Vítimas do Dever
Por Amanda Catarina
Capítulo 4
Já passava das sete e, depois de um dia de muito calor, a noite estava abafada. Byakuya ainda seguia à procura de Yoruichi e não hesitaria em virar a noite nessa busca caso fosse necessário. Ele já contatara vários de seus colaboradores de investigações, mas ninguém lhe fornecera nada relevante.
Um tanto descontente, ele resolveu seguir a um de seus refúgios, onde poderia raciocinar com tranquilidade e também degustar um excelente chá. O local em questão era um restaurante especializado em culinária italiana, mas que oportunamente também se adequara ao público de origem nipônica da região. Sendo um membro da prestigiada família Kuchiki, Byakuya contava com uma mesa reservada nesse restaurante a qualquer hora.
Chegando ao local, ele foi atendido com a prontidão de costume e apenas precisou dizer que queria a mesa de sempre. Um garçom o conduziu até o lugar, mas logo foi dispensado, naquele momento, ele não queria nada além de privacidade. Uma vez acomodado, Byakuya voltou a pensar no problema. Sentia-se indeciso se devia por em prática uma ação deveras drástica. Contudo, ao recordar do modo como Yoruichi parecia perturbada quando falou com ela pelo telefone, julgou que ser drástico seria a única forma de descobrir algo.
Decidido, pegou no bolso de dentro de seu terno um pequenino invólucro dentro do qual estava guardado um microchip. Não se preocupou de estar sendo observado, pois na ala reservada no qual se encontrava não havia ninguém além dele. Pegou o aparelho celular, tirou o chip comum que nele estava e então inseriu o microchip em seu lugar. Depois de tudo remontado, ele efetuou uma chamada.
Em poucos instantes, uma voz artificial atendeu, informando: "Essa é uma linha privativa. Digite sua senha."
Ele digitou uma sequência de seis dígitos e logo depois escutou uma voz conhecida, saudando-o: "Boa noite, senhor Kuchiki. Em que posso ajudá-lo?"
Ciente de que era o gerente de uma das maiores instituições financeiras do país, Byakuya respondeu:
– Boa noite, senhor Dawson. Preciso que faça uma consulta para mim.
"Que tipo de consulta, senhor Kuchiki?"
Byakuya podia captar o nervosismo do homem e o motivo era mais que justificado visto que sempre que ele recorria àquela linha sigilosa não era para tratar de assuntos ordinários.
– Quero que consulte a movimentação financeira dos Shihouin... - ele dizia, mas o bancário o interrompeu.
"Dos Shihouin? Não, senhor Kuchiki, lamento muito, mas não será possível."
– Está dizendo que vai me negar esse pedido, senhor Dawson?
"Entenda, senhor Kuchiki, a senhorita Yoruichi ficou muito zangada da última vez..."
Antes que o homem concluísse sua justificativa, Byakuya o interrompeu:
– Preciso apenas que o senhor verifique se houve alguma movimentação atípica nas últimas semanas, algum valor muito alto, algo em torno de quinhentos mil e um milhão.
"Um milhão?" abismou-se o bancário. "Mas uma transação assim, de uma hora para outra, deve ter sido cifrada, se eu acessar esses registros, serei fatalmente descoberto."
– Vejo que está precisando de uma motivação para por à prova toda sua capacidade, senhor Dawson. Que tal essa, se ao menos não tentar atender minha solicitação, eu acho que vou ter que encerrar a minha conta no seu banco.
A primeira reação do bancário foi um grunhido assustado, então ele disse:
"Tudo bem, eu vou tentar, senhor Kuchiki."
– Eu sabia que podia contar com sua colaboração, senhor Dawson.
Pelos sons que Byakuya podia captar do outro lado da linha, de teclas sendo digitadas num ritmo apressado, ele soube que o bancário estava efetuando a consulta.
"Só um minuto, senhor Kuchiki, já estou verificando. Pronto! Hn, eu lamento, senhor Kuchiki, mas não consta nada nessa ordem de valores."
Byakuya bufou descontente e então pensou consigo: "Já consegui rastrear Yoruichi assim uma vez; ela não ia ser tola de cometer o mesmo deslize."
"Isso é tudo, senhor Kuchiki?"
– Não, senhor Dawson. Faça uma consulta diferente, me diga os sobrenomes dos clientes responsáveis pelas mais altas movimentações nos últimos cinco dias.
"De todos os clientes?"
Um silêncio sepulcral foi toda a resposta de Byakuya.
"Okay..." disse o bancário e, alguns instantes depois, respondeu: "Johnson, Willians, Makoto, Jackman, Ueda..."
– Makoto. Quero um extrato das transações desse cliente.
"Muito bem, já estou providenciando. O senhor pode retirar esse extrato comigo amanhã logo no primeiro horário."
– Não vejo necessidade disso, já que o senhor tem total condição de gerar um arquivo de texto com esses dados e me transmitir isso agora mesmo. Não estou certo, senhor Dawson?
