N/A: queria avisar que começou a putaria. I'm not sorry :D
Love Shuffle
Capítulo 7 – I don't mind
GenSaku - NaruTema - NejiIno - ShikaHina
Fazia anos que ele não se sentia assim. Em algum momento ele tinha se esquecido de como sua amizade com Sasuke era profunda e libertadora. Como um suspiro suave no meio de uma tempestade de dores e inseguranças.
Naruto tinha comido seu ramen com molho de tomate e escutado Crucify my Love, enquanto Sasuke o observava silenciosamente.
Demorou um pouco até que ele se sentisse a vontade para começar a falar. Mas quando começou, não encontrou forças para parar, despejando seu coração de maneira honesta, e seus sentimentos fluíram por entre seus lábios como uma torrente de água incansável.
Sasuke o escutou atentamente, sentados no sofá da sala, bebericando da lata de cerveja e ouvindo X JAPAN soar suavemente como música de fundo. Era como um flashback vívido de uma época onde o vínculo que compartilhavam não se havia fraturado ou desgastado.
Então Naruto contou sobre Hinata ter dito não, sobre estarem dando um tempo, sobre sentir um medo aterrador de perdê-la, de ser incapaz de formar uma família e ser feliz. Ele disse tudo o que podia, sem tocar no assunto do Love Shuffle ou Sakura. E Sasuke o escutou com serenidade, oferecendo um aperto simples em seu ombro e um olhar de compreensão, sempre com um sorriso entristecido nos lábios.
- Nós sempre soubemos que a vida não seria fácil – Sasuke disse baixinho, permitindo que Naruto apoiasse a cabeça em seu ombro como um menininho perdido, o mesmo menino perdido que ele encontrara durante a infância.
- Quando eu aprendi amá-la tanto quanto ela me amava, eu achei que as coisas seriam fáceis – Naruto sussurrou com pesar e suspirou – Eu não imaginava que ela pudesse deixar de me amar...
Sasuke estalou a língua e passou um braço pelos ombros do amigo, compreendendo aquela dor estranha de ficar só. De ser sozinho para sempre, sem nunca achar um caminho certo e um lar para onde voltar.
- As pessoas amam de maneiras diferentes – ele comentou, olhando a mesinha de centro e as latas vazias de cerveja.
Naruto refletiu brevemente sobre aquilo. Fazia sentido, cada um teria sua própria história, suas dificuldades, medos e desejos, e aquilo era incontrolável e imprevisível. Assim como a atitude de Hinata tinha sido.
- Quem diria que você teria palavras assim para falar sobre amor... – riu-se, caçoando de Sasuke com uma risada fraca.
Sasuke revirou os olhos, de repente se sentindo muito cansado.
- Baka – disse sem maldade – Você quer acender incensos?
Naruto sorriu e se moveu para longe dele, sentando-se na ponta do sofá e encarando o amigo.
- Mesmo? – perguntou, levemente comovido com a ideia.
- Claro, teu espaço para os incensos continua no mesmo lugar – Sasuke sorriu e se levantou.
- Seria ótimo... – Naruto sorriu agradecido e seguiu o amigo.
M
Hinata chegou um pouco antes no restaurante e pediu uma mesa próximo à janela, para que aproveitassem o sol que ainda tinham, afinal, quando o fim do outono chegasse o sol daria lugar ao frio.
Depois de pedir um chá e observar as pessoas passarem pela rua, Hinata pensou em que roupa deveria colocar para o dia seguinte. Estava tão ansiosa com a possibilidade de colaborar com a empresa de sua família, que um nervoso estranho lhe fazia o estômago congelar.
Tinha lido o relatório sobre a festa e feito algumas anotações. A reunião seria apenas um fechamento, já que os convites tinham sido enviados e a festa seria em menos de dois meses. Eles discutiriam o cardápio uma última vez, os uniformes e a organização final das mesas, acrescentando algumas pessoas que foram convidadas de última hora.
Era tão excitante que ela se sentia uma menininha.
Era patético.
Ela suspirou e bebeu o chá com calma, esperando que Ino chegasse. Ela não fazia a mínima ideia do que a loira tinha para conversar. Elas sequer eram muito amigas, na verdade Hinata tinha criado um ótimo vínculo de amizade com Sakura, já que ela era a melhor amiga de Naruto, mas Ino não estava tão presente em sua vida, embora tivessem tido uma amizade bastante acolhedora no colégio.
Foi quando a loira entrou no restaurante, usando um vestido de corte reto lilás e meias finas negras. Ino era muito bonita, não tinha aquele ar mulherão como Temari, mas era certamente muito feminina e atraente.
Hinata se perguntava se algum dia seria capaz de andar daquele modo seguro de si e sensual. Nem que fosse sozinha com Naruto em um quarto fechado...
Um rubor leve tingiu suas bochechas com a simples ideia de estar sozinha com Naruto e ela sentiu saudade, levantando-se rapidamente para cumprimentar a amiga e mudar rapidamente o fluxo de pensamento.
- Hinata-chan! – Ino sorriu, dando-lhe um abraço e se sentando na cadeira enfrente à da morena – Adorei o conjunto! Azul marinho combina com você – comentou, pendurando a bolsa e o casaquinho leve nas costas da cadeira.
- M-muito obrigada – disse timidamente, sentindo-se corar outra vez, ela era terrível lidando com elogios.
O garçom se aproximou e anotou seus pedidos.
- E então, como anda tua semana? – perguntou a loira, sorrindo agradável.
Hinata sorriu contente e começou a lhe contar sobre a reunião que teria amanhã. Sobre como aquilo seria algo novo para si e sobre estar muito contente de Neji tê-la convidado.
- Pelo jeito o jogo está sendo ótimo, não acha? – Ino comentou, assim que o garçom trouxe seus pratos – É uma oportunidade de melhorar as amizades.
- É verdade... Eu ainda me sinto um pouco estranha sobre, você sabe, Naruto estar saindo com Temari e a possibilidade de que eles tenham... algo...
