Disclaimer: BLEACH e seus personagens pertencem a Tite Kubo.


Vítimas do Dever

Por Amanda Catarina

Capítulo 21

Cidade de Las Noches, Espanha, quatro semanas atrás.

Recentemente, o capitão Saijin Komamura recebera a notificação de que o pedido de transferência que ele fizera há alguns meses tinha sido aprovado, com isso, ele mudaria do Departamento de Polícia de Seireitei para um pequeno distrito no interior do estado. No entanto, quando ele ficou sabendo que Kaname Tousen se aliara a Sousuke Aizen, ele pediu um adiamento dessa transferência.

Naquele momento, no qual policiais e criminosos se espalharam pelo campo de batalha, Komamura saiu em disparada atrás de Kaname, pois queria tirar satisfações com ele. Os dois eram amigos de infância e ele precisava entender qual tinha sido a motivação para o amigo ter mudado tanto de uma hora para outra. Após uma demorada busca, os dois estavam enfim frente a frente.

– Justo você, Tousen... Eu só queria entender por quê?

– Por que a surpresa? Eu nunca escondi minha revolta com o Sistema de Saúde do nosso país. E é assim desde que aqueles médicos cruéis e corruptos não fizeram nada para impedir que a minha mulher morresse daquele jeito. Eles não fizeram o menor esforço para entender a doença dela, simplesmente a deixaram morrer, como se a vida dela não significasse nada.

Saijin engoliu em seco. Ele conhecia os detalhes daquele fato trágico, e se dava conta agora que, por anos, Kaname estivera fingindo uma resignação que realmente não sentia com a fatalidade. Visto que agora ele parecia falar sinceramente, dando vazão à mágoa que vinha carregando em silêncio por anos.

– Mas ela tinha uma doença rara... - tentou argumentar, mas Kaname não deixou.

– Era uma oportunidade! - exclamou em sua voz grave. – Aqueles miseráveis tinham que ter estudado aquela doença e não a ignorado. E não fizeram isso por quê? Porque não era rentável! Se eles fossem cientistas e médicos de verdade, eles teriam se empenhado em descobrir a cura. Mas, não, preferiram nos dar às costas!

– Mas, Tousen, não era você quem dizia que apesar das injustiças, devíamos continuar acreditando na humanidade? E valorizando esse mundo?

– Eu estava errado! Antes de eu me aliar a Aizen, você viu que eu tentei por todos os meios mudar as coisas. Larguei minha carreira na polícia, minha real vocação, para estudar Medicina. Tentei entrar para o Conselho Nacional de Saúde, busquei apoio de senadores... Fiz de tudo, Komamura! E o que recebi em troca? Esquivas e recusas!

– E eu não acompanhei tudo isso de perto? Não te apoiei nessa sua luta? É justamente por isso, e por ser seu amigo, que eu não consigo entender porque você decidiu se bandear com esse desgraçado do Aizen! Um monstro que pratica o oposto daquilo que você dizia acreditar!

– Fiz isso pelo simples fato de que Sousuke não bateu a porta na minha cara. Se eu tivesse conhecido ele antes, talvez Midori ainda estivesse viva. Ela era tão boa, tão pura, não merecia uma morte sem sentido como aquela. Sem a companhia dela, minha motivação para continuar vivendo era impedir que esse tipo de coisa continuasse acontecendo, impedir que só os mais ricos tivessem acesso a bons tratamentos. Fiz tudo que pude, mas no cenário atual, é impossível mudar qualquer coisa!

– Quer dizer então que você tentou fazer justiça pelos caminhos certos, e quando encontrou portas fechadas, se voltou ao caminho mais errado possível?

– Essa é apenas a sua interpretação. Não tenho porque me importar com ela.

– Ora, Tousen, e quanto às experiências monstruosas que o Aizen faz com seres humanos? Não é possível que você não saiba nada sobre os experimentos!

– Claro que não ignoro isso, e tenho sim estado ao lado dele, há muito das minhas próprias pesquisas nesse trabalho.

– Mas que absurdo... Não sente remorso? Sua devoção era um brado em defesa da vida, e agora você está na contramão disso!

– Você nem imagina o quanto está enganado, Komamura. E o quanto está me julgando mal. Não nego que minhas mãos tenham se sujado com sangue inocente, mas, se alguns cordeiros tiveram que ser sacrificados, foi tudo por um bem maior. Finalmente, conseguimos a fórmula perfeita, o Hougyoku. A minha ambição é que todas as pessoas no mundo tenham acesso a essa toxina. Acredite em mim, velho amigo: um super humano nunca adoece e pouco sente os efeitos da passagem dos anos. O Hougyoku é o milagre da imortalidade concretizado. Aizen ainda não se deu conta do verdadeiro papel que deve assumir perante a humanidade. Por hora, ele só pensa em lucrar, mas eu vou conseguir tirar essa venda dos olhos dele.

– Como é que é? Não é o Aizen quem precisa ter a venda tirada dos olhos, é você! Como pode achar que ele está preocupado com os problemas da humanidade?

– Ele pode não estar agora, mas estará em breve.

– Sem essa, Tousen! Isso não vai acontecer! Ele não faz o tipo. Aizen não faz o que faz por dinheiro. Ele tem prazer em brincar com a vida porque se acha um deus!

