Disclaimer: BLEACH e seus personagens pertencem a Tite Kubo.
Vítimas do Dever
Por Amanda Catarina
Capítulo 11
Yoruichi deixava o banheiro de seu quarto, enrolada em uma toalha, quando percebeu ali sobre a cama uma mesinha de café da manhã e um bilhete. Aproximou-se e pegou o pequeno papel, no qual leu a expressão "bon appetit" escrita nos ideogramas do Hiragana em uma caligrafia belíssima - a invejável caligrafia de Byakuya.
Sorriu comovida e observou os itens ali dispostos: um copo cheio de chá, que exalava vapor, uma fatia de bolo e um sanduíche envolto em plástico. Tudo arranjado com tamanho requinte e capricho que lhe deu a impressão de que aquela entrega teria vindo direto do serviço de quartos de um hotel cinco estrelas.
Exausta, ela se livrou da toalha, recobriu o corpo com um camisão de malha e não demorou a se atirar à comida, estava zonza de fome. Depois que terminou de comer, ela largou a mesinha em algum canto para poder se estirar na cama. Ainda era difícil não pensar no perigo que enfrentaram, mas agora que estavam a salvo, não podia mais ignorar o que acontecia entre ela e Byakuya.
– Dar uns beijos, sexo talvez, mas casamento já é demais... Por que ele tem que ser sempre tão extremado?
Ao se ouvir dizer aquilo, a situação lhe pareceu até engraçada, mas bastou que refletisse por um instante e então ela se repreendeu:
– Mas no que estou pensando? Todo aquele desespero deve ter me tirado do eixo...
A sensação tão boa que ela estava sentindo com o gesto caridoso que o mais novo lhe fizera desapareceu como névoa dissipada pelo vento.
Acontecia que, desde o momento em que havia sido beijada pela primeira vez por Byakuya, dois dias atrás, Yourichi vinha se recusando a pensar no assunto, pois a simples ideia de se envolver afetivamente com ele lhe perturbava o espírito ao extremo. E para piorar sua angústia, a terrível tempestade lhe deixara tão fora de si, tão desesperada que um de seus mais bem guardados segredos acabou vindo à tona e ela não se conformava com aquilo.
Era difícil para Yoruichi admitir, até para si mesma, que Byakuya havia sido seu primeiro amor. Ela descobrira que estava apaixonada por ele aos quatorze anos, quando ele não tinha completado nem nove anos ainda. A descoberta lhe deixou transtornada e ela tratou de sepultar aquele sentimento no mais fundo de sua alma, pois era extremamente contra a união de pessoas cujas idades fossem discrepantes. Essa era a razão pela qual ela insistia em tratar Byakuya como uma eterna criança, chamando-o de garoto, pirralho, guri, pivete... Não era apenas para irritá-lo, servia como uma advertência para ela também.
Talvez a diferença de idades entre eles não fosse assim tão expressiva, mas Yoruichi era muito radical nesse quesito. Cansara de ver velhos caquéticos tomando menininhas por esposas e matronas devassas disputando jovenzinhos e ela sempre temeu que o mesmo pudesse acontecer consigo. E ela acabou vivendo esse drama de fato, quando, depois da morte de seus pais, sua tia-avó tentou obrigá-la a se casar com um homem vinte anos mais velho e ela não teve alternativa senão abandonar o círculo de seu clã aos dezoito anos.
Por tudo isso Yoruichi não conseguia lidar com o fato de já ter sido apaixonada por Byakuya. Ela não queria pensar a respeito, não se permitia se imaginar com ele. Repetia obstinadamente que não podia amá-lo, que não devia amá-lo, que aquilo era errado. E estava tão doutrinada nessa sua convicção que simplesmente não conseguia levar em conta o fato de que tinha sido Byakuya a tomar a iniciativa e não o contrário.
Suspirou forte e obrigou-se a encontrar uma saída para aquele impasse. Ficou um bom tempo quieta e pensativa e então falou:
– Mas tem sim uma solução! Como pude esquecer, se eu mesma armei tudo? Byakuya não tem nada que querer ficar comigo, a mulher certa pra ele é a Soifon. Claro... E depois de tudo que eu falei pra ela, seria totalmente ridículo se eu ficasse com ele.
A consistência do raciocínio lhe trouxe algum sossego. Então, ela fechou os olhos, mas na mesma hora uma torrente de imagens lhe inundou o pensamento: os beijos que ela e Byakuya tinham trocado, as carícias, os argumentos dele quanto à coerência de sua união.
– Não! - exclamou, abrindo os olhos e muito pertubada. – Nada disso vai voltar a acontecer! É com a Soifon que ele tem que ficar. Eles têm tudo a ver, têm quase a mesma idade, são dois certinhos, serão um casal perfeito...
Racionalmente convencida e emocionalmente destroçada, Yoruichi atravessou um braço sobre os olhos e manteve-se quieta por algum tempo.
– Ele fica dizendo que as coisas mudaram, mas nada mudou. Ele continua sendo ele, eu continuo sendo eu e nós dois juntos é errado! Além disso, eu não posso ficar com ele porque é do Kisuke que eu gosto.
Sua mente começou a ficar embotada pelo cansaço, mas antes que despencasse para o reino do deus do sono, ela ainda disse a si mesma o quanto era inútil pensar em Kisuke. O próprio Byakuya havia lhe jogado na cara que ela não devia esperar nada de Kisuke, visto que ele gostava de outra pessoa.
Puxando um lençol para cima do corpo, Yoruichi virou de lado, inconformada com sua realidade de desventuras amorosas.
