Disclaimer: BLEACH e seus personagens pertencem a Tite Kubo.
Vítimas do Dever
Por Amanda Catarina
Capítulo 8
No Hospital Madison, Byakuya e Yoruichi observavam pela parede de vidro o mesmo quadro desolador que Kuukako Shiba presenciara dias atrás, com os oito enfermos sedados e amarrados aos leitos, quando a doutora Retsu Unohana se aproximou deles. E ela vinha acompanhada de uma mulher muito alta.
– Boa tarde, Shihouin-san, Kuchiki-san - saudou a médica, curvando-se levemente. – Conhecem a senhorita Kotetsu Isane?
– Muito prazer em conhecê-los - cumprimentou a mulher alta.
Yoruichi e Byakuya se curvaram em saudação.
A doutora Retsu era uma mulher que aparentava estar perto dos quarenta anos. Tinha a pele muito clara, olhos azuis e longos cabelos castanhos, os quais ela costumava manter ajeitados em uma trança - e quando não estava trabalhando, gostava de deixar a trança invertida, caída à frente do corpo. A alta Isane tinha olhos escuros, pele clara e seus cabelos, de um loiro pálido, eram cortados na altura da orelha. Ambas estavam munidas de uniformes hospitalares e Isane trazia uma prancheta no braço.
Dirigindo-se à médica, Yoruichi indagou:
– Unohana-sama, por quanto tempo eles ainda vão continuar assim?
– Minhas sinceras desculpas, Shihouin-san. A senhora e o senhor Kuchiki depositaram sua confiança em mim, mas, infelizmente a situação desses pacientes está em um ciclo destrutivo.
– Ciclo destrutivo? - repetiu Byakuya.
– Sim, senhor Kuchiki. Quando eles estão totalmente despertos, os níveis anormais de adrenalina em seus organismos logo os deixam em estado de fúria. Se os deixo sedados, seus corpos entram em estado de degeneração acelerada, rejeitando os soros e as vitaminas que deveriam mantê-los nutridos. Tudo que tenho feito tem sido mantê-los despertos e sedados o bastante para que eles não se ataquem, mas isso os está matando gradativamente.
Yoruichi cerrou um dos punhos com uma expressão de angústia.
– A senhora tem alguma esperança de curá-los? - perguntou Byakuya.
Unohana fitou os dois policiais demoradamente antes de responder.
– Receio que a cura esteja além das minhas capacidades. Nesse momento, estou ministrando um novo procedimento, mas se isso não surtir efeito, solicitarei que eles sejam transferidos a um hospital psiquiátrico. Livres dos sedativos eles podem sobreviver por mais tempo, mas precisarão de vigilância constante.
Byakuya e Yoruichi se entreolharam.
– Eu lamento muito - disse Unohana com pesar.
Um pouco depois, a doutora e a mulher alta se retiraram e Yoruichi tomou um dos acentos de uma fileira de cadeiras ali no corredor. Byakuya se aproximou e ficou perto dela, escorado à parede.
– Precisamos das câmaras... - disse Yoruichi.
– Não ouviu o que ela disse? Sedados eles morrem por desnutrição.
– Acontece que nas câmaras eles não estarão sedados. O metabolismo entrará em um ritmo absurdamente lento. Hibernando a pessoa não precisa se alimentar. Um dos objetivos do projeto é justamente economizar com alimento.
– Acredita mesmo que isso seja possível?
– Não inteiramente, mas não podemos ficar de braços cruzados, esperando acontecer o pior. E não esqueça o que você prometeu.
– Não esqueci, mas não fale como se ter recorrido à Unohana tivesse sido um erro.
– Não foi um erro. Se não fosse por ela, eles já podiam estar mortos nas mãos daquele médico esquisito. Mas ela mesma acabou de dizer que não sabe como curá-los.
– Mas mesmo essas tais câmaras não irão curá-los.
– Verdade, mas nos darão tempo até que a cura seja encontrada.
Byakuya desviou o rosto de lado e suspirou fundo. Depois, se aproximou da parede de vidro e observou os enfermos. A ideia de ter que se aliar a Urahara o enchia de frustração, mas o quadro a sua frente era perturbador o bastante para demolir esse sentimento.
– Pois muito bem, contate seu amigo e descubra do que ele precisa para construir essas coisas.
Yoruichi se aproximou dele e disse em um tom mais baixo.
– Eu acho que esse é o menor dos problemas e duvido que ele não tenha arranjado outro jeito de conseguir o material... - e, gesticulando na direção de um policial que estava de guarda, ela acrescentou: – O complicado vai ser tirá-los daqui.
Byakuya ponderou uns instantes e então disse:
– Não se usarmos os recursos certos.
Yoruichi franziu o cenho, tentando deduzir o significado daquelas palavras.
– Ninjas? - arriscou ela.
O mais novo assentiu.
– É... Até que não é tão ruim assim trabalhar com você.
O doutor Szayel Aporro Granz se mantinha no mais absoluto silêncio enquanto o elevador seguia seu curso até o vigésimo segundo andar de um ostentoso edifício residencial. A seu lado estava o dono do apartamento para o qual ele havia sido convidado, o executivo Kaname Tousen. Um homem cujo aspecto era quase um negativo do dele. Ambos tinham o mesmo porte físico magro, mas enquanto Szayel tinha a pele alva como leite, a de Kaname era negra como ébano.
Tão logo os dois adentraram o amplo imóvel, Kaname indagou:
– Posso lhe oferecer algo para beber, doutor Granz?
– Agradeço muito, senhor Tousen, mas não precisa se incomodar.
– Pois bem. Fique à vontade enquanto estabeleço a conexão.
– Sim, senhor.
Um bom tempo se passou até que Kaname virasse a tela de um notebook para Szayel e então ele pôde visualizar a imagem de Sousuke Aizen ali.
