente.
– Você comeu hoje? - Perguntou a primeira coisa idiota que veio a sua cabeça. "Claro que ela comeu! Kuu está com ela, idiota." Ren escutou a voz de Kuon gritar dentro de si.
– Ora, que irônico… Não era sempre eu que perguntava isso a você? - Falou, cruzando os braços e pondo uma das mãos nos lábios carmesins dela.
– Sim, mas seu horário está mais lotado que o meu. Por acaso almoçou?
– Kuu-Otou-san está comigo. Você não acha que eu comeria, querendo ou não com um buraco negro que ele tem?
– Eu não…
– Perguntas estúpidas, respostas mais estúpidas. - Cortou Natsu e foi andando até Genro. Ren suspirou e olhou aos pais. Julie notou que era Kuon falando e não Ren.
– Vocês poderiam me informar porque ela está com tanto ódio de mim assim?
– Não sei… - Começou Julie sem emoção na voz. - Você que me diga...
– Se eu soubesse, eu já teria feito de tudo para ela voltar ao normal comigo… - Disse Ren suspirando cansado.
– Teria… né? - Disse pensando Julie.
– Tsuruga-san! Estamos esperando! - Ren se retira e Julie olha Kuu.
– E ai? - Começou ele. - Pegou?
– Mas que o necessário. - Disse Julie voltando a olhar pro casal mais idiota do mundo a sua frente. - Como ela não percebe que ele é arriado os quatro pneus por ela? - Julie suspirou - Ele pode ser falso em muitas coisas, mas nisso, eu vi... Não é. Ela, com certeza, ouviu errado...
– Ou ele mente muito bem... - Terminou Kuu - De qualquer forma... - Disse olhando o casal com o diretor enquanto conversavam. - Precisamos estar atentos às mudanças dela, Juls...
– Sim... vamos torcer que nada venha a tona...
Kuu olhou preocupado para sua filha. Ele sentia o coração apertado como se dissesse que foi a pior ideia tentar juntá-los daquela forma...
O comercial passou, rapidamente, com muitos problemas. Às vezes era Natsu que tentava deixar seu lado sádico aparecer. Ren tinha que escapar por milésimos de segundo de alguma investida dela, mas a mesma fazia de forma tão sutil que quem levava o NG era ele. Outras vezes, era ele mesmo que causava o NG, pois precisava se concentrar o triplo para não fazer alguma coisa a mais, como terminar o beijo inexistente, agarrá-la com vontade, e fazê-la dele ali mesmo. Natsu estava jogando sujo, fazendo-o se descontrolar e Kuon estava mais na superfície do que mesmo Ren.
Mas Julie pode, finalmente e sem sombra de dúvidas, ver que havia realmente algo muito errado no que Kyoko havia dito.
"Eu sabia que meu Kuon não falaria aquilo! Não dá Kyoko-chan! Olha como ele a olha! E aquilo não é falso! Kyoko-chan, o que foi que você ouviu? Melhor dizer… Kuon… O que diabos você falou? E de quem era que falava?!"
Julie viu ambos próximo, olhando um para o outro… Não imaginava o tumulto que havia se instalado dentro do coração de Kyoko…
"Então é assim que ele trataria ela? É assim como é ser querida? Ser abraçada? Ser amada? Mas não sou eu… Ele me odeia… Como todos me odeiam."
Kyoko o olhava através do olhar de Natsu. Ela deixou-a atuar, porque sabia que não teria condições nenhumas. As palavras dele soavam como facas afiadas nos ouvidos dela..
"Não aguento mais vê-la! Ela é um pé no saco! Ela é feia e plana aos meus olhos! Totalmente não sexy aos meus olhos!"
"FOCO KYOKO!"– Gritou Natsu.
Ren, que tinha ganhado mais um NG, quando olhou fundo nos olhos dela… Sentiu o coração ser esmagado no peito dele.
