N/A: Bem, consegui escrever antes do que eu esperava :3 Então aqui está meu presente de ano novo para vocês. Queria agradecer muito à Netunus, que escreveu 10 comentários ontem entre a Love Shuffle e How to Save a Life, fez meu dia! xD Meninas muito obrigada por comentarem, elogiarem, darem ideias, isso faz com que a escrita seja muito mais satisfatória!

ps.: Para Jay, com carinho.


Love Shuffle

Capítulo 6 – Not So Simple


S

Genma enterrou o rosto no vale dos seios dela, sentindo a pele quente e suada contra sua barba por fazer. Respirou fundo, tentando fazer a respiração voltar ao normal e escutou como o coração dela batia alto e enlouquecido em seu peito.

Quando Ino ligou, há quase duas horas atrás, ele não pensou que acabariam assim, nus e exaustos em sua cama. Mas quando Ino entrou no carro e lhe beijou daquele jeito desesperado e apaixonado, nenhum dos dois pensou que talvez devessem evitar o inevitável.

Ino acariciou seus cabelos com os dedos finos e longos e suspirou, cansada e satisfeita. Ela não queria ter feito aquilo, mas o desejo que sentia por aquele homem era muito mais forte do que ela.

A verdade era que ela queria Genma para si, queria ele de verdade ao seu lado. Mas ao mesmo tempo, compreendia que seu temperamento mimado e infantil atrapalhava tudo.

Aquele jogo não passava de uma mentira que ela tinha que superar para poder ter o que tanto desejava. E ela sabia que mesmo assim as possibilidades de realmente ter um relacionamento sério com ele era poucas.

Enquanto seus dedos traçavam caminhos incertos no cabelo dele, ela sentiu uma solidão estranha inundar seu peito. O fato de que Genma estava usando o jogo como um pretexto para tê-la longe era forte demais para ignorar. Seria uma mentira pensar que Genma queria o mesmo que ela, e isso lhe fazia sentir um frio estranho na barriga.

Ela estava no jogo.

Ela precisava lidar com aquilo de maneira realista.

Ela tinha que começar a jogar.

Ino se espreguiçou e beijou de leve os cabelos castanhos dele, sentindo o cheiro de Genma lhe gerar uma sensação quente no peito.

- Eu comprei um apartamento – ela disse casualmente e o homem a olhou intrigado.

- Como assim?

- Era uma surpresa – ela respondeu, levantando os ombros de leve e vendo-o se sentar entre suas pernas – me entregaram as chaves hoje.

- Uau – ele comentou surpreso – como foi isso?

- Bem, eu quero sair da casa dos meus pais e achei que seria bom ter minha própria casa já que você nunca me convidaria para morar com você... – ela acrescentou certo sarcasmo na voz e ele sorriu.

- Você é uma caixa de surpresas – Genma disse, afastando os cabelos loiros do seio dela, raspando o dedão sobre o mamilo rígido, fazendo-a respirar profundamente.

Ino se levantou e pegou o roupão roxo pendurado atrás da porta. Haviam tantas coisas suas na casa dele que talvez alguém pensasse que ele não morava sozinho.

- Como foi com a Sakura? Ela me disse que ia ver o jogo com você e Kakashi.

Ele bufou.

- Bem, Kakashi ficou puto da vida porque Naruto falou para ele sobre o jogo.

Ela riu e se sentou de novo na cama, vendo-o esticar o corpo nu e postar as mãos atrás da cabeça, convidativo.

- Ele costumava me dizer que você não passava de um pervertido.

Genma estalou a língua e a olhou com intensidade.

- Eu sou.

- Eu sei – ela disse divertida – deve ser por isso que eu gosto tanto de você...

- Sua pervertida – ele disse, rolando o piercing nos lábios e tocando a coxa exposta dela com a ponta dos dedos.

- E a Sakura? – ela perguntou, tentando soar casualmente.

Ele deu de ombros e massageou a perna dela com mais intensão.

- A gente deveria estar falando dela agora mesmo?

- Não sei, deveríamos? – ela moveu os cabelos para fora do roupão, ajeitando-os sobre os ombros.

- E Neji?

- Nós almoçamos hoje.

- E...?

- Eu acho que ele não gosta muito de mim.

- Ele seria besta se não gostasse.

- Eu ouvi dizer que ele teve um rolo com o Uchiha.

- Sasuke? – ele perguntou surpreso.

- Nah, Itachi.

Genma se sentou na cama.

- Itachi transa com qualquer coisa que se mexe – ele disse com desdém.

- Talvez eu devesse me mexer na frente dele então.

O homem a encarou seriamente e Ino riu. Genma a observou.

Ino era linda, podia dizer que até era especial demais para coloca-la naquele jogo, mas estava muito incerto do futuro. Ino ainda era uma menina; gia como uma menina mimada e achava que podia fazer tudo o que quisesse, nem o céu era o limite para ela.