– Um problema de cada vez... Amanhã eu dou um jeito de convencer o Byakuya a ficar com a Soifon e então vou ter cabeça pra pensar no resto.
Tendo decidido isso em mais alguns instantes ela adormeceu.
Na manhã seguinte, por volta das seis e meia da manhã, Renji Abarai chegava à sede do departamento de polícia. Ele caminhava até sua sala, quando se deparou com uma das funcionárias da limpeza e ficou intrigado ao vê-la removendo a plaqueta de identificação de uma das salas.
– Por que a senhora está tirando essa plaquinha?
– Bom dia, Abarai-san! O senhor não soube? A menina Hinamori foi afastada.
– Afastada? Mas por quê?
– Ah, ela teve uma crise feia de depressão. Tem gente dizendo que ela até tentou se matar!
– Como é que é? - exclamou atônito. – Algo sério assim e ninguém me fala nada?
– Vai ver foi porque o senhor não tem vindo muito pra cá ultimamente... A dona Kione-san é que sabe da história toda... Mas pelo que eu soube, o major Ukitake colocou ela de licença e disse que, quando ela estiver recuperada, vai ser transferida dessa sessão e essa sala aqui vai ficar vaga. Tudo isso por causa da acusação do doutor Aizen. Parece que a Hinamori-chan gostava dele e não encarou muito bem a ideia de que ele está sendo procurado pela Polícia.
– Gostar é pouco, ela idolatrava o cara. Mas que droga! Justo agora que o Kira está fora... Que mancada a minha, eu tinha que ter dado uma força pra ela.
A mulher fez uma expressão pesarosa e Um pouco depois, Renji pediu licença e saiu de lado, bastante abatido. Ele estivera tão focado na investigação que se esquecera de Momo Hinamori, a mulher por quem ele se dizia estar apaixonado, mesmo ciente de que suas chances de ser correspondido eram quase nulas.
Suspirou fundo e seguiu à sua sala. Lá, acomodou-se, ligou seu supercomputador, mas já nem se lembrava do que tinha planejado fazer chegando tão cedo. Buscou o celular, pensando em ligar para Kione e saber mais sobre Momo, mas então escutou uma movimentação próxima à porta.
– Abarai? É você?
Ele reconheceu a voz da capitã Soifon e respondeu:
– Sim, capitã. Estou aqui!
Instantes depois, Soifon empurrava a porta entreaberta com o auxílio de uma muleta. Ao perceber o estado dela, com uma tala de gesso alcançando à altura dos joelhos e apoiada em muletas, Renji tratou de ir ao seu encontro.
– Tudo bem? - perguntou ele. – Não achei que a torção tinha sido tão séria.
– E não foi, mas o sem noção do médico que me atendeu teve a brilhante ideia de imobilizar minha perna inteira.
Renji puxou uma cadeira para a capitã e em seguida quase a tomou nos braços, mas se deu conta em tempo de que ela estava de saia e que isso não seria muito apropriado, então apenas ficou bem próximo e disse:
– Se apoia em mim...
Soifon seguiu a recomendação e se segurou nele e aconteceu dos dois ficarem praticamente abraçados por alguns instantes, tão próximos que puderam aspirar as fragrâncias do perfume um do outro.
– Vou deixar suas muletas aqui... - Renji avisou, desvencilhando-se delicadamente e evitando encará-la.
Soifon aproveitou o momento para dar uma boa olhada nele. Renji vestia jeans claro, camisa escura e a costumeira bandana atravessada na testa, mas um detalhe estava diferente nesse dia: ele estava com os cabelos soltos. Ela ficou impressionada ao perceber o quanto os cabelos dele eram longos e reparou que os fios inteiriços e muito lisos pareciam bem tratados a despeito da tintura vermelha que lhes alterava a coloração original. Estando tão próxima, não pôde deixar de reparar também no quanto Renji era alto e em seu belo físico.
Meneando a cabeça em um gesto discreto, Soifon se repreendeu pela distração e depois perguntou em seu tom sempre muito autoritário:
– O que faz aqui tão cedo?
– Eu pensei em adiantar algumas pesquisas para o caso.
– Então tivemos a mesma ideia. Já que agora temos alguns rostos e nomes para investigar.
Renji assentiu e logo depois se sentou diante do supercomputador, mas depois disso não fez mais nada, mantendo-se inerte e cabisbaixo.
– O que foi? - perguntou a capitã, estranhando o aparente abatimento dele.
– A senhora soube da Hinamori?
Soifon franziu o cenho à menção do nome da oficial, uma mocinha que devia regular idade com Renji e com a qual ela não tinha muito contato, mas sabia que os dois eram amigos.
– Fala do afastamento dela? - perguntou e depois que ele assentiu, ela respondeu: – Sim, estou a par.
– Eu só fiquei sabendo agora. Me disseram que ela ficou abalada com as acusações contra o Aizen. Que coisa... Estou me sentindo um inútil por não ter estado com ela e nem a ajudado a sair dessa.
O comentário surpreendeu a capitã, Renji definitivamente não aparentava ser uma pessoa tão sensível.
– Vocês são bem próximos, não são?
– Não! - ele exclamou alto, surpreendendo tanto a capitã quanto a si mesmo com a veemência da negativa. – Digo, eu me preocupo com ela, mas é só amizade. Eu, ela e o Kira ficamos amigos na época que fizemos um curso de Química juntos.
– Foi nesse curso que vocês conheceram o Aizen, não foi?