Os dois silenciaram por alguns instantes.

– Hisagi também está aqui nessa missão. Fico me perguntando como não deve estar a cabeça dele desde que descobriu que você está metido nisso! Ele admirava tanto você...

– Eu imagino que meus atos fizeram de mim alguém que não é mais digno da sua confiança, e nem da do Hisagi. E não foi sem angústia que abri mão da amizade com vocês. Mas agi assim em nome de uma causa nobre, de algo maior do que nós...

Saijin balançou a cabeça em negativa, inconformado. Foi então que os dois antigos amigos ouviram a voz de uma terceira pessoa que chegava ao local.

– O que tem de nobre nessa causa, doutor Tousen? Aizen usou os corpos das pessoas como se elas fossem coisas! Os arruaceiros dele mataram civis a troco de nada! - ele exclamou em tom sério, e então bradou: – O que tem de nobre nisso?

Kaname Tousen era um homem muito calculista e controlado, mas a voz do jovem Shuuhei Hisagi, carregada de mágoa e decepção, conseguiu minar seu autocontrole.

– Como eu disse: o caminho que escolhi envolvia certas renúncias... Mas, estou sendo sincero quando digo que lamento por estarmos de lados opostos agora.

– Mentiroso! - rebateu Hisagi. – Todo aquele papo de perdão nas suas palestras, de não se deixar consumir pelo ódio, tudo aquilo era mentira! Palavras vazias e nas quais você mesmo não acreditava! Você me enganou e a todos os seus pacientes! E como se não bastasse, você também teve parte na merda que o desgraçado do Aizen fez com a vida do Kensei! Um cara que você sabia muito bem era a pessoa mais próxima que eu tinha de um pai! De que adiantou você ter me tirado das drogas, colocado minha vida nos eixos, se da noite pro dia, você me dá uma rasteira dessas?

O acusado permaneceu quieto e impassível. A postura muito direita, o semblante voltado para os dois policiais como se de fato os estivesse enxergando - uma aptidão conquistada ao longo de uma vida inteira de treinos a fim de se adaptar à privação do sentido da visão.

– Hisagi, eu realmente lamento pelo Kensei. Admito que não pude me opor àquele experimento, mas talvez lhe sirva de consolo que foi graças ao que aconteceu com ele que chegamos ao estágio final do Hougyoku.

– Que?! Mas só na sua cabeça pra achar que isso serve de consolo!

– Acontece que independente de como você encare esse capricho do destino, terá que aceitar que nada mais pode ser feito. E eu escolhi o caminho que escolhi, mirando algo maior que eu mesmo, maior que todos nós... Eu já disse: a humanidade não estaria no patamar que está hoje sem que certos sacrifícios tivessem sido feitos.

– Tousen, vou perguntar outra vez: Estamos aqui, de lados opostos, e o que você pensa em fazer em relação a isso?

– Preferiria não ter que lutar contra vocês, mas não posso permitir que prendam Aizen.

– Quer dizer então que do mesmo jeito que você passou por cima da vida do Kensei, você vai passar por cima das nossas? Você, que só discursava sobre o valor da vida, está aí agora carregando uma arma e disposto a atirar na gente?

– Se insistirem na sua missão, eu vou atirar sim... - respondeu convicto.

– Que absurdo... - lamentou Saijin, tomando a frente do jovem tenente, em um gesto protetor. – Tousen, eu tenho uma proposta pra você. Me escute, por favor.

– Escutar é o que faço melhor, velho amigo.

– Entregue-se. Quando você confessar seus crimes em um julgamento na corte marcial, é claro que será sentenciado à prisão perpétua. Mas, eu pedirei ao capitão Yamamoto o favor de que você cumpra sua pena no sanatório do Kurotsuchi. Lá, você vai poder compartilhar com ele as coisas supostamente boas que aprendeu com o Aizen e que podem ser de alguma serventia pra humanidade. Se é que realmente existe alguma...

Hisagi se surpreendeu ao ouvir aquilo, julgando a proposta até melhor do que o desertor merecia.

– Não me faça rir, Komamura.

O escárnio e a frieza do tom espantaram os dois policiais.

– Lamento, sim, pelas vidas inocentes que se perderam no processo, mas não posso passar o resto dos meus dias confinado em um asilo! Estou destinado a ser o arauto de um novo mundo, e há muito a ser feito ainda. Garantirei que Aizen se torne não um deus, como você disse, mas sim um líder autêntico e revolucionário. Um líder que irá concertar esse mundo cheio de distorções e injustiças!

Hisagi e Komamura trocaram um olhar preocupado, compartilhando o pensamento de que a sanidade de Kaname estava para lá de comprometida. E para corroborar a dedução, ambos viram o outrora amigo sacar e apontar a arma.

– Não permitirei que vocês interfiram em nossos planos.

Triste, Komamura quis confirmar o óbvio.

– Você vai mesmo se fazer de escudo para o patife do Aizen?

– Não tenha dúvidas.

Cheio de inconformismo, Hisagi falou:

– Você não pode ser o mesmo homem que eu conheci...

Ao invés de responder, Kaname atirou.


Ao avistar Ikkaku Madarame derrubado de bruços no chão, Renji saiu correndo na direção dele, deixando a capitã Soifon um tanto para trás.