Byakuya escutou o homem inspirar forte, então ele concordou:
"Está sim senhor."
– Então fico aguardando. Muito grato pela cooperação. Tenha uma boa noite, senhor Dawson.
Assim que encerrou a ligação, Byakuya apertou um botão na mesa, solicitando atendimento. Quando um garçom chegou ali, ele pediu uma dose de chá preto. Antes que o garçom voltasse com o pedido, ele sentiu o celular vibrar em sua mão, sinalizando que o arquivo que ele esperava havia acabado de chegar. Quando passou à leitura, a primeira linha descritiva, acompanhada de uma cifra muito mais do que notória, fez Byakuya sorrir discretamente, certo de que enfim havia encontrado algo significativo, já que Makoto era um dos codinomes de Yoruichi.
– Isso foi pago com um cartão da linha de crédito diferenciada. A linha de crédito que tanto os Kuchiki quanto os Shihouin adoram poder usar.
Byakuya aguardou mais um pouco até que o garçom voltasse trazendo sua bebida. Depois que isso se sucedeu e ele voltou a estar sozinho, ele trocou novamente os chips do celular de modo que pudesse realizar uma chamada comum. Então, ele ligou para uma pessoa do departamento de polícia.
– Abarai?
"Fala, capitão Kuchiki."
– Ainda está no escritório?
"Estou sim, mas já estou de saída."
– Preciso de um favor e não posso esperar até amanhã.
"Hn... Okay, já entendi. Diga."
– Acabo de te enviar um número. É um número de um cartão de crédito. Quero que faça uma listagem de todas as compras efetuadas com esse cartão no dia de hoje.
"Sério mesmo? Não podia ser nada mais fácil?"
Ignorando-o de todo, Byakuya perguntou:
– Recebeu o número?
"Recebi, sim senhor. Só um instante, meu micro está terminando de ligar. Ah, aproveitando a ligação, a capitã Soifon esteve procurando por você."
– Soifon? Ah, sim, eu devia ter pegado uns documentos com ela. Tudo bem, não importa, amanhã resolvo isso. Conseguiu?
"Só um instante, a lista está chegando. Wow! Olha, capitão, não tem muita coisa, só uma compra num valor astronômico num convênio médico. Não, espera... Uma nova compra acabou de ser feita, nesse minuto."
– Veja o estabelecimento. Rápido!
"Estou verificando. Aqui está, Transportadora Light."
– Me mande o endereço dessa transportadora por mensagem.
"Certo, já vou..."
Byakuya não terminou de ouvir o que Renji disse, simplesmente desligou o celular e deixou o restaurante numa corrida apressada, dizendo a si mesmo em pensamento:
"Peguei você, sua bakeneko."
ooOOOoo
Quando chegou ao hall de saída do prédio do departamento de polícia, acompanhada do estudante Kurosaki Ichigo, Rukia logo avistou o Mazda 3 do qual ela havia se apossado naquela manhã. O carro estava estacionado bem ali na frente do prédio. Quando eles estavam a uma curta distância do veículo, o rapaz usou o controle remoto da chave para liberar as travas e se adiantou para abrir a porta do lado do carona para a policial.
Rukia sorriu discreta, achando o gesto dele até mais meigo do que galante. O jovem não se preocupava em dissimular seu interesse nela e ela estava achando aquilo divertido. Ela tinha consciência de que ele não passava de um garoto, porém não poderia negar que era um garoto bastante atraente. Estivera reparando no físico apreciável dele, nos ombros largos e nos belos olhos cor de mel, que combinavam muito com os cabelos ruivos. A diferença de idade entre eles podia até ser desconfortável - ele não devia ter mais que dezoito e ela já tinha vinte cinco -, mas ela não se importava.
"Quem sabe ele prefere mulheres um pouco mais velhas?" Ela disse mentalmente à própria consciência.
Assim que entraram no carro, Rukia pediu que Ichigo a deixasse no terminal de ônibus ali perto, onde ela pegaria um circular que fazia parada em frente à casa de seu avô. Ele insistiu para levá-la até a casa, mas ela, esquiva, não quis que ele soubesse de outro endereço onde pudesse encontrá-la, ao menos não naquele momento.
– Que curso você está fazendo na QUT? - ela perguntou depois que eles tinham combinado o itinerário e já estavam rodando.
– Análise de Sistemas.
– Hum... O Renji também é formado nisso.
– Então ele não é policial?
– Ele é. Ele atuou um tempo como policial, mas resolveu mudar de cargo. Nós dois fizemos a academia na mesma época, mas como ele sempre foi crânio para computação, preferiu abandonar as armas e assumir os tais supercomputadores. Eu sinceramente não sei como ele aguenta. Ficar o dia inteiro com os olhos grudados naqueles monitores, brincando com aquelas máquinas temperamentais? Eu hein, tô fora!
O jovem deu uma risada espontânea e alta, que fez Rukia se encantar com o tanto que ele ficava bonito rindo.