– Mog… Natsu-san?
"Ela não chega aos pés da pessoa que amo!
Eu não aguento mais a voz dela, a presença dela, o cheiro dela,
mas eu tenho que suportar tudo até o fim de tudo isso.
Afinal somos 'colegas'… 'Amigos' de trabalho."
"KYOKO! FOCO! OU VOCÊ VAI DEIXAR ELE…"– Natsu não conseguiu terminar a frase, pois foi calada pela mesma. Todos ficaram em silêncio profundo. Nem Kuon, Nem Ryuu ousavam se mexer.
"Termine o que tem que fazer, Natsu… Eu não vou ficar na sua frente. Faça o que quiser… Apenas me deixe em paz quando eu pedir…"
Kyoko se retirou internamente da sala de comando e Natsu assumiu o controle em dois tempos. Ren a olhava com cara de idiota. Natsu sentiu toda ira subir aos seus olhos. Ren, tomado de surpresa se afastou imediatamente.
– K-Kyoko-san? - Começou Gerno, que havia acabado de chegar para dar mais uma bronca em Ren. Nunca em sua vida Tsuruga Ren havia ganhado tanto NG como ele estava ganhando. - Está tudo bem?
– Sim. Vamos terminar logo com isso. Eu preciso sair daqui. - Disse Natsu. - Ele não vai errar da próxima vez. E mais nenhuma vez. - Disse Natsu, seria.
– Se você diz? - Ele se vira para Ren e o mesmo ainda sentia o coração martelando no peito. Aquele olhar vazio… Havia algo muito errado e ele tinha certeza que seus pais sabiam de tudo.
Julie que assistia de fora sentiu a alma gelar.
– Kuu…
– Você viu também? - Disse Kuu alarmado.
– Precisamos estar atentos essa noite! Ainda tem aquele remédio?
– Sim…
– Bastante?
– Com certeza!
Julie se segurava no marido. Ela sabia que alguém estava em negação e sabia que era Kyoko. Mas não podia fazer nada se Ren não consertasse o que ele fez… E LOGO!
Fiel a palavra, Eles terminaram de gravar e Natsu foi pro camarim. Julie foi atrás.
– Natsu-chan?
– Saia...
– Isso são modos de falar com sua mãe? - Julie viu visivelmente Kyoko tremer da cabeça aos pés. Não… Aquela não era Natsu.
– M...me desculpe, Hizuri-san…
– Kyoko? - Julie entrou e fechou a porta. Aquela era a própria Kyoko?
– H-hai… Hizuri-san…– Kyoko se virou para Julie. Era impossível ler as emoções da pequena menina a frente dela. - Me perdoe por ser bruta, ignorante… Mas eu quero ficar sozinha.
– Pode ser depois? Queria muito falar com você, e somente você.
– Pode falar…
– Você tem plena certeza de que ele falou aquilo tudo?
"Não aguento mais vê-la! Ela é um pé no saco! Ela é feia e plana aos meus olhos! Totalmente não sexy aos meus olhos!"
Kyoko consentiu com a cabeça escutando a voz afiada dele.
– Não tem nenhuma possibilidade dele está se referindo a outra pessoa?
"Ela está completamente cega! Não consegue ver que eu amo outra pessoa! Simplesmente ela não larga do meu pé!"
Ela negou sentindo navalhas afiadas dilacerarem seu coração, já em pedaços. Julie chegou perto dela e se abaixou, tentando ver os olhos dela, mas a mesma não tinha nenhuma abertura. Era impossível ler o que se passava nas emoções dela.
– Eu posso perguntar a ele? - Ela abaixou a cabeça escondendo os olhos.
"Sinto-me um babysiter com isso… Quase não consigo ficar perto de quem verdadeiramente amo nestas últimas semanas por causa dessa inconveniente."