Ino suspirou. Realmente, Temari era o grande perigo naquele jogo.
- Embora eu duvide muito que ela troca Shikamaru por qualquer um dos rapazes, eu tenho certeza de que ela se aproveitaria muito bem do tempo que tem com cada um deles...
- É... – Hinata sentiu uma ansiedade estranha lhe possuir. A ideia de perder Naruto era tão desconfortável que ela duvidou de novo sobre sua atitude em coloca-los no jogo.
- E Shikamaru? Vocês já saíram?
- Ah, sim. Fomos ao parque fazer um piquenique.
- E como foi? – Ino se debruçou um pouco sobre a mesa e sorriu curiosa, fazendo Hinata rir um pouco nervosa.
- Foi divertido, mas sinceramente Shikamaru me parece apenas um bom amigo.
Ino concordou com a cabeça, comendo um pouco de sua lasanha com tranquilidade. Shikamaru definitivamente tinha entrado naquele jogo para a vida ser menos entediante, ele certamente não teria interesse em nenhuma delas.
- É difícil competir com Temari...
- Sim – Hinata concordou, rindo. Temari era realmente de outro mundo, qualquer homem cairia por ela – E você, Ino-chan, já saiu com Neji?
- Ah – ela suspirou – Bem, nós almoçamos ontem... Mas acho que ele não vai muito com a minha cara.
- C-como assim? Você é uma mulher tão bonita!
Ino sorriu, era bom escutar aquilo de vez enquanto.
- Parece que eu não faço muito o tipo dele.
- E qual é o tipo dele? – ela perguntou, cogitando aquela dúvida pela primeira vez na vida.
Ino deu de ombros e comeu um pouco mais.
- Eu sempre achei que ele e Tenten estivessem juntos, mas como você sabe eu e Neji nunca fomos muito amigos, então nunca falamos sobre isso... – Hinata disse com certo pesar e Ino se perguntou se a Hyuuga seria capaz de tirar suas dúvidas ou não.
- Bem... Você sabe, - falou com seriedade – Eu ouvi dizer que ele e... Hinata isso pode soar desagradável, mas eu preciso perguntar isso: eu ouvi que ele e Itachi, você sabe...
Os olhos de Hinata se arregalaram.
- Neji e Itachi? – perguntou perplexa.
Será?
Seu primo era muito bonito, interessante, inteligente e tinha uma fortuna, mas mesmo assim nunca em toda a vida ele tinha falado para a família que tinha uma namorada.
- Pois é... – Ino observou a amiga, um pouco apenada de se aquilo seria um grande problema – Mas eu também não tenho certeza, por isso queria perguntar se você sabe de alguma coisa. Por que, se ele não está interessado por causa disso, então eu entenderia, mas se o problema sou eu...
Seus olhos se desviaram um pouco e pousaram na vista que tinham da rua.
Se o problema fosse ela, então a realidade era outra. Talvez ela não fosse tão bonita e atraente como diziam, e não apenas Genma não queria um relacionamento com ela, mas outros homens tampouco tinham interesse...
- Ino, não diga isso. Você não pode ser o problema – Hinata disse apressada – Imagine! Eu... não sei. Se Niisan é... bem... homossexual, então faria muito sentido. Na verdade faria tanto sentido que isso é um pouco assustador.
Elas ficaram em silêncio e Ino se lembrou sobre as reações de Neji sobre Hinata sujar o nome da família.
- Seria um problemão... – Ino murmurou e a morena assentiu.
- As coisas em casa seriam muito complicadas para ele... Talvez, se isso for verdade, talvez seja por isso que Neji nunca apresentou ninguém, ou deu sinais de estar interessado em alguém.
Um arrepio frio desceu por sua espinha.
- Meu deus, coitado – ela falou baixinho. A vontade de comer morrendo imediatamente – Ia ser tão duro, meu pai enlouqueceria.
- Esperemos então que não seja isso – Ino disse, tentando confortar a amiga – Talvez seja porque ele está buscando alguém que não esteja interessado nele apenas pelo dinheiro e pela beleza, talvez ele queira algo mais profundo.
- Ah! – Hinata exclamou, se lembrando de algo – Sakura-chan comentou que eles ficaram uma vez! – ela se agarrou àquilo como se fosse uma raiz forte e segura – Vai ver ele só não está muito confortável com o jogo, Ino.
- Pode ser... Vai ver ele é bi... – ela riu baixinho e Hinata a acompanhou.
A verdade era que, agora que ela tinha tido uma visão diferente de Neji, ela não duvidaria de nada. Talvez Neji tivesse mais segredos do que ela imaginava.
- Vocês vão sair mais vezes? – perguntou curiosa.
- Sim, na sexta feira – Ino respondeu, bebendo seu suco – Vamos ao The Catch.
- Uau, talvez num ambiente assim algo diferente possa acontecer – ela disse sorridente. Ino era uma moça legal, ela gostaria de tê-la na família, seria como um ar fresco e livre, um raio de sol na penumbra fria que era a casa dos Hyuuga.
- Vamos ver! – Ino se sentiu ansiosa de repente - E você, vai sair de novo com Shikamaru?
- Sim, vamos passar a tarde de sexta juntos. Com a reunião de amanhã eu acabei tendo que desmarcar nosso encontro, mas ele compreendeu.
De repente seus pensamentos voltaram para Naruto.
- Você sabe algo sobre o Naruto e a Temari? – perguntou timidamente.
- Na verdade não... Mas acho que ele não faz muito o tipo dela, é como se fosse um menininho com um mulherão, não faz muito sentido.
- É... Eu espero que não faça... – Hinata disse com pesar.
- Como você tá lidando com o jogo? Você acha que seria capaz de... ultrapassar alguns limites?
O rosto da Hyuuga queimou com força. Suas bochechas ficaram coradas e ela respirou rapidamente, fazendo Ino rir.
