Eu deveria estar louco.
Tinha saído vinte minutos mais cedo do trabalho e estava do lado de fora do prédio que morava, com medo dela passar antes do horário de ontem. Eu deveria ser um trouxa por estar esperando encontrar aquela mulher.
Eu nem ao menos sabia o nome dela. Mas sabia que ela tinha mexido comigo de um jeito que a muito tempo nenhuma outra mulher tinha mexido.
Eu não conseguia parar de pensar nela desde ontem. Da forma que nos vimos a primeira vez aqui na rua em frente ao meu prédio e principalmente depois com ela dançando no pole dance mostrando uma desenvoltura que me deixou doido, dela tirando suas roupas para mim e rebolando em meu colo.
Nem preciso dizer que precisei tomar o banho mais gelado da minha vida, depois disso.
Eu não sabia para onde aquilo iria me levar, mas sabia que queria aquela mulher para mim, não estava me importando com mais nada naquele momento. Precisava saber quem ela era, sobre a vida dela.
E então finalmente ela apareceu, depois de dobrar a esquina. Usava uma calça jeans de cintura alta, com uma blusa folgada e sem decote, mas que mesmo assim evidenciavam seus seios. Queria deitar minha cabeça neles e abraçá-la.
Ela parou quando me viu e eu não conseguir não sorrir para ela. Ficamos nos encarando por alguns segundos, nossos olhos conectados um no outro, antes de eu me aproximar lentamente.
— Então, será que pode finalmente me dizer seu nome?
— Bella e você? — respondeu.
— Edward, quer tomar um café? — gesticulei para a cafeteria que ficava do outro lado da pista.
— Sim — respondeu apenas.
Felizmente o sinal tinha acabado de fechar e atravessamos andando um ao lado do outro, junto com vários pedestres. Escolhi uma mesa, mais ao canto e me sentei de costas para as pessoas, não queria ser reconhecido e interrompido por alguém. Uma garçonete veio e fizemos nossos pedidos. Pedi um café forte e Bella pediu um capuccino.
— Então...
— Olha eu não sei o que está pensando, mas saiba que não vou deixar se aproveitar de mim. — falou séria.
Eu balancei a cabeça.
— Por que acha que eu faria isso?
— Porque é o que a maioria dos homens fazem, principalmente quando sabem que eu sou uma stripper — sussurrou desviando seus olhos rapidamente dos meus, parecendo envergonhada.
— Mas você não faz programas.
— Por isso mesmo, eles acham que é mais fácil ainda.
— Eu nunca faria isso — disse rápido — Eu só me interessei por você antes mesmo de que a visse a noite. Me interessei assim que vi você esperando um táxi e me arrependi de ter deixado você partir sem pedir ao menos seu número ou perguntado seu nome.
Bella me encarou por um momento. A garçonete chegou e nós dois agradecemos ao mesmo tempo. Demos um gole em nossa bebida, sem tirar os olhos um do outro.
— Então por que você não faz programas?
— Eu nunca faria isso, eu virei stripper por necessidade.
— Por quê?
Ela suspirou.
— Eu nem te conheço, por que deveria contar minha vida para você?
— Qual é? Eu não sou um homem ruim... confia mim — pedi e levei minha mão a dela a acariciando. — Só quero te conhecer melhor.
Bella me encarou por um longo momento e depois nossas mãos unidas, ela tirou sua mão da minha a colocando debaixo da mesa.
— Tive uma vida bem difícil, mas para resumir — começou suspirando — meu pai me abandonou com minha mãe, quando tinha dois anos. Minha mãe se casou de novo, mas morreu em um acidente de carro quando tinha dezesseis. Meu pai foi encontrado em uma cidadezinha pequena no estado de Washington e fui morar com ele. No começo não nos damos bem, eu não conseguia perdoá-lo por nunca ter me procurado, mas ele parecia arrependido por tudo. E então no último ano do colegial eu planejava ir para Nova Iorque com uma amiga quando ele descobriu um câncer de pulmão. Eu fiquei ao lado dele e o perdoei por tudo. Foram quase dois anos de luta, antes dele morrer. Eu me vi sozinha no mundo e decidi vim para Washington atrás da minha amiga que estava aqui, ela disse que tinha um trabalho ótimo e ganhava super bem. É claro que nunca me disse que era stripper, foi ela quem me apresentou a James e ele me ofereceu serviço. Eu não queria aceitar, tentei de todas as formas achar outro emprego, mas como nunca aparecia nada e eu não tinha dinheiro nem para comprar comida, James me convenceu a ser dançarina para ele e aceitei desde que nunca fizesse programas.
