N/A: Se preparem para fortes emoções e o maior capítulo da fic até agora.
Love Shuffle
Capítulo 8 – Sand Castles
NaruTema | ShikaHina | NejiIno | GenSaku
C
Neji acendeu um cigarro, encarando a janela e vendo como o vento movia os bambus e as pequenas árvores frutíferas no outro lado da rua. Sua cabeça estava carregada demais para conseguir dormir.
Seus cabelos ainda estavam molhados do banho e apenas uma toalha branca rodeava sua cintura, fazendo com que sua pele se eriçasse com o frio que se embrenhava pelo quarto como um pequeno demônio.
O caminho de volta para casa tinha sido terrível. Hinata havia dormido logo nos primeiros minutos, enquanto ele tentava manter toda a concentração e seus sentidos no simples ato de conduzir. Estava mais bêbado do que imaginava, ou talvez fosse o cansaço.
Ele a observara na parca luz, enquanto esperava o sinal ficar verde. Reparara em como seus traços eram delicados e cálidos, ainda que lhe dessem um ar extremamente clássico. Hinata parecia um ser etéreo sob as luzes da rua.
Neji a escutara balbuciar algumas palavras sem sentido, ora falando sobre Naruto, ora falando sobre ele.
Seriam apenas palavras que não fariam sentido se ela não tivesse continuado falando e construindo frases absurdas.
Frases absurdas que se transformaram em frases com sentido.
Com sentidos muito mais sérios e densos do que ele gostaria.
- Neji-niisan... Itachi-san... Não...
Ela suspirou ao mesmo tempo em que aquelas palavras o golpearam como uma navalha afiada. Como um punhal certeiro.
Aqui se faz e aqui se paga.
E aqui estava o destino dando voltas insuportáveis, removendo areia movediça. Trazendo o passado de volta, à tona. Como ondas de um mar arredio. Como se lhe pregasse uma piada de mau gosto e trouxesse toda a confusão de volta para o seu peito.
Como Hinata soubera daquilo? Ele não tinha a menor ideia. Na verdade ele achou que seu passado estava tão morto e enterrado que ninguém nunca encontraria sequer uma pista.
- Itachi...
Neji soltou a fumaça com força, com raiva, sentindo como os fios de cabelo molhavam suas costas num frio irritadiço que tinha tudo a ver com o sentimento dentro do seu peito.
Um frio, uma solidão incomparável.
Eram dores e sentimentos que ele não sentia há muito tempo. Ele não revisitava aquele quartinho escuro e fechado dentro de seu peito com frequência. Ele tinha fechado aquela porta com força, tinha trancado a sete chaves e jogado a fechadura fora em algum buraco recôndito dentro da alma.
E então, com três pequenas palavras Hinata tinha aberto uma caixa de Pandora. Uma caixa que deveria estar lacrada, mas que ela ousara abrir.
Ele sentiu um ódio mortal por ela. Uma raiva profunda e uma vontade de apagá-la de sua vida, esquecer os pequenos momentos que tinham compartilhado nos últimos dias. Esquecer que, de repente, até ela parecera familiar, parecera alguém que ele poderia convidar para entrar em sua vida. Ele chegara a sentir aquele arranhão específico de atração por ela.
- Eu não tenho um tipo de mulher.
- Não tem- ?
A conversa voltou à sua mente, como um lembrete mascarado de que ela sabia mais do que deveria. De que ela estava buscando respostas para suas perguntas, mas não sabia como chegar ao ponto, como alcançar sua meta.
- Maldita seja! – grunhiu, jogando o cigarro no cinzeiro e andando impaciente pelo quarto.
Talvez ela apenas suspeitava...
Talvez ela nem sabia que era verdade...
Talvez fosse um rumor...
Ela tinha parecido aliviada quando ele respondeu não ter encontrado a mulher com as características adequadas para ser sua namorada.
Ela deve ter descartado a possibilidade...
Mas o problema não era ela. O problema era ele.
O problema é que, do dia pra noite, todos os seus sentidos estavam completamente conscientes de que era verdade. De que seu passado estava voltando para assombrá-lo de uma maneira aterradora.
E a dor... Céus, a dor de se lembrar, de reviver, de ter aquela cascata de imagens e recordações transbordando em sua mente era excruciante.
Neji tinha mudado. Ele tinha trabalhado duro para ser quem era hoje. Para se transformar no homem perfeito. No ideal masculino que qualquer mulher desejaria. Ele tinha destruído aquele Neji jovem e ingênuo. Ele o tinha soterrado abaixo terra, tinha açoitado a ideia absurda de que ele nunca mudaria, de que ele sempre seria a desgraça da família.
Ele tinha se reconstruído a duras penas depois de Itachi. Ele tinha aprendido a jogar e a nunca perder. Ele tinha apostado todas suas fichas num coração frio e intocável, para com três simples palavras estremecer e ruir como um castelo de areia.
Como um adolescente babaca.
Quem suspeitaria?
Hinata e suas palavras sonolentas haviam começado uma guerra dentro dele. Uma guerra que ele não estava tão certo de como iria ganhar.
Neji passou a mão no celular, deslizando a contrassenha na tela e digitando um número com destreza.
Só tocou uma vez.
- Neji?
A voz soou surpresa do outro lado.
- Tenten, desculpe ligar tão tarde – falou, sua voz soando tão áspera que até ele a estranhou – Você tá livre agora?
- T-tô! – ela respondeu com pressa e ansiedade.
Ele desejou não ter ligado.
- Passo pra te buscar em 15 minutos.
Ele desligou o celular sem esperar resposta.
Precisava descontar a raiva. Precisava destruir aquilo que florescia no seu peito como uma rosa negra. Precisava juntar os cacos antes que alguém percebesse.
Tenten sabia bem como fazer aquilo...
A
Como Temari estaria fora de noite, Shikamaru achou melhor almoçar com Hinata e passar a tarde com ela para ter a noite inteira para jogar vídeo game em paz. Sua mente estava andando muito rápido nesses últimos dias e isso não era bom. Trabalhar com a mente assim fazia tudo ainda mais problemático.
