N/A: FINALMENTE! Omg, demorou mais chegou :3 Feliz dia dos namorados! BOA LEITURA ^^
Love Shuffle
Capítulo 13 – It Began
GenHina | NejiTema | ShikaIno | NaruSaku
B
Era tão cedo que seu cérebro ainda não estava funcionando devidamente. Sakura tinha dormido na sala dos médicos, num beliche estreito e desagradável, mas era melhor do que voltar para casa às duas da manhã para ir de novo para o hospital às sete.
Mas embora fosse cedo e ela estivesse cansada, sua consciência lhe estava dando sinais de emergência.
Sakura se apoiou no balcão do restaurante do hospital e pediu dois cappuccinos grandes para levar. Ela tinha que parar de fugir, ela precisava resolver as coisas de um jeito ou de outro.
Mesmo que a verdade machucasse Ino.
Ela pagou pelas bebidas e olhou o relógio. Pela hora, Sakura sabia onde Ino estava.
O hospital ainda estava praticamente vazio, apenas os funcionários e alguns pacientes e familiares transitavam pelo saguão principal. Ela pegou o elevador e apertou o botão do último andar.
Nos últimos vinte e dois anos, Ino tinha sido um de seus pilares de resistência. Embora isso nem sempre permanecera intocado, Ino era aquela pessoa a quem Sakura recorria, era o ombro onde chorar. Elas tinham passado por muitas coisas juntas, coisas boas e ruins. E mesmo que em alguns momentos a competição fora mais forte que a amizade, elas sempre se resolviam depois, elas davam um jeito.
É o que os amigos fazem: eles se remendam, eles se reinventam, eles se curam.
Sakura desceu do elevador e entrou na porta de saída de emergência, cruzando o último lance de escadas até desembocar na cobertura do hospital.
O sol já tinha nascido, e queimava alaranjado no fundo do horizonte, desenhando um degrade infinito de tons amarelos, misturados com algumas nuvens acinzentadas.
E lá estava Ino, sentada no banco próximo ao parapeito do andar.
- Eu sempre disse que a tua amizade com Shikamaru ia te fazer mal – Sakura falou, com graça e pesar.
Sakura não era nem um pouco boa amiga para falar aquilo, mas Ino se virou para ela e sorriu. Era aquele sorriso suave e agradável que ela tentava dar quando as coisas não estavam tão bem, mas ela estava tentando ser o mais forte possível.
- Ino... – o nome escorregou pelos lábios da amiga e seu peito doeu numa mistura de culpa e pena.
Em passos rápidos, a médica atravessou a cobertura, sentindo o vento frio da manhã contra seu rosto e se sentou ao lado de Ino, passando o cappuccino para a loira com um sorriso preocupado.
- Obrigada, Testuda...
Sakura sorriu, vendo a amiga dar um gole na bebida quente e voltar a olhar para a cidade, banhada de raios amarelados de luz.
- Eu não te vi ontem – Sakura comentou baixo.
- Eu fiz algumas visitas de praxe aos ex pacientes, para ver como estão se recuperando, a May-chan está quase cem por cento – ela acrescentou com um sorriso animado que não chegava aos seus olhos claros como uma piscina.
- Ino...
A voz de Sakura soou triste, tão triste que Ino soube: a amiga já sabia e, se ela sabia, apenas uma pessoa podia ter lhe contado. A loira suspirou. Seus cabelos platinados estavam presos numa trança espinha de peixe bagunçada e lhe davam um ar atrevido.
Foi quando Sakura reparou na mudança. Ino não estava nada alinhada, havia um ar desajustado na maneira como se vestia hoje, com uma jeans skinny preta e a camisa verde limão por debaixo do jaleco.
Ino quase nunca andava assim, e a mudança abrupta de roupa nos últimos dois dias estavam fazendo com que Sakura se sentisse por fora do que realmente estava acontecendo com a melhor amiga. Se é que ainda a podia chamar assim.
- Ele te disse?
- Uhum... - Sakura não negou, ela estava ali para aquilo, para se remendarem e mudarem o caminho das coisas - Ino, nós precisamos falar sobre isso – ela falou tomando coragem e dando mais um gole na bebida.
A loira suspirou e olhou para o céu.
- Semana passada-
- Eu sei bem o que houve na semana passada, Sakura, estava estampado na tua testa.
- Ótimo, houve de tudo semana passada – ela confirmou, olhando as próprias mãos e balançando a cabeça – Mas, não foi só semana passada, Ino.
A loira se virou rapidamente, seus olhos abertos num misto de surpresa e apreensão. O que Sakura queria dizer com aquilo ainda lhe era um mistério que ela não estava certa se queria ou não descobrir.
- Domingo, eu- Merda. Ino, eu sinto muito, mas domingo eu acabei dormindo com o Genma, eu estava no apartamento dele quando você mandou a mensagem.
Ela falou tudo de uma vez, sentindo dor e raiva e vergonha de si mesma, mas ela precisava daquele momento de valentia para ser honesta com sua melhor amiga.
Ino largou o cappuccino sobre o banco e se levantou, cruzando os braços e encolhendo os ombros, numa postura defensiva.
- Por quê? – ela perguntou sem se virar para Sakura – Você gosta dele?
