N/A: cuidado, cenas fortes :D


Love Shuffle

Capítulo 9 – Feeling Sexual


NaruTema | NejiIno | GenSaku | ShikaHina


S

Eles não chegaram até a cama.

Seus corpos se enroscaram no meio do corredor do quarto do hotel e Neji a empurrou contra a parede fria, fazendo-a estremecer. Seus lábios se buscaram raivosos e o homem lhe arrancou o vestido num movimento rápido e fluido, fazendo os cabelos dela se soltarem do rabo de cavalo e caírem selvagens e encaracolados ao redor de seu rosto.

A moldura perfeita.

Uma pedra bruta.

Temari riu, sentindo-se malditamente quente e excitada, sua calcinha já estava tão molhada e ela não se lembrava da última vez que sentira tamanha excitação.

Ela desabotoou a camisa dele, puxando-a pelos braços e arranhando a pele pálida e firme. Ia fazer questão de deixar algumas cicatrizes.

Neji rosnou baixo, seus olhos mais escuros do que ela jamais vira. Ele apertou seus seios enquanto ela desabotoou o jeans dele, empurrando o tecido para baixo junto com a boxer preta e libertando seu membro rijo e quente.

O homem puxou seu sutiã com força, estourando o encaixe da frente e ela bufou.

Sério mesmo?

Uma risada maléfica a possuiu, enquanto Neji lhe sugava um mamilo com força e determinação gerando uma corrente elétrica e instigando todos seus sentidos a borbulharem. Ela rumou os dedos para masturbá-lo, tomando seu membro não mão e movendo com força. O homem rosnou de novo, contra sua pele e desceu a calcinha dela pelas pernas com impaciência.

Hoje ele não estava interessado em ser delicado ou paciente, muito menos com preliminares.

Hoje ele queria descontar a raiva.

E Temari parecia estar bastante entretida com as investidas bruscas dele.

Ela não tinha decepcionado a promessa de curtir certa brutalidade e aquilo o excitava ainda mais.

Neji virou-a em suas mãos, fazendo-a encarar a parede e separou suas pernas com rapidez. Caçou uma camisinha dentro da carteira enquanto a fazia baixar a coluna e empinar a bunda e apreciou a vista.

Ele riu maldoso. Temari era uma mulher de tirar o fôlego.

Num movimento firme, ele entrou nela com força e ela gemeu alto, se de dor ou prazer Neji não fazia ideia. Mas a sucessão de rápidas estocadas a fizeram gemer mais e rir, então ele pensou que ela estava se divertindo tanto quanto ele.

Embora seus dedos se apertassem contra a pele do quadril dela, trazendo-a para si e depois a afastando com maldade, ele não tinha nenhum intuito de deixar marcas. Temari tinha um namorado e, embora isso não estivesse lhe atrapalhando naquele momento, ele tinha algum respeito pelo Nara. Não lhe parecia certo marcar o corpo de alguém que tinha para quem voltar, mesmo que o outro não estivesse se importando muito por onde sua namorada andava se metendo.

Então ele se esforçou para manter o corpo de Temari imaculado.

Diferente dela.

Ao ver as marcas em seus braços ele sentiu uma raiva abrupta o consumir e os vaivéns de seu quadril passaram a ser mais curtos, mas também mais fortes. Ela era louca, insana, ardente.

Ela nublava qualquer pensamento de sua cabeça num torpor louco e fervente que o fazia apenas sentir.

E ele se sentia queimar como há muito tempo não havia queimado.

Ela era uma tempestade e os golpes eram magnificamente brutais.

Temari o olhou por cima do ombro, seus olhos prometendo um sem fim de pecados e ela sorriu maldosa. Gemendo e suspirando a cada nova estocada, sem nunca romper o contato visual.

Aquela noite seria longa.

E

Ino comeu mais uma batatinha e apoiou a cabeça contra a porta de vidro.

Eles estavam sentados num colchão de solteiro que ela trouxera há dois dias para o apartamento, junto com duas almofadas roxas e mantas de patchwork lilás e fúcsia. Tinham uma vista legal da cidade e eles passaram grande parte do tempo conversando sobre a decisão dela de comprar seu próprio apartamento.

Mas a conversa tinha ido para águas distantes sobre a cena que viram na balada.

- Eu não imaginava que Neji podia ser tão... – Naruto não concluiu a frase e Ino riu.

- Sexy?

- Bruto – Naruto corrigiu com uma careta. Ele realmente não queria imaginar Neji transando, não mesmo, era meio nojento, quase assustador.

Ino riu mais, tomando o refrigerante e concordando com a cabeça.

- Vai, fala a verdade, a Hinata também tem esse lado obscuro? – ela perguntou com ar brincalhão – Vai ver é uma coisa de família – ela o olhou curiosa.

Naruto ficou vermelho como um pimentão.

- Não fale assim dela!

- Mas o que tem demais? – ela exclamou, pousando a bebida no chão da varanda – Não me diga que vocês estão esperando o casamento!

- Claro que não! – ele disse perplexo, vendo-a rir de novo – Pare de rir! – ele reclamou.

- Sem chances – Ino disse, comendo outra batatinha – Vai, desembucha, ela é assim também.

- Não!

- Não é ou você não vai falar?

- Não é e eu não vou falar mais nada!

Ino concordou com a cabeça, mas estava longe de ter desistido.

- Vocês fazem um casal fofo...

- Fofo... – ele repetiu emburrado. Ele não queria ser um casal fofo, ele queria ser um casal que deu certo – Prece que não adianta ser fofo.

- Nah – ela estalou a língua – Hinata nunca teve mais ninguém Naruto, é normal ela estar com medo de se casar sem ter tido a chance de conhecer mais pessoas.

- Eu não quero falar sobre isso...

- Nós não temos mais 15 anos, Naruto. Essas coisas precisam ser ditas.

Naruto ficou quieto. Ela e todo mundo estavam certos, mas ele se negava a aceitar aquilo.

- Hoje a Temari queria que eu ficasse com alguém, fosse ela ou qualquer outra mulher.

- Por quê? – ela perguntou um pouco surpresa.

Ele deu de ombros e tomou um gole de refrigerante.

- Ela diz que eu preciso me soltar mais, ser menos "fofo" – ele fez aspas no ar com seus dedos e ela sorriu, entendendo o intuito de Temari.