– Não importa o que ele disser.–Kyoko respondeu. Julie sentiu a espinha gelar. Que voz era aquela? Que emoção negativa era aquela? - Eu sei o que ele falou de verdade. Outra pessoa perguntando ele vai mentir. Eu não vou acreditar…
– Kyoko-chan… Eu te entendo, mas e se ele tivesse falando de outra pessoa e não de você?
"Eu a odeio. Ela é o tipo oposto da pessoa que amo. Ela me dá nojo…"
Ela negou novamente com a cabeça. Julie suspirou.
– Muito bem. Vamos mudar a conversa. - Disse Julie tentando parecer normal. Mas a falta de emoção, ou a emoção negativa de Kyoko apertava o coração de Julie ainda mais.
– Não precisa ficar preocupada comigo Hizuri-san.– Diz Kyoko com a voz que dilacerava o coração de Julie. Fechando os olhos, Julie a olhou e viu um sorriso cálido nos lábios dela o que a assustou no início. - Eu logo estarei bem. Sou como um daruma. Eu não vou ser facilmente vencida. - Disse com uma voz forte, passando certeza e firmeza na voz.
Julie sentiu um calafrio na espinha. Sua intuição de mãe gritou para que ela não acreditasse, mas o olhar cálido, simpático e feliz que Kyoko estava dando a fez mudar de ideia.
– Você sabe que pode contar comigo, não? Apesar de não ser sua mãe de verdade, eu lhe quero como uma filha!
"Eu… Não tenho filhos. Nunca quis ter. Você foi algo que não foi planejado. Um problema… Minha falha..."
– Claro. - Disse sorrindo calidamente.
– Então vamos logo! Se arrume porque temos muita coisa a fazer antes de finalizar o dia! - Disse Julie.
– HAI! - E com isso Kyoko se vira para o banheiro, para se trocar.
"Tsk. Por que meu coração fica me dizendo que eu não posso… Acreditar… Neste sorriso?" – Julie via a porta do banheiro se fechar e seu coração de mãe apertar no peito.
"Tanto é minha falha, que eu tentei te matar antes de nascer.
Mas eu perdi muito tempo, sem saber que lhe carregava.
Se eu soubesse, você nunca teria nascido.
Olhar para você, é olhar para quando falhei miseravelmente…
Você a lembrança da minha pior falha…
E eu preferia morrer e te levar junto do que ter deixado você nascer neste mundo…"
A voz de Saena era pulsante debaixo da máscara de felicidade de Kyoko. Mesmo no banheiro, ela manteve a máscara, saiu o mais rápido possível, assim que se trocou.
"Você nunca foi querida, Kyoko. E nunca vai ser…"
A voz de Saena era perfurante e o sorriso dela mais largo, como se tivesse ganhado um doce mais gostoso.
Kyoko, sorrindo calidamente a todos, Kuu, muito preocupado e Julie, muito pensativa, saem do local das filmagens. Ren não conseguiu conversar com os pais mais. Suspirando, ele sabia que passaria mais uma noite em claro, principalmente depois de ter-lha nos braços como ele havia tido hoje.
– Eu estou melhor - Dizia Kyoko convencendo Kuu e Julie - Eu não vou fazer nada de ruim… Apenas vou dormir.
– Está mesmo tudo bem, Kyoko? - Perguntou Kuu ainda incrédulo.
– Sim…
– Estou tão feliz em poder conhecer a própria Kyoko… - Dizia Julie - Minha filha!
"E eu duvido que haverá alguém que se importe realmente contigo.
É minha culpa que você está neste mundo… Mas ao mesmo tempo…
É como se você tivesse pagando pelo meu erro…
E isso me deixa feliz…
Você sofrer pelo meu erro…"
A voz de Saena novamente perfurava o ouvido dela, mas ela não deixou isso aparecer.
– Logo vamos fazer compras! Quero lhe vestir como uma princesa! - Terminava Julie rodando e feliz, mas com o coração completamente pesado, como se gritasse em plenos pulmões para não acreditar no sorriso nem nas palavras dela.