"Boa noite, doutor Granz. Como tem passado?"
– Boa noite, Aizen-sama... Estou bem, obrigado por se importar.
Szayel reparou que Sousuke estava bastante diferente desde a última vez que o tinha visto. Livrara-se dos óculos de armação quadrada e agora usava a franja dos cabelos castanhos ajeitados para trás, ao invés das mechas soltas caídas na testa.
"Serei bem direto, doutor Granz. Acabo de ler seu último parecer clínico e infelizmente devo dizer o quanto fiquei decepcionado com ele. Sinceramente, eu esperava tão mais do senhor."
– Aizen-sama, ocorreram imprevistos. Urahara Kisuke apareceu para-
"Desculpe, mas eu ainda não tinha terminado de falar, doutor Granz."
– Ah, por favor, me perdoe, Aizen-sama. Eu não quis interrompê-lo.
– O senhor tem ideia do quanto foi difícil colocá-lo como médico responsável pelo tratamento daquelas pessoas? Tem ideia do quanto precisei me arriscar para conseguir isso? Tudo em prol de uma experiência revolucionária. E como o senhor retribuiu meu esforço? Molestando minhas cobaias, atraindo a desconfiança de Kyoraku e o mais imperdoável: sequer chegou a me apresentar uma medida para a correção do distúrbio.
– Por favor, Aizen-sama, me dê outra chance! Eu irei me redimir! Por favor!
"Kaname, deixo o resto com você."
– Sim, Aizen-sama.
Naquela noite, Rukia convidara Ichigo para vir jantar com ela em seu apartamento. Diferente do rapaz, ela era um desastre na cozinha, por isso a refeição oferecida fora uma adquirida em um delivery. Sentados à mesa de jantar, os dois conversavam quando um alarme de celular interrompeu sua conversa.
– Ah, a sobremesa ficou pronta! - exclamou Rukia. – Pelo menos isso não foi comprado! Eu mesma que fiz! - disse cheia de orgulho e se colocou em pé. – Me ajuda?
– Claro! - disse Ichigo, se levantando também e logo estava a segui-la pelo apartamento.
– Bacana esse seu AP, hein? Espaçoso, decoração legal. Não consigo nem imaginar quanto deve custar um desses.
– É, foi bem caro... Mas parte da grana foi um presente do meu avô. Ele fez um trato comigo quando eu entrei na faculdade. Se a média das minhas notas desse maior que oito, ele me daria um prêmio em dinheiro. Tive que me matar de estudar, mas consegui! E daí quando ele me deu o dinheiro era tanto que achei melhor aplicar na poupança e depois de mais algum tempinho juntando com o meu salário, consegui comprar esse apartamento.
– Legal o seu avô, hein? O meu também me falou pra estudar, mas nessa parte aí de recompensa em money ele passou reto.
Rukia deu risada.
– O que você aprontou aí? - Ichigo perguntou.
– Espetinho de frutas com cobertura de chocolate! Tem uva verde com chocolate branco e morango com chocolate ao leite.
– Parece bom...
– E pode ter certeza que o gosto é ainda melhor! - disse ela, tirando da geladeira uma forma com a guloseima.
Depois de deixar a forma sobre a pia, Rukia foi pegar um pacote de guardanapos de papel dentro de uma gaveta. Ichigo se ofereceu para levar à travessa e, ao invés de voltarem para a mesa de jantar, Rukia sugeriu que ficassem no sofá da sala.
Ichigo depositou a forma sobre a mesinha de centro, então ele e Rukia se acomodaram no sofá de três lugares, muito confortável e bastante largo. Rukia incentivou o jovem a se servir. E depois que ele pegou um espetinho de uva, ela escolheu para si um de morango. Viraram seus corpos de lado e ficaram trocando olhares.
– Está gostoso? - ela perguntou.
– Está sim. Uma delícia! Quer um pouco do meu?
Rukia assentiu e Ichigo deu um risinho que ela já aprendera a identificar e que indicava que ele estava com algo malicioso em mente. Sem perder o contato visual com ela, Ichigo devolveu o espetinho que tinha consigo à forma, se inclinou para frente e deu um selinho nos lábios de Rukia.
– Tem razão: uma delícia... - disse ela. – Agora experimenta você o meu de morango - ela fez praticamente o mesmo que ele, mas na hora de beijá-lo foi além de um selinho e ainda deu uma mordiscada de leve no lábio inferior dele.
Eriçando-se todo, Ichigo a agarrou pela cintura, suspendeu-a com facilidade e a deixou sentada em seus joelhos. Rindo, Rukia se ajeitou melhor, separando as pernas em torno do corpo dele e o abraçou pelo pescoço. Entre risos e carícias eles se deram vários beijos.
– Garoto atrevido... Eu te convido pra conhecer minha casa e você já acha que pode vir me agarrando desse jeito?
– Até parece que cê tá achando ruim... E pelo menos aqui não tem como o seu irmão pegar a gente, como aconteceu lá no seu trabalho.
– Não mesmo, ele raramente vem aqui - disse ela, enquanto Ichigo beijava-lhe o pescoço. – Aquele mala... Se ele tá achando que eu vou ficar solteira que nem ele, está muito enganado.
– Por que ele não arranja uma mulher? Deve ter um monte correndo atrás dele.
– E como tem, mas eu não sei o que acontece com ele. Meu vô até já perdeu as esperanças de ter um bisneto no que depender do meu irmão.
– Então quem sabe você não dá essa alegria a seu avozinho? Eu posso te ajudar com isso.
Rukia bateu no ombro dele.
– Vira essa boca pra lá! Eu quero curtir muito a vida antes de arrumar um filho.
– Ah, nisso eu posso te ajudar mais ainda!
Riram juntos e deram início a um beijo mais caloroso, que se estendeu por um bom tempo e que deixou a ambos ofegantes.
