Vítimas do dever
Por Amanda Catarina
Capítulo 5
Durante a tarde daquele dia, quando Ichigo dirigia rumo ao departamento de polícia para devolver o celular da policial Rukia, ele fantasiava consigo a possibilidade de uma aproximação com ela, ainda que algo em seu íntimo tentasse o advertir para que não se iludisse tanto. A pequena exibia um aspecto jovial, mas claro que era uma mulher feita. E o que uma mulher feita iria querer com um garoto estudante como ele? Foi por isso que ele ficou tão surpreso, e empolgado, quando Rukia quis pegar uma carona com ele e muito mais ainda quando ela o chamou para comer naquele restaurante mexicano. As coisas seguiam até melhores do que ele tinha fantasiado.
Ao adentrarem o El Mariach, ele achou o lugar bem aconchegante. Bonitas luminárias coloridas decoravam o ambiente, as mesas eram largas e os acentos estofados revestidos de veludo bordado, mesclando tons de dourado, vermelho, verde e preto. Em pouco tempo, Ichigo percebeu que o atendimento era excelente e idealizado para deixar os clientes muito à vontade. A comida era farta e de qualidade, apenas quanto ao preparo, ele julgou um tanto apimentado demais, pois era adepto de uma culinária mais light e menos calórica, no entanto, não chegou a achar a comida ruim, e na companhia daquela pequena beldade a estada ali foi simplesmente ótima.
Os dois conversaram muito e sobre muitas coisas, sem nem sentirem o passar do tempo. Rukia se mostrava descontraída e ouvia com aparente interesse tudo que ele falava - ele não se recordava de já ter cativado tanto a atenção de uma garota, exceto apenas por Inoue, mas com Inoue isso era mais exagerado visto que ela o venerava e isso sem exagero.
Na hora de pagar, Ichigo quis arcar com toda a despesa, naturalmente, mas Rukia não deixou, nem mesmo a parte que a ele cabia, alegando que não era certo ele pagar se fora ela quem o convidara. Como esse argumento não o convencesse, Rukia explicou que ela tinha uma conta com o estabelecimento e como sempre pagava adiantado, ainda dispunha de um bom crédito para usar, com isso, ele se deu por vencido.
Depois que saíram do restaurante, eles caminhavam vagarosos até o local onde, horas atrás, Ichigo deixara estacionado seu Mazda 3. Quem os visse naquele momento dificilmente pensaria que eram duas pessoas que haviam se conhecido naquele mesmo dia, pareciam mais amigos de longa data e, para os mais românticos, até passariam por um casal.
– Wow! - exclamou Ichigo, fitando seu relógio de pulso. – Rukia, já passa das nove! Ah, me deixa te levar pra casa.
– Por quê? Tem medo de que eu seja assaltada?
– Não, isso não. Tenho até pena do ladrão que tentar assaltar você.
Rukia deu um riso contente com o comentário e Ichigo continuou:
– Não notou como esfriou e como a noite está escura? Está parecendo que vai chover...
– E daí? Você acha que eu sou feita de açúcar? - ela indagou, erguendo a face para ele com uma expressão de inocência fingida.
Ichigo abaixou seu olhar a ela e deu um riso de canto.
– Feita de açúcar? Isso só daria pra saber se eu te experimentasse.
Rukia pestanejou, não esperava por uma investida tão direta, então deu um tapinha no ombro dele.
– Seu abusado!
O tom dela não soara bravo, pelo contrário. Ela ficou risonha, como quem tivesse gostado, por isso ele julgou que valia a pena continuar investindo.
– Ah, desculpa, mas é que você é muito gata.
Eles tinham voltado a andar, e Ichigo disse aquilo sem olhar na direção dela, assim não chegou a ver que expressão ela fizera com o elogio, mas logo ficou aliviado quando ela deu uma risada alta e gostosa.
– Muito gata? Essa é sua opinião sobre mim?
Ele assentiu, mas depois não soube o que dizer e Rukia aproveitou o silêncio dele, para mudar de assunto.
– A casa do meu avô fica mesmo bem perto daqui, não precisa se preocupar. E também eu não quero atrasar você mais ainda.
– Quanto a isso, sem problemas. Duvido que minhas irmãs sentiram minha falta, sem falar que hoje nem era o meu dia de fazer o jantar. E depois que o velho comprou aquele videogame novo, elas simplesmente esqueceram que eu existo. E o meu velho, bem, ele não vê a hora de se ver livre de mim.
– Vocês se revezam para preparar o jantar?
Ichigo fez que sim com a cabeça.
– Ai que fofo! Isso é tão japonês!
– Ah, lá em casa todo mundo tem que se ajudar. Você e seu irmão não fazem assim?
– Não, claro que não! Eu não te falei que já não moro mais com meu irmão? E lá na casa do vovô tem empregados.
– Empregados? - Ichigo repetiu com espanto. – Mais de um, é?
Ele notou que Rukia se encolhera com a observação, ficando um tanto sem jeito, como se não quisesse ter dito aquilo.
– É, mas é porque meu avô já tem idade e precisa de cuidados especiais... - ela retrucou como quem se justificava.
– Entendi.