– Foi sim... Ela se apaixonou por aquele dissimulado logo no primeiro dia de aula. Era muito irritante ela dizendo Aizen-sensei isso, Aizen-sensei aquilo... Eu nunca fui com a cara dele, mas ela ficou fascinada. Duvido que ele não tenha se aproveitado disso. Coitada, ela é tão inocente e sonhadora que não consegue enxergar a maldade nas pessoas.
Com certo desprazer, Soifon reparou no modo carinhoso e preocupado com que Renji falava da amiga e até sentiu inveja de tamanha devoção. Nas últimas semanas, eles dois haviam estado mais próximos e Soifon passara a reparar mais em Renji e então foi impossível para ela não fazer comparações entre Renji e Byakuya. O contraste entre os dois era imenso. Ambos eram quietos e reservados, mas Renji se mostrava extremamente amigável e gentil no trato com as pessoas, ao passo que Byakuya emanava frieza e indiferença.
Repreendendo-se novamente pelas inoportunas divagações, Soifon falou:
– Bom, ela está internada no Madison também. Se quiser ir visitá-la, pode ir. Eu me viro por aqui.
– Agradeço pela compreensão, capitã, mas, por hora, o que de melhor posso fazer por ela é continuar com a investigação e provar que esse safado do Aizen não passa de um patife!
Satisfeita com a resposta, Soifon assentiu.
– Pois muito bem - disse ela e, depois de tirar uma fotografia de dentro de uma pasta, acrescentou: – Então vamos começar investigando esse sujeito: Grimmjow Jaegerjaquez.
Renji assentiu e em seguida ligou o computador. Depois de efetuar o login, ele tirou um elástico do bolso da calça e prendeu os cabelos com ele. Soifon o observava com atenção quando ele abriu um gaveteiro ao lado e pegou de lá um par de óculos. Diante daquilo ela não conteve a curiosidade.
– Desde quando você usa óculos?
– Esse é só de descanso. Na verdade, é mais pra proteger as vistas dessa luminosidade da tela.
– Entendo...
Renji lançou um sorriso a ela e se Soifon não fosse tão exímia em esconder emoções teria enrubescido, pois achara o sorriso dele simplesmente lindo. Uma vez mais ela se repreendeu, dizendo a si mesma que não estava sendo produtiva, assim tratou de se focar no trabalho.
Cerca de meia hora se passou, vários sites haviam sido consultados, relatórios gerados, registros telefônicos impressos. Tudo transcorria corriqueiramente normal até que Renji interrompeu o que fazia e voltou seu olhar para Soifon. Seus olhos passearam pelas coxas um tanto expostas dela e foram subindo desde a cintura fina até chegarem ao busto miúdo e então se depararam com os olhos azuis escuros dela pousados nele.
Soifon percebeu Renji retesar a postura como uma criança pega em uma travessura. Seus instintos femininos lhe diziam que ele estivera olhando para ela com desejo, mas seu lado racional julgou mais sensato afastar essa possibilidade. Ele era mais novo que ela e embora tivesse negado, devia sim estar interessado na frágil e inocente Hinamori. Mas apesar desse raciocínio lógico, Soifon continuou a encará-lo e, para sua surpresa, ele acabou erguendo o rosto e começou a encará-la também.
Ficaram se olhando até que, num repente, Renji fez que ia tocar no rosto alvo e delicado da capitã, mas deteve sua mão a milímetros do contato, como quem esperasse por uma autorização. Soifon então pousou a mão por cima da dele, fazendo com que ele encostasse a palma em seu rosto. Um magnetismo pareceu se estabelecer entre seus corpos, então Renji começou a aproximar o rosto e quando os lábios se esbarraram, a reação deles foi mútua: suas bocas se colaram em um beijo acalorado.
Rápida e boa acrobata que era, Soifon escapou momentaneamente daquele beijo e deu um jeito de se sentar sobre as coxas de Renji e ele a agarrou pela cintura, então suas bocas vorazes se uniram novamente e logo Soifon passava as mãos pelos braços vigorosos, de músculos bem marcados dele e Renji alisava a silhueta esguia dela. Só um bom tempo depois, Renji perguntou num murmúrio e a perfeita incredulidade estava estampada em sua face:
– Isso está mesmo acontecendo?
A resposta de Soifon foi dar dois beijos provocantes na boca dele e no final do segundo ela mordiscou de leve o lábio inferior dele. Extasiado, Renji a agarrou com mais força pela cintura e logo estava acariciando o corpo dela e beijando-a no pescoço.
– Mas eu pensei que a senhora... - dizia ele em meio aos beijos, mas ela o cortou.
– Pro inferno com a hierarquia, para de me chamar assim!
Ele sorriu e, depois de um selinho nos lábios dela, falou:
– Tá bom... Eu ia dizer que pensei que você estivesse interessada em outro cara.
– Até estava, mas aquilo não ia dar em nada e já não tem importância porque acabei de descobrir com quem eu quero estar.
Renji parou de beijá-la e a encarou surpreso, mas com um sorriso enorme também. Então eles se abraçaram e se beijaram e teriam continuado se abraçando e se beijando se a algazarra que começava a crescer do lado de fora da sala não os tivesse feito se lembrar do local em que estavam.
– É melhor pararmos com isso antes que alguém entre aqui e nos veja assim.
– Tem razão - concordou ele.
Desvencilharam-se vagarosamente e bem aos poucos foram retomando as atividades. Dez minutos depois, a sala ficara tão desoladamente sóbria que Renji chegou a se perguntar se não teria imaginado tudo aquilo, mas ele soube que não quando Soifon lhe perguntou, sem tirar os olhos da tela do computador:
– Posso te convidar para almoçar comigo hoje?
Renji voltou-se a ela e esperou que ela o olhasse também antes de responder:
– Claro! Eu vou adorar.