A perspectiva de estarem num relacionamento sério, de assumir publicamente que era seu "namorado", aquilo era rápido demais. Ele nem tinha certeza de quão compatível eles eram. E ela ainda tinha dito que o amava.

A palavra pesava em suas costas mais do que ele gostaria. Fazia quantos anos que não tinha uma namorada? Ele nem saberia responder aquilo. Ino era o mais sério que tivera durante os últimos anos, ele só não tinha certeza se queria que esse fosse seu destino final. Genma tinha suas dúvidas sobe Ino realmente ser a mulher perfeita para ele.

Assentar-se, ter filhos, construir uma família... Tudo aquilo era assustador demais, era sério demais para ele. Mas ele sabia que era aquilo que ela gostaria. Genma não podia impedi-la de ter aquilo, não podia prendê-la para depois lhe negar uma família.

E por mais que Ino não passasse de uma mimada metida e atraente, ela era uma garota muito especial e cheia de nuances que poucos conseguiam ver, mais além de ser a filhinha de papai que tinha tudo o que queria.

- Talvez ele seja gay – ele comentou, fugindo de seus próprios pensamentos.

- Itachi?

- Não, Neji.

Ela considerou a possibilidade. Talvez devesse perguntar para Hinata.

Bem, poderia ser verdade. Neji nunca tinha tido uma namorada pelo que ela se lembrava. Era bonito, interessante, inteligente e extremamente rico. E o cabelo...

- Talvez o cabelo o delate – ela disse rindo.

- Ei! – ele jogou o travesseiro contra ela e passou a uma mão nas madeixas castanhas indignado.

- O teu não é tão comprido ou sedoso quanto o dele – ela falou, movendo-se – Pronto para o segundo round?

Ela se sentou no colo dele e desfez o nó do roupão.

- Eu nem sei por que você vestiu isso – ele disse sacana, deslizando o roupão pelos ombros dela.

- Pra você ter alguma coisa para tirar – ela murmurou, beijando o ombro dele.

- Hm, gostei disso – ele puxou o roupão e o jogou para o chão, pegando-a pelas pernas e a encaixando melhor contra seu corpo.

I

Sakura estava sentada tomando sua primeira cerveja quando Kakashi entrou no bar e saludou o barman, aproveitando para pedir uma cerveja. Ele estava vestindo uma calça cinza e uma camiseta cacharrel preta, contrastando com os cabelos cinzentos.

O homem a avistou e sorriu, andando em sua direção com uma cerveja já em mãos.

- Hey, Sakura-chan – ele disse, sentando-se na frente dela.

- Oi sensei – ela sorriu para ele e observou como o homem se ajeitava melhor na cadeira, parecendo levemente incômodo.

- Como você está?

- Bem – ela falou, tomando um gole da bebida e passando o menu para ele.

- Já pediu algo?

- Não, estava te esperando.

O homem fez que sim e olhou a lista de comidas, achando isso extremamente interessante.

- Ne, sensei, não faz isso.

Kakashi a encarou desconfiado.

- Isso o que?

- Se esconder atrás de alguma coisa que você possa ler.

Ele sorriu, seus olhos formando uma meia lua e o coração dela se esquentou. Kakashi sempre tinha sido assim, desde o colégio. Senão gostava de algo ou se alguma coisa o incomodava ele sempre se esquivava atrás dos livros de literatura.

- Tá bem – ele pousou o menu e a olhou seriamente – eu sei porque você me chamou, mas não precisava.

- Mas você estava super chateado comigo ontem – ela disse.

- Eu não estava super chateado com você. Eu estava bravo com o Genma, ok.

- Por minha causa.

- Não.

- Sensei... – ela pressionou e o homem bufou, passando uma mão pelos cabelos.

- Sakura, o Genma não passa de um conquistador barato – ele disse firme – Não posso fazer nada sobre ele e Ino, mas eu te conheço, Sakura, e depois de tudo o que você passou com o Sasuke, a última coisa que eu te desejo é que caia nas garras do Genma.

- E se eu quiser cair? – ela perguntou petulante.

Kakashi segurou a cerveja com força. Aquilo era extremamente incômodo, ele não deveria ter ido.

- Você já tem idade para fazer o que quiser – falou, sem olhá-la.

- Mas eu não quero que você fique bravo por causa disso – ela reclamou, gestualmente pedindo outra cerveja para um garçom.

- Você não vai comer nada? – ele perguntou, pegando o menu outra vez – a carne aqui é muito boa...

- Pode ser, eu como qualquer coisa – ela disse, um pouco emburrada – Mas você não vai conseguir fugir do assunto...

- Sakura... – ele a encarou sério e chamou o garçom, pedindo dois pratos diferentes para compartilhar.

Quando o garçom se afastou, depois de deixar a cerveja dela na mesa, Sakura decidiu mudar o método de abordagem.