Embora Naruto fosse um homem bonito e muito atraente, ele sempre parecia ser o irmão mais velho. Ele tinha seu encanto sendo assim, mas o passar dos anos o fizera parecer cada vez mais irmão e menos... Hum... Homem. Ele não tinha mais aquela faísca proveniente dos hormônios, ou aquele ar sexual exacerbado que exalava nos seus primeiros anos da academia de polícia.

- Ser mais sexy, então?

- É, tipo isso.

- Acho que pode ser uma boa ideia, afinal a Hinata se apaixonou por você naquela tua época de pegador.

- Eu não era pegador! – ele resmungou.

- Magina... As meninas que o digam...

Ele revirou os olhos, mas apoiou a cabeça no vidro e a olhou.

- Eu sei que eu mudei com o tempo, mas todo mundo mudou.

Ela refletiu um pouco. Era verdade.

Chouji tinha se casado com uma francesa e se mudado para a França para abrir um restaurante. Shikamaru estava com Temari há bastante tempo. Kiba tinha uma namorada fixa e trabalhava como veterinário na área rural de Konoha. Shino estava morando nos Estados Unidos. Tenten dava aula de educação física e defesa pessoal na academia de artes marciais de Lee, que continuava solteiro e obcecado pela luta. Ela estava com Genma e logo se mudaria para seu próprio apartamento. Hinata seguia sendo a boa moça, mas agora queria ter mais experiência. Naruto tinha aquietado o facho...

Mas Neji continuava solteiro.

Sasuke continuava sendo um babaca.

E Sakura continuava apaixonada por ele.

- Nem todo mundo.

Naruto sacou de pressa de quem Ino falava e ele suspirou.

- Você acha mesmo que o jogo vai dar certo? – ela perguntou – Acha que ela vai esquecer o Sasuke de vez?

- Eu espero que sim – murmurou, seus olhos perdidos nas luzes da cidade.

- Eu tenho receio de que as coisas não mudarão muito se ela não mudar.

- Ela vai ter que mudar em algum momento.

- Mas e se não mudar? – Ino perguntou, parecendo aflita. Afinal, Sakura era sua melhor amiga desde que se lembrava por gente.

Naruto ficou quieto. Aquela pergunta não tinha resposta.

- Eu não sei...

Eles ficaram em silêncio.

Sakura não era a única que precisava mudar. Ela também precisava.

- Acho que o jogo vai mexer muitas peças no tabuleiro – Ino disse séria.

- Humf! – ele riu – você falou igual o Shikamaru agora.

Ela sorriu.

- E Shikamaru? – perguntou.

- Eu acho que ele sabe lidar com Temari... Pelo menos foi isso que ele me fez pensar.

Ino pensou naquilo. Shikamaru conhecia Temari mais do que eles. Estavam juntos há tempo suficiente para saber o que ela faria ou não. Talvez ele até tivesse lhe dado o consentimento para estar com outras pessoas...

A verdade era que aquele relacionamento ainda era um mistério para ela. Shikamaru e Temari eram tão diferentes que ela não conseguia entender como eles se encaixavam, como duravam tanto tempo.

- Mas Temari e Neji mexeram uma peça que não estava no tabuleiro – ela sussurrou, sem saber se dizia para si mesma ou para Naruto.

- Shikamaru sempre está muitos passos a frente, Ino – disse simples e puxou a manta, tapando suas pernas e as de Ino, a noite tinha refrescado bastante.

- É, eu espero que você esteja certo...

O jogo também mexeria com Shikamaru, ela não tinha dúvidas. Não saberia dizer se para bem ou para mal, mas algumas peças no tabuleiro o fariam ter que pensar um quilômetro por minuto.

Talvez ele gostasse daquilo...

Da incerteza de ganhar ou perder um jogo.

Ela detestava aquilo.

- Eu espero não ser a única insatisfeita com esse jogo... – resmungou.

- Você não é – ele afirmou, sua voz parecendo cansada e um pouco dolorida.

- As pessoas acham que eu sou meio besta – Ino comentou – Mas eu não sou estúpida... Eu sei que Genma quer se livrar de mim.

- Ele não quer se livrar de você! – Naruto tentou defendê-la.

Ela sorriu entristecida, puxando a manta até seus ombros e apoiando a cabeça no ombro de Naruto.

- Quer sim, ele só não sabe como.

- Então você deveria se livrar dele antes! – disse emburrado. Naruto pensava em Ino como pensava em Sakura. Ele detestava ver mulheres sofrendo, mas era isso que sempre acabava acontecendo com suas amigas.

Quando é que elas iam arranjar um homem decente?

- Parece uma boa ideia – Ino fechou os olhos, sonolenta. O cansaço e a bebida a fazendo se sentir quente e pequena – Você poderia me ajudar a encontrar alguém legal...

- Shikamaru é legal.

- Ew! – ela riu – Shikamaru é como meu irmão, é meio nojento.

- O Neji é legal – ele murmurou, apoiando a cabeça sobre a dela e aconchegando os braços embaixo da manta também. Estava frio.

- Pelos últimos acontecimentos, acho que eu não faço o estilo do Neji...

Eles riram baixinho e resmungaram sobre Neji ser um garanhão no fim das contas.

- O Genma não serve – eles concordaram com aquilo – Bem, sobrou eu – ele disse, meio dormindo.

- É... – ela concordou com um ar sonolento – Parece que eu vou ter que conquistar teu coração.

Naruto sorriu.

- No fim das contas, eu sou o melhor partido... – Naruto se sentiu de repente muito feliz com sua própria constatação.

- Ah – ela suspirou, rendendo-se ao sono – que problemático.

O loiro riu baixinho e sentiu o sono dominar seu corpo.

É, Ino era uma mulher legal.

X

Shikamaru acordou com uma dor forte no pescoço.

Mas que merda...

Tinha dormido no sofá. A televisão estava ligada e a tela piscava com o letreiro de GAME OVER.

Droga.

Ia ter que recomeçar o nível. Cair no sono no meio do jogo era a maior roubada de todas. Certamente tinha morrido em algum momento babaca que com um simples apertar de botões o teria salvado.

Shikamaru espreguiçou, sentindo as vertebras estalarem e voltarem para o lugar e massageou a nuca e o ombro, onde a dor muscular pulsava como uma filha da puta. Esticou as pernas e se ergueu, sentando no sofá e desligando o videogame e a TV.