Enfim eles chegaram ao carro. Ichigo destravou as portas e tentou uma última vez convencer Rukia a vir com ele, mas ela não cedeu. Com um ar contrariado, ele entrou no carro e imediatamente abriu todo o vidro do lado do motorista. Rukia se aproximou da janela do carro e apoiou suas mãos delicadas ali.
– Obrigada pela carona e pela companhia, Ichigo.
– Eu que agradeço, Rukia. Eu curti muito!
Por alguns instantes, os olhos azuis dela ficaram pousados nos olhos amendoados dele, até que Rukia inclinou um pouco o corpo para frente de modo que os lábios deles ficaram extremamente próximos. Mas no exato instante em que Ichigo quis avançar e conhecer a textura daqueles lábios tão convidativos, Rukia se afastou dois passos para trás e disse:
– Tenha uma boa noite.
Ichigo demorou uma fração de segundo para perceber que fora lento demais e que por conta disso desperdiçara a melhor oportunidade da noite de roubar um beijo dela.
– Você também. Mas me diz: quando te vejo de novo?
Rukia meneou a cabeça, com um ar pensativo, então respondeu:
– Me liga e a gente combina.
Depois de dizer aquilo e de um curto aceno, Rukia se foi. Ichigo ficou acompanhando com os olhos o bonito caminhar dela, até que ela sumiu da vista dele, quando entrou no terminal de ônibus. Só quando ele já estava a caminho de casa que ele se lembrou de um detalhe muito importante: em meio a tanta agitação, ele se esquecera de pedir o número do telefone dela.
Passava das dez da noite, quando Ukitake Juushirou adentrou a sala do comandante Yamamoto tão silencioso que não foi percebido e assim, não intencionalmente, o flagrou com o olhar fixo em um objeto.
– Comandante?
Com gestos discretos, o veterano ergueu seu olhar ao imediato, deixando o objeto sobre a mesa, virado para baixo.
– Conseguiu, Juushirou?
Genryusai havia pedido a Juushirou que lhe arranjasse um carro para que ele em pessoa saísse em uma batida.
– Sim, comandante. Mas o senhor precisa ir agora, não sei por quanto tempo conseguirei despistar o Kyouraku. O senhor sabe, ele não gosta que o senhor continue atuando direto assim, acha que não faz bem para sua saúde.
– Muito obrigado, Juushirou. Não me esquecerei desse favor.
Dirigindo-se ao cabideiro junto à porta da sala, Genryusai pegou seu sobretudo e o chapéu e logo partiu.
Juushirou permaneceu na sala por algum tempo ainda. E, por um instante, ele sentiu uma indomável curiosidade de dar uma olhada naquele objeto que o veterano fitava com tanta atenção e que ele percebeu ser um porta-retratos. Mas logo pensou que seria uma invasão de privacidade da qual ele não se julgava capaz. Além disso, ele já tinha uma suspeita muito bem fundamentada de quem devia estar na foto: a falecida esposa de Genryusai, Elisabeth. O que pouquíssimas pessoas sabiam era que Elisabeth, antes de se casar com Genryusai, era conhecida pelo nome de Elisabeth Urahara. Ela era mãe do homem que atualmente se chamava Kisuke Urahara, o homem que Genryusai estava prestes a prender. O único filho deles. O filho renegado.
Graças à ajuda de Tessai, Kisuke foi capaz de colocar a máquina de tomografia computadorizada em estado operacional, cerca de uma hora após o recebimento. Sendo que ele se sentia angustiado e agitado demais para dormir, pediu que Tessai procurasse ter seu descanso primeiro, de modo que dali umas quatro horas, o amigo pudesse rendê-lo. Tessai concordou sem nem contestar e seguiu para o furgão estacionado na ala dos fundos do complexo fabril para dormir um pouco.
Por volta das três e meia da manhã, Kisuke, estranhamente perturbado, deixou de examinar a moribunda Hiyori e se permitiu uma breve pausa para tomar um gole de água. Mal ele terminou de saciar a sede e um barulho de sirene fez seu sangue gelar. Depois disso, tudo aconteceu muito rápido. Em menos de um minuto, cinco policiais fardados estavam dentro do galpão, com seus revolveres apontados para Kisuke.
– Mãos para o alto! - exigiu um dos policiais.
O cientista atendeu relutante, vendo um homem alto e robusto vindo em sua direção. O homem usava sobretudo e chapéu e assim Kisuke o reconheceu abaixou instintivamente as mãos e sentiu como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés. Genryusai Shigekuni Yamamoto, o capitão-comandante do distrito policial do município de Brisbane, o homem que em tempos perdidos na memória, ele costumava chamar de pai.
Kisuke ficou petrificado, abalado, mudo e sua mente, mesmo tão exausta pelas horas de trabalho incessante, se inquietou quando ele pensou em Yoruichi e se perguntou se aquele era o contratempo de que ela falara em sua mensagem. A mera suposição de que Genryusai pudesse tê-la detido como sua cúmplice fez com que ele sentisse vertigens. "Não, Kami-sama, isso não." ele rogou em pensamento.