- Sensei, você é uma pessoa muito importante para mim. Você sabe disso.

Ele tomou o resto da cerveja de um gole só e sinalizou para o garçom trazer outra.

- Eu sei.

- Então eu preciso que você entenda que eu só quero tirar o Sasuke da minha cabeça.

- E cair em outra furada que nem o Genma.

- Pode ser o Genma, o Shikamaru, o Neji...

- Todos eles estão jogando?

Sakura o olhou e viu certo desgosto nos olhos escuros de seu antigo professor.

O garçom trouxe outra cerveja.

- Você tá chateado por não estar no jogo? – ela brincou.

Kakashi revirou os olhos.

- Sakura, eu gosto muito de você, mas hoje você está parecendo a menina birrenta que eu conheci quando você tinha 15 anos.

Ela riu. Kakashi a conheceu numa época realmente bizarra. Foi quando Sasuke disse que não gostava dela pela primeira vez.

- Ta bem – ela suspirou e bebeu mais da sua cerveja – Eu só queria dizer que esse jogo é um pretexto para eu tentar me abrir para o mundo outra vez.

Kakashi se moveu na cadeira.

- Certo.

- E eu gostaria que você entendesse que eu vou jogar pra valer.

- Ou seja, que você vai se enrolar com o Genma – ele sintetizou, cruzando os braços.

- Bem, se eu me sentir atraída por ele sim.

- Meu deus, eu não quero ter imagens mentais dos meus alunos e meu melhor amigo – ele reclamou, fechando os olhos.

- Enfim. Eu tenho 27 anos, as pessoas da minha idade transam e tem relacionamentos, oras!

- Céus! – Kakashi escondeu os olhos nas palmas das mãos.

- Kakashi – ela chamou, fazendo-o afastar os dedos para olhá-la por entre os dedos – você não disse que ia me ver como mulher? Então, eu te convido a tentar fazer isso.

Uma sensação gelada percorreu o corpo de Kakashi. Ele tinha passado parte da noite passada pensando nisso. Pensando em como Sakura, Naruto e Sasuke eram adultos agora e que a distância que os separava antes já não era tão grande agora.

Afinal o que são 12 anos de diferença?

- Essas coisas não acontecem da noite para o dia, Sakura...

- Eu sei. Por isso eu estou te convidando a tentar.

A comida chegou e eles estiveram uns minutos em silêncio, servindo-se e provando os pratos.

- A carne aqui é realmente boa – ela disse, comendo um pouco mais.

- Eu disse.

Eles conversaram sobre a comida e sobre como o dono do bar era um dos grandes amigos de infância de Kakashi. Ele contou sobre sua época de colégio e de como tudo parecia ter acontecido ontem, mas ao mesmo tempo parecia ter sido em outra vida.

- Você estudava com o Genma?

- Se você ficar falando sobre ele, eu vou embora.

- Mas eu só perguntei!

- Sim, a gente tinha algumas aulas juntos.

- E vocês são amigos desde essa época?

- Sim.

Sakura sorriu. Kakashi falava muito pouco da sua época de adolescente. Ela sabia que era porque ele tinha tido péssimas lembranças. Era algo ligado à perda do seu melhor amigo e também de uma antiga namorada.

- Ne, sensei, você não tem nenhuma namorada? – ela perguntou curiosa.

Kakashi pousou os talheres e a encarou outra vez.

- Você tá falando sério?

- Tá bem, eu não pergunto mais nada – ela disse com chateação e voltou a comer.

O homem continuou olhando-a durante um tempo e limpou os cantos dos lábios com um guardanapo.

- Não, Sakura, eu não tenho nenhuma namorada – ele disse a contragosto, vendo-a sorrir e beber mais cerveja.

- Por que?

Kakashi fez uma careta.

- Por que não.

Ela riu. Kakahsi era um saco às vezes.

- Que resposta, heim. Para um professor de língua e literatura você é bem pouco comunicativo às vezes.

- Eu não sou muito bom com relacionamentos de longo prazo – ele explicou, pedindo mais duas cervejas.

- Então você é como o Genma.

- De onde você tirou isso?

- Oras, se você só não é bom com relacionamentos de longo prazo é por que você é bom com relacionamentos curtos. Tipo o Genma.

- Eu não vou discutir minha vida amorosa com você.

- Por que eu sou uma menininha? – ela perguntou, afastando o prato.

O garçom retirou os pratos e copos vazios e trouxe as outras duas cervejas. Enquanto Sakura o olhava firmemente.

- Porque eu não falo disso com ninguém.

- Você deveria – ela comentou, bebericando sua nova cerveja – Você é um homem bonito, trabalhador, estável, não vejo motivos para ter problemas de relacionamentos...

- Olhe só – ele riu – Você é bonita, trabalhadora e estável, também não vejo motivos para ter problemas de relacionamentos...

Eles se encararam e Sakura sentiu uma dor estranha no peito.