– Oe, Ikkaku!

Soifon o repreendeu em pensamento, ao mesmo tempo em que vasculhava a área, à procura de Yumichika Ayasegawa. Mas então ela avistou um grandalhão com uma arma engatilhada na direção de seu impulsivo e desatento namorado. Ela nem soube como conseguiu reagir tão depressa. Simplesmente sacou Suzumebachi e atirou, com a mão esquerda. A providência se encarregou de fazer a bala dela acertar e desestabilizar a arma do bandido, já que a trajetória que a bala dele teria traçado tinha endereço certo: a cabeça de Renji.

Agachado no chão, Renji só sentiu o veloz deslocamento de ar do projétil, que passou rente a seu rosto e esquentando sua pele. Acreditando então estar em meio a um tiroteio, reagiu instintivamente e abaixou o corpo para proteger o antigo amigo de esquadrão.

Soifon correu até os dois.

– Deixem de ser inúteis! - ralhou ela. – De pé, já!

Mesmo perdido na situação, Renji tratou de se erguer depressa, mas Ikkaku estava ferido demais e permaneceu estirado no chão.

– O que diabos aconteceu aqui? - disse Soifon e então sim avistou o corpo de Yumichika também estirado no chão mais adiante, várias manchas de sangue salpicando a areia ao redor dele.

Antes que alguém pudesse responder, Soifon viu o já conhecido bandido, o mesmo que quase lhe quebrara a perna, caminhando na direção deles. Resgatou no fundo da memória o nome do sujeito, Yammy Liargo. Quando menos de dez metros os separavam, ela sentiu um suor frio lhe escorrer pela fronte. Ela não se recordava de que ele fosse tão enorme, mesmo à distância ele parecia ser bem mais alto que Baraggan, que já era um colosso para ela.

– É impossível parar esse cara... Fujam daqui... - disse Ikkaku, em um esforço homérico para proferir as palavras.

– Qual é, Ikkaku? Nem parece você falando... - rebateu Renji com estranheza.

Dando a devida atenção ao alerta, Soifon puxou do traje uma granada de mão, e não pensou duas vezes, atirou-a contra o gigante.

– Vamos ver então!

Ikkaku não acompanhou o ataque direto, mas Renji e Yumichika sim. Um clarão de luz, similar a um mini Big-Bang, ofuscou a visão deles. Soifon tinha esperanças que depois que a luz se dissipasse, ela fosse ver o corpo do gigante caído e muito ferido, mas não foi isso que aconteceu. Assim como Ikkaku havia profetizado, a granada não matou o bandido, não fez mais do que lhe causar um desconforto nos olhos, o qual ele sanou atravessando o braço na frente do rosto.

– O que foi isso que vocês jogaram em mim?

Ao mesmo tempo, Soifon escutou Yumichika dizer:

– É um monstro, não tem como ganhar dele...

Renji sentiu um tremor de apreensão. Ele conhecia Ikkaku e Yumichika há anos, estudaram juntos na academia de cadetes, e eram todos os três muito bons tanto no tiro quanto em combates físicos. Para aquela dupla estar dizendo que não havia como vencer um adversário isso só podia significar que o oponente tinha que estar no nível de Zaraki Kenpachi, o líder do esquadrão deles. Entretanto, Renji tinha acompanhado a conturbada luta entre Zaraki e o sádico com a tatuagem de número cinco. Zaraki provavelmente não devia estar em condições de encarar outro oponente igualmente forte.

– Vocês são muito chatos com esses seus brinquedos, sabiam? - reclamou Yammy. – Lutem comigo no mano a mano! Podem vir todos de uma vez!

– Por que não damos a ele o que está pedindo?

A indagação partira de alguém que chegava à área naquele exato momento, Tetsuzaemon Iba. Ele era tenente do esquadrão de Saijin Komamura e, embora estivesse com um ferimento no supercílio, não parecia muito debilitado.

– Iba-san! - exclamou Soifon, contente com a chegada de outro aliado.

– Pronto, chegou mais um! - pontuou Yammy. – Como se fizesse diferença... Dois deles já foram, e eu duvido que esses que acabaram de chegar sejam páreo pra mim.

– Atirem a vontade! - gritou autoritária a capitã.

Renji e Tetsuzaemon obedeceram à ordem na mesma hora, ao passo que Soifon se concentrou nas granadas. Embora a arma dela, Suzumebachi, tivesse sido recarregada, ainda que com balas comuns, ela não era ambidestra, atirar com a mão esquerda era complicado para ela. Foi um ataque feroz e impetuoso, uma nuvem de fumaça encobriu o criminoso.

Depois de quase três minutos, os policiais pararam de atirar e puderam avistar Yammy agachado no chão como uma tartaruga. As roupas dele ficaram arruinadas, mas por mais inacreditável que fosse o corpo dele parecia não ter sofrido nenhum arranhão; não se via buracos de bala, nem queimaduras, nada. Então, vestido em trapos, Yammy se levantou.

Os policiais ficaram estarrecidos e boquiabertos, e Soifon foi a primeira a perceber que havia qualquer coisa anormal com a estatura daquele inimigo; ele estava maior a cada minuto.