– Vai dizer que você também gosta disso? - ela perguntou.
– Ah, tecnologia não é assim a coisa que mais gosto na vida, mas como todo mundo diz que é uma área que paga bem, resolvi encarar. Até que tenho gostado. Verdade que curto bem mais esportes e carros, mas já estou ligado que ganhar dinheiro e fazer o que mais se gosta não são duas coisas necessariamente ligadas.
– Ponto pra você.
Como estavam parados, aguardando um semáforo, Ichigo voltou o rosto a ela e lançou-lhe um sorriso. Rukia ficou ainda mais encantada, definitivamente ele tinha um sorriso maravilhoso.
– Que tipos de esportes você gosta? - ela perguntou.
– Quando eu era molequinho fazia judô, mas logo enjoei. Quando tinha uns treze anos, treinei boxe por um tempo.
– Sério? - Rukia retrucou, sem esconder sua admiração.
– Sério. Mas não fui muito longe com isso também, principalmente depois que me machuquei e arranjei uma fratura exposta.
– Oh, my...
– Yeah, foi horrível. Então parti para esportes menos perigosos. No ginásio, eu fazia parte do time de futebol. Participei de vários campeonatos. Às vezes, encarava um basquete também. Mas agora dei um tempo e estou me dedicando mais à faculdade mesmo.
– Ah, sei como é isso.
– Mas você, pelo visto, gosta de trabalhos mais agitados? Tipo, pegar bandidos, atuar em campo...
– Com certeza! E eu tenho uma meta: quero ser uma policial tão boa quanto meu irmão. Acredita que o meu irmão mal tinha completado vinte anos quando ganhou a primeira medalha dele?
– Devo entender que isso foi um feito? - o estudante perguntou num tom incerto.
– Claro que foi! Ele era um dos oficiais mais jovens no departamento quando foi condecorado pela primeira vez.
– Seu irmão é aquele com quem você falou pelo celular, naquela hora que a gente estava na perseguição do serial killer, não é?
– Isso, ele mesmo. Aquele chato não tinha nada que ter chamado o capitão Ichimaru, eu tinha total condição de resolver aquilo sozinha - ela cerrou os punhos. – Esse é um dos problemas do meu irmão, ele é superprotetor demais.
– Superprotetor? Ah, mas todo irmão mais velho é assim.
– Tudo bem, tem horas que é até legal, mas, às vezes, é uma droga. Ele acha que eu sou de vidro, não me dá espaço. Será que não passa pela cabeça dele que eu também quero as minhas medalhas?
– Mas, Rukia, por mais que você ache ruim, isso não vai mudar. Um irmão que não cuide da irmã mais nova, não pode ser um bom irmão.
– Ih, tô vendo que você é entendido no assunto. Você tem irmãs, é?
– Tenho sim, duas. Elas são gêmeas, mas não são idênticas. Na verdade, não poderiam ser mais diferentes, uma é loira e a outra, morena.
– Uau, que exótico! Lá em casa, somos só eu e meu irmão mesmo. Fisicamente, dizem que somos parecidos, mas, em personalidade, somos muito diferentes. Ele é o tipo certinho, sabe? Sempre todo elegante, nunca chega atrasado, não fala alto, nunca perde a cabeça, mais parece um robô. Eu sou quase o oposto.
Ichigo riu de novo e depois perguntou:
– Mas vocês se dão bem?
– Ah, sim. Nem teria como ser diferente, ele e o vovô são toda minha família.
– É? Mas e os seus pais?
– Meus pais morreram quando eu tinha quatro anos, num acidente de avião.
– Ah, me desculpe, eu não quis ser indelicado.
Rukia percebeu que o estudante ficou muito sem jeito com a gafe e até sentiu certa comoção em face à sensibilidade dele.
– Sem problema. Bom, eu me lembro pouco deles, não os via muito, eles eram ocupados demais. Meu pai também era policial, que nem meu avô e meu bisavô, e meu tataravô, até chegar no samurai que é o nosso ancestral mais antigo, que também devia ter alguma função ligada à segurança de algum senhor feudal da época.
– Samurai? Tá falando sério?
– Claro que não! - ela deu risada e depois voltou ao tópico. – Como eu dizia, meu pai era policial e a minha mãe era modelo. Nada a ver, né?
– Sua mãe era modelo? Tipo, de passarela?
– Era! E até já sei o que você vai perguntar agora: Como fiquei tão baixinha sendo filha de uma mulher alta?
O estudante não conseguiu segurar a risada e confirmou:
– Desculpa, mas foi a primeira coisa que me veio à cabeça mesmo.
– Eu sei, eu sei. Todo mundo me pergunta isso. Eu não sei porque fiquei baixinha assim. Vai ver o sortudo do meu irmão ficou com tudo. A altura, a esperteza, o cabelo grandão!
– Como é?
– Ah, esquece. É bobagem.
– Ah, fala, vai.