Rukia sentia as coxas do rapaz esquentando sob as suas. Não era a primeira vez que eles se permitiam aquelas intimidades, mas dessa vez a probabilidade de chegarem às vias de fato estava alta. E quando o lado mais responsável dela disparou alertas sobre o perigo de uma gravidez indesejada, Rukia disse a si mesma que estava religiosamente em dia com sua cartelinha de pílulas anticoncepcionais e claro que Ichigo devia ter algum preservativo consigo - qualquer rapaz daquela idade tinha um.
– Se beijar tão gostoso fosse crime, você já estaria condenado à prisão perpétua... - brincou ela, pousando as duas mãos no rosto dele e veio atrás de outro beijo.
Quando se soltaram, Ichigo se ocupou em acariciar o corpo inteiro dela e Rukia adorou aquilo. Deram mais alguns beijos e depois Rukia focou o olhar no porte atlético dele. Queria livrá-lo da camiseta justa que ele usava e sentir os músculos dele contra sua pele. Agarrou então na gola da camiseta para expressar seu anseio. Ichigo entendeu a mensagem e logo a camiseta estava sendo atirada ao chão. Vieram outros beijos, mas logo Rukia escapou dos lábios dele para se livrar da blusinha que usava, porém antes que se despisse, ela escutou um som familiar ao longe e logo se deu conta de que era seu celular.
– Ah, não! Isso é hora? - ela olhou ao redor, procurando pelo dispositivo.
– Deixa tocar, não deve ser nada importante... - disse Ichigo, beijando o ombro dela.
Lutando para resistir àquela autêntica tentação, ela falou:
– Esse toque é para as chamadas do trabalho. Eu preciso atender.
Bravamente, Rukia escapou do colo do rapaz e correu à cozinha. O dispositivo só podia ter ficado lá. Alcançou-o e atendeu a chamada ao mesmo tempo em que Ichigo resolveu ir atrás dela.
– Kuchiki falando.
"Rukia-kun, me desculpe ligar uma hora dessas..."
Ao reconhecer a voz do major Ukitake, Rukia estremeceu de surpresa.
– Pois não, major! O que posso fazer pelo senhor?
"Recebemos a pouco a notificação de um assassinato e o local do crime fica bem próximo da sua casa. Gostaria que você se juntasse à equipe de peritos. Pode ser?"
– Claro! É só o senhor me passar o endereço que eu vou pra lá agora mesmo.
"Pois muito bem. E, por favor, Rukia-kun, tome cuidado. A vítima foi morta friamente, com um corte transversal indo da barriga até o ombro. O assassino deve ter usado uma katana. Recolha o que puder de pistas, mas não tome nenhuma atitude precipitada. OK? Irei contatar a capitã Soifon ou o capitão Ichimaru..."
– O capitão Ichimaru não! Por favor, major Ukitake, eu posso cuidar disso.
"Você tem que parar com essa birra com o capitão Ichimaru. Minha intuição me diz que estamos lidando com alguém muito perigoso. Se a coisa se complicar, ficarei mais tranquilo de saber que Ichimaru estará lá com você."
Rukia bateu o punho cerrado na pedra da pia para extravasar a raiva.
– Sim, senhor. Perdoe a minha impertinência, senhor.
"Ah, deixe disso... E voltando, o nome da vítima é Szayel Aporro Granz."
– Como é que é? Poderia dizer de novo?
O major repetiu o nome pausadamente e acrescentou: "Ele tinha trinta e oito anos, era médico e estava trabalhando no Hospital Madison há pouco tempo."
– Certo...
Parado à porta da cozinha, sem camiseta, Ichigo aguardou em silêncio e assim que Rukia desligou o celular, ele perguntou:
– Problemas?
Ela fez que sim com a cabeça.
– Eu posso ajudar?
– Você? - rebateu um tanto surpresa. – Não, eu acho que não. Foi mal mesmo, mas vou ter que sair.
– Sem crise. Depois que você salvar o mundo, a gente volta pra cá e continuamos de onde parou.
Risonha, Rukia assentiu e depois disse:
– Ah, quanto a isso não tenha dúvidas.
Na manhã seguinte, em um hangar de aviões administrado pela família Shiba, Kisuke estava prestes a partir para o Japão. Um jatinho modelo G-450 já estava pronto e a espera de seu embarque e, naquele momento, ele se despedia de Kukkako.
– Muito obrigado por tudo - agradeceu ele.
– Esqueça. Tome muito cuidado no desembarque. Meu irmão Ganju estará lá para te receber. Ele continua um tonto desengonçado, você não vai ter problemas para reconhecê-lo. Quanto a casa, imagino que deve estar caindo aos pedaços. Costumava ser uma loja de antiguidades. Vai te dar um pouco de trabalho torná-la habitável, mas será um bom disfarce também.
– Parece que você pensou em tudo.
Kukkako sorriu.
– Bom, essa belezinha deve chegar ao Japão em oito horas.
Kisuke assentiu e ela ficou a encará-lo até que repentinamente o abraçou. Apertou-o com força entre os braços e se demorou a soltá-lo.
– Não deixe que te peguem - murmurou ela.
Kisuke prendeu o fôlego, surpreso com o gesto. Permaneceu parado por um bom tempo e só quando sentiu que já podia se desvencilhar dela sem magoá-la, o fez com extrema delicadeza. Mas, antes que a distância entre eles se alargasse muito, Kukkako o puxou de volta para si e o beijou na boca.
Extremamente desconcertado, Kisuke nem soube como reagir.
Assim que se afastou, Kukkako disse:
– Eu sei que é da Shihouin que você gosta, mas eu tinha que fazer isso, porque se alguma coisa der errado e eu não te ver mais...
Ele pousou o dedo indicador nos lábios dela, impedindo que ela concluísse a frase.
– Essa não será a última vez que você vai me ver. Eu prometo.