Um pouco mais tarde, no Pacífico, Yoruichi acordara há algum tempo e estava penteando os cabelos quando percebeu que já passava do meio dia.
– Puxa... Nem acredito que eu dormi tanto assim.
Disposta a resolver seu impasse com Byakuya ela saiu à procura dele. Achou que ele estaria na cabine de comando, mas não o encontrou lá. Continuou procurando pelos cômodos e justamente quando ela se perguntava se ele estaria no compartimento das câmaras, escutou alguns ruídos logo mais adiante.
Seguiu na direção desses sons para logo encontrar Byakuya sentado sob a sombra de um toldo numa ala do iate que fazia lembrar uma varanda. Ele estava de lado, contemplando a ampla extensão do mar. Vestia uma camiseta polo azul marinho e uma bermuda cinza. Uma brisa branda agitava de leve os longos cabelos escuros dele, pois a temperatura estava amena e muito diferente do calor escaldante do dia anterior. A cena era tão bonita que até parecia cinematográfica.
Pela primeira vez, Yoruichi se permitiu olhar para o homem que Byakuya havia se tornado e claro que ficou admirada com a beleza dele. Mas tão logo ela se deu conta disso tratou de se repreender. Esforçando-se para manter a mente focada em seu objetivo, ela se aproximou em passadas leves, mas sabia que ele lhe notaria.
– Está melhor? - ele perguntou, sem olhá-la.
– Estou sim. E obrigada pelo lanche. Estava ótimo.
Byakuya se voltou a ela e, depois de menear a cabeça em concordância, tornou a olhar o mar.
– Agora falta pouco para chegarmos.
– Sério?
Ele assentiu. Yoruichi ficou a uma meia distância, reunindo coragem para dizer o que acreditava ser necessário e, quando ela entreabriu os lábios para começar seu discurso, Byakuya se colocou de pé. Ela sentiu os olhos cinzentos dele fitando seu corpo de alto abaixo e então ele disse:
– Bonito vestido.
Yoruichi pestanejou e abaixou o olhar para si mesma e mal pôde acreditar que havia escolhido algo tão chamativo e inapropriado - um frente única azul claro e muito curto. Ela simplesmente puxara a primeira peça que encontrou na mala, sem nem pensar a respeito. Em sua mente, Byakuya não reparava naqueles detalhes. Péssimo momento para descobrir que não era bem assim.
Ela o encarou sem saber se devia se justificar ou simplesmente agradecer, mas não teve tempo de fazer nenhuma das duas coisas, pois Byakuya se aproximou e mexeu nos cabelos dela, deslizando os dedos pelas madeixas lisas numa carícia provocante.
Yoruichi sentiu a pele se arrepiar com o gesto e com a proximidade e manteve-se estática, ligeiramente acuada pela aura máscula dele.
– Você pensou no que eu disse? - ele perguntou, ainda alisando os cabelos dela.
– Hã? - retrucou perdida.
Ele sorriu e rebateu:
– Quero saber se você vai me aceitar como seu consorte?
Yoruichi vidrou os olhos e ficou atônita. Quem ainda usava um vocábulo tão arcaico quanto consorte? Só mesmo Byakuya para formular uma questão naqueles termos.
– Mas eu vim aqui justamente dizer pra você esquecer isso! E que a pessoa certa pra você é a Soifon.
Ele franziu o cenho.
– De novo essa história? Nunca daria certo. Eu e ela somos parecidos demais. E também não faz sentido você ficar insistindo nisso depois do que disse ontem.
– Ontem não conta. Eu achei que...
Aproveitando-se da proximidade que estavam, Byakuya enlaçou a cintura dela e beijou de leve seus lábios.
– Achou que fosse me perder e admitiu que gosta de mim.
Yoruichi sentiu a face ferver de vergonha e o coração disparar no peito. Aquilo não estava em seus planos, Byakuya não estava facilitando as coisas para ela. Ele a encarava bem dentro dos olhos e ela precisou de todo seu autocontrole para manter a determinação.
– Ainda que eu goste de você, será que é tão difícil assim entender que eu não posso ser sua mulher? Você é mais-
Ela não conseguiu terminar, pois ele a beijou de novo e dessa vez mais demoradamente.
– Não só pode como vai ser.
A voz grave dele soara tão envolvente que Yoruichi perdeu completamente o foco e não ofereceu a menor resistência quando ele a agarrou e começou a beijá-la insistentemente. Só percebeu que o correspondia, quando ele lhe derrubou no largo sofá e se deitou por cima dela. Seu lado racional protestava, mas seu corpo e seu coração cederam por completo. O sentimento bravamente reprimido por tantos e tantos anos se libertou de suas amarras e renasceu mais poderoso do que jamais fora e tudo que ela pôde fazer foi se entregar àquela paixão inelutável.
Ela deslizava as mãos pelas costas de Byakuya, enquanto ele distribuía beijos molhados pelo seu pescoço e colo, deliciada em sentir a rigidez do corpo bem proporcionado dele. Ficaram por um bom tempo se acariciando e se beijando como se a realidade ao redor houvesse desaparecido.
Então, Byakuya parou de beijá-la, olhou para seu corpo por alguns instantes e então disse:
– Vou acrescentar um adjetivo para esse seu vestido, ele não é apenas bonito, é funcional também...
O tom dele fora carregado de malícia e logo depois de dizer aquilo ele desabotoou o singelo botão atrás do pescoço dela, a única coisa que mantinha o traje no lugar, e assim o biquíni que ela usava por baixo ficou totalmente exposto.
