Notas Autorais: Eu sei que eu demorei. E mesmo assim eu fiz algo curtinho. Pra ser honesta eu tinha uma parte disso pronta mas não sabia como eu queria seguir. Eu não tenho um caminho certo pra onde essa fanfic vai se encaminhar, então eu to escrevendo um pouco de cada vez e sempre relendo aquilo que eu já escrevi para que eu possa manter a integridade do trabalho. Eu voltei a escrever Gomenasai também! Acho que escrever coisas curtas vai me ajudar a manter um ritmo. Mas como sempre, eu não tenho exatamente um cronograma para postagem. Eu escrevo quando eu to no mood pra isso. Sinto se isso gera muita ansiedade pra vocês :( BTW: sem revisão #WeDieLikeMen

Disclaimer: Para a minha infelicidade, Naruto não me pertence... Fazer o que né?

Summary: Como se o botão de ligar tivesse sido acionado, Sakura se viu sendo alguém que ela não era. Agora, Sakura precisa retomar sua vida com as próprias mãos e reaprender a ser a pessoa que ela era antes de tudo mudar.


What Have I Become?

Por Neko Sombria

Capítulo 5:

Após a reunião com Neji e Hinata, Sakura se viu com um bocado de tempo livre nas mãos. Como seu plantão só começava na manhã seguinte, a rosada não tinha nenhum plano em mente para o seu dia. Sabia que precisava passar no seu apartamento para ver o que precisaria a curto prazo antes de conseguir voltar a viver ali. Fora isso, Sakura não tinha muito mais o que fazer. Ino obviamente havia lhe dito que poderia ficar pelo tempo que precisasse, mas a rosada achava um desperdício não voltar para seu próprio canto quando seu apartamento estava parado.

Decidida a aproveitar um pouco, Sakura resolveu caminhar pelo distrito comercial a fim de se distrair. Várias lojas de departamento estavam espalhadas pelo bairro, e visando que a mulher logo precisaria fazer compras dado o estado do seu guarda-roupas, dar uma olhadinha não iria tirar um pedaço. Talvez até se arriscasse a comer em algum restaurante da volta. A primeira loja que parou em frente a vitrine tinha novos modelos para o verão, que já estava a espreita. Vestidos longos e coloridos, de material leve estavam em exibição além de alguns biquínis de cores exuberantes que chamaram atenção da rosada. Não lembrava a última vez que fora a praia, e sabia que suas últimas férias haviam sido na época de seu casamento.

Será que se pedisse, Ino tirava férias junto consigo?

A idéia de sair em um cruzeiro, tomando bebidas o dia inteiro e torrando no sol parecia apetitosa naquele momento. Voltar com a pele bronzeada e seus cabelos mais claros, queimados pelo sol, soava tentador. Talvez se aventurar em algum cassino? Apesar de Sakura não ter a fama de sua madrinha, ela ainda adorava uma boa aposta. Fazendo um lembrete mental de conversar sobre a possibilidade com a melhor amiga mais tarde, Sakura passou para a próxima loja, que era de artigos esportivos.

A rosada lembrava das luvas de boxe jogadas em algum canto do armário do seu apartamento. Talvez visitar a academia fosse também uma boa idéia. Como estariam seus reflexos? Será que teria perdido? Se bem que alguma coisa ainda deveria estar ali, dado o incidente do mês anterior com o paciente se debatendo na maca da sala de emergência. Sakura observou alguns itens em particular, como bons pares de tênis e alguns tops de exercício, antes de se encaminhar para a próxima vitrine.

Antes de chegar perto do vidro, uma mão pousou sobre seu ombro, chamando-lhe a atenção. A primeira coisa que a jovem notou é que era um homem, e ele era muito alto. Ao levantar os olhos, orbes negros e cabelos espetados lhe chamaram atenção, e seu sorriso foi imediato. Se jogando contra a massa de músculos, Sakura abraçou o homem pela cintura com carinho antes de falar.

- Kisame!

- Hime!

