N/A: Feliz Páscoa, meus amores! Capítulo de Coelhinho da Páscoa para vocês! xD


Love Shuffle

Capítulo 11 – Second Round


R

Neji tinha pensado seriamente em como seria encarar Shikamaru depois do que havia acontecido entre ele e Temari. E em todas suas tentativas ele se imaginava em situações realmente embaraçosas ou que transmitissem sentimentos realmente negativos vindos do Nara. Mas em nenhuma delas ele chegou minimamente perto do quão estranho seria sentir os olhos de Shikamaru recaírem sobre ele. Aqueles olhos negros e entediados, como se o Hyuuga não passasse de um objeto no cenário.

Como se ele fosse o ser humano mais minúsculo de todo o planeta.

Neji detestava aquilo, aquela indiferença absurda. Shikamaru tinha que transmitir algo, nem que fosse minimamente, certo? Ou será que ele era tão sangue frio a ponto de não sentir absolutamente nada?

Bem, isso era melhor do que uma agressão física, ou pelo menos foi nisso que ele tentou se agarrar.

Mas então, de repente, algo intenso e quente como o carvão brilhou naqueles olhos negros no momento em que se focaram no chupão. A temperatura da sala de Shiranui Genma caiu uns bons graus e Neji percebeu Ino prender a respiração no canto da sala, enquanto o Nara parava em meio a um movimento e encarava firmemente a pele exposta e marcada.

Neji quis sorrir de repente, como se dissesse: te peguei. Mas ele apenas congelou no lugar, sentindo a força daquele olhar e o desgosto misturado com algo borbulhante naquelas írises escuras como a noite.

Não houve nenhuma amostra de ódio ou raiva, pelo menos não fisicamente, mas a sensação de ter aqueles olhos perturbadoramente negros cravados em si, fez com que seus músculos enrijecessem. Ele respirou fundo sob o olhar escrutinador e levantou o queixo devagar.

Era uma amostra de seu próprio orgulho, misturado com uma sensação predadora de demarcar o território, de mostrar os caninos e rir na cara do perigo. Como se buscasse uma reação, mas a única reação que conseguiu tirar de Shikamaru foi um estreitar de olhos e um movimento misterioso no canto esquerdo de seus lábios, repuxando levemente para cima.

Mas tão rápido quanto começou o movimento morreu e Shikamaru se virou de volta para Ino e continuou falando com ela, ignorando a presença do Hyuuga completamente.

Temari havia lhe tratado como se nada tivesse acontecido, com um "Olá" e um sorriso desses que roubavam a cena, mas Neji continuava espiando o Nara a cada certo tempo, apenas para se manter atualizado das reações dele. Ino fingira o máximo possível não prestar atenção no chupão ainda roxo que marcava a pele pálida de seu pescoço, mas falhara miseravelmente.

Mas pelo menos ela tinha dado uns tapinhas em seu ombro e comentado sobre como aquela camiseta de mangas longas lhe dava um ar informal muito interessante. Ela pressionara os lábios com força para evitar qualquer comentário desagradável, mas apertara de leve o braço dele num movimento quase acolhedor, como se dissesse: a culpa e não é toda tua.

E definitivamente não era.

O chupão em seu pescoço gritava aquilo. A falta de chupões pelos ombros e pescoço – em todo o corpo – de Temari diziam exatamente isso: ele tentara não fazer as coisas ficarem ainda mais difíceis.

Hinata não tinha entendido nada quando Ino o tratara de maneira bastante normal, sem deixar transparecer qualquer traço de animação. Aquilo estava ficando estranho em sua cabeça, mas aquele jogo já era suficientemente estranho. Ela não conseguia imaginar por que diabos Ino não estava se jogando nos braços dele, porque ela certamente deveria estar fazendo isso, não era o que ela queria?

Algo estava muito estranho nisso, principalmente no jeito que Shikamaru não cumprimentara Neji. Ela preferia não saber se seu primo tinha feito qualquer coisa de errado com Ino e por isso essa situação estava daquele jeito. Então ela decidiu se juntar à Genma na cozinha, que estava atarefado com os preparativos para o lanche.

- Eu vou fazendo o chá – ela se ofereceu, depois de cumprimenta-lo tímida, e eles passaram a conversar amenamente sobre a semana.

Era uma boa distração, ela pensou, se perguntando porque Naruto ainda não estava lá. Mas ele logo fugiu de seus pensamentos quando ambos começaram a conversar sobre a organização do evento do ano da Hyuuga Corp.

O ambiente na sala estava carregado, foi o que Neji pensou quando sentou no sofá e observou ao seu redor.

Lhe chamou atenção que Ino não estava próxima de Genma, na verdade toda vez que eles chegavam muito perto, nas vezes em que ele começara a trazer os lanches para a mesa da sala, ela arranjava uma desculpa para olhar para o outro lado e evita-lo, sentando-se junto com Shikamaru à mesa e conversando sobre qualquer novidade que tinha de Chouji, ou ignorando a presença de Genma se não fosse estritamente uma interação direcionada à ela.

Temari estava falando pelo celular próximo à janela, algo que deveria ser relativo à reeleição de Gaara em Suna, pois ele escutou mais de uma vez termos de campanha política.

Shikamaru e Ino se mantinham sentados à mesa conversando sem muita animação. O jogo parecia definitivamente falho, um erro, um desastre. Ou pelo menos foi isso que ele pôde constatar de primeira.

Quando Naruto entrou, sem sequer bater à porta, sorridente e falando um "boa tarde" animado, a atmosfera mudou um pouco, ficando mais clara e suportável. Pelo menos nem todo mundo estava preparado para um enterro. Ele parecia ansioso e seu olhar buscava algo pela sala, Hinata obviamente, sem achá-la.

O loiro se virou e viu Neji no sofá. Ele fez uma cara estranha e tensa, seus olhos azuis endureceram e ele pareceu engolir algo a seco no momento em que o chupão foi o foco de seu olhar.

- Boa tare – ofereceu Neji, fazendo o loiro sorrir um pouco mais e apertar seu ombro num gesto rápido, tentando se ajustar à sensação estranha que pairava no ar.

- E a Hinata-chan? Ela disse que vinha com você – ele disse ansioso e Neji soltou um riso pelo nariz, Naruto parecia um adolescente de 15 anos correndo atrás da pretendente.

- Ela ta na cozinha ajudando o Genma.

- Ótimo! – o loiro vibrou e sorriu, se afastando do sofá – Ino! – ele exclamou em seguida, quase trombando com a cadeira onde ela estava.

Naruto a abraçou rapidamente e comentou algo sobre ter encontrado uma loja online onde as tintas de parede tem desconto se compradas a partir de uma determinada quantidade, fazendo o Hyuuga pensar que já não era o único sabendo sobre o apartamento novo de Ino. A loira pareceu muito entusiasmada e agradeceu, falando rapidamente para Shikamaru a novidade sobre o apartamento. Neji reparou como o rosto do outro homem se iluminou de uma felicidade legítima e ele sorriu, parabenizando a loira.

Neji se sentiu estranho. Fora de lugar, completamente deslocado. Ele suspirou, apertando os dedos sobre a ponte do nariz, justo antes de escutar Naruto rir e falar alto, entrando na cozinha. Naruto dava a sensação de estar por todos os lados.