– É que quando eu tinha uns nove anos, eu tinha o cabelo bem grandão, sabe? Pra lá do meio das costas. Então num belo dia resolvi cortar bem curtinho. Pra quê? O danado nunca mais quis saber de crescer. Nos tempos do colégio, o Renji vivia me zoando, me chamando de moleque. Era um inferno. E o meu irmão com aquele cabelão de dar inveja. O que eu nunca soube é se não chamavam ele de menina, mas duvido. Menina de cabelo curto é menino. Menino de cabelo comprido é moda.
Ichigo deu muita risada e comentou:
– Pelo visto, seu irmão sempre se dá bem.
– Sempre.
Tentando soar indiferente, Ichigo perguntou:
– Mas você e o Renji fizeram academias juntos e também estudaram no mesmo colégio, é?
E ele falhou miseravelmente na tentativa, ficou evidente para Rukia que ele estava com ciúmes do tatuado de cabelos vermelhos.
– Ah, sim. Eu e o Renji sempre estivemos juntos, a vida inteira - ela respondeu, querendo agravar o ciúme dele. – Mas essa é uma história muito longa e um pouco... melodramática. Quem sabe um dia eu te conto? Hey! Olha o terminal ali. Não vai passar direto.
– Se você não tivesse falado, eu teria passado reto mesmo. Chegou tão rápido.
Os dois desceram do carro. Ichigo se encostou na lateral e Rukia ficou próxima, de frente para ele.
– Tem certeza que não quer que eu te deixe na casa do seu avô?
– Não precisa. Aqui está ótimo.
Ficaram se olhando e nenhum deles parecia ter ânimo de passar à despedida.
Rukia desviou momentaneamente o rosto e foi então que um letreiro em neon vermelho capturou seu olhar. El Mariachi, um dos restaurantes que ela mais gostava e um lugar que ela costumava recorrer quando não estava com disposição para cozinhar. Ela olhou no relógio. Quase sete da noite.
– Ichigo?
– O que?
– Você gosta de comida mexicana?
O estudante piscou duas vezes, aparentemente desconcertado com a pergunta, e então respondeu:
– Eu acho que nunca comi.
– Sério? Então estaciona essa máquina direito e vem comigo. Você não vai se arrepender!
Outro sorriso lindo surgiu nos lábios do rapaz e ele logo assentiu.
– Okay! Só deixa eu avisar pro meu velho que vou demorar um pouco mais pra voltar pra casa.
Rukia gostou do jeito responsável dele e comentou:
– Isso, não vá preocupar a família.
Ele deu uma piscadela para ela, o que a fez menear levemente a cabeça e sorrir discreta.
Medindo o rapaz da cabeça aos pés, Rukia até se perguntou se não estaria se envolvendo além da conta, mas aquele sorriso dele era simplesmente irresistível. Assim, afastando a sensatez do pensamento e querendo só curtir o momento, ela aguardou ansiosa que Ichigo terminasse a ligação e seguisse com ela ao El Mariachi.
ooOOOoo
Yoruichi esticou os braços, tentando aliviar a tensão nos músculos, mas sabia que era inútil. Enquanto não estivesse a caminho de Sunshine Coast, não iria conseguir relaxar. Para atender ao inusitado pedido de seu amigo Kisuke, ela passara o dia afrontando os líderes administrativos de seu clã, colocando em risco as finanças da família, além da própria reputação. Aquela altura, ela não ousava se perguntar se tudo aquilo tinha sido o certo a se fazer, afinal de contas, não havia mais volta e já estava feito.
Naquele momento, ela se encontrava em algo como uma sala de espera de uma empresa transportadora. Através de uma extensa abertura, guarnecida por um vidro, ela observava do alto, o pátio no qual vários caminhões estavam estacionados e tinha os olhos fixos em um deles, o qual estava sendo carregado com um equipamento que ela mesma providenciara para que fosse trazido àquele lugar, cerca de uma hora atrás.
Ela já havia combinado com o motorista designado para o serviço que ela iria com ele até o destino, em Sunshine Coast. E aguardava que esse homem lhe desse o sinal para finalmente partirem. Observando um outro homem conduzindo uma empilhadeira para o baú do caminhão selecionado, ela abraçou a si mesma, subitamente invadida por um mau pressentimento, então se afastou da abertura e veio tomar um copo d'água.
Depois, ela andou até a outra extremidade da sala, onde havia uma janela coberta por uma persiana. Angustiada, ela abriu um pouco a persiana, querendo observar o movimento da rua, tentando se distrair, mas acabou flagrando algo que só lhe trouxe mais angústia. Uma pessoa estava adentrando o pequeno prédio, alguém que fez seu sangue gelar nas veias, Byakuya Kuchiki.
"Aquele pirralho desgraçado! Como ele me achou dessa vez?" Ela se perguntou em pensamento.