- N-não! E-eu... sinceramente... oh – ela suspirou, sorrindo envergonhada – Naruto f-foi meu primeiro... Desde primeiro beijo até... – ela ruborizou mais – Desculpa Ino, eu sou péssima falando sobre essas coisas.
Ela se desculpou, limpando o canto dos lábios. Perguntando-se se realmente poderia beijar outro homem, ou fazer outras coisas. Seu coração bateu mais forte.
- Eu tenho sorte – falou, tentando se acalmar e se agarrar àquelas palavras – Shikamaru é um bom rapaz, mas é apenas um amigo. Genma-san não faz meu tipo – disse apressada, como se se desculpasse – ele me dá um pouco de medo, e nervoso! – ela sorriu nervosa – E Neji é meu primo, então eu apenas estou exposta a diferentes tipos de homens, para ter certeza de que Naruto é realmente o homem da minha vida.
Ino assentiu. Realmente, Hinata não tinha muitas possibilidades. Mas pelo menos aquilo estava abrindo mais seus olhos para a realidade que a cercava.
- Bem, Neji seria o único que realmente me atrairia... Shikamaru é quase meu irmão e, bem, Naruto não faz nenhum pouco meu tipo. Assim que eu espero que Genma não me troque pela Temari ou Sakura-chan, já que você não está interessada nele.
Hinata concordou.
- Bem, esperemos que as amizades melhorem pelo menos, não é?
- Sim, esperemos pelo melhor!
I
O celular começou a vibrar no bolso de seu jaleco e Sakura o ignorou, terminando de atender sua paciente e receitando alguns anti-inflamatórios. Ainda tinha a noite inteira de plantão e só sairia às 5h da manhã. Isso porque não passavam das dez...
Um tédio profundo a inundou quando olhou para o registro e viu que, por enquanto, não tinha mais ninguém para atender. Sentou-se na cadeira do consultório e pegou o celular.
Uma ligação perdida de Genma.
Sentiu um frio na barriga.
A conversa de ontem com Kakashi a tinha tranquilizado um pouco, afinal ele tentaria lidar com aquilo de maneira mais madura e tentaria vê-la como mulher.
Era estranho pensar que seu antigo sensei a viria como mulher. Era quase bizarro, na verdade, porque para ela ele ainda era aquela figura importante que lhes ensinara muito mais do que apenas literatura, ele estivera lá durante momentos muito difíceis e os apoiara da melhor maneira que pôde.
Afinal, a adolescência não tinha sido fácil para ninguém.
Ela retornou a ligação, sentindo seu coração disparar.
- Sakura? – a voz ligeiramente rouca de Genma a faz tremer de leve.
Renda-se.
Céus.
- Ei, eu estava com um paciente, desculpe.
- Sem problemas. Você está dando plantão?
- Sim.
- Muitos doentes para você cuidar?
Sakura riu do ar brincalhão dele.
- Na verdade não. Quando tem mais gente o tempo passa mais rápido, mas parece que hoje o movimento está baixo...
- Certo, eu ia perguntar se você queria ver um filme aqui em casa ou alguma coisa assim.
- Pode ser amanhã, se você quiser...
- Combinado, nos falamos amanhã então.
Ele parecia, de repente, tão desinteressado que Sakura se sentiu besta.
- Ok! Nos vemos amanhã! – ela disse, tentando não soar muito ansiosa.
- Bom plantão, gambatte!
- Hai... – ela desligou, encarando o aparelho.
Será que ele tinha perdido o interesse? Justo agora que ela estava decidida a tentar se render...
Sakura suspirou, encarando o relógio. Pelo jeito as próximas horas seriam um saco, e agora teria que lidar com aquela sensação terrível de saber que Genma não estava assim tão interessado como parecia estar antes...
Ela mexeu no celular, mandando uma mensagem para Neji:
"Decidiu o que fazer com a Ino?"
Qualquer coisa que a tirasse daquele tédio seria ótimo. Talvez pudesse mandar alguma mensagem babaca para Kakashi...
Talvez não.
Era melhor mantê-lo num ar amistoso invés de incomodá-lo...
O celular vibrou e ela olhou a resposta.
"Almoçamos ontem. Vamos ao The Catch na sexta."
Ela riu.
"Uhh, ela vai saltar em cima de você! xD"
"Vou desmarcar agora."
"Não faça isso! Você entrou no jogo porque quis! :P"
"Eu não estava pensando coerentemente."
Ela mandou um smiley que dava gargalhada e suspirou.
"O que está fazendo agora?" perguntou curiosa.
"Lendo."
"Nerd! 8-)"
"Besta."
"Lendo o que, Neji?"
...
...
...
"Não me diga que você está lendo aqueles romances eróticos babacas que o Kakashi levava pro colégio!"
Neji mandou um emoticon revirando os olhos e ela sorriu, imaginando a expressão dele.
"Haikai."
Sério, Neji era um tremendo nerd. Quem lia haikais se não fosse para as provas de literatura? Ele era muito old fashioned.
"Bashō?" ela perguntou, quase certa de que fazia o tipo dele.
Neji enviou uma foto do livro. Era Bashō. Ela sorriu.
"Te peguei! xD"
Seu bip apitou, alertando que teria mais um paciente e ela digitou um adeus breve avisando que teria que voltar ao trabalho.
Se levantou e abriu a porta, ajeitando o jaleco no corpo e colocando alguns fios de cabelo para trás. Ainda bem que teria mais pacientes, senão era capaz de dormir na mesa.
- Sakura-sensei? – chamou uma voz rouca.
A mulher se virou rapidamente para a porta e encarou o homem.
- Genma?
Ele sorriu e entrou, fechando a porta atrás de si e trancando-a em seguida.
- O que você está fazendo aqui? – perguntou surpresa e atônita ao mesmo tempo.
- Eu comecei a sentir uma dor estranha aqui – ele colocou a mão sobre a parte da frente de seu jeans e Sakura engoliu seco – achei que era bom vir ao médico.