Omnipresente.

Hinata estava vestindo um vestido rosa claro e um cardigã cinza chumbo, seus cabelos estavam soltos ondulando nas pontas e a franja caía delicadamente sobre suas sobrancelhas. Ela estava adorável.

Naruto sorriu ao vê-la, seu coração disparando como um louco dentro da caixa torácica, fazendo-o rir e se sentir meio bobo. Ele cumprimentou Genma e passou por ele, andando até ela e tocando seu ombro e cabelos com carinho.

- Ei – ela sorriu de volta para ele, seus olhos claros engolindo a imagem luminosa de Naruto, sentindo as carícias em seu ombro – Como você está? – ela perguntou baixinho, vendo-o sorrir e tocar agora sua bochecha.

Genma sorriu e saiu da cozinha, fechando a porta atrás de si, para lhes dar mais privacidade.

- Tô com saudade... – ele resmungou e a trouxe mais para perto, impedindo-a de levar a bandeja de chá para a mesa da sala. Mas Hinata não recuou, ela se apertou contra ele, devolvendo o abraço.

Ele suspirou alto.

- Eu odeio isso – foi tudo o que Naruto disse, segurando-a entre seus braços com força, afundando o rosto contra o cabelo dela e inalando aquele aroma floral, delicado que ela tinha – Eu senti tanto a tua falta.

Ela concordou com um aceno de cabeça, seu rosto escondido entre o peito dele e o pescoço, sentindo o cheiro conhecido do homem que amava.

- Eu também – ela murmurou contra a camiseta vermelha que ele usava e dando um beijo suave no ponto onde conseguia sentir as pulsações dele.

Naruto se afastou suavemente até que pudesse encará-la e observar seus olhos claros e suas bochechas coradas. Ele olhou por cima do ombro, certificando-se de que a porta estava fechada e sorriu para ela. Um desses sorrisos meio marotos meio gentis que ela estava tão acostumada.

- Hinata... – ele murmurou, segurando o rosto dela com mais intensidade e aproximando-se dela até que suas respirações se misturassem. Seus narizes se esbarraram e ela riu baixinho, antes que seus lábios se encostassem.

Nos últimos meses, Naruto tinha ficado cada vez mais gentil e suave com ela, não era algo ruim, mas era diferente, era como se ele estivesse tentando se adaptar a algo que não fazia parte dele. Mas quando seus lábios se tocaram, havia algo diferente dessa vez, algo instintivo, firme, quente. Algo que ela não sentia com ele já há algum tempo.

Naruto suspirou, aprofundando o beijo, implorando com a ponta da língua para que Hinata lhe atendesse, e ela atendeu, partindo os lábios e recebendo-o avidamente. Suas línguas se tocaram numa sensação gostosa e as mãos dele deslizaram por suas laterais, acariciando os tecidos que a envolviam até que ele a puxou mais para si, dando um passo para trás e encostando-se na parede. As mãos de Hinata se embrenharam nos fios loiros e puxaram devagarzinho, fazendo-o gemer contra seus lábios e girá-los no meio de cozinha, pressionando as costas dela contra o balcão da pia, dessa vez e guiando suas mãos até as coxas dela, apalpando seu corpo sem a mínima vergonha.

As costas de Hinata começaram a suas e seus batimentos estavam tão rápidos que ela podia ouvi-los no fundo dos ouvidos, fazendo-a se sentir um pouco tonta. Ele voltou a beijá-la, com voracidade dessa vez, depois de uma breve pausa para uma respiração mais profunda, como se ele a fosse devorar ali e agora e Hinata percebeu as reações no corpo dele, pressionando contra a barriga dela.

As mãos firmes, a respiração pesada, o desejo explícito na parte da frente de suas calças. Tão ousado, tão óbvio, tão quente.

Hinata abriu os olhos incomodada no meio do beijo, um pouco incerta e envergonhada, mas Naruto apenas desceu os beijos pelo pescoço dela, murmurando algumas palavras carinhosas, sem notar seu desconforto. Ela encarou a cozinha ao redor deles, a porta, os armários, as louças nas prateleiras e respirou fundo, apertando as mãos contra os ombros do loiro e empurrando-o para longe devagar.

- Naruto-kun, aqui não... – ela disse baixinho, corada e tímida, encarando para baixo, para a calça dele que deixava bem obvia a sua situação e então o olhou – Desculpa.

O loiro a olhou um pouco perdido e decepcionado, mas a deixou escapar de seus braços, como água entre os dedos, assistindo atônito como ela pegava a bandeja de chá e saia pela porta da cozinha deixando-a encostada outra vez sem mais nenhuma palavra. Sem nenhuma explicação ou consolo.

Deixando-o sem chão.

Naruto cambaleou alguns passos atrás, encostando as costas quentes na parede fria da cozinha, sentindo o choque da sensação lhe arrepiar e respirou fundo, tentando comandar sua mente e seu próprio corpo a chegar num estado neutro.

Mas sua cabeça estava borbulhando como um bule cheio de água fervendo. As sensações da excitação se misturando ao rechaço e a impotência de ver Hinata simplesmente sair sem mais, sem sequer esperar que ele pudesse sair junto com ela.

Tudo parecia absurdamente imenso ao seu redor: o calor de sua pele, o frio dos azulejos, o barulho da sua respiração, o cheiro de Hinata ainda misturado com o seu.

A raiva do rechaço.

A porta foi aberta rapidamente com um baque e Ino entrou, sorridente, procurando um copo. Ela deu dois passos dentro da cozinha e o encarou, parando de andar logo em seguida.

Seus olhos azuis encarando os de Naruto.

Havia algo ali, naqueles orbes azuis que ela nunca tinha reparado antes. Algo arredio, animalesco, intenso. Algo que a fazia pensar em quando eles eram adolescentes e arredios.

Naruto parecia transtornado, mas ao mesmo tempo ele parecia brilhar. Um brilho estranho e descompensado, fazendo-a franzir o cenho e encará-lo com mais atenção, notando a estranha expressão de insatisfação misturada com desejo estampada na face dele.

Ino entreabriu os lábios para dizer alguma coisa, perguntar se ele estava bem, se ele precisava de um ombro amigo. Mas ela acabou apenas puxando ar com força por entre os lábios, assim que seus olhos percorreram o corpo dele rapidamente e repararam no que estava acontecendo.

Naruto não se moveu ou escondeu as reações ainda aparentes de seu corpo.

Seus lábios continuaram entreabertos, suas pálpebras pesando mais do que normalmente, seus cabelos mais bagunçados e suados do que quando ele entrara na cozinha, ambas as mãos espalmadas na parede fria, tentando esfriar o sangue que borbulhava em suas veias. Seu quadril permanecia levemente inclinado para a frente num ato instintivo, atrevido.

Ele sequer ligou que ela encarasse a protuberância na parte da frente de sua calça por um segundo extra do que o necessário. Não, ele não deu a mínima. Havia uma raiva estranha borbulhando dentro de seu corpo naquele momento, e ver que Ino o encarara daquele jeito, curiosa e ao mesmo tempo surpresa, fez com que um pouco dessa raiva diminuísse. Como se ao compartir com ela como ele se sentia, fizesse com que as sensações começassem a ficar mornas dentro de si, como se transferisse parte daquilo para ela.