– Isso não é justo! - irritou-se Tetsuzaemon. – Eu não tive problemas para acabar com o número sete deles, quando atirei usando essa arma! - relatou, exibindo o próprio revolver. – Como pode a mesma arma não causar nada nesse cara?

– Esse sujeito parece estar em outra categoria... - comentou Soifon.

Intrigado com tudo aquilo, e mesmo em meio à tensa agitação, Renji arranjou tempo para checar no celular as mensagens compartilhadas pela equipe. Por ordem do capitão Kyouraku, todos deveriam enviar fotos dos inimigos derrotados, com destaque para os números tatuados nos corpos deles. Renji então encontrou a foto enviada por Tetsuzaemon, o inimigo que ele enfrentara estava identificado pelo nome de Zommari Rureaux, e exibia um número sete tatuado na perna. Depois de confirmar o dado, Renji se voltou à Soifon e disse:

– Mas isso não faz sentido, capitã... Pelo que o capitão Kyouraku explicou, as tatuagens desses caras são como um ranking que vai do mais forte para o mais fraco. Se esse mamute é o número dez, ele não devia ser mais forte que o número sete!

– O que vocês estão discutindo aí? - perguntou Yammy, mas não estava genuinamente interessado na resposta. – Porcaria... Olha o que vocês fizeram com a minha roupa... Vocês vão pagar por isso, viu! - ameaçou e então arrancou o que ainda restava do quimono branco do corpo. – Ah, quero mostrar pra vocês uma coisa interessante sobre o meu poder... - ele exibia a tatuagem com os números um e zero que tinha no ombro. – Fiquem olhando! - disse e, repentinamente, o algarismo "1" começou a desaparecer.

– Que merda é essa agora? - abismou-se Renji.

– Quem disse que a numeração dos Espadas vai de um a dez? A verdade é que vai de zero a nove. Eu que sou o mais forte dos Espadas! Eu, Yammy, o número zero! E usando minha força, posso matar todos vocês com um golpe só!

Com velocidade sobre-humana, Yammy avançou com tudo contra os policiais. No caminho, ele puxou o corpo de Yumichika pela perna e o arremessou contra os outros quatro. Instantes depois, ele se chocava contra o quinteto, como uma bola de boliche de titânio atingindo pinos de papel.

O impacto foi fortíssimo. Não fosse o traje especial desenvolvido pelo cientista e médico, Mayuri Kurotsuchi, o qual contava com um entrelaçado de linhas sintéticas tão resistentes quanto uma liga metálica, os policiais teriam morrido com a simples força do choque.

Com extremo deboche, Yammy ficou só observando os cinco policiais tombados a sua volta.

– Bando de fracotes! - provocou em meio a gargalhadas.

Os policiais ainda estavam vivos, mas muito cientes de que aqueles deviam ser os momentos finais de suas vidas. Foi então que mais uma pessoa chegou ao local.

– Olha o tamanho do cara... Será que esses bandidos são todos gigantes?

Renji e Ikkaku reconheceram a voz de imediato. Yumichika também reconheceu, mas simplesmente não conseguia acreditar que era mesmo quem aparentava ser, pensava que a Sombra da Morte estava lhe fazendo ter uma alucinação.

– Quem é você, magricela? É um policial também? - perguntou Yammy e sua voz agora parecia menos articulada, como quem tivesse adquirido um ligeiro retardo na fala.

– É o que escrito na minha carteira de trabalho.

– Vai embora daqui, capitão... - balbuciou Ikkaku.

– Que história é essa, Ikkaku? O cara te surrou tão forte assim, foi? Eu lá sou homem de correr de uma briga? Ei, grandão! Foi você quem deixou o meu oficial miolo mole desse jeito? Por acaso você é forte?

Indignado com ousadia e possesso de fúria, novamente Yammy se moveu muito rápido e acertou uma braçada no recém-chegado Zaraki, fazendo-o voar longe.

Diante daquilo, a débil esperança que havia se ascendido nas almas dos cinco policiais abatidos apagou-se como a chama de uma vela em pleno vendaval.

Mas, contrariando toda a expectativa, e após poucos instantes apenas, Zaraki começou a se levantar. E, repuxando o traje militar sobre o ombro, ele falou em tom de provocação:

– Ho! Gostei disso! Parece que agora sim encontrei alguém que deve estar no meu nível.

– Ah, é... Magricela? Está contente por ter me encontrado? Pois eu já vou fazer você mudar de ideia.


Cidade de Brisbane, Austrália, dias atuais.

Depois de cerca de quarenta minutos aguardando em uma das salas de interrogatório, Kisuke Urahara e Tessai Tsukabishi, viram enfim a porta da sala se abrir e uma pessoa adentrar o local.

– Me desculpem fazê-los esperar! - exclamou o major Ukitake, dirigindo-se a eles e lhes estendendo a mão em saudação.

Os dois homens se colocaram de pé quase em sincronia, e foi Tessai quem apertou a mão de Ukitake primeiro.

– Não entendi o pedido de desculpas, major - comentou Kisuke, correspondendo à saudação. – E nem esperava vê-lo aqui...

– Eu sei que não, mas as coisas não saíram conforme o planejado! Fui chamado às pressas quando o Kyouraku decidiu de última hora que não viria pra cá. Mas, enfim... Tsukabishi-san, você já está liberado. Irei acompanhá-lo até a saída.