Que horas eram?

Seu relógio de pulso indicou às 8h da manhã e ele olhou ao redor. A luz do sol invadia a sala pela brecha das cortinas e não havia nem sinal de Temari.

Ele riu.

Seria possível que Temari tinha tirado a sorte grande e passado a noite com Naruto? Bem, aquilo soou a piada babaca e ele imaginou a cara de Naruto sem conseguir lhe olhar nos olhos. Ia ser o melhor momento para gozar da cara do loiro, mas seria problemático.

Ele pescou o celular da mesa de centro e viu a mensagem de Temari às 3h da manhã: "Não me espere."

Há. Curta e grossa.

Algo estranho deslizou por seu corpo, um pouco amargo e frio. Talvez fosse o tal do ciúmes, escorregadiço e traiçoeiro. Não que Naruto lhe parecesse um perigo, mas de certo era algo que ele não esperava.

Ele não estava tantos passos à frente quanto gostaria de estar.

Se fosse Genma ou Neji, ele esperaria por isso, mas Naruto? Nem pensar.

Shikamaru passou as mãos pelo rosto e se levantou. Precisava de um banho e um remédio para dor, também um café lhe parecia uma boa pedida para começar o dia.

Lentamente, depois de tomar um comprimido a seco, Shikamaru tomou banho, fez a barba e se vestiu. Para falar a verdade ele não queria estar em casa na hora que Temari chegasse. De repente ele se sentia muito surpreso para saber como olhar para ela quando entrasse pela porta.

Seu instinto mais inato sempre tinha sido fugir, e era exatamente isso que ele estava disposto a fazer: prolongar o máximo possível antes de ter que lidar com aquilo.

Então pegou a chave de sua moto, colocou uma jaqueta preta de couro para evitar o vento frio da manhã e decidiu sair para tomar café em uma de suas cafeterias favoritas.

O vento ardeu em seu rosto enquanto dirigia pelas ruas quase vazias de Konoha. Parecia que os moradores tinham decidido dormir até mais tarde naquele sábado, aquilo o fez se sentir surpreendentemente só.

Ele lidava bem com a solidão. Sempre o tinha feito. Na verdade ele preferia estar sozinho e cômodo em sua casa do que estar por aí com seus amigos. Desde que Chouji se mudara para a França as coisas tinham sido assim, afinal ninguém nunca fora tão boa companhia como seu bom e velho amigo.

A triste constatação o fez acelerar a moto e cobrir alguns quilômetros com rapidez. Ele não queria pensar, ele queria simplesmente desligar seu cérebro como fazia muitas vezes e bloquear pensamentos e sentimentos incômodos. Mas parece que naquela manhã as coisas não seriam como ele esperava.

Sua cabeça deu mais voltas sobre Naruto e Temari. A ideia era tão absurda que ele apertou mais as mãos no guidom da moto e parou bruscamente num sinal vermelho.

Merda.

Onde estava com a cabeça?

A mente o levou de volta para o hall de entrada dos apartamentos, na frente do elevador, e ele reviveu com nitidez os dois longos minutos que estivera encarando com concentração a porta do apartamento de Naruto.

O hall estava silencioso.

Estariam ali?

Teriam ido a outro lugar?

Para falar a verdade, Shikamaru tinha pensado que levaria aquele jogo com facilidade. Mas aquilo estava sendo muito mais problemático do que imaginara. Aquilo era um saco.

Ele dirigiu por mais alguns minutos e estacionou sua Suzuki preta na frente da cafeteria, tirando o capacete e entrando preguiçosamente pela porta.

O aroma de café e bolo se misturavam com um toque de canela agradável e seus sentidos foram guiados como uma abelha ao pote de mel até o balcão, encarando os bolos e salgados expostos na pequena vitrine de vidro.

O primeiro emprego de Chouji tinha sido ali. Ele e Ino sempre passavam as tardes estudando para provas da faculdade em uma das mesas mais afastadas e conversavam com o amigo quando o movimento estava mais parado. Eles até tinham um cardápio especial chamado InoShikaCho. Era uma recordação valiosa que o fazia se sentir em casa.

A moça o reconheceu e puxou assunto, perguntando como iam as coisas. Ele tentou ser agradável e eles conversaram um pouco sobre Chouji e seu novo restaurante em Touluse, na França. Ela sabia de cabeça o pedido dele, um café expresso triplo sem leite e sem açúcar. Como ele costumava dizer: nada dessas bichices de chantilly e sabores artificiais.

Ele pediu um bolo indiano com cobertura extra de canela e se virou para andar até a mesa que sempre usava, mas estava aparentemente ocupada por um casal de loiros.

Loiros?

Ino e Naruto estavam sentados na mesa mais afastada, tomando seus respectivos cafés.

Naruto?

Sua mente deu um giro de 360º. O que Naruto estava fazendo ali com Ino, mas sem Temari?

Ino o viu e sorriu radiante acenando para que ele se aproximasse.

Mas assim que ele começou a andar ela fez uma careta estranha e Naruto se virou para vê-lo.

Algo estava errado. Muito errado.

Ambos gelaram no mesmo instante em que Shikamaru chegou à mesa e puxou uma cadeira.

- Bom dia – disse Ino com uma voz entrecortada que Shikamaru imaginou ser porque ela sabia mais do que ele pela primeira vez na vida.

Ah, ele estava prestes a entender o que demônios estava acontecendo.

- Ei cara – Naruto tentou sorrir, mas o sorriso amarelo que ele conseguiu forçar era tão falso que Shikamaru sorriu encorajador.

- Bom dia – respondeu, seus dedos ficando gelados enquanto ele agarrava o copo térmico de café e o levava até os lábios.

Por que mesmo as pessoas não podiam fumar em lugares fechados?

Isso era uma injustiça tão grande que ele nunca entenderia.

Será que as pessoas não entendiam o significado da nicotina para os fumantes? Calmante natural que impedia rompantes de fúria. Ou de ciúmes, nesse caso.

- Não me olhem com essa cara de quem acabou de ver um fantasma – ele resmungou, dando um gole longo no café pelando, sentindo o sabor amargo escorrer dentro de si tal como o ciúmes que estava começando a borbulhar estressante em suas veias.