Era verdade.

- As coisas nunca são tão simples, Sakura.

Ela concordou, olhando para a mesa, perdida em pensamentos. Se as pessoas não são simples, um relacionamento nunca é simples.

- Você tá certo, desculpa.

Ele ficou quieto.

Ambos permaneceram a sim por um tempo, sem dizer nada. Vendo como o bar ia enchendo e as pessoas começavam a falar mais alto.

- Você vai dar aulas amanhã? – ela perguntou casualmente.

- Só de tarde.

Ela concordou com a cabeça. Amanhã ela também entrava de tarde e faria plantão até de madrugada.

- Por que?

- De repente senti saudade do colégio – ela falou e sorriu.

Kakashi sorriu. Sakura tinha sido uma aluna exemplar. Suas redações, provas e trabalhos sempre lhe faziam se orgulhar do trabalho feito em sala de aula. Ser professor era algo que lhe inundava de uma satisfação estranha. Era sua maneira de poder aportar algo ao mundo.

Quando Sakura, Naruto, Sasuke, Ino, Shikamaru e Hinata estavam no colegial, durante aqueles poucos anos, ele havia experimentado as mais diferentes sensações. Foram seus primeiros anos como professor.

Lidar com todos eles era assustador, inusitado e satisfatório ao mesmo tempo. Todos com suas personalidades e problemas, descobrindo o que realmente era a vida, naqueles primeiros anos quando todo ser humano se sente perdido e, ao mesmo tempo, começa a se descobrir.

Ele se espreguiçou na cadeira e a observou. Sakura era uma boa menina. Bem, uma boa mulher. Ela tinha passado por um montão de coisas também e não era mais que natural que ela quisesse se perder um pouco para tentar se encontrar, já passava da hora.

- Eu vou tentar, Sakura-chan.

- Tentar o que? – ela perguntou animada.

- Eu vou tentar te ver como mulher – ele cedeu, apoiando o cotovelo na mesa e o queixo contra sua mão.

Ela imitou o movimento dele, apoiando o rosto na mão e sorrindo contente.

- E como você vai tentar fazer isso?

- Eu estou tentando agora mesmo – ele falou baixo, observando os olhos expressivos dela, a maneira como seus lábios eram rosados e levemente cheios, sem exageros. E como as sobrancelhas finas faziam com que seus orbes extremamente verdes ficassem proeminentes.

- Você tá conseguindo? – ela perguntou ansiosa, sorrindo de leve, fazendo-o olhar como os lábios dela se moviam e mostravam parte de seus dentes com delicadeza.

- Acho que um pouco.

- E o que você está vendo?

Ele refletiu.

Kakashi estava vendo uma mulher atrativa e inteligente a sua frente. Uma mulher que com certeza estava sofrendo há muito tempo por causa de um coração partido por um garoto que não gostava ela.

- Eu estou vendo uma mulher muito bonita prestes a ir para casa dormir.

Sakura riu. Seus cabelos rosa bebê caindo sobre seus olhos e os afastou rapidamente. Seus olhos brilharam intensamente.

- Tá sendo uma experiência muito difícil? – ela perguntou baixinho.

- Não – ele disse rápido, sem pensar, sentindo o álcool da cerveja fazer seu corpo se sentir confortável – é até agradável.

- Que bom – ela falou simples e piscou, molhando os lábios num movimento automático que o fez olhá-los com mais intensidade – Então eu já posso começar a perguntar coisas sobre relacionamentos ou é melhor você se acostumar mais comigo sendo uma mulher?

Kakashi riu, ajeitando-se na cadeira e balançando a cabeça.

- Talvez num futuro a gente converse sobre isso– ele brincou e acenou para o garçom, pedindo a conta.

M

Quando Naruto levou Temari de volta para casa, eles conversaram sobre como a amizade dele e Sasuke tinha ficado cada vez mais distante ao longo dos últimos dois anos.

Talvez fosse porque Naruto estava tão envolvido em seu relacionamento com Hinata, que não havia muito espaço para Sasuke além das horas de trabalho que compartilhavam no quartel e as atividades da polícia que faziam muitas vezes em conjunto...

Naruto não parava de falar sobre ela e de seus planos com Hinata, era mais do que natural que o amigo ficasse de saco cheio. Mas o Uzumaki não conseguia evitar, era sua maneira de ser, assim como ele falava sem parar sobre Sakura quando eles eram adolescentes.

A amizade tinha se desgastado e, olhando agora, ele percebia como grande parte daquilo era sua culpa.

Uma sensação estranha escorreu por seu corpo.

Sasuke tinha sido seu melhor amigo por tanto tempo... Mesmo com as competições, as brincadeiras, as sacanagens e as gozações, Sasuke compreendia o que era se sentir sozinho e, a partir daquilo, eles tinham construído uma amizade forte e profunda que nunca ninguém chegaria a entender.