Ao ouvir aquilo, Kisuke sorriu ao amigo.

– E quanto a você, Urahara-san, já expliquei que as acusações contra você foram retiradas, certo? Pode ficar tranquilo, você não vai ser preso de novo. A única coisa é que o capitão-comandante quer conversar com você.

– Entendo... - disse Kisuke e em seguida voltou a se sentar.

– Por que se sentou de novo? - perguntou Ukitake.

Kisuke apenas encarou o major, com um ar confuso.

– Ah, me desculpe! - disse então Juushirou. – Deve ser o avançado do horário que está me deixando atrapalhado desse jeito. Você também vem comigo, Urahara. O capitão-comandante não vai conversar com você aqui nessa sala. Nem era pra vocês dois terem sido mandados pra cá! Foi por isso que eu disse que isso aqui está uma baderna hoje!

Os dois amigos se entreolharam ainda sem entender muito bem a situação, mas em cerca de alguns minutos tudo ficou esclarecido. Depois que Tessai já tinha deixado o Departamento de Polícia, o major conduzia Kisuke até sala do capitão-comandante.

Chegando lá, Kisuke ficou apenas fitando a porta fechada. Havia uma plaqueta retangular pregada ali, para a qual ele ficou olhando por alguns instantes. Sobre um fundo branco e bem à esquerda, havia um losango dentro do qual estava pintado em cor negra o ideograma japonês para o número um, e mais ao centro, lia-se o nome do capitão-comandante em alfabeto arábico e com os correspondentes kanjis logo abaixo.

Após alguns instantes parado ali, Kisuke enfim deu um passo adiante, e não podia ver o olhar piedoso que o major lançava a ele.

– Não precisa bater... - avisou Juushirou. – Está aberta. Ele está esperando por você.

Olhando por sobre o ombro, Kisuke assentiu e logo adentrava o local. Ele estremeceu ao se deparar com a figura do capitão-comandante, sentado atrás da mesa ampla, em uma postura muito direita e um olhar austero.

– Boa noite - Genryuusai o saldou na típica secura.

– Boa noite, capitão-comandante Yamamoto.

– Sente-se.

Kisuke obedeceu e, pelos próximos instantes, não conseguiu encarar o pai, por mais que tentasse. Então foi Genryuusai quem quebrou o silêncio.

– Você está lembrado que, algum tempo atrás, me pediu para prender Sousuke Aizen?

– Estou sim senhor - respondeu ainda cabisbaixo.

– Não que eu tenha feito isso sozinho, mas ele foi preso. E está sob a custódia de Kurotsuchi Mayuri, em um presídio de segurança máxima.

– Sim, eu soube... E sou-lhe muito grato por isso, comandante. Também me recordo que disse na ocasião que acreditava que só o senhor seria capaz disso.

– Como eu disse, não fiz nada sozinho. E sendo bastante sincero, por muito pouco, não morri nas mãos daquele miserável.

Então sim Kisuke tratou de levantar o rosto e fitar o pai.

– Se importa? - perguntou o comandante, diante do olhar espantado dele.

– Claro que sim! Como não iria me importar com o senhor? - respondeu amuado.

– Este velho tem te tratado como a um estranho e ainda assim você se importa com ele?

Kisuke fechou momentaneamente os olhos, a emoção estava a um triz de dominá-lo.

– Pai, sinto sua falta...

Tendo dito aquilo, Kisuke não conseguiu mais se conter. Um nó lhe apertou a garganta e as lágrimas se libertaram rebelosamente. Ele desmoronou por fora, e não tinha como saber que, embora a expressão do pai se mantivesse séria, por dentro, o comandante também desmoronava.

Kisuke abaixou a cabeça, e se esforçou para se recompor. De tão abalado, não percebeu o pai se levantar e vir até ele, então sentiu que uma mão forte tinha pousado em seu ombro.

– Juro pela minha honra que ter expulsado você de casa foi o maior erro que cometi na vida, meu filho.

A menção da palavra "filho" foi tão impactante que quase levou Kisuke a um nocaute, e o que veio na sequência foi igualmente atordoante.

– Todos os dias, eu encaro o olhar reprovador da sua mãe, naquela fotografia no altar fúnebre dela, me perguntando: "Por quê?" E ela tem razão de me perguntar isso, já que nem mesmo eu entendo como pude arrancar você da minha vida, sendo que você é a melhor recordação que tenho dela.

Kisuke se agarrou ao braço do pai e desatou, sem se importar com mais nada:

– Mas o senhor estava certo e eu entendo isso agora! Eu devia ter te escutado! Eu não tive respeito nenhum pela vida. Não sou diferente do Aizen. Meus amigos quase morreram por minha culpa, e eu matei o bebê da Yourichi... Não é justo que um homem honrado como o senhor tenha um filho maldito como eu! Nunca mereci ser seu filho. Não sou como o Ukitake, muito menos como o Kyouraku! E não sei mais o que fazer da minha vida...

Genryuusai ficou abalado, mas logo tratou de puxar Kisuke para o alto, e o apertar contra o ombro em um gesto consolador.