Shikamaru trabalhava em casa, com bolsa de valores. Tinha inúmeras aplicações atualmente e mantê-las todas em ordem era um trabalho que o distraía o suficiente. Suas manhãs eram repletas de tiros no escuro, e mais de 90% das vezes ele saía vencedor.
Com uma mente como a dele poucos podiam competir, então Online Poker era outra atividade extra em seus dias livres, embora ultimamente estava mais afastado das apostas.
Apostas eram algo que faziam seu sangue correr mais rápido nas veias. Era o tipo de excitação duradoura que lhe fazia a vida um pouco menos entediante.
Isso e Temari.
Embora entrar no Love Shuffle tivesse sido outro tiro no escuro...
Apostar seu relacionamento com Temari tinha sido uma jogada arriscada. Mas haviam reais competidores dessa vez?
Ele conseguia imaginá-la com Genma, e até o Hyuuga, mas sinceramente, nenhum deles lhe representava algum risco. A não ser que ele estivesse sendo ingênuo.
Ingenuidade era uma furada.
O que sentia por Temari não era amor ou possessão. Eles tinham um companheirismo que se aproximava mais a uma amizade extremamente colorida do que o sentimento de amor real. Eles eram metades que se completavam, sem nenhum romantismo.
O que eles tinham era extremamente sexual e ligeiramente carinhoso, mas era, acima de tudo, um jogo mental. Algo que o deixava num estado de entorpecimento e tesão, que desligava seu cérebro acelerado e lhe dava uma diversão mais deliciosa do que apostar um milhão e meio num jogo de Poker.
Shikamaru se perguntava se alguma outra pessoa, algum dia, seria capaz de superar Temari naquilo. Naquela loucura permanente, incoerente e cheia de frenesi.
Seus olhos pousaram avoados sobre a xícara de café. Hinata estava contando algo sobre a reunião que tivera na empresa de seu pai. Ela soava extremamente animada e ele sorriu.
A vida podia ser um tédio às vezes.
Hinata era suave em tudo. Tão suave que ele pensava em nuvens brancas e fofas num céu azul bebê. Temari era como as nuvens densas e cinzentas em uma noite de tempestade. Ela era tormenta elétrica em água ardente.
E ele gostava de se queimar.
Sorriu de novo para Hinata, por motivos que a jovem jamais desconfiaria.
- Mas hoje Neji não respondeu às ligações ou às mensagens que eu mandei... – ela corou de repente e Shikamaru apreciou a visão – Talvez... Ontem eu estava muito bêbada... – disse baixinho, como se estivesse contando um segredo e ele a escutou com mais intensidade. Curiosidade despertando dentro de si – Eu não lembro se posso ter dito algo errado... – ela parecia tão preocupada que Shikamaru alcançou sua mão sobre a mesa da cafeteria e apertou suavemente, tentando lhe dar alguma força.
- Talvez não seja nada, ou talvez você precise dar um pouco de tempo para ele – comentou – As pessoas precisam se acostumar com o fato de não estarem mais sós.
As suas próprias palavras chamaram sua atenção.
Ele não era bom com pessoas. Com tato. Com amizades novas.
Mas ele se esforçava, assim como estava se esforçando naquele exato momento.
Hyuuga Neji era um mistério para Shikamaru.
Eles nunca tinham conversado ou estado a sós em toda sua vida. Ele se lembrava do outro no colégio, alguns anos a frente de si, presidindo o grêmio com um punho de ferro tão incrível quanto o punho de ferro com que dirigia a Hyuuga Corporation atualmente.
Neji era uma força da natureza. Como Temari. Uma força sobrenatural, mas diferente da loira, ele era uma força fria, congelante até. Se Temari era uma tormenta elétrica, Neji era um tsunami oceânico, algo frio e destruidor.
Shikamaru sentia que teria que pisar sobre um lago congelado e incerto se em algum momento seus destinos se cruzassem. Não era um caminho que ele escolheria por vontade própria. Não era uma pessoa que ele estava disposto a criar laços, nem os mais mínimos que fossem.
A ideia de Temari e Neji juntos lhe gerou um tremor, e ele soltou a mão de Hinata, acenando para o garçom trazer outro café expresso.
O que aconteceria se duas forças da natureza se cruzassem?
A ideia lhe pareceu tão tentadora quanto assustadora. Ele precisou passar a mão no rosto para esconder algumas sensações que não gostaria de compartilhar com Hinata.
Uma tormenta elétrica sobre um oceano revoltado... A ressaca do mar e ondas gélidas e quilométricas... Um festival natural de destruição.
Ele tomou seu café amargo, assim como ele gostava de suas mulheres: sem açúcar e sem leite.
Um sorriso maldoso cruzou seus lábios antes que a xícara o escondesse definitivamente, mas Hinata sequer notou.
S
Temari riu. Sua voz soava como veludo aos ouvidos dele e Naruto sentiu o corpo aquecer de maneira quase indecente. Ela estava o ajudando a escolher a roupa que usaria logo mais no The Catch.
- Você tem que aproveitar esses peitorais – ela prosseguiu, fazendo-o corar como um menininho, e pegando uma camiseta regata preta e justa de dentro do armário, devia ser de Sasuke. Sabe-se lá há quanto tempo aquela camiseta estava ali, afinal, Sasuke já não ia ao seu apartamento há muito tempo – Veste essa.
Ele se enfiou no banheiro e trancou a porta. Temari tinha entrado uma vez enquanto ele provava uma das calças que ela escolhera e Naruto quase tinha morrido de vergonha. O calor tinha sido quase sufocante.
A maçaneta virou, mas a porta não abriu.
Naruto sorriu vitorioso.
- Quantos anos você tem, xerife? Assim você nunca vai conseguir me conquistar...
- Eu não estou tentando – ele respondeu, enfiando a camiseta pela cabeça.
Um cheiro suave de sabão e incenso o invadiu. Era o cheiro do Sasuke. Um cheiro conhecido e cheio de nostalgia. Naruto se encarou no espelho. Uau. Realmente, ele ficava bem com aquele tipo de camiseta justa.
A cor escura ressaltava seus olhos azuis e os cabelos loiros. Junto com o jeans que tinham decidido que ficava bom, ele estava parecendo um desses modelos.
Naruto riu. Que ideia patética.