Kukkako assentiu e abaixou a cabeça.
– Se cuida...
Kisuke deu uma boa olhada naquela linda morena de olhos verdes e logo depois adentrou o pequeno avião, ainda bem desconcertado. Lá dentro, Tessai o aguardava.
Um pouco depois, o avião estava decolando. Kukkako ficou observando o pequeno jato no alto do céu em sua trajetória rumo à pátria de seus antepassados, a tão famosa Terra do Sol Nascente.
Por volta das dez da manhã, no departamento de Polícia, o major Juushirou Ukitake conduzia uma reunião com um pequeno grupo formado pela capitã Soifon, a tenente Rukia e o oficial Renji.
– A morte do Dr. Granz pode estar relacionada com o caso dos oito sequestrados. E é nosso dever investigar esse crime com critério, porque isso pode ajudar na investigação que o próprio capitão-comandante tem conduzido.
Juushirou fez uma pausa para que os três assimilassem a importância da tarefa e após alguns instantes ele se dirigiu ao rapaz de cabelos tingidos.
– Oficial Abarai, você tem algo para nós?
– Sim, mas é um pequeno enigma, major Ukitake. Eu analisei as digitais que a tenente Rukia teve a astúcia de encontrar e descobri que elas pertencem a uma pessoa que já morreu.
Todos se espantaram e Soifon foi a primeira a se manifestar.
– O que está querendo dizer, Abarai? Que quem matou o cara foi um fantasma?
Renji se voltou a ela e rebateu:
– Se fosse assim, capitã, íamos ter que chamar um shinigami pra resolver o problema - e ele deu uma piscadinha para ela.
Sempre tão retesada, Soifon não esperava pelo gracejo e acabou enrubescendo levemente.
– Brincadeiras à parte - continuou Renji –, o que realmente aconteceu foi que alguém invadiu o banco de dados do governo e alterou esse registro.
– Você tem certeza disso, Abarai? - questionou Juushirou.
O dos cabelos pintados assentiu e disse:
– Mais do que certeza tenho provas, major. Foi um trabalho de expert. Uma hora a mais que eu tivesse demorado pra fazer a consulta, teria sido impossível detectar a fraude.
– E tem como descobrir quem fez isso, Renji? - perguntou Rukia.
– Talvez sim, mas vai demorar algum tempo.
– Não, nada de perder tempo - disse o major. – Já ficou claro que não estamos lidando com amadores. Urahara Kisuke afirmou categoricamente que Aizen Sousuke foi o responsável pelo experimento. Vamos partir disso e tentar descobrir se Aizen tem algum envolvimento na morte desse médico.
Todos assentiram e o major continuou:
– Capitã Soifon, é seu o comando dessa investigação. A tenente Kuchiki e o oficial Abarai seguirão as suas orientações. E lembrem que todos vocês devem me reportar tudo que descobrirem na mesma hora, para que eu possa retransmitir ao capitão-comandante.
Novamente o grupo assentiu.
– Conte conosco, major Ukitake! - disse a capitã em um tom resoluto.
Os três estavam para se retirar da sala, quando Ukitake falou ainda:
– Ah, tenente Kuchiki, parabéns pelo bom trabalho ontem à noite.
Enrubescida e muito alegre, a jovem tenente se curvou em agradecimento.
– É uma honra ser útil, major Ukitake!
Juushirou sorriu amistosamente, antes que ela e os demais se retirassem.
Naquela mesma manhã, na mansão Kuchiki, Byakuya e Yoruichi estavam sendo furiosamente repreendidos por Ginrei Kuchiki por terem falhado em sua tentativa de despachar para o Japão as oito câmaras de hibernação, com seus respectivos ocupantes.
Os três estavam naquele momento reunidos no escritório da mansão, sentados lado a lado e à frente do idoso. A repreensão já se estendia por algum tempo, quando o alarme de um celular interrompeu o discurso de Ginrei.
– Qual celular fez esse barulho? - perguntou o idoso.
– Foi o meu - disse Yoruichi.
– Desbloqueie e me entregue - exigiu ele.
Yoruichi trocou um olhar apreensivo com Byakuya antes de passar o aparelho ao idoso.
Ginrei observou a tela.
– Uma mensagem - disse ele e então a leu em voz alta: – "Amaterasu está sorrindo.". Só pode ser do seu amigo e ao que parece ele chegou a salvo no Japão.
Yoruichi simplesmente assentiu.
– Pois muito bem, então cuidemos de resolver o que ficou pendente por aqui para que o gênio incompreendido não tenha que esperar demais pela valiosa carga que vocês quase perderam.
Byakuya teria preferido levar umas chibatadas a ouvir o avô se referindo a Urahara daquela forma. E era horrível ter que suportar o tom reprovador dele direcionado a si.
– O que estavam pensando, hein? Acharam mesmo que iriam conseguir surrupiar um avião militar? - trovejou o idoso. – Tolos! Será que o bom trabalho que fizeram para tirá-los daquele hospital lhes subiu a cabeça?
– Oji-sama- - tentou dizer Byakuya, mas o avô não deixou.
– Silêncio! Nenhum dos dois vai falar nada enquanto eu não terminar. Por muito pouco vocês não foram pegos. E juro pela minha honra e pelo meu orgulho que se tivessem sido, eu os teria largado à própria sorte.
Byakuya e Yoruichi se mantiveram em um silêncio acuado.
– Agora, graças aos dois, todos os voos serão vistoriados. Vocês arruinaram a chance de levá-los em um avião. Antes, podíamos ter comprado um jato. Se não tivessem me julgado um decrépito imprestável, a essa hora tudo estaria feito. Mas, não, tiveram que agir por conta e complicar tudo!
A cada minuto os dois se sentiam mais desmoralizados.