Genryusai parou bem à frente do filho, encarando-o com um fogo abrasador nos olhos escuros, então, em voz trovejante como a de um deus, ele ordenou aos policiais fardados:
– Ele não deve estar sozinho. Tsukabishi Tessai também deve estar aqui. Procurem em todo lugar!
Assim que o grupo se afastou, Genryusai se dirigiu ao filho num tom contido:
– Ainda bem que sua mãe não está viva para ver o desastre de homem que você se tornou.
Kisuke pestanejou aturdido e, em seguida, viu Genryusai tirar algemas de dentro do sobretudo. Aquilo o tirou do estado de imobilidade e tudo que conseguiu pensar foi que não podia ser preso.
– Não! - ele reclamou em desespero e ficou ainda mais desesperado ao ver dois dos policiais voltando e se aproximando dos oito leitos. – Não toquem neles! Estão entre a vida e a morte... - ele dizia, dominado por um pânico que jamais sentira, mas não pôde prosseguir com o apelo, pois levou uma forte bofetada de Genryusai.
Apesar do espanto momentâneo, Kisuke não se deixou abalar com aquilo. Sustentou o olhar reprovador do pai e sem se importar com o gosto metálico do sangue na própria boca ele vociferou:
– Afastem-se vocês todos! Vocês vão arruinar tudo!
Meneando a cabeça em negativa, num movimento quase sobre-humano de tão rápido, Genryusai agarrou a nuca do filho e pressionou essa região com a dose correta de força para deter o fluxo sanguíneo e causar a inconsciência de Kisuke com isso. Instantes depois, Kisuke desabou inerte sob os pés de seu pai.
Yoruichi acordou num susto e ficou ainda mais assustada quando percebeu que se achava em um quarto estranho - ainda que muito ricamente decorado -, e não tinha a menor ideia de como viera parar ali. Antes que ela tentasse entender o que se passava, alarmada com a claridade no quarto e pensando imediatamente em Kisuke, ela afastou os cobertores do corpo e se colocou de pé. Porém, antes que saísse do quarto, foi surpreendida com a presença de Byakuya ali dentro.
Ele vinha saindo do banheiro - com a barba muito bem feita, notava-se pelo aspecto acetinado de seu rosto tão claro e do odor másculo da loção pós-barba. Estava sem camisa e vestia uma calça social escura.
– Pirralho dos infernos! - Yoruichi bradou furiosa. – O que diabos fez comigo?
Se um terceiro observador estivesse no quarto naquele momento, talvez tivesse interpretado o quadro de modo equivocado; ele parcialmente despido, ela junto à cama dele. Mas para Byakuya o olhar feroz de Yoruichi nem de longe poderia ser confundido ao de uma mocinha que tivesse sofrido algum tipo de abuso. O rancor na voz dela sugeria mais algo como: "Você arruinou meus planos!"
Sem esperar pela a resposta dele, Yoruichi deu um rompante rumo à porta do quarto, mas foi detida pela voz grave de Byakuya.
– Aonde pensa que vai?
– Aonde mais? Ajudar o Kisuke, é claro! - ela respondeu, sem se voltar a ele.
– Nada disso. Sua agenda pra hoje está cheia, mas ajudar esse sujeito definitivamente não está na programação.
– Eu não vou nem tentar entender esse seu comentário. Simplesmente não tenho tempo pra isso.
Ela estava a um passo da porta quando Byakuya a fez paralisar no lugar.
– Essa sua afobação é inútil. Você não pode fazer mais nada. Urahara foi preso nessa madrugada pelo próprio comandante Yamamoto.
Com uma expressão transtornada, Yoruichi se virou para ele.
– O que? O que você disse?
– Que Urahara foi preso.
Fúria revestiu a face da investigadora.
– Você contou para o comandante onde ele estava? Como pôde? Eu disse pra você que...
Byakuya interrompeu a frase dela.
– Não fiz nada além daquilo que você mesma já devia ter feito.
Suspirando fundo, Yourichi voltou a dar as costas para Byakuya e decretou:
– Eu vou dar um jeito nisso!
Antes que ela escapasse, Byakuya puxou agressivamente o braço dela, girando-lhe o corpo e a soltou grosseiramente, tendo com isso invertido suas posições, ficando ele postado próximo à porta. Yoruichi se condoeu e demonstrou espanto com a impetuosidade dele.
– Escute, e escute muito bem - ele começou –, eu passei por cima da minha honra e do meu orgulho, arquitetando um jeito de livrar sua cara, a noite toda, e agora você vai fazer exatamente o que eu disser.
– Mas o que é isso, Byakuya? O que deu em você? Pelo amor de Deus, aquelas pessoas estão com a vida por um fio, enquanto você me faz ficar aqui batendo boca com você!
– Há essa altura, aquelas pessoas já devem estar no melhor hospital de Brisbane, sendo devidamente tratadas, por médicos de verdade.
– Nenhum médico de verdade vai dar jeito naquilo, Byakuya! Eles vão morrer!
– Errado. Eles teriam morrido se tivessem continuado naquele lugar insalubre e à mercê daquele lunático do Urahara.
– Por que você é tão cruel assim com ele, Byakuya? Por que todo esse ódio?