Os braços fortes do homem circundaram a médica pela cintura, enquanto seu torço projetava o corpo menor para cima. Kisame era músculos e força, e Sakura o amava por isso. E por seu humor ácido. A certeza de ter Kisame agarrado a si, tão forte quanto uma rocha, fez com que Sakura se segurasse no moreno com mais força e mais vontade. Sakura não pudera convidar eles para o casamento. Sasuke não permitiu. E Sakura sempre fizera o que o Uchiha mandava.

- Faz tanto tempo - Falou a rosada contra a pele do amigo. Sentiu os braços fortes lhe apertarem um pouco mais.

- Não se preocupe Hime, nós vamos cuidar de você.

Kisame soltou a mulher em seus braços e parou para observá-la brevemente. Era óbvio que ela estava bem, embora Kisame soubesse que algumas semanas atrás o sorriso que ela ostentaria era outro. O casal Uchiha era capa e manchete em qualquer revista e jornal que falasse sobre a alta sociedade: a jovem brilhante formada em medicina com apenas 20 anos e especialização um ano depois, casada com um dos maiores herdeiros do país.

Nos dias atuais ela só era vista em seu trabalho ou acompanhada pelo marido. Em roupas sóbrias, sorrisos contidos e a perfeita dama da sociedade. Nada da aluna estilosa, nada da pupila cheia de atitude da lendária Senju Tsunade. E embora os dois sempre pareçam altamente apresentáveis em suas fotos, era impossível não notar como Uchiha Sakura parecia visivelmente mais magra e seu sorriso sempre superficial.

Por isso, quando ela não foi permitida convidá-los (pois eles sabiam o tamanho do controle que o pirralho Uchiha exercia sobre ela) para seu casamento, a primeira coisa que eles fizeram foi apostar: Apostar como terminaria, quando terminaria e quem terminaria. Todos eles apostaram. Uma aposta para cada pergunta.

Konan atingiu jackpot, mas apenas porque Kakuzu era um filho da puta maldito e calculista. Eles apostaram juntos. E Kisame fora o escolhido para trazê-la de volta para o berço do grupo. Por sua devoção ao único outro membro feminino entre eles, Konan escolhera o Hoshigaki com satisfação e ali estava ele.

- O que você está fazendo aqui? - A mulher falou com um sorriso, mas os olhos transbordando surpresa pelo homem estar a sua frente.

- Você está sendo convocada.

- Mas eu não sou convocada há muito tempo.

- E por acaso isso importa? - Kisame levantou uma sobrancelha inquisitivamente para a rosada o que fez com que ela desse uma risada baixa antes de responder:

- Eu suponho que não.

Kisame sorriu para a rosada e empurrou um capacete para as mãos delicadas sem cerimônia. A rosada olhou por alguns segundos para o objeto que lhe foi entregue antes de sorrir.

- Eu não sei porque, mas eu não estou surpresa.

A risada estrondosa do homem ecoou em seus ouvidos enquanto ela colocava a proteção sobre a cabeça e o seguia em direção ao asfalto. O modelo esportivo de motos que Kisame favorecia era feito para velocidade, algo que Sakura sempre compartilhou com ele.

O moreno subiu e esperou a mulher se posicionar adequadamente atrás de si antes de dar a partida. O leve solavanco fez um pequeno ruído escapar da rosada, mas ela riu em seguida, apertando seu corpo mais próximo ao outro membro da Akatsuki no veículo.

A velocidade que Kisame conduzia não era excessivamente alta, mas lhe deu um grau de liberdade que ela almejava. As ruas passavam por eles como borrões e Sakura agradeceu a si mesma por ter levantado sem disposição para dirigir. Fora o motivo pelo qual havia visitado os Hyuuga de táxi. Sua indisposição fora compensada pelos céus na forma de um companheiro que fazia tempo que não via.

Não demorou muito para Kisame estacionar na sua vaga do estacionamento da sede. Ele esperou a rosada descer da garupa antes de terminar de manobrar o veículo no espaço. Por outro lado a figura feminina lhe esperou na calçada, enquanto tirava a proteção da cabeça. Passando as mãos pelos cabelos, ela observou afetuosamente Kisame pegar o objeto de suas mãos e prender ao veículo.