– Mas que seja... Berrar com vocês não resolverá nada. Escutem, e escutem muito bem, vou lhes dizer o que irão fazer e é bom que sigam exatamente as minhas orientações, porque eu não permitirei que vocês arruínem a reputação dos nossos clãs.
E depois desse alerta Ginrei gastou quase meia hora para expor um plano intrincado e que colocaria à prova a teoria sobre as câmaras de hibernação construídas por Kisuke Urahara.
Os oito enfermos seriam levados pelo mar em uma embarcação civil pertencente aos Kuchiki. Byakuya, que era perito em navegação, seria o condutor e Yoruichi o acompanharia. A justificativa para seu desaparecimento simultâneo seria uma viagem para passarem uma temporada de quinze dias no Japão, para participarem de uma série de eventos promovidos pelos integrantes dos clãs Kuchiki e Shihouin que haviam regressado ao Japão.
Importava que todos acreditassem que eles partiriam nessa viagem em um voo doméstico de modo que sua saída do país fosse legalmente registrada e testemunhada. Contudo, não seriam eles de fato, mas dois sósias. Enquanto os holofotes estivessem nos sósias, os dois seguiriam sua viagem pelo mar, livre de suspeitas.
– Tudo já foi arranjado - dizia Ginrei. – Os sósias, suas dispensas do trabalho, vistos, roupas, dinheiro. Vocês dois partem essa noite. Os sósias partirão amanhã, levando seus documentos, itinerários e kimonos. Eles serão acolhidos pela minha prima Yoko, uma das poucas que saberá da falsa identidade deles. Eles esperarão por vocês por oito dias. Se ocorrer algum imprevisto e vocês não chegarem lá no tempo programado, eles comparecerão aos compromissos no lugar de vocês.
Os dois encaravam o idoso com assombro.
– Ah, e tem mais um detalhe. Eu não quero que ninguém mais saiba da existência dessas câmaras, por isso vocês irão sozinhos.
Um assombro ainda maior ficou estampado nas faces de Yoruichi e Byakua, mas nenhum deles ousou contestar. Era um plano complexo e que atrasaria o cronograma combinado com Kisuke em uma semana, mas era também a única alternativa que lhes restava.
No entardecer daquele dia, quando Yoruichi se deparou com a tal embarcação da família Kuchiki ela ficou impressionada. Imaginava que seria um barco comum como os barcos de pescadores, mas o que tinha diante dos olhos era um magnífico iate.
– Fala sério... - exclamou ela.
O nome da soberba engenhosidade era Sakura Hime e isso estava gravado em kanji na lateral da estrutura. Era enorme se comparado ao tamanho médio de uma embarcação da mesma categoria e tinha um design futurista. Segundo Byakuya, aquele barco fora construído para ser leve e muito veloz. O material básico de sua superestrutura era fibra de carbono, um material resistente como aço e leve como madeira.
Os dois subiram a bordo e logo atravessavam o convés. Adentraram então o compartimento principal e mais uma vez Yoruichi se viu impressionada. Mesmo para alguém como ela, habituada ao luxo, a opulência da decoração do interior foi impactante. Aquilo não parecia um barco e sim um hotel cinco estrelas flutuante. Byakuya mostrou a ela todos os vários ambientes do iate: salão principal, copa, quartos, banheiro e a cabine de controle.
– Vamos dar uma olhada lá em baixo - chamou ele.
Yoruichi o seguiu e eles desceram uma pequena escada que conduzia a um compartimento inferior.
– As câmaras ficarão aqui. Especialistas trabalharam a manhã inteira para adaptar esse espaço. É verão no Japão, as águas lá estarão muito mais quentes. O risco de tempestades na faixa de transição entre as zonas tropical e temperada é alto, por isso elas terão que ficar bem presas à estrutura do barco. Usaremos tudo isso... - ele exibiu uma série de alavancas e ganchos.
– Tempestades? - Yoruichi repetiu como quem não tivesse prestado atenção no restante da sentença.
– Sim, mas isso não será problema. Os estabilizadores são muito bons e o sistema de navegação é dos mais avançados. Estaremos seguros.
– Assim espero...
– Você não gosta de navegar?
– Não, nem um pouco. Cheguei até a recusar um posto na Marinha.
Byakuya se surpreendeu ao ouvir aquilo.
– Então talvez seja melhor eu ir sozinho.
– Não! De jeito nenhum. Eu iria com você mesmo que seu avô não estivesse me obrigando. Estou nessa até o fim!
Sem ocultar de todo sua satisfação, Byakuya assentiu. Depois, pousou a mão no ombro dela em um gesto encorajador e disse:
– Não se preocupe. Vai correr tudo bem.
Apesar de não conseguir disfarçar sua apreensão, ela ajuntou:
– Vai sim.
Depois daquela visita ao iate, eles estiveram ocupados com os muitos preparativos ao longo de todo o dia, assim já era noite alta quando Byakuya, Yoruichi e os oito moribundos deixavam a costa da Austrália a bordo do Sakura Hime.
No Japão, na manhã seguinte, Tessai estava concentrado na reforma da casa que Kukkako lhes arranjara, quando Kisuke veio até ele com uma expressão radiante.
– Ela conseguiu, Tessai. Yoruichi-san conseguiu! Ela está a caminho!
– E por que mesmo você achou que ela não conseguiria?
– Nem eu sei. E ela me mandou leituras das câmaras... - anunciou contente, remexendo em diversas folhas de papel. – É simplesmente fascinante. É como se o tempo estivesse parado para eles. Os níveis de adrenalina estão praticamente idênticos aos de duas semanas atrás, quando eu os coloquei nas câmaras.
– E você esperava algo diferente?
– Claro que não! Mas também não esperava que fosse funcionar tão bem assim.
– Você ficou dentro de uma delas por três dias. Como foi isso?