– Não tenho repulsa maior por Urahara Kisuke do que tenho por qualquer outro criminoso.
– Kisuke não é um criminoso!
– Se antes não era, agora acabou por se tornar.
– Não, você não entende... Só ele pode salvar aquelas pessoas!
– Nem perca seu tempo tentando me convencer disso, Yoruichi.
– Por favor, Byakuya, eu preciso ir até lá! Isso tudo é um mal entendido. Aizen Sousuke que é o verdadeiro culpado. É ele que tem que ser preso!
– Você não tem nenhuma prova disso.
– Não tenho ainda, mas vou conseguir.
– Isso não vem ao caso. Você tem coisas mais urgentes a fazer agora.
– Você não pode me impedir de ajudar o Kisuke.
– Não só posso como vou.
– Não me desafie, Byakuya. Você vai se dar mal!
– Me poupe de suas bravatas. Compreendo que não esteja em condições de perceber, mas você está fora de si. Aquele sujeito deve ter te hipnotizado ou qualquer coisa do tipo.
Afastando-se em direção a porta, ele declarou:
– Mas não tem problema. Do mesmo jeito que você se intrometeu na minha vida quando eu fiquei fora de mim, depois que Hisana morreu, agora é minha vez de fazer o papel do intrometido. Ainda é cedo, tente esfriar a cabeça. Nosso dia vai ser longo.
Antes que Yoruichi percebesse o que o mais novo tinha em mente, ele rapidamente saiu do quarto, deixando-a trancada ali.
– Não! Byakuya! Me tira daqui!
Quando Kuchiki Ginrei chegou à mesa da sala de jantar para ter seu desjejum, encontrou sua neta, Rukia, cantarolando e ajeitando caprichosamente os utensílios junto ao acento da mesa no qual ele normalmente se sentava.
– Parece muito animada hoje, pequena.
– "Ohayo, oji-sama!" Ah, estou sim!
– Teve uma noite boa, imagino.
– Ótima! Oji-sama, o senhor sabe do meu nii-san? Eu achei que ele fosse dormir aqui.
– Não, ontem ele não veio pra cá, pois teve alguns contratempos. Mas hoje bem cedo ele esteve aqui e deixou uma pasta para você, sobre um caso que ele quer que você assuma com a capitã Soifon.
– Sério? Que estranho, ele não é disso. Ontem, a capitã Soifon deixou mesmo uma papelada comigo que era para eu entregar pra ele. Será que tem alguma coisa a ver?
– Eu não sei, mas não se preocupe, você conhece seu irmão, ele deve ter deixado tudo muito bem explicado na pasta que trouxe hoje.
– Ah, sim, muitíssimo bem explicado com certeza - Rukia enfatizou.
Ginrei se sentou e se serviu de uma xícara de chá, depois questionou a neta:
– Tirando isso, aconteceu alguma coisa fora do comum ontem, Rukia-kun?
– Fora do comum? - Rukia ficou com ar pensativo. – Defina "fora do comum", oji-sama.
– Fora do comum no sentido de deixar seu irmão muito bravo.
– Ah, já sei! Aconteceu que eu me envolvi numa captura e estava com tudo sob controle, mas Byakuya nii-san teve que chamar o capitão Ichimaru e arruinar minha chance de ganhar uma bonificação!
– Você se envolveu numa captura? Mas que história é essa?
– Uma épica, oji-sama! O senhor precisava ter visto, pareceu até aquelas coisas que a gente vê nos filmes!
– Começo a imaginar porque seu irmão estava tão irritado.
– Irritado? Eu tive que ver o capitão Ukitake todo cheio de sorrisos praquela raposa magricela do capitão Ichimaru e foi o Byakuya que ficou irritado? Irritada fiquei eu! E, por favor, oji-sama, estar irritado é o estado normal daquele chato do meu irmão!
Ginrei riu discretamente.
– Eu acho muito engraçado que você seja tão vibrante e impulsiva como era seu falecido pai e seu irmão seja tão pacato e sereno como era a sua falecida mãe. Não era de se esperar o contrário?
– E eu vou saber? - ela rebateu mal-humorada.
– Não fique zangada com o Byakuya. Ele só faz isso para te proteger. Seu irmão não suportaria mais uma perda na família.
– Eu sei, mas é complicado. Ele bem que podia casar e ter um filho, assim ia parar de me cercar desse jeito.
– Pra isso ele primeiro precisa de uma mulher.
– Pois a capitã Soifon parece estar interessada nele. Toda hora ela me faz perguntas sobre ele.
– A jovem Soifon? Isso é uma surpresa. Achei que ela tivesse feito um voto de castidade.
– Como é? Me conta esse babado, vovô!
– Esse o quê?
– Essa fofoca!
O idoso deu risada.
– Mas não é fofoca. Bom, nos últimos trinta anos as coisas mudaram bastante na comunidade de Seireitei, mas, antigamente, a família Fong era servente dos Shihouin. Você já deve ter reparado que Soifon tem um respeito muito grande pela Yoruichi.
– Agora que o senhor comentou, é verdade, eu já reparei nisso sim.