- Não! – a médica se levantou, deixando a bebida para trás e ficou há dois passos de distância da amiga – Eu fui uma besta, a desculpa que eu tenho não me parece convincente agora...
- E qual era a tua desculpa? – Ino se virou, a trança balançando com o vento. Seus olhos estavam úmidos, e as lágrimas se agarravam aos cílios o tanto quanto podiam.
- Nada é suficiente, Ino. Eu errei feio-
- EU QUERO SABER! – Ino gritou, sua voz soou aguda e irritante, como a de quando ela era uma criança e Sakura sentiu os olhos arderem.
Se ela pudesse voltar no tempo... Mas voltar no tempo estava restrito a filmes e livros mágicos, e ela não estava gabaritada para pular para dentro de uma trama mágica naquele momento. Ela não podia fugir das consequências de seus atos.
- O Sasuke começou a me ligar... Eu fui para o apartamento de Naruto, mas ele não estava, o Kakashi não atendia o telefone, então eu bati na porta do Genma e... – ela suspirou cansada – E ele me deixou ficar.
Pensando bem, aquilo era a coisa mais ridícula que ela já falara para alguém. Sakura sentiu as lágrimas escorrerem quentes por suas bochechas. Ela não tinha o direito de chorar, de pedir perdão, de arranjar desculpas suficientes. Nada era suficiente.
Por que ela não tinha ligado para Ino? Conversado com sua melhor amiga como no passado? Por que ela tinha ido atrás do Genma como terceira opção? Ele era um completo estranho!
Ou talvez não...
Talvez ele não fosse um estranho, talvez fosse alguém que a fazia se sentir bem... e estar com Ino e conversar com ela nem sempre lhe fazia se sentir bem. Muitas vezes ela se sentia a bolacha quebrada no pacote, nem muito bonita, nem sortuda no amor, nem muito bem sucedida...
- Você tem que parar de fugir disso, Sakura.
A voz de Ino soou tremida e Sakura a encarou, vendo dor e tristeza e traição estampadas no rosto da melhor amiga.
- Você tem que enfrentar o Sasuke e esse sentimento. Você precisa de ajuda profissional! – ela falou alto e Sakura tremeu – Você não está saudável, esse relacionamento é completamente disfuncional e você não pode fugir disso se jogando nos braços de outra pessoa... Não pode! Isso só vai te fazer dependente dessa nova pessoa, tanto quanto com o Sasuke e – ela soluçou, seus ombros tremendo, sua voz engasgando, as lágrimas escorrendo livremente por seu rosto – Por mais que Genma seja uma pessoa muito melhor que o Sasuke, ele não é nenhum bom exemplo...
- Eu sei, eu-
- Não! – Ino lhe apontou o dedo e apertou os olhos – Não, você não sabe! Ele não te manipulou a entrar nesse jogo com a desculpa de que "se durarmos até o final você vai ter o 'algo mais' que tanto quer" – ela usou os dedos para formular aspas no ar, reproduzindo o discurso de Genma do modo como conseguia se lembrar naquele momento.
Seu coração estava disparado e ela sentia raiva e dor. Ino queria que todo mundo se fodesse. Ela queria que sua melhor amiga deixasse de ser uma completa imbecil, mas pelo jeito Sakura não tinha jeito.
- Enquanto VOCÊ não mudar e aprender a se amar, você não vai dar certo com ninguém! Você vai continuar se arrastando atrás de todos eles, pedindo amor e respeito como se fossem migalhas. Você não merece migalhas, Sakura, você merece o melhor que o mundo pode te dar! – Ino parecia sem fôlego e as palavras escapavam de sua boca como um discurso há muito tempo memorizado, ela precisava botar para fora, ela precisava dizer tudo aquilo que nunca tinha tido coragem antes – Deixe de agir como uma vítima e mude! Só você vai poder fazer isso!
Sakura sentia cada uma daquelas palavras fincarem em seu peito como adagas, eles iam perfurando e gerando machucados profundos. Eram palavras que nunca ninguém tinha tido a coragem de lhe dizer. Mas ela necessitava cada uma daquelas palavras, ela precisava escutar aquilo e engolir aquela dor, ela precisava regar aquela dor até que ela desaparecesse e ela não precisasse de mais nada e ninguém.
- A gente aceita o amor que acha que merece*. Mas a gente merece tão mais que nem percebe, até que se machuca tanto que não aguenta mais.
Ino balançou a cabeça de um lado para o outro, seu peito tremendo com o choro.
- Eu não aguento mais! – ela falou firme, sentindo as palavras afundarem em sua mente e coração e Sakura concordou com a cabeça, deixando o rosto baixo e fechando os olhos com força.
- Eu não aguento mais... – Sakura ecoou baixinho, como uma prece.
- Sakura... – Ino encarou a amiga, vendo como as mãos de Sakura escondiam seu rosto e as mechas de cabelo caíam formando uma moldura colorida.
Elas não precisavam de nada daquilo, daquele sofrimento, daquela tristeza, mas elas precisavam uma da outra.
Ino cobriu o espaço que as separava e envolveu Sakura com os braços, sentindo-a soluçar e tremer no seu abraço.
- A gente vai dar um jeito – a loira murmurou contra os cabelos rosados – Vamos conseguir ajuda para você e algo bem forte pra gente beber mais tarde.