Olhando ao redor, Yoruichi viu umas folhas em branco. Bem depressa, arranjou uma caneta, rasgou um pedaço de uma das folhas e escreveu nele uma mensagem para Kisuke em ideogramas japoneses. Depois disso, desceu correndo ao pátio. Lá, conversou com o motorista, entregou-lhe a mensagem e disse que não iria mais com ele. Para seu alívio, conseguiu despachar o homem antes que Byakuya a localizasse no prédio.
Ela estava de volta à sala de espera, de pé e de costas para a porta da sala, procurando atribuladamente em sua bolsa um microchip que lhe permitisse contatar Kisuke em uma linha segura, mas antes que completasse esse intento, foi surpreendida pela voz grave de Byakuya.
– Você sempre foi conhecida pela sua excentricidade, Yoruichi, mas tenho pra mim que uma máquina de tomografia computadorizada não vai ficar muito bem no seu apartamento.
Engolindo em seco, ela parou de mexer na bolsa. Então, esforçando-se para colocar uma expressão descontraída na face, voltou-se ao colega e disse:
– Mas do que diabos você está falando, guri? Andou cheirando foi? Policiais do bem não fazem isso.
Os dois se encararam por alguns instantes. Ela reparando que ele estava elegante como sempre, e ele estranhando que ela estivesse usando um traje social, o que não era típico dela, que geralmente optava por vestes menos formais e mais extravagantes.
Byakuya vestia um conjunto de terno e calça na cor cinza grafite, gravata cinza claro, camisa branca e sapatos pretos, novos e muito bem engraxados. Os cabelos escuros e longos estavam presos por um elástico e a franja ajeitada de lado, como ele costumava usar. A primeira vista, ele poderia ser tomado por um advogado, talvez um modelo de grife, mas dificilmente um policial, visto que o coldre axilar com sua arma estava bem camuflado sob o terno.
Yoruichi, por sua vez, exibia uma saia na cor azul marinho, uma camisa clara e sapatos de salto combinando com a saia. Pouco antes, ela também usava um terninho que fazia conjunto com a saia, mas se livrara dele e o deixara próximo de sua bolsa, quando ela retornara à sala, muito ofegante, assim, seu coldre axilar estava à mostra naquele momento. Diferente do colega, ela não exibia um aspecto tão asseado, algumas mechas de seu cabelo estavam se soltando da fita que os prendia, além disso, ela estava um pouco suada em virtude do corre-corre de um dia muito atribulado e do calor daquela noite quente.
Quando o silêncio entre os dois já se prolongava por quase um minuto, Byakuya retrucou:
– Policiais do bem também não agem por conta e nem usam linhas de crédito privilegiadas para fazer aquisições estranhas.
Yoruichi deu um pequeno sobressalto, ao compreender que mesmo tendo usado um codinome, Byakuya ainda assim conseguiu rastrear suas transações financeiras.
– Eu disse pra você ficar na sua - ela falou num tom de advertência.
– Seu cargo pode ser mais alto que o meu, mas isso não me obriga a atender suas vontades. Principalmente quando tudo indica que está agindo contra a lei.
– Contra a lei uma ova! - ela vociferou. – O que está achando?
– Uma vez que você se explique, eu não terei que achar nada.
Aturdida com a objetividade e a frieza controlada dele, Yoruichi abaixou a cabeça e encostou o corpo na mesa próxima.
– Um cara armou para o Kisuke. Ele está encrencado e eu estou tentando... - ela dizia, mas Byakuya a interrompeu.
– Kisuke? Urahara Kisuke? Eu sabia que esse sujeito tinha que estar envolvido. Do contrário, você não estaria agindo tão estranhamente, até para os seus padrões.
– Eu não tenho tempo de explicar agora, Byakuya. Apenas me deixe ir. Amanhã irei procurar o comandante Yamamoto e explicarei tudo. Ele vai entender.
Tendo dito isso, Yoruichi tentou sair de lado, mas Byakuya não deixou e agarrou o pulso dela.
– Ir para onde? Para junto de Urahara? Negativo. Recebi ordens do próprio Yamamoto para levá-la à presença dele, e é exatamente isso que vou fazer. Escolha: virá comigo espontaneamente ou vou ter que te algemar?
– Como é que é? Pois eu vou querer ver você tentar, seu moleque!
Yoruichi se debateu, querendo se livrar do forte aperto em seu pulso, mas estava abalada e debilitada demais para se esquivar de um dos poucos homens que conseguia rivalizar com ela, além do próprio Kisuke. Vendo-se sem saída, ela encarou o mais novo com rancor no olhar.
– Você não entende. É questão de vida ou morte. Pessoas podem morrer!
Byakuya a encarou bem dentro dos olhos, como se perscrutasse sua alma em busca da verdade.
– Você tem dez minutos. Me faça entender - ele disse e a soltou sem muitos cuidados.
Esfregando o pulso dolorido, Yoruichi engoliu em seco e expirou fundo. Pouco depois, começou uma narrativa apressada, mas tentava não ocultar nada, pois sabia que se não convencesse o mais novo, não poderia ajudar seu amigo cientista. Conforme ela falava, percebia que mesmo Byakuya, que era mestre em ocultar as emoções atrás de uma máscara de indiferença, transparecia perplexidade.