Mas agora... Bem, agora as coisas estavam tão superficiais e distantes que Naruto nem se lembrava de quando tinha sido a última vez que tomaram uma cerveja juntos, ou que jogaram Counter Strike.

O passado o atingiu como ondas amargas, era um sabor de saudade que lhe fazia sentir dor. Eles passavam tanto tempo juntos, dividindo os momentos bons e ruins e se apoiando um no outro, enquanto jogavam vídeo game e sobreviviam de ramen e molho de tomate.

Tinha sido uma adolescência agridoce, mas ele sempre se lembrava de Sasuke como um dos pilares principais para que ele chegasse a ser o homem que era hoje.

Seus passos de repente o levaram a um bairro mais afastado. O bairro onde passara mais dias de sua juventude do que em qualquer outro lugar da cidade. Ele observou as edificações. Muitas casas tinham sido reconstruídas depois do incêndio que acabara com toda a família Uchiha, sendo Itachi e Sasuke os únicos sobreviventes.

Partes do bairro ainda permaneciam inabitadas. Ele e Sasuke costumavam desbravar as casas em ruínas. Às vezes a dor era forte demais e Sasuke ficava muito tempo calado, sem demonstrar nenhum sentimento além de uma apatia profunda que fazia Naruto querer chorar.

Ele entendia que era muito diferente ter perdido os pais num acidente de carro aos poucos meses de vida e perder seus pais depois de ter construído um relacionamento de carinho e afeto. Sasuke tinha lembranças, e essas lembranças faziam tudo ainda mais difícil.

Naruto se perguntava se Sasuke era um bastardo amargo por causa daquilo, ou se ele era um bastardo amargo porque assim conseguia se proteger do mundo.

Parecia difícil entender como Sasuke tinha mudado tanto nos últimos anos, como ele tinha passado de um cara esnobe para um filho da mãe que sacaneava Sakura o tempo todo. Aquilo tinha ajudado para que a amizade se desgastasse, Naruto ficava indignado com Sasuke o tempo todo.

Afinal, Sakura também tinha sido amiga de Sasuke. Eles eram bons amigos durante o colegial...

Naquela época, Naruto e Sasuke sabiam tudo um do outro, mas agora...

O loiro bufou, encarando a casa a sua frente.

Agora Sasuke nem sabia que ele tinha pedido Hinata em casamento, ou que ela tinha dito que não. Eles tinham se distanciado tanto que a amizade que eles tinham no passado parecia um sonho antigo.

Ele subiu os degraus da entrada e olhou a porta grande de madeira. Talvez Temari estivesse certa. Talvez Sasuke tinha algum segredo que o fazia agir daquela maneira. Talvez Naruto não deveria ter se afastado tanto.

Afinal, eles eram família, a família que a vida tinha lhes permitido ter.

Naruto apertou a campainha, ouvindo o som agudo ecoar dentro da casa. As luzes estavam acesas e o cheiro de incenso o fez se sentir acolhido e pequeno.

Sempre havia incensos acesos naquela casa. Itachi e Sasuke mantinham o ritual de acender os incensos diariamente, pela alma de todos os familiares que haviam morrido. Naruto até tinha um pequeno espaço para seus próprios incensos, ele costumava acendê-los pelas almas de seus pais.

Ele tinha se esquecido de como o cheiro era acolhedor e intenso.

A porta se abriu e Sasuke o olhou.

O moreno estava vestindo uma calça moletom confortável e uma camiseta velha do X JAPAN. Eles não paravam de escutar X JAPAN quando eram adolescentes.

- Naruto? – ele perguntou, estranhando a visita repentina.

O loiro sorriu, um pouco sem graça e coçou a nuca. Seus olhos de repente ficaram entristecidos e a mistura do cheiro de incenso, o som de um solo de guitarra conhecido, e a visão de Sasuke daquele jeito tão informal lhe fizeram se sentir perdido e sozinho.

Ele não conseguiu dizer nada, apenas mordeu o lábio com força. Era uma sensação estranha de voltar a casa.

- Tá tudo bem? – o moreno perguntou, dando um passo a frente e olhando a rua vazia.

Naruto não visitava sua casa a tanto tempo que Sasuke achou que algo errado tinha acontecido.

Sasuke o encarou atentamente, sem colocar aquele monte de defesas e ironias no meio. Ele observou como a expressão triste de Naruto fazia o homem parecer mil vezes mais novo, como quando haviam começado a ser amigos e Naruto não passava de um órfão que vivia na casa de seu padrinho.

- O que foi? – ele perguntou de novo, soando estranhamente preocupado e amigável.

Naruto sentiu os olhos arderem.

Ele tinha sentido falta de Sasuke. Desse Sasuke que tinha sido parte importante de sua vida, que tinha lhe acolhido e compartilhado dores irreparáveis.

As lágrimas se acumularam no canto de seus olhos azuis.