Sakura riu, escondendo o rosto no ombro da amiga e abraçando sua cintura.
Elas se machucavam, entortavam e rasgavam, mas depois elas sempre recolhiam os caquinhos e os juntavam novamente.
E
Ela pousou a xícara de chá no pires de porcelana e observou o primo. Neji tinha os cabelos presos num rabo de cavalo frouxo na altura dos ombros, seu terno preto o fazia parecer ainda mais pálido do que normal, mas talvez fossem as olheiras que lhe davam esse ar pálido e cansado.
- Como foi ontem com Temari?
Neji levantou os olhos do jornal e a encarou friamente. Tinha algo nele dentro do ambiente empresarial que a fazia sentir arrepios. Era como se ele fosse uma imitação mais suave a muito mais bonita de seu pai. Seus orbes claros se fixaram nela e ali ficaram por alguns segundos, colocando-a em seu lugar.
Ali não era nem o momento nem o lugar adequado par conversar sobre aquilo, mas Neji levantou uma sobrancelha num movimento rápido e tomou um gole de seu café expresso.
- Foi bem.
As palavras soaram baixas e frias e ele retornou a ler o jornal.
Estavam no restaura, no último andar do edifício e podiam ver toda a cidade de Konoha pela parede de vidro.
- O que você achou da reunião? – ele perguntou, sem deixar de encarar o jornal.
- Eu acho que as pessoas ainda não se acostumaram muito com a minha presença... – ela murmurou, passando as mãos sobre a saia branca e esticando linhas inexistentes.
- Este é teu lugar, eles não precisam ter uma opinião sobre a tua presença, você tem mais direito de estar aqui do que todos eles juntos.
A voz dele soou fria e irritadiça. O ambiente de trabalho realmente mexia com Neji. Era como se ele tivesse uma dupla personalidade, embora algumas semanas atrás ela juraria que esta era a única face que ele tinha.
Ela sorriu, de certo modo aquela irritação era por causa dela, como se ele quisesse proteger o espaço que pertencia a ela.
Hinata olhou ao redor e viu alguns empresários que ela já conhecia. Gerentes, representantes internacionais da Hyuuga Corp., diretores adjuntos e acionistas da empresa. Todos eles, em algum momento, tinham comparecido as festas da empresa ou aos jantares que Hyuuga Hiashi dava algumas vezes por ano. Naqueles dias, ela e sua irmã ficariam durante um tempo e logo sairiam, afinal, aquele não era lugar para elas e o assunto não lhes concernia.
Pelo menos era isso que seu pai dizia.
Um homem magro e alto, com cabelos levemente grisalhos se levantou de seu lugar e andou na direção dela, infelizmente Hinata não se lembrava seu nome muito menos seu cargo, mas seu rosto era familiar.
- Hinata-chan, bom dia – ele cumprimentou alegremente e acenou com a cabeça de leve para Neji – O que faz por aqui?
Ela sentiu as mãos suarem de leve, mas sorriu educadamente.
- E-estou participando da organização da festa da empresa – explicou.
- Fabuloso – o homem disse com um sorriso – O tempo realmente passa muito rápido, seja bem vinda – ele a olhou com mais intensidade.
- Na verdade, Hinata-sama coordenará a equipe de eventos de agora em diante – Neji comentou, deixando claro o cargo que Hinata exerceria.
- Uau! – os olhos do homem brilharam com mais intensidade e Hinara se sentiu corar com o excesso de atenção – Então nos veremos mais vezes, o que é ótimo, afinal de contas é sempre uma alegria poder ver que você se transformou numa linda mulher, Hinata-chan.
Hinata encarou as mãos, sentindo o rosto esquentar com força e corar ainda mais, suas mãos suavam e ela não fazia a mínima ideia de como responder àquilo-
- Ueda-san, trate a herdeira Hyuuga de maneira mais educada – Neji disse, sua voz tão fria quanto o gelo. Hinata o olhou e viu como seus olhos claros se fixavam no rosto do outro homem – Nós não aceitamos comportamentos de flerte na empresa, o senhor certamente já leu nosso código de ética.
O homem ficou branco naquele momento.
- N-não, mas eu não-
- É melhor o senhor se retirar antes que eu chame o segurança. Melhor não continuar demonstrando o quão interessado o senhor está pela aparência de Hinata-sama.
Neji deu um leve e maldoso sorriso e Ueda-san desapareceu num piscar de olhos.
- Nii-san! – Hinata exclamou baixinho – Não precisava ser tão duro com ele...
- Aqui não é lugar para isso – ele falou, olhando diretamente para ela – Você é a filha do dono de todo esse império, você é a herdeira direta, a primogênita, todos aqui terão interesse em você. Fique atenta.
Hinata engoliu seco e o viu ajeitar a gravata cinza, o colarinho da camisa abaixou em seu pescoço, deixando um pedaço do antigo chupão exposto. Os olhos dela encararam a marca que começava a diluir na pele, quem havia feito aquela marca ali ainda era um mistério.
Ela se levantou, ajeitando a saia e seu tailleur azul claro, deu a volta na mesa e parou ao lado dele.
- Você tem um cargo muito alto para se expor dessa maneira – ela falou imitando o tom de voz dele, como se quisesse devolver o que ele tinha lhe dito antes.