– Acalme-se... Se você está perdido desse jeito, então não tem outro culpado aqui a não ser eu mesmo. Eu que tenho negligenciado minhas responsabilidades em relação a você por quase vinte anos...

Apesar de sério, o tom também foi brando, e fez Kisuke erguer o rosto, e depois dar alguns passos pra trás em um mudo assombro.

– Vinte anos, tempo demais... Mas se você ainda estiver disposto a me aceitar como pai, eu terei orgulho de voltar a dizer publicamente que você é sim o meu filho. O que me diz, Kisuke? Estaria disposto?

Kisuke não esperava por aquilo, tentava raciocinar, mas quando percebeu que não conseguiria dizer nada, se impulsionou para frente e se agarrou ao corpo do pai. Genryuusai correspondeu o gesto, e somente após alguns instantes, ele voltou a falar.

– Entenderei isso como um sim...

Tentando recobrar a compostura, Kisuke o soltou e, mantendo o semblante baixo, assentiu com um gesto de cabeça.

– Então agora imagino que seja só uma questão de tempo até eu me lembrar como é ter um filho, e de você se lembrar como é ter um pai, mas acho que não será muito difícil...

– Não, nem um pouco... - o filho confirmou com a voz embargada.

– E, por favor, Kisuke, nunca mais repita o que disse agora. Você não é como Sousuke Aizen. Há compaixão em você! Você salvou seus amigos. E, se está mesmo arrependido, Yoruichi-san encontrará o tempo certo de perdoá-lo, então deixe de se inquietar e acalme-se.

E Kisuke se acalmou. Não por ter recebido aquilo como uma ordem, e sim porque foi como se ele voltasse a ser um menino de cinco anos, que estava de novo sob a proteção de seu maior herói. Entretanto, na sequência, todo o cansaço acumulado depois de uma viagem de mais de sete horas, enfim se abateu contra ele, deixando-o um tanto desorientado. Ele não saberia dizer por quanto tempo ele e o pai estiveram naquela sala, e quando deu por si, estavam em um carro. Os dois ficaram acomodados no banco de trás, e um motorista conduzindo o veículo.

A madrugada estava escura e tão sombria. Foi impossível para Kisuke reconhecer o trajeto naquela escuridão. Só mesmo quando o carro parou que ele identificou o local. O antiquado casarão, de quase um século de existência, e no qual ele tinha nascido e vivido boa parte da juventude. A visão o fez estremecer um pouco, chegava a ser difícil acreditar que realmente estava ali.

Com passadas vacilantes, seguindo o pai, Kisuke adentrou o lugar. Memórias desbotadas começaram a ganhar vida diante de seus olhos sonolentos, e ele via fantasmas do passado desfilando pelos cômodos.

– Sasakibe, arranje um quarto para Kisuke - pediu Genryuusai. – Ele vai dormir aqui essa noite.

O mordomo e o filho que tinha sido renegado se encararam momentaneamente. O reconhecimento foi imediato, mas nenhum dos dois escondia a surpresa.

Passados alguns instantes, o mordomo respondeu ao senhor do casarão:

– Como quiser, Yamamoto-sama.

– Vá com ele, Kisuke. Amanhã conversaremos melhor.

Kisuke não ousou questionar, e logo seguia atrás do mordomo.

Em menos de quinze minutos, Kisuke se achava estirado em uma cama confortável, em um local familiar e com o coração sereno como há anos não sentia, então ele fechou os olhos e dormiu.


Já fazia alguns dias desde o retorno de Yoruichi e Byakuya do Japão. E os dois ainda estavam na mansão Kuchiki. Naquele começo de tarde, depois de um almoço tranquilo na companhia do velho Ginrei, Yoruichi seguiu ao jardim enquanto Byakuya foi buscar um suco de frutas para eles. Era o último dia deles de afastamento do trabalho.

Sob a proteção de um grande guarda-sol, acomodada em uma mesinha redonda, Yoruichi lia alguns e-mails.

– Muitas pendências? - perguntou Byakuya ao chegar ali, e estendendo um copo grande a ela.

– Muitas! Eram só uns 500 e-mails pra ler... - respondeu, aceitando a bebida gelada, depois de fechar e afastar o notebook para o lado. – E você?

– Consegui dar um jeito em tudo que era possível. O que faltou, só estando no meu escritório.

– Entendi... E a sua irmã? Melhorou?

– Sim, foi só um mal estar por causa dos pontos que inflamaram. O que não me conformo é que o tal do Kurosaki já esteja aqui paparicando ela. Esse pivete nunca estuda, não trabalha, não faz porra nenhuma da vida!

Yoruichi riu de leve.

– Impressionante como a simples existência desse rapaz tira você do sério.

– Acontece que esse garoto é novo demais pra ela! Não sei como esse namoro pode dar certo...

– E você lá tem moral pra falar disso, Byakuya-bo? - alfinetou ela, encarando bem dentro dos olhos, e vendo ele puxar o ar como quem ia dar uma resposta bem mal educada, mas acabou simplesmente ignorando o comentário e mudou de assunto.

– Se continuar assim, ela vai querer ficar nessa mordomia pelo resto do ano!

– Até parece! Como uma autêntica Kuchiki, a Rukia tem alergia a férias!

– A Rukia? Ah, mas não tem mesmo!