Como quando se passa a bebida quente de um copo para o outro e a esfria aos poucos, dividindo em dois recipientes o calor.

O sangue dele não estava no cérebro naquele momento, foi a resposta para quando os olhos dele percorreram o corpo dela num ato instintivo e ele pousou o olhar em seus olhos igualmente azuis.

A loira engoliu em seco, vendo-o encará-la sem dar a mínima para sua intromissão e passou as mãos pelos cabelos longos, sentindo-se de repente muito autoconsciente, muito certa de que Naruto não estava pensando claramente naquele segundo e que ela, definitivamente, não deveria estar ali.

Ino saiu sem dizer nada e fechou a porta atrás de si, segurando a maçaneta e respirando fundo. Dando tempo para Naruto se recompor. Dando tempo a si mesma para digerir a cena que acabara de ver. Essa imagem estranha de Naruto sendo... sexual.

Um Naruto excitado e animalesco.

Muito sexual.

Ela umedeceu os lábios e afastou a cena da cabeça piscando os olhos com força, tentando evitar a sensação quente que inundava seu corpo. E não deixou que Genma entrasse na cozinha, obrigando-se a falar com ele descentemente pela primeira vez nesta tarde.

- Dá um minuto pra ele – ela murmurou quando ele tentou passar por ela, mas a loira não largou a maçaneta, soltando as palavras contra a bochecha de Genma, inalando o perfume masculino e sexy dele. Algo em si estava desperto demais naquele momento – A gente deveria conversar – ela continuou no mesmo tom baixo.

- Sim – ele concordou, observando-a de perto pela primeira vez naquele dia, porque ela tinha fugido dele pela última meia hora e Genma era grandinho demais para ficar correndo atrás de meninas. Ele levantou as sobrancelhas, dando um passo atrás e cruzou os braços – Tá tudo ok ai dentro?

- Não é fácil ver a pessoa que você ama andando em outra direção – ela falou séria, e seus olhos claros se fincaram contra os dele.

Genma manteve o olhar firme.

- Céus – ela suspirou baixinho – Como eu sou patética... – murmurou apenas para eles – Eu sei que eu liberei, que disse que ia aprender a lidar com isso, mas eu sei o que vocês estiveram fazendo durante toda a semana e saber me faz sentir mal. Me faz sentir raiva e vontade de te socar.

- Me socar?

- Claro! – ela respondeu rápido, a blusa azul piscina intensificando a cor de seus olhos – A Sakura é minha melhor amiga, eu nunca socaria ela.

Genma riu, soltando os braços e concordando com a cabeça.

- Ino – ele disse, ainda rindo – Você me surpreende tanto, que às vezes eu me pergunto como alguém pode não gostar de você.

- Deixa de ser babaca. Eu tenho cara de besta pra você? Você transou com a minha melhor amiga em todas as posições possíveis e inimagináveis e fica fazendo charminho pra cima de mim?

Genma mordeu o lábio, segurando a risada. Ele queria dizer que era mais forte que ele, mas apanhar ali no meio de todo mundo, ou começar um escândalo junto antes de dividirem os casais da nova semana ia ser duro demais. Então ele ficou quieto.

- Escuta, eu queria conversar sim, durante a semana talvez, hoje não – ela continuou – Eu não quero estragar o dia.

- Ino – ele chamou, segurando a mão dela, mas a mulher balançou a cabeça e não lhe deixou seguir.

- Eu só não quero sair ferida, Genma.

A porta abriu atrás de si e Ino quase caiu no chão, ainda bem que Genma continuou segurando sua mão com força e que Naruto apoiou uma mão em sua cintura firmemente, fazendo um arrepio rápido percorrer seu corpo com a visão fugaz que tivera de Naruto na cozinha.

- Obrigado, Ino – ele murmurou baixo e passou por ela e Genma com uma expressão séria.

O

Sakura tinha trocado olhares com Ino quando a loira lhe abriu a porta. Ela sabia que teriam que conversar sobre aquilo, sobre toda aquela loucura que o jogo estava trazendo para suas vidas e para a amizade delas. Mas aquele não era o momento.

Ino lhe deu um abraço e passou a mão bagunçando seu cabelo rosa. Era como ela poderia transmitir à amiga que estava tudo bem, ou que tudo ficaria bem em algum momento. Então Sakura sorriu e lhe murmurou um 'obrigada' baixinho, antes de comentar como a cor da blusa ressaltava ainda mais a cor dos olhos de Ino.

- Parece fake – ela assumiu, encarando os olhos extremamente claros por causa do realce que a blusa lhes dava – parece que você tá usando lente, é incrível!

Elas riram. Sakura não lembrava a última vez que tinha visto Ino vestindo uma calça jeans, talvez na faculdade? Céus, fazia tanto tempo que era uma surpresa vê-la usando uma skinny jeans junto com a blusa azul piscina de lycra com um decote considerável.

Quando entrou e cumprimentou cada um deles, fazendo esforço para que sua interação com Genma não fosse nada íntima, ela realmente não queria piorar as coisas.

Naruto estava sentado com Neji no sofá comendo um sanduíche, enquanto Neji tomava chá calmamente. Seus olhos se fixaram por uma fração de segundos no pescoço do moreno, no chupão, e ela desviou o olhar buscando Ino próxima à mesa conversando com Shikamaru. A loira virou, como se estivesse conectada com a melhor amiga por alguma atividade telepática, elas seguraram o olhar em uma conversa silenciosa:

"E você nem me disse nada, Pig?"

"Infelizmente não fui eu."

"Então...?"

"Conversamos sobre isso depois."

E como se fossem movidas por um sexto sentido único das mulheres, ambas voltaram as suas respectivas atividades anteriores, Sakura se sentando ao lado de Naruto e Ino comendo bolo com Shikamaru e Hinata.

Temari continuava na varanda, falando no celular, conversando algo que parecia ser sério. Genma estava trazendo alguma coisa da geladeira, algum tipo de torta doce... Ah claro! Torta de biscoito com chocolate: especialidade de Yamanaka Ino.

Naruto estava com uma cara um pouco abatida e Neji estava bem introspectivo, Sakura não fazia ideia do que estava acontecendo ali. Ino lhe trouxe um pedaço de torta doce e um prato para Neji também, piscando de maneira sexy para ele e arrancando um sorriso quase agradecido dele.

- Você tá muito magro, precisa engordar, eu gosto de ter onde pegar – ela falou, fazendo Neji sorrir e Naruto engasgar com seu sanduíche.

- Ino, me traz uma torta também! – o loiro pediu, antes de que ela se afastasse.

- Ei, Sakura, bom te ver.

Sakura virou-se e viu Temari fechando a porta de vidro da varanda atrás de si. A mulher sentou numa poltrona próxima à Haruno e sorriu agradável.

- Como foi a tua semana? – perguntou prestativa.

- Foi boa, eu espero que o Naruto não tenha te cansado muito, Temari-san – ela disse com um sorriso sacana e Naruto lhe deu um soco leve no ombro.

- Não fale de mim como se não estivesse aqui!

A médica riu e comeu um pouco da torta.

- Naruto é um rapaz muito bonito e muito agradável.