Seus olhos idênticos se encontraram e ela ajeitou o colarinho da camisa dele, ocultando a marca de novo.
- Pronto! – ela sorriu – Já vou indo.
Neji a observou pegar a bolsa e andar até a saída do restaurante. Teria que ficar de olho, até ter certeza que Hinata podia se virar sozinha no meio de todos aqueles abutres interesseiros.
G
"We lifted this house. We lifted this house."
Anna Sun tocava no playlist que Sakura tinha colocado há menos de meia hora atrás e Naruto sorriu com a música, ele adorava aquela música e de repente, aquela frase fazia muito sentido.
O loiro se encostou no batente da porta da cozinha e observou a sala: o sol estava se pondo do lado de fora da varanda em diversos tons de laranja e azul, lançando suas cores na sala iluminada por dois grandes abajures.
Naruto tinha trazido duas tintas para Ino decidir qual preferiria para a sala. A brincadeira tinha começado besta, mas agora apenas Shikamaru estava sem tinta no cabelo.
Pelo menos Ino tinha se decidido por um aqua-marine que combinava com seus olhos; e tinham combinado de começar a pintar a sala na sexta feira. Aos poucos o apartamento ia ter cara de lar e aquela sombra nos olhos dela iria desaparecer.
- Me explica – Shikamaru demandou, virando mais um gole de cerveja e encarando Sakura, que parecia bastante bêbada junto com Ino.
- Eu vou ao psicólogo – ela repetiu e Shikamaru riu de novo.
Naruto não tinha certeza se era a terceira ou quarta vez que o Nara a fazia contar aquilo, devia existir uma satisfação maléfica em ver que Sakura finalmente percebera a necessidade de buscar ajuda profissional.
Ino estava encarando as madeixas azul claro no espelho pendurado no hall de entrada. Ela tinha os olhos apertados e uma expressão séria no rosto.
- Num ia ficar bom? – ela perguntou alto, chamando a atenção do loiro, que observou a mistura de platinado com aqua-marine.
- Ia ficar bem hipster – ele sorriu e ela se apoiou na parede.
- Testudaaaa, num ia ficar legal? – ela perguntou de novo apontando para o cabelo.
- Ia ficar ótimo! – Sakura se levantou e foi fazer companhia para a amiga na frente do espelho, olhando como rosa claro e azul claro lhe favoreciam.
Era quase como nos velhos tempos, quando todos eles eram adolescentes rebeldes e atrevidos e loucos por uma farra. Como no colégio, quando eles e Sasuke se divertiam nas sextas feiras a tarde, na mesma época que Sakura apareceu com os cabelos cor de rosa e Naruto sentiu a respiração lhe faltar, porque naquela época aquilo era uma das coisas mais rebeldes e excitantes que ele tinha visto.
Naruto andou até a cozinha e despejou Fanta laranja e vodca no seu copo com gelo. Mais vodca que Fanta. Virou tudo de uma vez. Aquela sensação inebriante de se alcoolizar em paz num ambiente protegido estava lhe fazendo se sentir acolhido. Ele podia ficar tranquilo, nada de errado aconteceria ali e ele podia se sentir mal se quisesse, ninguém ia lhe julgar.
Ultimamente a sensação de aperto no peito só piorava, pensar em Hinata era como um inferno, era reviver mil vezes aquele gosto ruim na boca; o rechaço, o descaso, o não que ela tinha lhe dado como resposta ao pedido de casamento.
Mas pensar nela era inevitável.
O loiro colocou vodca no copo que ainda tinha gelo e bebeu mesmo sem colocar Fanta. O gosto amargo da bebida o fez fazer uma careta e estalar a língua.
- Naruto, eu to indo – a voz de Shikamaru o fez se virar com pressa e sentir o mundo girar ao redor dele mais rápido do que o normal.
- Já?
Shikamaru deu de ombros. Ele nunca assumiria que queria estar em casa na hora que Temari chegasse do seu encontro com Neji.
Aqueles momentos estranhos de masoquismo estavam o fazendo questionar sua genialidade. Os segundos esperando que ela entrasse pela porta, banhada num cheiro que não era seu, com um brilho no olhar muito diferente do que costumava ter. Ele até se perguntava se ela acabaria se apaixonando pelo Hyuuga.
Ontem, quando ela chegou, ele se sentiu desconfortável e raivoso, como se a estivesse deixando ir sem tentar impedir. Mas então ela se aninhou nos seus braços e dormiu rapidamente, sem que ele pudesse falar qualquer coisa. O cheiro de shampoo de hotel no cabelo dela ainda se misturava com o perfume masculino de Neji e o ardido odor a sexo e homem.
Seus dedos tremeram.
O Nara acendeu um cigarro e viu como Naruto remoía algo na cabeça, observando-o em silêncio, mas o loiro acabou cedendo:
- Como você está sobre...
- Temari?
- É...
- Tá ok – Shikamaru deu de ombros de novo e soltou uma baforada de fumaça para o teto – Eu sempre soube onde estava me metendo com Temari – mentiu, para si mesmo e para o outro – Se as coisas durarem, bem, se não durarem: bem também. Menos um problema na minha vida.
Shikamaru sentiu a tensão nos ombros e travou o maxilar, evitando uma expressão contrária às suas palavras.