Eles precisavam conversar.

Temari estava certa, talvez ele devesse se aproximar de novo do seu amigo e reconstruir aquilo que eles tinham perdido no meio do caminho.

- Você tem ramen e molho de tomate? – ele perguntou, com a voz embargada, secando uma lágrima fujona com a manga da camisa.

- Eu sempre tenho – Sasuke disse e sorriu com pesar. Fazia tempo que eles não se viam fora do quartel – Entra, vou preparar algo pra gente comer.

P

Quando Hinata acordou, os raios de sol inundavam o quarto numa aura clara e energizante. Ela sentiu o corpo aquecer com sentimentos puros e acolhedores.

Era a primeira vez que ela se sentia em paz quanto à sua família.

Ela sorriu e escondeu o rosto no travesseiro.

Ontem tinha sido uma noite muito agradável com Neji. Eles tinham conversado até tarde sobre assuntos diversos e decidido que tentariam ser mais amigáveis um com o outro.

Ela queria ligar para ele para agradecer pelo chá e pela conversa, mas a sensação de que aquilo era demais lhe fez corar de vergonha.

Hinata estava tão feliz que não cabia em si.

Queria repetir aquilo mil vezes, queria poder ir tomar chá com Neji todos os dias da semana e aproveitar por todo o tempo perdido que tiveram no passado. Neji era muito diferente quando não estava vivendo dentro das mil e uma normas da família, da empresa, do sobrenome e do sangue que corria por suas veias.

A jovem se levantou e andou até a penteadeira ao lado da janela. Ela começou a pentear seus cabelos longos e negros como a noite, vendo como eles brilhavam com a luz do sol.

A escova acariciava os fios e os alinhavam, fazendo com que caíssem suavemente sobre seus ombros em cascatas delicadas. Ela olhou o celular vendo que ainda eram às 7h30 e pensou que mandar uma mensagem não seria tão pedante assim, então digitou devagar, pensando bem nas palavras que usaria.

"Niisan, temos que tomar chá juntos mais vezes. Muito obrigada, foi uma noite muito agradável! :) "

Ela enviou a mensagem e sorriu nervosa. Tomara que Neji não se importasse por ela estar mandando uma mensagem tão cedo. Será que ela estava parecendo muito insistente?

Ontem ela também tinha dito aquilo, além de ter agradecido mil vezes antes de ir para sua casa dormir.

Ela foi até o armário e começou a escolher a roupa que usaria hoje. Não tinha nada de especial para fazer já que ontem mesmo tinha elaborado a lista de compras para as empregadas e selecionado qual seria o cardápio da janta.

A verdade é que sua vida era um tremendo tédio. Eles também tinham falado sobre isso ontem e Neji a tinha animado a se envolver mais com a empresa, se ela tivesse interesse.

Hinata não sabia muito sobre negócios, mas ela era boa lidando com pessoas.

Mais de uma vez tinha pensado em regressar à universidade. Sabia que nas empresas a psicologia organizacional estava crescendo e que talvez assim pudesse colaborar um pouco com o legado de sua família.

Ela escolheu um conjunto azul marinho e uma camisa de seda perolada. Não sabia bem, mas tinha uma estranha vontade de estar bonita. Talvez fosse porque da noite para o dia, tinha descoberto que a família não era apenas seguir as ordens de seu pai e escutar sua irmã caçula, Hanabi, reclamar sobre a universidade.

De repente a família era poder conversar com Neji abertamente e se sentir compreendida.

Era uma pena que ele já não tomasse café com eles, como fazia no passado...

Ela tomou banho e se vestiu, começando a passar uma maquiagem suave quando seu celular vibrou.

Seu coração deu um solavanco e ela sorriu animada, correndo para pegá-lo sobre a cama. Então leu:

"Você quer participar de uma reunião sobre como anda a preparação para a festa de aniversário da empresa amanhã de tarde? Seria muito útil. Podemos repetir o chá depois disso, hoje será impossível."

Hinata sorriu e sentiu uma ansiedade imensa inundar seu peito de repente.

Claro que queria! Ela era ótima com eventos!

Seus dedos tremiam quando ela digitou uma resposta.

"Eu adoraria! Pode me mandar algum documento sobre isso ainda hoje, para me inteirar melhor? Nos vemos amanhã."

Seu dia tinha começado bem. De repente, sua vontade de atravessar o dia rapidamente e acordar amanhã aumentou e ela não conseguia aguentar a ansiedade de participar de algo da empresa.

E que Neji lhe havia convidado...

Aquilo era tão inédito que ela encarou a janela incrédula.

As coisas podiam ser diferentes. Ela precisava contar para Naruto!

O celular vibrou e ela leu a mensagem rapidamente.

"Enviei as informações por e-mail. Amanhã às 17h passo para te buscar. Tenha um bom dia."