- Meu deus, Naruto, quanto você pagou para ela falar isso? – ela perguntou escandalizada e dessa vez até Neji riu, atraindo a atenção dela – Aliás, como foi no The Catch?

A pergunta fez com que Neji, Temari e Naruto ficassem repentinamente rígidos, mas foi Ino quem respondeu, chegando no exato momento.

- Foi incrível, acho que Neji nunca tinha visto uma mulher dançar tão bem como eu – ela afirmou com um sorriso sacana para o moreno e entregou o prato com torta para Naruto.

- Ok... – Sakura murmurou.

- Ino também é uma boa companhia depois que você se acostuma com ela – Neji retrucou, encarando a loira e depois olhando para Sakura.

- Eu não te disse? – ela falou contente e os quatro quiseram socá-la.

Foi neste exato momento que Temari levantou para pegar um café e Sakura viu como Shikamaru os encarava seriamente. Ino se sentou no lugar de Temari e começou a conversar sobre a roupa estranha de Sakura: uma calça jeans boyfriend e uma regata rosa da cor de seus cabelos, com um casaquinho floral.

- Você não pode por uma blusa da cor do teu cabelo – ela explicou – Não pode.

- Mas-

- Ino – Neji a chamou, com um tom de voz baixo, roubando a atenção delas e de Naruto que estava no meio – Eu gostaria de conversar com você depois, pode jantar comigo hoje?

Sakura arregalou os olhos, sem entender merda nenhuma, porque ele estava a convidando se Ino tinha deixado explícito que não tinha sido ela a mulher do chupão? Será que Neji estava interessado nela?

- Não Neji, você lide com as tuas merdas – Ino respondeu baixo de maneira mal humorada – Ele é meu melhor amigo, e eu não estou a fim de me envolver nessa situação.

Neji arregalou os olhos por um segundo, mas depois voltou a manter o rosto sério. O queixo de Sakura despencou. Tinha algo de muito errado ali e ela não estava certa do que era exatamente. Ela olhou para Naruto, que encarava o pedaço de torta no prato entre suas mãos e não dizia nada. Até ele parecia estar entendendo as coisas ali, mas ela não.

- O que tá acontecendo aqui? – ela sussurrou para Naruto e ele a encarou sem muito ânimo.

- Eu te explico depois – ele prometeu baixinho também e começou a comer.

Algo ia definitivamente mal.

- Então, quando vamos tirar as cartas? – ela perguntou em voz alta, tentando mudar o tema.

- Ah que boa ideia – Genma se uniu à ela – Por que não tiramos agora.

- Por que não terminamos de comer primeiro? – sugeriu Hinata, servindo torta para Temari.

Os três eram os únicos perdidos no meio do tiroteio. Mas ainda assim a maioria concordou com Hinata e eles voltaram a comer. Sakura se remexeu no sofá.

- Olha – ela disse apenas para os três sentados próximos dela, Neji, Ino e Naruto – Eu não faço a mínima ideia do que está acontecendo, mas seria ótimo se eu pudesse entender minimamente.

- Depois. Sakura. – Ino pressionou entre os dentes.

Mas a resposta veio clara e simples pelos lábios de Neji: ele se virou para ela, olhando-a com calma e falou baixo o suficiente para que ela escutasse.

- Eu dormi com a Temari.

Os olhos dela se arregalaram e seu queixo caiu mais uma vez. As palavras giraram em sua cabeça como uma roda gigante muito mais rápido do que o normal e seus orbes verdes se congelaram na figura no fundo da sala, sentado à mesa observando-a com muita atenção.

Shikamaru sorriu de leve para ela, um sorrido maldoso e traiçoeiro, e arqueou uma sobrancelha como se lhe oferecesse algo maldoso.

Sakura não conseguiu desviar o olhar e Ino bufou.

- Você poderia ser mais discreta – a loira rosnou baixinho.

Genma parou para observar a súbita mudança do ambiente e tentou entender o que estava acontecendo, agora só ele e Hinata estavam no escuro ali. Um silêncio estranho tomou conta da sala e todos ficaram imóveis diante da sensação de incômodo que se instalou.

Dava para cortar o ar com faca.

Dava para tocar com a ponta dos dedos e apertar na palma das mãos.

Então uma música clássica começou a tocar de repente, cortando o clima tenso em dois e soando pelo ar com delicadeza e precisão. Notas flutuando como bolhas de sabão.

Demorou pelo menos 15 segundos para que eles voltassem a se mover e Neji tentou fisgar o celular no bolso da jaqueta pendurada no encosto do sofá.

- O que é isso? Beethoven? – Naruto perguntou rindo – Como você é nerd!

Ino riu e Hinata também, encarando o primo com curiosidade.

- Não é Beethoven – Neji respondeu, soando irritado e pegando o celular por fim, encarando a tela.

Aquela situação desastrosa o irritava profundamente, e Tenten estar lhe ligando naquele exato momento lhe irritava ainda mais, mas mais do que tudo, o fato de que todas as pessoas deduzissem que música clássica significava unicamente Beethoven, o deixava irado.

Gente sem cultura.

Beethoven era ótimo, mas era ridícula a falta de conhecimento musical das pessoas e a sensação de que eles podiam fazer chacota com quem realmente sabia apreciar uma boa obra.

- Então é Mozart? – sugeriu Sakura, aproveitando que isso estava descontraindo aos poucos o ar, enquanto Neji não atendia, mas também não desligava. Ele revirou os olhos sem olhá-la, encarando a tela do celular.

Ele pareceu finalmente decidir colocar em silêncio, ignorando a ligação e buscando o botão na lateral para tirar o volume quando-

- Você não deveria fazer isso, Hyuuga, é muita falta de respeito.

A voz de Shikamaru soou firme e dura no ar e os dedos de Neji jamais chegaram ao botão de silêncio. Seus olhos claros viajaram pela sala até que ele encarasse o Nara, que tinha os cotovelos fincados na mesa e os dedos entrelaçados a centímetros de seu queixo.

Sua expressão ilegível e seus olhos duros cravando navalhas no rosto aristocrático de Neji.

- Quê? – quem o Nara achava que era para lhe dizer que era falta de respeito ignorar uma ligação?

Seu sangue ferveu.

- Não me leve a mal – o Nara continuou, com um ar um pouco mais amistoso – Eu não sou muito fã de Bach, mas é a Mitsuko Uchida tocando, e ela é simplesmente excelente.

Neji arregalou os olhos.

Ele estava falando da música?

Nesi sentiu suas pupilas se dilataram, formando um buraco negro em suas irises claras.

O sangue bombeou com força em suas veias num tic tac frenético e ele foi incapaz de desviar o olhar, surpreso e maravilhado.

Shikamaru arqueou a sobrancelha e o canto esquerdo de seus lábios repuxaram outra vez, como mais cedo, como se lhe oferecesse um desafio silencioso.

- Do que vocês estão falando? – Naruto quebrou o momento, confuso.

- Sarabande – Shikamaru disse, as silabas deslizando por seus lábios com precisão – É uma obra de Bach, não é nem Beethoven e muito menos Mozart – explicou, sem deixar de olhar diretamente para Neji – E, nesse caso, tenho que me alegrar porque o Hyuuga tem tanto bom gosto a ponto de colocar a interpretação de uma das melhores pianistas que o mundo já viu como toque do celular.