Passados alguns instantes, Byakuya estendeu a mão para ela, chamando-a para si.

– Vem comigo dar uma volta.

Yoruichi apenas o encarou, impressionada com o fato da expressão dele ter passado de uma carranca fechada para um semblante amistoso e convidativo em questão de instantes.

– Pra onde? - ela perguntou então, quando se deu conta de que estivera contemplando o rosto bonito dele por tempo demais.

– É só seguir o GPS. E você dirige! - respondeu ele, e jogou a chave do carro para ela.

Tendo agarrado às chaves no ar, ela logo se levantou e disse:

– Ah, é? Então me diz que é a chave da Lamborguini! Porque eu vou adorar correr a 140 km/h com aquele carro e a multa chegar pra você!

– É a Lamborguini, e que sorte a minha ter alguns contatos no Departamento de Trânsito.

– Mas que maravilha! - empolgou-se ela e já foi seguindo em direção à área das garagens.

No entanto, no instante em que ela passou por Byakuya, ele lhe agarrou a mão, entrelaçou os dedos aos dela, obrigando-a a caminhar no mesmo passo que ele. Yoruichi não reclamou, mas ficou um pouco sem jeito. Ela sempre era pega de surpresa com aqueles pequenos gestos dele. Seguiram então de mãos dadas.

Durante a curta caminhada, Yoruichi voltou a refletir em sua relação com Byakuya. Eles não tinham voltado a trocar intimidades desde a descoberta da perda do bebê. Ela vinha se recuperando bem desse trauma, e até tentava diluir a mágoa que ainda sentia por Kisuke, mas em relação a Byakuya, ainda se sentia um tanto perdida.

Estando ali na mansão, Yoruichi se policiava ao máximo para evitar trocar carícias com ele, principalmente na frente de Ginrei. Enquanto a situação entre os clãs Shihouin e Kuchiki não estivesse devidamente formalizada, ela não se sentiria à vontade, por isso, no decorrer daqueles dias, ela tentava passar a todos uma imagem de que só estava ali como uma hóspede, e que ela e Byakuya continuavam sendo apenas amigos. Por outro lado, Byakuya não abria mão de deixar bastante claro e a quem quer que fosse que a relação deles tinha evoluído da amizade para um relacionamento afetivo.

– No que está pensando? - perguntou ele.

Tratando de disfarçar a inquietação, ela respondeu:

– Que já sei de um lugar ótimo pra gente ir!

Cerca de uma hora depois os dois chegavam à praia de Sunshine Coast, onde passaram o resto daquela tarde, apenas sentados na areia, conversando sobre milhares de banalidades. Só quando chegou o crepúsculo que eles decidiram ir embora. Na volta foi Byakuya quem dirigiu.

Já estavam no centro urbano de Brisbane e Yoruichi estranhou quando percebeu Byakuya pegando uma rota diferente.

– Pra onde está indo? - questionou ela.

– Já vai saber.

Em menos de dez minutos, ele acionava um pequeno controle remoto, o qual abriu o portão da garagem de um edifício residencial.

Depois de estacionar, mas ainda sem descer do carro, Byakuya olhou para ela. Yoruichi esperou para ver se ele diria alguma coisa, mas ele ficou quieto, apenas a encarando. Mas logo depois, ele sorriu, desceu do carro, e veio abrir a porta para ela.

Seguiram ao elevador, que demorou um pouco. Quando entraram, ficaram bastante próximos, ela encostada ao fundo da cabine e ele de frente para ela, os corpos esbarrando de leve, os lábios quase se tocando. Porém, eles se afastaram rapidamente quando entrou no elevador um casal com uma criança de colo.

– Boa noite! - cumprimentaram os pais.

Educados e comedidos, os dois responderam à saudação.

A criança esticou o bracinho, apontando a presilha que Yourichi exibia no cabelo.

– Bonito, né filha? - disse a mulher.

Yourichi sorriu simpática para a criança, que se agitou querendo escapar para o colo dela, mas a mãe a agarrou depressa, e logo a porta do elevador se abria no quinto andar. O casal de policiais continuou na cabine, até chegarem ao último andar. Até lá eles mantiveram uma distância um pouco maior.

Yoruichi percebeu logo que Byakuya tinha entrado em um velho jogo com ela e quem falasse primeiro perderia. Quando chegaram à porta do apartamento dele, ela ficou encostada de lado só observando, com um riso sugestivo, enquanto ele buscava na carteira o cartão magnético que destrancava a fechadura eletrônica.

Ao adentrarem, as luzes se ascenderam devido aos sensores de presença. Yoruichi caminhou até o meio da sala, enquanto Byakuya fechava a porta.

– OK, eu desisto! - exclamou ela, cheia de curiosidade. – Por que estamos aqui?

– Porque eu achei que esse seria um bom lugar para passarmos esse último dia do nosso afastamento do trabalho.

– Mas por quê?

– Porque foi aqui que tudo começou...

Yoruichi demonstrou surpresa, então ele se aproximou e a puxou com força pela cintura. Logo ele a beijava com ardor. Sem perder tempo, ela passou os braços ao redor do pescoço dele, correspondendo-o com a mesma paixão.