– Os oficiais desaparecidos da divisão de narcóticos? - ele indagou com um ar de descrença.
Yoruichi assentiu.
– Todos os oito?
Ela fez que sim com a cabeça e depois indagou:
– Entendeu agora a gravidade da situação?
– Sim, que a situação é grave eu entendi muito bem, mas o que não estou conseguindo entender é como alguém do seu nível foi cair na lábia daquele sujeito.
– O que? - ela retrucou, desconcertada. – Como assim?
– Como assim pergunto eu. Como assim você, ao invés de acionar um resgate para aquelas pessoas, concorda com um disparate desses? Sem falar no desfalque de quase um milhão que causou nos cofres dos Shihouin para conseguir essa máquina. O que há com você?
Yoruichi prendeu o fôlego, perturbada com as indagações bastante pertinentes do mais jovem.
– Francamente, Yoruichi - continuou Byakuya –, seus sentimentos por esse sujeito obliteram seu bom senso.
– Sentimentos? - ela repetiu, perdida. – Não! Não é nada disso.
Num tom extremamente reprovador, Byakuya continuou:
– Como foi ser tão ingênua de acreditar que ele não tem culpa? O experimento não foi prescrito por ele? O homem que ele acusa até pode ter levado a coisa a cabo, mas esse Urahara também tem culpa e deve responder por isso.
– Pode até ser, Byakuya, mas a prioridade agora é ajudar aquelas pessoas!
– E como você acha que as está ajudando, compactuando com os devaneios desse sujeito? Essas pessoas tem que ser levadas imediatamente para um centro médico especializado, onde serão tratadas por profissionais competentes e qualificados. Não por esse cientista fracassado e irresponsável!
Muito exaltada, Yoruichi retrucou:
– Seja justo, Byakuya. Kisuke não é nenhum fracassado, ele é um cientista brilhante! Um gênio. Ele não pode ser condenado para sempre por causa de um único deslize que cometeu na vida!
– Um deslize que custou milhares de dólares ao Estado. Um dinheiro que poderia ter sido revertido para a sociedade de diversas maneiras e por causa do egocentrismo desse sujeito foi direto para um cesto de lixo.
– O que você acha que entende? Já esteve num asilo de loucos? Já esteve num lugar assim, Byakuya? Nunca se soube de um caso concreto de cura dessa doença. Tem ideia de quantas pessoas poderiam voltar a ter uma vida normal se a pesquisa dele tivesse dado certo? Procure na academia de medicina quantos projetos ligados à esquizofrenia são engavetados sem jamais saírem do papel. Nunca ninguém nesse país chegou tão longe quanto ele.
Depois de dizer tudo aquilo, Yoruichi ainda transpirava exaltação.
Impassível, Byakuya respondeu:
– Se brincar com os miolos de não sei nem quantos dementes era o preço, antes a pesquisa dele tivesse ficado engavetada também. Só você acha que esse sujeito tem aptidão pra descobrir essa cura, Yoruichi. Só você ainda acredita no trabalho dele.
– Nós não temos que ficar discutindo isso.
– Definitivamente não temos.
– Tudo que estou te pedindo é que... - Yoruichi dizia, mas não conseguiu terminar sua frase, porque, numa fração de segundo, ela teve seu plexo solar habilmente atingido por uma pancada certeira de Byakuya, então suas vistas escureceram e ela perdeu a consciência.
ooOOOoo
Byakuya sustentou o corpo delgado de Yoruichi e a manteve nos braços por alguns instantes, esperando para ver se ela não iria voltar a si. Quando ele soube que não, ele a pegou no colo, mas logo depois a deixou estirada sobre a mesa ali próxima.
Descendo ao pátio da transportadora, ele abordou um funcionário e mostrando seu distintivo de policial, interrogou-o sobre as últimas saídas. Em poucos minutos, ele sabia tudo que precisava: a placa do caminhão contratado por Youruichi e seu destino. Usando seu celular, ele compôs uma mensagem de texto com essas informações e a deixou salva no diretório de rascunhos do dispositivo, logo iria transmiti-la a Genryusai. Assim, enquanto caminhava de volta para a sala onde havia deixado Yoruichi, ele entrou em contato com o capitão-comandante, que atendeu sua chamada de pronto.
"Pode falar, capitão Kuchiki? Você encontrou a oficial Shihouin?"
– Ainda não, capitão-comandante - ele respondeu de imediato, como quem não estivesse falando uma mentira. – Mas acabo de descobrir uma pista sobre o paradeiro dos nossos oito oficiais desaparecidos.
"Prossiga."
– Gostaria de saber se posso enviar por esse número uma mensagem com a possível localização do lugar onde eles estão sendo mantidos.
"Sim. Mande agora mesmo."