- Tudo bem?

- Yeah, só… Eu senti falta disso.

Kisame olhou para as bochechas vermelhas da rosada e sentiu seu ego masculino inflar um pouco. A mulher era uma das criaturas mais adoráveis do universo, e não havia formas suficientes para que o Hoshigaki pudesse apreciá-la. Então se contentou com beijar-lhe a testa carinhosamente enquanto murmurava contra a pele feminina.

- Eu também.

Os dois se encaminharam para a entrada em silêncio por alguns segundos, até que Sakura simplesmente passou seus braços pelo torso masculino e ele lhe abraçou com apenas um braço. Agarrados um ao outro, eles continuaram o caminho em plena sintonia.

Não era nenhuma surpresa que quando Sakura e Kisame ultrapassaram a porta, ainda abraçados diga-se de passagem, a sala de reuniões já estivesse com o quórum completo, apenas aguardando os dois.

Todos os olhos se voltaram para a dupla instantaneamente, o que fez com que Sakura sorrisse de forma mais ampla. Nenhum deles estava surpreso tampouco por sua presença ali. Uma das cadeiras mais próximas da cabeceira da mesa estava vaga, assim como outras duas. Respectivamente, Sakura, Kisame e Itachi.

Isso era uma surpresa já que Itachi nunca se atrasaria para uma reunião. Ele era certinho desse jeito, perfeccionista até.

Algo estava errado.

Mas antes, os olhos verdes da rosada encontraram os acinzentados na outra ponta do recinto. Por alguns segundos o mundo pareceu segurar a respiração. E então Sakura correu até o ruivo, se jogando em seus braços uma vez que ele ficara de pé apenas para recebê-la. Sakura não lembrava a última vez que tinha visto Nagato.

Ele não fora permitido na festa de noivado.

Ele não fora permitido no casamento.

E certamente nunca pudera frequentar sua casa.

Mas Nagato era inteligente. Ele entendia que não era culpa da rosada. O abraço dos dois foi firme, com Sakura escondida na curva do pescoço do líder, enquanto ele escondia o rosto nas madeixas da mais nova. Nenhuma palavra foi proferida por alguns segundos até que a Haruno suspirou alto.

- Oni-sama, tadaima.

Os outros membros da Akatsuki sorriram enquanto Nagato respondia:

- Okaeri.

Itachi estava de costas para a entrada de seu escritório, observando a cidade pelas janelas gigantescas. As mãos estavam enterradas fundo nos bolsos de seu terno caríssimo e sua boca estava seca pelo whiskey que mantinha no aparador. Mesmo sem olhar no relógio, ele sabia que era cedo demais para a bebida. E mesmo sem ter recebido contato algum, ele sabia que eles estavam reunidos.

- Me surpreende você não ter corrido atrás dela logo que pode.

Itachi se virou parcialmente para encarar o primo e melhor amigo. Ele estava encostado de braços cruzados contra a porta fechada do lugar. Os olhos afiados não deixavam de notar nada, inclusive que as mãos do outro homem no recinto estavam com os punhos cerrados dentro do terno.

- Eu fui proibido.

Shisui levantou uma sobrancelha indagando a fala.

- Eu escolhi Sasuke sobre ela. Tenshi-sama disse que devo arcar com minhas escolhas.

Shisui fez um barulho de compreensão que veio do fundo de sua garganta antes de se aproximar do primo. Sem dizer nada, o mais velho abraçou o mais novo, que enterrou a cabeça em seu ombro e se segurou nele como se sua vida dependesse disso.

Continua...


Eu tinha escrito um texto gigantesco dando mais background pra Sakura e a relação dela com todo mundo. Mas eu percebi que é legal mostrar em cenas que em explocações. E eu quero que vocês percebam e tenham perguntas. Quero incitar a curiosidade. Espero que tenham gostado e agradeço pelas reviews e por ainda me acompanharem. Eu amo escrever aqui.

Beijo!