Ela sorriu contente e abriu o e-mail para se certificar de ter recebido o documento. Depois disso lhe desejou um bom dia e viu um e-mail de Ino, que lhe havia mandado às 7h10.

"Hinata-chan~~ ohayou~~!
Você tem planos para o almoço? Queria conversar com você, o que acha de almoçarmos naquele restaurante italiano perto do hospital às 13h?
Fico aguardando tua resposta!
Beijos, Ino :3
"

Hinata respondeu o e-mail, achando ótimo ter o que fazer hoje, já que não tinha combinado nada com Shikamaru. Assim o tempo passaria mais rápido e ela poderia aguentar a ansiedade até o dia seguinte.

Ela precisava ligar para o Naruto.

Sem pensar duas vezes, ela digitou o número automaticamente. Ele certamente já estava acordado, se preparando para ir trabalhar.

- Hinata? – ele respondeu com uma voz sonolenta e ela sentiu borboletas voarem dentro de sua barriga.

- Naruto, ohayou – ela falou baixinho, sentindo vergonha de falar com ele depois de ter decidido entrar no jogo.

- Você está bem? – o loiro perguntou do outro lado da linha.

- Sim! – ela sorriu para o aparelho e se sentou na cama – Neji-niisan me convidou para ajudar com as preparações da festa da empresa.

- Uau! – ele riu rouco e um calor agradável a fez se derreter um pouco – Isso é ótimo! Como aconteceu isso?

- Ontem tomei chá com ele, foi muito agradável... Nós conversamos como nunca.

- Isso é incrível! Ótimo vocês estarem se dando bem, as famílias tem que estar mais unidas, não acha? – ele exclamou contente.

- Acho... – ela sentiu um aperto forte no peito. Eles deveriam ser uma família. Eles iam ser uma se ela não tivesse dito não e os empurrado para dentro daquele jogo louco – Como você está?

Hinata ouviu vozes do outro lado da linha, como se Naruto não estivesse sozinho e seu peito doeu. Será que ele estava com Temari?

De repente o sol pareceu não aquecer como antes.

- Eu vim ver o Sasuke ontem. Fazia tempo que eu não o visitava, então dormi aqui – Naruto explicou, falando algo para as pessoas que estavam com ele – Itachi e Sasuke estão mandado bom dia para você – ele disse rindo.

- Que bom, Naruto. Vocês também estavam muito distantes ultimamente...

Ele concordou com um som rouco e então suspirou.

- Você não está apaixonada pelo Shikamaru, está? – ele perguntou baixinho.

Hinata riu. Sua voz saindo suave e divertida.

- Não – disse simples e o escutou cantarolar uma espécie de hino da vitória.

- Eu sinto sua falta – Naruto disse baixinho, ela percebeu como ele abafava a voz para que ninguém escutasse.

Hinata quis chorar. Por que mesmo ela estava fazendo aquilo? Ela tinha realmente alguma dúvida de que aquele homem era o homem de sua vida?

Ela era uma completa imbecil.

- Hina, tenho que ir. Qualquer coisa você me liga, tá bem? – ele falou apressado e ela disse que sim – Eu te amo muito, princesa.

- Eu também, tenha um bom dia – ela murmurou com a voz trêmula e cortou a ligação.

Céus. Eram tantas coisas acontecendo ao mesmo que ela não tinha nem tempo de entender aquele monte de sentimentos se formando como uma bola no fundo da garganta.

Mas ela ia se manter firme. As coisas não eram tão simples, mas se o amor deles era forte o suficiente, aquele jogo só seria uma prova de que era para sempre.

L

- Shikamaru, o que você sabe sobre o Uchiha? – Temari perguntou, sentando-se no sofá ao lado do namorado com sua caneca de café fumegante.

- Ele é um babaca.

A mulher riu e apreciou o perfil de Shikamaru enquanto ele matava alguns zumbis com uma série de botões do controled do videogame. O som dos tiros do jogo ecoaram pela sala e ela ficou pensativa.

Quem conhecia Uchiha Sasuke mais que Naruto?

Talvez apenas o próprio irmão, mas ela não tinha nenhuma conexão com Itachi, além de um breve conhecimento sobre a empresa de advocacia que ele tinha e alguns amigos em comum, que também não eram muito próximos.

- Por quê?

Ela olhou o namorado e o viu dar pause no jogo.

- Eu e Naruto queremos descobrir o segredo dele.

- O segredo dele é que ele é um grande babaca – ele disse e acendeu um cigarro.

- Por que você acha que ele faz essas coisas com a Sakura?

- Porque ela deixa.

- Shikamaru... – ela repreendeu e ele largou o controle no sofá.

- Temari, o cara é um filho da mãe. Até a Sakura sabe disso, o problema é que ela é outra babaca.

Ela revirou os olhos. Era obvio que um montão de mulheres era como Sakura, que estavam de quatro pelo cara errado e não conseguiam sair daquele círculo vicioso.