Aquela sequência de ações deixou Yoruichi bastante desconcertada. Ela podia sentir o aumento da excitação do mais novo e ficou um tanto desconfortável, porém antes que pudesse expressar isso em palavras, Byakuya começou a escorregar para baixo, deslizando os lábios por sua pele e logo as mãos ágeis dele se embrenharam por baixo da saia do vestido e os dedos repuxavam as laterais da parte de baixo do biquíni. Ciente de que em dois tempos estaria nua, Yoruichi pousou as mãos sobre as dele, detendo-as.
– Não... - disse ela.
– Tarde demais pra parar.
– Não é... - ela reclamou manhosa. – Por favor... Eu não consigo ir mais longe que isso. Não aqui nesse barco e nessa situação...
Byakuya endireitou-se para poder encará-la. Então, acariciou seu rosto e, apesar de não ter camuflado o descontentamento, ele disse:
– Tudo bem... - e ainda acrescentou em tom de alerta: – Por agora.
Yoruichi assentiu, entendendo o que ficara implícito e então o chamou para os braços. Byakuya deitou a cabeça no colo dela e ficaram daquele jeito por algum tempo, até que ele preferiu rolar de lado e puxá-la para junto de si. Mesmo grudados como estavam, Yoruichi conseguiu ajeitar novamente o vestido no corpo e depois descansou nos braços dele.
– Eu e você... Como eu vou explicar isso para a Soifon? Como vou conseguir encará-la? Ela vai me odiar...
– Vai nevar no inferno antes de ela te odiar. Mas não se inquiete com isso agora. Minha intuição me diz que toda essa sua preocupação é infundada. Não chegou a acontecer nada entre eu e ela.
– Mas podia ter acontecido.
– Como é mesmo que você costuma dizer? O que poderia ter acontecido não importa.
Yoruichi suspirou e fechou os olhos, encolhida naquele abraço carinhoso. Ficaram quietos por um bom tempo, desfrutando a brisa marinha e da quietude daquele dia tão calmo, o perfeito oposto do dia anterior.
– Foi difícil morar sozinha com apenas dezoito anos?
Yoruichi se surpreendeu com a pergunta.
– Um pouco... Tendo em vista todas as mordomias que eu estava acostumada. Mas não fiquei completamente desamparada, tive alguns anjos da guarda também, seu avô entre eles. E depois que arranjei emprego tudo ficou mais fácil.
– Entendi...
Voltaram a ficar quietos.
– Senti sua falta... - disse ele. – Antes eu não admitiria, mas agora posso dizer que sua partida me deixou triste. Eu quase não tinha amigos e Rukia era muito pequena, então fiquei sem ter com quem brincar.
– A gente nunca brincava, Byakuya, só brigava.
– Tá, então fiquei sem ter com quem brigar.
Os dois riram.
– Também senti sua falta. Daquela vida, das nossas competições, daquele tempo em que tudo era tão divertido e não havia preocupações.
– A morte dos nossos pais nos fez amadurecer cedo demais. Aos vinte eu já era viúvo, enquanto meus primos ainda moravam com suas famílias. E você muito antes já sobrevivia do próprio sustento. Não foram trajetórias típicas para bem nascidos como nós, não acha?
– Bem nascidos? Que jeito certinho de dizer montados na grana. Você parece um velho falando, sabia?
Byakuya pestanejou e depois soltou uma risada, alta e espontânea. Yoruichi ficou admirada com aquilo que foi algo inédito para ela vindo dele.
– Eu não sei falar de outro jeito. Fui criado pelo meu avô. O que você esperava?
Yoruichi fez um ar pensativo.
– É verdade... Você fala mesmo igualzinho ao seu avô. Só agora eu me dei conta...
Abraçaram-se e depois se beijaram. E até que a fome os obrigasse ir atrás de atender as necessidades fisiológicas, eles permaneceram ali naquele sofá, falando sobre o passado e o presente, trocando afagos, carícias e beijos.
Naquela tarde, seis jovens circulavam pelos corredores do Hospital Madison quando uma menina, que caminhava mais adiante, atraiu a atenção deles, levando uma parte do grupo a exclamar:
– Hey, Karin-chan!
– Karin!
– Karin-chan!
Ligeiramente assustada por estar sendo chamada ao mesmo tempo por tantas vozes, Karin Kurosaki se voltou para trás, mas logo sorriu ao reconhecer os recém-chegados: eram amigos de Ichigo.
– Ah, são vocês... Vieram visitar meu irmão, certo? - todos assentiram e Karin retrucou: – Deram sorte! O Ichi-nii ficou a manhã inteira na sala de ultrassonografia, mas trouxeram ele de volta para o quarto agora pouco. Podem vir comigo, eu vou levar vocês até lá!
Karin conduziu o grupo, mas acabou não entrando no quarto. Lá dentro, Ichigo e Rukia estavam de mãos dadas, com os olhares fixos um no outro, no limiar de um beijo quando foram surpreendidos pela chegada do sexteto visitante.
Rapidamente, Ichigo se endireitou e Rukia se afastou dele e se postou ao lado do leito.
– I-CHI-GOOO! - exclamou um rapaz de cabelos castanhos. – Olha quem veio te visitar!
– Para de escândalo, Keigo! - ralhou uma garota de cabelos escuros e curtos. – Já esqueceu que isso aqui é um hospital?
– Holy shit! Veio todo mundo! - exclamou Ichigo fazendo-se de aborrecido, mas naturalmente ficara contente com a surpresa.
– Sim, viemos todos nós, Kurosaki-kun! - anunciou uma garota ruiva. – E trouxemos chocolate, jujuba, uns filmes, games...