- Er... – Ino enfiou um pedaço generoso de bolo de maçã na boca e sorriu sem graça, enquanto fazia certeza de que estava impedida de falar pelo próximo minuto.

- Onde está a Temari, Naruto?

A pergunta foi tão direta que o loiro engasgou em seu cappuccino cheio de bichice e chantilly, ficando vermelho do pescoço até o último fio de cabelo.

Quando ele parou de tossir e secou os lábios com um guardanapo, encarou Shikamaru sem graça.

Era isso, eles estavam ferrados.

Naruto engoliu seco.

- Eu acho melhor você falar diretamente com ela, não acha? – propôs sem graça.

- Não, eu não acho – disse seco, sentindo uma aura escura e poderosa o rodear, como um mar de sombras.

Ele se divertiu encarando a cara de Naruto e se perguntou por que ele não usava aquele tom mais vezes. Seria mais divertido fazer as pessoas ficarem com medo dele, e ele tinha certeza que muitas mulheres o achariam bastante interessante...

- Desembucha, Naruto – ele pressionou, vendo Ino olhar pela janela e o loiro encolher os ombros sem saber por onde começar – Você ia levá-la ao The Catch, e ela não está com você nem está em casa. Com quem ela está?

Tão direto que Ino o olhou com os olhos arregalados. Haviam olheiras sob seus olhos, então talvez ela também tivesse passado grande parte da noite acordada.

Para que estivessem juntos ali, naquela hora da manhã, o mais natural seria que eles tivessem passado a noite juntos, o que também parecia outra barbaridade, já que Ino e Naruto com certeza não pareciam ter nem um interesse um pelo outro.

Ou talvez não. Ele podia imaginar os dois juntos e, estranhamente, lhe parecia até que uma boa ideia.

Mas esse não era o tema da vez.

O tema da vez era Temari e-

Merda!

Se Ino estava ali com Naruto, então Temari estaria com-

- Neji – ele murmurou. Sua cabeça apitando como uma chaleira, e ele se perguntou por que demorara tanto a chegar naquela conclusão.

Sério, era meio obvio.

Talvez fosse a falta de nicotina.

Seus olhos fixaram num ponto da mesa e ele começou a processar a informação.

A constatação estava demorando tempo demais para lhe gerar uma reação, então ele ficou imóvel por um longo minuto enquanto seus amigos o olhavam com certo assombro.

- Por que você perguntou se você já sabia a resposta? – Naruto resmungou por fim – Sério, você vai acabar me matando do coração um dia desses...

Ino o olhava intensamente, parecia extremamente preocupada e ele quis rir da cara dela. Parecia que seus olhos iam pular pra fora a qualquer momento.

- Shikamaru, você tá bem?

A voz dela soou distante e ele começou a voltar a si.

Temari e Neji.

Céus!

Como aquilo tinha acontecido, ele ainda não entendia bem. Ele tinha certeza que aconteceria, mas jamais esperou que fosse tão rápido, sem sequer chegar a vez de estarem juntos no Love Shuffle.

Um quilômetro por minuto, pensou.

Ele estava realmente à frente. Embora soubesse que em algum momento aconteceria, ele não planejara como aquilo chegaria a isso. E neste momento ele não fazia a mínima ideia de como lidar com o acontecido.

Com esse deslize.

- Como isso aconteceu? – ele perguntou, tentando se relaxar na cadeira e pegando um pedaço de bolo com o garfo.

- Er... – Naruto empacou.

- Nós não vimos, estávamos dançando e eles estavam comprando alguma bebida. E de repente eles estavam lá se agarrando.

AGARRANDO. A palavra piscou em luzes neon em sua mente, como um videogame.

Um flash passou por sua mente como uma lembrança surreal e ele nem precisou tentar imaginar Temari e Neji se agarrando no The Catch, ele simplesmente via a cena rolando em sua cabeça.

- Foi meio absurdo, sério – ela continuou, encarando o bolo de maçã e fazendo buracos com o garfo – Eu achei uma falta total de respeito, que coisa tão obscena...

- Obscena? – ele repetiu atônito.

- Ino... – Naruto resmungou.

Os olhos claros dela o encararam surpresos.

- Sinto muito, Shikamaru! – ela exclamou rapidamente – Eu aqui reclamando porque ela roubou meu par da semana e você tendo que lidar com uma traição!

- Traição? – ele repetiu outra vez. Devia parecer um robô babaca.

Ino levou as mãos à boca e pareceu ter feito algo de muito errado. Mas Shikamaru apenas revirou os olhos e Naruto voltou a respirar.

- Foi mal, cara. Eu não devia ter deixado isso acontecer – Naruto falou, pousando as mãos sobre a mesa e olhando Shikamaru com mais seriedade – Deve ser difícil de escutar.

Difícil?

Bem, difícil era pouco, porque as imagens obscenas deles se agarrando no bar do The Catch estavam cada vez mais eróticas e ele não sabia bem o que fazer com aquele calor absurdo no seu abdômen.

Ele precisava de um cigarro.

Era urgente.

- Não se preocupe, Naruto. Eu lido com a Temari depois – ele disse, enfiando mais uma garfada de bolo na boca.

Aquilo não deveria estar acontecendo, e tampouco deveria estar gerando aquelas reações absurdas no seu corpo. Era incoerente, quase incompreensível.

Ele deveria estar morrendo de raiva, não é? Aquilo não estava explícito no jogo e menos ainda no relacionamento deles, ele nunca tinha dado permissão para Temari sair por aí fodendo com o primeiro que passasse.

Não.

Mas ao mesmo tempo, sentia uma pequena agressividade. Uma agressividade quase sexual e aquilo era o que ele não deveria estar sentindo: porque, as pessoas não deveriam ficar excitadas ao pensar em seus parceiros o traindo com outro, não é?

Por deus, ele ia explodir.

Engoliu o bolo com um gole longo do café. O sabor amargo de misturando com a canela do bolo e gerando uma sensação ardente.

Seu cérebro estava usando palavras muito equivocadas para compreender a realidade.

Neji e Temari se agarrando.

A ideia voltou a inundar sua mente, errada em quase todos os sentidos e excitante em todos os demais. Ele fechou os olhos e suspirou.

- Ah, Shika... – Ino disse, pondo uma mão sobre seu ombro – Eu te avisei que essa mulher era um problema.