Mas devia haver algo mais.

- Você se lembra de algum trauma que ele pode ter tido?

- Bem, ele perdeu os pais num incêndio quando era criança...

- E você acha que pode ter alguma conexão?

Shikamaru soltou a fumaça pelo nariz e encarou o teto. O sol iluminava a sala levemente, dando um ar matinal agradável.

Traumas como aquele podiam afetar a maneira como uma pessoa se relaciona com os outros. Ele não tinha dúvidas disso, mas saber porquê ela era o alvo principal das maldades de Sasuke, bem isso ele não saberia dizer.

- Eu acho que ele deve ter muitos problemas, Temari. Esse tipo de coisa gera cicatrizes muito mais profundas do que a gente imagina.

- Mas por que a Sakura?

Ele encarou a namorada, vendo os cachos formarem uma moldura selvagem ao redor de seu rosto ríspido.

- Eu não faço ideia...

Ela mordeu o lábio e a testa formou um vinco diante de sua preocupação. Ele não sabia por que Temari estava tão interessada naquilo.

- Talvez seja porque ele não sabe lidar com afeto, e ela lhe da afeto – ele disse tentativamente.

- Mas ele não é assim com Naruto, e acho que é o único grande amigo que ele tem...

- O vínculo que ele tem com o Naruto é mais profundo, Temari. Os dois perderam os pais cedo demais e talvez ele encontre aí certa compreensão que ninguém mais poderia lhe dar.

- Você acha que pode ser isso? – perguntou, seus olhos se iluminando com a possibilidade de uma resposta.

Shikamaru sorriu, ele adorava aquilo em Temari: sua curiosidade por tudo e sua gana por descobrir o que havia por debaixo das entranhas das pessoas. Talvez eles tivessem aquilo em comum, aquela facilidade de ver por debaixo da epiderme daqueles que lhe rodeavam.

- Explique-se – ele demandou.

- Bem, ele e Naruto tinham uma amizade muito forte, e o fato de Sakura ser amiga dos dois e ficar se enfiando entre eles para tentar roubar a atenção de Sasuke poderia ser algo que lhe gerava um risco.

- Poderia... – aquilo fazia certo sentido... Sua cabeça começou a conectar lembranças da adolescência que ele quase não se lembrava mais – Eu lembro que o Naruto era fascinado por ela, mas a Sakura só falava do Sasuke o tempo todo, e Sasuke a odiava. Ela sempre aparecia do nada nos dias que Naruto e Sasuke combinavam de jogar videogame... Era como se ela quisesse aquela realidade para ela, mas o Sasuke nunca a deixava realmente entrar, embora Naruto estava sempre contente em tê-la por perto...

- Então você acha que ele está descontando? Mas não faria sentido... Por que, ele não faz nada com a Hinata, e ela certamente roubou grande parte da atenção do Naruto, não acha?

- É diferente, o Naruto nunca esteve com a Sakura. Bem, eles até tentaram, mas não deu certo.

- Shikamaru, tem alguma coisa faltando – ela disse, se ajeitando melhor no sofá – A Sakura atrapalhava a amizade dele com o Naruto, mas o Naruto parecia não ver problema nisso. Depois o Sasuke tentou ter um relacionamento com a Sakura, certo? – ele fez que sim – Mas não deu certo e eles se separaram.

- Mas isso foi quando o Naruto já estava com a Hinata.

- Como assim?

- O Naruto e a Hinata começaram quando eles estavam na academia de polícia, mas ou menos na mesma época que o Sasuke ficou sério com a Sakura, e pouco tempo depois disso ele começou a ser um cuzão.

- Quando o Naruto já estava sério com a Hinata?

- É, quando ele se apaixonou mesmo por ela – ele disse.

De repente, as fichas começaram a cair rapidamente na cabeça de Shikamaru e seus pensamentos aceleraram.

- Hnm, eu ainda acho que estão faltando peças aqui – ela disse, esticando as pernas sobre a mesinha de centro.

A compreensão fez com que Shikamaru engolisse seco.

- Merda.

Temari olhou o namorado com atenção.

- Que foi?

Shikamaru acendeu outro cigarro e se levantou.

- Você esqueceu alguma coisa?

O homem andou em círculos, sua cabeça parecia que ia explodir.

- Temari, não é tão simples – ele disse sério.

Como ele nunca tinha pensado naquilo?

E


N/A: Gente, super feliz ano novo para todas vocês! Muito obrigada pelos reviews! Espero que tenham gostado desse capítulo ;D

QUERO COMENTÁRIOS COM CONTEÚDO! ME CONTEM O QUE ESTÁ ROLANDO NAS MENTES SAFADINHAS DE VOCÊS, POIS ISSO FAZ COM QUE EU ME INSPIRE E ESCREVA MAIS RÁPIDO ;)

Nos vemos em 2015 :P Alguém já tem ideias do que está por vir?

love, Tai