– Sim, senhor. E, capitão-comandante, ao que tudo leva a crer, o oficial Urahara Kisuke está envolvido nesse sequestro.
"O que disse, rapaz?"
Estranhando o tom do veterano, Byakuya repetiu:
– Que o oficial Urahara Kisuke pode estar envolvido.
O silêncio do outro lado da linha se prolongou por tanto tempo que Byakuya chegou a pensar que a ligação houvesse sido interrompida.
– Comandante?
"Muito bem, capitão Kuchiki. Daqui pra frente, eu assumo."
– Sim, senhor.
"Se encontrar a oficial Shihouin, não diga nada a ela. Não queremos que ela tente ajudar esse sujeito."
– Sim, senhor.
"Agradeço pelo bom trabalho, capitão Kuchiki. Tenha uma boa noite."
Antes que Byakuya desse resposta, a ligação foi encerrada.
O jovem capitão franziu o cenho, intrigado com a reação de seu comandante. Não que ele conhecesse Genryusai tão bem, mas poderia jurar que a notícia deixara o veterano mais desconcertado do que seria esperado, mas ao ver Yoruichi se mexendo, Byakuya deixou essa questão de lado. Ele ainda teria muito a fazer antes que aquela noite terminasse.
ooOOOoo
Eram quase oito horas quando Byakuya chegou em seu apartamento, trazendo Yoruichi nos braços. O apartamento dele situava-se em uma das regiões mais nobres do distrito de Seireitei, em um prédio no qual moravam vários políticos e empresários muito bem sucedidos. Era um imóvel luxuoso com decoração em estilo pós-moderno e um lugar exageradamente espaçoso para uma única pessoa, mas Byakuya o escolhera por causa da vista exuberante da cidade que se tinha dali, no décimo segundo andar, que era o último e também a cobertura do prédio.
Muito tenso, o jovem capitão se largou no confortável sofá de sua sala de estar e descansou o corpo um pouco, ainda que sua mente fervilhasse em preocupações. Sentia-se agoniado com a sorte de seus colegas de trabalho, mas antes que pudesse tentar ajudar seu comandante naquele caso, precisava resolver questões igualmente importantes para ele, pois além de seus deveres para com o departamento, ele também devia honrar os códigos de lealdade entre os clãs Kuchiki e Shihouin.
Fatigado, ele decidiu tomar um banho, no qual não se demorou muito e, assim que desligou o chuveiro, já estava com todo um roteiro de novas ações traçado na mente. Secou-se displicentemente e depois vestiu um roupão felpudo, de mangas compridas e cor escura. Soltou os cabelos, tentara não molhá-los durante o banho, mas sem muito êxito. Sentou-se na beira da cama, ao centro de seu quarto, e pegou o celular que deixara ali no criado-mudo, então ligou para seu avô.
– Oji-sama, boa noite.
"Ah, boa noite, Byakuya."
– Estou ligando para avisar que tive um contratempo, por isso o senhor e a Rukia não precisam me esperar para o jantar.
"Rukia? Ela vem para cá hoje?"
– Como assim, Oji-sama? Ela ainda não chegou aí?
"Não."
– Mas ela nem ao menos ligou dizendo aonde estava? - Byakuya perguntou, num tom exaltado.
"Não, ela não ligou." O avô respondeu muito tranquilo.
– Mas quem essa garota está pensando que é?
"Uma mulher de vinte cinco anos? Não é isso? Ou será que Rukia já fez vinte seis? Céus, minha memória está uma calamidade."
– A idade pouco importa quando a pessoa não tem um grão de juízo!
"Ora, não seja assim tão dramático, Byakuya. Rukia é uma jovem muito responsável."
– Ah, é? Pois vamos ver se quando eu lhe contar o que essa jovem tão responsável fez hoje, o senhor vai continuar dizendo isso.
No mesmo tom tranquilo, o avô buscou interceder pela neta, dizendo:
"Ela deve ter saído para se divertir com as amigas. Falando nisso, se divertir é algo que você deveria fazer com mais frequência."
– Eu cuido dessa outra problemática depois. Tenho uma coisa mais importante para perguntar agora. Oji-sama, você tem notícias do Aizawa?
"Aizawa? Aizawa... Ah, sim, o Aizawa. Pelo que estou sabendo, ele está passando uma temporada no Japão."
– No Japão? Mas quando ele partiu? - Byakuya retrucou num tom decepcionado.
"Acho que na semana passada. Mas se você está precisando de um advogado, o Yamazaki está à disposição. E o Matsuda também."
– Não... Para livrar o couro dessa bakeneko tinha que ser o Aizawa - disse Byakuya, olhando para Yoruichi, que ainda estava desacordada e estirada de atravessado bem ali ao lado dele na cama.
"Bakeneko?" repetiu o idoso e depois ficou quieto uns instantes, tentando decifrar o comentário do neto. "Você deve estar falando da Shihouin. Faz tempo que não a vejo. Ela está bem? Ainda está solteira?"