– Se não me falha a memória, Soifon foi escolhida a dedo para ser a guarda-costas de Yoruichi, e desde muito cedo foi treinada para isso. Mas, como de costume, aconteceu da Yoruichi não aceitar de bom grado a ideia. Ela dizia que achava aquilo um desperdício de talento, então quando ela começou a trabalhar no Ministério Público e passou a ter seu próprio salário, ela resolveu bancar os estudos de Soifon na academia militar e a liberou da função de guarda-costas também.
– Uau! Isso explica muita coisa.
– Mas, Rukia, o que te faz pensar que Soifon esteja interessada no seu irmão?
– Ah, o jeito que ela olha pra ele e o jeito como eles conversam. Eles parecem se entender tão bem. Um belo casal de androides, eu diria.
Ginrei deu um riso pequeno e logo perguntou:
– Consegue imaginar seu irmão se casando de novo e tendo um filho?
A neta fez que não com a cabeça.
– Pensei que fosse só eu. Eu teria gostado que ele e a Shihouin tivessem se casado. Apostava nisso quando eles eram mais jovens, mesmo a Shihouin sendo um pouco mais velha.
– Meu nii-san e a Yoruichi-san? Oji-sama, os dois não conseguem ficar cinco minutos na mesma sala sem começarem a se agredir verbalmente. Isso sem falar das vezes que eles partem pra porrada de fato!
Ginrei sorriu levemente.
– Eu sei, mas a relação deles é tão única e indecifrável. Seu irmão tem um temperamento gélido, enquanto a Shihouin é exatamente o oposto. A rivalidade que surge entre eles, vem justamente do fato de eles naturalmente se atraírem. Por isso, não me parece que a jovem Soifon tenha a força de espírito suficiente para cativar seu irmão.
– Quando o senhor fala com esses ares de sabedoria, oji-sama, eu nem ouso questionar.
O avô e a neta se concentraram na comida por algum tempo.
– Mas e você, Rukia? Quando vai arranjar outro namorado?
Por pouco a pequena não engasgou com o chá. Ginrei emendou:
– Já faz um bom tempo que você e o Abarai-kun terminaram.
Rukia ficou ligeiramente corada. Ela torceu a boca, sentindo uma coceira na língua, tentou fervorosamente se concentrar no pedaço de bolo bem a sua frente, mas acabou que não conseguiu se conter e confessou:
– Conheci um cara legal ontem.
Mal ela terminou de fazer a confissão e já se arrependeu.
– Esquece! O senhor não ouviu nada.
– Estou velho, mas surdo ainda não, mocinha.
– Ah, oji-sama, eu só vou contar se o senhor me prometer que não vai dizer nada para o meu nii-san.
– Mas por que o Byakuya não pode saber?
– Porque ele é um chato e vai acabar implicando comigo.
– Que ele vai sentir ciúmes é certo, mas se você gostou do rapaz, ele vai ter que entender.
– Eu sei, mas o problema é que o tal rapaz é um pouco novo pra mim. Ele tem 18 anos. Mas o senhor acabou de deixar claro que não vê problema nisso, certo?
– Nisso o que exatamente?
– Nisso de uma mulher mais velha se interessar por um cara mais novo.
– Ah, sim... Eu não sou tão conservador assim.
– Então entre eu o Ichigo são sete anos, só dois a mais comparando com o nii-san e a Yoruichi-san.
– O nome dele é Ichigo?
Rukia fez que sim com a cabeça.
– E o sobrenome?
– Kurosaki.
Ginrei a encarou com uma expressão surpresa.
– Um Kurosaki? Mas hoje o dia está mesmo cheio de surpresas!
– Você conhece a família Kurosaki, oji-sama?
– Mas é claro. Seria mais certo você perguntar qual família de Seireitei esse seu avô não conhece.
– Sério? Mas então me fala sobre os Kurosaki, oji-sama. Eu quero saber tudo!
– Nada disso, mocinha, foi você que começou com o assunto, esqueceu? Eu que quero ouvir suas novas. Mas, Rukia-kun, você tinha razão, seu irmão não precisa saber desse seu flerte. Vamos deixar isso só entre nós por enquanto.
Rukia deu risada e logo meneou a cabeça em concordância, depois gastou parte do pouco tempo de que ainda dispunha para contar ao avô um pouco de tudo que tinha passado junto do jovem Kurosaki no dia anterior.
Assim que Aizen Sousuke terminou de conectar o cabo de rede em seu novo laptop e efetuar as intrincadas configurações de uma VPN fortemente criptografada ele recebeu uma chamada de vídeo e voz.
"Aizen-sama? O senhor está on-line?"
– Sim, Kaname, pode falar.
"Trago boas notícias. Kisuke Urahara foi preso."
– Mas isso é formidável. Aquele tolo idealista, ele mesmo tornou isso possível quando resolveu simplesmente aparecer no meu laboratório. Se ele tivesse procurado a polícia, talvez quem tivesse sido pego em flagrante teria sido eu. Kaname, conto com você para cuidar do ajuste das provas.
"Tenho trabalhado nisso dia e noite, Aizen-sama. Porém devo confessar que tem sido difícil despistar aquele capitão, o Ichimaru Gin. Ele está desconfiado."