- Mas e o Neji? – Naruto perguntou, sua boca trabalhando mais rápido que sua mente. Ele não deveria perguntar aquele tipo de coisa para Shikamaru.
- O que tem ele? – o Nara o olhou curioso – Você acha que ele é uma ameaça?
Ele era?
Shikamaru perguntou ao amigo aquilo que ele mesmo estava se perguntando continuamente, talvez Naruto lhe desse uma resposta.
- Sei lá... – Naruto desviou o olhar, encarando as meninas dançando na sala alguma música indie que ele não conhecia – Tudo me parece uma ameaça ultimamente...
- Como assim? – o moreno se apoiou no batente da porta e continuou fumando seu cigarro, vendo como as ondas de fumaça dançavam contra a luz fluorescente da cozinha.
- Hinata.
Eles se encararam por um segundo e Naruto suspirou, colocando mais vodca no copo.
- Eu tentei ficar com ela na casa do Genma, mas ela me deixou na mão... Literalmente.
- Puts.
- É.
- Por isso eu não gosto de mulheres tímidas, dão muito trabalho – Shikamaru sorriu, agradecido pela mudança de tema.
Naruto riu com o comentário típico de Shikamaru e concordou com a cabeça. Realmente mulheres tímidas davam muito trabalho, você nunca sabia até onde dava para ir, ou se elas realmente estavam interessadas em você... Ele tinha até perdido a noção de se ela o amava ou não.
- O amor é uma merda, mesmo – falou, sentindo as palavras terem um peso duro demais entre seus lábios.
- EI! – Sakura gritou da sala, completamente bêbada. Ele adorava quando ela ficava bêbada, porque parecia que eles estavam no colegial e aquilo o fazia se sentir incrivelmente jovem, vendo-a assim contente e animada como costumava ser sempre – A GENTE DEVIA ESTAR SE DIVERTINDO!
Ino começou a rir e aumentou a música. A luz amarelada dos abajures fazia com que elas brilhassem de um modo antigo e nostálgico aos olhos dele.
- Eu vou indo antes que elas percebam. Se cuida, Xerife.
- Você também, Shikamaru – ele deu um tapinha no ombro do Nara antes que ele saísse de fininho e depois andou até a sala, com a garrafa de vodca na mão.
"Beber para esquecer" nunca tinha sido um de seus lemas, mas naquele momento "Beber para se divertir" soou extremamente interessante.
Naruto se moveu ao ritmo da música, com os olhos fechados e o bico da garrafa entre os lábios, bebendo mais um gole antes que uma das garotas lhe roubasse a garrafa.
Ele rodou devagar com os olhos ainda fechados, seus pés descalços sentindo os detalhes do assoalho e a bebida começando a fazer todo seu corpo entorpecer.
- Naruto – a voz de Sakura soou baixa perto de seu ouvido e as mãos dela o abraçaram por trás. O loiro sorriu.
- Hum?
- Você acha que vai dar tudo certo? – ela perguntou baixinho.
Ele não fazia a mínima ideia do que ela estava falando, mas ele se lembrava de que ela iria ao psicólogo, e que ele ainda gostava muito de Hinata. Naruto realmente torcia para que as coisas dessem certo.
- Sim.
Ele sentiu as mãos dela em seu abdome, traçando linhas tortas com a ponta dos dedos e algo dentro dele se sentiu muito contente com aquela sensação gostosa.
Naruto envolveu os dedos dela entre os seus e continuou se movendo devagar de um lado para o outro, sentindo-a poiada em suas costas. Tudo hoje lhe estava levando à um tempo em que Sakura era a parte principal de seu mundo, e que sua vida girava ao entorno da tentativa vã de estar com ela, enquanto Sasuke seguia deixando-a de lado continuamente.
Ele era feliz e não sabia. Sakura também era feliz e não sabia.
Sakura riu baixinho e o moveu, girando-o entre seus braços até que eles estivessem frente a frente.
- Você está muito quieto – ela comentou, afundando o rosto no pescoço dele e inalando o cheiro conhecido da pele. Naruto nunca mudaria, ele sempre seria grande parte da força que Sakura precisava – Ei, você lembra dessa música?
- Uhum.
Green Eyes era uma das músicas que ele tinha tocado para ela na época da escola, quando Naruto tinha se confessado. Mas nem isso tinha funcionado para fazê-la parar de correr atrás de Sasuke. Quem diria que essa seria para ela uma realidade crônica e repetitiva...
- Eu devia ter aceitado... – ela murmurou, enquanto eles se moviam devagar no meio da sala.
- Você devia – ele concordou com uma risada fraca, ouvindo Ino derrubar alguma coisa no quarto dela.
- A gente estaria bem feliz.
- Eu acredito que sim – ele beijou os cabelos dela, segurando o rosto pequeno da mulher entre suas mãos e encarando seus olhos verdes - Sakura-chan, você deveria ter se apaixonado por mim...
A mulher piscou e o encarou melhor.
Naruto parecia tão triste, mas ela não tinha percebido isso antes. Só agora ela conseguia ver através dos sorrisos fáceis e das piadas bestas.
- O que houve? – Sakura perguntou, tomando os pulsos dele nas mãos e parando de dançar, sentindo o peso das mãos dele nas laterais de seu rosto.