"Você é muito idiota em acreditar nestes contos de fada!
Cuidado para não cair na real e
ver que ninguém em sã consciência iria querer ter você por perto,
nem mesmo como 'ilustre'!"
Era a vez da voz do Sho perfurar seus ouvidos.
– Não precisa disso, Hizuri-san…
– Tsk! Quantas vezes vou ter que falar, Okaa-san! Nada de Hizuri-San, Chan, Sama, ou sei lá mais o quê! E você é minha princesa!
"Minha princesa é frágil demais, e não iria aguentar…
Não enquanto tenho a inconveniente tarefa de ser babysister desse encosto…"
Agora a voz de Ren lhe perfurava o os ouvidos. Estava ficando mais difícil de segurar a máscara.
– Hai… - Disse sorrindo e Kuu e Julie estavam aliviados… - Vou dormir. O dia foi bem puxado...
– Claro querida. Boa noite - Disse Kuu enquanto fazia a comida. Kanae e Chiori ainda não haviam chegado.
Julie sorria. Finalmente ela voltaria a ser ela mesma… Não precisava do remédio! Mas por que seu coração se contorcia como se tivesse algo errado?
Kyoko seguiu até seu quarto, trancando-o. No escuro daquele cômodo, seria o ideal para pensar… Natsu e os outros estavam ainda calados. Apenas observavam enquanto várias cenas apareciam e brincavam na frente de Kyoko.
O olhar dela novamente estava vazio.
Frases soltas vinham a cabeça de Kyoko, do tempo que ela recebia bullying na escola, frases que sua mãe havia liberado quando pequena, Shou quando havia lhe abandonado… Até a voz de Reino soava nos ouvido dela.
Mas nenhuma era mais cortante quanto as dele… Tsuruga Ren...
"Ele não me disse quanto tempo ela ainda vai estar conosco,
mas ele acha que logo ela vai embora.
O tempo dela na LME está mais curto que antes…"
Kyoko sorriu…
"Uma coisa estava certo… Tsuruga-san… Meu tempo aqui… está se encurtando…"
Ela olhou para a janela. A lua banhava o quarto e a ela.
"Minha última lua cheia, vindo me banhar…"
– Kyoko! Pense bem… É um desperdício tudo isso.– Tentou Kuon tomando a forma ao lado de Kyoko. Sua La la land estava cada vez mais aberta.
– Sim… Um desperdício de ar, Hizuri-kun.
– Não é isso que eu estou falando, menina! - Kuon se irritou, ao escutar ela falando assim.
– Shii… Você consegue escutar Hizuri-kun?
Kuon olha ao redor tentando escutar algo… Kyoko se levanta e vai até a janela, abrindo-a. Estava no segundo andar. O vento gelado da noite banha o quarto assim como a luz imensa da lua.
– Escutar o que, Kyoko-chan?
– A voz dela… - Kyoko se sentia leve, tinha decidido que terminaria tudo hoje. Já sabia como era se sentir querida, mas nunca ela seria querida por ninguém... Sentado na cama novamente a forma dele, mais concreta, lhe aguardava. Ele não dizia nada, mas só a presença dele ali fazia os outros temerem.
– Dela quem? – Disse Kuon mantendo distância da cama.
– Da morte… - Respondeu Kyoko sorrindo - Ah! Aí está você...– Disse se sentando ao lado dele na cama.
– Kyoko-chan… Por favor... - Tentou Ryuu, aparecendo ao lado de Kuon que não conseguia mais dizer nada.
– Shii… Consegue escutar?
– Não! Porque ainda não chegou a sua hora!– Tentou irritado Kuon. - Sério Kyoko. Você não precisa fazer isso!