– Ah, esse homem é um autêntico problema. Eu tentei por mais de uma vez fazer dele nosso aliado, mas ele se recusou e eu não tive tempo de tentar uma abordagem mais persuasiva. Recentemente, ele quase desmantelou um dos meus cartéis nos subúrbios de Rukongai.
"Sim, eu soube."
– Além de Ichimaru Gin, você deve estar atento a Shihouin Yoruichi também. É certo que ela tentará de tudo para livrar a cara de Urahara.
"Dois dos meus oficiais de confiança vinham acompanhando os passos dela, mas há alguns dias perderam seu rastro. Imaginei que ela estivesse com o Urahara lá no laboratório, mas não. Até o momento o paradeiro dela nos é desconhecido."
– Ainda assim estejam atentos a ela. E quanto a Tsukabishi Tessai? Foi preso também?
"Não. Ele ainda está foragido."
– Pois muito bem. Vim aqui para o Japão às pressas e ainda estou colocando em ordem as coisas que deixei em aberto aí em Brisbane. Mas, no mais tardar em uma semana, quero estar na China. E agora, com a prisão de Urahara, já posso começar planejar minha volta pra casa.
"Entendo. E, na China, o senhor pretende ficar em Las Noches?"
– Provavelmente, mas entrarei em contato quando estiver alocado lá. Cuide das coisas por aí, Kaname. E o mais importante: reúna tudo quanto for possível daquilo que Urahara fez nesse tempo em que ele esteve no laboratório. Quero saber exatamente o que ele tinha em mente para reverter o processo.
"Sim, Aizen-sama."
– E fique de olhos bem abertos, ah, me desculpe, eu não quis ofender... Fique atento a Ichimaru Gin. Se ele começar a espiar onde não deve, use aquela namorada desmiolada dele como um meio de tirar o foco dele de nós. E a última coisa: não tente me conectar de nenhuma outra forma que não seja por essa rede.
"Sim, senhor."
– Sem mais a declarar por enquanto. Sayonara, Kaname.
"Até breve, Aizen-sama."
Kisuke não ficou surpreendido quando viu que a pessoa que chegava para interrogá-lo era Shunsui Kyouraku. O braço direito de Genryusai, alguém que Genryusai jamais qualificaria como um "desastre de homem", alguém que ele certamente adoraria poder chamar de filho.
Ele supôs que Genryusai devia estar atrás do vidro escuro e que ele delegara ao seu braço direito a tarefa do interrogatório porque, estando ali na sede da polícia, Genryusai não poderia agredi-lo livremente como fizera no galpão fabril, e claro que se ficassem cara a cara de novo, dificilmente o veterano conseguiria se conter.
– Are, are... Mas que cara horrível - comentou Kyouraku ao se acomodar na cadeira do lado oposto ao que Kisuke estava sentado e algemado. – Você devia ter tentado descansar um pouco, rapaz.
– Fica difícil, meu senhor, quando se sabe que oito pessoas estão com suas horas contadas e este seu servo está impedido de tentar reverter isso.
– Ah, sim... Temos muito a falar sobre isso. Mas, por favor, não fale com esse tom arcaico, é muito estranho. Bom, esse vai ser um interrogatório bem longo.
O cientista não disse nada.
– Bom, Kisuke, você já conhece o procedimento. Coopere e as coisas podem ter um fim menos dramático.
– Você não entende, capitão Kyouraku! Pouco me importa o que vocês vão fazer comigo. Podem me deixar apodrecer na cadeia, eu não me importo. Tudo que quero é poder ajudar aquelas pessoas!
– Elas já estão sendo tratadas pelos melhores especialistas do estado.
– Especialistas em quê?
– Ora, especialistas apropriados.
– Apropriados para quê? Francamente, Kyouraku, eu duvido que qualquer um desses ditos especialistas já tenha a mais remota ideia do que está matando aquelas pessoas. Mesmo o melhor neurologista desse país demoraria semanas para começar a entender o problema. Só que eles não têm todo esse tempo, muito antes disso, estarão mortos!
– Acalme-se, Kisuke. Ficar exaltado assim não vai adiantar nada.
– Com certeza não, a única coisa que vai é você me deixar tratar deles. Coloque uma bola de ferro nos meus pés, uma coleira no meu pescoço, mas me deixe tentar curá-los!
Por trás do vido escuro, de fato, Genryusai escutava a tudo. Ele se mantinha muito quieto, como se tivesse se tornado uma estátua viva. As declarações de seu filho não faziam qualquer sentido para ele, tudo que ele enxergava nele era a mesma loucura que lhe tomara a esposa.
– Juushirou?
– Sim, capitão-comandante?
– Quando toda essa burocracia inútil acabar, eu quero que você entre em contato com Kurotsuchi Mayuri.
– Mas por que com ele, comandante?
– Quero que você deixe Kurotsuchi avisado que muito em breve ele receberá mais um detento.