– E até bexiga? - entrecortou ele, apontando para o balão de hélio em forma de tubarão que a ruiva trazia amarrado por um barbante no pulso.
– Pois é! Uma senhorinha estava vendendo lá na entrada do hospital e eu não resisti! O Mister Tubarão vai te fazer companhia quando a gente for embora, Kurosaki-kun!
Rukia escondeu um riso atrás dos dedos e Ichigo rolou os olhos.
Passado alguns instantes, essa garota ruiva se dirigiu à policial:
– Ah, você deve ser a senhorita Kuchiki Rukia. O senhor Kurosaki Isshin-san me falou sobre a senhorita e eu estava ansiosa para conhecê-la! Eu sou Inoue Orihime, muito prazer! - disse se curvou respeitosamente.
Rukia assentiu e depois se curvou em saudação também.
– O prazer é meu, Inoue-san.
– Ah, essa foi uma boa ideia, Inoue... - comentou Ichigo. – Pessoal, eu vou apresentar vocês para a Rukia - e então ele chamou a policial para mais perto de si. – Começando ali daquele lado... O sujeito com cara de tonto é o Asano Keigo. E esse que está ao lado dele, fazendo cara de bom moço, é o Kojima Mizuiro. Não se deixe levar por esse ar de inocência que ele tenta passar, porque de santinho esse aí não tem nada, ele é o maior mulherengo do primeiro ano!
– Baseado em que você diz coisas assim a meu respeito, Kurosaki-san? - defendeu-se Mizuiro tranquilamente.
– Cara de tonto? - repetiu Keigo com uma expressão abobalhada, corroborando o apontamento de Ichigo.
Ignorando as perguntas, Ichigo prosseguiu:
– Continuando... Esse de óculos é o nerd da turma, Ishida Uryuu. O grandão bronzeado é o meu brother, Sado Yasutora, mas pode chamar ele de Chad, igual o jogador de basquete, que ele não acha ruim não.
– Só você me chama de Chad, Ichigo? - Sado retrucou em sua característica placidez.
– Sério? Pensei que todo mundo te chamasse assim...
– Para quem levou um tiro, você está muito falante, Kurosaki... - alfinetou Uryuu.
– O tiro que levei foi na perna, Ishida. Minhas cordas vocais vão muito bem, obrigado. Além disso, fui muito bem tratado, mesmo que o médico que me operou tenha sido seu pai.
Rukia encarou Ichigo com um ar interrogativo.
– O doutor Ryuuken é pai dele. E só pra terminar... A Inoue já se apresentou e a outra ali é a Arisawa Tatsuki, minha amiga de infância, a gente estudou na mesma sala desde o primeiro ano. Tenho que te dizer, Rukia, essa é a mulher que mais me bateu na vida.
Tatsuki enrubesceu de vergonha.
– Ah, é? Me conta essa história direito, Arisawa-san... - a policial pediu com interesse.
– Isso é viagem dele... Ele está falando do tempo que a gente treinava kendo.
– Ah, entendi...
– Agora é a sua vez, Rukia - disse Ichigo. – Se apresenta pra galera.
Fazendo o gesto de thumbs up para Ichigo, a policial se empertigou e disse:
– Sou a tenente Kuchiki Rukia do departamento de Polícia de Seireitei e tenho muito prazer em conhecê-los.
Terminadas as apresentações, os amigos se acomodaram ao redor do leito e Ichigo falou um pouco de como tinha sido sua aventura contra os criminosos, mas de repente ele mudou completamente de assunto.
– Estou vendo um anel no seu dedo, Inoue... Então é verdade que o Chad me contou? Você perdeu mesmo o juízo e resolveu aceitar o Ishida?
Orihime ficou vermelha como um pimentão.
– Né, Kurosaki-kun, não era bem assim que eu esperava te contar sobre a gente...
– Eu não ligo de ouvir seus desaforos, Kurosaki, mas, por favor, poupe a minha namorada disso.
– Desaforos? Eu não sei do que está falando... - Ichigo rebateu com cinismo.
Todos riram e então Keigo se dirigiu à policial.
– Desculpe a sinceridade, tenente Kuchiki-san, mas se a senhorita mesma não tivesse dito, eu nunca teria acreditado que você é uma policial, pra mim você está mais para uma estudante.
– Asano-san não é muito bom para perceber as coisas, mas acho que dessa vez ele tem razão... - ajuntou Mizuiro.
– As aparências enganam, meus caros! - disse Rukia, risonha.
– Ainda assim a senhorita me parece muito jovem para já ocupar um posto de tenente... - comentou Uryuu.
– Você não vai querer que eu revele minha idade não é, rapaz? - provocou Rukia, fazendo seu inquiridor enrubescer.
– Não, claro que não! A senhorita me perdoe a indelicadeza - pediu Uryuu com as orelhas vermelhas.
– Hahaha, não leve tão a sério! - retrucou Rukia. – Eu estou brincando. De fato, eu alcancei esse posto um pouco antes do tempo, mas infelizmente por causa de uma baixa na minha equipe.
Certo pesar revestiu o semblante de Rukia, minando o clima descontraído, mas não demorou e Orihime dissipou esse mal estar perguntando trivialidades tanto ao amigo enfermo quanto à policial. Na sequência, os demais jovens também fizeram outras perguntas e comentários e a conversa transcorreu animada. Cerca de dez minutos depois, o celular de Rukia tocou.
– Kuchiki na escuta... - ela atendeu de pronto e, após alguns instantes ouvindo a pessoa do outro lado da linha, ela respondeu: – Sim senhor, major Ukitake. Estou a caminho.