– Shhh… Não precisa ter medo, Kuon-kun…– Ela se caminhou ao lado de Kuon que a abraçou. A forma dele sentada na cama sorriu sinistramente. Kyoko olhou diretamente no olhar verde de Kuon, que a olhou com receio. –Tudo vai terminar em questão de segundos. O sofrimento destes milésimos de segundos, talvez minutos vai passar e tudo vai acabar…
– Ou piorar! Você não sabe para onde…
– Shii… Você confia em mim?
– Não no seu estado atual… - Kuon a abraçou ainda mais forte.
Kyoko se soltou e dançou pelo quarto, calmamente tocando nas coisas como se despedisse. Tudo terminaria essa noite…
Tudo precisava terminar essa noite...
– Kyoko-chan, por favor! Largue isso.- Ryuu tentou suavemente ao lado de Kuon.
– Não há volta, Ryuu-san…
– Sempre há! Não vamos… Lhe abandonar… Por favor… Largue isso…
– Mas eu não tenho nada na mão…
…
– Tadaima! - Falam Chiori e Kanae juntas.
– Kanae-chan! Chiori-chan! Okaeri! - Dizia Julie muito feliz.
– O que aconteceu Julie-san? - Dizia Kanae suspeita.
– Tsk. Até quando para você finalmente me chamar de Kaa-chan?
– O que aconteceu para ficar tão feliz? - Tentou novamente.
– Tudo vai acabar logo! Kyoko voltou para nós!
Chiori e Kanae se entreolharam alarmadas.
– Como assim Julie? Cadê Kyoko?!
– No quarto. Foi dormir. Conversei com a própria hoje. Ela está voltando aos poucos para nós. Vamos poder descansar logo! E tudo vai voltar ao normal!
– O que aconteceu?! - Kanae sentia os pelos da nuca se arrepiarem.
– Uma ótima noite! E…
BLAM!
Kanae, Chiori, Kuu e Julie se entreolharam assustados ao ouvir o barulho de algo caindo dentro dos quartos. Correndo, Kanae tentou abrir a porta, sem sucesso.
–KYOKO! MO! KYOKO! ABRA ESSA PORTA! – Gritava Kanae do lado de fora tentando arrebentar a porta.
– Saia da frente! - Disse Kuu e Kanae saiu para, num surto de desespero, Kuu quebrar a porta num chute forte.
Mas a cena a frente deles lhe gelaram a alma…
Pendurada por um lençol amarrado no ilustre do teto, Kyoko já sem forças, parada e imóvel, sendo enforcada…
Foi a única vez que Julie acreditou, ou qualquer um deles acreditou nas palavras dela.
Kuu correu e segurou Kyoko pelas pernas enquanto Chiori e Kanae desamarraram Kyoko com muita dificuldade, até cortarem o lençol.
Xingando e praguejando Kanae estava super irritada, enquanto ela e Kuu faziam os procedimentos de reanimação, Chidori ligando para a ambulância e Jully travada na porta do quarto…
Quando Kyoko voltou a consciência, lágrimas lhe corriam dos olhos. Novamente havia falhado. Novamente tinham lhe salvo... Mas porquê?
– Me deixem ir... Não veem que ela me chama!?- Ela falou num fino de voz.
– MO! Ela quem Kyoko?!
– A única que me querer para sempre…
– MO!- Kanae novamente aplicou o golpe na nuca de Kyoko e a mesma apagou por completo. - O que aconteceu essa noite?! E é melhor me contar a verdade!
– Mas... Mas ela estava tão…
–MO! Você não está vendo que ela está mentindo! Ela não está no juízo perfeito dela!
"Meu coração não estava todo contente! Eu devia ter percebido!"– Julie estava tremendo no pé da porta. Caída sentada no chão. - "Kuon! o que você falou que a afetou a ponto dela querer tanto assim morrer?!"
E o segundo looping da montanha-russa... gente, apertem os cintos... A coisa vai piorar... xD
Nossa eu to me sentindo tão malvada... *-*~