Byakuya precisou fazer um pequeno malabarismo para conseguir abrir a porta de seu quarto, trazendo consigo uma sacola pendurada em um dos braços e uma bandeja cheia de comida no outro. Ao adentrar o lugar, ele encontrou Yoruichi estirada de atravessado na poltrona próxima à janela do quarto. Ela estava acordada, mas muito quieta. Naturalmente, devia estar se sentindo bastante debilitada, visto que devia estar a muitas horas sem comer e o sedativo que ele injetara nela poderia ter causado efeitos colaterais.
– Preciso do meu celular - ela falou em um tom arrastado, mas não pouco exigente. – Tenho que ligar para o Aisawa.
Em gestos calmos, Byakuya depositou a bandeja sobre sua cama e depois largou a sacola que estava pendurada em seu braço ali também, então retrucou:
– Se você pensou no Aisawa para cuidar da defesa de Urahara Kisuke, pode esquecer. A meu pedido, ele já está cuidando da sua defesa. E que tolice sua achar que Aisawa aceitaria defender alguém de ficha tão questionável como a desse sujeito.
– Por que você tem que ser tão irritante, Byakuya? E que história é essa de que o Aisawa está cuidando da minha defesa? Você não me apagou pra me tirar da "cena do crime"? Graças a você, meu grande herói, eu não vou precisar de um advogado.
O tom dela foi revestido de sarcasmo e acidez.
– Eu acho que você ainda não se deu conta da seriedade da situação na qual está metida. Me responda uma coisa: Se hoje você fosse intimada por Genryusai a explicar porque uma máquina de tomografia computadorizada adquirida pela alegórica família Makoto estava naquele armazém, o que iria dizer?
– Que eu estava tentando salvar aquelas pessoas! - ela bradou exaltada.
– Jeito estranho de realizar um salvamento - ele retrucou provocativo. – Seja como for, eu duvido muito que isso iria convencer o capitão-comandante. É por isso que Aisawa está de prontidão e estudando como te defender se as coisas chegarem a esse ponto, e no que depender de mim, e da sua cooperação, é claro, não chegarão.
– Do que você está falando?
– Ainda não entendeu? Estou falando de como vou tirar você dessa confusão na qual se meteu. Mas não porque você esteja merecendo, e sim para honrar os códigos de lealdade entre nossas famílias.
Yoruichi apenas encarou o mais novo com um ar confuso.
– Temos duas reuniões dentro de uma hora. Por isso coma e se apronte.
– Reuniões? Que reuniões?
– A primeira será com o diretor financeiro da Thelven Research Laboratories, senhor Alexei Hayes. Ele quer uma pequena fortuna para rescindir, em menos de 24 horas, o milionário contrato de locação daquela máquina de tomografia que você fez com ele. Você vai se encontrar com senhor Hayes e pagar essa pequena fortuna a ele
– Sem chance! Meu tio bloqueou todos os meus fundos ontem.
– Eu sei disso. Tentei empréstimos com outros de seus parentes ontem, mas nenhum deles quis saber de ajudar. Os meus, tão pouco. Nós dois sabemos que meu vô jamais viraria as costas pra você e é exatamente por isso que ele não será envolvido. Fui claro?
Yoruichi apenas encarou o mais novo.
– Sem a ajuda dos nossos parentes diretos, só me restou agir como você faria: contra as regras. Usei um fundo de investimento dos Kuchiki. Então a primeira coisa que você vai fazer hoje será pagar o diretor da Thelven Research, depois, é claro, que ele assinar uma declaração garantindo que dará um fim em todos os documentos que liguem você, melhor dizendo, a família Makoto, com o respectivo contrato. E se o departamento jurídico dessa empresa vier a ser intimado para depor no julgamento de Urahara, o que é bastante provável, eles serão instruídos a informar que aquela máquina havia sido extraviada.
– Não pode estar me dizendo que quer levar a cabo todas essas falcatruas, Byakuya? Se isso for verdade, você acabou de dar um significado novo para expressão "engolir o orgulho".
– Pra sua informação, só estou disposto a descer tão baixo porque acredito piamente que Urahara usou você. Do contrário, eu mesmo te prenderia. Por que, sabe? Eu realmente acho que uns anos na cadeia poderiam colocar uma gota de juízo nessa sua cabeça.
– Seu pirralho desgraçado!
Yoruichi avançou contra Byakuya, mas com um mero movimento ele se esquivou e, puxando o braço dela, derrubou-a na poltrona como se ela fosse um peso morto.
– Se nem na sua melhor forma você tem sido páreo pra mim, o que achou que ia conseguir nesse estado? Eu agradeceria muito se você parasse de bancar a rebeldezinha mal agradecida e que parasse de me chamar de pirralho já que você parou de agir como uma pessoa adulta.
Acuada como uma gata vira-lata, Yoruichi se endireitou na poltrona, mas antes que ela dissesse qualquer coisa, Byakuya retomou o assunto de antes:
– A outra reunião será na Skylinx Airlines. Alguns dos acionistas dos Kuchiki estavam querendo comprar parte das ações dos Shihouin nessa companhia. Como líder dos Shihouin, você tem autonomia para viabilizar essa venda, e é isso que vai fazer. E assim que o fizer, irá me repassar o ganho, para que eu devolva o que saquei do fundo de investimento dos Kuchiki.
– Muito esperto... - ela comentou com um ar contrariado. – Você devia ser economista.