- Eu estou perdendo ela.
Sakura suspirou com pesar e pressionou um beijo leve no pulso dele.
- Não, Naruto – ela balançou a cabeça – É ela quem está perdendo alguma coisa. Você é um cara incrível, qualquer mulher seria mais do que feliz ao teu lado.
Ele negou, fechando os olhos e suspirando outra vez.
- Você não pode falar isso, você me deu uma bota para correr atrás do Sasuke, aquele babaca...
Sakura riu, apertando as mãos nos pulsos dele, sentindo os batimentos dentro das veias, quentes, sentindo seu coração partir por vê-lo assim, por lembrar que há muito tempo atrás ele tinha ficado triste assim por causa dela.
- Eu também sou uma babaca – ela murmurou.
Os olhos dele se abriram e a encararam.
- Voc-
- Não me digam que vocês vão ter um remember no meio da minha sala! – Ino exclamou, aparecendo pela porta do corredor.
Sakura gargalhou, largando os pulsos dele. O loiro revirou os olhos e soltou o rosto dela, dando alguns passos para trás.
- Você acabou com o clima, Ino – ele disse, com um sorriso divertido nos lábios.
Esses momentos que Ino lhe proporcionava, de quebra com a realidade, de pausa da dor, aquilo o fazia imensamente feliz.
- Ainda bem – ela falou seriamente – EU tenho que estrear a casa, não vocês! – ela cruzou os braços e fez um biquinho.
Naruto riu e Sakura o acompanhou.
- MENAGE A TROIS! – gritou a médica, engasgando na própria risada e sentando no chão.
Ino mostrou a língua.
- Só nos teus sonhos mais perversos, Testuda!
Naruto riu mais, aquilo era simplesmente hilário.
- Se bem que o Naruto aqui cresceu – ela comentou andando até ele e levantando a barra da camiseta, deixando seu abdome definido a mostra – Quem diria – ela estalou a língua e soltou a camiseta, fazendo-o encará-la com graça.
- Você também cresceu, Ino – ele brincou apontando para a camisa dela, mais especificamente para os seios e Ino levantou uma sobrancelha.
Algo estranho se instalou na barriga dele, como se ele tivesse permissão para fazer aquele tipo de brincadeira misturada com flerte que ele já não fazia há muitos anos, desde que começara a namorar com Hinata.
- Tá vendo, Sakura, o Naruto está recobrando a forma.
- Sim! – Sakura exclamou, mudando a música da playlist – Você deveria treinar com a gente, Naruto. A Temari começou o trabalho, agora a gente aperfeiçoa.
O loiro riu e buscou a garrafa de vodca com os olhos, sem achar.
- Vocês são loucas.
- Não, nós somos solteiras! – Ino disse cruzando os braços, levantando o queixo e sorrindo faceira.
- Como?
- Eu sou uma mulher solteira, livre e desimpedida. Não é incrível?
Naruto a olhou sério. Então era aquilo que a estava deixando com essa sombra estranha no olhar.
- Este é o momento que você fala que isso é ótimo, Naruto – Ino indicou e ele fez que sim com a cabeça sem acompanhar mais o fio da meada.
- Isso é ótimo, Ino.
Ela riu dele e lhe deu um tapinha no ombro.
- O que vocês acham de uma pizza? – Ino propôs.
- Brilhante! – Sakura concordou.
Naruto observou Ino, sentindo-se estranho ao pensar que talvez ser solteiro fosse algo libertador.
De repente, ele teve vontade de tentar viver aquilo.
De ser livre.
De começar do zero.
De passar pela dor e sobreviver.
De voltar a ser quem ele era.
De escolher desde o começo cada passo, não porque seriam certos, mas porque ele realmente os queria dar.
- EU PAGO! – ele anunciou animado e as meninas riram.
Talvez ele pudesse deixar de ser o Naruto da Hinata e voltar a ser apenas Uzumaki Naruto outra vez.
A
Ela continuava ao telefone e ele continuava tomando cerveja sentado no sofá da sala do apartamento do Nara.
Neji sequer sabia porque ainda estava ali.
Ou sabia.
Obviamente, ele sabia.
Ele preferia pensar que ainda estava ali porque cada vez que Temari inventava de ver se ele ainda estava intacto no sofá, ela andava até ele e sentava em seu colo, fazendo seus hormônios subirem até a cabeça, para depois se levantar como se nada tivesse acontecido e voltar para o escritório de Shikamaru.
Naquele exato momento, ela estava apoiada contra o batente da porta observando ele atentamente, enquanto discutia algo com alguém importante de Suna. Seus olhos pareciam testá-lo, como se quisessem verificar se ele se controlaria ou se correria atrás dela, jogaria o celular no chão e o corpo dela contra a parede.
Mas Neji era muito mais forte que isso.
Ele se perguntou se Shikamaru faria aquilo, mas a ideia parecia tão avessa ao Nara que ele conhecia que Neji não conseguiu imaginar.
A conversa pareceu ficar mais séria e ela voltou a entrar no escritório. Ele ligou a televisão para matar o tempo.
Estar ali lhe gerava uma sensação quase mais agradável do que estar sozinho em casa.