– Foi como se nunca tivesse sido. Só me lembro de cair no sono e então acordar, mas, entre uma coisa e outra, três dias tinham se passado. É assombroso.
– Até demais...
– Daqui sete dias Yoruichi-san estará aqui. Graças a uma comemoração que o clã Shihouin realiza todos os anos, ela arranjou um pretexto perfeito para vir ao Japão.
– E ela está vindo sozinha?
– Eu creio que sim... - disse de pronto, mas logo ficou na dúvida, mas deixou a questão de lado e continuou: – O importante é que ninguém suspeitará de nada. E quando eles estiverem aqui, finalmente terei o tempo e os meios para curá-los.
– Legal, mas enquanto eles não chegam você bem que podia me ajudar com essas tábuas.
Kisuke rolou os olhos em face à irreverência do amigo. Não se negou a ajudá-lo com a reforma, mas passou o resto do dia perturbado com o comentário dele, a respeito de Yoruichi estar viajando sozinha ou não.
Era o terceiro dia da viagem, Byakuya estava estirado na cama do quarto que escolhera para si, deitado de barriga para cima, com uma mão por baixo da cabeça e só de bermuda. A viagem transcorria tão bem que por vezes ele até esquecia que logo abaixo havia oito pessoas vivas, porém confinadas em sarcófagos metálicos vindos de um mundo de ficção.
Mas era fácil se esquecer daqueles oito quando precisava de todo seu autocontrole para não avançar em Yoruichi, que parecia não ver problemas em desfilar na sua frente de biquíni ou em trajes diminutos. Além disso, vê-la tão fragilizada e constantemente sonolenta devido ao desassossego que o mar trazia às horas de sono dela, também disparava seu instinto de proteção.
Por mais que ele tentasse manter o foco naquela missão tão bizarra, só conseguia ansiar pela chegada ao Japão, porque tão logo eles deixassem os enfermos sob os cuidados de Urahara, ele daria um jeito de ter um momento íntimo com ela.
Levantou-se, vestiu uma camiseta polo, prendeu os cabelos compridos com um elástico e deixou o quarto. Sentia fome, mas antes mesmo de ir tratar do estômago, quis saber o que Yoruichi estaria fazendo. Estranhou quando não a encontrou na cabine de controle e nem no salão principal. Encaminhava-se à copa, quando se deparou com ela, subindo os degraus que conduziam ao compartimento inferior, onde as câmaras estavam alojadas.
– Ei, guri! Dez da manhã e ainda na cama? Quem me dera conseguir dormir tanto assim... - disse ela ao passar por ele.
– Já tem tempo que estou acordado. Você estava lá embaixo de novo?
Antes de responder, Yoruichi se acomodou no espaçoso sofá do salão principal, aconchegando-se no acento do canto.
– Sim, eu estava checando alguns parâmetros. É tão estranho ver eles boiando naquele líquido. Não parecem pessoas de verdade, parecem bonecos.
– É uma visão perturbadora. Você não devia ficar olhando tanto... - advertiu ele, sentando-se no mesmo sofá e ao lado dela.
– Mas é a única coisa que me distrai, agora que não dá pra enxergar a costa. Não sei como pude sequer sonhar em trabalhar na Marinha. Eu realmente não tenho fibra para estar tanto tempo assim no mar.
Byakuya virou de lado para poder olhá-la melhor. Como de praxe, ela usava um shortinho branco, acompanhado de uma regata listrada e os cabelos estavam presos.
– Só mais três dias e estaremos no Japão - comentou ele.
– Graças a Deus.
Byakuya continuou observando-a, seus olhos cinzentos delineando cada curva do corpo dela, passeando pelos ombros, o volume dos seios, as coxas firmes negligentemente expostas. Imaginou-se tocando aquele corpo, sentindo sob os dedos a maciez daquela pele de aspecto aveludado. Simplesmente não conseguia afastar do pensamento o desejo de ter aquela mulher sob seu corpo e estarem tão próximos estava sendo uma verdadeira tentação.
Alheia ao estado dele, Yoruichi escorou a cabeça no encosto do sofá, suspirou levemente e disse:
– Já parou para pensar nessa coisa de hibernação? Imagine só... Entrar numa máquina daquelas, dormir e só acordar meses depois, ou até anos.
Arrancado de suas divagações com a pergunta, Byakuya rebateu:
– Não sou tão imaginativo para pensar em coisas assim.
– Claro que não... - ela concordou dentro de um leve sorriso. – Pois se eu não tivesse tanto medo de morrer afogada, acho que gostaria de experimentar.
Ele franziu o cenho.
– Faria algo tão perigoso só por curiosidade?
Yoruichi fez que sim com a cabeça.
– Vê como aquelas coisas são perturbadoras. Eu já disse: não passe tanto tempo lá em baixo olhando para elas.
– Então me arranje outro passatempo.
Byakuya estreitou os olhos. A expressão tranquila dela deixava claro que o comentário fora desprovido de malícia, mas aos ouvidos dele aquilo soara extremamente provocante.
– Algo pra passar o tempo? - ele repetiu, lutando para refrear a excitação que o invadira.
Enrolando um dedo nas pontas do cabelo, Yoruichi virou o rosto a ele e assentiu.
Byakuya desviou momentaneamente o olhar, mas em poucos instantes acabou dominado por seus instintos, então em um movimento repentino e rápido, ele deu fim a pequena distância que os separava, travou o corpo de Yoruichi entre o braço do sofá e os braços dele e disse:
– Que tal isso?
E ele simplesmente deu um beijo na boca dela.
A atitude do mais novo foi tão inesperada que Yoruichi sequer conseguiu reagir e quando ele afastou o rosto, ela só conseguiu encará-lo com os olhos dourados cheios de espanto.
– O que diabos foi isso? - ela exclamou.
Byakuya meneou levemente a cabeça e disse:
– No meu mundo chama beijo. No seu tem algum outro nome?