- Como você chegou tão rápido?
- Eu tava no carro quando te liguei – explicou, aproximando-se muito rápido dela, fazendo com que Sakura desse dois passos atordoados para trás, trombando com a maca.
- E então você decidiu entrar?
Ele grudou o corpo contra o dela e de repente a temperatura subiu muitos graus.
- Eu sempre achei divertido brincar de médico – falou baixo, correndo as mãos pelo jaleco branco dela e descendo os dedos pelas laterais até que enlaçou as mãos firmemente em suas coxas e a tirou do chão – Você quer brincar?
O hálito quente dele bateu contra seus lábios e Sakura se rendeu.
Completamente.
Seus lábios se chocaram com força e ela abriu a boca ávida pelo toque agressivo daquela língua áspera e quente.
Dentro dela tudo esquentou e derreteu, enquanto as mãos dele rumaram até suas nádegas e apertaram com força, fazendo com que ela o encaixasse melhor entre suas pernas, percebendo o calor que aquele corpo másculo emanava.
O piercing dele massageou sua língua, fazendo-a gemer na boca dele e o envolver com os braços e as pernas, reagindo ao toque, ao beijo, ao perigo que aquele homem lhe oferecia. Sentindo-se ferver por dentro.
Genma a pousou na maca, terminando o beijo e descendo a língua pelo pescoço dela, fazendo com que o metal do piercing massageasse e a envolvesse numa sensação absurda de tesão.
Ela ia acabar perdendo o sentido ali mesmo, dentro do consultório.
O homem abriu o jaleco apressado e desfez os primeiros botões da camisa dela, distribuindo uma série de beijos desesperados na pele fina e quente do decote dela, rumando apressado até tocar o bojo do sutiã com a ponta da língua, brincando com a renda verde escura.
- Genma – ela murmurou, eles não deveriam estar fazendo aquilo...
Era tudo tão apressado e quente. O que ele ia pensar dela se rendendo assim tão facilmente.
O homem baixou o sutiã, expondo os seios dela, fazendo com que os mamilos enrijecessem ainda mais com o ar frio do hospital.
- Hm? – ele perguntou, agarrando um dos seios com a mão e abocanhando o outro mamilo entre os dentes, para logo chupá-lo avidamente e acariciá-lo com o piercing, fazendo-a tremer de prazer.
- Céus...
Ele riu abafado contra a pele dela, fazendo-a arrepiar e fechar os olhos, afundando os dedos no cabelo dele e empurrando-o mais contra seu seio.
Que se danasse o que ele ia pensar dela. Eles só tinham uma semana e ela era uma mulher livre e desempedida.
Ela entendia porque Ino estava com Genma, ela entendia porque todas as mulheres sonhavam em passar uma noite com ele.
Genma soltou seu mamilo, assoprando de leve e desceu a boca pela barriga lisa dela, fazendo com que Sakura tombasse o corpo para trás e sentisse os dentes dele rasparem contra sua pele num convite indecente por mais.
O homem abriu o botão e zíper do jeans e puxou a calça dela para baixo num movimento brusco e rápido, fazendo com que a calcinha verde ficasse a mostra e suas calças se pendurassem nos tornozelos.
Ela ia ceder.
Ela queria se render.
Ela queria muito.
Ela respirou fundo e rápido e o olhou, vendo aqueles olhos a observarem com ar de predador. Mas antes que ela dissesse qualquer coisa, aquela boca insana investiu contra seu sexo ainda protegido pela renda fina da calcinha e ele mordeu.
- Ah! – ela mordeu o lábio com força, tentando evitar fazer muito barulho e sua mente colapsou.
Era muito rápido! Eles estavam indo rápido demais.
Mas, meu deus!
Ela sentiu como a língua dele lhe lambia por cima da calcinha, fazendo-a ficar tão molhada que ela já não sabia o que era saliva e o que era seu próprio tesão.
Genma abriu mais suas pernas e empurrou a calcinha pro lado com o dedo, raspando a digital com força contra seu clitóris e fazendo-a gemer com a sensação.
A língua dele fez contato com a pele delicada de seu sexo e Sakura achou que ia morrer. Era muito calor, era muito tesão. Ela ia explodir rápido demais.
Nunca, jamais, nenhum homem tinha agido daquela forma tão masculina e predadora com ela. Talvez depois daquilo ela nunca mais ficaria com um cara mais novo.
- Oh! – o gemido escapou seus lábios assim que ele começou a chupá-la com firmeza.
O piercing tocando seu clitóris com força a fazia se contorcer contra ele, os dedos enganchados nos cabelos castanhos, puxando-o mais para si.
Aquele homem a estava estimulando de um jeito que jamais tinha sentido antes.
Ela ia enlouquecer.
O calor começou a ser insuportável e sua respiração ficou laboriosa quando ele começou a lamber com mais força num contínuo sem fim misturado com chupadas firmes e intensas.
- Kami – ela murmurou, tentando se mover e buscando um meio de descer a mão até a calça dele, mas a posição fazia aquilo ser complicado – Genma – ela chamou, perdida em desejo.
- Hnm? – ele ronronou, enfiando a língua dentro dela e fazendo Sakura quase se desmanchar, empurrando uma mão contra a parede para evitar algo inevitável.
Aquele piercing estava fazendo maravilhas dentro dela. Suas pernas tremiam, bambas, sobre os ombros dele, a calça pendurada em um dos pés, enroscada no sapato.
Ele entrou e saiu dela sem parar, fazendo-a gemer e tremer e morrer de prazer umas mil vezes.
- Eu- Ah-
Sua voz engasgou no fundo da garganta quando a língua dele alcançou algo inalcançável e todo seu corpo vibrou com ondas de prazer e calor, desconexo, intenso, pulsante e ela gozou soltando um suspiro profundo e trêmulo, se contorcendo contra a boca dele até parar, rendido de prazer e tesão.