Se era um problema?

Ela era a confusão em pessoa!

- Eu sempre te disse que ela era meio... bem... soltinha? – ela fez uma cara de pena e ele pensou que Ino era uma retardada.

Ou não.

Porque a reação normal seria ele ficar com raiva da Temari, se sentir chateado pela traição e querer quebrar a cara do Hyuuga. Mas quebrar a cara do Hyuuga era a última coisa que lhe passava pela cabeça. Meio que ao contrário, ele queria era agradecer e pedir um replay.

Cara, eu virei um pervertido. Eu devo estar que nem meu pai...

- Você deveria terminar logo com ela.

Ele bufou, Ino estava dando nos nervos e ele ia socar era a cara dela.

- Ino – ele murmurou enfático e ela se afastou dele, bebericando da bebida bicha que ela estava tomando e ele respirou fundo para aguentar a pressão dos amigos, a sensação absurda e quente no seu baixo ventre e a retaliação mental que ele estava se auto impondo – Eu lido com isso, ok. Você não precisa tomar minhas dores.

Certo.

Ela concordou com a cabeça.

E agora ele precisava de um cigarro. Ou dois. Talvez um maço inteiro.

- Bem, eu vou comprar cigarro – ele disse, se levantando.

- Não me diga que você vai fazer que nem a lenda do homem que saiu para comprar cigarro e nunca mais voltou! – Naruto disse, meio em choque – Você não precisa sair agora, a gente devia conversar e quando você estiver se sentindo bem-

- Eu estou bem – Shikamaru afirmou – Aliás, bem demais. Melhor do que deveria.

Ele afastou a cadeira e pegou o capacete que estava no chão.

- Shika...

- Ino, se você falar mais um A, vai sobrar para você.

Ela se calou naquele instante e ele agradeceu.

Saindo pela porta tão de fininho que parecia uma sombra.

U

Sakura estava bebericando seu café instantâneo sentada na cama de casal de Genma.

Usar o roupão de Ino lhe fazia se sentir uma péssima amiga. O banheiro de Genma estava repleto de produtos femininos e aromáticos, ela até tinha usado o shampoo de Ino para lavar o cabelo meia hora antes.

Ela era uma péssima amiga.

Mas Ino tinha dito que estava tudo bem, que Genma estava liberado, e ela estava tentando se agarrar a essa afirmação com todas suas forças.

Neji tinha cancelado a reunião de trabalho que costumavam ter aos sábados e ela torceu para que Ino fosse o motivo pelo qual o Hyuuga não pudesse ir para o hospital hoje.

Tomara.

Ino era linda e atraente e ela estava certa de que Neji era também um homem encantador e que eles estariam se divertindo juntos.

Ela até sentia uma invejinha, quem não queria uma lasquinha de Hyuuga Neji?

Sakura escutou o flash e olhou para a porta do quarto. Genma estava nu, com a câmera de fotos na mão, olhando a foto que acabara de tirar dela.

- O que eu te disse sobre não tirar fotos íntimas minhas?

- Você está vestida, não dá pra ver nada. Mas essa luz do dia faz teus cabelos ficarem ainda mais rosas e contrasta com teus olhos muito bem.

Ele sorriu e ela balançou a cabeça, tomando outro gole de café.

- Por que você pinta os cabelos de rosa?

Sakura sorriu.

Esse tema lhe fazia pensar em Kakashi e na cara que ele tinha feito quando ela entrara na sala de aula com seus cabelos cor de rosa choque. Ele tinha ficado simplesmente chocado.

- Bem – ela começou – Eles tem um tom louro cinzento meio besta, na verdade, tipo loiro escuro. Quando eu estava no colegial, comecei a pintá-los de loiro platinado como os da Ino, nós até fomos no cabelereiro juntas – adicionou com uma sensação de nostalgia – Era porque diziam que o Sasuke gostava de loiras.

Ele fez uma careta e se sentou na cama ao lado dela.

- Daí ele me deu um fora imenso, eu briguei com Ino, e decidi que queria radicalizar. Foi a primeira vez que pintei de rosa, era um rosa choque meio punk – ela riu, lembrando-se – Eu ainda tinha o cabelo comprido, quase como o de Ino. Mas, cuidar de um cabelo rosa dá muito trabalho, então cortei.

Ela fez uma pausa para se lembrar de como tudo aquilo tinha acontecido. A adolescência não tinha sido uma época muito agradável, mas a vida adulta tampouco era. E tudo era culpa de sua paixonite aguda por Sasuke.

- Eu me identifico com a cor. Não consigo mais me imaginar com o cabelo natural. Até tentei voltar à cor dele, mas não me sentia bem, era como olhar para o espelho e ver outra pessoa.

Genma pareceu surpreso e tirou outra foto dela, um close de seu rosto delicado e a caneca que ela bebericava lentamente.

- Mas agora eu uso um rosa mais claro, parece menos punk.

- É meio hipster.

Ela riu.

- Pode ser. Mas é a minha cor. Toda a minha família e o pessoal do hospital dizem que fica bem, então não me importa muito que os pacientes pensem que eu sou alguma novata bizarra, os funcionários sabem que isso não é verdade.

- A cor do cabelo não tem nada a ver com o cérebro – ele falou, pousando a máquina sobre a mesa de cabeceira e tirando a caneca das mãos dela para beber o que restava de café, antes de colocá-lo ao lado da máquina.

- Eu concordo, eu sempre fui a melhor aluna da sala, embora Sasuke tinha notas parecidas... Na verdade isso é graças à preguiça do Shikamaru, porque ele era um gênio preguiçoso que nunca terminava as provas e sempre tirava notas necessárias para passar de ano e entrar na faculdade de Economia.

- Então você não tinha muitos competidores.

- Não – ela sorriu, vendo o homem se aproximar.

- O que você quer fazer hoje?

Sakura deu de ombros, nem ela estava certa do que queria fazer. Para ser sincera, ela estava cansada, tinham passado metade da noite em claro. Obviamente ela não se arrependia daquilo nem por um momento.

Genma era um daqueles homens que podia aguentar a noite inteira e continuar pela manhã, mas ela não tinha tanta estamina.

- Podemos almoçar em algum lugar legal – ela propôs.

- Me parece boa ideia, eu to faminto.