Abriu a porta e olhou para Temari. A loira abriu mais os olhos e estalou a língua, aproximando-se dele como um gato arisco e curioso.
- Quem diria Naruto, que você tinha esse corpão escondido aí embaixo – ela riu e Naruto revirou os olhos.
- Eu vou trocar de roupa!
- Não vai não, você vai ir assim e vai se divertir, vai agir como um homem da tua idade, e vai me tratar como um homem normal me trataria.
- E como um homem normal te trataria? – ele perguntou, pegando a lata de cerveja sobre a mesa de cabeceira e dando um longo gole. Eles já estavam na quinta ou sexta ronda de cerveja? Ele nem sabia mais.
Seus olhos azuis ousaram se fixar aos dela.
- Para começar – ela disse, colocando uma mão na cintura fina e jogando a cadeira para o lado, fazendo o vestido preto desenhar suas curvas com um desenho indecente – Um homem normal teria me jogado nessa cama há uns 45 ou 50 minutos atrás – ela disse, apontando para a cama de casal com edredom laranja – Que foi exatamente quando eu entrei no teu quarto e disse que estava entrando em território perigoso.
Naruto riu, jogando a cabeça para trás e encarando a loira com graça.
Ela tava falando sério?
Mesmo que ele quisesse, ele achava que não conseguiria parar de pensar em Temari como a namorada de Shikamaru, e em como ela tinha se transformado em uma amiga próxima naqueles últimos dias. Ela tinha criado algumas raízes duradoras em seu peito.
- Neste exato momento – ela continuou, com um ar sério que fez Naruto se sentir levemente incômodo – Você estaria atingindo o auge do teu segundo orgasmo, mas obviamente você não é um homem normal.
Naruto engoliu seco. Ele e Hinata não tinham feito sexo por, pelo menos, uma semana e meia, ou duas, ele não tinha certeza. Os dias do calendário, neste exato momento, pareciam difíceis demais para que sua mente conseguisse contabilizar.
- Você transaria comigo? – ele perguntou, sentindo a voz ficar rouca com a indecência da pergunta e Temari sorriu perigosa, dando alguns passos na direção dele e o fazendo se sentir coagido.
- Se eu transaria com você? – ela repetiu, as palavras soando tão indecentes e sexys em seus lábios que ele deu outro longo gole na cerveja – Meu bem, eu te devoraria inteiro.
Temari roubou a lata de suas mãos e bebeu os últimos dois goles rapidamente, deixando a lata vazia cair no chão com um som metálico.
- E você, Naruto? – ela ronronou, seu corpo encostando-se no dele com uma intensão sexual absurda. A temperatura aumentou tanto que Naruto achou que ia sufocar – O que você faria comigo?
O que eu faria com você?
A pergunta rolou em sua mente como uma espiral, consumindo grande parte de sua consciência. A resposta que ele tinha, ele nunca ousaria dizer em voz alta. Temari lhe gerava um impulso promíscuo que fazia seu coração bombear sangue com mais força.
O que você faria comigo?
O impulso pulsou dentro de si como uma corda invisível, lançando-o direto ao despenhadeiro. Seu corpo estremeceu com o desejo incandescente que surgia e brotava de seus poros como suor e corria por suas veias como pulsos de eletricidade e loucura.
Uma falta de bom senso lhe atacou, no exato momento em que as palavras dela rodopiaram de novo em sua cabeça como uma dança maldita e quente. Como se fervesse em suas veias e dilatasse, como uma energia externa, um chacra, um movimento quase tão fantasmagórico quando o elemento do vento.
E o desejo brotou dentro de si tão quente quanto lava de vulcão, tão trepidante quanto uma tormenta elétrica: enlouquecedora e ardente.
Tão ardente que ele não conseguiu controlar.
Sem pensar, Naruto a puxou pela cintura, acabando com a distância entre eles e fazendo suas respirações passarem a um ritmo acelerado e louco. Naruto tomou o rosto dela nas mãos, vendo o sorriso intenso de Temari se transformar num sorriso sensual e sedutor.
Seus lábios tocaram suavemente e as mãos dela rumaram aos cabelos loiros dele, bagunçando-os e trazendo-o mais para si. Naruto pressionou a língua entre os lábios dela e Temari cedeu sem resistência. O loiro soltou o ar pelo nariz pesadamente, como se o peso de seus atos lhe escapasse, e desceu as mãos pelas laterais do corpo dela, sentindo as curvas nas palmas das mãos, sinuosas e provocantes.
Temari tomou as rédeas do beijo, fazendo com que suas línguas guerreassem por território, buscassem por respostas que nenhum dos dois teria. Porque as perguntas eram simples, eram carnais, e as respostas não passavam de algo físico e intenso, mas de nenhuma profundidade.
Naruto a abraçou e tirou seu corpo do chão, sentindo-a rodeá-lo com suas pernas firmes. Ele sugou seu lábio entre os seus e mordeu de leve, fazendo-a estremecer de leve e beijá-lo com força, se apoderando dele outra vez, fazendo-o sentir sua cabeça ficar tonta e o sangue rumar para seus membros inferiores.
Então ele terminou o beijo, com um roçar de lábios suave e apoiou a testa contra a dela. Respirando profundamente.
- Eu não posso fazer muito mais do que isso neste momento – disse, pousando-a no chão com calma e olhando para baixo.
Temari sorriu e esticou o vestido no corpo.
- Naruto, - ela chamou, mas o jovem não levantou o rosto, fazendo-a segurar seu queixo e levantá-lo – Isso o que você acaba de fazer, é tudo o que eu quero que você entenda: a Hinata colocou vocês no jogo, então você também está liberado para jogar. Você pode sentir tesão e desejo por outra mulher, porque Hinata está deixando vocês terem essa experiência antes de darem um passo adentro do casamento e nunca mais poderem se sentir livres dessa forma.
Naruto fechou os olhos.
As palavras dela arderam em seu peito, doeram mais do que deveriam.
Temari estava certa.
- Você pode me beijar e pode beijar outras mulheres à vontade. Neste momento você só precisa ser fiel a você mesmo. Ao que sente e deseja. Por isso, Naruto, hoje eu quero que você entre naquela balada como um homem solteiro, e que você se divirta comigo ou com qualquer outra mulher que te interessar. Eu quero que você se esqueça de que Hyuuga Hinata existe, se esqueça de que ela disse não.