Eu estava chocado com a história de Bella. E surpreso. Fiquei feliz de ela confiar em mim para contar isso.
Imaginei como teria sido difícil para ela ficar ao lado do pai enquanto ele lutava contra uma doença horrível, mesmo quando ele não foi um pai para ela no começo de sua vida. Com essa informação eu soube então que Bella era uma boa pessoa. Ela o tinha perdoado e aproveitado alguns anos com o pai antes de perdê-lo. Isso era triste.
Senti um aperto no peito ao lembrar da relação com meu próprio pai.
— Sinto muito pelos seus pais — murmurei com pesar.
— Está tudo bem, já faz tempo — bebeu novamente de sua bebida.
— Mas sempre dói — levei minha mão ao seu rosto e afastei uma mexa do cabelo de seu colocando atrás de sua orelha, quanto mais a tocava, mas queria ficar tocando-a.
Parecia que tinha um magnetismo forte que nos atraia, nossos corpos estavam tão inclinados um para o outro, deixando apenas a mesa nos separar.
— Você perdeu seus pais? — perguntou e vi a curiosidade em seus belos olhos castanhos.
— Podemos dizer que sim — respondi, sentindo aquele familiar aperto no peito ao lembrar deles — Minha mãe morreu anos atrás de acidente de carro, nunca conheci um casal tão apaixonado como era ela e meu pai. Mas Carlisle nunca superou a perda dela, no começo ele não queria fazer nada mais da vida, entrou em uma depressão profunda, tive que assumir o lugar dele na empresa da família e interditá-lo, fazia o possível para ajudá-lo, mas nada funcionava. Então um ano depois da morte dela ele mudou completamente, se tornou um homem frio e vazio. Começou a agir como um adolescente só se importando com festas e mulheres. Nós não temos uma boa relação desde então — expliquei resumidamente.
Eu sempre me considerei um garoto sortudo, meus pais se amavam muito e cresci querendo construir uma família como eles tinham. Carlisle e Esme eram tudo para mim, eram meu porto seguro. Eu amava ouvir os conselhos de sabedoria que Carlisle me dava e amava quando minha mãe me provocava sobre minha relação com Liz, mas ela entendia e ficava feliz de eu ter uma mulher que me amasse como se fosse filho dela. Acho que no fundo ela sentia que um dia eu precisaria muito de Liz. Depois que tudo tinha acontecido Liz que tinha me ajudado muito me apoiando e não me deixando desistir de nada.
Era difícil pensar nos meus pais. Em como minha mãe tinha morrido repentinamente, em como meu pai nunca superou essa dor e se tornou um homem totalmente diferente do que eu tinha conhecido.
Eu sempre o tive com meu melhor amigo, mas ele nunca conseguiu superar a dor que a morte da minha mãe causou nele. Se fechou completamente, agora era um homem frio e mesquinho. Nós vivíamos brigando, eu sabia que mamãe não estava contente com tudo que ele fazia e doía em mim ver o que ele tinha se tornado. Até Liz que sempre amiga dos meus pais, não conseguia entender o que tinha acontecido.
— Isso é triste — ela murmurou e eu assenti.
— Então você mora aqui perto? — mudei de assunto querendo tirar aquele clima pesado.
— Não. Na verdade, eu estava em experiência em uma loja aqui perto e decidiram me contratar. Vim assinar o contrato hoje e vou começar segunda — ela respondeu e abriu um grande sorriso que iluminou seu rosto e esquentou meu coração.
Acho que me senti completamente pego nesse momento. O sorriso dela era lindo e real. Ela com certeza deveria ter sofrido muito com a vida que levava e mesmo assim estava sorrindo.
Eu admirava pessoas assim, que por mais que passassem dificuldades e tinham uma vida sofrida, não se deixavam abalar e acreditavam que tudo iria melhorar. Talvez, não fosse meu ponto de fala esse assunto, nunca tinha passado uma dificuldade na vida, mas eu sempre tentei ajudar aqueles que passavam.
— Isso é demais! O que vai fazer?
— Não é muita coisa, vou ficar em treinamento durante um tempo e vou ganhar bem menos do que ganhava como dançarina, mas vou conseguir viver.