O homem se levantou, puxando-a contra si e seus lábios a beijaram outra vez. Sua língua com o gosto quente e feminino dela a fez tremer outra vez e suas mãos desceram rápidas e eficientes para desatar o cinto dele. Enfiando seus dedos para dentro do jeans e da cueca para tocar a pele quente e pulsante de seu membro.
Genma gemeu contra seus lábios e ela sentiu o calor começar a arder em suas veias outra vez, envolvendo o membro rígido dele com seus dedos e massageando com força, quase dolorosamente.
- Você é tão gostosa – ele murmurou contra seus lábios e a apertou mais contra si, sentindo as mãos dela lhe baixarem as calças o suficiente para liberar seu membro das roupas – Eu quero você...
A cabeça dela girou, seus dedos trabalharam com foça ao redor dele, seus sentidos colapsando de tesão.
Aquele homem era um pecado.
Ele não ia se importar se ela se rendesse de vez. Ele ia arder assim como ela ardera segundos atrás e aquilo era tudo o que ela queria naquele momento.
Com a garganta rouca e a excitação a fazendo ver tudo de maneira etérea, seu corpo reagiu às palavras dele, sumindo com qualquer resguardo ou vergonha que ela podia ter em se entregar para ele completamente.
- Me fode – ela pediu sensualmente, perdida em desejo, fazendo com que ambos tremessem num ardor incandescente.
O homem enfiou a mão no bolso de trás e tirou uma camisinha, afastando-se dela por um momento para abrir o envoltório com o dente e rapidamente envolver seu membro com o látex lubrificado.
Sakura não conseguia pensar, ela só conseguia sentir, e o que estava sentindo era tão sem nexo e quente, que quando Genma a penetrou ela achou que o mundo ia explodir em chamas e eles iam queimar.
Ele gemeu rouco e ela mordeu a curva do pescoço dele com força.
Genma a puxou pelas pernas, levantando-a da maca. Sakura o envolveu com as pernas e o sentiu se encaixar perfeitamente dentro dela. Seus lábios se buscaram aflitos e as estocadas geraram um som brusco e úmido no consultório, pele contra pele num apelo indecente.
Alguém podia escutar.
Algum paciente podia chegar.
As enfermeiras podiam bater na porta.
Mas que o mundo se danasse.
N
Hinata sentiu um peso intenso se acumular sobre seus ombros assim que os olhos de seu pai pousaram sobre ela. A reunião tinha durado quase duas horas e Hinata tinha colaborado rigorosamente com muitas ideias, mudanças e alguns detalhes tipicamente Hyuuga, além de adicionar comentários educados e pequenos elogios à equipe que estava trabalhando arduamente para realizar o evento.
Quando Neji a levou até a sala de reuniões, os olhares curiosos e estranhados fixaram em sua figura, como se duvidassem e contestassem o que diabos ela estava fazendo ali. A princípio o ambiente frio e hostil a fez se retrair ainda mais e baixar o olhar educadamente, sem querer passar limites invisíveis que estavam preestabelecidos antes de sua aparição.
Seu primo tinha avisado seu pai sobre a presença dela, deste modo, Hyuuga Hiashi foi a única pessoa que não levantou os olhos para encará-la com curiosidade quando ela entrou, vestindo um vestido verde escuro, scarpins e um tailleur que abraçavam seu corpo perfeitamente, dando-lhe um ar mais velho e sério do que o normal.
Alguns questionaram sua presença de maneira sutil, quase imperceptível, mas Neji havia desviado toda e qualquer insinuação de que a presença dela não era bem vinda com uma simples frase – uma frase tão potente que ninguém tinha sido capaz de negar:
- Para que essa festa esteja à altura e classe da família Hyuuga, precisamos de uma Hyuuga para ver através das possíveis imperfeições. Ninguém está mais preparado tal tarefa do que Hinata-sama, está no sangue dela.
Não havia argumento que derrubasse o dele. Quando se põe essa carta sobre a mesa e utiliza o sangue como argumento, nada é forte o suficiente para rebater tal realidade dentro da Hyuuga Corporation.
Por primeira vez, Hinata se sentiu protegida por seu sangue. Pois seu sangue ali lhe dava carta branca para falar e fazer o que quisesse.
Depois de toda a reunião, apenas ela, Neji e Hiashi permaneceram na sala.
Seu pai respirou profundamente, sentado na ponta principal da mesa e a olhou com aquele ar poderoso e hostil que sempre lhe fizera tremer. Desde muito pequena Hinata tinha aprendido a silenciar e baixar a cabeça para aquele homem, como um ritual obvio e diário, como uma maneira de demonstrar respeito e submissão.
Mostrar que ela sabia qual era seu lugar. Ela sabia que havia barreiras que não deveriam ser ultrapassadas.
E foi exatamente o que ela fez quando aquele olhar gélido e firme lhe encarou por segundos sem fim.
Suas mãos suaram frio enquanto ela encarava o tampo de mármore maciço da mesa. Uma ansiedade louca fez com que seu coração batucasse enlouquecido dentro do peito, medo correndo pelas veias.
Se ansiedade matasse, ela estava na beira do precipício, entre a vida e a morte.
A sensação de estar sendo julgada, de saber que logo viria um veredito frio e dolorido, para lhe dar uma sentença ainda mais gélida que vento glacial.
Seu pai se mexeu na cadeira, levantando-se e Hinata levantou o rosto de leve para olhá-lo. O homem colocou o terno, que estava antes pendurado no apoio da cadeira, em completo silêncio e Neji o observou pelo canto do olho, sentado a frente de Hinata.
Neji tinha usado a carta certa hoje, ele percebera, mas Hinata parecia não notar o que estava acontecendo ali.
- Hinata – Hiashi chamou, sua voz profunda e sonora, fazendo a jovem estremecer na cadeira – Você está ao mando da equipe de eventos agora.
Ela sentiu todo o ar deixar seu corpo, como se tivesse levado um soco na boca do estômago e seu rosto corou fortemente.