Yoruichi pestanejou. Depois, ficou a encará-lo, sem saber se devia rir ou simplesmente ignorar aquilo. Mas o olhar que Byakuya exibia era tão insondável que ela acabou virando o rosto de lado.
Byakuya sorriu discretamente daquela reação dela e em seguida segurou-lhe o maxilar, desvirou-lhe o rosto e beijou-a novamente.
Yoruichi não se opôs, mas também não o correspondeu.
Depois do beijo, eles ficaram se encarando e ela acabou dando um sorriso. Um sorriso espontâneo que ele não via há algum tempo e que o fez lembrar os dias de sua mocidade, quando viviam desafiando um ao outro. Inclinando-se mais para frente, ele pousou a mão no rosto dela, acariciou de leve sua face, depois contornou com as pontas dos dedos o traçado dos lábios dela.
Yoruichi apenas acompanhou com os olhos tudo aquilo com algum estranhamento até que Byakuya selou seus lábios. Ela pestanejou e sentiu as bochechas esquentarem. Ele fez aquilo de novo e de novo e na terceira vez o encostar de lábios partiu dela.
Sorrindo satisfeito, Byakuya agarrou a nuca dela e veio atrás de um beijo de verdade. Quando a boca dele se uniu a dela, Yoruichi paralisou de surpresa, mas logo acabou correspondendo à investida. O beijo se intensificou e se prolongou e se fosse para classificar, seria o tipo de beijo que amantes de longa data compartilham, mas, tão logo teve fim, Yoruichi deu um empurrãozinho no peito dele.
– Já chega dessa brincadeira, garoto.
Byakuya inspirou fundo e precisou virar o rosto de lado para disfarçar o quanto odiou ser chamado daquele jeito.
– Anda, me dá licença - disse ela. – Eu preciso tentar dormir um pouco.
A contra gosto, Byakuya se endireitou e logo depois Yoruichi se levantou do sofá. Mas antes que ela se distanciasse, em um reflexo ágil, ele bateu um joelho nas pernas dela, fazendo-a perder o equilíbrio, e com um bote rápido deixou-a totalmente estirada no sofá. Em alguns instantes, ele estava por cima dela e um pouco depois, beijando-a.
O susto manteve Yoruichi imóvel no lugar, enquanto sua boca era atacada com avidez. Sentindo o coração disparado no peito, ela não soube como reagir e apenas deixou que o mais novo a beijasse. Quando o fôlego começou a ficar curto, ela bateu com o punho fechado no peito dele. Em resposta, Byakuya afastou a boca, permitindo que ela respirasse livremente, mas pouco depois passou a lamber e mordiscar de leve seu pescoço.
– Ei! Para com isso... O que deu em você?
Ele a ignorou e continuou distribuindo beijos pela pele dela. Beijou um dos ombros e depois passou ao colo. Yoruichi não conseguiu evitar que o próprio corpo despertasse de excitação e quando deu por si, inclinava a cabeça para trás, expondo-se mais àqueles lábios vorazes.
Sentindo-a mais entregue, Byakuya voltou a beijá-la na boca e em alguns instantes, Yoruichi passou os braços pelo pescoço dele e alisou carinhosamente sua nuca. O beijo se prolongava, mas repentinamente Byakuya parou de beijá-la e escorregou as mãos pelo tronco dela, até chegar à barra da regata e depois começou a suspendê-la. Porém, no instante em que os dedos longos dele tocaram a pele dela sob a malha, Yoruichi parou de abraçá-lo e atribuladamente deteve o avanço das mãos dele.
– Não! Pode parar... Isso já está indo longe de mais. Não quero mais brincar.
– E quem aqui está brincando? - rebateu ele.
Em seguida, ele se moveu um pouco, acomodando-se entre as pernas dela, de modo que seu peso não ficasse todo encima dela. Ergueu um pouco o corpo, contemplou-a abaixo de si e enganchou o dedo indicador no cós do shortinho dela.
Yoruichi empalideceu sem acreditar no que acontecia. Mas tratou de reagir e afastar a mão inteira dele de lá, antes que o dedo atrevido se metesse aonde não havia sido chamado. Encarando-o com uma expressão reprovadora, ela fez uma negativa com a cabeça.
– E por que não? - ele questionou e curvando-se, distribuiu uma série de beijos no queixo, no rosto e na boca dela.
Yoruichi até tentou, mas não conseguiu ficar indiferente àquilo. Fechou momentaneamente os olhos e quando as mãos surpreendentemente calorosas dele passaram a deslizar por seu corpo, não conseguiu evitar que um gemido extasiado escapasse de si.
Satisfeito, Byakuya pensou que estava para conseguir o que tanto queria ali mesmo e nem teria que esperar pelo término da viagem.
Yoruichi estava a ponto de se render, mas pensou em Kisuke e recobrou a razão na mesma hora. Decidiu que aquilo precisava parar, mas antes que fizesse qualquer coisa, Byakuya enlaçou sua cintura e repentinamente se ergueu com ela entre os braços. Ele ficou sentado sobre os joelhos e a acomodou sobre suas coxas flexionadas.
Completamente estarrecida, Yoruichi só conseguiu encará-lo. Teve ímpetos de se debater, mas ele suspendera seu corpo com tanta facilidade que ela logo chegou ao entendimento de que não poderia rivalizar em força com ele, ainda mais provocado como ele parecia estar.
Aproveitando-se da imobilidade dela, Byakuya avançou para mais um beijo. Yoruichi o correspondeu minimamente, para que ele não percebesse que ela pensava num jeito de escapar. E quando ele começou a mexer em suas roupas, ela teve uma ideia. Segurou então as mãos dele e disse com os lábios encostados aos dele.
– Aqui não é um bom lugar... Me leva pro quarto.