Ela acariciou os cabelos dourados dele, com tal ternura que ele pensou que fosse outra pessoa. Quem diria que Temari podia ser terna quando queria. Ele abriu seus olhos azuis, úmidos, e a olhou com seriedade.
- Eu quero que você se deixe levar como nunca.
Naruto concordou com um aceno simples de cabeça, mas ela continuou olhando-o com tanta profundidade que ele achou que talvez, pela primeira vez, estivesse vendo quem Temari era realmente. O que havia por debaixo de tanto deboche e sensualidade.
Mas o momento se esfumou assim que ela sorriu maliciosa e se aproximou num meio abraço estranho, seus lábios tocando a orelha dele com suavidade.
- Deixe-me te mostrar o lado escuro da força – ela ronronou.
Então Naruto riu. Riu a plenos pulmões como se não estivesse a ponto de chorar segundos atrás.
Ele riu e a abraçou com força, como faria com Sakura. De um jeito meio desengonçado e livre.
- Ótimo – ele disse, afastando-se de leve e secando os cantos dos olhos com as palmas das mãos – Eu sempre quis conhecer o Darth Vader, mesmo.
E foi a vez dela rir.
T
Ino saiu de casa vestindo uma minissaia preta, saltos muito altos e uma blusa vermelho-bordô com um belo decote, ela passou os dedos automaticamente em seus cabelos platinados, sentindo-os lisos e sedosos. Sua maquiagem não era muito forte, mas ressaltava seus olhos, ela tinha levado hooooras para decidir o que vestir. A ansiedade tinha enfiado suas garras em seu peito durante toda a tarde no hospital e ela tinha até comprado uma lingerie preta nova, pra descontar a ansiedade na sua conta bancária.
O carro de Neji estava estacionado do outro lado da rua e ele a olhava por detrás dos vidros fumê. Um olhar impassível e duro. De cara, ela percebeu que algo estava diferente.
Quando entrou no carro Ino se sentiu congelar no assento, seus olhos engolindo aquela imagem maravilhosa a sua frente: Neji tinha deixado os cabelos soltos, e eles caiam como cascatas de nanquim, se misturando com a camisa preta e elegante, com os dois primeiros botões desabotoados. Usava uma calça jeans de marca que lhe dava um ar tão informal e sexy que Ino teve que engolir em seco e soltar o ar devagar, voltando a olhar o rosto sério e ligeiramente bravo do Hyuuga.
- Vestido para matar... – ela disse, tentando soar agradável.
O incrível, é que o Hyuuga de fato sorriu, embora seu sorriso não chegasse aos seus olhos, que continuavam tão gélidos quando o polo. Aquele momento ficou guardado na memória dela para sempre: Hyuuga Neji lhe sorriu por causa de um elogio besta.
Ela estava nocauteada.
- Pelo jeito, não sou o único – foi o que ele disse, olhando de relance para as pernas dela expostas, antes de dar marcha atrás e se focar em dirigir o carro tranquilamente.
Neji acendeu um cigarro e Ino continuou se sentindo como se tivesse acabado de levar um murro na cara.
Quem era aquele homem e o que ele tinha feito com Hyuuga Neji?
A loira observou como ele tragava o cigarro e logo depois soltava a fumaça por seus lábios entreabertos. Céus, aquilo era sexy appeal demais para um só momento. Ino sentiu a cabeça ficar levemente tonta e olhou para suas pernas.
Ela estava definitivamente muito bonita.
- Certo, - ela murmurou, vendo-o olhá-la pelo canto dos olhos, sem deixar de prestar atenção na rua e nos veículos que os rodeavam – Esse é algum tipo de sonho em que o príncipe encantado é um cara mau, mas que de repente se interessa pela mocinha?
A pergunta o pegou de surpresa, ou pelo menos foi o que ela pensou, pois as sobrancelhas dele arquearam e ele sorriu de leve.
- Não. Definitivamente não – ele respondeu, sua voz soando divertida.
Céus, Neji estava aparentemente se divertindo!
O soco dessa vez a atingiu na boca do estômago.
- Bem, então é um sonho erótico onde Hyuuga Neji me deixa testar seus poderes de sedução? – ela insistiu, pensando que embora fosse completamente ridículo, ela não queria ficar o resto da noite esperançosa por algo que talvez não aconteceria.
Neji parou o carro no semáforo e a olhou de frente.
Ino sentiu medo. Ou ansiedade. Ou talvez ambos, ela não tinha certeza.
- Talvez – ele concedeu, sem deixar de olhar direto nos olhos dela.
Ela prendeu a respiração.
Havia algo animalesco em Neji nesta noite.
Não era necessariamente algo bom. Parecia que ele estava irritado e que estava pagando a irritação sendo extremamente sexy.
- Neji... – ela murmurou, apertando o assento – Por que você está fazendo isso?
O sinal abriu e Neji voltou a olhar para frente, continuando em sua condução pacífica.
Ele não respondeu. Na verdade, ele apertou os dedos no volante com tanta força, que ela viu suas juntas perderem a coloração e ficarem tão brancas quanto era humanamente possível.
Ino desistiu de esperar uma resposta. Pelo jeito havia alguma coisa acontecendo que certamente não era problema dela. Uma dor estranha no peito a fez encarar a rua pela janela e tentar se distanciar de Neji. Era terrível vê-lo assim. Era ainda mais terrível pensar que ela tinha pisado em território proibido por ser tão sem noção quanto costumava ser.
- Desculpe – ela disse baixinho, sem olhar para o lado, focando a vista nos carros que passavam pela avenida.
Neji acelerou um pouco mais o carro, mas não disse nada.
O silêncio que se estabeleceu começou a ficar um pouco mais agradável quando ele acendeu outro cigarro e perguntou se ela queria um, embora ela tenha negado educadamente.
Ele parecia tão incrível desse jeito que Ino achou perigoso.
Era como se aproximar de Sasuke durante o colegial. Era algo absurdamente assustador, pois poderia te engolir a qualquer momento. E sair daquela prisão era algo irremediavelmente difícil.