O apartamento cheirava a cigarro. Ele mesmo já tinha fumado dois enquanto esperava Temari. O cheiro lhe gerava uma sensação de liberdade estranha, a cerveja estava lhe fazendo se sentir relaxado demais para ser ele mesmo.
Aquele lugar tinha um efeito estranho em seu corpo. Aquele sofá, as cortinas escuras, o cheiro. Era íntimo e simples, um pouco bagunçado.
Ele odiava bagunça, mas aquela bagunça era curiosamente acolhedora.
Neji pegou mais um cigarro e acendeu, trazendo o cinzeiro da mesa de centro para perto. A fumaça inundou seus pulmões e saiu lenta por entre seus lábios, fazendo um fio esbranquiçado girar até alcançar a lâmpada do teto e se dissipar, formando um ambiente embaçado.
Ele apoiou a cabeça no encosto do sofá e ficou observando a fumaça. Um jogo de futebol estava passando na televisão, mas ele odiava esse tipo de esporte, então ele simplesmente diminuiu o som e ficou se perguntando porque realmente ainda estava ali?
Fechou seus olhos por um segundo, levando o cigarro aos lábios, buscando no fundo de sua mente o verdadeiro motivo por ter aceitado esperar que Temari resolvesse o que precisava resolver...
Naquela noite, em si, ele não queria ficar sozinho.
Neji tinha tido um dia irritante, como a maioria dos dias no trabalho. Mas hoje aquilo tinha o feito desejar não ter que voltar para casa e enfrentar o silêncio e a monotonia.
Nem os livros de poesia...
Ele precisava de calor, de epiderme.
Temari tinha sido excepcional; naquela primeira noite depois do The Catch e ontem também. Embora ela parecesse crescer dentro dele, como uma erva daninha, que vai ganhando espaço, conquistando território. Ontem tinha sido algo muito menos feroz, mas não menos sensual.
Eles tinham conversado, rido, transado duas vezes. Ela era o tipo de diversão inteligente que valia a pena, mas ela não era a pessoa com quem Neji gostaria de se fixar.
Aquela mulher era como um cavalo indomável, arredio, ele não entendia como ela e Shikamaru estavam juntos. Como aquela realidade brusca não os afetava. Mas talvez o Nara não pensasse muito no futuro, na sua imagem pública, no que diriam dele.
Neji pensava tanto naquelas coisas que ele para ele ninguém chegaria ao standart necessário para ser apresentada para a família.
E ainda assim, ele estava ali, naquela sala simples, matando o tempo enquanto ela falava no telefone, enquanto qualquer barulho no corredor o fazia se sentir curioso e tenso em mil níveis diferentes.
Então passos se aproximaram à porta e Neji sentou-se ereto, levando a cerveja aos lábios para dar um longo gole, buscando acalmar sua mente.
A chave girou na fechadura e a maçaneta se moveu rapidamente, abrindo a porta para um Shikamaru distraído, com os cabelos soltos e bagunçados, o capacete da moto em uma das mãos. Ele nem olhou para a sala no começo, sem notar a presença de Neji, mas voz de Temari soou alta no escritório e o recém chegado levantou o olhar alerta, finalmente olhando ao seu redor.
Seus olhos surpresos encararam Neji.
O Hyuuga congelou por um segundo, mas seu rosto não deixou passar nenhuma expressão que denunciasse sua ansiedade.
- Hey – Shikamaru murmurou levemente chocado, fechando a porta atrás de si e colocando o capacete na mesinha de entrada – Vocês não iam sair?
A voz dele soou levemente seca e Neji tragou o cigarro antes de responder, precisando um shot de nicotina antes de começar aquela conversa.
- Temari está numa ligação de trabalho há quase uma hora – ele explicou, virando o resto da cerveja e colocando de volta sobre a mesa – Se você quiser eu posso ir embora – adicionou, se levantando lentamente.
Shikamaru franziu a testa, mas fez que não, passando a mão pelo cabelo e colocando os fios de volta aos seus lugares.
- Se você ainda não foi embora, deve ter um bom motivo para continuar aqui – o Nara retrucou, uma sobrancelha arqueando desafiadora, mas o outro apenas colocou as mãos nos bolsos da calça, o movimento impactou Shikamaru como um tapa.
Neji não estava ali para brigar. O Hyuuga sabia respeitar os limites, tal como os animais selvagens sabem até onde podem ir em terras alheias. Havia um código implícito no recuo de Neji, na brecha para a bandeira branca...
Os olhos negros recairam sobre o Hyuuga, de pé, vestido com uma calça jeans preta e uma camiseta de manga longa branca. Um colar de couro pendia sobre o tecido claro, com um pendente de cobre.
Uma flecha.
O simbolismo estranho daquilo chamou a atenção do Nara e ele mexeu nos cabelos de novo, reparando nos cabelos soltos do Hyuuga, que caíam como uma cascata de nanquim por seus ombros.
- Você quer outra cerveja? – perguntou, buscando um modo de se sentir cômodo em sua própria casa.
Que ironia.
Neji parecia estar em casa, e ele se sentindo estranho.
- Seria ótimo, obrigado.
Shikamaru concordou antes de andar até a cozinha e pegar duas longnecks. O ar frio da geladeira o fez se sentir um panaca. Neji não tinha culpa de Temari estar atraída por ele, o cara era solteiro, bonito e inteligente.