Ela riu. Era obvio que estaria, ela também estava.

- De tarde eu pensei em tirar umas fotos, você pode ir comigo.

- Legal...

Era interessante conhecer o cotidiano de pessoas diferentes, que não viviam o ambiente do hospital como ela. Que faziam seu próprio horário.

- Foto de que?

- De Konoha, tenho que entregar algumas para uma revista de turismo.

Ela concordou. Seria divertido.

- Ou a gente pode fazer umas fotos mais íntimas... – ele comentou, se aproximando e envolvendo-a pela cintura.

Genma roçou a barba por fazer no pescoço dela, depositando um beijo em seu ombro e suspirando. O cheiro de Ino estava impregnado em Sakura. Ele quase riu da contradição e seus pensamentos se focaram no jogo.

- E aí, eu já ganhei teu coração? – perguntou com uma voz manhosa que a fez sorrir e mover a cabeça, dando-lhe mais espaço para explorar seu pescoço e ombro.

- Meu coração? – ela riu – O coração eu não digo, mas com certeza ganhou outras partes do meu corpo...

A malícia a fez morder o lábio de leve, flashes da madrugada se misturando com um calor sensual que lhe correu pelas pernas até sua virilha.

- Então vou me manter fiel a essas partes do seu corpo – ele murmurou, passando a mão pelo interior da coxa dela e raspando os dedos de leve em seu sexo nu.

- Genma... – ela repreendeu.

- Hum?

- Sabe, eu gosto bastante de todo esse teu desejo sexual por mim, na verdade eu fico lisonjeada – contou – Mas acho que seria legal a gente sair um pouco, conversar...

Ele a soltou, sorrindo e afastando os cabelos no rosto. Ele passou o piercing por entre os lábios num tic e se levantou.

- Tá bem, Haruno-sensei – ele brincou – Então eu vou tomar um banho pra gente ir comer algo.

Ela concordou, também se levantando.

- Certo, eu vou pra casa me arrumar, quando estiver pronto você bate lá e a gente sai.

Genma fez que sim com a cabeça e abriu o armário para pegar uma muda de roupas limpas.

- Não vou demorar – ele avisou.

Ela começou a se vestir.

- Estou certa que não, pode ser que eu demore mais – disse risonha.

- Ah, mulheres! – ele exclamou, entrando no banheiro – Sakura, – chamou antes de fechar a porta – Coloque uma blusa preta, pode ser?

Ela levantou os olhos verdes para ele e pareceu surpresa.

- Acho que vai ficar legal para uma foto – explicou.

A mulher sorriu, achando muito divertido se envolver com um fotógrafo e concordou.

- Ótimo! – ele disse, fechando a porta.

A

Shikamaru escutou o barulho do motor do carro e se levantou da cadeira de seu escritório. Ele estava checando algumas mudanças de um de seus investimentos na bolsa de valores. Tinha fumado quase meio maço de cigarros esperando ansiosamente que Temari chegasse.

Ansiedade não era algo que combinava com ele, ou com sua personalidade, mas ele se perdoou porque, como qualquer ser humano, ele também tinha o direito de ficar ansioso ante situações novas e ligeiramente arriscadas.

Ele espiou pela janela e viu sua namorada sair do carro do Hyuuga. Observou o outro homem dentro do carro, parecendo frio e reservado. O carro esperou que Temari entrasse no edifício e depois arrancou pela rua com uma velocidade superior a permitida.

Shikamaru sentiu a adrenalina correr em suas veias como um veneno instigante, fazendo uma onda quente de raiva nascer no mais íntimo de seu ser.

Ele decidiu esperar na sala.

Tinha imaginado várias maneiras de abordá-la sobre o tema. Ainda não estava certo do que faria, mas achou que no momento algo natural sairia como normalmente acontecia.

Lidar com mulheres não era sua especialidade.

Elas eram problemáticas e hormonais, sempre contraditórias, embora todas tivessem aquele mesmo padrão entediante.

Mas Temari não era uma mulher normal.

Temari era ainda mais problemática. Como o olho do furacão.

Apoiou-se contra a parede e cruzou os braços, fechando a cara de maneira instintiva, tentando controlar as emoções borbulhantes em seu peito.

Ouviu o elevador chegar ao hall de entrada e sentiu um ódio firme começar a lhe dominar. Era bizarro, ele nunca tinha se sentido assim, mas de repente todos aqueles sentimentos nasciam como se brotassem das rocas de seu peito e escorressem como água turva por todos seus órgãos.

Era como soltar o próprio animal que levava dentro, vivendo adormecido sob sua pele. Como uma segunda personalidade sombria e obscura, aquela aura que tinha guardada para momentos especiais, como mais cedo na cafeteria.

A chave encaixou na fechadura e a maçaneta girou.

Seu coração pareceu parar de bater por um instante.

A porta abriu devagar e Temari entrou sem olhar, fechando a porta e a trancando num movimento automático.

- Onde você estava? – perguntou sério, sua voz soando mais rouca e masculina que o usual.

Temari se virou, encarando-o com seus olhos profundos.

Havia olheiras sob seus olhos e seus cabelos estavam úmidos.

Bem, pelo menos ela tinha tido a delicadeza de tomar banho antes de voltar para casa cheirando à Neji.

Algo apertou dentro dele com o pensamento e ele empurrou as costas contra a parede para começar a andar.

- Por aí... – ela respondeu inconsistente e ele riu sarcástico.

- Por aí? – ele pressionou, se aproximando dela como quem se aproxima de sua presa, ou talvez de seu predador.

Encurralando-a na entrada do apartamento, vendo-a colocar a bolsa e as chaves no aparador de madeira, ele sentiu os olhos rastrearem os movimentos dela como um lazer, buscando sinais, buscando respostas, buscando informações.

- É, por aí.

Ele concordou com a cabeça, cruzando os braços outra vez e se parando na frente dela, sem deixa-la passar.

- Você se divertiu?

Algo passou por seus olhos, instigado, ansioso, aflito e a loira viu, viu aquilo que ele deixou escapar sem querer. Então Temari sorriu maliciosa e cruzou os próprios braços sob os seios, espelhando a imagem dele e levantando o queixo, desafiadora.

- Bastante.

- Com quem? – Shikamaru rosnou as palavras num tom baixo e as sobrancelhas dela se ergueram.