- Ai meu deus – Ino suspirou, revirando os olhos – Não começa Shikamaru, eu achei que você já não fazia isso. Não seja nerd agora – ela pediu e o Nara sorriu com escárnio.

Neji sentiu aqueles olhos negros lhe absorvendo, como se fosse mágica. Naquele momento, o desafio era mudo e simples, era intelectual e refinado, não tinha nada a ver com o desafio denso e quase violento de outrora.

Com aquilo Neji sabia lidar.

Ele podia até dizer que gostava.

Nara Shikamaru era um homem interessante.

Muito interessante.

Temari riu, o som levemente rouco reverberando no ambiente, entre eles, entre seus olhares conectados, entre todos.

- Eu não sabia desse seu lado culto, Shikamaru – ela disse, achando graça.

- Você tinha que ver ele no colegial, era infernal – Ino adicionou, pesarosa – Ele só sabia ficar com os fones de ouvido escutando música clássica. Até que ele finalmente cansou, para o bem da humanidade.

- Ah, Shikamaru, você ainda toca? – Naruto perguntou interessado.

- Toca? – Neji ecoou estranhado e interessado ao mesmo tempo, seus olhos estreitando e se fixando ainda mais na expressão enigmática de Shikamaru.

- Não – o Nara respondeu firme.

- Eu me lembro de quando você tocava no piano do colégio – Sakura disse animada – Ah, você tinha que tocar para a gente, Shikamaru!

- Eu não tenho um piano.

Seus olhos baixaram para a xícara de café, desviando-se da intensidade absurda daqueles orbes cristalinos. Shikamaru podia aguentar muito, mas ele não queria entregar nenhum de seus pensamentos e, diferente do Hyuuga, ele não era um mestre da seriedade.

Seus olhos falavam, e ele ainda não queria que seus olhos dissessem muito.

Ainda não.

- Eu tenho um piano.

A voz aveludada ecoou em seus ouvidos como uma proposta indecente. Os dedos de Shikamaru tremeram de leve com a ideia de voltar a tocar, e ele segurou a xícara em ambas as mãos, escondendo as evidências.

Ele levantou o olhar para encarar o dono daquela proposta obscena e sorriu malicioso.

- Eu não toco mais, Hyuuga.

- Uma pena – foi o que Ino disse, balançando a cabeça – a tua mãe quis morrer quando você decidiu parar de tocar, pra onde ela queria te mandar mesmo? Pra Viena, não era?

- Verdade – Naruto riu – Ela queria que você estudasse para entrar numa orquestra, né?

Shikamaru bufou baixinho e balançou a cabeça, desviando o olhar daqueles olhos hipnóticos outra vez.

Qual era o problema do Hyuuga?

- Era muito problemático...

Temari riu e se aproximou do namorado, olhando-o interessada. Havia tanta coisa sobre Shikamaru que ela simplesmente desconhecia... Tantas facetas ainda por conhecer. A ideia de ter muito mais sobre ele do que ela sabia, lhe fazia querer continuar ali, cavando aos pouquinhos e descobrindo novos tesouros.

Ela pousou uma mão no ombro dele e sorriu interessada.

- E qual era teu compositor favorito? – ela perguntou curiosa, apoiando o quadril contra a mesa e obstruindo a visão que ele tinha de Neji, deixando apenas metade do rosto dele visível.

Shikamaru a olhou, entediado, suspirou e deixou a cabeça no espaldar da cadeira.

- Isso não é uma pergunta que se faça – ele disse, parecendo cansado.

As pessoas não entendiam nada sobre música clássica, nada sobre viver e sentir a música, ninguém fazia ideia do que significava te limitar a decidir por um único compositor.

- Neste momento, o que você tocaria?

Shikamaru sorriu para o teto, se endireitou na cadeira e olhou para o Hyuuga, para a metade do rosto que ele conseguia ver.

- Isso é uma boa pergunta – ele disse baixo.

Neji arqueou uma sobrancelha, esperando uma resposta.

O Hyuuga entendia música.

Não há música para todos os momentos, mas há músicas para cada momento.

O Nara respirou fundo. Buscando dentro de si o que exatamente transmitiria o que sentia no momento, fazia tanto tempo que ele não pensava nessas coisas que era até estranho buscar dentro de si aquele 'eu' adormecido.

- Rachmaninoff, com certeza – ele disse, escutando no fundo na mente as músicas tocarem aceleradas até que alguma delas fizesse mais sentido.

- Deixem de ser nerds! – Naruto pediu, rompendo o momento.

- É, vamos tirar as cartas de uma vez – insistiu Ino.

A movimentação no cômodo gerou uma sensação estranha em Neji, e ele guardou o celular no bolso, a ligação perdida alertando-o que Tenten ligaria mais tarde se ele não lhe retornasse assim que possível.

Sakura percebeu que aquele tema havia aliviado o ambiente e que Temari estava massageando os ombros de Shikamaru e falando alguma coisa em seu ouvido. Ele sorria de leve, levantando o canto dos lábios esquerdo num meio sorriso intrigante e levemente malicioso, mas os olhos dele continuavam presos em Neji, que terminava de tomar seu chá com seu ar de introspecção renovado.

Ela não fazia ideia de quais eram os planos de Shikamaru, mas ele certamente tinha alguma carta debaixo da manga, ela conseguia sentir aquilo com clareza.

Uma vingança?

Vingança não era algo que combinava com Shikamaru, mas ciúmes era uma coisa poderosa...

- Bem, vamos lá – Genma disse, ficando de pé no centro da sala – Venham todos. Meninas, vocês têm suas cartas, certo?

Elas concordaram. Todos pegaram suas respectivas cartas e andaram até onde estava Genma. Naruto piscou para Sakura divertido, e ela se perguntou o que tinha acontecido com ele antes.

Parece que a estranha interação nerd entre Shikamaru e Neji dissipara muitas sensações incômodas que pairavam no ar antes, ela estava agradecida àquilo.

- As mulheres vão manter suas cartas – Genma explicou e correu o olhar pelas quatro mulheres, enfileiradas uma ao lado da outra. Ele pegou as cartas dos homens nas mãos e começou a embaralhar – Nós iremos tirar as cartas outra vez e ver quem sairá com quem durante este segundo round.

Todos concordaram em silêncio.

Genma segurou as quatro cartas viradas para baixo e as ofereceu para os outros pegarem. Cada um tirou uma, ainda sem olhar o resultado, e o mais velho ficou com a última em suas mãos.

- Certo, agora Naruto, porque você não começa? – propôs.

- Yoshhh!

O loiro sorriu e virou a carta para vê-la, e depois mostrando-a para as mulheres.

- Valete de Copas – disse na expectativa.

- Comigo, Naruto-kun! – disse Sakura sorrindo e mostrando a carta com o mesmo naipe.

Shikamaru não esperou ninguém lhe avisar e virou a carta para as mulheres antes mesmo de olhar, esperando a reação de alguma delas.

- Dama de Espadas com valete de Espadas – Ino comentou, levantando a sobrancelha – Isso é marmelada, melhores amigos juntos, é a rodada da amizade – ela comentou parecendo entediada.

- E eu vou ter que te aguentar a semana toda, não me fale sobre marmelada – ele retrucou, com preguiça.