Tendo encerrado a ligação, Rukia anunciou:
– Pessoal, eu lamento, mas terei que deixá-los, preciso voltar ao departamento agora mesmo - aproximando-se de Ichigo, ela pousou a mão no ombro dele e disse: – Se cuida...
Em resposta, Ichigo puxou-lhe o braço e teria selado seus lábios, se ela, reagindo por instinto, não tivesse inclinado de leve o rosto, fazendo-o errar o alvo e esbarrar a boca em sua bochecha.
Orihime simplesmente não conseguiu esconder seu desconcerto diante da cena. E a expressão de assombro dela não passou despercebida por Uryuu. Mesmo que Orihime tivesse aceitado seu pedido de namoro, Uryuu já imaginara que ela ainda não estava totalmente liberta de sua antiga paixão por Ichigo.
Pouco depois, Rukia deixava o quarto, mas a pequena balbúrdia iniciada pelos estudantes se estenderia por um bom tempo ainda.
Naquela mesma tarde, no Japão, Kisuke Urahara estava sentado em uma bancada de madeira, com o olhar fixo em uma estante repleta de ferramentas, mas seu pensamento estava longe. A seu lado, jazia uma folha de jornal dobrada.
– Tessai?
Mais adiante Tessai respondeu:
– O que?
– Lembra que uns dias atrás você me perguntou se Yoruichi-san estava vindo pra cá sozinha?
– Lembro...
– Embora ela não tenha me falado nada e embora eu ache que não tenha sido intencionalmente, estou quase certo de que ela está acompanhada de Kuchiki Byakuya.
– Por que diz isso?
Kisuke apontou o jornal para Tessai, que logo veio checar a notícia e leu o seguinte trecho em voz alta:
– "As festividades pelo décimo quinto aniversário do restabelecimento dos clãs Shihouin e Kuchiki contarão com a presença dos ilustres Kuchiki Byakuya e Shihouin Yoruichi, os atuais líderes das vertentes desses clãs que permanecem na Austrália..."
Tessai ponderou alguns instantes e então perguntou:
– É... Faz sentido. Se os dois estarão presentes nessas tais festividades, devem estar vindo juntos mesmo. Mas qual o problema?
– Eu ainda não sei se existe um problema, mas tem qualquer coisa nessa história que está me fazendo perder o sono.
– Ah, você está morrendo de saudades dela, por isso tem perdido o sono. Não tem nada de mais se ela estiver viajando com o Kuchiki-dono, já que eles estão trabalhando juntos nesse caso. Melhor dizendo, eles estão acobertando esses dois foragidos que nós somos. E justo eles que têm toda essa reputação a zelar.
– Trabalhando juntos nesse caso? - repetiu Kisuke. – Mas Byakuya se recusou a bancar a construção das câmaras.
– Mas depois ele ajudou Yoruichi-dono a tirar o pessoal daquele hospital. E no dia que tentamos roubar o avião cargueiro, ele estava lá com ela.
Kisuke pestanejou e depois raciocinou por algum tempo.
– Espera, Tessai, agora que você falou isso me fez lembrar um detalhe importante. Nesse dia do cargueiro, quando nós quatro fugíamos da polícia e antes quando planejávamos a operação, eu me lembro de ter reparado que Byakuya estava se comportando de um jeito estranho com Yoruichi.
– Estranho como?
– Ele não saía de perto dela e teve um momento que ele literalmente se atravessou no meu caminho quando eu quis me aproximar dela... Isso sem falar no jeito que ele a protegeu na hora da troca de tiros, usando o próprio corpo, abraçando...
Kisuke silenciou para reviver a cena em sua mente, analisando cada detalhe, mas Tessai interrompeu seu raciocínio.
– Acho que você está imaginando coisas... Ele teria agido da mesma forma com qualquer outra pessoa numa situação de perigo como aquela. Ele é policial, o instinto de proteção é forte nele. Além disso, ele e Yoruichi-dono são como irmãos.
– Não, o modo como ele estava se comportando naquele dia não tinha nada a ver com o de um irmãozinho superprotetor. Eu não me dei conta na hora, mas agora percebo muito bem o que acontecia. Ele estava agindo como um lobo alfa protegendo sua fêmea, porque naquela hora que eu tentei chegar perto dela, ele me encarou com ar de desafio como se eu fosse uma ameaça.
Tessai arregalou os olhos com a declaração e depois de refletir um pouco e reconhecer que parecia haver alguma coerência na suposição, ele comentou:
– Bom, é preciso levar em conta que Kuchiki-dono nunca foi muito amistoso com você.
– Vamos usar os termos certos, Tessai. Byakuya nunca fez questão de esconder que me odeia. E a recíproca é quase verdadeira. Mas céus... Agora tudo faz sentido! Como eu não percebi isso antes?
– O que? Desculpe, acho que não estou acompanhando.
– Mas como não, se está tão óbvio? Não é por causa do pessoal que Byakuya está nesse caso, é por causa de Yoruichi! Ele está interessado nela!
– Kuchiki-dono interessado em Yoruichi-dono? Não pode ser...
– Sim, ele está. Eu estou certo disso.
– Eu não acredito. Aqueles dois vivem brigando e competindo para ver quem é o melhor policial, quem resolve mais casos. Eles não poderiam estar tendo um romance.
Kisuke tomou a folha de jornal de Tessai, passou as vistas pela notícia novamente, em especial nas fotografias ali impressas, e depois amassou a folha entre os dedos.
– Poderiam perfeitamente. Os dois estão solteiros e pertencem ao mesmo mundo. Até a mídia tem conspirado para mostrá-los juntos!