– Não tem nada de especial aqui - continuou ele, depois de ter interrompido repentinamente o beijo. – Mas sinto que é um lugar que nos conecta com as nossas vidas no tempo atual.

– Como assim?

– Veja bem... Aquela situação da sua gravidez transportou nosso relacionamento a um futuro precoce. E estar lá na casa do Ojii-san nos levava de volta ao passado. Mas aqui ficamos no tempo certo.

Yoruichi sorriu e logo em seguida eles voltaram a se beijar. Os beijos e carícias ficaram mais insistentes e então Byakuya foi conduzindo ela até o quarto. Lá, ele prensou o corpo esbelto dela contra a parede por um tempo, mas não demorou a derrubá-la na cama.

– No dia que entrei nessa investigação, a mando do próprio Yamamoto, eu te trouxe pra cá.

Mansa, sob a dominância dele, ela rebateu:

– Agora que você falou disso... Eu não lembro como cheguei aqui. Só me lembro de ter acordado neste quarto.

– Nem tinha como lembrar, você estava sedada.

– Sedada? Mas que absurdo!

– Tive que fazer isso porque senão você teria fugido. Né, sua gatinha arisca? Mas depois dá uma olhada no meu quarto de hóspedes, repara como é um espaço excelente, todo equipado... Eu podia ter acomodado você lá, mas, quis te trazer pra cá. Deixei você desmaiada aqui na minha cama - ele contava em meio aos beijos. – Achando que isso não ia me abalar...

Os lábios pareciam não se fartar do contato.

– E você se aproveitou de mim, seu tarado?

– Não... Essa ideia não me ocorreu naquele dia. Fiquei um tempão na sala, ajeitando a bagunça que você tinha feito nos cofres do seu clã. O plano era, depois de descansar um pouco, eu ia te levar para o quarto de hóspedes, mas tive a desculpa de que a coisa toda demorou demais, fiquei com sono, e como você não iria acordar, não tinha problema eu dormir do seu lado.

– Sem comentários...

– Mas, é sério, não me aproveitei da situação. Você mal se mexia... Se nossos corpos se esbarraram foi um mínimo. E claro que eu coloquei meu celular pra despertar bem cedo, dificilmente você acordaria primeiro que eu. Deu certo, e assim que acordei, saí para comprar uma roupa decente para que você estivesse apresentável na reunião na Skylinx Airlines.

Yoruichi sorriu com a lembrança, e ele continuou:

– Não concorda comigo, que foi uma sucessão de eventos improváveis que nos uniu? Por mim mesmo, eu nunca teria ido bater na sua porta, mas com uma ordem direta do Yamamoto, não tive escolha, eu não poderia falhar com ele. E essa brecha foi como aquelas rachaduras que fazem uma barragem ceder.

– Boa analogia... - ela disse, e em seguida bocejou. – O que tem pra comer aqui, além de miojo?

– Miojo? Até parece... Tem um jantar formidável nos esperando. O único problema é que já deve estar frio. Eu agendei a entrega aqui para às 18h. Mas quem foi que inventou que queria ir até a praia?

– Ah, mas eu tinha que tirar as teias de aranha do motor daquele carro! E não dava pra fazer isso aqui no centro, com aquele monte de semáforos. Mas, voltando ao que importa, se o rango já aqui, é só a gente esquentar no microondas!

– Está com fome agora? - ele perguntou visivelmente mal humorado.

– Morrendo!

– Por que nesses horários a fome que a gente sente nunca é a mesma?

Yoruichi o olhou de lado, e ao entender a malícia da pergunta, deu um tapa no ombro dele.

– Seu tarado!

Ele riu com gosto, então ela aproveitou a distração para derrubá-lo para o lado e montar em cima dele.

– Primeiro comida e depois sexo! - disse toda autoritária.

– Não. Primeiro sexo, depois um cochilo e depois comida.

– Nada disso! Não vai ser do seu jeito, Byakuya-bo!

– Tem que ser do meu jeito porque se você come, depois só quer dormir, sua Bakenekko!

– Não me chame assim! - ela reclamou mais rindo do que brava, e eles logo se agarraram e, no fim, por estarem em um posicionamento muito propício, foi Byakuya quem venceu a discussão.

CONTINUA...


Fala galera! Não foi tão rápido quanto eu imaginava, mas enfim temos aqui mais um capítulo! Outra vez, achei que seria possível colocar os desfechos das lutas dos nossos policiais em um só capítulo, mas, como devem ter notado, ainda tem muita treta pra rolar! Sendo assim, os tempos da história seguem divididos: batalhas na Espanha acontecendo em um tempo passado, e toda a situação do Kisuke e da Yoru em Brisbane é o tempo atual, oK?

Falando no Kisuke... Cara, como foi difícil escrever a cena dele com o velho Yama, fiquei com um nó na garganta aqui. E vocês o que acharam?

Ah, vou aproveitar a nota para deixar um agradecimento especialíssimo para a Istbells, que leu essa fanfic inteira, no Wattpad, em apenas um dia! Algo que foi um feito histórico e um recorde absoluto! Muito obrigada pela divulgação e por todo apoio, Belle!

Bom, espero que tenham gostado! Como sempre comentários são sempre bem vindos! Grande abraço e até a próxima atualização!

Amanda Catarina

05-10-2020.