Genma olhou para Neji de soslaio e viu a expressão tensa dele, sem saber bem porque, ele preferiu tomar a frente e olhou sua carta, sorrindo e mostrando-a para os demais:

- Valete de Ouros, quem é minha dama?

Shikamaru prendeu a respiração de leve e observou Temari, mas ela sequer se mexeu.

- Sou eu, Genma-san – Hinata disse baixinho, o rosto corado.

Naruto revirou os olhos e encarou o chão. Eram tantas coisas estranhas socando dentro de seu peito a cada batida dolorosa do coração que ele já nem sabia como lidar com tudo aquilo. A ansiedade, a insegurança, a dor, o medo...

E ainda ter que lidar com Sasuke sendo um imbecil... Céus, ele não tinha pedido por nada daquilo... Ele precisava de paz, ele queria uma família, uma oportunidade de ser feliz. E se não fosse com Hinata, ele simplesmente não fazia a mínima ideia de como ele alcançaria essa felicidade.

Não mesmo...

- Ok – disse Temari – Então acho que eu e Neji estaremos juntos nessa semana – ela sorriu misteriosa e mostrou a dama de Paus dela, fazendo o Hyuuga concordar e mostrar seu valete de Paus.

- Eu vou fumar – Shikamaru afirmou, saindo para a varanda.

Houve um silêncio incômodo por um instante.

- Bem, que comece o segundo round! – exclamou Genma – Alguém quer mais café?

- Eu aceito, Genma – falou Sakura andando na direção de Ino e empurrando a amiga para a mesa de jantar – Você vai ter que me explicar isso já – sussurrou para a loira, fazendo-a se sentar e tomando a cadeira ao lado.

Ino suspirou e concordou.

U

A porta de vidro se abriu e fechou às suas costas, mas o homem nem se moveu para ver quem era. A agitação em sua mente estava tão intensa que ele não queria ter que lidar com nada mais naquele momento.

Ele escutou os passos e o som de um isqueiro acendendo, seguido do inalar e exalar. Shikamaru deu a volta e se deparou com um par de olhos claros observando-o.

- Você fuma – ele constatou, sentindo-se besta na hora que as palavras saíram da sua boca.

- Mais do que eu gostaria de assumir – Neji respondeu, apoiando as costas na porta de vidro.

Eles ficaram em silêncio por um tempo. Shikamaru perdeu o olhar no piso frio, pensando em todas aquelas coisas que estavam passando por sua mente desde que as cartas definiram os casais daquela semana.

Temari estaria com Neji. E ele teria que liar com aquilo da melhor maneira possível.

Todos seus planos maquiavélicos, neste momento, pareciam infantis e vergonhosos.

Ele preferia não ter que assumir isso para si mesmo, mas uma sensação incômoda mergulhara em suas vísceras e se instalara ali de maneira definitiva. Dando voltas dentro dele como um maldito pião, girando e gerando desconforto e angústia misturado com curiosidade e ansiedade.

Ciúmes.

A palavra escalou em sua mente como uma víbora traiçoeira, fazendo-o assumir o quão humano era, o quão inseguro podia ser quando deparado com a concorrência de Hyuuga Neji.

- Eu te devo um pedido de desculpas.

Shikamaru ergueu o rosto num movimento rápido, encarando Neji com seriedade.

- Eu poderia ter evitado essa situação, mas eu não evitei, e aqui estamos nós... – o Hyuuga passou uma mão pelos cabelos, soltando algumas madeixas do rabo de cavalo frouxo, fazendo-as caírem ao redor de seu rosto, formando uma moldura negra que contrastava com sua pele pálida – Eu não quero piorar as coisas, se você quiser eu posso retroceder e ficar na minha essa semana.

- Não.

Eles se encararam, negro e cristalino duelando por respostas que nenhum deles poderia dar. Respostas que eram muito mais feitas de sensações do que de frases e pedidos de desculpa.

- Eu entrei nesse jogo e coloquei Temari nele, e eu vou jogar até o fim – foi o que Shikamaru disse, apagando o cigarro no cinzeiro de vidro apoiado na beirada da varanda.

- Certo – o Hyuuga concordou com um aceno simples – Quais são as regras?

Shikamaru sentiu os lábios dançarem formando um sorriso sacana. Neji estava passos à frente também. Ele entendia que, depois do que tinha acontecido, algumas regras viriam de acordo com as necessidades de Shikamaru.

- Eu vou saber quando, onde e o que vocês farão durante a semana – Shikamaru ditou as regras – Você não precisa se preocupar comigo, nem retroceder, apenas continue jogando, Temari será minha informante e eu não vou me colocar entre vocês em nenhum momento.

- Por mim está bem.

- E as marcas – Shikamaru acrescentou, seus olhos recaindo sobre o chupão no pescoço de Neji e ele respirou fundo, sentindo o sangue bombear nas veias com força – Eu prefiro que você deixe marcas. Assim fica mais fácil pra mim, por motivos pessoais.

Neji sorriu, deixando a fumaça do cigarro escapar como uma serpente etérea por entre seus lábios. Era um sorriso malicioso e traiçoeiro; ele estava lendo Shikamaru muito melhor do que o Nara gostaria.

Merda.

Com o Hyuuga era impossível estar muitos passos à frente. E isso era surpreendente.

Surpreendentemente interessante.

- Isso, eu não posso prometer – Neji disse, dando dois passos à frente para alcançar o cinzeiro ao lado de Shikamaru e apagar o cigarro.

A súbita intrusão de seu espaço pessoal fez Shikamaru apertar as costas contra o muro da varanda, seu maxilar ficou tenso e ele ergueu o queixo, irritado e desafiador, encarando o rosto do Hyuuga agora muito mais próximo.

Tão próximo que se ele erguesse a mão e socasse, o outro não teria como desviar o golpe.

- Há coisas na vida, Nara, que você não vai poder controlar – Neji falou baixo, com um sorriso convencido nos lábios.

Shikamaru prendeu a respiração.

As palavras golpearam como punhos, lhe fizeram sentir os dedos tremerem numa intenção violenta e os olhos se estreitarem com raiva. Mas Neji não se afastou, ele apenas continuou ali na sua frente, encarando-o com seu olhar frio e desafiador, congelando o interior de Shikamaru com uma cólera estranha que se misturava entre ódio, pavor e vontade de brigar.

Ele não podia controlar os passos de Neji, era isso que o Hyuuga acabara de lhe dizer.

E a verdade era incômoda, aterrorizante e poderosa.

Afinal, o Hyuuga era uma força da natureza e ninguém pode controlar os desastres naturais.

Nem mesmo Nara Shikamaru.

N

O celular começou a tocar e ela levantou do sofá preguiçosamente, largando o livro que estava lendo aberto na página para não se perder na leitura.

Sakura andou até o balcão da cozinha americana e encarou a tela digital que anunciava em letras garrafais o dono da ligação:

SASUKE

Seu corpo enrijeceu, o coração acelerou, seu rosto empalideceu e ela prendeu a respiração.

Por que agora?

Justo agora?

- Caralho! – xingou baixinho e não se atreveu a pegar o celular.

Ela não podia atender.

Será que ele queria se desculpar?

Chamá-la para sair?