Byakuya se levantou e antes de sair disse:
– Esteja pronta em meia hora.
Cerca de vinte minutos depois, Byakuya precisou voltar ao quarto para pegar seu kenseikan, um acessório que ele usava nos cabelos, símbolo de seu status de nobre. Yoruichi estava tomando banho. Antes que ele encontrasse o que buscava, duas coisas aconteceram ao mesmo tempo: Yoruichi desligou o chuveiro e o celular dele tocou.
– Ah, bom dia, capitã Soifon. Me perdoe por não ter entrado em contato, mas, com toda certeza, há essa altura, Rukia já está tratando com a senhorita do caso do atentado contra aquela pastoral. Certo?
"Bom dia, capitão Kuchiki. Sim, sua irmã já está trabalhando nesse caso comigo. Mas o motivo de minha ligação é outro."
– Pois não, capitã? Em que posso ajudá-la?
"Capitão Kuchiki, o senhor certamente está sabendo da prisão de Urahara Kisuke nessa madrugada, certo?"
– Sim, capitã.
"Foi o que imaginei, tendo em vista que o senhor colaborou com a captura. E o senhor também já sabe porque ele foi preso e com o que estava envolvido."
– Sim, mas aonde a senhorita está querendo chegar?
"O que acontece, capitão Kuchiki, é que há dias eu não tenho notícias da Yoruichi-sama e ela estava justamente investigando o desaparecimento dos oito oficiais que foram sequestrados por Urahara. Estou recorrendo ao senhor porque não sei mais a quem perguntar por ela. E, depois dos últimos acontecimentos, eu temo que Urahara tenha parte no desaparecimento dela também."
Naquele momento, Yoruichi saiu do banheiro. Byakuya estreitou os olhos nela, notando que, ao invés de ela ter enrolado o corpo em alguma das toalhas que estavam disponíveis lá, ela preferiu vestir o roupão escuro dele. Um fato trivial, mas que atestava bem o quanto ela estava fora de seu comportamento normal, era que, em outras circunstâncias, ela muito provavelmente teria saído do banheiro nua - ainda mais se soubesse que ele estava ali. Ela era descaradamente exibicionista e tinha um prazer ímpar em deixá-lo constrangido.
– Não se preocupe, capitã Soifon, eu lhe asseguro que Yoruichi está bem, falei com ela a não tem nem cinco minutos e daqui a pouco nós dois estaremos em uma reunião executiva. Inclusive a razão de eu ter delegado o caso da pastoral para Rukia é porque eu e Yoruichi fomos convocados ontem para essa reunião extraordinária com acionistas dos clãs Kuchiki e Shihouin hoje. A senhorita sabe: assuntos das nossas famílias.
Byakuya não poderia imaginar como aquela última sentença dele deixou Soifon desconcertada, sentindo-se como alguém que não fazia parte do mundo deles, o que de certa forma era verdade.
– Capitã? - ele chamou, quando o silêncio na linha já se prolongava por algum tempo.
"Ah, sim, estou ouvindo, capitão Kuchiki. Então o senhor está me dizendo que vai encontrar a Yoruichi-sama hoje?"
– Sim, logo mais.
"Então será que eu posso pedir ao senhor a gentileza de pedir a ela que entre em contato comigo?"
– Claro, eu direi isso a ela.
"Pois então muito bem. Agradeço pela atenção, capitão Kuchiki."
– A seu dispor, capitã.
"Tenha um bom dia."
– A senhorita também.
Assim que desligou o celular, Byakuya fitou Yoruichi nos olhos antes de dizer:
– Ela está muito preocupada com você.
Yoruichi engoliu em seco.
– Quando tudo isso acabar, ligue para ela.
Apesar da expressão aturdida, Yoruichi assentiu com um gesto de cabeça. Depois, desviou o olhar e veio pegar a sacola que ele deixara em cima da cama. Levando a sacola consigo, a morena voltou para o banheiro. Por alguns instantes, Byakuya não soube como interpretar a repentina resignação de sua colega. Pensou que talvez a comida e o banho tivessem clareado a mente dela, mas logo sua intuição - que era muito acurada quando se tratava de Yoruichi -, lhe sugeriu que ela tivesse caído em si de que se fosse presa, não poderia ajudar o amigo cientista.
Em verdade, Byakuya estava absolutamente certo em supor aquilo. E Yoruichi, por sua vez, não tinha como imaginar que ele estaria tão drasticamente determinado em impedir que ela ajudasse Kisuke.
CONTINUA...
Capítulo (grandão) especialmente dedicado para Eduarda Tomasio, que recomendou a fic lá no Nyah.
Agradeço muito a todos os leitores que mandaram comentários: HarunoKuchiki e Hinalle. E deixo um agradecimento muito especial para minha querida amiga Ray Shimizu por todo o apoio. Muito obrigada gente!
Como sempre, comentários, sugestões e críticas (construtivas) são bem vindos! Gostaria muito de finalizar esse projeto em 2015, mas para isso espero poder contar com o incentivo de quem ainda estiver acompanhando.
Feliz Natal a todos!
Amanda Catarina
25-12-2014.