Num lapso absurdo, Ino torceu para que essa semana terminasse logo. Ela não queria, de maneira alguma, se envolver com Neji. Ele parecia misterioso demais e algo em todo aquele mistério a assustava. Era o mesmo tipo de medo que a tinha afastado de Sasuke durante o segundo colegial, mas que tinha engolfado Sakura até hoje.
Sinceramente, se eles tivessem algum tipo de relação sexual hoje, isso era o máximo que ela se permitiria viver. Se prender a ele era pior do que se prender a Genma. Pelo menos Genma era tão claro como água.
Neji era uma imersão num bosque coberto por névoas.
Ela nunca tinha gostado das Brumas de Avalon, de todo jeito...
- Ino – ele chamou e ela o encarou abertamente, vendo como se algo por detrás daqueles olhos frios estivesse arranhando e tentando escapar.
Como um monstro que busca uma brecha para se soltar das amarras.
Ela sentiu o coração bater pesado no peito.
- Vamos tentar nos divertir, ok? – ele propôs, esperando o sinal abrir – Eu tive um dia bastante estressante hoje. Mas eu quero te ver se divertir dançando, como combinado.
Ino sorriu, a princípio timidamente, porque ela ainda estava digerindo aquelas sensações estranhas, mas depois abriu mais o sorriso e concordou com a cabeça num aceno simples: ele estava tentando.
- Ok, Mister Sex Appeal! – ela respondeu sorrindo, e ele a acompanhou.
Embora, naquela noite, em nenhum momento seus sorrisos atingiram seus olhos.
L
O jantar tinha sido incrível.
O restaurante era caro e refinado e eles tinham tomado um dos melhores vinhos que ela já provara na vida. Ino estava maravilhada. Nem seu pai a levava em lugares caros como aquele, o que era uma pena...
Neji tinha se esforçado bastante, para falar a verdade. Ele tinha sido gentil e conversado de maneira aberta, até tinha concedido pequenos momentos de flerte e elogios sobre a roupa dela.
A mudança brusca de comportamento entre a última vez que tinham se visto e hoje era tão gritante que Ino apenas conseguia pensar que algo ia mal. Algo estava errado e aquela era a maneira estranha que Neji tinha de lidar com aquilo.
O que ela não imaginava é que estava completamente correta.
Quando eles entraram no ambiente abafado da balada, ela sentiu a mão de Neji segurá-la pela cintura, conduzindo-a por entre as pessoas que estavam no corredor de entrada e os levando com mais facilidade até o primeiro ambiente, onde uma música eletrônica e alta soava a fortes golpes nas caixas de som.
Ino sentiu o corpo se misturar com a música num tic-tac do relógio.
Céus, como ela amava aquilo!
Neji a soltou, de repente parecendo mais ausente e irritado do que no resto da noite e Ino o olhou preocupada. Será que não era um bom dia para estarem ali?
Será que era melhor irem embora?
A última coisa que ela queria era que ele explodisse com ela ou com outra pessoa dentro da discoteca abarrotada de gente.
- Neji-?
- Vem – ele disse alto, tentando ser escutado embora a música fosse muito alta – Vamos beber algo primeiro – ele continuou, puxando-a pelo pulso e a levando até o bar.
Sem terem que esperar absolutamente nada, pois um dos barman reconheceu Ino de outras noites e os permitiu fazer o pedido antes. E em menos de 2 minutos eles estavam começando o que Ino chamou de "O Assassinato dos Figados, por Hyuuga Neji".
Neji tinha pedido que o homem não parasse de lhes dar shots de tequila até que um deles pedisse arrego.
- Eu estou achando esse seu lado muito divertido, Neji – ela disse, antes de tomar o primeiro shot.
- Pois a noite acaba de começar... – ele respondeu com um ar tenso e profundo.
Céus, aquele homem tinha algo de outro mundo que ela não fazia ideia de onde vinha.
No quinto shot, Ino pediu arrego, mas Neji tomou mais um só para demonstrar sua superioridade. Então Ino o puxou para a multidão de corpos dançantes e começou a se mover no ritmo desesperado da música.
Neji tinha que assumir, Ino era preciosa dançando sob os flashes vermelhos e azuis da luz artificial. Seu cabelo brilhava em neon e seus movimentos eram ágeis e convidativos.
Ele tinha visto muitas mulheres dançando em sua vida, mas para uma fisioterapeuta que dançava por diversão, Ino excedia expectativas. Era quase envolvente.
Quase.
Seu corpo às vezes se apertava contra o de Neji, com o pouco espaço e a respiração ofegante dela batia em seu pescoço como uma carícia suave. Era difícil dizer não, era difícil ignorá-la ali dentro.
Ino estava em seu habitat natural e ele se sentia atraído por aquela beleza superficial de garotas de balada.
Eles tomaram mais dois shots antes de irem para o outro ambiente. As batidas de seus corações se misturavam com as batidas da música. Ino estava se divertindo, era óbvio, estava estampado em sua cara, em seus movimentos, na risada gostosa que ela dava quando se desequilibrava no salto por causa da bebida.
Neji sentiu um pouco de alívio. Ino não esperava mais do que ele podia lhe dar. E ele estava começando a duvidar de quais seriam os limites que ele imporia no que poderia dar a ela ou não.
Talvez a bebida estivesse fazendo sua mente ficar turva e condescendente, mas aquilo fazia aquele turbilhão desastroso de pensamentos sombrios desaparecer de sua cabeça por um momento.
Carpe Diem. Ou, no caso, Carpe Noctem, já que hoje a noite era uma criança.
Quando Chadelier tomou o ambiente, com a voz obvia de Sia, Ino pirou. Ele riu debochado, com a maneira que Ino rodopiou e jogou as mãos pra cima, se movendo no ritmo da música, cantando a letra como se fosse sua própria canção e ele se perguntou se não seria.
Ino... Party girls...
Sim, era isso. De repente, uma compreensão dolorosa o atacou: será que era assim que Genma a via. Como mais uma menina perdida na noite? Era por isso que ele nunca tinha dado um passo a frente e assumido o relacionamento? Era esse o modo como os homens tratavam Ino? Era assim que ela se tratava?