Talvez fosse algo inofensivo, afinal ele tinha ficado toda aquela última semana sem dar as caras depois de falar que estava dormindo com Karin...

E se ele quisesse só conversar?

- Não!

Ela deu dois passos para trás, apertando as mãos contra o peito como se tentasse controla-las e controlar as batidas do coração, que estava disparado.

Ela precisava esperar, ignorar, ele ia desistir.

- Você não precisa dele – ela murmurou, como se fosse um mantra – Você não precisa dele. Você tem que se amar mais. Ame-se, Sakura, simplesmente ame-se!

Ela fechou os olhos e respirou fundo, ouvindo o celular parar de tocar.

Sakura suspirou.

Suas emoções estavam todas misturadas entre a curiosidade, o desejo de escutar a voz dele e a sensação de ter passado para outro nível do jogo do amor. Ela ia conseguir virar aquela página chamada Sasuke.

Ela ia conseguir.

Um dia atrás do outro...

Seus olhos verdes rastrearam a sala, um pouco impacientes e ela se sentiu indignada.

Por que ele tinha que ficar ligando para ela? Por acaso não bastavam todos aqueles anos sendo cuzão? Ele precisava mesmo continuar? Será que ele não ia mudar nunca?

- Será que ele, de repente... Ah, não. Ele não vai mudar tão fácil...

Nem vai reparar em mim.

A sua voz ecoou em sua mente as palavras que ela não ousava proferir, porque machucavam demais. Ela soprou o ar e sentiu os olhos umedecerem.

Não fazia ideia de como continuava gostando dele, porque não fazia sentido, alguém não pode estar tanto tempo sofrendo pela mesma pessoa! Era injusto!

A vida era tão injusta com ela...

O celular voltou a tocar e ela o agarrou entre as mãos.

SASUKE

- Eu vou só atender e mandar ele ir se ferrar... Eu consigo fazer isso – ela murmurou.

Mas ela não conseguia.

Se atendesse ela sabia muito bem o que ia acontecer, ela já tinha vivido todas as situações possíveis desse mesmo cenário:

1- Ele a chamar para sair e ela ir correndo atrás dele.

2- Ele a chamar para ir a sua casa e ela ir correndo.

3- Ele falar sobre quem estava na sua cama naquele exato momento e ela desabar.

4- Ele falar que estava arrependido e que precisava vê-la, e ela acabar plantada esperando até entender que ele nunca ia chegar.

5- Ele se declarar e pedir para ela ir. Ela ir, eles transarem e no dia seguinte ele ser o maior babaca do universo.

Ele poderia seguir enumerando a lista pela eternidade. Nenhuma das opções dava certo, nem a situação dela o mandar ir para o inferno, ele rir, e ela ficar chorando de raiva o resto da noite.

Sakura precisava se distrair.

Ela soltou o celular no balcão e andou até o telefone fixo. Precisava falar com alguém. Seus dedos trêmulos digitaram o número sem pensar duas vezes e ela apertou o telefone contra a orelha, tapando a outra com a palma da mão para evitar ouvir as ligações.

O telefone começou a chamar.

- Por favor atenda, por favor atenda! Por favor...

- Você ligou para a caixa postal de: Hatake Kakashi. Se deseja deixar um recado aguarde após o bip.

Sakura desligou.

- Merda!

Ele deveria estar com a mulher que estava no parque hoje de manhã.

Rin.

Ela sentiu raiva, percebendo que o celular estava começando a tocar de novo.

- Que inferno!

Sakura deveria, simplesmente, desligar o celular, seria tão mais fácil.

Mas nem sempre o mais fácil é a melhor saída.

Se ela desligasse o celular, a ideia incessante de retornar a ligação dele ficaria bombeando em sua cabeça como um toca-discos, dando voltas e voltas e ela acabaria caindo, como as outras milhares de vezes.

Ela precisava dar um jeito de esquecer que Sasuke lhe ligara três vezes seguidas.

Será que ele estava bêbado?

Sakura se levantou e andou até o celular outra vez.

Será que tinha acontecido alguma coisa?

Será que ele tinha sido baleado?

- Para!

Sakura soltou o cabelo e o bagunçou com as mãos. Ela não podia cair nessa de novo, ela NÃO PODIA.

Quando o celular começou a tocar pela quarta vez, o nome dele brilhando na tela como uma maldição. Sakura desistiu de ficar dentro do apartamento. Ela ia pedir pra Naruto a deixar dormir no seu sofá, ele certamente não ia se importar. Ela destrancou a porta, saiu e fechou, escutando o celular tocar do hall de entrada.

Ela respirou fundo e andou até a porta de Naruto, tocando a campainha. Aguardou alguns segundos e tocou a campainha mais uma vez.

Será que ele estava no banho?

Esperou dois longos e loucos minutos até que tocou a campainha como uma louca desesperada. Quatro vezes seguidas. Naruto entenderia, ele não ia se irritar.

Mas depois de um silêncio, que soou terrivelmente agudo em seus ouvidos, Sakura percebeu que não tinha ninguém no apartamento. Ela até apertou a orelha contra a porta, mas não havia nenhum ruído.

Seu coração bombardeou no seu peito. Um desespero estranho fazendo-a se sentir só e perdida. Ela escutou o celular começar a tocar mais uma vez, pela quinta maldita vez e suspirou.

Ela não ia chorar, ela não ia se desesperar, ela não ia atender e ela não ia ficar sozinha. Era perigoso demais cair na tentação de ligar de volta para ele como a bela retardada que era.

Sakura mexeu nos cabelos, jogando as madeixas medianas para o lado. E encarou as portas do outro lado do hall. Shikamaru e Temari certamente tinham coisas melhores que conversar, se Ino a tinha informado bem, e também tinham coisas mais interessantes para fazer do que ficar de babá de uma mulher feita de cabelos cor de rosa.

Genma.

Claro, Genma era a melhor opção.

Ela cruzou o hall e bateu na porta afobada.

Genma seria uma boa distração e ele certamente não ia se importar se ela ficasse para dormir no sofá.

Sakura parou e respirou fundo, encarando a porta com intensidade.

- Por favor, Genma... – implorou baixinho.

A chave rodou na maçaneta e a porta se abriu para ela.

- Sakura?

Ele pareceu confuso, vestindo apenas uma calça de moletom preta, com os cabelos úmidos. Os olhos dele a analisaram interessados: um shorts de pijama curtinho e uma camiseta de alcinha branca de algodão que deixava transparecer o formato de seus mamilos, ele sorriu malicioso e olhou os olhos incrivelmente verdes dela.

- Você tá bem? – ele perguntou, reparando nos cabelos bagunçados dela. Céus, ela daria uma foto incrível naquele momento.

Sakura negou com a cabeça, sentindo o toque firme dos dedos dele colocando os cabelos dela atrás da orelha.

- Eu posso ficar aqui? – ela perguntou, encarando-o e vendo as palavras dela soarem bem demais para ele.

- O que houve? – Genma perguntou, deixando-a passar pela porta e fechando atrás de si.

- O Sasuke não para de me ligar – ela respondeu, se encostando contra a porta – Se eu ficar em casa sozinha eu vou acabar atendendo ou ligando de volta e... Eu não quero mais fazer isso – ela suspirou cansada.