Ignorando os questionamentos do avô, Byakuya perguntou:
– Oji-sama, o senhor se alimentou direito? Tomou o remédio?
"Claro que sim. Hoje, meu bom amigo Furukawa Takame veio me visitar e passamos a tarde inteira relembrando os velhos tempos e comendo muitos doces. Então já me alimentei mais do que o suficiente para um dia."
– Doces? - repetiu Byakuya e mentalmente contou até dez para não disparar um sermão contra o avô. – Tudo bem, Oji-sama, amanhã conversamos.
"Eu vou tentar falar com o Aizawa."
– Não, por favor, não se incomode.
"Não me prive de ser útil, garoto. Não quero virar um fóssil antes do tempo."
– O senhor não está virando um fóssil, apenas deve se poupar de esforços desnecessários.
"E o que na sua opinião não é um esforço desnecessário para mim, Byakuya? Sim, porque você tem me tratado como se eu já fosse um inválido."
– Tudo bem, Oji-sama. Faça como achar melhor. Vou desligar. Tenha uma boa noite.
"Você também, garoto."
Byakuya apertou o celular na mão e inspirou fundo, buscando dissipar a raiva. Ele odiava ser chamado de garoto.
Muito aborrecido, ele deu uma olhada em Yoruichi, que de tão quieta mais parecia uma boneca de pano. Ela ainda demoraria a despertar, mas não por causa daquele golpe dele e sim de um sedativo que ele aplicara nela, logo após sua saída da transportadora. Ele tomara essa medida para garantir que ela não tentasse fugir e avisar Uharara de que Yamamoto estava no encalço dele. Estreitando a vista, ele reparou no quanto ela estava debilitada e até mais magra, não era nem uma sombra da pessoa que costumava ser quando estava livre da influência daquele cientista.
Desviando o olhar, Byakuya também se deitou de atravessado na cama e ficou um tempo ali, olhando para o teto. Fechou os olhos e, driblado pelo silêncio reconfortante no quarto, não percebeu que acabou cochilando. Então abriu os olhos e logo se colocou em pé. Buscou um edredom e o deixou sobre o corpo de Yoruichi. Depois, pegou seu notebook e saiu do quarto.
Voltando à sala, o jovem capitão deixou o notebook sobre a mesa de jantar e logo tomou um assento ali. Quando o sistema operacional iniciou e ele constatou que, sem que tivesse se dado conta, quarenta minutos haviam se passado, chegou a erguer o braço na intenção de socar qualquer coisa próxima, mas se conteve no último instante. Repreendendo-se pelos minutos perdidos, acessou sua caixa de email. Entre as novas mensagens, ele logo se atentou ao remetente de uma delas e à data de chegada, ou melhor, ao tempo transcorrido desde o recebimento, quinze minutos. Ao clicar nessa mensagem, ele leu o seguinte:
"Byakuya, conversei com Aizawa. Ele disse que mesmo estando no Japão, faz questão de auxiliá-lo no que for preciso. Em anexo os números de contato dele. Ass. Kuchiki Ginrei."
– Um dia ainda vou ser eficiente assim - ele falou consigo mesmo.
Antes de finalmente ir se deitar, Byakuya gastou boa parte daquela madrugada, enviando emails solicitando intervenções aos líderes administrativos dos Shihouin no sentido de criar falsos álibis para Yoruichi. No transcorrer dessa tarefa, sentia-se muito mal humorado. Por qualquer outra pessoa, ele dificilmente faria tantas coisas que infligiam seu senso de justiça. Sendo um policial tão íntegro, ele justificadamente se sentia péssimo com tudo aquilo, seu único alento era saber que poderia contar com a compreensão de Genryusai.
CONTINUA...
ooOOOoo
Vocabulário:
Bakeneko: É assim que Byakuya chama Yoruichi no episódio 208 da série. Literalmente, significa "gato monstro". Na mitologia japonesa, bakeneko são gatos com poderes sobrenaturais.
QUT: Queensland University of Technology.
Oji-sama: avô (formal, respeitoso).
Errata: Estou editando a partir daqui a profissão do Urahara de geneticista para cientistas, para ficar mais parecido com a série.
No próximo capítulo: Ichigo e Rukia continuam sua paquera como se não houvesse amanhã... Yamamoto sai à caça de Urahara e Byakuya está determinado em não deixar que Yoruichi ajude o cientista. Drama e azaração num só lugar, não percam!
E aí, o que estão achando? Mais um capítulo bem grandinho, né? Como tenho demorado a atualizar, a ideia é avançar bem na história a cada capítulo. Comentem, por favor. Embora minha querida amiga Ray Shimizu esteja me dando um mega apoio, não tenho recebido muito incentivo para continuar esse projeto... Ç_Ç Se os leitores não se manifestam, não tenho como saber onde estou errando e o que pode ser melhorado.
De todo modo, agradeço a todos que estejam acompanhando (comentando ou não). Muito obrigada!
13-09-2014