Neji sentiu pena. Ino era mais que isso, até ele conseguia ver que por detrás de todos aqueles maneirismos e flertes bobos, estava uma mulher que esperava ser amada em retorno.
Uma sensação estranha lhe apossou, ele quis dizer para ela que ela valia muito. Que ele não poderia lhe dar aquilo, mas que ela precisava saber...
Ele deu um passo à frente, pronto para rodear o corpo dela com seus braços e derrubar aquelas palavras contra seus lábios. Mas seus sentidos se confundiram com a mudança inesperada de música, parando-o de supetão e vendo como alguém, do nada, abraçava Ino por trás.
Neji a viu congelar e arregalar os olhos, seus olhos azuis buscando os de Neji com certa apreensão, mas então a voz soou alta e estridente:
- INO-CHANNN~~~
Naruto a rodou em seus braços, e a girou numa pirueta rápida, segurando-a com força para que ela não se desequilibrasse no salto alto.
- Naruto! – ela exclamou, dando-lhe um tapa no ombro e rindo, a tensão se dissipando rapidamente – O que você tá fazendo aqui?
- Vim com a Temari – ele explicou, falando alto e acenando para Neji, que o cumprimentou com um gesto simples.
Ele precisava de outra bebida.
- Ino, você quer beber alguma coisa? – perguntou, mas a loira negou e começou a dançar com Naruto.
O loiro estava suado e seus cabelos esvoaçavam, úmidos, com um sorriso imenso e ébrio nos lábios.
- Vou pegar algo no bar, vocês vão ficar por aqui? – perguntou.
- Sim! – os dois exclamaram empolgados.
Neji achou que isso era ótimo, suas próprias reações estavam começando a lhe incomodar e ele não queria se arrepender de nada no dia seguinte. Então ele rodeou a pista de dança e alcançou o bar com certa dificuldade. A essa hora da noite as pessoas já estavam bêbadas e agitadas.
Ele apoiou o cotovelo no balcão e pediu um whisky sem gelo.
Pra terminar de assassinar o fígado...
O pensamento passou por sua cabeça com a voz de Ino e ele bufou. Qualquer coisa que nocauteasse sua mente nessa noite seria bem vinda.
Ele tomou um gole longo no seu whisky, deixando os olhos vagarem pelos corpos em movimento, localizando o casal de loiros dançando de maneira agitada e rindo a plenos pulmões.
Eles pareciam tão contentes e leves que Neji sentiu inveja. Ele gostaria de ter uma natureza leve, simples, sem grandes problemas. Um temperamento divertido e solto como o ar.
Mas parecia que sua natureza era muito mais escura e densa do que a média.
- Ei, lobo solitário – uma voz feminina sussurrou atrás de si e Neji sentiu um arrepio frio descer por suas vértebras. Estremecendo cada uma delas.
O homem se virou e encarou o par de olhos que o olhavam com diversão e profundidade ao mesmo tempo. Os cabelos revoltos e ondulados estavam presos num rabo de cavalo e o decote exagerado mostrava a curva de seus seios sem muitos rodeios.
- Temari – ele cumprimentou, levantando o copo de whisky.
Ela sorriu simples e levantou seu próprio copo de whisky. Ele a apreciou por aquilo; eram poucas as mulheres que sabiam apreciar um bom Scotch.
- De todos os ambientes que eu posso te encaixar, este é o último que passaria pela minha cabeça – ela assumiu, olhando ao redor.
- Era o mínimo que eu podia fazer pela Ino.
- Hn... – ela ronronou em assentimento – Ela parece estar se divertindo – comentou, seus olhos presos no casal de loiros que pulava ensandecido com a música.
Ele concordou e voltou a olhar o decote provocante dela.
Temari não o encarou de volta, ela apenas apoiou as costas no balcão, dando-lhe uma vista ainda mais interessante e levou o copo aos lábios. Ela tinha percebido algo diferente nele hoje, quando o vira do outro lado do bar.
Tinha algo selvagem na maneira como ele se movia, como uma aura densa e arrepiante, que fazia os pelos eriçarem. Era como se algo tivesse mudado da noite para o dia, como se algo nele estivesse mais exposto que nunca.
Mas ela duvidada que aquilo fosse apenas um resultado do cabelo solto ou da mudança drástica de roupa.
Quando levantou o olhar e encarou firmemente dentro daqueles olhos claros e impassíveis, e então ela viu...
Como um lobo que espreita sua presa, como um predador tentando escapar de suas correntes e ir à caça.
Ela piscou, lidando com a constatação interessante que tivera.
Hyuuga Neji era um homem interessante.
Ele não desviou o olhar e ela lhe ofereceu um sorriso sensual, deslizando os lábios devagar e intencionalmente.
- Você parece um pouco bruto hoje – disse, sua voz saindo áspera e certeira, apertando todos os botões equivocados.
Neji revirou os olhos e voltou a encarar a massa dançante. Tudo o que ele menos precisava hoje era alguém o analisando. E embora Temari fosse extremamente atraente e normalmente parecesse manter conversas inteligentes, ele não queria esse tipo de comentários subjetivos.
- Eu gosto – ela falou.
O homem a encarou outra vez, vendo-a sorrir por detrás do copo.
- Sim? – ele perguntou, voltando sua atenção completamente para ela. Era como entrar numa espiral, ser tragado pelo olho do furacão.
Embora incômoda, ela tinha aquela força tentadora que o sugava com facilidade.
Ela sorriu mais.
- Eu assumo – ela disse – quando você entrou no jogo eu achei que você precisava ser dominado – fez uma pausa enfática para que as palavras mergulhassem na mente dele, e o Hyuuga piscou calmamente, sua expressão se mantendo séria e fechada, sem deixar que ela penetrasse – Mas, te vendo agora, eu acho que você deveria colocar essa tua brutalidade pra fora.
Neji estancou.
O que diabos?
- Perdão?
Ela soltou um riso grave e o olhou com ainda mais intensidade.
- Difícil achar alguém que dê conta de tanta selvageria, não é? – ela perguntou, se aproximando um pouco, de maneira convidativa, entrando dentro daquela aura densa e perigosa dele, quase sombria.