Ele estava a alguns passos à frente, ela não tinha esperado isso.

- Com quem seria? – perguntou ela.

Filha da puta.

- Bem, eu diria que Naruto se eu não tivesse encontrado ele e Ino na cafeteria mais cedo.

Ela abriu um sorriso vitorioso no rosto.

Ele já sabia.

- Se você sabe com quem eu estava, porque está perguntando?

Os ombros dele ficaram mais rígidos.

- Por que eu gostaria de escutar dos teus próprios lábios.

Ela estreitou os olhos, vendo-o esquadrinhar seu rosto com seus olhos afiados.

- É mais sexy se eu falar?

- Você me traiu, Temari, é o mínimo que você pode fazer por mim.

Temari ficou rígida, a palavra tinha soado maldosa demais em seus ouvidos.

Traição.

Não era algo que combinava com ela, muito menos com eles. Temari estava mais do que satisfeita com seu relacionamento com Shikamaru. Ela não queria que ele ficasse bravo com ela ou chateado.

O que ela menos queria era feri-lo.

- Eu achei que você tinha gostado da ideia...

- Eu achei que você esperaria a sua vez.

Ela descruzou os braços e apoiou as costas na parede.

- Ficou com ciúmes? – ela perguntou com maldade.

- Com quem você estava, Temari?

O ar ficou denso ao redor deles e a tensão aumentou, o silêncio soando estático como magnetismo. Seus olhos se encararam.

- Hyuuga Neji.

O nome soou como nitrogênio líquido e os pensamentos de Shikamaru colidiram. Sua mente explodiu como combustível, e ele se moveu com rapidez.

Suas mãos agarraram os cabelos soltos de Temari e seus lábios se chocaram com força.

Shikamaru não esperou pela reação dela e enfiou a língua áspera e amarga como tabaco em sua boca.

Ele não fazia ideia do que estava fazendo. Ele era puro instinto naquele momento.

Temari aceitou sua língua, mas não respondeu imediatamente, deixando beijá-la com firmeza. Sua língua explorando a boca que ele já conhecia como a palma de sua mão.

Estava buscando, procurando com afinco qualquer gosto ou resquício do Hyuuga no sabor conhecido da língua dela.

Sua língua se enroscou na dela, sugando seus lábios e voltando a investir a língua profundamente em sua boca, fazendo-a respirar com força pelo nariz, apressada. Ele traçou o corpo dela com as mãos, perguntando-se se Neji havia feito o mesmo, se a havia tocado em todas as partes, se havia se aproveitado de todas aquelas curvas magníficas.

Se havia deixado marcas aparentes.

Shikamaru se afastou e encarou os ombros expostos dela, imaculados, a pele de seu pescoço estava lisa e sem o menor indicativo de arranhões, chupões ou sinal do Hyuuga.

Ele deslizou as alças do vestido pelos braços dela, fazendo com que a peça caísse no chão e se amontoasse nos tornozelos da mulher. O sutiã estava aberto na frente - o feixe estourado - e a onda de tesão que lhe atacou foi mais absurda que nunca.

Shikamaru tomou os encaixes do sutiã nas mãos, como se estivesse constatando algo em silêncio e ela sorriu, sem olhá-lo, enquanto ele encarava a renda com certa fúria.

Um rosnado indignado escapou por seus lábios. Como um lobo.

O homem empurrou os bojos do sutiã para os lados e apreciou os seios fartos e sem nenhuma marca. Aquilo o enraiveceu. Ele queria uma marca, uma comprovação, algo que ele pudesse mascar por horas como fumo e remoer como um maldito.

O Hyuuga não tinha lhe deixado nenhum indício para encarar.

Maldito.

Onde estavam os resquícios de Neji no corpo dela?

Onde estavam?

Ele se enfureceu e voltou a beijá-la com força, fazendo-a soltar uma exclamação surpresa por seus lábios e receber a língua dele de bom grado outra vez. Ele ia encontrar, ele precisava encontrar.

E ali estava.

Aquele sabor estranho, diferente, masculino. Remanescente na língua dela.

Como um troféu.

Shikamaru apertou os olhos com força e chupou a língua dela com desejo, coletando aquele gosto sensual e masculino, sugando com determinação até que aquele sabor empapasse sua língua como remédio.

Seu corpo enrijeceu e seu pênis reagiu, a ereção ficando obvia sob sua calça jeans, enquanto ele a beijava com selvageria e sentia o gosto do Hyuuga entre seus lábios.

Como pecado.

Céus, e que grande pecador ele era.

Temari postou as mãos em seu peito, quando ele empurrou seu quadril contra o dela, e a mulher o afastou.

Mas o gosto em seus lábios permaneceria por mais tempo. Muito mais tempo do que ele gostaria.

- Não, Shika...

Ele respirou fundo, deixando o rosto tombar e encaixar na curva entre o pescoço e o ombro perfeito dela. As ondas de calor eram firmes e o faziam estremecer, sentindo o cheiro de shampoo e sabonete.

Shikamaru fechou os olhos e visualizou a cena. E já não era mais ele e Temari naquela sala. Não, era ela e o Hyuuga sendo absurdamente sexuais e abusados num quarto de hotel qualquer.

O homem deu um passo atrás, seu coração batendo alto dentro do peito, e passou as mãos pelo rosto, tentando afastar as inúmeras sensações que seu corpo estava produzindo.

Ele pescou um cigarro no bolso detrás da calça, colocou-o entre os lábios e acendeu. A fumaça entrou densa por seus lábios, esquentou seus pulmões e saiu apressada de volta.

Temari usou aquele momento em que ele lhe dera um pouco mais de espaço para tirar o sutiã por completo e subir o vestido de volta para o lugar. Ela o olhou com interesse, vendo como ele fugia de seu olhar e encarava a janela entreaberta. Seus olhos negros estavam acesos pelo desejo da curiosidade, mas ao mesmo tempo havia algo neles que ela quase não conseguia suportar.

Dor.

- Shikamaru... – murmurou o nome e o viu se virar de leve para ela, com suas pálpebras pesadas e seu olhar firme fixando-se em um ponto específico da clavícula dela – Eu sinto muito – disse séria e ele revirou os olhos devagar – Não tinha planejado que as coisas fossem assim, mas aconteceu. Na hora eu não pensei em como isso te afetaria.