Byakuya já estava febril de excitação e nem percebeu o tom dissimulado dela. Sem desconfiar de nada ele a derrubou de suas coxas para o sofá e então Yoruichi não precisou de mais que alguns segundos para fugir dele, rápida como um raio.
Ludibriado, ele perdeu alguns instantes bufando de raiva, mas logo correu atrás dela. Alcançou-a no corredor, agarrou-a pelo braço, fez com que se voltasse para ele e a empurrou contra a parede de madeira envernizada, mantendo-a presa entre seus braços.
– Não acha que estamos meio grandinhos pra brincar de pega-pega? - o tom dele soara bastante irado.
– Acho que sim, mas se essa é sua ideia de um passatempo, eu não estou nem um pouco interessada!
– Até parece... - contradisse ele. – Você vive se insinuando pra mim desde que eu me entendo por gente.
– Ah, dá um tempo! Vai dizer que não percebe a diferença entre uma brincadeira e um lance sério?
Ele a encarou ligeiramente indeciso e após alguns instantes retrucou:
– Você sempre reage tão mal assim a uma investida? Eu não esperava tanta relutância de alguém que troca de amante como quem troca de sapato.
– O que? Mas dá onde você tirou esse absurdo? - esbravejou ela, sem acreditar no que ouvira. Sentiu então uma raiva surda a invadir e tentou cravar as unhas no rosto dele.
Byakuya imobilizou os braços dela e os deixou estendidos contra a parede.
– Recolha as garras, Bakeneko. Senão além de te jogar na cama, vou ter que te amarrar nela também.
Yoruichi remexeu a cabeça numa negativa.
– Não, isso não pode estar acontecendo...
Por um instante, Byakuya pensou que ela estava fazendo charme e bancando a difícil, mas a expressão dela estava tão cheia de descrença que ele soube que não.
– Para com isso. Vai, me solta - ela insistiu.
Ele a encarou momentaneamente e então foi soltando os braços dela bem devagar.
– Que absurdo... - reclamou ela. – Ainda não percebeu que a Soifon está gostando de você?
Byakuya pestanejou. Mil outras coisas teriam passado pela cabeça dele antes daquilo. Pensou em algo para dizer, mas Yoruichi ainda estava perto demais para que conseguisse raciocinar com clareza e ele já tinha chegado demasiado longe para conseguir se dominar.
Então, ele voltou a beijá-la e a agarrá-la pela cintura. Também daquela vez, Yoruichi não conseguiu resistir e eles trocaram vários beijos.
E os beijos dele estavam sendo tão inebriantes que de uma hora para outra, Yoruichi começou a achar que estarem agarrados daquele jeito parecia tão certo e lógico. Mas a parte de si que permanecia fiel ao seu amor por Kisuke ainda tentava tirá-la daquele transe sensual.
– Não, Byakuya... Para com isso. A Soifon... Ela que é a mulher certa pra você.
Depois de beijá-la no ombro, ele rebateu:
– Há um mês eu teria concordado, mas agora já perdi o interesse.
– Deixa disso... Nós dois não temos nada a ver.
Ignorando-a, ele continuou com os beijos.
– Para com isso...
– Para você de fingir que não quer.
– Mas eu não quero!
Irritado, ele parou o que fazia e a encarou nos olhos.
– Mas se fosse com o Urahara, aposto que iria querer! - bradou alto.
– Se ele ao menos me quisesse, com certeza! - ela devolveu no mesmo tom.
Byakuya deu um pequeno sobressalto.
– Como assim? Até aonde sei foi você que dispensou ele. Por que, se gosta tanto dele?
– Esse assunto não é da sua conta. E quer fazer o favor de me soltar!
Byakuya estreitou os olhos nela.
– Espera... Você disse que ele não te quer?
Yoruichi começou a se debater furiosamente.
– Me solta!
Byakuya empurrou com mais força o corpo dela contra parede e exigiu:
– Responde.
Yoruichi o olhou com um ar magoado e disse:
– Ele gosta de outra pessoa, mas não sabe que eu sei.
A surpresa de Byakuya foi tanta que ele a soltou.
Aproveitando a brecha, Yoruichi deu um empurrão nele e saiu de lado. Instantes depois, Byakuya ouviu o som de uma porta sendo fechada e trancada.
Ele permaneceu no corredor por algum tempo ainda, estarrecido com o que acabara de descobrir e então saiu ao convés. Refletiu um pouco e então disse a si mesmo:
– Mas então não tem ninguém no meu caminho.
Deu um riso de canto e pensou que não precisaria se contentar em ter apenas um momento de prazer com Yoruichi. Se fosse capaz de fazer com que ela esquecesse Urahara, poderia conquistar seu amor e ter seu coração e essa ideia o encheu de expectativa.
Por hora, deixaria que ela se acalmasse e mais tarde trataria de se desculpar. Dali para frente, ele mudaria totalmente a abordagem, porque agora que sabia que não precisava mais aspirar por uma amante, não se contentaria com nada menos que uma esposa.
CONTINUA...
Irmãos Kuchiki no ataque! Vocês conheciam o lado tarado da Rukia e do Byakuya? Quem iria imaginar...
Um doce para quem adivinhar quem é a pessoa que Yoruichi pensa que Kisuke gosta.
Devem ter notado que eu tentei avançar bastante com a história nesse capítulo. E mais uma vez, ficou um capítulo gigante, tentei compactar o máximo, mas menos que isso não tinha como.
Espero que tenham gostado! Eu particularmente curti muito escrever esse. Espero comentários, hein! Mas pacientemente dessa vez.
Por fim, agradeço a todos que estão acompanhando e especialmente Eduarda Tomasio, Ray Shimizu e Néphélibate por me cobrarem tanto a atualização. E a todos aqueles que têm comentado também. Muito obrigada!
Grande abraço e até a próxima!
Amanda Catarina
15-05-2015