- S-s-sim, senhor – disse apressada, baixando a cabeça outra vez, numa profunda reverência.
- Depois da festa, veremos como realizar uma contratação adequada – ele prosseguiu, finalmente olhando-a – Não me decepcione.
Aqueles olhos tão frios e conhecidos brilharam com um carinho antes desconhecido, um lapso breve que ela se lembrava ter visto em poucas ocasiões, durante sua infância. Ela concordou com a cabeça e o viu partir sem mais despedidas, apenas um aceno seco dirigido a Neji.
Quando Hiashi saiu pela porta, todo o peso de seus ombros escorregou até o chão e ela se largou na cadeira como se estivesse extremamente cansada. Drenada. Exausta.
Ela suspirou e fechou os olhos, tentando conter uma torrente de lágrimas que não sabia explicar bem de onde vinham. Se era felicidade, ou um medo aterrador ou uma ansiedade absurda que estava tomando conta de si.
Nunca em toda sua vida seu pai havia lhe confiado algo de tal importância, muito menos algo relacionado com a empresa.
Um fluxo intenso de adrenalina correu por suas veias e ela suspirou. Sentindo o cansaço ser substituído por uma felicidade clandestina que lhe invadia como ondas de calor e satisfação. Ela teria a imensa oportunidade de demonstrar a seu pai que podia aportar algo à empresa, à sua família, ao império que seus ancestrais tinham trabalhado tão duramente para construir e que seu pai e primo mantinham com punho de ferro.
Ela sentiu o suor em suas costas, secando já frio e sorriu.
- Hinata-sama?
Hinata abriu os olhos e encarou o primo do outro lado da mesa. Ele tinha os cotovelos apoiados sobre o mármore pálido e suas mãos se uniam, dedos entrelaçados, com o queixo apoiado sobre a superfície reta que suas mãos lhe ofereciam.
Os olhos opalescentes de Neji a olhavam com curiosidade, embora seu rosto estivesse sério e seus sentimentos mascarados.
- Está tudo bem? – a voz dele a fez sorrir mais.
Se estava tudo bem?
Estava tudo ótimo. Embora seu coração ainda estivesse se sentindo atacado por uma ansiedade estranha e um medo pulsante de decepcionar seu pai.
- Acho que eu nunca estive tão bem em toda minha vida.
O ambiente que antes lhe parecera hostil, agora parecia extremamente interessante e propício para trabalhar.
Neji lhe rendeu um sorriso calmo e ele baixou as mãos ao tampo frio da mesa.
- Me alegro.
Ele viu como os olhos dela brilhavam úmidos e algo dentro de si lhe disse que ele estava caminhando pelo caminho certo perla primeira vez na vida. Vê-la daquele modo lhe gerava tal sensação de satisfação que era como se ele próprio tivesse realizado algo inalcançável.
Hinata se endireitou na cadeira, ajeitando o tailleur creme com os botões e costura em verde escuro e pousou as mãos sobre o colo. Ela não sabia como seguiriam daqui para frente.
- Eu nunca saberei agradecer o suficiente, Nii-san – ela murmurou, seus olhos brilhando de maneira terna e tímida.
- Tome isso como meu pedido de desculpas por todo esse tempo que não soube lidar com você.
Ela estudou as palavras em sua mente.
Será que Neji tinha sentido que também perdera tanto tempo que não sabia como recompensar os muitos anos de distância e competitividade?
Ela escolheu suas próximas palavras e sorriu amena.
- Tomarei isso como o início de uma bela amizade – respondeu, um sorriso franco contornou seus lábios e os olhos de Neji se abriram levemente com certa surpresa.
Amizade.
Era um território novo para eles. Ele não sabia bem como pisar naquele terreno desconhecido, mas talvez conseguiria aprender a lidar com aquilo.
- Como a reunião durou mais do que o esperado, o que acha de irmos jantar?
A proposta pareceu convincente e Hinata assentiu.
Eles se levantaram e Neji fechou os botões do terno cinza. Ela tinha reparado antes, que a cor fazia com que seus olhos parecessem ainda mais claros, quase tão claros quanto gelo, e ela se perguntou se ele fazia de propósito. Porque aquele olhar firme e frio deveria gerar um medo incrível nos funcionários da empresa.
Quando Neji se moveu até a porta, seus cabelos dançaram em suas costas, presos num rabo frouxo abaixo de seus ombros. Hinata reparou em como eles estavam longos, em como eles lhe davam um ar tão interessante que seria difícil não notar.
A viagem de carro até o restaurante foi agradável e eles comentaram sobre os pontos altos da reunião. Hinata discorreu sobre algumas ideias que tinha e ele a escutou com atenção.
O ambiente era elegante no restaurante e a conversa mudou rapidamente quando eles tomaram a terceira taça de vinho branco. O rosto de Hinata estava levemente corado e seu coração batia com pressa, mas Neji parecia intocável e muito sóbrio.
- Nós conversamos ontem – ela contou baixo, como se fosse um segredo – Eu não sabia se era certo, já que estamos no jogo, mas precisava contar para ele sobre a reunião.
- Naruto deve ter ficado muito feliz por você.
- Sim, ele achou incrível.
- Típico comportamento Uzumaki – ele disse e sorriu, pousando os talheres.
Quando os talheres e pratos foram levados Neji perguntou o que ela queria fazer: se queria um chá ou se preferia ir para casa.
- Eu tenho essa sensação estranha de não querer que o dia termine – ela comentou, seus cabelos caindo em ondas suaves sobre seus ombros quando Hinata pousou um ombro no canto da mesa.
- Você quer beber algo?
Eles tinham tomado uma garrafa de vinho e Hinata já estava se sentindo quente e solta, mas lhe pareceu uma ótima ideia.
- Se não for um incômodo...
- De modo algum – ele respondeu, levantando-se – Vamos para a cobertura, a vista é incrível.
E era.