Shakamaru tinha se metido naquela furada porque quis.
Ele voltou pra sala e entregou a cerveja para um Hyuuga já sentado no sofá e se dirigiu ao corredor.
- Temari? – chamou, fazendo a mulher sair do escritório e pedir licença no celular para a pessoa com quem estava conversando.
- Você já chegou! – ela disse admirada e olhou o relógio, parecendo chateada – Desculpa, eu não tinha intenção de te pegar desprevenido – Temari disse, seus olhos indo em direção à sala.
- Ta tudo bem? – Shikamaru perguntou, fingindo não perceber que ela estava falando sobre Neji e decidindo se preocupar apenas pela ligação.
- Não muito. A equipe de segurança de Gaara recebeu uma ameaça, eles estão discutindo como lidar com a situação da forma mais discreta possível...Mas ele é o prefeito, então imagine.
- Você vai precisar ir para lá?
- Acho que não, mas se precisar talvez eu tenha – Temari suspirou e acariciou o rosto do namorado – Eu sei que prometi-
- Temari, teu irmão é importante, é obvio que você não precisa se desculpar caso tenha que ir, ok?
Ela sorriu e Shikamaru viu como seu rosto demonstrava certa preocupação. Seu corpo se moveu em um instinto possessivo e a puxou para um abraço, apertando o corpo voluptuoso dela contra si. Seus lábios tocaram sua testa e depois desceram até tocarem seus lábios.
Ele se sentia culpado por todas aquelas sensações estranhas que tinha ultimamente: o ciúmes, a raiva, a vontade de descontar nela, além de seu estranho interesse na relação que Temari tinha com Neji.
Shikamaru a apertou contra a parede e a beijou com força.
Temari tinha algo que lhe roubava o ar, às vezes roubava tanto seu ar que ele não aguentava mais. Era sufocante, era um vaivém incômodo sem nunca saber quando ela ficaria e quando ela iria embora.
Mas ali, naquele momento, ele apenas queria fazê-la e sentir melhor.
Seus dentes morderam a pele delicada do lábio dela, soltando-a em seguida, vendo como ela se recompunha num piscar de olhos e voltava a parecer preocupada e profissional. Ela apertou o ombro dele e sorriu.
- Obrigada.
Então Shikamaru se virou de volta para a sala e viu Neji os encarando. Seus olhos claros estavam obviamente mais turvos do que o Nara jamais vira. O homem levou um cigarro novo aos lábios e acendeu, sem desfazer o contato visual.
Certamente, Shikamaru e Temari tinham lhe mostrado um vislumbre de intimidade, como um pequeno convite a conhecer o que eram, quem eram juntos. Um convide a dar um passo adentro.
Shikamaru suspirou, tirando a jaqueta de couro e andando de volta para a sala, enquanto Temari voltava a falar no telefone e se recolhia para o escritório.
Ele jogou a jaqueta de couro sobre uma cadeira e se deixou cair na poltrona ao lado do Hyuuga, abrindo sua longneck e encarando Neji.
- Você joga Shogi? – perguntou, sentindo os olhos do Hyuuga o observarem atentamente.
Havia algo no Hyuuga que o fazia se sentir como se observasse um precipício. Um mistério, uma falsa aparência, camadas de todo tipo de profundidade.
Shikamaru não fazia ideia de quem era aquele homem a sua frente, e ao mesmo tempo conseguia ver mensagens subliminares em sua personalidade. Pequenas pistas que pediam para serem desvendadas.
Ele lia bem pessoas e faria questão de encarar aquele precipício e desvendar alguns enigmas.
Ele estava preparado para dar de cara com a clareira, onde os lobos se reúnem na madrugada, e observar a força da natureza que Neji carregava dentro de si.
- Eu adoro Shogi – Neji respondeu, sorrindo de lado e arqueando uma sobrancelha com interesse.
Mas cuidado, quando se olha muito tempo para o abismo, o abismo olha de volta para você.
N
N/A 1.: O QUE ACHARAM? AIMELDELS. Sim, é isso mesmo, preparem os corações e se segurem. Eu perguntei lá no Facebook, mas vou perguntar aqui tbm: vcs conseguem adivinhar meus casais favoritos e os casais que estão por vir?
N/A 2.: Queridas amigas, infelizmente teremos que nos acostumar com essas atualizações num ritmo muito mais lento do que eu gostaria devido à vida real (faculdade, trabalho, ativismo e escrita). Quem não acompanha no facebook ainda não está sabendo, mas agora eu tenho um blog! Ele é novo e tem poucas coisas ainda, mas vou falar sobre leitura, escrita, bloqueios, criação de personagens, dicas e tudo mais que envolva essa vida de escrita. Ao mesmo tempo, estou doida com a faculdade que decidiu tentar me soterrar de trabalhos, estágios e provas, por isso estou tendo poucas horas de escrita e os capítulos estão saindo mais devagar. Vamos torcer para as férias chegarem logo e as horas de escrita aumentarem! :3
Se vocês quiserem dar uma olhada no meu blog, eu vou ficar MUITO contente: www . omundodetainara . com – O mundo de Tainara. Sejam super bem vindas! :D
Facebook: Tai Bécquer
N/A 3.: a frase final é uma adaptação da frase do Nietzsche. 8-)
Love, Tai!