Tessai ficou tão abismado que não soube o que dizer.
Angustiado, Kisuke falou consigo:
– Então será que foi por causa dele que ela me deixou?
– Claro que não. Pense: Se Yoruichi-dono tivesse algum apreço por Kuchiki-dono, assim no sentido de gostar dele, por que eles não estariam juntos?
– Tem razão... Já faz tempo que ela terminou comigo e se eles estivessem juntos, isso já teria vindo à tona... - Kisuke pensou um pouco. – Mas, não, Tessai, esse não é o ponto! O que estou te dizendo é que ele está interessado nela. Agora, se ela também está interessada nele, isso eu já não sei...
– Mas mesmo ele estar interessado nela teria que ser algo recente.
Kisuke ponderou um instante.
– Sim, claro que é. Isso deve ter começado justamente com esse caso. Mas que inferno! Foi isso mesmo, tanto que no dia que eu saí da cadeia, ela mesma me contou que foi Byakuya que não a deixou voltar para Sunshine Coast. Ela usou exatamente essa expressão: ele não deixou. Como se ele fosse o dono dela! - exclamou revoltado.
– Calma, Kisuke. Não adianta ficar tão nervoso assim. De acordo com o plano, no mais tardar amanhã, Yoruichi-dono deve estar aqui e então você vai poder conversar com ela e descobrir tudo.
– Isso se o Byakuya deixar! - rebateu irado.
Tessai suspirou forte.
– Sinceramente, eu ainda acho que a saudade que você está sentindo dela está te fazendo imaginar essas coisas. Não parece haver nada entre eles.
– Eu iria adorar que você estivesse com a razão, Tessai, mas você melhor do que ninguém sabe que meu instinto nunca falha.
– Bom, isso é verdade. Mas se é assim, eu acho que você vai ter que começar a pensar com mais carinho na possibilidade de partir pra outra. Porque se Kuchiki-dono virou seu rival na disputa pelo coração da Yoruichi-dono, as coisas ficaram complicadas pra você.
– Acha que eu não tenho chances contra aquele nobrezinho mimado?
– Bom, Yoruichi-dono terminou com você e você mesmo falou que ela e Kuchiki-dono pertencem ao mesmo mundo.
Kisuke inspirou fundo, odiando a objetividade do amigo.
– A sorte pode não estar do meu lado ultimamente, mas mesmo assim eu não vou desistir dela assim tão fácil.
No Sakura Hime, no compartimento das câmaras, Yoruichi parou o que fazia para ir atender o interfone.
– Fala, Byakuya...
"Venha até a cabine de comando. Quero te mostrar uma coisa."
– Algum problema? - ela indagou um pouco alarmada.
"Apenas venha."
Apreensiva, Yoruichi saiu depressa e estava até ligeiramente ofegante quando chegou à ponte.
– O que aconteceu?
Byakuya a encarou por alguns instantes e depois disse:
– Você fica tão concentrada naquelas máquinas bizarras que nem percebe o que se passa ao redor... - comentou ele, então se posicionou ao lado dela e apontou adiante.
Yoruichi mantinha-se impassível até olhar na direção que ele apontava e logo um largo sorriso desabrochou em seus lábios.
– É a costa do Japão?
– E o que mais seria?
– Finalmente! - ela exclamou entusiasmada. – Quanto tempo até chegarmos lá?
– Duas horas no máximo...
Eufórica, Yoruichi se virou ao mais novo e o abraçou com força. Byakuya correspondeu o abraço e ainda deu um beijo na testa dela. Sorriram um ao outro.
– Vamos! Há muito para fazer agora... - chamou ele, puxando-a pelas mãos.
Yoruichi assentiu e Byakuya dizia a verdade, havia muito a ser feito, mas a sensação de meta alcançada já se instalara neles dois. Disciplinados como sempre, eles passaram aquelas duas horas repassando os planos e reordenando os equipamentos. Além disso, mensagens foram enviadas e um grupo de apoio acionado para auxiliá-los tão logo o iate fosse atracado nas docas do porto de Tóquio.
Yoruichi se sentia apreensiva com relação a muitas coisas, mas, naquele momento, a esperança de que Kisuke poderia trazer seus amigos de volta à normalidade lhe revigorava a alma.
CONTINUA...
Eu sei que comentei que iria postar no dia de Natal, mas, infelizmente, o capítulo não ficou pronto. Uma pena...
Curtiram o primeiro amasso Renji x Soifon? Eu particularmente amei escrever essa cena! Mais um capítulo de mais sentimental. Também não pude deixar de conceder um espaço para os amigos do Ichigo. Foi só uma ceninha, pouco mais de uma fala para cada um deles, mas já que havia contexto pelo menos essa pontinha eles mereciam, né? No próximo, nossos inativos Vaizards serão finalmente deixados sob os cuidados do cientista maluco... digo do gênio incompreendido, Urahara.
Agradeço muito a todos os novos leitores que chegaram em 2015 e que fizeram a popularidade da fic ser bem maior do que em 2014. JJ-Dani, Ray Shimizu, Hinalle, Akida-san, 8579... muito obrigada por seus comentários! Essa fic só chegou até aqui, graças ao apoio de vocês! E a todos que estão acompanhando, mesmo sem comentar, meu muito obrigada também.
Não vou fazer promessas, mas eu acredito sinceramente que conseguirei encerrar esse projeto em 2016!
Então é isso aí! Espero que tenham gostado!
Desejo a todos que estão acompanhando um Feliz Ano Novo!
Amanda Catarina
02-01-2016