Ela podia ver a cidade inteira. As luzes se misturavam num misto de branco e amarelo, com pontos perdidos de azul e vermelho. Faziam Konoha parecer tão grande que ela se sentiu pequena.
Por um momento, ela pensou que gostaria de compartilhar esse momento com Naruto. Mas logo a sensação foi substituída por uma onda de calma. O Dry Martini estava fazendo maravilhas em seu sistema, gerando uma ousadia estranha em sua mente.
Hinata se sentou na cadeira acolchoada ao lado de Neji e o olhou sorridente. O homem parecia levemente cansado, bebericando seu whisky com tranquilidade e fumando um cigarro.
- Você acha que esse jogo vai ter algum resultado?
Neji soltou a fumaça devagar, seus olhos esquadrinhando a expressão dela, buscando o que a pergunta tinha por detrás daquilo.
- Todo jogo tem um resultado – ele comentou, pousando o copo sobre a mesa de vidro e batendo as cinzas no cinzeiro com suavidade. – Mas resultados são imprevisíveis.
- Você prevê algum resultado? – ela perguntou curiosa.
- Imagino que o teu resultado vai ser uma resposta final ao pedido de Naruto.
Ela concordou, pensativa. Para falar a verdade, aquele era o único resultado que buscava. Ela não esperava se apaixonar por algum dos jogadores, mas buscava uma resposta definitiva. Ela esperava encontrar aquela certeza que ainda não sentia, para dar o passo final em seu relacionamento com Naruto, para bem ou para mal.
Hinata pensou mais uma vez em Naruto, em seus olhos azuis e seu cabelo loiro. Naquele coração imenso que ele tinha e que ela tanto amava...
Sua mente estava um pouco lenta e entorpecida. Ela deu um último gole no Martini e pediu ao garçom outro com um aceno.
Neji arqueou uma sobrancelha fina e ela mordeu o lábio, sem graça.
- Acho que estou feliz – desculpou-se.
- Você costuma beber quando está feliz, Hinata-sama? – perguntou divertido e ela deu um tapa no ar.
- Não! – riu-se – Estou me deixando levar pelo momento.
- Você costuma beber com Naruto?
Hinata arregalou os olhos, as bochechas corando com força. As poucas vezes que estivera bêbada com Naruto lhe traziam lembranças um tanto quanto comprometedoras e embaraçosas, ela não queria pensar nisso naquele momento, naquele corpo bronzeado e bem tonificado que lhe gerava ondas velozes de calor...
- E você, Neji? – ela mudou de assunto habilidosamente – Costuma beber com...
Ele sorriu, vendo-a gesticular com a mão.
- Com...? – ele ecoou a pergunta, achando graça da maneira como Hinata estava ébria.
Ela tinha aquela timidez natural que se misturava com a desinibição da bebida. Hinata revirou os olhos, desistindo da tentativa falha de descobrir com quem Neji passava seu tempo livre e decidiu arriscar:
- Com a Tenten, talvez? – perguntou timidamente, ficando extremamente reta e calada com a aproximação do garçom, que pousou outro Dry Martini a sua frente.
Neji a observou em silêncio. Ela deu um gole longo na bebida e ele soltou um riso abafado pelo nariz. Hinata o olhou, esperando uma resposta.
- Tenten é uma boa amiga.
- Eu sempre achei que ela era tua namorada – confessou – Eu e Hanabi costumávamos apostar quando você contaria para a família que Tenten seria a futura senhora Hyuuga – contou com graça, jogando a franja longa para trás num movimento torpe do indicador.
O homem captou o movimento e reparou no vestido verde escuro e reto que ela usava. Hinata estava muito bonita hoje, ela tinha se preparado muito bem para a reunião e gerado alguns olhares interessados de alguns membros da diretoria, ele tinha reparado naquilo. Na maneira como eles cobiçavam a herdeira Hyuuga e as possibilidades que ela poderia lhes trazer, além do aspecto jovial, delicado e precioso que ela tinha.
- Não é minha namorada – ele disse, fugindo da linha de pensamentos.
- E você tem uma namorada? – ela insistiu e Neji riu, sentindo o álcool fazer-se presente de repente em suas veias.
- Se eu tivesse uma namorada, você realmente acha que eu estaria nesse jogo?
Hinata ficou calada.
Fazia sentido.
Mesmo que ele estivesse tentando protege-la, se Neji estivesse num relacionamento sério, ele dificilmente entraria em algo assim.
Neji acendeu outro cigarro e reparou em como a mulher cruzava as pernas com delicadeza. Hinata era refinada até mesmo quando estava bêbada. Ao pensar nisso, seus lábios se curvaram num pequeno sorriso orgulhoso e ele voltou a pensar que Hinata era uma mulher clássica e refinada, como uma mulher como ela deveria ser.
- Mas ela é só uma amiga? – perguntou.
- Você está insistente.
- Me desculpe, estou curiosa – explicou, pousando a bebida.
Hinata bebia rápido demais.
- Tenten é, com certeza, alguém especial. Mas é apenas minha amiga.
- Mas você bebe com ela, não é? – ela insinuou.
- Eu também bebo com você – ele retrucou, sorrindo com maldade.
Ela se desconcertou e deu outro gole no Martini. Fazendo-o sentir um prazer incrível em fazê-la corar daquele jeito.
- Mas eu sou tua prima! – defendeu-se e Neji riu.
Como se isso realmente fosse um impeditivo.
Quê?
Neji tentou corrigir sua mente. Um lapso inegável por causa da bebida.
Ele conhecia muitas pessoas que tinham tido aventuras com primos na adolescência. Mas a família deles era diferente e eles, certamente, nunca passariam nem próximo de uma situação constrangedora como aquela.
- Ne, Nii-san, qual é o teu tipo de mulher?
Sério, porque as pessoas lhe faziam aquela pergunta constantemente?
Neji tomou um gole do whisky, sentindo a bebida deslizar quente e áspera por sua garganta e respirou fundo.