Ele sorriu irônico e se aproximou do rosto dela.
- Você tira conclusões rápido demais – disse lentamente, suas palavras soando perigosas.
Temari angulou o rosto, ficando tão próxima dele que podia sentir sua respiração.
- Parece que águas turvas vieram à superfície.
Neji se irritou, deu um passou atrás, rompendo o feitiço. Ele afastou as longas madeixas negras do rosto num movimento brusco e bebeu o resto de seu whisky de um gole só, pedindo outro para o barman. Temari o observou silenciosamente.
Quem aquela mulher achava que era para ficar tentando lê-lo daquele modo, tão abertamente, como se tivesse o direito de-
- Ou será que foram areias movediças?
Neji a encarou com raiva. Se ela fosse um homem, ele lhe socaria aquele sorriso convencido goela abaixo.
- E aí está... – ela rolou as palavras em sua língua com tanta malícia que Neji não pôde evitar olhar para seus lábios – O lobo raivoso... Essa brutalidade ardente...
Ele bufou, pegando sua nova bebida sobre o balcão e bebendo dois goles apressados. Um ódio trépido o fez tremer os dedos contra o vidro em sua mão, um desejo destruidor surgindo no mais íntimo de seu peito e descendo escorregadiço pelo seu abdômen.
Estava tão quente, ele sentia tanta raiva. Aquela mulher era o demônio.
E ela sabia exatamente como disparar seu gatilho.
- Hyuuga, eu estou te convidando a sair das sombras – falou perigosamente, como se compartissem um segredo macabro. Como se fossem cúmplices de uma natureza arrasadora... Proibida...
Neji a observou com perspicácia.
Por que aquelas palavras estavam lhe irritando tanto? Ele não queria pensar nisso. Obviamente porque seria fácil demais constatar que Temari tinha visto em si aquilo que ele estava tentando reprimir com tanto custo.
Aquele fogo borbulhante que tinha sido domado ao passar do tempo e que, com a raiva, a insegurança e o desgosto, estava voltando tão quente e insensato que nem ele sabia se conseguiria controlar.
- Você não quer? – ela perguntou e ele bebeu mais do whisky, sentindo o sabor amargo descer arranhando no fundo da garganta como se tivesse engolido algo muito mais áspero do que apenas álcool – Colocar esse teu lado bruto para fora? – ela insistiu, soltando o copo no balcão e dando um passo à frente, deixando-os muito próximos.
- Temari, você não sabe com quem está brincando – ele alertou, largando o copo ao lado do dela e aproximando seu rosto do da loira – Você não entende com quais feridas está mexendo.
- Pode ser... – ela sussurrou, movendo-se até que seus narizes se esbarrassem, mas Neji sequer pestanejou – Eu precisaria provar desse teu ódio para entender...
Neji respirou fundo, seu hálito batendo contra os lábios dela.
Que tipo de convite era aquele?
Era como se ela tentasse dar liberdade ao monstro que ele se esforçava em aprisionar.
Quão insana aquela mulher podia ser?
- Eu já te disse, eu gosto dessa brutalidade escondida no teu olhar.
Neji se sentiu arder. Sentiu o corpo reagir de todas as maneiras. Como se a tormenta dela o envolvesse definitivamente e aquela raiva o excitasse mais do que deveria. Temari estava indo pelo mau caminho, ela estava deslizando pelos trechos mais escorregadios dentro dele e desembocaria em um lugar que talvez não gostaria.
Onde os lobos uivam. Onde a areia movediça é inevitável. Onde não há volta atrás.
- Brutalidade? – ele perguntou contra os lábios dela.
Ela sorriu, seus lábios encostando mais aos dele.
- Sim, essa tua força destruidora.
O último gatilho.
Foi uma explosão incontrolável.
E então, Neji perdeu o controle.
Seus lábios se chocaram com raiva e desejo. As mãos dela se agarraram aos cabelos longos dele, puxando com força até doer, fazendo Neji responder com a mesma voracidade. Sua mão a agarrou pela nuca, seus dedos apertando com força contra a pele. Suas línguas se tocaram sem timidez, sem o mínimo molde de um primeiro beijo, elas guerrearam por território como se lutassem por vida ou morte.
Neji a empurrou contra o balcão com brutalidade, fazendo suas costas chocarem com um baque surdo e Temari soltou uma exclamação dolorosa no meio do beijo, descendo as unhas pelo pescoço dele, arranhando com intensidade.
Ela ia deixar marcas.
O homem pressionou um joelho entre as pernas dela e Temari gemeu, mordendo seu lábio e lambendo em seguida. Uma onda de tesão a apossou assim que seus rostos se afastaram e seus olhos se tocaram.
Aqueles olhos claros e frios ardiam. Ardiam como as chamas mais profundas do inferno e, por fim, ela achou algo insensato e animalesco que ela tanto buscava: o penhasco no qual ela adoraria se jogar.
E
Ino sentia seu corpo se mover como se estivesse fora dele. Como uma alma que escapa e observa de fora os movimentos e compassos. Era algo que acontecia com frequência quando ela dançava, como se soltasse sua alma e fosse mais do que apenas Yamanaka Ino. Era uma sensação libertadora e gostosa, que mantinha seu coração batendo forte dentro do peito, como a percussão da música.
Afinal, a percussão é a alma do negócio.
Naruto dançava na frente dela, despertando olhares de muitas garotas ao redor. Isso era normal, ela se lembrava bem de que durante os anos de colégio e mesmo depois disso, todas as garotas acabavam fascinadas por ele. Bem, isso quando elas já não estavam obcecadas por Uchiha Sasuke.
Embora os dois fossem como unha e carne e não se desgrudassem para nada, quando iam a alguma festa com muita gente em algum ambiente fechado, Sasuke sempre evitava ir. Ela conseguia entender: muita gente em um lugar com poucas saídas de emergência lhe geravam um estresse absurdo, uma recordação que ele não sabia lidar bem. Então nessas festas, sem o eclipse de Sasuke por perto, Naruto brilhava mais que o sol.
Eles nunca tinham sido amigos muito próximos, mas Sakura havia sido o link necessário que lhes levara a uma convivência continua mesmo depois do colégio. Aquilo era divertido, estar dançando com Naruto como não fazia há anos. Era uma pena que Sakura não estivesse ali...
