Encarei a imagem refletida no espelho demorando para piscar. O reflexo que via ali era de um completo desconhecido. O homem que eu encarava tinha cabelos curtos em um tom estranho, parecido com cobre, olhos eram claros de um tom de verde, o nariz parecia meio torto e os lábios finos. Alguns arranhões no rosto estavam se cicatrizando. Por mais que olhasse para aquela imagem, ainda não conseguia acreditar que aquele era eu.
Não sei o que esperava sentir quando encarasse minha imagem, mas não sentia nada ao ver aquele desconhecido na minha frente.
Era segunda manhã depois do dia que havia despertado. Passei o dia anterior fazendo exames atrás de exames e me consultado com o dr. Aro que foi o médico que me atendeu quando cheguei acidentado aqui. Consultei-me também com um neurologista, uma ortopedista, um fisioterapeuta e uma psicóloga.
Tinha sido diagnosticado com paralisia nas pernas e amnésia traumática. Sequelas do grave acidente de carro que sofri. Disseram que meu carro capotou umas oito vezes pelo menos antes de parar, mas ninguém soube explicar o que ocasionou o acidente. Eu estava sozinho no automóvel.
Disseram que era sortudo por estar vivo. Mas não sei que sorte era essa, se eu estava sem andar e sem minhas memórias. Onde estava sorte ali? Em ao menos poder controlar minha vontade de ir ao banheiro? E não precisar usar um cateter?
Graças a Deus por isso. Já era humilhante o bastante pensar no que tinha acontecido enquanto estava em coma induzido.
Meu eu no espelho parecia chateado, seu cenho franzido. Lembrei da mulher que veio ali quando acordei e nunca mais tinha aparecido. Com certeza deveria ter fugido. Como iria querer ficar comigo sabendo que não lembrava dela ou sem poder andar?
Eu não a julgava por isso, mas parte de mim estava triste. Não éramos casados? Não fizemos votos de estar juntos na saúde e na doença? Nem isso conseguia saber. Talvez, nosso casamento fosse só de fachada. Talvez nem nos amassemos de verdade, então porque casaria com alguém se não a amasse?
Senti um aperto no peito, o cheiro dela ainda parecia real na minha mente. O jeito que ela disse que me amava. Será que era tão boa atriz assim? Será que eu a amava? Como era nosso casamento? Como a tinha conhecido? Era tantas perguntas e nenhuma resposta.
Escutei uma batida na porta, mas não me mexi pensando ser alguma enfermeira e continuei encarando o homem no espelho.
Vi por ele a porta atrás de mim se abrir e para minha surpresa quem entrou foi ela. Não sei por que meu coração acelerou, nos encaramos através do espelho. Ela estava ainda mais bonita e arrumada, parecendo mais descansada. Usava uma calça jeans, botas e uma blusa colada sem decote, mas que deixavam evidentes seus seios enormes.
Não pude não ficar surpreso. Eles eram enormes. Bem grandes mesmo e desproporcionais ao seu corpo, que era pequeno com curvas suaves. Será que eram naturais ou silicone? Me perguntei. Engoli em seco a olhando.
— Oi — ela sussurrou.
— Oi — repeti empurrando minha cadeira e me virei para ela.
— Como você está? Eu trouxe roupas e algumas coisas para você — notei uma mala pequena que ela puxava.
— Obrigado — agradeci desviando meus olhos do dela.
Por que ela tinha que ser tão bonita? Algo nela me atraía e não sabia dizer direito o que sentia.
— Você se lembra de mim? Quer dizer quando acordou, eu cheguei aqui e...
— Eu me lembro disso, nós somos casados mesmo?
— Sim — deu um pequeno sorriso.
— Há quanto tempo?
— Pouco mais de um ano, nos conhecemos pouco depois que se tornou deputado.
— Deputado? — meu cenho se franziu.
— Sim, você é deputado e na verdade estava começando a se lançar para concorrer a vaga de senador nas próximas eleições —eu arfei. — Mesmo jovem você é um dos mais cotados para o cargo.
Um político?
Não sabia dizer se aquela era uma coisa boa ou ruim. Podia não me lembrar, mas sabia que essa espécie não era confiável. Achava engraçado saber de algumas coisas que tecnicamente não deveria saber como: como o corpo funcionava, que precisava comer, banhar, mas sobre mim não lembrava nada.
— Eu... eu não sabia. Você pode falar mais sobre mim? — perguntei ansioso e curioso.
— Claro. Posso me sentar? — Indicou para a poltrona que estava perto da maca.