— Então não vai mais trabalhar no clube? — perguntei surpreso, já tinha planejado de ir ao clube de novo para vê-la dançar.
— Não, ontem foi minha última noite. Você foi minha última dança, na verdade.
Não pude impedir uma parte de mim que ficou feliz com aquela notícia. Ia abrir a boca para falar algo, mas um homem nos interrompeu.
— Oi, desculpa interromper, mas você é Edward Cullen, não é?
— Ah, sim sou eu — dei um sorriso educado.
— Cara, eu sou seu fã e apoio todas suas ideias, principalmente sua luta contra a desigualdade e seu plano de contingência. Posso tirar uma foto com você?
— Claro — respondi me levantando.
— Pode tirar para mim? — perguntou apontando para Bella que parecia confusa, mas assentiu e pegou o celular tirando a foto.
— Muito obrigado cara — ele disse e eu o cumprimentei com um aperto de mão.
Voltei a me sentar na mesa.
— Você é Edward Cullen o deputado? — Bella cochichou, como se fosse um segredo, assim que ele saiu.
— Hum. Sim.
— Ah meu Deus! Eu achei que conhecia de algum lugar. Acho que já te vi no noticiário — respondeu parecendo surpresa.
— É, de vez em quando apareço por lá — dei de ombros.
— Posso confessar uma coisa? — perguntou depois de dar outro gole em sua bebida e pensar.
— Claro.
— Acho isso tudo muito chato.
— O que?
— Política, leis sabe. Nunca votei na vida, eu sei que é uma coisa importante, mas sei lá... — ela se interrompeu constrangida e então eu rir.
— Poxa, esperava que você votasse em mim na próxima eleição, talvez eu concorra ao senado — pisquei.
— Acho que para você posso abrir uma exceção — disse e nos entreolhamos.
Merda.
Eu precisava dessa mulher e pelo olhar que ela estava me dando eu podia perceber que ela também me queria. Ela bebeu outro gole de sua bebida e depois passou a língua em seus lábios lentamente.
Peguei minha carteira e puxei uma nota colocando na mesa.
— Vamos? — estendi minha mão me levantando.
Bella a pegou sem hesitar e a puxei para fora da cafeteria. A minha mão grande envolveu a mão pequena e macia dela, com firmeza, senti que aquelas mãos eram para estar juntas. Paramos na entrada vendo que chovia.
Estávamos tão envolvidos um no outro que não tínhamos percebido antes.
— Vai dizer que tem medo da chuva? — ela me olhou arqueando sua sobrancelha.
— Pensei que você tivesse — respondi.
— Então — ela tirou sua mão da minha e saiu correndo.
A segui rindo e atravessamos a pista.
Quando chegamos a calçada, não me aguentei mais e a puxei lentamente fazendo-a parar. Levei minha mão seu rosto e um trovão soou no céu nublado.
Mas eu me vi completamente rendido a ela.
A chuva, os carros passando, nada importava.
Nossos rostos foram se aproximando lentamente e eu esperei vendo se ela me afastaria, mas ela aproximou mais ainda sua boca da minha. Ali debaixo da chuva trocamos um beijo lento e cheio de desejo. Nossos lábios se tocaram suavemente primeiro experimentando, depois se abriram e deslizei minha língua para boca dela encontrando a sua, chupei seu lábio, pressionando seu corpo no meu. Senti meu corpo todo se arrepiar de prazer.
Eu poderia ficar beijando aquela mulher para sempre.
Mas o folego se fez necessário e quebramos o beijo ofegante e dando um selinho.
— Você quer ir para meu apartamento? — perguntei ainda roçando minha boca na dela.
Bella assentiu, lambendo meu lábio.
Juntos saímos dali.
Notas da Autora:
Olá, como estão? Espero que bem, eu já estou ficando super ansiosa para Midnight Sun hahaha TÁ PERTO SOCORRO kkkkkkk
O que acharam desse capítulo? Espero que tenha gostado. E para quem ficou na dúvida o Edward ainda NÃO está se lembrando, ok? Isso é só para vocês entenderem como eles se conheceram, depois volto para o presente de novo
Acho que o próximo capítulo só vai vim depois que eu ler MS hahaha a não ser que comentem muito ;)
comentem amores, no próximo o hot vem e o que acharam da história deles dois?
beeijos e até o próximo
