Capítulo 1 - Presente I

POV - Edward Cullen

Ano de 2024

Algo estava errado, muito errado. Minha mente era como uma caixa sem fundo e vazia. Uma escuridão a envolvia e apesar de tentar acessar o que estava ali não conseguia.

Tentei puxar algo, descobrir alguma informação sobre minha própria vida, mas era como se eu nadasse no meio do oceano que me puxava cada vez mais para o fundo. Eu não conseguiria encontrar nada ali.

Eu tentava nadar e nadar, mas parecia que ao invés de subir só ia mais para o fundo. Me afogava cada vez mais e mais em um lugar escuro e sem fim. De repente conseguir subir e ofeguei com força, meus olhos doloridos se abrindo e se franzindo com a claridade que estava ali.

Ofeguei com força deitado no que parecia ser uma maca. Eu estava em um hospital? Podia ouvir um bip lento e sincronizado. O que eu estava fazendo ali? O que tinha acontecido?

Queria me mexer e me levantar, porém achei melhor ficar quieto, não sabia os danos que poderia ter no meu corpo que parecia estranho e pesado.

De repente me vi sendo puxado novamente para a escuridão como se estivesse em uma correnteza forte da qual não conseguia fechar e tudo se tornou escuro novamente.

Não sei quanto tempo depois meus olhos se abriram de novo. Eu estava sozinho, mas o quarto parecia mais claro como se fosse dia. Um tubo que tinha no meu nariz incomodava, assim como a o acesso no meu braço. Minha garganta estava seca.

Não saber quem eu era ou quem estava ali me aterrorizava. O que tinha acontecido? Minhas memórias pareciam ter se esvaído como fumaça, flutuando lentamente pelo ar até desaparecer.

Isso estava errado. Não era para assim, era?

Finalmente escutei uma porta se abrir e uma enfermeira se aproximou.

— Sr. Cullen, está acordado! O médico vai vir logo — deu um sorriso amigável.

Senhor Cullen? Esse seria eu? Meu cenho se franziu para a mulher em sinal de confusão.

Queria perguntar, queria gritar, falar, mas minha garganta estava seca e parecia que ia quebrar, ao menor sinal de vibração das minhas cordas vocais. Guiei meus olhos para a jarra de água que estava em um canto mostrando que queria beber. A mulher assentiu pegando um copo e um canudinho.

— Beba devagar — avisou e me senti aliviado quando a água tocou minha garganta.

Ah. Aquilo era tão bom. Parece que não bebia água há milênios. Como um homem perdido no deserto. E era assim que me sentia vagando no deserto que estava na minha mente atrás do poço que eu mergulharia para trazer minhas memórias de volta. Era estranho, eu me lembrar de coisas essenciais como precisar de algo para beber, como respirar, mas não me lembrar de nada sobre minha vida pessoal.

— Devagar, se não pode enjoar. — No mesmo instante a porta foi aberta novamente e um homem entrou. Ele deveria ter cerca de 60 anos, seus cabelos eram grisalhos, tinha um cavanhaque e usava uma roupa de hospital azul por baixo de um jaleco branco.

— Sr. Cullen, vejo que acordou como se sente? — o médico perguntou se aproximando, a enfermeira se afastou e ele ligou uma lanterna nos meus olhos que seguiram a luz forte.

Minhas pálpebras temeram e não aguentava mais aquela inquietação.

— Quem diabos é sr. Cullen? — perguntei finalmente.

Minha voz saiu arranhada e estranha. Será que era assim?

O médico e a enfermeira se entreolharam. Ele abriu a boca para falar, mas foi interrompido pela porta que se abriu subitamente. Uma mulher entrou parecendo desesperada e já ia perguntar se ela tinha errado o quarto quando seus olhos se arregalaram ao olhar para mim.

Senti uma estranha familiaridade com ela e um aperto angustiante no peito. Será que nos conhecíamos?

Era uma bela mulher, com cabelos castanhos presos no alto de sua cabeça em um coque frouxo. Os olhos eram de um tom de chocolate profundos. Não sei como, mas podia ver dor, medo e alívio refletidos ali. Seu nariz era pequeno e fino enquanto seus lábios eram cheios de uma forma atraente. Ela parecia cansada e precisava de uma boa noite de sono. Eu provavelmente deveria estar com uma cara cansada também. Usava uma calça confortável, tênis e uma blusa folgada que parecia masculina, antes que pudesse a observar melhor ela correu até mim e mesmo que eu não lembrasse, sabia que era a mais linda mulher que já tinha visto.

— Edward — fungou seu corpo caiu com cuidado em cima do meu peito, seus braços finos me envolveram e me abraçaram com força— Eu pensei que tivesse te perdido, me perdoa, me perdoa — chorou abraçada a mim.

Seu toque era tão agradável, mas do que ela estava falando? Eu... eu era Edward? O que ela tinha feito que merecia meu perdão? Quem era ela? Por que não conseguia me lembrar?

Fiquei ainda mais confuso e minha cabeça começou a doer. E que cheiro delicioso era aquele que vinha dela?

— Eu te amo, amo você demais — a mulher disse e para minha total surpresa se inclinou e pressionou seus lábios em minha boca.

Oh.

Isso definitivamente não deveria ser certo. Eu arfei e levantei meu braço livre do acesso e a empurrei lentamente.

De perto ela era ainda mais linda, tudo que queria era consolá-la e dizer que tudo ficaria bem, mas eu não a conhecia. Ela era uma estranha para mim. Uma estranha muito bonita, apesar de tudo.