Como ela era ridícula. Nem ela mesma se aguentava, ou aguentava aquela obsessão infantil que sentia por Sasuke. Como alguém chegaria a gostar dela ou sentir simpatia por uma pessoa tão mal amada? Tão insegura e pequena que nem amar a si própria sabia?

Genma sentiu uma tristeza estranha deslizar dentro de si. Os olhos verdes de Sakura pareciam perdidos e desistentes, o vinco entre suas sobrancelhas lhe dava um ar cansado, como se ela tivesse envelhecido anos em segundos. Vê-la assim era como conhecer os demônios de Sakura. Os medos, as fraquezas, as dificuldades...

A verdade sobre a dor que ela levava dentro de si por tanto tempo.

Essa não era a Sakura chorona que ele vira naquele dia no corredor antes do jogo começar. Não. Essa era a Sakura tentando não ser aquela menininha de novo. Era ela tentando a todas as custas fazer algo diferente e se agarrar as possibilidades de não ser mais a mesma.

Tinha algo de muito cativante no modo como ela passava as mãos pelos cabelos, bagunçando, desesperada por uma solução. Tentando evitar o que sempre fora inevitável.

- Eu preciso me distrair, ficar longe da ideia de Sasuke me ligand-

- Shh – ele a cortou, num tom de comando – Tá proibido falar o nome desse cara aqui – Genma falou sério e se aproximou dela – Você pode ficar, desde que não fale mais dele.

Ela mordeu o lábio e sorriu agradecida, fazendo que sim com a cabeça.

A cabeça de Genma trabalhou rápida e silenciosa e ele sorriu para ela.

- Você disse que precisa se distrair, certo? – o homem deu um passo para atrás e abriu os braços, se oferecendo.

Sakura suspirou e passou a mão pelo pescoço, se ela precisava de distração, ela tinha ido para o lugar certo.

- O parquinho é todo teu – ele murmurou, agora dando um passo à frente, na direção dela – Por que você não vem brincar?

- Genma...

- Hm? – ele deu outro passo à frente.

- Essa não é a nossa semana...

- E? – ele se aproximou mais, ficando na frente dela.

- Não devíamos fazer isso...

- Você não quer?

Genma parou de se mover assim que pressionou o corpo contra o dela, postando as mãos na porta em cada lado da cabeça dela.

O cheiro dele a invadiu. Masculino e forte, misturado com sabonete e creme de barbear. Era intenso e áspero, fazendo seus neurônios reagirem com pressa à estimulação do olfato.

Sakura podia sentir o corpo firme dele pressionado contra o dela, decidido a lhe oferecer uma louca distração sem se importar com possíveis regras e proibições.

Sem se importar com nada além deles, seus corpos e seus desejos.

- Quero – ela respondeu trêmula, vendo um sorriso malicioso brotar nos lábios dele.

- Quer? – ele murmurou, nivelando seus rostos e roçando a ponta do nariz contra o dela.

- Uhum.

Seu coração bateu mais rápido, sentindo uma das mãos dele descerem da porta para seu ombro, e de seu ombro para seu seio, acariciando seu mamilo num movimento sensual e excitante, girando os dedos e fazendo-o enrijecer no mesmo segundo.

Um suspiro suave escapou de seus lábios, no segundo anterior ao que a boca dele tocou a sua, sem reservas, lambendo a pele com a ponta da língua, roçando o metal úmido do piercing de maneira provocante.

- O que você quer? – ele verteu as palavras contra os lábios dela, excitando, provocando, instigando a mais intensa das reações bem no meio de suas pernas.

- Você – disse, solícita, sentindo a mão dele apertar seu seio e soltar, descendo pelas suas costelas, por sua barriga...

- Onde você me quer, Sakura?

A voz dele soou rouca de excitação. Ela podia senti-lo duro e pronto, apertando contra sua cintura.

Genma estava esperando pelas palavras certas.

Aquele homem era o demônio, foi o que pensou quando ele desceu o rosto e lambeu sua jugular como um vampiro, gerando um arrepio intenso que desceu por sua coluna e reverberou por entre suas pernas, umedecendo, instigando, preparando...

Sakura gemeu, sentindo a boca de Genma devorar seu pescoço, sugar e morder, incitando um tesão absurdo escalar por suas vértebras e vibrar por seu corpo.

- Onde? – ele sussurrou a palavra contra sua orelha, fazendo-a fechar os olhos e respirar fundo.

Sakura sentiu a mão dele descer pelo seu umbigo e escorregar sobre o shorts fino de seu pijama, acariciando seu sexo devagar, até encaixar três dedos entre suas pernas numa promessa silenciosa.

- Aqui? – apertou os dedos contra a entrada dela, sobre o tecido, sentindo o calor e a umidade na ponta dos dedos

- Ah, Genma.

- Você me quer aqui? – ele pressionou, seus dedos acompanhando suas palavras, se movendo mais rápido, mais firme, masturbando-a daquele jeito meio bruto que só ele sabia fazer.

- Sim.

- Onde? – ele riu, a voz rouca dele contra a bochecha corada dela.

Sakura respirou fundo, sentindo o calor a apossar em ondas ferventes de desejo, amolecendo seus joelhos e molhando suas costas de suor.

E Sakura se sentiu intensamente viva.

- Dentro – ela respondeu, abrindo os olhos verdes, agarrando os cabelos dele, puxando seu rosto para si, colidindo seus lábios, sentindo o gosto deliciosamente masculino de Genma invadir sua boca.

Sim.

- Eu quero você dentro de mim – ela falou contra a boca dele, com a respiração pesada.

Mais.

- Essa é a minha garota – ele riu, agarrando os cabelos rosados dela e encarando seus olhos enquanto seus dedos tratavam de agarrar o cós dos shorts e descê-lo com força até as coxas dela.

Genma se desvencilhou das próprias roupas enquanto a beijava com desespero, o tesão anuviando sua mente e pensamentos, fazendo-a tremer sob seus lábios num misto de ansiedade e pressa.

Ele a agarrou pelas pernas e levantou do chão rapidamente, encaixando-se entre as coxas dela.

Num movimento brusco, Genma a penetrou de uma vez, fazendo Sakura gemer alto, se agarrando aos ombros e cabelos dele, sentindo as costas socarem contra a porta de madeira com estardalhaço.

O som de suas respirações tomou o ambiente, os gemidos e grunhidos abafando a realidade para fora daquela porta firme de madeira, que deixaria obvias marcas nos ombros de Sakura.

A sensação de prazer entorpecendo seus sentidos e reações, abafando o som estridente do telefone fixo de Sakura, e a voz de Kakashi no recado da caixa postal.

D


N/A: gente, esse Genma ta quebrando as minhas pernas... Me enviem um de Páscoa, please. Kakashi que se cuide... Espero que tenham gostado! Mais um capítulo longo, e temos mais uma semana començando que PROMETE hehehe xD

Seus comentários me fazem uma escritora muito feliz, obrigada por todo o apoio, meninas! Vocês são sempre bem vindas :3 Minhas provas estão começando então não garanto ainda quando sai o próximo, mas fiquem ligadas no meu Facebook, vou ir atualizando por lá como também fiz com esse cap.

Espero vocês no face: Tai Bécquer.

Love, Tai. beijos!