- Eu não tenho um tipo de mulher.
- Não tem- ?
Hinata ficou, de repente, muito séria. Como se algo errado estivesse acontecendo.
Neji buscou em suas palavras algo que tivesse gerado aquele efeito, mas não encontrou resposta na frase simples e batida que lhe havia oferecido.
- Eu disse algo ofensivo? – perguntou cuidadoso e ela negou com a cabeça, olhando a bebida.
Ela ficou quieta por um tempo. As palavras de Ino rodopiando em sua mente como um furacão.
"Eu ouvi que ele e Itachi, você sabe..."
Não, ela não queria pensar naquilo. Assim como não se sentia cômoda o suficiente para perguntar algo tão íntimo para seu primo.
Eles estavam construindo uma amizade. E amizades tinham que ser edificadas antes que temas como aquele fossem trazidos à tona. Porque temas assim eram capazes de chacoalhar as bases de qualquer relacionamento e Hinata não queria começar a amizade deles sendo uma garota enxerida.
- O que foi?
- Por que você não tem uma namorada? – ela perguntou com honestidade, seus olhos claros tocando os olhos claros dele como espelhos.
Gêmeos idênticos.
Neji se deixou refletir um momento, então decidiu respondê-la com franqueza.
- Nunca encontrei em nenhuma mulher as características necessárias para ter um relacionamento sério.
Hinata sorriu. Aquilo parecia plausível, afinal ele era Hyuuga Neji e, como tal, deveria ter um alto padrão para que uma mulher lhe parecesse minimamente aceitável. Seus ombros se encolheram.
- Você parece aliviada.
- Eu espero que você encontre alguém para amar, Neji – ela comentou, reclinando-se na cadeira. Seus olhos pareceram sonolentos e ele sorriu para ela, agradecido – Mas o amor não tem muito a ver com os padrões e características que nos parecem aceitáveis – ela continuou, as palavras pareciam moles em seus lábios, soando levemente enroladas.
Mas aquelas palavras eram tão certeiras, que Neji foi atingido por uma sensação dolorosa e conhecida.
Ele sabia que a verdade naquelas palavras era muito mais dura do que a voz melodiosa e acolhedora dela. E a sensação dolorida da solidão o assolou por um longo momento, enquanto a via fechar os olhos com calma e disfrutar de um silêncio cômodo.
- O amor é algo incontrolável – ela murmurou.
Incontrolável, duradouro e dolorido.
Era assim que ele tinha lido nos livros, nos poemas antigos japoneses e era assim como o amor tinha se apresentado para ele nesta vida. Algo incompreensível e incômodo.
O amor era um perigo.
Ao invés de ser um lugar seguro onde sua alma pudesse repousar, o amor tinha sido um ninho triste e solitário.
A maioria das pessoas que ele tinha amado tinham partido.
Sua mãe estava longe, seu pai tinha morrido assim como sua tia e também-
- Neji?
A voz dela o trouxe de volta, tirando-o daquele lugar frio e sombrio onde ele tinha medo de se perder.
- Eu estou bêbada – ela disse, com os olhos ainda fechados e Neji riu, pedindo ao garçom a conta com um gesto simples.
- Eu imagino.
- Eu fui indelicada? – ela perguntou fazendo uma pequena careta.
- Nenhum pouco – ele afirmou.
- Eu não quero que nossa amizade comece comigo sendo uma bisbilhoteira.
- Você não é – ele colocou o cartão sobre a bandeja da conta e o garçom a levou. – Você é apenas uma menina curiosa.
Ela bufou, abrindo os olhos e encarando as estrelas.
- Eu não sou uma menina curiosa – respondeu.
- Não? – ele perguntou divertido, achando graça da maneira bêbada dela de construir frases sem sentido. Um sorriso agradável nasceu em seus lábios, mas ela não viu, concentrada demais em admirar as estrelas.
- Eu sou uma jovem mulher em busca de novidades – ela disse, suas palavras soando enroladas.
O sorriso dele esvaneceu. Assim como a brisa fria os cobriu, uma sensação estranha de constatação lhe atingiu de cheio no peito. A afirmação dela reverberou dentro dele, gerando ondas turbulentas na superfície imperturbável de sua mente, deixando para trás um formigamento estranho em suas têmporas.
Ela estava certa.
- Sim – ele murmurou, vendo o garçom voltar com seu cartão e a fatura. Neji tomou o cartão em suas mãos e se levantou, sentindo-se mais mexido do que em todo o dia. Ele estalou o pescoço num movimento seco e contornou a mesa até se encontrar ao lado dela, numa tentativa de diminuir as sensações incontroláveis e estranhas dentro de seu corpo, ele mediu as palavras acrescentando um tom brincalhão – Você é uma jovem mulher bêbada, isso sim.
Ela riu e aceitou a ajuda dele para se levantar, um pouco tonta.
- E-eu posso segurar seu braço para andar? – perguntou timidamente, suas bochechas coradas e seus olhos licorosos.
- Sim.
Mas então Hinata arregalou os olhos e olhou ao redor discretamente.
- Vão pensar que somos um casal? – sua voz soou apreensiva, mas sua mão não largou a dele.
Outro golpe. O vento soprou mais forte contra seus corpos.
Suas têmporas formigaram mais, num sentimento confuso e abstrato. Ele não quis prestar atenção àquilo, mas algo estranho e absurdo arranhou dentro de si, desconexo e potente.
Inevitável.
Impossível de apagar.
Insensato.
E, fosse por causa do álcool ou do cansaço, ele desistiu de tentar reprimir o comichão que lhe arranhava com mais intensidade agora.
- Eu não me importo com o que vão pensar.
D
N/A: Eaqui estamos nós. Eu espero que 2015 esteja sendo lindo para vocês assim como está sendo lindo para mim!
Muito obrigada pelos constantes comentários, são gasolina pra minha inspiração! Vou adorar saber o que vcs pensaram sobre esse cap! xD
Love, Tai.