— Desculpe, — tentei soar educado — mas quem é você?

A boca da mulher se abriu em choque e a achei ainda mais encantadora.

Merda. Por que meu coração acelerou? Isso era constrangedor, pois a máquina que media meus batimentos cardíacos apitou com a elevação.

— Sra. Cullen, é melhor se afastar — o médico me encarou com atenção.

— Vo- Você não sabe quem... eu sou? — gaguejou.

— Eu não sei nem quem eu sou — respondi impaciente.

— Você é Edward Cullen — o médico respondeu — Sofreu um acidente de carro e está internado aqui há 8 dias em coma induzido, o senhor se lembra de algo?

— Não. Nada, está tudo vazio — falei cada vez mais confuso, começando a sentir dor.

Eu era Edward Cullen, repeti o nome em minha mente como se fosse fazer eu me lembrar de algo, mas não consegui. Ainda estava tudo bagunçado e sem acesso em minha cabeça.

— Gianna, o prepare para fazer uma ressonância em meia hora precisamos avaliar seu cérebro — falou a enfermeira que ainda estava ali e assentiu saindo do quarto.

— Você não se lembra de mim? — a mulher fungou e me encarou.

Olhei-a de volta.

Merda.

Por que eu queria que ela parasse de chorar? Senti uma angústia vendo suas lágrimas caírem pelo seu rosto.

Uma mulher não deveria chorar nunca.

— Desculpe, mas não — mais lágrimas caíram e ela limpou-as rapidamente com sua mão. — Quem é você?

Notei uma aliança ali e soube o que ela era antes da resposta do médico. Senti um frio na barriga.

— Essa é Isabella Cullen, sua esposa — o médico confirmou meus pensamentos.

Como eu poderia não me lembrar dela?

— Eu... eu não sabia... — engoli em seco.

Merda. Tinha como isso piorar? Eu era casado e não me lembrava disso. Ela balançou a cabeça em silêncio.

— Ele vai voltar a se lembrar? — encarou o médico.

— Não sei, vamos avaliar o grau das sequelas em seu cérebro e fazer um teste em sua memória, mas ao que tudo indica ele está com amnésia.

Tentei me mexer e me arrumar na maca, mas não consegui. Estava angustiado sem saber quem eu era e com as informações que recebi sofri um acidente de carro, era casado com uma mulher linda e não tinha memória. O que iria acontecer comigo agora?

Será que eu tinha trabalho?

Merda. E se tivéssemos filhos? E eu não me lembrar deles?

Como eu seria um pai?

Comecei a me sentir enjoado e me remexi na cama, tentei subir mais meu corpo, mas não consegui. Virei meu rosto e encarei minhas pernas cobertas pelo lençol ainda mais confuso.

Tentei mexer meus dedos, meu pé, girar o tornozelo qualquer coisa, mas não consegui.

— Quando o efeito da anestesia vai passar? — perguntei agoniado — Não consigo me mexer direito.

— O senhor não está anestesiado, sr. Cullen, mas pode ser efeito do sedativo ainda — o médico se aproximou e tirou o lençol de cima das minhas pernas — Tente mexer seus dedos — pediu e eu tentei.

Fiz uma força extracorpórea tentando mexer meus dedos, meus pés, minha perna, qualquer coisa mais não consegui.

Como se elas tivessem vontade própria não quisessem se mexer. Ou pior, eu nem conseguia sentir que eles estavam ali.

Não. Isso não podia estar acontecendo.

Dr. Aro pegou algo do bolso e passou no meu pé.

— Sente isso?

— Não, não sinto nada — minha voz saiu mais aguda e alta do que esperava.

A mulher ao meu lado arfou.

E eu percebi que tudo poderia ficar bem pior.


Notas da Autora:

Vocês comentaram tanto no prólogo que tive que vim aqui dá mais um gostinho dessa história para vocês, espero que continuem gostando ;)

A ideia de fazer uma fic com o Edward paralitico surgiu quando eu escrevei a fic da Bella cadeirante, uma menina comentou dizendo que iria gostar de ver uma história que o Edward voltasse a andar e então depois de muito imaginar isso em outros plots, conseguir encaixar nessa fic, então o Edward vai sim recuperar os movimentos das pernas.

Percebi pelos comentários que muitos estão criando uma expectativa alta com essa fic, mas quero falar que ela vai ser bem diferente, ao menos os personagens não vão ser como vocês estão acostumados ok? Ninguém aqui é realmente bonzinho além do Edward e da Bella, e outros, não quero que se decepcionem depois. Por exemplo: Carlisle mesmo não vai ser como estamos acostumados, a Esme já vai ter falecido na história, só não quero que se decepcionem e depois venham reclamar. Mas espero que gostem e acompanhem a história, estou animada com ela e quero dar meu melhor para vocês com essa história.

Por enquanto são só esses os avisos hahaha se gostarem semana que vem eu volto com mais, ok?

Logo vamos saber mais, comentem e me digam o que estão achando... Será que Edward e Bella tem filhos? O que será que aconteceu para o Edward ter sofrido o acidente? Como será que se iniciou essa relação deles? Será que Bella realmente fez algo que mereça o perdão do Edward? Muitas perguntas e prometo que elas serão respondidas.

Aguardando ansiosa os comentários de vocês e quanto mais comentarem, mais rápido sairá o capítulo

beeijos