Shikamaru andou até a cozinha, recusando-se a escutar as desculpas dela. Ele não sabia o que fazer com as palavras dela, mas seu corpo reagiu imediatamente e todo o desejo se esvaiu, a ereção morrendo e o desejo escapando como a fumaça do cigarro por seus lábios. Ele não queria que ela se desculpasse, ou talvez queria, mas ele não queria ter que lidar com aquilo. Ele não sabia como. Aquilo soava a tristeza e dor e ele não queria sentir aquilo, ele queria estar a frente, muitos passos a frente e não precisar se chocar ou doer por aquele tipo de situação.

Ele pousou o cigarro num cinzeiro ao lado do fogão, escutando-a tirar os sapatos e andar até o sofá.

- Você tomou café? – ele perguntou rouco, fugindo das palavras dela.

- Não.

Ele colocou a máquina de café Nespresso para funcionar e pegou uma cerveja na geladeira, escutando-a se espreguiçar no sofá.

Seu corpo estava voltando ao normal, os milhões de hormônios e substâncias começando a esvair de seu corpo, escorrendo por seus poros, matando completamente os resquícios do momento anterior. Da fúria, do tesão, das emoções absurdas que lhe haviam assomado como um vulcão em chamas.

Shikamaru deu um gole na cerveja gelada, desligando a Nespresso e observando a espuma do café com muita atenção. Era como os raios do sol depois de uma tempestade, a sensação de claridade voltando aos seus sentidos como uma espécie de névoa que dissipa com o raiar do dia.

Aquela manhã tinha sido longa demais... Turbulenta demais, e seus neurônios ressentiam o exercício ao que tinham sido expostos, como quando o corpo ressente quando corre mais quilômetros do que os previstos, sua mente sentia da mesma maneira.

Dez quilômetros por minuto...

A mudança bruta de trabalho mental tinha fatigado seu corpo e sua mente e ele sentiu como o sabor levemente amargo da bebida se misturava com o sabor masculino que ainda restava em sua língua. O sabor de Neji misturado com o de Temari.

Ele suspirou, cansado.

Quando voltou para a sala, seu corpo já não reagia nem a ela nem à excitante situação de imaginá-la com Neji. Na verdade, agora que seu corpo estava esfriando, ele começava a sentir uma ligeira sensação de perda, de vazio.

- Me desculpe – ela repetiu, pegando a xícara de café da mão dele e oferecendo-lhe um sorriso entristecido.

- Ah – suspirou, sentando-se ao lado dela e se dedicando a beber e fumar num ritmo preguiçoso e agradável – Me pegou desprevenido, foi só isso. – ele resmungou, apoiando os pés sobre a mesa de centro – Não esperava uma aparição Hyuuga tão cedo...

Ela riu suavemente e tomou o café, sentindo-o confortável ao seu lado, com um braço atrás dela e olhando-a de perfil. Temari levantou os olhos e o encarou.

- Não vai mais acontecer desse jeito, ok?

- Agora que aconteceu, eu acho que não me importo mais...

Temari o observou levar a cerveja aos lábios e olhar a televisão desligada.

Algo se chocou dentro dele. Como uma compreensão profunda e aguçada que acende de repente como uma lâmpada.

Não é verdade.

- Não – ele disse, assim que engoliu a bebida e a mulher o olhou com certa incomodidade – Na verdade eu quero saber – decidiu, finalmente olhando os olhos de sua namorada – Eu quero saber quando e onde, e como.

A loira levantou uma sobrancelha fina e seus lábios subiram numa expressão curiosa, malícia nascendo em sua face.

Eu quero mais...

- Eu quero saber tudo – ele disse firme e seus olhos negros brilharam como carvão aceso – Eu quero saber o que ele faz e como o faz – continuou, tomado por um torpor de curiosidade e excitação outra vez, só que dessa vez seu corpo não reagia, era apenas sua mente galopando quilômetros por minuto, num torpor intelectual, sapiossexual – Quero saber se você gosta e porque gosta. Quanto gosta...

Shikamaru tomou uma madeixa loira e encaracolada entre seus dedos e observou como o cabelo e a textura lhe faziam se sentir em casa, se sentir calmo, embora interessado.

- Eu quero que me conte tudo.

Temari levantou ambas sobrancelhas dessa vez, surpresa com a resolução dele.

- Quero que comece agora – ele demandou, seus dedos soltando o cabelo dela e seus olhos se fixando aos dela com intensidade. A busca estranha por compreender, por saber, por ter aquilo que ele não tinha, aqueles momentos que não lhe pertenciam, mas que ao mesmo tempo se sentiam tão dele como nunca – Quero que me conte tudo o que aconteceu na noite passada.

Era uma aposta alta, uma aposta séria que poderia ricochetear da maneira mais errada possível.

As balas podiam voltar direto para o peito dele.

Eu não me importo.

Ele pagaria para vê-los, ele daria qualquer coisa para descobrir os segredos da explosão que aquelas duas forças da natureza gerariam juntas.

- Você tem certeza? – ela perguntou, como se sondasse a superfície congelada de um lago, uma superfície frágil que poderia romper a qualquer momento sob seus pés.

Shikamaru sentiu as palavras dela, refletindo como elas geravam certa ansiedade dentro de seu peito, mas era uma ansiedade diferente da anterior. Ele não estava se sentindo desconfortável, inseguro ou com vontade de fugir.

Era uma ansiedade que libertava.

Era uma ânsia por respostas das quais ele não sabia a pergunta.

- Sim. Eu tenho certeza.

Como se deixar levar pelo vento.

E o vento que cobriu seu corpo com intensidade quando Temari começou a falar, o levou para lugares sombrios e desconhecidos, o fez tocar mais de uma sensação nova. Como se desbravasse terras virgens com as pontas dos dedos.

Aquele vento selvagem o conduziu até a clareira profunda onde descansavam os mistérios de Hyuuga Neji.

E Shikamaru jamais seria o mesmo.

L


N/A: Pronto, mais um bocado de tensão na fic. ^^ Muito obrigada pelos reviews! Sempre me fazem querer escrever o mais rápido possível para poder compartilhar as ideias com vocês :) Adoreiii que peguei a grande maioria de vocês despreparados com a parte NejiTema, sexy né? Ah eu quero saber o que vocês acharam .

Love, Tai