— Sim — eu empurrei a roda da cadeira e me aproximei dela.
— O que quer saber?
— Quantos anos eu tenho?
— 32, seu aniversário foi em junho.
— Eu não tenho família? Pais? Irmãos? Ninguém nunca veio me visitar — perguntei e percebi um flash de raiva passar nos olhos dela.
— Tem — falou simplesmente.
— Onde estão? — ela suspirou.
— Você tem um pai vivo, sua mãe morreu há alguns anos.
— Onde ele está?
— Eu... eu não sei Edward, vocês não mantem um bom relacionamento — admitiu por fim.
— Oh, por quê? — perguntei chocado. Por que eu não me relacionaria direito com meu próprio pai? Minha mãe estava morta, mesmo que não me lembrasse dela fiquei triste com essa informação.
— É difícil explicar... — mordiscou seu lábio e percebi que tinha muito mais ali naquela história.
— Sr. Cullen, Sra. Cullen vejo que estão conversando. Como está se sentindo? Alguma dor? — Dr. Aro entrou no quarto interrompendo nossa conversa.
— Não — respondi apenas.
— Eu já mandei os resultados de seu exame para um amigo que é especialista em casos como o seu. Liguei para ele e ficou de me dá uma resposta até semana que vem, por enquanto não temos mais nada a fazer a não ser esperar.
— E ficarei preso aqui? — encarei aquela cadeira com amargura.
— Por enquanto sim, você deve continuar a fisioterapia motora em casa, para aprender a lidar com sua nova condição.
— E minha memória eu vou ter de volta?
— Cremos que sim, mas não há um tempo exato para isso, pode demorar dias ou anos. Pode se consultar com um especialista em memória também e ele passar exercícios para ajudar a se lembrar.
— Anos — repeti com desprezo por aquela palavra, não queria passar esse tanto de tempo sem parte de mim — E que boa notícia você tem?
— Avaliamos todos seus exames, sua atividade cerebral está normal, não há sangramento, ou inchaço. Como está estável, fazendo suas necessidades e se alimentando normalmente. Amanhã assinarei sua alta. Se quiser posso recomendar um fisioterapeuta.
— Não precisa, conhecemos um — Bella respondeu rápido.
— Bem... Qualquer coisa é só chamar a enfermeira. Amanhã volto aqui para dar sua alta. Até mais — se despediu.
Eu bufei frustrado quando ele saiu.
— Vai ficar tudo bem, Edward — ouvi uma voz suave dizer.
Soltei um riso irônico.
— Bem? Eu estou preso nessa cadeira e nem memória eu tenho. O que vai ser de mim agora? Para onde eu vou? Eu não sei nada sobre minha vida.
Bella levantou da poltrona e se agachou ficando quase da minha altura naquela cadeira. Para minha surpresa tocou suas mãos nas minhas e percebi como elas ficavam bem juntas. Sua mão era pequena e quente sobre a minha, uma aliança dourada se destacava. Senti um choque percorrer meu corpo com seu toque, ao menos nas partes que ainda sentia. Seus olhos de perto pareciam ainda mais castanhos, brilhando na luz que vinha da janela e pude sentir aquele cheiro delicioso que vinha dela.
— Você tem a mim, nós somos casados Edward, não vou sair do seu lado.
Balancei a cabeça.
— Você é jovem e bonita, não vai querer ficar presa cuidando de mim.
Ela balançou a cabeça.
— Não diga bobagens, Edward Anthony. Eu prometi estar com você na saúde e na doença, quando nos casamos. E não faço isso por causa de uma promessa, faço isso porque eu te amo e se fosse ao contrário eu sei que você faria o mesmo por mim. Eu... eu sei que não se lembra e não vou cobrar nada de você, mas eu me lembro de nós dois e do nosso amor. Não vou desistir de você, vamos superar isso juntos, ok? Então você só fecha a boca e diga: obrigado, Bella.
— Obrigado, Bella — obedeci — Acho que posso ver por que me casei com você — completei.
Ela deu um sorriso se levantando e imediatamente senti falta de seu toque.
É, eu acho que ela me conquistou de novo naquele momento.
Notas da Autora:
Oii amores, estou tão feliz que estejam animadas com essa fic, hahaha
Os capítulos não serão grandes, mas espero que gostem.
O que acharam desse? Edward já está ficando caidinho com a Bella né hahaha
Semana que vem eu volto com mais, não esqueçam de dizer o que estão achando.
Beeijos