Sakura.
Seus ombros se comprimiram como se um peso absurdo tivesse pousado sobre eles.
O que Sakura e Genma estariam fazendo numa hora dessas?
Era melhor não pensar.
Embora confiasse muito em Sakura e soubesse que mesmo que rolasse algo não seria algo sério e que sua melhor amiga jamais roubaria Genma de si, ela não podia esperar o mesmo do jogo sujo do Shiranui.
Genma era um homem bonito demais e que tinha lábia demais. A mesma lábia que a engolira como um buraco negro.
- Ino? – Naruto se aproximou, pousando uma mão em seu ombro de maneira gentil. Seu sorriso simples lhe gerou um calor amigável no coração e ela voltou à realidade, vendo que tinha parado de dançar – Você tá bem? Quer sentar um pouco?
A voz dele soava baixa sob as notas altas da música, mas ela apenas sorriu e concordou, sentindo-se cansada de repente. Pensar em Genma estava lhe fazendo se sentir exausta nos últimos dias.
- Sim – ela respondeu com um sorriso amarelo.
Eles se viraram em direção da barra do bar e buscaram seus respectivos parceiros.
- Oh meu Deus! – Ino exclamou, levando a mão para cobrir seus lábios e puxando Naruto mais para si.
Ela apontou com a mão o local da barra onde Neji e Temari estavam e Naruto deixou o queixo cair, como num anime.
- Coitado do Shikamaru! – Ino resmungou, tomando as dores do melhor amigo.
Sinceramente, aquela Temari era muito solta. Solta demais para o gosto de Ino. Ela nunca tinha ido muito com a cara da outra. Para falar a verdade, sempre tinha sido muito possessiva com Shikamaru e Chouji, mas a adultidade tinha lhe ensinado que ambos teriam suas próprias vidas e relacionamentos, assim como ela.
- Eu não esperava isso – foi tudo o que Naruto disse.
Seus olhos azuis se fixavam na cena com mais curiosidade do que o normal.
Ele esperaria aquilo de Temari, ela tinha um espirito livre e aventureiro, mas Neji? O educado e reservado Hyuuga Neji não encaixava na cena absurda e erótica que estava encarando.
O Hyuuga empurrava Temari contra a barra, devorando seu pescoço e segurando seu cabelo com força, a outra mão estava desaparecida entre seus corpos e Naruto não quis imaginar muito o quê ou onde ele estava tocando. Era informação demais para seu cérebro.
- Eles deveriam arranjar um quarto! – Ino disse exasperada – Que falta de bom senso!
Ela tampouco conseguia deixar de olhar, a cena era hipnotizante demais para controlar. O modo como Temari se agarrava aos cabelos longos e soltos, ou como uma das pernas dele se encaixava entre as delas, se movendo de maneira sensual e perigosa.
Por um segundo, Ino imaginou ser aquela mulher, e ser devorada por Neji pareceu ser a coisa mais animalesca e excitante que já lhe passara pela cabeça. Tentou deletar o pensamento, passando as mãos pelos cabelos platinados e os amarrou em um rabo de cavalo alto. Ela precisava pensar em algo, ela queria desaparecer dali.
Era injusto pensar que Temari estava se agarrando com Neji na sua semana do Love Shuffle. Não havia regras sobre aquilo? Não devia ser proibido? Não tinham que respeitar as rodadas?
- Naruto? – ela chamou, um pouco chateada, prestes a reclamar sobre isso, mas o loiro estava digitando algo rapidamente no celular.
Ino olhou para a tela, vendo que era uma mensagem de texto e tentou ler o que ele estava escrevendo. Mas antes que ela conseguisse juntas as letras com todo o álcool que tinha consumido, Naruto já tinha apertado a opção de enviar e estava guardando o celular no bolso do jeans.
- Pronto – ele disse sorridente.
- Pronto?
- Mandei eles arranjarem um quarto – ele respondeu simples, com aquele sorriso honesto esparramado pelos lábios.
Ela quis socar a cara radiante dele.
- Como assim?
- Você não quer comer algo? – ele perguntou, passando uma mão pelos cabelos loiros e úmidos de suor – eu estou morto de fome! – ele riu – Podemos comer e eu te levo para casa.
- Eu não quero ir para casa! – Ino reclamou com um beicinho.
A ideia de ir para casa enquanto aqueles dois se agarravam era algo incompatível. Talvez tão incompatível quanto ela e Neji.
- Podemos ir para a minha, depois eu-
- Já sei onde podemos ir! – ela disse de repente, cortando-o no meio da frase.
Os olhos dele lhe encararam com curiosidade.
- Podemos comprar algo e ir para lá.
- Onde?
Ela sorriu radiante. Ia compartir seu segredo com Naruto.
Neste momento, Naruto pareceu ser a pessoa adequada para estar com ela. Ele era sorridente e radiante, e sempre tão positivo que com certeza faria seu humor melhorar.
- É uma surpresa – ela respondeu, misteriosa e Naruto riu, concordando com a cabeça.
- Ok, você me guia – falou simples, e segurou a mão dela.
Ino se sentiu surpreendentemente feliz.
S
N/A: Gente, calma, muita calma nessa hora lol :D
Muito obrigada por esse monte de reviews! Vocês fizeram meu coração muito feliz com cada uma de suas palavras - menos algumas anônimas sobre NejiHina não ser canon, mas né, numa fic KakaSaku quem está esperando canon? muahahaha Sei que vocês devem estar esperando por mais aparições do Kakashi-sensei, mas isso só vai acontecer no capítulo 10 xD AGUENTEM, vou tentar ao máximo fazer isso valer a pena ;) Eu AMEI escrever esse cap, acho que é o melhor cap da fic até agora.
E aí, gostaram? Eu espero que sim né, mas eu dei um plot twist do demônio em vocês, hehe, assumo que estou sendo arriscada, mas quem não gosta de arriscar a vida, e a fic e os favorites-? lol Espero o parecer de vocês, queridas leitoras! Mas se for para me xingar, por favor guardem para vocês, principalmente os anônimos...
O que será que vem a seguir? OMG! xD
Love, Tai.
